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Uma história dedicada à terceira idade



 

Numa sexta-feira pela manhã, o Pró-reitor da Pró-reitoria de Assuntos Estudantis (PRAE) chegou bem humorado em sua sala para uma conversa informal. A proposta era falar um pouco sobre sua trajetória dentro da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Em poucos minutos de conversa, conclui-se que são muitos feitos para o pouco tempo disponível para conversa. Ele havia acabado de chegar de uma reunião e pela tarde ainda daria aula.

José Francisco Silva Dias, o prof. Juca, como é conhecido, está à frente da PRAE desde 2006. Desde então, trabalha pela melhoria da Assistência Estudantil da UFSM e adianta que até o fim do ano estarão disponíveis mais 270 vagas, através da ampliação das CEUs (Casa do Estudante Universitário). Mas o motivo de destaque dessa figura na Universidade é sua participação nos projetos que envolvem a terceira idade.

Natural de Sobradinho, ainda na adolescência teve seu interesse despertado com relação aos idosos. “Quando eu tinha 15 anos e morava em Cachoeira do Sul, minha madrinha que, na época, tinha 55 anos e já era considerada idosa – hoje não se considera mais uma pessoa dessa idade idosa – teve um AVC. Nas férias, enquanto meus irmãos iam brincar, eu ia pra Porto Alegre cuidar dela e ajudava ela a cuidar do seu sogro que tinha 90 anos. Eu sempre tive muito respeito por eles”, conta Juca.  

Em 1972, formou-se na 1º turma da ESEF (Escola de Educação Física) de Cachoeira do Sul, que era extensão da UFRGS (Universidade Federal do rio Grande do Sul). Um ano depois veio pra Santa Maria e fez uma especialização em natação na UFSM. No mesmo período, durante as férias, fazia o curso de direito em Cruz Alta. Um tempo depois conseguiu transferência para a UFSM, onde concluiu a especialização e a graduação em Direito no ano de 1976.

Apesar da segunda graduação, foi a área de Educação Física que o deixou vinculado a Universidade até hoje. Em 1982, inovou ao fazer, no mestrado, o primeiro trabalho da UFSM com o tema voltado para educação e envelhecimento humano. “No Brasil inteiro, nenhuma universidade preparava um egresso para trabalhar com idosos. Nem se pensava nisso.” Nesse mesmo ano, Juca trocou o grupo de natação de jovens ao qual pertencia, e que havia formado juntamente com outros dois colegas, pelos idosos.

Dois anos depois, começou a colocar projetos em prática através do NIEATI (Núcleo Integrado de Estudos e Apoio a Terceira Idade). “O objetivo do projeto é trazer pra dentro da universidade convencional, as experiências da universidade da vida, com a certeza de que essa universidade vai ficar mais rica”. O Núcleo ajudou a montar o primeiro Conselho Municipal de Idosos do interior do Brasil, em Santa Maria. Além de manter projetos como o coral Cantando a Vida; o Acampavida e o Idoso, Natação e Saúde, que existe desde 1986 e tem uma média de 1.300 idosos por semestre. “A universidade tem uma história muito forte na área do envelhecimento através do NIEATI. Eu me orgulho de passar nas cidades e ver que aquelas pessoas, hoje velhas, que estão caminhando de bermuda perderam a vergonha de mostrar o corpo. Isso começou aqui.”, conclui o pró-reitor de Assuntos Estudantis.

Em 1989, Juca escreveu o primeiro livro brasileiro sobre a importância de exercícios físicos para idosos: Atividade física na terceira idade. Toda a renda obtida foi revertida para a compra de materiais, como estetoscópios e medidores de pressão, para os grupos de idosos que mantinham atividades físicas. Da mesma forma, o livro Novos Tempos da Velhice, publicado em 2004, que teve o lucro revertido para asilos de Santa Maria.

Ele explica o que o motiva a trabalhar com projetos voltados ao público idoso: “Eu tenho uma visão da vida um pouco diferenciada. A velhice para mim deveria ter outro nome: maturação. Na maneira correta, uma fruta cai do pé quando ela está madura. Isso não impede que ela caia antes porque alguém sacode o pé.” Segundo Juca, só a saúde pode salvar o homem do peso dos anos e de uma velhice precoce. “Saúde é a maior de todas as liberdades, por isso a Educação Física tem que ser uma coisa prazerosa, que as pessoas aprendam que atividade física é uma vacina. É como comer, beber e dormir: faz parte da vida.”

O extenso currículo, ao longo de 35 anos na Universidade, mostra uma trajetória de dedicação completa à UFSM, enfatizando a dedicação ao público idoso. Entre os vários títulos, de graduado a doutor, foi o 1º professor de Educação Física a ganhar da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia o título de Gerontólogo*, em 2002.

E mesmo com as participações em diversos projetos de extensão, acumuladas com as atividades da PRAE, Juca garante que nunca perdeu a esposa e os filhos, Jonathan, Yuri e Raíssa de vista. E completa dizendo que toda a família tem consciência da importância da prática de esportes.

 

* Estuda os processos associados à idade, ao envelhecimento e à velhice.

 

Repórter:

Patricia Michelotti – Acadêmica de Jornalismo.

Edição:

Lucas Durr Missau.


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