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Alunos e professores da UFSM apresentam musical Chicago In Concert

Várias pessoas no palco em pé e algumas sentadas. Algumas seguram instrumentos como violoncelo, violino e flauta
Elenco do musical é formado por estudantes e professores dos cursos de Artes Cênicas, Dança e Música

Casa lotada e muitos aplausos. Dessa maneira teve fim a última noite de apresentação do espetáculo musical Chicago In Concert, que ocorreu nesta segunda-feira (12) no Centro de Convenções da UFSM. A atração é uma iniciativa dos cursos de Dança, Teatro, Artes Cênicas e Música da Universidade, por meio do Projeto de Ensino e Extensão “Musical UFSM”.

O espetáculo, desenvolvido e apresentado por alunos e professores do Centro de Artes e Letras (CAL) e do Centro de Educação Física e Desportos (CEFD) da UFSM, trata-se de uma livre adaptação de Chicago, musical da Broadway lançado em 1975, remontado em 1996 e que já esteve em cartaz em diferentes países ao longo dos últimos anos. Na Universidade, o projeto foi pensado a partir da união dos professores Carlise Scalamato, do Departamento de Dança – Licenciatura, Diego di Medeiros, do Departamento de Artes Cênicas, e do regente da Orquestra Sinfônica,  João Batista Sartor, professor do Departamento de Música.

Conforme Carlise, o objetivo do projeto é proporcionar aos alunos e à comunidade externa interessada na produção artística, uma experiência próxima ao mercado dos musicais. A professora explica que a ideia de trabalhar com este tipo de espetáculo surgiu da possibilidade de explorar a interdisciplinaridade desta vertente. Dessa maneira, os alunos das diversas graduações têm a possibilidade de experimentar algo que, até então, fazia parte de uma realidade mais distante, já que os grandes centros de formação em teatro musical no país, estão localizados principalmente nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo.

Para que os alunos tivessem uma experiência real do processo de seleção para musicais, em abril deste ano ocorreram as audições para a escolha do elenco do espetáculo. Mais de 100 candidatos passaram por testes e foram avaliados por professores de música, corpo e voz. Ainda na primeira etapa, cada concorrente precisou cantar um trecho da música “Tudo é Jazz”, com o acompanhamento do piano. Depois disso, cada um mostrou suas habilidades vocais em uma canção à capela, a partir da qual foram avaliados os quesitos afinação, entonação vocal e postura. Logo, todos os alunos participaram de aulas práticas de dança e interpretação teatral. Após todas as etapas, foram selecionados 19 alunos para o elenco e seis para a produção.  Além desse grupo, também foram escolhidos para compor o espetáculo, 25 componentes da big-band, “formação reduzida da Orquestra Sinfônica da UFSM, especializada em tocar um estilo mais jazzístico”, explica o regente João Batista Sartor.

Outro objetivo do projeto é a troca entre professores e alunos. Nesse sentido, o professor Diego di Medeiros, responsável pela direção cênica e preparação teatral do elenco, e a professora Carlise Scalamato, coordenadora do projeto e coreógrafa da peça, além de assinarem a direção, também atuam no musical.  

Um musical crítico e que incentiva a reflexão

Enquanto um casal dança, mais ao fundo se pode perceber homem deitado ao chão
Musical conta a história de dançarinas que cometeram assassinatos

Inspirada na obra escrita em 1926 pelo jornalista Maurice Dallas Watkins, a peça conta a história de Velma Kelly (Carlise Scalamato) e Roxie Hart (Ediana Larruscain), dançarinas de vaudeville que cometem diferentes assassinatos. Os crimes tornam as vedetes cada vez mais famosas, assim, elas iniciam uma disputa pela atenção dos principais jornais do país e pelos serviços do melhor advogado do ramo, Billy Flinn (Diego di Medeiros).

Para o espetáculo preparado na UFSM, algumas adaptações foram feitas. As críticas são direcionadas à realidade brasileira, como a manipulação da justiça pelos aparelhos midiáticos, responsável por criar figuras míticas e que tornam a população refém da imprensa e das decisões manipuladas, levando à sensação constante de estar com a corda no pescoço. Durante a apresentação é possível perceber as brincadeiras com o texto e a inserção de signos conhecidos, principalmente, pela população de Santa Maria: as falas fazem menção à Rede de Farmácias São João e ao Diário de Santa Maria, todos, apoiadores do evento.

Além destas referências, Carlise explica que toda a paleta de cores escolhida para compor o figurino, possui um significado. Na versão santa-mariense, são três as cores predominantes: preto, cinza e vermelho. Esta última, significa o sangue, em referência ao histórico de assassinatos cometidos pelas bailarinas durante a história.

Atores, bailarinos,  cantores, músicos: um espetáculo de múltiplas funções

Mulheres dançam com plumas em suas mãos ao lado de um homem
Produção combinou música, dança e artes cênicas

Para que o musical tomasse corpo, foram necessários meses de ensaio e preparação. Conforme conta a estudante Mariana Giacomini (Mamma Morton), do curso de licenciatura em Teatro, o processo contou com 8h semanais de ensaio. Os encontros aconteciam nas segundas e quartas-feiras, das 18h às 22hs e, neste tempo, o grupo desenvolveu todas as coreografias, ensaiou as canções e as cenas, além de produzir os elementos utilizados pelo elenco durante a apresentação.

Em relação à produção cênica, Mariana, que já havia participado de espetáculos menores, decidiu, além de atuar no musical, dar assistência ao professor Diego durante a preparação dos atores, integrar a equipe responsável pelos elementos utilizados durante cada ato da apresentação. Segundo ela, a escolha em participar da produção cênica configurou um desafio, já que é necessário pensar no espetáculo como um todo, levando em consideração o número de pessoas envolvidas e o tamanho do palco do Centro de Convenções que possui um grande espaço, dessa forma, tudo que for colocado ali precisa ser grandioso, para que não corra o risco de ‘sumir’ de cena aos olhos do público.

Ediana Larruscain, estudante do bacharelado em Canto, além de interpretar a personagem Roxie Hart, foi responsável, junto com a também bacharel em Canto Marcela Ferrari (Miss Sunshine), pela preparação vocal do elenco.  Ediana ressalta que o processo rendeu aprendizados diários, que vão repercutir não só agoram durante a graduação, como também depois de formada. “Às vezes o artista estuda toda uma graduação, pisando pouquíssimas vezes no palco. E quando tu sai da faculdade, tu já tem que saber como que o palco funciona e os bastidores também. Então, esse tipo de projeto é muito importante, e mais ainda porque ele é interdisciplinar. Quando tu te propõe a fazer um musical que envolve todas as artes, não pode pensar que é ator, ou músico, ou bailarino. Tu é artista e precisa saber desde varrer o chão do camarim até ir pro palco e dar a cara a tapa”, comenta.

Amanda Pedrotti, estudante de licenciatura em Teatro, e que, no musical, dá vida a uma das seis assassinas do presídio, enfatiza a troca entre professores e alunos proporcionada pelo projeto. Segundo ela, o intercâmbio de aprendizados é importante, pois faz com que tanto o docente quanto o discente não fiquem somente em suas ‘bolhas’, mas possam experimentar outras áreas. Nesse sentido, Pablo Kempz (Fred Casely), estudante de Dança, ressalta a importância do projeto desenvolvido através dos cursos de artes da Universidade, para a preparação do estudante. Conforme Pablo, pelo incentivo às diversas áreas da arte, os graduandos estarão prontos para o mercado de trabalho.

Além das performances de canto, dança e atuação, outro destaque da apresentação foi a participação da big-band, versão reduzida da Orquestra Sinfônica da UFSM, especializada em trilhas de jazz.  Para o regente João Batista Sartor, o maior desafio foi montar toda a obra, composta de 12 canções. “Esta é uma obra que tem muitos movimentos e tem partes com fala, outras que tem só trilha sonora, outras que a banda toca junto com o canto, ou seja, que tem canções. `As vezes é todo o coro cantando junto com a banda, então é necessário juntar tudo isso para montar o musical”, explica.

Rafael Rorato de Freitas, bacharel em percussão no curso de Música, responsável pela bateria do musical comenta que, embora já tivesse participado de espetáculos envolvendo as artes cênicas, a experiência do musical é nova. O universitário explica que, nesse caso, não foi necessário criar as partituras, pois todas as canções já estavam prontas, bastava executar. Entretanto, a novidade estava na necessidade de fazer muitas coisas ao mesmo tempo, como as intervenções entre as falas dias atores, o que exigiu atenção redobrada. Bruno Schultz Moreira também bacharel em percussão considera a importância de projetos como este do musical além do valor acadêmico, para ele o espetáculo possui uma importância comunitária. “Claro que, pra nós, é uma experiência enorme e o currículo é bem importante, mas acho que o legado maior é para a comunidade que vai vir prestigiar pela primeira vez um evento desse porte que, querendo ou não é um evento que tem um custo alto, e a gente tá conseguindo disponibilizar de uma forma gratuita para a sociedade”, explica.

O professor Diego di Medeiros ressalta o caráter colaborativo do espetáculo e reafirma a importância do projeto para a formação dos alunos. Nesse sentido, Carlise destaca que a ideia é formar multiplicadores, ou seja, que os alunos saiam dessa experiência e continuem estudando, produzindo, pesquisando e montando seus próprios musicais.

Durante o ano, foi realizado um ensaio aberto do espetáculo, através do qual foram apresentadas ao público algumas cenas da produção. Nesta ocasião, a Revista Arco de Jornalismo Científico produziu uma matéria com informações sobre a construção do espetáculo. Neste mês, aconteceram duas apresentações, agora do musical completo, nos dias 11 e 12 novembro. Ao final do segundo dia, o professor Diego di Medeiros, em sua despedida da Instituição fez um pedido para que haja mais respeito, principalmente com relação aos artistas.

Para realização do musical, a organização contou com o apoio da Pró-Reitoria de Extensão (PRE), Pró-Reitoria de Graduação (PROGRAD), Pró-Reitoria de Assistência Estudantil (PRAE), além do Centro de Educação Física e Desporto (CEFD), Centro de Artes e Letras (CAL) e do edital de Fundo de Incentivo ao Ensino (FIEN) .

Texto: Bárbara Marmor, acadêmica de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias da UFSM

Fotos: Pablo Iglesias, acadêmico de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias da UFSM

Edição: Maurício Dias