
O Iron Maiden tenta, pela segunda vez na carreira, uma roupagem cibernética. A primeira vez, no álbum Somewhere in Time (86), a acolhida dos fãs foi abaixo do esperado por Steve Harris, líder - e ditador, segundo alguns - da banda. Utilizando novidades para a época - sintetizadores, letras com temas futuristas e colocando na capa do álbum o monstrengo Eddie encarnando um ciborgue assassino - Somewhere in Time surpreendeu ao quebrar a temática histórica apresentada com sucesso nos álbuns anteriores. Acostumados a ver esfinges e pilotos da segunda guerra nas capas dos álbuns, os headbangers protestaram: "o Maiden está virando techno!!". Com isso, o álbum não emplacou e gerou uma desconfiança que perdurou até o lançamento do álbum seguinte, Seventh Son of a Seventh Son, que ainda tinha resquícios da onda tecno, ainda que ligados aos temas místicos.

Agora, com Virtual XI, o Maiden tenta de novo. Dessa vez, entretanto, não é mais novidade. Chega a beirar o lugar comum. Talvez para arrebanhar novos fãs, os da geração Doom, Internet e Sequenciador, Steve Harris tenha usado da mesma arma em contextos diferentes. O que antes era vanguarda e corria o risco - que aconteceu - da rejeição, hoje é o chavão e corre o risco - que está acontecendo - do descaso artístico. O álbum não traz nada de novo, mas serve como pretexto para mais uma turnê, permitindo aos caras que mantenham seus empregos.
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O vocalista Blaze Bailey, ainda que seja um bom vocalista, mostrou desde sua estréia que não tem condições de acompanhar a linha que Bruce Dickinson seguia. Portanto, a banda deu ainda mais ênfase às melodias das cordas do baixo de Harris e das guitarras de Dave Murray e Janick Gers, pois as linhas de vocal escritas para Blaze precisam ser muito mais enxutas do que as que Bruce seguia. Mudança de vocalista, que desencadeou mudança de estilo nas composições, somadas à roupagem tecno resultou num overhead que nem mesmo os fãs mais tradicionais conseguiram superar. Resta saber se o investimento na geração Doom vai compensar essa perda. |
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Para os que não tolerarem o novo do Maiden, vale a pena procurar o álbum Accident of Birth, lançado no ano passado. Ele reune Bruce Dickinson e Adrian Smith, respectivamente ex-vocalista e ex-guitarrista do Maiden. O álbum é mais ou menos profético, pois aquelas músicas soam como as do Maiden, em uma realidade alternativa na qual não há Blaze Bailey e nem desmandos do Harris. E dá para escutar pela Internet, via Real Audio. Procure no CD JukeBox - http://www.audionet.com/redirects/jukebox/ (LSI) |
Saindo o disco novo dos carinhas do Pato Fu, o maior expoente do pop-rock nacional originário da cena alternativa. Tem bons momentos, maus momentos e um momento sublime: uma versão de "Nunca Diga", dos gênios da Graforréia Xilarmônica. Essa vale o CD. (LSI)
Falando em Graforréia Xilarmônica, o novo disco do trio está saindo do forno, tive a oportunidade de ouvir 4 músicas inéditas do novo álbum, e pelo nível destas, pode-se esperar um disco ao nível de Coisa de Louco II. (Erlon)
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Recém lançado também é o novo álbum do Smashing Pumpkins, Adore, primeiro álbum após a saída do baterista Jimmy Chamberlin. Billy Corgan assumiu a programação das bases eletrônicas, e o resultado é dos mais interessantes. Os Pumpkins, que estão em turne pelo Japão, gravaram tambem uma faixa em um álbum homenagem ao Depeche Mode. O álbum, intitulado "Music for The Masses" trás ainda várias bandas do Underground. (Erlon) |
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Rumores indicam que o D.Phala está novamente se movimentando para o lançamento de um novo disco. Os mesmos rumores indicam a volta do vocal Edu K, Prodigy que se cuide. (Erlon)
Vitor Ramil - Ramilonga
Aos detratores da família Ramil, aconselho cuidado, uma vez que o caçula, Vitor, não compactua da inoperância criativa dos mais velhos. Ramilonga, seu mais recente trabalho, comprova em verso, milonga e canção, a superioridade do cantor-escritor-produtor em relação aos irmãos.
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Comparações à parte, Ramilonga é um disco que pode - e deve - ser celebrado como um dos mais marcantes da música gaúcha dos últimos anos. Subintitulado "A Estética do Frio", o disco leva a música gaúcha à sua próxima encarnação, incorporando às estruturas tradicionais da arte nativista elementos da música mundial, incluídos aí os temas urbanos, históricos, pessoais, além de instrumentos como tablas, harmônicas e baixos acústicos. Em outras palavras, é um trabalho gaúcho - experimenta apresentar para o teu pai ou avô - com identidade mundial. A faixa-título, por exemplo, abre o CD mostrando uma Porto Alegre urbana, moderna e extremamente pessoal em tons de milonga. "Indo ao Pampa" é forte, confronta os gaúchos do passado e do futuro (iguais!) sob o ponteio de uma cítara (!!) e a marcação de um bumbo legüero. O resultado: perfeito, orgânico, profundo. Mexe com o orgulho do taura, se assim preferir. |
Em "Milonga das Sete Cidades", V. revela os segredos da boa composição, fixa qualidades técnicas (paradoxal, não?) e cerca o processo de criação da milonga em um espaço íntimo-geográfico todo seu. Se é complicado? Não. É ouvir e relaxar durante todo o disco, inclusive na descompassada "Gaudério", declamação acompanhada pelo baixo jazzy de Nico Assumpção. Já em "Último Pedido", é João da Cunha Vargas que dá o ar de sua graça, sua voz resgatada de uma gravação feita há dez anos atrás. Em outras duas composições, o poeta divide com Ramil a autoria dos versos. As criações de Fernando Pessoa, Juca Ruivo e João Simões Lopes Neto também marcam presença em "Ramilonga", um disco obrigatório a qualquer gaúcho - principalmente a aqueles, como eu, nascidos depois de 73.
Gleber Pieniz
Interessante foi a forma que Wander Wildner usou pra levantar fundos para sua viagem a Espanha e França. Segundo a lenda, ele estava conversando com Carlos Eduardo Miranda, reclamando que não tinha grana para a viagem. Quando o Miranda sugeriu:"Véio, grava uns 50 cds com músicas inéditas, tipo violão e voz e vende a 50 pilas cada!" . E foi o que Wander fez, o disco, "Valeu Véinho" trouxe somente músicas inéditas, e uma cover de Candy, de Kate Pierson e Iggy Pop. O disco é dos melhores, e tras algumas composições excelentes, como "Eu não posso ser feliz o tempo inteiro" e "Beverly Hills". Mais importante é que Wander conseguiu a grana e viajou. (Erlon)
Spawn - The Album
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Filme e trilha combinam com o místico clima de fim de século. O que é melhor do que a mistura do techno com a música pesada para embalar a história de um cara que morre e volta à Terra como um soldado do diabo? Pois é da dobradinha entre artistas como Slayer, Metallica, Butthole Surfers, Prodigy e Moby que saiu a trilha de Spawn. |
O CD traz quatorze porradas dignas de prêmio que, se não apontam para o futuro da música, ao menos colocam minhocas na cabeça de quem ainda tinha alguma certeza sobre o tema. A junção dos americanos Filter e Crystal Method abre o disco com "(Can't You) Trip Like I Do" e instaura um estado apocalíptico nos falantes. Em seguida, Marilyn Manson e Sneaker Pimps não se dão muito ao trabalho para polir a já ótima "Long Hard Road Out Of Hell", que também é título da autobiografia de Manson.
Mais Butthole Surfers do que Moby é "Tiny Rubberband", assim como é mais para DJ Spooky "For Whom The Bell Tolls", clássico do Metallica. Mansun e 808 State dão sotaque inglês à coletânea, recriando de forma hipnótica "Skin Up Pin Up". Outra boa e equilibrada combinação está em "One Man Army", com o Prodigy fazendo as bases para a guitarra sempre surpreendente de Tom Morello. "Familiar" com Incubus e DJ Greyboy é, disparada, a faixa mais estranha do disco - o que não lhe tira o posto de uma das mais cativantes. No caso, uma base de teclados dançantes faz cama para uma melodia vocal no embalo do raggamufin. De Slayer e Atari Teenage Riot só se pode esperar hardcore. E ele vem, claro, supersônico, matador, extremo, gritado. Grande trilha, à altura do feioso de McFarlane, Violador e Malebólgia juntos!
Gleber Pieniz
Acontecerá nos dias 20 e 21 de agosto, no Rio de Janeiro, e no dia 22 de agosto em São Paulo o festival "Close-Up Planet" com as presenças já confirmadas de Björk e Prodigy. A terceira edição do festival aposta no tecno, na música dos anos 90. Espera-se que sejam abertos espaços para Dj`s e músicos daqui também já que existe muita coisa boa rolando por aqui se tratando de tecno.(Erlon)

Agora um comentário de cinema. Perdidos no Espaço (Lost in Space) produção americana de 1998 que retoma as aventuras vividas pela família Robinson do seriado dos anos 60 de mesmo nome.
As diferenças entre a produção de 30 anos atrás e a de agora são gritantes. Enquanto na série original tudo era ingênuo a ponto de se tornar cômico, a versão dos anos 90 adotou um visual hardcore começando pela trilha sonora dominado pelo industrial, inclusive com Apolo Four Forty interpretando a música tema "Lost in Space".

Apesar do filme ser uma aventura escapista da melhor estirpe e o roteiro ter mais furos que uma peneira, existem grandes momentos como o visual hi-tech e a brilhante atuação de Gary Oldman no papel do Dr. Smith. Nunca o Dr. Smith foi tão cínico e mau como o de Oldman. William Hurt completamente apático e deslocado como o Professor Robinson é o contrapondo de Oldman. O restante do elenco composto por, Matt LeBlanc como Don West, Mimi Rogers como Maureen Robinson, Heather Graham como Judy Robinson e Jack Johnson como Will Robinson, não comprometem, são atuações sem exageros ou estrelismos, mas cabe destacar Lacey Chabert, que interpreta uma Penny Robinson com visual completamente dark e cheia de crises existenciais.
É um filme que embora tenha sido muito criticado, merece ser visto, mas não procurando compará-lo com o antigo seriado, e sim curtindo sua releitura nos moldes deste fim de século.
Ele acaba agradando a praticamente todos, tem alienígenas no melhor estilo "Alien", tem certa dose de romance, humor e bons efeitos especiais semelhantes aos de Spawn e um bichinho bem parecido com o Gremlin de Joe Dante.
E para os saudosistas ainda existe o robô de braços frenéticos que grita: ’Não tem registro!’ toda hora...
Scott Weiland - 12 Bar Blues
Depois de muitas fofocas sobre seu estado de saúde, sobre seu vício em crack e heroína, sobre seu sai-não-sai dos Stone Temple Pilots, Scott Weiland ressurge das cinzas. E que retorno! 12 Bar Blues, seu primeiro disco solo, revela uma posição mais madura, crítica e - por quê não? - inovadora no trabalho de Weiland, o que o coloca anos-luz à frente do Talk Show, projeto de banda criado pelos três STP restantes.
Além de escrever todas as faixas, o junkie recuperado Weiland mostrou serviço e produziu 12 Bar Blues em parceria com Blair Lamb. Como se não bastasse, além de cantar (muito!), tocou guitarras, piano, vibrafone, percussão e atacou de piloto de sintetizadores, mellotrons e beat boxes. Também participam da empreitada Tony Castaneda e Victor Indrizzo (co-autores de algumas composições), além de Martyn LeNoble e Peter DiStefano (baixista e guitarrista, respectivamente, do finado Porno For Pyros). |
12 Bar Blues é rock, na essência, sujo. Esbanja de elementos eletrônicos na busca da distorção e dos efeitos climáticos, sem nunca cair no techno e admite, em muitas quebradas inesperadas, baladas impróprias, temas latinos (!!) e tempestades depressivas. Confira, nestes casos, "Barbarella", "Cool Kiss" e "The Date". Em busca do pop - lugar comum em todo o disco - Weiland presenteia os desavisados com "About Nothing" e "Opposite Octave Reaction". Como se ainda não mostrasse talento, independência e maturidade suficientes, o ex-STP fez questão de enterrar definitivamente seu passado "clone de Vedder e Cobain": tá cantando mais do que nunca! Inspirado, versátil, forte e surpreendente, 12 Bar Blues já tá na minha lista de melhores do ano.
Gleber Pieniz