Cerrito Corredor do Bolso


O sítio apresenta, dentro de seus limites, duas estruturas monticulares, de morfogênese antrópica. Estes mounds ou cerritos, para a arqueologia brasileira, foram denominados de Cerrito A (31m de diâmetro) e Cerrito B (20,5m de diâmetro). Estão alinhados nas coordenadas W - E, sendo 36,25m distantes.

As pesquisas de campo foram realizadas no ano de 1998 pela equipe do Laboratório de Estudos e Pesquisas Arqueológicas da Universidade Federal de Santa Maria-RS, contando com o apoio do Laboratório de Paleobiologia e Estratigrafia, da mesma universidade, além de estudantes de pós-graduação da UNISINOS de São Leopoldo-RS.

A Intervenção arqueológica compreendeu na abertura de trincheiras e perfis estratigráficos, coleta superficial sistemática controlada, sondagens e decapagens em locais preferenciais.

O Conjunto de documentos cerâmicos correspondente ao contexto escavado e coletado do sítio VAC-07 manifesta, até certo ponto, uma heterogeneidade. Foram evidenciados fragmentos tanto acordelados quanto moldados. Há uma dessemelhança correspondente ao antiplástico, variando em quantidade e em dimensões. Encontram-se em praticamente mesma proporção os fragmentos ungulados e os corrugados.

O conjunto de decorações apresenta, excepcionalmente, fragmentos com a pintura vermelha sobre branco, somente vermelha ou somente branca. Ocorrem casos com decorações plásticas como o ponteado, o inciso, o penteado, o trançado e o nodulado.

Esta descrição não concorda com nenhuma tradição ou fase criada pela arqueologia brasileira. Poderia estar encaixada tanto na Tradição Vieira quanto na Tradição Tupiguarani.

Outra ocorrência importante a ser considerada é o contexto onde a cerâmica foi evidenciada, um local tradicionalmente povoado no período pré-colonial por sociedades de caçadores-coletores.

Referindo-se ao material lítico, a matéria prima mais comum encontrada no sítio foi o quartzo, seguido pelo arenito silicificado e o quartzito. O destaque dado ao exame da matéria prima esta explicitamente ligada ao problema da existência ou não das rochas correspondentes nas proximidades do sítio.

As lascas são predominante no sítio, não possuindo sinais de retoque. mas algumas possuem marcas de utilização. A maior parte das lascas são acorticais ou lascas secundarias como Prous classifica (1992).

Para o estudo dos núcleos adotamos o critério clássico: "Toda massa de matéria prima trabalhada toma caráter de núcleo" (A. Leroi Gourhan, 1964). "Bloco de matéria da qual foram tiradas lascas, lâminas ou lamelas" (Tixier, 1963). Os núcleos que foram encontrados na área delimitada para o estudo classificaremos como núcleos poliédricos, tendo uma forma de bola facetada. Este tipo de núcleo impede o lascamento unipolar, mas não impede que o núcleo seja descartado, servindo ele ainda para o lascamento bipolar.

Foram encontradas blocos ou seixos que possuem depressões no centro e nas extremidades das peças. Estes são conhecidos e denominados pela arqueologia tradicional devido à hipótese dos arqueólogos denominá-los de acordo com sua funcionalidade. Esses artefatos são denominados de "quebra coquinhos", porém sua funcionalidade é desconhecida não se sabendo ainda quais os motivos que estariam relacionados ao surgimento das depressões.

Também houve a ocorrência de bigornas que serviriam para o suporte dos lascamentos bipolares.

Os trabalhos arqueológicos realizados pelo Laboratório de Estudos e Pesquisas Arqueológicas-LEPA da Universidade Federal de Santa Maria-UFSM na região do Corredor do Bolso às margens do Rio Vacacaí nos trazem grandes reflexões e questionamento sobre os "cerritos". As particularidades desta escavação evidenciaram uma grande dispersão de material no entorno dos monumentos funerários.

Bibliografia relevante:

MILDER, S. E. S; LEMES, L.; ZIMPEL NETO, C. . Morte e Hierarquia nas Terra Baixas Platinas. Cadernos do CEOM, Chapecó-SC, p. 251-274, 2002.

ZIMPEL NETO, C.A.; LEMES, L.; MILDER, S.E.S; PEDROZO A. V. Proposta para o estudo dos monumentos funerários indígenas: o Cerrito Corredor do Bolso. Revista História Unicruz, Cruz Alta-RS, 2003.

ZIMPEL NETO, C.A.; LEMES, L.; MILDER, S.E.S. Considerações ao estudo da tradição ceramista Vieira na metade meridional do RS. In: XII CONGRESSO DA SAB-ARQUEOLOGIAS DA AMÉRICA LATINA, 2003, São Paulo. Anais do XII Congresso da SAB-Arqueologias da América Latina. 2003.

 


Figura 1.

 

 

Figura 2.

 

 

Figura 3.

 

 

Figura 4.

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