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Cátedra de Fronteiras e Migrações da Unesco será instituída na Pós em História da UFSM



O Programa de Pós-Graduação em História da UFSM vai abrigar a Cátedra de Fronteiras e Migrações. Após solicitação aceita pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), a previsão é que em curto prazo a mesma seja instituída na universidade. Lançado em 1992, o Programa de Cátedras Unitwin/Unesco promove a cooperação entre universidades internacionalmente, a fim de reforçar as capacidades institucionais através da troca de conhecimento e trabalho em colaboração. As cátedras podem ser criadas dentro de departamentos de uma universidade para fomentar os programas de ensino e pesquisa já existentes em determinada área de conhecimento, adquirindo dessa forma uma dimensão internacional.

As cátedras servem como grupos de reflexão e como construtores de pontes entre o mundo acadêmico, a sociedade civil, as comunidades locais, a investigação e a definição de políticas. Ao mesmo tempo, elas promovem a diversidade cultural, introduzem novas ideias no ensino e contribuem para o enriquecimento dos programas universitários existentes. A UFSM abriga desde 2015 a Cátedra Sérgio Vieira de Mello (com autorização do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados), a qual é voltada para a promoção dos direitos de refugiados e liderada pelo Migraidh – Direitos Humanos e Mobilidade Humana Internacional, coordenado pela professora Giuliana Redin.

O tema “Fronteiras e Migrações”, da cátedra da Unesco, faz parte do perfil do Programa de Pós-Graduação em História, que o tem como uma de suas linhas de pesquisa desde a sua criação, em 2011. Um grande passo para a ideia da solicitação da cátedra foi tomado em 2016, quando ocorreu o 1º Congresso Internacional de História na UFSM. No evento, compareceram professores de vários países, especialmente de instituições que fazem parte da Associação de Universidades Grupo Montevidéu (AUGM).

“Compareceu nesse evento o professor Luiz Oosterbeek, que coordena e representa no conselho da área de humanas dentro da Unesco e também o Conselho de História e Humanidades. Como a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) estavam dentro de uma política da Unesco de valorização das áreas de humanas, ele conversou com a gente e deu a ideia de propormos uma cátedra para consolidar e fortalecer isso”, conta a professora de História da UFSM Maria Medianeira Padoin, uma das responsáveis pelo projeto da cátedra.

Buscando atuar por meio de disciplinas, cursos e eventos, a Cátedra de Fronteiras e Migrações terá a UFSM como sede, mas vão atuar junto dela a Universidad Nacional de Mar del Plata (da Argentina), a Universidad Nacional del Litoral (da Argentina), a Universidad Mayor de San Andrés (da Bolívia), o Instituto Politécnico de Tomar (de Portugal), a UFMG e a UFSC. Cada universidade que integra a cátedra possui a sua equipe coordenadora.

A ideia da cátedra, conta o professor André Luis Ramos Soares (outro coordenador do projeto), é reforçar a necessidade de discutir as humanidades em um contexto onde as tecnologias estão se sobressaindo. “Agora tivemos uma reforma do ensino médio, onde se condensou a sociologia, a filosofia, a história e a geografia dentro de um contexto de diminuição das humanidades no currículo. Então, o que a gente procura fazer é mostrar a importância das humanidades dentro de um contexto mais global onde as tecnologias assumiram um papel preponderante, mostrar que as humanidades são tão importantes quanto as (matérias) tecnológicas”, aponta André.

A importância da criação da cátedra na UFSM, além do reconhecimento pela Unesco, reside na qualificação e atuação mais integrada e internacionalizada, apontam os coordenadores. “O grande ganho da UFSM, e dos profissionais envolvidos, em primeiro lugar, é ser reconhecida frente a vários países e universidades. Por outro lado, a gente consegue capitanear um processo frente às Nações Unidas. Então, para a universidade é um fato de internacionalização que vai incentivar uma integração não só regional, a partir de Santa Maria, mas também para as instituições da AUGM e, por fim, para o mundo”, explica André.

Texto: Laura Coelho de Almeida, acadêmica de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias

Edição: Lucas Casali



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