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Cultura que toca



 

A constatação de Henrich Rudolph Hertz de que as ondas têm a mesma velocidade da luz resultou num dos grandes inventos do século XIX: o rádio. Inicialmente utilizado quase que exclusivamente para fins militares, o rádio se popularizou rapidamente como um instrumento de troca e transmissão de informações. Na Universidade Federal de Santa Maria, a percepção da importância da comunicação entre a comunidade santa-mariense e a comunidade universitária fez com que logo nos primeiros anos de funcionamento da UFSM fosse solicitado, por parte do reitor fundador José Mariano da Rocha Filho, junto ao Ministério das Telecomunicações, a concessão de um canal de rádio em benefício da Universidade.

Em 11 de outubro de 1965, o Diário Oficial da União publicou em suas páginas o decreto de concessão do canal solicitado. A partir dessa conquista, foi organizada uma equipe de profissionais que deveria se encarregar pelo planejamento de uma grade de programação que deveria estar focada na cultura e na educação. Norma que 46 anos mais tarde continua sendo observada pela direção da Rádio Universidade.

Três anos depois da publicação do decreto de concessão, em 27 de maio de 1968, a Rádio Universidade começou suas atividades. Com seus estúdios instalados no oitavo andar do prédio da reitoria, então localizada na Rua Floriano Peixoto, no centro de Santa Maria, e suas antenas transmissoras alocadas em um haras no distrito de Boca do Monte, a emissora iniciou sua programação pontualmente às 18 horas, sob direção interina do professor Quintino Oliveira, que na cerimônia de inauguração substituiu o diretor titular, professor Antônio Abelin – primeiro diretor da Rádio Universidade que permaneceu no cargo até o ano de 1971.

O decreto publicado em 1965 conferia à Rádio Universidade o caráter de um projeto experimental. Assim, nos primeiros anos de funcionamento da rádio – também pela ausência de um curso de Comunicação Social – a programação teve um forte caráter educativo. O programa denominado “Escola do Ar” mantinha rádio-postos instalados em Santa Maria e região e oferecia aos interessados cursos especiais de idiomas, palestras, conferências, entrevistas e reportagens que pretendiam estimular jovens e adultos a um retorno aos estudos abandonados.

A resposta da comunidade santa-mariense e até mesmo de cidades da região central do estado, alcançadas pela Rádio Universidade, foi extremamente positiva. No primeiro ano de oferta dos cursos na “Escola do Ar” mais de três mil pessoas se inscreveram para participar.

Do prestígio veio a permanência

Assim a Rádio Universidade se popularizou. E foi no momento de crescimento e consolidação da credibilidade da rádio junto à comunidade que, em 13 de março de 1969, foi recebido na reitoria da Universidade um documento oficial, remetido pelo Ministério das Telecomunicações, que concedia à rádio licença definitiva para funcionamento.

O reconhecimento trazia, além de crédito, outras vantagens à emissora. Posteriormente à concessão definitiva a frequência de operação foi modificada: de 1320 kHz passou para 800 Khz. Por consequência a potência foi aumentada de 1 Kw durante o dia e 0,250 Kw durante a noite para 10 Kw em tempo integral.

Além disso, segundo comunicado enviado pelo professor José Mariano da Rocha Filho ao Ministério das Telecomunicações, em 23 de abril de 1969, a concessão da licença definitiva era uma demonstração de confiança das autoridades governamentais no trabalho realizado pela administração da UFSM em seu setor de comunicação. A grave situação enfrentada pelos meios de comunicação social durante a ditadura, no Brasil do fim da década de 1960, evidenciava o respeito pelas ações realizadas.

Entre essas ações estava o estabelecimento de parcerias com emissoras de rádio estrangeiras. A intenção era que se mantivesse um intercâmbio de notícias e produções científicas entre diversos países. Foram firmadas parcerias com as rádios Deutsche Welle, da Alemanha, a Office de Radiodiffusion Televísion Française da França, a Rádio Niederland da Holanda, a British Broadcasting Corporation (BBC) da Inglaterra, a Radio e Televisione Italiana (RAI) da Itália e outras.

Ao mesmo tempo em que a UFSM se preparava para inaugurar os cursos de Comunicação Social que mais tarde contribuiriam efetivamente na produção e na execução dos programas radiofônicos, os funcionários da Universidade já envolvidos nessas atividades, ainda que sem formação especializada, procuravam aprimorar os conhecimentos obtidos nas rotinas produtivas em cursos realizados em países como México, Alemanha e Estados Unidos.

Nas ondas do rádio, a cultura

Primando sempre pela excelência, ao longo de seu percurso, a Rádio Universidade tem cumprido com o preceito – que hoje é o slogan da rádio – de “tocar cultura”. Dentre os programas mais populares da história rádio, está o programa “Era uma vez”, apresentado e produzido pela radialista Maria Elena de Mello.  O “Era uma vez” foi um programa de muito sucesso, sempre com bons níveis de audiência. O programa “Antes que a natureza morra”, que estreou no ano de 1977, era referência para os ambientalistas gaúchos, pois foi o primeiro programa do estado focado em ecologia e meio ambiente.

As inovações tecnológicas que permearam o desenvolvimento das relações de comunicação no mundo inteiro também chegaram aos novos estúdios da Rádio Universidade, desde 1981 instalados no décimo andar do prédio da reitoria no campus da UFSM. O primeiro computador foi instalado no ano de 1996, e gradualmente o acervo musical foi sendo trocado, dos velhos LPs para os inovadores CDs.

Agente e observador dessa história, Cléber Costa é funcionário da UFSM desde 1979. Porém, foi só no ano de 1993 que se tornou radialista da Rádio Universidade. Desde lá acompanha o constante aprimoramento na qualidade dos programas produzidos pela emissora. Cléber conta que no início da década de 1970, quando estava no ensino fundamental, na extinta escola Hugo Taylor, cabulava aula para ir até os estúdios da Rádio Universidade deixar bilhetes embaixo da porta, com seus pedidos musicais. Segundo ele, além de informar a comunidade santa-mariense, a Rádio Universidade cumpre o papel de integradora da comunidade universitária. Hoje a programação da rádio conta com programas idealizados e produzidos por diversos segmentos da UFSM. Funcionários técnico-administrativos, docentes e estudantes, dos mais variados departamentos.

Um novo canal, uma antiga proposta

No mês de setembro, depois de mais de 10 anos de espera, foi finalmente concedido à UFSM um canal de rádio FM. A movimentação em torno de uma equipe que realize no novo canal o mesmo trabalho bem-sucedido realizado no Rádio Universidade AM começa. A rádio FM tem aproximadamente dois anos para estar no ar. Espera-se que o sucesso se repita, e que a cultura continue tocando na nova frequência.

 

Repórter:

Fernanda Arispe – Acadêmica de jornalismo.

Edição:

Lucas Durr Missau.


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