The Cure - Wild Mood Swings

por Maria Angélica Oliveira


Às vésperas de completar vinte anos, a banda inglesa The Cure, um dos símbolos dos anos 80, continua na estrada. Desta vez provomendo seu novo trabalho, WILD MOOD SWINGS, e mantém sua legião de fãs fiéis pelo mundo inteiro.

Único membro permanente da banda, Robert Smith (o Fat Bob), marcou época com seu visual no mínimo exótico, influenciando góticos do mundo inteiro, embora o próprio Smith declare que nunca foi gótico e não entende o porquê de ter levado esta fama...

A formação do Cure sempre foi bastante flutuante, sendo que entre os membros que vieram ao Brasil em 1987, além do próprio Smith, permanece apenas o baixista Simon Gallup, que esteve fora do Cure entre 1982 e 1984. Após enfrentar problemas na justiça em 1989, quando o ex-tecladista Laurence Tolhurst exigiu (e perdeu) alguns milhões de libras em direitos autorais, o Cure perdeu ainda dois grandes músicos: o guitarrista e tecladista Porl Thompson, que passou a tocar com Page & Plant e o baterista Boris Williams. Atualmente, além de Smith e Gallup, o ex roadie da banda Perry (Teddy) Bamonte foi convocado para substituir Thompson na guitarra; os teclados foram assumidos (de novo) por Roger O’Donell, que já havia integrado o Cure em 1989 no lugar de Tolhurst e ainda temos o novato Jason Cooper, um ex fã que, respondendo a um anúncio de Smith em um jornal, foi escolhido como baterista. Mas estas perdas não se fazem sentir e a banda mantém sua qualidade sonora.

O mais recente trabalho do Cure, WILD MOOD SWINGS, lançado em maio deste ano, já está em seu terceiro single, e com dois vídeos rodando na MTV. Quem espera canções sombrias, em estilo deprê, certamente se surpreenderia ao ouvir este disco. O último álbum com um clima mais pesado foi mesmo DISINTEGRATION, de 1989. WISH, de 1992, já revela um Cure bem distante das viajens auto destrutivas de FAITH, PORNOGRAPHY e SEVENTEEN SECONDS, do início dos anos 80 e que ajudaram a rotular a banda como sombria. WILD MOOD... apresenta uma miscelânea de estilos, desde as dançantes Mint Car, Round & Round & Round e Return até as notas orientais de Numb e sonoridades mexicanas em The 13th. Com certeza um grande disco, rendendo excelentes concertos.

Em janeiro de 1996, o Cure voltou ao Brasil a pedido dos fãs que há nove anos esperavam seu retorno, depois dos históricos concertos de 1987. Os shows deste ano, em São Paulo e no Rio de Janeiro foram, basicamente, para fãs, onde se ouviram os principais clássicos da banda, de A Forest até Boys Don’t Cry. Do material novo foram mostradas Want, Jupiter Crash e Mint Car.

Os shows do Cure normalmente são longos, mais de duas horas, para delícia dos fãs. Na turnê atual, Swing Tour, além do material novo, os clássicos continuam a ser apresentados. No mês de dezembro está acontecendo a segunda fase européia da turnê, sendo que em agosto e setembro eles andaram pela América, mas somente a do Norte...

Até agora, foram lançados os vídeos The 13th, bastante polêmico, e Mint Car, extremamente debochado. Além dos singles relativos as estes vídeos, foram lançados Strange Atraction (nos EUA) e Gone! (na Europa) que deve ser o próximo vídeo.

Para a comemoração dos vinte anos em 1997, Smith já falou em vários planos, porém nada confirmado. Se cogitam shows com a participação dos antigos integrantes, tocando material da época de suas participações, coletânea de singles e de lados B e filmes contando a história da banda.

Há rumores de uma nova vinda ao Brasil, no nosso inverno, já que eles parecem ter sofrido muito com o calor enfrentado aqui em janeiro deste ano. Aguardamos ansiosamente...