Alphonsus Benetti
Artista plástico nascido na região de Santa Maria e formado na UFSM. Uma retrospectiva de seu trabalho foi feita
na exposição Alphonsus: Vinte Anos de Trajetória Artística, no CAL - UFSM e na galeria Arte & Fato em Porto
Alegre. De 12 de dezembro a 14 de janeiro de 1996, a exposição estará no Museu de Arte Contemporânea, na Casa de
Cultura Mario Quintana, também em Porto Alegre.
O ARTISTA E A OBRA
O desenho é a principal manifestação de
Alphonsus no início de sua vida artística. Começa a
ter contato com a pintura em 1977 e a partir de
1980, pinta regularmente. Com o crescente número
de exposições, na década de 80, sua obra é
difundida e reconhecida. Segundo o artista houve
um período de maior abstracionismo na sua
produção plástica, entre 1982 e l984 - ora
abstração orgânica, ora geométrica e construtiva.
Hoje o trabalho detém um caráter mais figurativo e
as obras recentes, possuem um traço marcante,
mais expressivo, característica de um estudo
amadurecido. Considera seu trabalho com
influência do expressionismo - categoria que
acredita ser permanente dentro da evolução da
arte. Como profissional, visa um rigor técnico na
elaboração da forma, aplicação das cores,
procurando criar uma atmosfera nova a cada
quadro. A metodologia de trabalho desenvolvida
pelo artista corresponde a esboços iniciais,
desenhos e ou colagens, os quais são selecionados
para posterior redimensionamento através da
pintura.
A OBRA: "Vejo a pintura como uma impressão digital(...).
Existe na minha obra uma dramaticidade social, uma sutil
intenção política. "
A MOSTRA: "Sou rigoroso na escolha das obras que são
dirigidas ao público. Procuro apresentar pinturas inéditas, o
melhor do que produzi."
A ADMIRAÇÁO: "No Brasil, a la fase de Anita Malfati,
Portinari, Pancetti, Iberé Camargo, Segall; na América o
uruguaio Torres Garcia e o mexicano Rufino Tamayo; na
Europa os grupos A Ponte e o Cavaleiro Azul."
A FRUSTRAÇÃO: " Ver muita 'arte' sem qualidade circulando.
A população é leiga e considera tudo muito bom. A falta de
crítica da arte na cidade gera uma situação deseducativa. A
divulgação igual para a produção diferenciada, acaba
sendo inversamente proporcional à qualidade e generaliza
as obras."
O MERCADO: "O fazer de muitos é direcionado para a
comercialização. Não faço arte orientada para vender, faço
porque gosto de pintar, porque acredito na arte. Vendo
pouco; o retorno financeiro é mínimo."
A INQUIETAÇÃO:
"Às vezes perguntam para mim:
- Por que tu pintas tão escuro?
- Para mim não é escuro.
- Por que tua pintura é tão para baixo?
- Eu não a vejo tão para baixo.
- Por que um contexto tão dolorido?
- Eu não o vejo dolorido.
- Por que tua obra não é mais colorida?
- Toda a pintura é colorida."
"Composição com figura de mulher"
60cm x 80cm
óleo e colagem sobre papel