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UFSM Global dá início a nova fase de internacionalização na universidade 

Em dois dias, evento ilustrou as diversas parcerias com instituições ao redor do mundo e os benefícios dessa cooperação para a comunidade acadêmica 



Entre os dias 17 e 18 de novembro, o Centro de Convenções recebeu o evento A Internacionalização da UFSM: Passado, Presente e Futuro. A iniciativa faz parte da UFSM Global, um conjunto de atividades voltadas para a consolidação e ampliação da universidade no cenário acadêmico-científico mundial. Para isso, foram realizadas quatro mesas temáticas, com professores estrangeiros e da instituição, que abordaram as possibilidades e ganhos de colaborações internacionais em outros países. Além disso, entidades que financiam a mobilidade internacional apresentaram oportunidades para estudantes, docentes e técnicos da instituição.

A partir desse formato, foram mostrados resultados e possibilidades de colaborações em diferentes regiões do mundo, o que abre caminhos para levar a UFSM ao patamar de universidade global. Mariana Buss, responsável pelo Núcleo de Avaliação e Acompanhamento Estratégico da Secretaria de Apoio Internacional (SAI), afirma que o evento foi pensado para quem busca a internacionalização mas ainda vê como uma realidade muito distante ou uma alternativa difícil de ser alcançada. “Com as experiências trazidas, se espera estimular a comunidade acadêmica a buscar essas oportunidades que vão trazer benefícios para seus cursos, programas, departamentos e para a UFSM”, afirma.

Os participantes do evento tiveram a oportunidade de conhecer as inúmeras possibilidades proporcionadas pelos intercâmbios

A iniciativa marca o início de uma mudança. Com a UFSM Global, espera-se que a universidade, que já é destaque regional e nacional, possa estar nessa posição internacionalmente também. Para isso, o assessor do Gabinete do Reitor na SAI Júlio César Cossio Rodriguez indica caminhos possíveis, que são também os objetivos da gestão atual: melhorar a estrutura da universidade para torná-la mais receptiva a estudantes estrangeiros, desburocratizar serviços de internacionalização e tornar a UFSM protagonista em parcerias com governos e instituições. 

Pontapé inicial para a internacionalização da UFSM

A mesa de abertura do evento foi composta pela vice-reitora Martha Adaime, pelo coordenador de Ações e Programas Estratégicos da Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa (PRPGP), Luiz Fernando Valandro, pelo diretor da Agência de Inovação e Transferência de Tecnologia (Agittec), Daniel Pinheiro Bernardon, e pelo secretário de Apoio Internacional da UFSM, Paulo Bayard Dias Gonçalves. Na ocasião, destacaram os ganhos com a discussão da internacionalização na universidade e a troca de saberes com diferentes regiões do mundo.

“Espera-se que esse evento encurte caminhos para uma colaboração internacional sólida”. Esse foi um dos objetivos do evento destacados pelo secretário Paulo Bayard no pontapé inicial do evento, realizado na manhã da quinta-feira (17). Ele também ressaltou que a internacionalização está presente em diferentes setores da universidade e não se resume apenas à mobilidade de estudantes e docentes. Apesar de ser importante, deve ser pensada de forma mais ampla. A internacionalização é um desafio presente no Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) da universidade e vai desde a parte administrativa até os cursos de graduação e pós-graduação. “É fundamental para a formação de estudantes para o mundo global, essencial para abrir nossas mentes e derrubar preconceitos, além de qualificar o desenvolvimento científico, tecnológico e de inovação”, completa Bayard.

Na sequência, o chefe da Divisão de Cooperação Educacional do Ministério das Relações Exteriores (MRE), Francisco Figueiredo de Souza, ministrou a palestra de abertura, intitulada “Internacionalização na educação superior brasileira: uma perspectiva do MRE”. Nela, mostrou as áreas de atuação do ministério, que incluem apoio a ações de mobilidade e internacionalização, bem como a promoção do Brasil como destino acadêmico. 

Para cada região do mundo, diversas possibilidades

Para cumprir com o compromisso de proporcionar uma visão global para os participantes, o evento foi dividido em quatro mesas temáticas, que contemplaram todas as regiões do mundo. São elas: Ásia-Pacífico, América do Norte, Europa e Sul Global. O formato foi escolhido para trazer as particularidades nos processos de internacionalização em cada local a partir das expectativas que as instituições têm dentro da sua realidade. 

A AUGM foi uma das instituições participantes do evento, apresentando ao público as oportunidades de intercâmbio em países da América do Sul

Dessa forma, o evento mostrou que há possibilidades de diálogo com todas as regiões do planeta. “Nenhuma é mais importante que a outra, todas têm oportunidade, ciência, experiências culturais e vivências singulares”, destaca Júlio César Cossio Rodriguez. 

Cooperações com a Ásia-Pacífico 

O primeiro ciclo de palestras discutiu a cooperação entre UFSM e Ásia-Pacífico. A professora Qio Jianzhen, da Universidade Normal de Hebei, falou sobre o Instituto Confúcio, que conecta as universidades da China com o mundo a partir de atuações como cursos de língua e cultura chinesa, além de aplicação de exames e bolsas de estudo.

Os professores Ricardo Luciano Sonego Farias, do Centro de Ciências Naturais e Exatas (CCNE), e Leandro Michels, do Centro de Tecnologia (CT), compartilharam aos presentes como aconteceram as parcerias com a região da Ásia-Pacífico, os ganhos dessa parceria e a presença da comunidade internacional nas pesquisas desenvolvidas na UFSM. 

Com a apresentação intitulada “Cooperação Brasil-Austrália: uma história de amizade e acaso”, o professor do Centro de Educação Física e Desporto (CEFD) Felipe Barreto Schuch contou como se formam e se fortalecem as relações internacionais a partir da sua trajetória individual. Ao final das exposições, os palestrantes se reuniram no palco para responder as dúvidas do público presente.

O professor Leandro Michels avalia de forma positiva o evento para levar o debate sobre internacionalização para um ambiente maior dentro da universidade. “Essa disseminação do conhecimento e troca de informação é fundamental no meio acadêmico, a gente precisa interagir”, completa.

Cooperação com a América do Norte

Durante a tarde, os palestrantes falaram sobre a cooperação com a América do Norte, nas universidades dos Estados Unidos e do Canadá. Na primeira palestra, o professor da McGill University Vilceu Bordignon falou sobre a universidade que fica localizada em Montreal, no Canadá, e as oportunidades de cooperação e intercâmbio. 

Logo após, o representante da Fulbright, Luis Pedroso, falou sobre a organização e como ela amplia o entendimento entre os Estados Unidos e outros países, ao oferecer bolsas de estudos para pesquisadores e professores das universidades brasileiras. 

O evento contou com um representante da Universidade de Ibaden, da Nigéria

Também esteve presente Sabrina Fadanelli, que faz parte da Education USA, organização que facilita o ingresso nas universidades dos Estados Unidos. A palestrante explicou sobre os programas que a Education USA oferece e como os alunos podem acessá-los. Na palestra seguinte, a professora da UFSM Liliana Essi contou um pouco sobre a sua experiência com o projeto Glue, que envolveu pesquisadores do mundo todo para uma cooperação de pesquisa.

Na última palestra do dia, o professor do Centro de Ciências Rurais (CCR), Telmo Amado, falou sobre a cooperação da UFSM com a Kansas State University (KSU), e sobre a sua experiência pessoal como professor e pesquisador na KSU. Após as palestras, uma mesa-redonda foi composta para tirar as dúvidas dos ouvintes sobre os intercâmbios na América do Norte. 

Cooperações com a Europa 

A manhã desta sexta (18) foi dedicada à colaboração com o continente europeu, com cada um dos cinco palestrantes expondo experiências nas suas respectivas áreas e instituições da Europa. Quem abriu a explanação foi a professora Irene Fenoglio, da École Normale Supérieure, com sede em Paris. Linguista, ela ocupa o cargo de diretora de pesquisas no Instituto de Textos e Manuscritos Modernos da Instituição francesa. Na sua apresentação, relatou os anos de parceria de sua universidade com o Programa de Pós-Graduação em Letras da UFSM, onde, com o apoio do Laboratório Corpus e da professora Amanda Scherer, foi desenvolvida a Escola de Altos Estudos em Semiologia e Linguística Geral, em 2012. Desde então, o intercâmbio de pesquisadores da área com a França é cada vez mais fomentado. A linguista encerrou sua manifestação ao afirmar que a verdadeira internacionalização é o contato com o diferente e com todas as regiões do globo.  

  Após Irene, os ouvintes foram levados à Alemanha, que foi abordada por Mariana Golubi, do Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico (DAAD), representante de 241 instituições alemães, o que o torna a maior organização de fomento ao intercâmbio internacional do mundo. Ela expôs toda a abrangência do programa, principalmente em relação às cidades menos conhecidas da Alemanha. Ela informa também que o serviço abrange universidades em todo o território alemão, com faculdades de diversas áreas do conhecimento, fatores que se somam ao índice de 90% das instituições de ensino superior alemães serem públicas. Para participar, há diferentes modalidades de intercâmbio, cada um com sua duração e especialidade, o que pode incluir a oferta de ensino da língua alemã, por exemplo. As ofertas de bolsas de estudos podem ser conferidas aqui. 

O Erasmus, programa da União Europeia de incentivo à educação, formação, juventude e desporto, também esteve presente, através da palestra de Maria Cristina Von Holstein-Rathlou. Em sua explanação, ela falou das bolsas de estudos do órgão para a América Latina, com os ideais de promover a democracia, a igualdade de gênero e a governança. No financiamento, o Brasil e o México já foram destinados a receber cerca de 57 milhões de euros advindos para seus acadêmicos. Ao apresentar as vantagens do Erasmus, Maria Cristina citou a livre circulação nos países do bloco e as oportunidades de trabalho, além da hospitalidade dos europeus com os brasileiros. Por fim, ela informou que a colaboração internacional no molde atual permanecerá em vigência até 2027.

O final da manhã contou com manifestações de dois professores da UFSM. O primeiro foi Paulo Cezar Campagnol, do Departamento de Tecnologia e Ciência dos Alimentos, com seu relato sobre a Universidade de Vigo, na Espanha. A relação entre as instituições começou de forma tímida, com apoio em um artigo em 2016. Já em 2019, ele visitou o país para estreitar laços, com o auxílio do Programa Institucional de Internacionalização (Print) da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). A partir desse ano, foi oficializado um projeto em parceria, o Red Healthy Meat, com o intuito de desenvolver produtos de carne mais saudáveis. Ao se referir aos ganhos que a UFSM obteve desde então, ele salienta o salto em visibilidade acadêmica, o que inclui publicação de artigos científicos entre os mais citados de revistas nível A1, isto é, o nível máximo de excelência. Também foi citado como exemplo a última edição do QS Ranking, quando três programas da área atingiram nota máxima, algo que influencia diretamente no desempenho da UFSM no Índice Geral dos Cursos, realizado pelo Ministério da Educação, e faz parte do Plano de Metas da instituição. 

A segunda professora a discursar foi Marília Pivetta, do Departamento de Odontologia Restauradora da UFSM, a respeito de sua experiência de cooperação com a Universidade de Bologna, na Itália, Desde a iniciação científica até o doutorado, há oportunidades de desenvolver vínculos com a instituição estrangeira, a qual possui ampla relevância em tecnologia, cerâmica e fadiga odontológica. Ademais, Marília frisa que a presença de empresas na universidade é frequente, algo que chamou sua atenção e considera positivo. Essa cooperação é contínua, tanto é que a docente cita seus orientandos que fizeram ou farão intercâmbio na instituição italiana. Além dela, universidades de Torino, Zurique, Amsterdam e Michigan também possuem portas abertas para pesquisadores da UFSM.  

Ao final do dia, os palestrantes reuniam-se para tirar dúvidas do público

Cooperação com o Sul Global 

No turno da tarde, países africanos e latinos estiveram em foco. A primeira apresentação foi do professor de bioquímica Isaac Adedara, da Universidade de Ibadan, na Nigéria. Ele contou sua experiência nas vindas a Santa Maria e falou como a parceria permite que pesquisadores nigerianos possam continuar sua formação no Brasil sem grandes custos financeiros. Nessa linha, continuou o segundo palestrante, Vladimir Oliveira, diretor de Relações Internacionais da Universidade Federal de Viçosa (UFV). Ele conta como a colaboração Tertiary Trust Fund oportuniza trocas acadêmicas importantes para as universidades envolvidas. Em 2019, abriu-se a oportunidade de receber os estudantes no programa, porém, com a chegada da pandemia no ano seguinte, precisou-se transportar tudo para o ambiente online. Com isso, foram 90 inscritos, dos quais 50 foram selecionados.

Segundo Vladimir, o grande desafio do projeto é que todas as disciplinas são ministrados em língua inglesa, permitindo que os nigerianos frequentem o curso. As aulas online abriram a possibilidade de ofertar as disciplinas da UFV a outras instituições.  Com o sucesso da iniciativa, mais de 500 bolsas serão ofertadas à universidade nigeriana. Ele termina sua apresentação ressaltando o potencial da pesquisa em agricultura na Nigéria e no Brasil: “podemos nos tornar o principal centro de treinamento da nova geração de pesquisadores da África”. A palestrante seguinte, professora Daniela Leal, do Departamento  de Microbiologia e Parasitologia da UFSM, igualmente relatou as boas trocas de conhecimento e pesquisadores com a Universidade de Ibadan. Ela relembra as visitas que os laboratórios do Programa de Pós-Graduação em Ciências Biológicas da UFSM recebem de pesquisadores da universidade africana, e como isso proporciona avanços no conhecimento da área e na formação acadêmica de todos os envolvidos. 

No final do dia, a Associação de Universidades Grupo Montevidéu (AUGM) foi referenciada como oportunidade para aqueles que desejam estudar fora do país, mas não do continente. A primeira a falar sobre a associação foi a professora Maria Medianeira Padoin, do Departamento de História da UFSM. Como estudante, ela acompanhou a criação do Mercosul, em 1991, e posteriormente da própria AUGM, que aproxima os países do bloco. Sua pesquisa em torno da história latino-americana desencadeou espaço para que mais pesquisadores recebessem incentivo para desbravar o tema. Ao longo de sua trajetória acadêmica, conquistou o respeito da comunidade internacional ao se tornar a representante brasileira da Asociación de Historiadores Latinoamericanistas Europeos e uma das líderes do comitê Historia, Región y Fronteras da AUGM. Para explicar o funcionamento do programa latino-americano, o evento recebeu a última palestrante, Laura Adinolfi. Ela esclareceu os processos para ingressar nas diversas modalidades do programa, as quais englobam diferentes níveis acadêmicos, como graduação e doutorado. Um dos destaques de Laura foi a forma de financiamento do intercâmbio, a qual tem a responsabilidade dividida entre a Instituição de origem e a de destino, ao cobrir valores de passagem, moradia, alimentação, dentre outros. 

Próximos passos da UFSM Global

Outras edições do evento devem ser realizadas nos próximos anos para mostrar os avanços e ações de internacionalização da UFSM. Além disso, Júlio César afirma que uma série de ações será implementada no próximo ano, como a reestruturação do site da SAI. A ideia é apresentar as informações de forma mais sintética, para que a comunidade acadêmica possa ter mais agilidade no acesso. A SAI também trabalha na sua reestruturação e na desburocratização de processos como convênios, dupla diplomação, reconhecimento do diploma e convênios.

Texto: Bernardo Silva, Gabrielle Pillon, Mariane Machado e Thais Immig, acadêmicos de Jornalismo

Fotos: Ana Alicia Flores, acadêmica de Desenho Industrial

Edição: Lucas Casali

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