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Movimento negro? Presente!



 

Os 20 anos do acadêmico do curso de Direito, Nahan dos Santos, reservam histórias coletivas e lutas em busca do combate às opressões. De maneira inspiradora e bem desenvolvida, o estudante negro fala sobre as dificuldades e sobre a importância da organização coletiva para buscar vitórias concretas para todos os negros do país e do mundo.

Nascido na cidade de Campo Bom, Nahan conta que começou a militar organicamente aos 17 anos, quando teve a consciência negra despertada. A respeito de sua atuação no movimento negro e de sua inspiração para lutar contra o racismo, ele conta “A partir da noção de que tu faz parte de um grupo que é excluído, tu tem vontade de lutar com outras pessoas para conseguir vitórias”.

Nahan atua no Coletivo de Estudantes Afro da UFSM (AFRONTA). O grupo foi criado em 2010, depois da participação de alguns estudantes negros da Universidade no 2° Encontro Nacional de Negros e Negras da UNE (ENUNE). A proposta do coletivo é a auto-organização de negros e negras que estudam na UFSM.

O grupo é a primeira organização do estado a ser construída dentro do espaço universitário, após a adoção das ações afirmativas de cotas. A vinda de Nahan para Santa Maria foi motivada pelo contato anterior que ele manteve com alguns integrantes do coletivo.

Formado no ensino médio em 2008, Nahan diz que nunca pensou em continuar os estudos. “Parecia que não estava ao meu alcance. Isso entra muito na questão do negro, porque ele não está inserido no cenário da universidade”, conta o estudante. Parte disso vinha do contexto famíliar, em que ninguém possui graduação em curso de ensino superior. Assim, após passar um semestre trabalhando em tempo integral para uma fábrica de bolsas, Nahan percebeu que seu crescimento só seria possível com a entrada na universidade.

Através do Programa Universidade para Todos (PROUNI), Nahan começou a estudar no Centro Universitário Metodista IPA. Ele sempre teve interesse na área de ciências humanas e sua escolha para o curso de Direito veio da motivação de poder mudar na prática a atual desigualdade encontrada na sociedade brasileira. “Eu vi como um instrumento, uma ciência social aplicada capaz de provocar a mudança, por mais que o sistema seja complicado”, completa Nahan.

 

 

Depois de conhecer o coletivo AFRONTA e de manter contatos pela internet, Nahan fez uma visita a Santa Maria, onde foi estimulado por alguns membros do grupo a realizar o vestibular para ingressar na UFSM. Sua aprovação veio no começo de 2011, quando iniciou a faculdade de Direito e sua participação orgânica no coletivo. É por essa razão que ele conta a sua história, enfatizando prioritariamente as ações e propostas do AFRONTA.

Nahan reafirma a importância da organização e da consciência coletiva em todo o momento que fala sobre o movimento negro e a sua experiência dentro da universidade. Junto a isso, ele comenta que a proposta do coletivo despertou-lhe muito interesse, uma vez que ela possui o debate de ações afirmativas já superado. Assim, o grande objetivo dos alunos é discutir currículo, permanência e assistência dos negros e negras na universidade. Além disso, o grupo também realiza trabalhos externos, como o “Afrontando seu conhecimento”, que explica através de apresentações em escolas a importância das ações afirmativas para a população excluída do cenário universitário.

A mais recente ação do coletivo AFRONTA é a organização para o mês da consciência negra. A programação, que teve abertura no dia 3 de novembro, conta com palestras, mini-ciclos de cinema e mesas de discussão. Nahan orgulhosamente conta que é o primeiro evento articulado pelo coletivo e explica o principal foco das atividades: “O enfoque maior é na representatividade do negro no Brasil. Depois disso, entra a educação, o ensino dentro da universidade e a nossa participação nesse espaço.”

Durante toda a conversa, sente-se que a história de Nahan não é individual. Sua dedicação pelo combate ao racismo é baseada por todo o contexto opressor que vivencia na sociedade. “A busca por alianças com outros movimentos e outras pessoas que apóiam nossa luta é fundamental para nossa ascensão, para que consigamos pautar algo politicamente”, afirma Nahan.

Uma certeza que fica no discurso do estudante e militante negro da UFSM é que ele fala por um coletivo e busca por vitórias e busca por vitórias de um povo marcado historicamente pela discriminação. A universidade e o coletivo AFRONTA foram espaços que Nahan dos Santos encontrou para concretizar o início de uma mudança. Representando o AFRONTA e o movimento negro, ele deixa claro, “Quando um negro vence, todo o negro vence”.

Mais informações sobre o coletivo AFRONTA, no site www.afrontacoletivo.blogspot.com

Repórter:

Marina Martinuzzi – Acadêmica de Jornalismo

Edição:

Lucas Durr Missau.

 

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