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Introdução
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HERANÇAS
MONOGÊNICAS
Em 1902, Garrod identificou o primeiro distúrbio com herança
monogênica em humanos e vários outros erros inatos de metabolismo
foram sendo identificados ao longo dos anos. Em 1966, Victor McKusick
organiza a primeira publicação reunindo as 1500 desordens monogênicas
identificadas até então. Essa publicação, denominada "Mendelian
Inheritance in Man", vem sendo atualizada periodicamente e a décima
primeira edição (1994) apresenta revisão sobre mais de 6.000 fenótipos
mendelianos (a grande maioria distúrbios raros).
Os distúrbios monogênicos resultam em heredogramas típicos e a
grande maioria tem freqüência populacional muito baixa. Dois distúrbios
são exemplos clássicos de exceções em relação á raridade: a
anemia falciforme que em populações africanas (África Equatorial)
poder ter freqüência elevada e a fibrose cística em algumas populações
européias.
IMPORTANTE
World
Wide Web URL: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/omim/
As informações da publicação "Mendelina Inheritance in
Man" estão disponíveis na rede sob a denominação de Online
Mendelian Inheritance in Man, OMIM (TM)1.
Atualmente essa publicação online está incorporada
ao sistema ENTREZ do NCBI (National Center of Biotechnology
Information), com links para o MEDLINE. O acesso a essas informações
é livre e a atualização dos registros extremamente eficiente2.
1.
Referência
completa: Online Mendelian Inheritance in Man, OMIM (TM).
McKusick-Nathans Institute for Genetic Medicine, Johns Hopkins
University (Baltimore, MD) and National Center for Biotechnology
Information, National Library of Medicine (Bethesda, MD), 2000.
2.
Em setembro de 2002, as estatísticas do OMIM indicavam 13.921 entradas,
sendo que 10.339 são de locos estabelecidos, 1.145 são descrições de
fenótipos (locos ainda não estabelecidos) e 2.437 são registros
variados.

ESPERANÇA
PELA REDE
"Tenho uma filha, a Isadora, de nove anos de idade, que
é portadora de osteogenesis imperfeita (OI). [...] Em maio de 1999,
navegando pela Internet, meio que por acaso descobri, num desses sites
de busca, uma página brasileira sobre a doença. a partir do momento em
que acessei www.aguaforte.com/oi, a vida da minha família começou a
mudar.
Nesse site, além de todas as informações conhecidas sobre a
OI, encontrei uma novidade: um link para o Shriners Hospital for
Children, em Montreal, no Canadá, onde desde 1992 está se fazendo um
tratamento pioneiro em crianças com OI com resultados bastante
positivos.
[...] decidimos, eu e minha esposa, por mera curiosidade, enviar
um e-mail para o dr. Horácio Plotkin, um dos autores da pesquisa,
expondo o caso da nossa filha. Para minha surpresa, exatos vinte minutos
depois recebi uma mensagem de resposta do dr. Plotkin, colocando-se a
disposição para novas informações.
[...] hoje, aproximadamente 16 crianças, já estão recebendo no
Brasil, esse mesmo tratamento, com base nas informações e no Protocolo
que trouxemos do Canadá, em pelo menos quatro instituições [...]
O mais intrigante dessa história é que nem mesmo renomados médicos
brasileiros sabiam da existência dessa pesquisa e, não fosse a nossa
insistência, talvez ela ainda demorasse a ser aplicada no Brasil.
Hoje, nos sentimos gratificados em ver que uma despretensiosa
navegação pela Internet acabou ajudando a abrir uma esperança para
crianças brasileiras portadoras de OI [...] E, é claro, nos sentimos
felizes em constatar a evidente melhora apresentada pela Isadora, após
três aplicações do tratamento que descobrimos pela Internet. Depois
de ter mais de 60 fraturas, pela primeira vez em sua vida ela está a
nove meses sem quebrar nenhum osso, além de apresentar visíveis
progressos em sua mobilidade
Nunca
imaginei que a Internet poderia me ajudar a tentar realizar o maior
sonho da minha filha:andar.
(Esperança pela
Rede; Moacir de Oliveira Filho, jornalista, fundador da Associação
Brasileira de Osteogenesis Imperfeita).
Fonte: Revista do Provão, 5:36-7, 2000(Brasília)
ALTERAÇÕES
CROMOSSÔMICAS
As anormalidades fenotípicas associadas ás alterações cromossômicas
são resultado de excesso ou falta de genes. A síndrome de Down é um
bom exemplo dessa situação: os indivíduos apresentam alterações
fenotípicas não pela presença de formas alélicas modificadas (que
resultariam em produção
de proteínas anormais) mas pela simples existência de três cópias do
cromossomo 21 (mesmo que todas as cópias contenham apenas alelos
"normais").
O número correto de cópias gênicas é tão importante para o
desenvolvimento normal humano que a grande maioria das alterações
cromossômicas está associada a modificações fenotípicas intensas e
quanto maior o número de locos atingidos, tanto maior a probabilidade
de interrupção espontânea da gestação (50% dos abortos espontâneos
no primeiro trimestre, são fetos com alterações cromossômicas).
Em conjunto, a freqüência populacional das alterações cromossômicas
é alta (7 em cada 1.000 nativivos) e esses distúrbios estão
associados principalmente á malformações congênitas múltiplas e
retardo mental. Embora o número de alterações cromossômicas possíveis
seja muito grande (considerando alterações numéricas e estruturais),
a maioria dessas alterações é esporádica, sem grande repetibilidade
por decorrerem de "acidentes" (produção aleatória) e não
transmissíveis para a próxima geração (por estarem associadas a
abortos espontâneos ou alterações fenotípicas muito graves). Por
esses motivos, o número de síndromes associadas á alterações
cromossômicas é relativamente baixo - pouco mais de 60 distúrbios
descritos.
HERANÇAS
MULTIFATORIAIS
A maioria dos distúrbios comuns na idade adulta é considerada
herança multifatorial. Para esses distúrbios os efeitos
das condições ambientais dos genes se somam para resultar no fenótipo
do indivíduo.
A base genética desses distúrbios é complexa (vários locos
com vários alelos) e embora exista a tendência de serem recorrentes
dentro de família não é possível observa nos heredogramas os padrões
de transmissão mendelianos típicos. Por isso, pode-se dizer que para
distúrbios multifatoriais os genes NÃO DETERMINAM o aparecimento do
distúrbio - APENAS CONFEREM UM GRAU MAIOR OU MENOR DE
SUSCETIBILIDADE, RISCO OU PROPENSÃO EM RELAÇÃO AO DESENVOLVIMENTO DO
DISTÚRBIO. A manifestação ou não dos distúrbios multifatoriais
estará sempre na dependência das associações entre fatores
ambientais e a base genética.
DOENÇA
DE FAMÍLIA
(Clea Simon1)
“(...) Quando eu tinha seis anos,meu
vi irmão se transformar
de um simpático adolescente de 16 anos para um zumbi que fitava o espaço
por horas. Dois anos mais tarde, eu vi minha irmã mais velha tornar-se
cruel e barulhenta, gritando pelo que parecia ser horas. Eu era jovem
demais para saber qualquer coisa sobre esquizofrenia, mas sabia que
alguma coisa estava terrivelmente errada. Como muitos com essa doença,
nem meu irmão nem minha irmã encontraram tratamento satisfatório
(...). E embora a
conscientização do público em relação ás doenças mentais tenha se
tornado um longo caminho em minha vida, é difícil não se sentir
amaldiçoado pelas sombras que elas lançam. Por muito tempo em minha
vida eu tentei acreditar que a loucura estava atrás de mim {no
passado}. Afinal, meu irmão
se suicidara a 15 anos atrás, quando eu ainda estava na faculdade e
fiquei sem contato com minha irmã por quase 20 anos. Eles não habitam
mais minha vida presente, mas a doença deles me persegue como um
fantasma. Nesse ponto em minha vida, o fantasma assumiu uma nova forma
terrível. Ele me persegue agora com a questão: poderei ter uma criança
com esquizofrenia? Conversar com geneticistas não dissipou meus medos.
Na verdade, eu logo compreendi que qualquer filho meu terá um risco
aumentado de desenvolver essa doença que destruiu a vida de meus irmãos.
Embora meu companheiro não tenha parentes com esquizofrenia, nossos
filhos terão uma probabilidade oito vezes maior de ter essa doença do
que qualquer outra pessoa. Mas, mesmo para as minhas crianças, a
esquizofrenia não têm um risco muito alto - as chances vão de 3 a 8
porcento. Na população em geral, a esquizofrenia ocorre em uma a cada
cem pessoas. Vários cientistas me disseram que outros fatores - como o
fato de meus dois irmãos terem a doença - poderiam aumentar o risco.
Outro fator poderia ser a severidade dos casos - meus dois irmãos eram
gravemente afetados e com doença incontrolável. Isso era tudo o que os
cientistas podiam me oferecer. Diferente de algumas outras doenças
hereditárias, os genes para esquizofrenia ainda não foram isolados, não
há testes disponíveis. Tudo que podemos fornecer são nossas histórias
familiares e tudo o que podemos receber como retorno são porcentagens.
(...)Contudo, nós tentamos, desesperadamente, ler nossos futuros na
pequena informação que temos. A genética das doenças mentais será
melhor compreendida em 20 anos, dizem os pesquisadores, mas não há
muitas chances do conhecimento atual ter aplicações práticas dentro
dos próximos cinco anos - quando poderia ser útil para mim.
Ao final, tenho que encarar o fato de que ninguém pode me dizer
se um filho meu será saudável ou doente. E assim, o dilema permanece,
particularmente para pessoas como eu, que carregam as memórias de seus
irmãos ao mesmo tempo que sentem a pressão do avanço da idade. Nós
não podemos esperar por pesquisas para obter respostas. Nós precisamos
construir nossa paz - e
nossas decisões - com o conhecimento que dispomos.”
1(editora
do Boston Globe e autora do livro autobiográfico “Mad House: growing
up in the shadow of mentally ill siblings”.)
HERANÇA
CITOPLASMÁTICA OU MATERNA
As mitocôndrias do zigoto são exclusivamente maternas (herdadas
junto com o citoplasma do gameta feminino). No processo de fecundação,
em mamíferos, o espermatozóide passa para o citoplasma do ovócito com
cabeça e cauda (Figura 1 ), mas as mitocôndrias da peça intermediária
não "sobrevivem" e o futuro embrião não herda mitocôndrias
paternas.
FONTE:
SADLER,1999 (p.19)
O genoma mitocondrial é pequeno e codifica poucas proteínas,
todas relacionadas com a cadeia de fosforilação oxidativa. Mutações
nesses genes podem comprometer o funcionamento de tecidos e órgãos,
por reduzir o aporte de energia para o funcionamento e a sobrevivência
celular. Porém, se as mitocôndrias estão funcionando de modo
correto, efetivamente elas não serão responsáveis por fenótipos
reconhecíveis (morfoanatômicos ou bioquímicos). A nível molecular
porém, o genoma mitocondrial pode ser usado para determinar a origem
(ascendência) dos indivíduos dentro de populações, estabelecendo
relações de parentesco através da linhagem materna.
A herança de mutações mitocondriais não pode ser considerada
como "um caso especial" dentro da herança mendeliana pois tem
padrão totalmente diverso de transmissão. As heredopatias
mitocondriais são transmitidas apenas pelas mulheres e as mitocôndrias
com genes anormais são transferidas para todos os filhos (sexo
masculino e feminino).
DISTÚRBIOS
DE CÉLULAS SOMÁTICAS
As
células somáticas acumulam, ao longo da vida, mutações em vários
locos gênicos. A presença dessas mutações, na maioria das vezes,
não pode ser percebida pois as alterações ocorrem em genes que não
se expressam na célula mutante. Desse modo, várias linhagens celulares
diferentes surgem por mutação somática mas poucas podem ser
detectadas. Um exemplo de linhagem celular modificada que pode ser
facilmente de ser observada é a que constitui as manchas de pele que
tendem a aumentar em número a medida que envelhecemos.
Outros
tipos de mutações somáticas podem ser percebidos por modificarem o
funcionamento das células e causarem distúrbios. Mutações nas
células do sistema imunológico, por exemplo, estão associadas ao
desenvolvimento de doenças auto-imunes e alterações nos genes que
controlam o ciclo celular são a origem para o câncer.
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