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A história ganha cores na CEU II



Há cerca de um mês a fachada sóbria da Casa do Estudante Universitário II, no campus da Universidade Federal de Santa Maria, deixou de ser branca. As paredes do prédio 32 – que abrange do bloco 11 ao 15 – preencheram-se de cores vivas e formas chamativas. A iniciativa faz parte do Projeto Arte na CEU II, desenvolvido pela Diretoria da Casa, entidade representativa dos acadêmicos da Universidade residentes nos prédios destinados à moradia estudantil.

Segundo Fabrício Teló, membro da Diretoria na gestão passada, o projeto surgiu como uma forma de resgatar e valorizar a história da Casa do Estudante Universitário II, tanto para os seus moradores como para os demais estudantes da UFSM. “A arte foi o meio escolhido por ser uma das maneiras mais significativas de expressar sentimentos, contextos, idéias e histórias”, explica Fabrício.

Vista frontal do bloco 32, o mais antigo da CEU II, escolhido para receber as manifestações artísticas. Foto: Camila M. Cargnelutti.

 

Além da necessidade de valorização histórica, e consequente melhora na aparência frontal do prédio, também se percebeu a necessidade de despertar nos moradores um senso de pertencimento e envolvimento com a Casa do Estudante. Para a inscrição no Projeto, os interessados enviaram um esboço prévio do desenho, pintura, ou grafitagem que desejavam transferir para a fachada da Casa. Os esboços passaram por uma avaliação e posterior seleção. A Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis comprometeu-se com o custeio dos materiais necessários para as artes. Os selecionados participaram ainda de uma reunião com a Diretoria da Casa. No dia da reunião, com cinco dos selecionados presentes e com cinco blocos por serem pintados, designou-se o espaço de um bloco para cada um dos artistas.

 

Em cada parede, uma mensagem

No bloco 11, Cecília Meireles é citada na tentativa de colocar em palavras um sentimento: “Liberdade, essa palavra que o sonho humano alimenta, que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda”. E, no painel ao lado, uma lembrança para os estudantes que passam apressados: “Não existe estrada, casa, droga, roupa, dinheiro, posição social, asa-delta, esconderijo, paixão que garanta sua liberdade. Só o conhecimento”.

O painel do bloco 11 aponta a educação como uma forma de transformação social e garantia de liberdade. Foto: Camila M. Cargnelutti.

 

A história da Casa do Estudante Universitário não é recente. O espaço que seria destinado à moradia estudantil e que hoje é a CEU II estava presente na primeira planta feita da Cidade Universitária. A construção iniciou na década de 1960. Eram, ao todo, cinco prédios em construção, destinados à residência de estudantes, professores e servidores técnico-administrativos. Em 1968, aconteceu a liberação do primeiro prédio para os estudantes e, aos poucos, os outros foram entregues conforme concluídos.

Logo, as vagas existentes na Casa tornaram-se insuficientes para atender a demanda crescente de universitários. De acordo com Pedro Sérgio da Silveira, acadêmico de História da UFSM e morador atual da Casa, nessa época começaram as primeiras lutas estudantis pela ampliação das vagas e pelo direito à moradia feminina na CEU II. Até o fim da década de 70, as vagas eram somente masculinas. A situação mudou, afirma Pedro, quando quatro mulheres enfrentaram o preconceito e ocuparam um quarto no bloco 12.

Essa é uma parte da história da Casa que o acadêmico de Artes Visuais da UFSM e morador da Casa, Luis Alberto Abegg, retratou: “Nesse bloco quatro mulheres lutaram pelos seus direitos. Uma flor para elas”. O bloco 12, ao mesmo tempo em que é uma homenagem àquelas quatro mulheres pioneiras na luta pela moradia feminina, também é um painel representativo do combate, ainda atual, da mulher contra o machismo e o preconceito.

A ocupação de um apartamento no bloco 12 por quatro mulheres foi o primeiro passo para a garantia do direito à moradia feminina na CEU II. Foto: Camila M. Cargnelutti.

 

O bloco seguinte tem em suas paredes pinturas de uma história iniciada muito antes de os colonizadores portugueses chegarem ao Brasil e que começou a ser esquecida quando eles desembarcaram de suas caravelas. A história dos indígenas foi o tema escolhido para cobrir as paredes outrora brancas do bloco 13. A crítica é clara: “Invisíveis até quando?” Na foto abaixo, a interpretação literal do mural inacabado é mais realista do que se gostaria: a história escrita com o sangue indígena.

A problemática indígena também foi contemplada no Projeto Arte na CEU II. Foto: Camila M. Cargnelutti.

 

A intenção de criar um senso de pertencimento à Casa pode ser percebida na grafitagem  do bloco 14. No bloco 15, retoma-se a ideia de reconstruir e valorizar a história da Casa por meio da alusão a líderes como Che Guevara, Martin Luther King e Zumbi dos Palmares reafirma-se a força dos estudantes historicamente organizados que conquistaram diversos avanços na luta pela ampliação da assistência estudantil, pela redução das desigualdades sociais e pela defesa de uma universidade pública de qualidade.

A CEU II, ao longo de sua história, configurou-se como um espaço de incentivo à reflexão e organização dos estudantes em defesa dos seus direitos. Foto: Camila M. Cargnelutti.

 

Repórter:

Camila Marchesan Cargnelutti – acadêmica de Jornalismo

Editor:

Lucas Durr Missau – Jornalista

 


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