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				<title>As marcas dos maus-tratos em animais domésticos</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2026/04/15/as-marcas-dos-maus-tratos-em-animais-domesticos</link>
				<pubDate>Wed, 15 Apr 2026 20:32:16 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[abandono de animais]]></category>
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						<description><![CDATA[Uma cuidadora relata os efeitos duradouros da violência na vida dos animais que resgatou
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							<content:encoded><![CDATA[  <figure>
										<img width="1024" height="667" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/04/Destaque.jpg" alt="Montagem horizontal e colorida composta por três fotografias lado a lado, separadas por cortes diagonais. À esquerda, em preto e branco, um cachorro de porte médio aparece de frente, com a boca aberta e expressão amigável, em um ambiente externo. No centro, em cores, um gato preto e branco está deitado sobre cobertores, com as patas enfaixadas em rosa e um tubo conectado, indicando atendimento veterinário; ele olha diretamente para a câmera com expressão alerta. À direita, também em preto e branco, um cachorro de pelagem clara está atrás de grades verticais, com a cabeça levemente baixa, em um espaço que sugere confinamento. A montagem cria contraste entre cuidado, abandono e restrição" />											<figcaption>Orelha, Meia-Noite e Maria Sol: retratos da violência contra animais</figcaption>
										</figure>
		<p>Como de costume, a gata de rua Maria buscava comida no bairro onde vivia, em Uruguaiana, na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul. Em uma dessas incursões, encontrou um prato de frango sobre a pia de uma cozinha. Pulou a janela e foi direto ao alimento. O susto veio logo depois. A moradora percebeu a invasão do animal e, sem hesitar, pegou um pedaço de madeira e passou a golpeá-lo. Maria teve múltiplas fraturas e saiu desorientada.</p><p>Pouco tempo depois, a gatinha foi encontrada por uma vizinha, que a levou a uma clínica veterinária da cidade. Lá, os especialistas identificaram as lesões no corpo de Maria e, quase que de prontidão, fizeram um boletim de ocorrência contra a agressora. O processo tardou e não teve desfecho. Assim como em muitos casos, a vizinha que salvou a felina não tinha condições de adotá-la. Por isso, decidiu deixar a gata na clínica.</p><p>Os veterinários avaliaram que seria necessário amputar uma das patas. “Foi o membro direito, o bracinho direito”, lembra Alice de Figueiredo Rocha, auxiliar veterinária da clínica e estudante de Medicina Veterinária na Universidade Federal do Pampa (Unipampa), que socorreu a felina em 2024. Havia a possibilidade de reconstrução por cirurgia ortopédica, mas o custo inviabilizou o procedimento. “Naquela época, custaria quase R$ 5 mil, e a pessoa não tinha condições de arcar”, explica. A decisão também levou em conta o sofrimento do animal. “Para não deixá-la com dor, porque as fraturas já estavam expostas, a equipe decidiu pela amputação”, conta.</p><p>Sem tutor ou respaldo, Maria estava mais uma vez sozinha. Mas não por muito tempo. Alice, que acompanhou a recuperação da gata, resolveu adotá-la. “Levei ela para minha casa e fiquei com ela”, lembra. Apesar de ter sido acolhida, a recuperação e a adaptação da felina foram difíceis. “Quando ela chegou lá em casa, ela não tinha aquele bracinho. Mesmo assim, tentava fugir”, comenta. </p><p>Segundo Alice, Maria levou cerca de três meses para se sentir em casa. “Foi uma coisa bem delicada, porque ela ficou muito traumatizada, então ela se escondia dependendo de quem chegava”, recorda. “Ela ficou muito arisca naquele tempo”. Hoje, tutora e pet não estão mais juntas. Em 2025, quando já morava em Santa Maria, a gata morreu. “Ela teve um outro trauma, mas foi um acidente doméstico e aí eu perdi ela no ano passado”, conta.</p>		
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										<img width="590" height="450" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/04/WhatsApp-Image-2026-04-15-at-18.08.14-1.jpeg" alt="" />											<figcaption>A gata Maria foi resgatada após ter sofrido maus-tratos em Uruguaiana (RS)</figcaption>
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										<figure>
											<a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/04/Maria-Sol.jpeg" data-elementor-open-lightbox="yes" data-elementor-lightbox-title="Maria Sol" data-e-action-hash="#elementor-action%3Aaction%3Dlightbox%26settings%3DeyJpZCI6IjcyNDk4IiwidXJsIjoiaHR0cHM6XC9cL3d3dy51ZnNtLmJyXC9hcHBcL3VwbG9hZHNcLzIwMjZcLzA0XC9NYXJpYS1Tb2wuanBlZyJ9">
							<img width="1024" height="779" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/04/Maria-Sol-1024x779.jpeg" alt="Foto horizontal e colorida de um cachorro de porte médio, com pelagem marrom clara e branca, está dentro de um espaço cercado por grades verticais azuis. Ele aparece em pé, com o corpo levemente inclinado para frente e a cabeça baixa, olhando em direção ao chão. O ambiente parece um canil ou área externa cimentada, com paredes claras ao fundo. Há uma abertura escura à direita que pode ser uma porta ou abrigo. Na parte superior esquerda da imagem, vê-se um objeto vermelho fixado na parede, possivelmente um extintor ou recipiente. A cena transmite sensação de confinamento." />								</a>
											<figcaption>A caramelo Maria Sol foi abandonada na UFSM em 2018, com sinais de abuso sexual. Na foto acima, ela estava abrigada no antigo Centro de Eventos da Universidade (Foto: Fabiana Stecca/Projeto Zelo)</figcaption>
										</figure>
		<h3><b>A outra Maria de Alice</b></h3><p>Em 2018, antes de se mudar para a Uruguaiana na intenção de cursar Medicina Veterinária, Alice de Figueiredo Rocha se matriculou em Zootecnia na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Na metade de 2018, ingressou  na Casa do Estudante, onde, pouco tempo depois, teve que aprender a conviver com a chegada da maior crise sanitária do século. “Eu cursei por sete semestres e fiquei na pandemia”, conta. Apesar de não ter finalizado a graduação na época, a aptidão no contato com animais fez com que a estudante se unisse ao projeto Zelo, iniciativa extensionista da UFSM que busca atender aos animais presentes no campus sede, em Santa Maria. “Eu entrei no Zelo como voluntária já em 2018, tudo por causa da [Maria] Sol”, afirma. </p><p>Era madrugada de agosto de 2018, época de frio intenso no Rio Grande do Sul, quando um carro não identificado transitava pelo campus sede da UFSM. O veículo parou nos fundos do Restaurante Universitário I e abandonou Maria Sol, uma vira-lata caramelo de porte médio para grande. “Ela foi jogada de dentro de um carro”, recorda Alice.</p><p>Depois de um tempo, quando tomou conhecimento sobre o caso, Alice se aproximou da história de Sol, e do projeto Zelo, que havia resgatado a vira-lata. Foi então que a estudante descobriu que a caramelo havia sido abandonada com sinais de abuso sexual, em função dos “sinais que ela apresentava”. Depois de uma cirurgia de emergência, Sol passou a viver livre no campus. “Só que dessa situação, ela passou a ter transtorno obsessivo compulsivo”, afirma Alice sobre o estado de saúde da vira-lata. “Ela atacava a si mesma e atacava, especialmente, homens na universidade”, rememora.</p><p>Alice, ao lado de voluntários e bolsistas do Zelo na época, montaram um pequeno lar para a cachorrinha atrás da Casa do Estudante. “A gente construiu um cercado, colocamos casinha, e a Sol ficava presa naquele cercado”, relembra. Com o lar provisório, os cuidados com a vira-lata viraram rotina. “Tirávamos ela para passear duas vezes por dia”, conta. </p><p>Depois de um tempo, o cercado foi desmanchado para dar lugar a uma nova obra da Universidade. Com isso, Sol voltou a ficar solta pela UFSM. Isso, segundo Alice, gerou uma nova confusão. “Por causa dos ataques, no caso”. O grupo, então, conseguiu abrigar Sol em uma pequena ala no antigo Centro de Eventos da UFSM, mas por pouco tempo. </p><p>Nessa mesma época, o transtorno decorrente do trauma se agravou. “Tinha piorado muito porque não conseguimos tratar ela com medicamentos que não fossem homeopáticos”, pondera. Conforme Alice, para seguir com um tratamento adequado, seria necessário que a vira-lata tivesse acompanhamento integral e, como ela era estudante na época, não pode assumir essa responsabilidade, nem os outros voluntários que acompanhavam o caso. “A condição era que ela fosse adotada e a gente nunca conseguiu adoção”,lamenta.</p><p>Certa vez, Sol entrou em uma grave crise devido ao transtorno. “Ela rodopiava e se atacava”. Foi levada ao Hospital Veterinário Universitário (HVU), onde ficou sedada por três dias. Naquele momento, os veterinários da instituição entenderam que Sol não poderia voltar a circular pela Universidade, tanto pela sua segurança, quanto pela de quem passa pelo campus. Em fevereiro de 2020, Maria Sol foi submetida à eutanásia.</p><h2><b>Depois do Sol, a Meia-Noite</b></h2><p>Com a ausência de suas Marias, a vida de Alice abriu espaço para outra visitante. Certa noite no início de 2025, uma felina circulava pelo centro de Santa Maria, era a Meia-Noite, uma pequena gata de olhos amarelos e pelos brancos e pretos. Na região, tinha até outro nome. Alguns moradores da região a chamavam de Furiosa, referindo-se ao quão arisca é. </p><p>Era habitualmente vista perto de uma farmácia, a poucos metros do Hospital de Caridade Astrogildo de Azevedo, localizado na avenida Presidente Vargas. Por ser uma avenida, o local possui intensa circulação de pessoas, carros e ônibus. Não demorou muito até que Meia-Noite viesse a sentir os efeitos dessa intensa vida urbana. Segundo boatos dos funcionários da farmácia, a gata foi atropelada e, no acidente, teve uma das patas arrancadas.</p><p>Assustada, Meia-Noite fugiu e não se deixou ser socorrida. Quase um ano depois, em março de 2026, Alice conheceu o curioso caso da gata. “Uma amiga me mandou mensagem e um vídeo da gata e me perguntou se eu ajudava ela a resgatar", conta. Moradora nas redondezas onde a Meia-Noite é comumente vista, Alice não hesitou em dar apoio no socorro. “Levamos três noites para pegar ela”, relembra.</p><p>Quando socorrida, Alice soube da história da felina. Apavorou-se ainda mais quando descobriu sobre a deficiência de Meia-Noite e o acidente que a deixou daquela forma. “Naquele tempo todo, a pata dela não sarou”. A gata foi prontamente levada a uma clínica particular da cidade, onde ficou sedada devido a sua brabeza. Não querendo que Meia-Noite passasse seus dias desacordada, Alice optou por transferi-la a um lugar mais adequado no tratamento de felinos agressivos. “Ela passou por três clínicas privadas antes de chegar na clínica de hoje”, diz.</p><p>Na época, uma outra surpresa: Meia-Noite estava gestante. Por conta disso, precisou passar por uma cesariana e atrasar o tratamento ideal para sua pata machucada. “Eram seis filhotes. A gente perdeu cinco”, ressalta Alice. Quando os filhotes nasceram, foram nomeados a caráter: “Os nomes eram Lua Nova, Eclipse, Amanhecer, Meio-Dia, Madrugada e, o único vivo foi o Crepúsculo”.</p><p>Hoje, Meia-Noite espera a cirurgia de amputação da pata e o tratamento adequado para a ferida. Sob os cuidados de Alice, a gata amamenta Crepúsculo e outros cinco filhotes adotivos. “Ela vai amputar a perna assim que desmamar as crianças”, afirma.</p>		
										<figure>
										<img width="1024" height="788" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/04/Meia-Noite-1024x788.jpg" alt="Foto horizontal e colorida de um gato preto e branco está deitado sobre cobertores macios, um azul e outro com estampa clara. O gato tem expressão alerta, com olhos abertos e voltados para a câmera. Suas patas dianteiras e traseiras estão enfaixadas com bandagens rosa, e há um tubo transparente conectado a uma das patas, indicando atendimento veterinário. O ambiente sugere uma clínica ou local de cuidado, com tecidos organizados ao redor do animal. A imagem destaca o estado de recuperação e fragilidade do gato." />											<figcaption>A gata Meia-Noite, um dia após ser resgatada em março deste ano (Foto: Alice Figueiredo)</figcaption>
										</figure>
		<h3><b>Uma violência crescente</b></h3><p>Dados do Conselho Nacional de Justiça mostram que casos como o de Maria, Sol e Meia-Noite não são singulares. Segundo o órgão, o Brasil registrou, só em 2025, 4.919 processos por maus-tratos a animais. Esse número representa um aumento de 21% em relação a 2024, quando 4.057 processos foram registrados. Em paralelo à estatística, casos recentes ganharam a atenção da imprensa nacional. Também no início deste ano, o cão comunitário Orelha foi alvo de um ataque violento, que provocou a morte do animal, na Praia Brava, ao norte de Florianópolis, em Santa Catarina. </p><p>O caso gerou forte comoção pública. Moradores da Praia Brava organizaram protestos e vigílias em memória do cachorro, enquanto ativistas da causa animal ampliaram a mobilização. Nas redes sociais, o caso também ganhou repercussão nacional, com milhares de compartilhamentos e pedidos por justiça. A comoção se transformou em pressão direta sobre as autoridades, com cobranças por investigação rigorosa e punição dos responsáveis.</p><p>Conforme Nina Trícia Disconzi Rodrigues Pigato, docente da UFSM, doutora em Direito pela USP e especialista em Direito Animal, sempre houve muito sofrimento animal, mas ele ficava invisível ou era tratado como normal. “As redes sociais, os protetores e os grupos ajudaram a dar voz a quem antes não denunciava por medo ou desconhecimento”, constata. </p><p>A entrada em vigor do <a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2026/Decreto/D12877.htm">Decreto nº 12.877/2026</a>, anunciado em 12 de março de 2026 e rapidamente apelidado de “Decreto Orelha”, marcou uma inflexão na forma como o poder público brasileiro responde aos crimes contra a fauna. A norma atualizou o regime de infrações ambientais, elevando significativamente o valor das multas e detalhando condutas enquadradas como maus-tratos, além de fortalecer a atuação de órgãos como o Ibama na aplicação imediata de penalidades. </p><p>Nina Disconzi recorda de outro caso recente: “em março de 2026, um caso brutal na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, serviu como o primeiro teste real para as novas leis de proteção animal”. Ela conta que um grupo de homens agrediu uma capivara com barras de ferro e pedaços de madeira com pregos. O animal sofreu traumatismo craniano e lesão ocular grave. “Este foi o primeiro caso em que o Decreto Orelha foi aplicado pelo Ibama. Cada agressor foi multado em R$ 20 mil, totalizando R$ 160 mil em multas”, conta a docente. Os envolvidos tiveram a prisão em flagrante convertida em prisão preventiva. “O Ministério Público denunciou os agressores não apenas por maus-tratos, mas também por caça ilegal, já que a intenção declarada era o abate para consumo”, complementa.</p><p>Embora episódios como o de Orelha chamem atenção pela violência explícita, outras formas de morte de animais seguem naturalizadas. Em rodovias do sul do país, o problema aparece de forma silenciosa e contínua. Um estudo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), realizado em um trecho de cerca de 100 quilômetros da BR-293, no pampa gaúcho, aponta que o atropelamento de fauna está entre os principais impactos humanos sobre animais silvestres naquela região. A pesquisa ainda aborda que muitas dessas ocorrências não entram em estatísticas oficiais ou sequer são registradas, o que amplia a subnotificação e dificulta dimensionar a real escala da violência.</p><p>Mesmo quando há legislação que prevê a obrigação de prestar socorro ou acionar autoridades, a aplicação é rara. A ausência de fiscalização contínua e de estruturas como passagens de fauna, cercamentos ou redutores de velocidade contribui para que o problema persista. Na prática, trata-se de uma violência dispersa, cotidiana e pouco visível, mas não menos letal.</p><p>Para a professora Nina, esse tipo de situação expõe um limite estrutural do próprio Direito. “O Direito ainda lida mal com violências difusas. O processo chamado estrutural tem sido utilizado para resolver alguns problemas complexos como resgate de animais em enchentes, mas ainda é incipiente em nosso país. Nosso sistema é essencialmente individualista. Ele precisa de autor identificado, de dano direto, de vítima com titularidade clara”, afirma. Segundo a pesquisadora, atropelamentos de animais acabam ficando nesse “limbo jurídico”, em que, embora possam ser enquadrados como crime ambiental, a fiscalização é pequena e a responsabilização, rara. “Às vezes se enquadra como crime ambiental, no artigo 32 da Lei 9.605/98, mas a fiscalização é pequena, embora esteja aumentando”, aponta.</p><p>A docente também diz que a legislação brasileira ainda apresenta uma lacuna importante quando se trata de animais que sobrevivem a maus-tratos. De acordo com Nina, não existe uma previsão legal geral e clara que assegure tratamento ou reabilitação às vítimas. “A legislação brasileira foca principalmente na punição do agressor, mas não garante tratamento ou reabilitação para o animal”, contextualiza. </p><p>Em alguns casos, o Judiciário tem determinado que o agressor arque com os custos ou que o animal seja encaminhado a um santuário, mas essas decisões ainda são exceção. Para a docente, seria fundamental a criação de uma lei federal que obrigue o Estado a oferecer reabilitação veterinária e acompanhamento comportamental sempre que possível.</p><p>Em relação ao papel do Estado, Nina Disconzi destaca que não há, na legislação federal, uma obrigação expressa de garantir tratamento e reabilitação para animais vítimas de violência. O que existe, conforme a professora, são iniciativas pontuais em alguns municípios e estados, leis estaduais e municipais, geralmente resultado da pressão de protetores independentes, advogados animalistas ou do Ministério Público. Ainda assim, a docente ressalta que a Constituição Federal, no artigo 225, impõe ao poder público o dever de proteger a fauna e vedar práticas cruéis. “Uma interpretação sistemática permite sustentar que a reabilitação do animal vítima de maus-tratos é uma forma de dar efetividade a esse dever”, reforça.</p><p>Ao analisar a atuação dos municípios, Nina descreve um cenário desigual. Embora existam exemplos positivos, com políticas estruturadas, como castração gratuita, centros de reabilitação e canais de denúncia, a maior parte das cidades brasileiras ainda carece de iniciativas consistentes. “A maioria dos municípios brasileiros simplesmente não tem política pública estruturante para proteção animal”. Entre as principais lacunas, ela cita a falta de fiscalização, educação nas escolas e canais efetivos de denúncia. Além disso, quando políticas existem, tendem a ser reativas, focadas no recolhimento de animais, sem ações preventivas ou educativas. </p><p>Em um contexto mais amplo, na avaliação de Nina, o Brasil tem avançado no enfrentamento à violência contra animais, mas ainda mantém traços de permissividade. Ela aponta que práticas como rodeios, vaquejadas e exploração industrial ainda são amplamente naturalizadas. </p><p>Para a docente, o Direito, por si só, não é capaz de transformar essa realidade enquanto a sociedade continuar a enxergar os animais como objetos ou mercadorias. Assim, apesar dos avanços legislativos e do aumento da visibilidade do tema, a mudança estrutural ainda depende de uma transformação cultural mais profunda. “A verdadeira transformação exige educação”, frisa Nina.</p>		
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										<img width="878" height="498" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/04/Orelha.jpeg" alt="Foto horizontal e colorida de um cachorro de porte médio, com pelagem marrom escura e patas mais claras, em pé sobre uma calçada. Ele está posicionado de frente para a câmera, com a boca aberta e a língua para fora, transmitindo uma expressão amigável. À esquerda da imagem, há uma casinha de madeira, parcialmente visível, que parece ser o abrigo do animal. O chão é de concreto, com uma rua ao fundo. A cauda do cachorro está levemente levantada, sugerindo um estado de alerta ou interação." />											<figcaption> Orelha foi encontrado gravemente ferido em área de mata após dias de desaparecimento na Praia Brava, em Florianópolis (Foto: Google Imagens)</figcaption>
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		<h3><b>Outro problema antigo, mas que anda junto</b></h3><p>Além da violência, outro problema que chama a atenção de cuidadores como Alice é o abandono, que muitas vezes acompanha os casos de maus-tratos. Estimativas da Organização Mundial da Saúde indicam que o Brasil tem cerca de 30 milhões de animais vivendo nas ruas. Dados mais recentes reforçam esse cenário: o relatório parcial de 2025 da iniciativa Medicina de Abrigos Brasil (Infodados de Abrigos de Animais) aponta um aumento expressivo no número de animais acolhidos. Entre janeiro e junho, as entradas de cães e gatos cresceram 91,7% em relação ao semestre anterior, somando 5.325 animais, sendo 2.929 cães e 2.396 gatos.</p><p>Ao olhar para o Rio Grande do Sul, o abandono aparece de forma difusa, mas persistente. Durante as enchentes que atingiram o estado em 2024, cerca de 20 mil cães e gatos foram resgatados e distribuídos em quase 500 abrigos temporários. Meses depois, milhares ainda aguardavam adoção, evidenciando um problema que vai além do resgate emergencial. “A gente vê que não é só resgatar. Tem muito animal que fica sem ter para onde ir depois”, enfatiza Alice. “Às vezes a pessoa ajuda no momento, mas não consegue ficar com o animal, e aí ele acaba voltando para a mesma situação”, alerta. </p><p>Na UFSM, a luta contra o abandono animal é emplacada pelo projeto Zelo. Segundo a coordenadora da iniciativa, Fabiana Stecca, a Universidade acaba se tornando um local propício para o abandono devido às diversas formas de acesso ao campus. “Temos vários pontos de acesso e áreas rurais. Apesar de termos um sistema de vigilância, os animais que são abandonados próximos a instituição, eles acabam chegando ao campus”, conta.</p><p>Em 2025, o projeto registrou e denunciou 35 abandonos no campus sede da UFSM. Apesar disso, Fabiana afirma que muitos casos “não dão em nada”. Bem como a história da vira-lata Maria Sol, outras pessoas que abandonaram animais na UFSM tiveram seus nomes identificados e foram denunciados. “Já comprovamos abandono proposital. Mas, infelizmente, em alguns casos não temos como comprovar”, explica.</p><p>Para Fabiana, um dos principais desafios ainda é a conscientização e sensibilização. “Nas publicações, pessoas dizem ‘aí, coitadinho, pobrezinho’, mas no final não dão um apoio”, desabafa. “Infelizmente, em Santa Maria, temos vários locais que são ‘preferidos para o abandono’, como o campus”.  Tendo isso em mente, a professora acredita que deveria haver uma mobilização do poder público mais intensa para lidar com essa realidade. “Isso é um trabalho que não deveria ser só da Universidade. Isso é um problema estrutural”, defende. </p><p>A coordenadora ainda destaca que a própria comunidade universitária infelizmente colabora para a estatística do abandono nas dependências da instituição. “Todo final de semestre, moradores da Casa do Estudante vão embora e abandonam os animais que cuidavam”, alerta. Fabiana afirma que o projeto tem elaborado iniciativas que buscam uma sensibilização popular. Nesse contexto difícil de se lidar, assim como Nina Disconzi, Fabiana reforça: “precisamos trabalhar a consciência”.</p><p>Em 2026, Alice Figueiredo de Rocha deu mais um passo nessa trajetória: ingressou no curso de Medicina Veterinária na UFSM. Em 2025, realizou o Vestibular da UFSM onde atingiu a nota para seguir com o sonho iniciado ainda em 2018, quando ingressou na Zootecnia. Depois de anos atuando em resgates, clínicas e projetos voluntários, a escolha formaliza um caminho que, na prática, já vinha sendo trilhado há muito tempo. E, além disso tudo, ela continua a contribuir no projeto Zelo. “Os filhos adotivos da Meia-Noite são gatinhos que o projeto precisou dar suporte”, conta.</p><p>Enquanto vive a rotina de cuidados que Meia-Noite e os filhotes precisam, Alice, que trabalha como Pet Sitter (Babá de Animais) mantém o coração aberto caso mais visitantes precisem de espaço. É nesse gesto repetido que algumas vidas ainda encontram a chance de continuar.</p><p>Conheça os serviços de Alice pelo <a href="https://www.instagram.com/amorpet.alice/">Instagram @amorpet.alice</a>.</p><h2><b>Saiba como apoiar o Zelo</b></h2><ul><li style="font-weight: 400"><b>Doações de itens:<br /></b>Ração, medicamentos veterinários, potes, coleiras, caixas de transporte, acessórios, roupas e calçados (o que não for usado é revendido).</li></ul><ul><li style="font-weight: 400"><b>Contribuição financeira:</b><br />PIX: fabiana@ufsm.br</li></ul><ul><li><b>Onde doar:<br /></b>Portaria do Colégio Politécnico (bloco F)<br />Sala C9 (bloco C)<br />CESPOL (bloco A)<br />(turnos manhã, tarde e noite)</li></ul><ul><li><b>Outras formas de ajudar:<br /></b>Participar como voluntário<br />Oferecer lar temporário<br />Organizar trotes solidários</li></ul><ul><li><b>Iniciativas do projeto:<br /></b>Brechó Grife do Zelo (Saiba mais no <a href="https://www.instagram.com/grifedozelo?igsh=MnNoNGl2OWJoeXox">Instagram</a>)</li></ul><p>Acompanhe outras novidades sobre o projeto Zelo pelo <a href="https://www.instagram.com/zeloufsm/">Instagram @zeloufsm</a>.</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Texto e montagem com fotos em destaque: Pedro Moro, estudante de jornalismo e bolsista da Agência de Notícias</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Fotos: Alice Figueiredo da Rocha, Fabiana Stecca e Google Imagens</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Edição: Maurício Dias, jornalista</p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Estudantes de Sistemas de Informação da UFSM/FW criam site para a ONG Bicho do Mato</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2026/04/15/estudantes-de-sistemas-de-informacao-da-ufsm-fw-criam-site-para-a-ong-bicho-do-mato</link>
				<pubDate>Wed, 15 Apr 2026 20:06:34 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Comunidade]]></category>
		<category><![CDATA[abandono de animais]]></category>
		<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Sistemas de Informação]]></category>
		<category><![CDATA[UFSM Frederico Westphalen]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/?p=72499</guid>
						<description><![CDATA[A entidade é voltada ao acolhimento de animais em situação de abandono, maus-tratos e vulnerabilidade]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  Visando uma aproximação com a comunidade, o curso de Sistemas de Informação do Campus da UFSM em Frederico Westphalen (UFSM/FW) ofertou, no segundo semestre de 2025, a disciplina “Sistemas de Informação e Extensão”, ministrada pela professora Adriana Pereira, do Departamento de Tecnologia da Informação. A atividade possibilitou que os acadêmicos aplicassem na prática os conhecimentos técnicos desenvolvidos ao longo do curso, contribuindo com entidades que não dispõem de recursos para investir em soluções tecnológicas. Assim, surgiu a parceria com a ONG Bicho do Mato, organização não governamental voltada ao acolhimento de animais em situação de abandono, maus-tratos e vulnerabilidade.

<b>Tecnologia aplicada à transformação social</b>

A iniciativa partiu dos próprios estudantes, que trouxeram a demanda da ONG para a disciplina, a partir do conhecimento prévio da realidade da instituição. Com base em competências desenvolvidas em áreas como engenharia de software, programação web e banco de dados, o grupo desenvolveu um <a href="https://bichodomato.ong.br/" target="_blank" rel="noopener"><i>site</i> institucional</a> com o objetivo de ampliar a visibilidade da organização.

Além da criação da plataforma, os estudantes também contribuíram com o pagamento do domínio e com a doação de dois <i>notebooks</i> aos responsáveis pela ONG, uma iniciativa que possibilita maior autonomia na gestão e atualização do conteúdo.

<b>Continuidade das ações</b>

No primeiro semestre de 2026, o projeto tem continuidade na disciplina Soluções Web para Inclusão e Transformação Comunitária, também ministrada por Adriana Pereira. Nesta etapa, os estudantes seguem envolvidos com a iniciativa, sendo responsáveis pela atualização do <i>site</i>, produção de novos conteúdos e fortalecimento da divulgação da ONG no ambiente digital.

A proposta amplia o alcance da ação de extensão, ao garantir não apenas o desenvolvimento da ferramenta, mas também sua manutenção e uso estratégico. Segundo a docente, a proposta está diretamente relacionada ao papel social da universidade. “Nem todas as organizações têm condições de desenvolver seus próprios sistemas. Por isso, trabalhamos com ações voluntárias que permitem aos estudantes aplicar seus conhecimentos em projetos reais, com impacto direto na comunidade”, explica.

<b>Formação acadêmica e compromisso social</b>

A experiência de aplicar o conhecimento em um projeto real é vista como um aprofundamento prático na formação dos estudantes de Sistemas de Informação. Segundo Adriana, essas ações permitem que o curso conecte a tecnologia com causas sociais.

Ao trabalharem diretamente com a comunidade, os alunos saem da interação exclusiva “homem/máquina” para vivenciar o contato pessoal, humanizando o aprendizado. Como os estudantes envolvidos já estão no sexto semestre, eles utilizam uma base técnica complexa de disciplinas, como Engenharia de Software, Programação Web e Banco de Dados para projetar soluções que atendem à organização de conteúdos e à melhoria da experiência do usuário no <i>site</i>. Na visão da professora, a vivência prática é essencial, pois os alunos atuam no mercado de trabalho e conseguem alinhar a prática profissional com o compromisso voluntário.

<b>Sobre a ONG Bicho do Mato</b>

A ONG Bicho do Mato foi fundada em 30 de janeiro de 2018 por Luiz Carlos Rodrigues e Izabel Antunes. Localizada na Vila Linha Iraí, no interior de Frederico Westphalen, a organização acolhe atualmente cerca de 92 cães e 22 gatos.

Além do abrigo, a ONG mantém uma boutique no município, que constitui sua principal fonte de renda, por meio da venda de roupas, acessórios e outros itens. A instituição também conta com parcerias esporádicas com o poder público, profissionais da área veterinária e doações da comunidade.

<b>Impactos e perspectivas</b>

A escolha da ONG Bicho do Mato foi motivada pela sua baixa visibilidade digital, visto que se localiza no interior do município. Diferente de outras instituições da cidade, a organização não possuía <i>site</i> próprio e contato profissional, o que dificultava a atração de voluntários e a captação de recursos essenciais. Além disso, o acolhimento de grande quantidade de animais de rua e o trabalho humanitário para garantir o bem-estar desses pets foram fatores determinantes para que a universidade decidisse intervir com uma solução tecnológica.

Para a professora Adriana, o projeto não é uma via de mão única. “A ideia é que o <i>site</i> não seja apenas informativo, mas uma ferramenta de transformação que chame a atenção e sensibilize a sociedade sobre o trabalho realizado pelos voluntários”, complementa. A expectativa é que, com a manutenção contínua do <i>site</i> e a divulgação dos animais disponíveis para adoção, a ONG consiga ampliar a rede de adoções e as doações da comunidade local.

<i>Texto: Divisão de Divulgação Institucional da UFSM/FW</i>]]></content:encoded>
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				<title>UFSM recebe pela primeira vez congresso brasileiro e latino-americano de bioética e direito animal</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2025/10/10/ufsm-recebe-pela-primeira-vez-congresso-brasileiro-e-latino-americano-de-bioetica-e-direito-animal</link>
				<pubDate>Fri, 10 Oct 2025 21:49:07 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[abandono de animais]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[direito]]></category>
		<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>

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						<description><![CDATA[Evento contou com 61 palestrantes e coordenadores de mesa, incluindo o vice-governador Gabriel Souza.]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  Nesta semana, a UFSM sediou o 8º Congresso Brasileiro e 5º Congresso Latino-Americano de Bioética e Direito Animal, que ocorreu de quarta (8) a sexta-feira (10) no auditório do Colégio Politécnico. O evento contou com 61 palestrantes e coordenadores de mesa, e também com 871 inscritos. As palestras também foram gravadas, e estão disponíveis online no <a href="https://www.youtube.com/c/Pr%C3%B3reitoriadeGradua%C3%A7%C3%A3oUFSM" target="_blank" rel="noopener">canal da Pró-Reitoria de Graduação (Prograd) no Youtube</a>.

O congresso é organizado pelo Instituto Abolicionista Animal (IAA), associação civil de direito privado sem fins lucrativos, criada para promover a discussão científica e educacional do direito e da ética animal. Além de reunir pesquisadores, estudantes, ativistas e defensores dos animais do Brasil e outros países da América Latina, o congresso também oportuniza a submissão de artigos para publicação nos anais do evento. A edição de 2025 teve como tema “Natureza, animais e desastres”, e como subtema “Entre a vulnerabilidade e a resiliência”.

[caption id="attachment_70953" align="alignright" width="613"]<a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/2025/10/2025-10-09-viii-congresso-causa-animal-Paulo-Barauna-15.jpg"><img class=" wp-image-70953" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2025/10/2025-10-09-viii-congresso-causa-animal-Paulo-Barauna-15-300x200.jpg" alt="Um grupo de pessoas está em um auditório assistindo a uma palestra. Na parte inferior da foto, estão as pessoas assistindo, sentadas em cadeiras vermelhas e pretas. Na parte central da foto, há uma mesa com um pano verde no centro e vasos com flores nos dois cantos. Três pessoas estão sentadas, e uma mulher está de pé. A mulher é branca, tem cabelo curto, loiro escuro e ondulado, usa roupas pretas e um crachá verde de papel. Ela segura um microfone e está falando. Ao fundo, há um banner do evento no canto direito, no centro há uma imagem projetada com slides, no slide está escrito Polícia Civil do Rio Grande do Sul, e no canto esquerdo há várias bandeiras, um palanque, uma porta e um extintor de incêndio." width="613" height="408" /></a> Dificuldades encontradas no resgate de animais vítimas de maus-tratos estiveram entre os temas abordados no congresso[/caption]

Em 2024, a professora Nina Trícia Disconzi Rodrigues, do Departamento de Direito da UFSM, tornou-se diretora do IAA, sendo a organizadora da edição deste ano. A docente também é coordenadora do Grupo de Pesquisa em Direito dos Animais (GPDA) da universidade.

<b>Programação – </b>A abertura do evento, na quarta-feira, contou com a apresentação online de artigos científicos, lançamento de livros, palestras, e apresentação do DTG Noel Guarany (departamento de tradições gaúchas da UFSM) e do grupo de flamenco de Etiane Viana. No dia seguinte, ocorreram diversas palestras nos períodos da manhã, tarde e noite, com pesquisadores e palestrantes de várias universidades do Brasil, além de profissionais que atuam nessa área. Pela manhã, a temática foi “Políticas públicas e direitos animais em desastres”, explorada nos âmbitos nacional, estadual e municipal. As palestras de nível estadual contaram com manifestação do vice-governador do Rio Grande do Sul, Gabriel Souza.

O último dia do evento, na sexta-feira, contou com mais palestras no período da manhã e da tarde. Pela noite, ocorreu a solenidade da posse dos novos membros da Academia Brasileira de Direito Animal, a entrega do “Prêmio Tobias Barreto” para os melhores trabalhos apresentados e a solenidade de encerramento.

Essa é a primeira vez que a UFSM sedia o evento. A docente Nina Disconzi conta que o congresso é normalmente realizado em capitais, tornando essa edição ainda mais significativa. “Foi um desafio muito grande. Tivemos que contar com a equipe dos alunos da UFSM, da graduação e dos programas de pós-graduação. Foi um trabalho coletivo, vemos o engajamento dos alunos em todos os momentos, aqui presentes e ajudando”, comenta.

Segundo a docente, além da realização do evento, também está em planejamento um projeto para a criação de um observatório da causa animal na universidade. “Nós queremos que a UFSM seja um polo, digamos assim, de proteção animal, e sirva de modelo para todas as outras universidades públicas federais do nosso país.”, explica Nina.

<b>V</b><b>ice-governador – </b>Em sua manifestação, o vice-governador comentou a nova proposta do governo estadual para a causa animal: o Fundo Estadual do Bem-Estar Animal. Reforçou ainda que o Rio Grande do Sul seria o primeiro estado brasileiro a ter uma ação como esta. “Não há dúvida que essa é a maior ação dos últimos tempos, um grande avanço. O governador Eduardo Leite enviou à Assembleia Legislativa, e nós estamos aguardando a votação desse projeto. Tenho certeza que ainda esse ano será votado e sancionado pelo governador, e com isso vamos ter condições de ter um financiamento das políticas públicas de maneira mais organizada e perene dentro do orçamento do Estado”, explica.

[caption id="attachment_70954" align="alignleft" width="575"]<a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/2025/10/2025-10-09-viii-congresso-causa-animal-Paulo-Barauna-14.jpg"><img class=" wp-image-70954" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2025/10/2025-10-09-viii-congresso-causa-animal-Paulo-Barauna-14-300x200.jpg" alt="Um homem segurando um microfone está falando. É um homem branco, de cabelo castanho curto e barba, usando uma camisa azul escura. Ele está atrás de um palanque, e do lado esquerdo ao fundo há três bandeiras, da esquerda para a direita: do Brasil, do Rio Grande do Sul, e da Universidade Federal de Santa Maria." width="575" height="383" /></a> O vice-governador Gabriel Souza participou do segundo dia do congresso[/caption]

O fundo utilizaria uma parte do orçamento para recursos na área de bem-estar animal, além de repassá-los aos municípios, para que criem os seus próprios fundos, posteriormente. “Vamos manter políticas não só para cães e gatos, mas para outras espécies, como é o caso dos equinos também, que demandam maior atenção do poder público. Realmente é um avanço significativo, e isso vai criar também os fundos municipais, para que os municípios possam receber recursos, além de viabilizar recursos também para entidades de proteção animal.”

Sobre propostas do governo estadual para situações de desastres, como as enchentes, o vice-governador falou de uma nova parceria com o Instituto de Medicina Veterinária do Coletivo (IMVC), para auxiliar na criação de um plano de contingência para animais, tendo em vista estes cenários.

<b>Legislação –</b> A bioética e o direito animal ainda são ramos relativamente novos, e transdisciplinares. No Brasil, a crueldade contra os animais foi considerada crime pela primeira vez pela Constituição de 1988, pelo artigo 225. Já os estudos da bioética, que relaciona a ética e a biologia para pesquisar as questões morais entre os animais e seres humanos, surgiram entre as décadas de 1960 e 1970, e no Brasil na década de 1990.

Maus-tratos aos animais é crime, segundo a <a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9605.htm" target="_blank" rel="noopener">Lei de Crimes Ambientais (Lei Nº 9.605/1998)</a>, que prevê penas de três meses a um ano de detenção, além de multa. Em 2020, a pena para maus tratos a cães e gatos aumentou para detenção de dois a cinco anos, de acordo com a <a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/lei/l14064.htm" target="_blank" rel="noopener">Lei Nº 14.064/2020</a>. Segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, no Brasil 71% das pessoas que cometem agressões contra animais também cometem crimes contra humanos.

Outro marco para a evolução dos direitos animais foi a Declaração de Cambridge sobre a Consciência. Lida publicamente no dia 7 de julho de 2012 em Cambridge, no Reino Unido, o texto foi assinado por um grupo de cientistas do mundo todo, e afirmava que diversos animais tinham a capacidade de ter senciência. Ou seja, animais vertebrados e cefalópodes (classe de animais aquáticos invertebrados: polvos, náutilos, lulas e sépias), têm a capacidade de sentir alegria e de sofrer, por exemplo.

<b>Trecho da Declaração de Cambridge:</b>

“Nós declaramos o seguinte: a ausência de um neocórtex não parece impedir que um organismo experimente estados afetivos. Evidências convergentes indicam que animais não humanos têm os substratos neuroanatômicos, neuroquímicos e neurofisiológicos de estados de consciência juntamente com a capacidade de exibir comportamentos intencionais. Consequentemente, o peso das evidências indica que os humanos não são os únicos a possuir os substratos neurológicos que geram a consciência. Animais não humanos, incluindo todos os mamíferos e as aves, e muitas outras criaturas, incluindo polvos, também possuem esses substratos neurológicos.”

(Tradução de Moisés Sbardelotto, publicada no site do <a href="https://www.ihu.unisinos.br/noticias/511936-declaracao-de-cambridge-sobre-a-consciencia-em-animais-humanos-e-nao-humanos" target="_blank" rel="noopener">Instituto Humanitas Unisinos</a>)

Por isso, o Congresso destaca-se como um evento que amplia o debate sobre a causa animal. “Quando falamos em vulneráveis, falamos também do animal. Já existe uma legislação em relação a maus-tratos, mas que tem que ser ampliada. Hoje, só cães e gatos têm uma pena maior; equídeos, por exemplo, não têm. Estamos nesse processo de criação de políticas públicas e de legislações para proteger os animais, pelo menos os sencientes. Para isso, é preciso profissionais do Direito, da Veterinária, de vários ramos, para conseguir entender a complexidade do tema.”, explica a professora Nina Disconzi.

<i>Texto: Giulia Maffi, estudante de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias</i>

<i>Fotos: Paulo Baraúna, estudante de Desenho Industrial e bolsista da Agência de Notícias</i>

<i>Edição: Lucas Casali</i>]]></content:encoded>
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						<item>
				<title>Conheça Silveira, o cachorro mais famoso da UFSM</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2025/05/19/conheca-silveira</link>
				<pubDate>Mon, 19 May 2025 23:09:53 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[abandono de animais]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[Silveira]]></category>
		<category><![CDATA[Zelo]]></category>

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						<description><![CDATA[Após uma década de vida no campus, cão vira fenômeno nas redes sociais e levanta debate sobre o abandono e a responsabilidade com os animais na universidade]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p>Silveira não é apenas um cachorro. Ele é uma figura ilustre que há cerca de 10 anos vive entre os prédios e ruas do campus sede da UFSM. Nos últimos dias, no entanto, o cão ganhou projeção nacional: uma postagem sobre ele no X (antigo Twitter) alcançou milhares de visualizações, compartilhamentos, rendeu diversos memes e homenagens. No dia 19 de maio, o termo "silveira" esteve entre os assuntos mais comentados por brasileiros na rede social.</p>
<p>No Instagram, o carisma de Silveira também conquistou seguidores de todo o país e ampliou a visibilidade do trabalho dos voluntários que cuidam dos animais do campus.</p>
<h3>De mascote a celebridade</h3>
<p>Segundo a professora Fabiana Stecca, coordenadora do Projeto Zelo, Silveira chegou ainda filhote ao campus e nunca mais saiu. “Ele apareceu menor, e desde então vive aqui. A gente estima que ele tenha cerca de 10 anos e já faz quase nove que ele está entre nós”, conta.</p>
<p>Durante a pandemia, Silveira ficou instalado em sua casinha ao lado do antigo pronto-socorro do Hospital Universitário de Santa Maria. Com o retorno presencial, no entanto, ele voltou a circular pelos prédios e áreas de convivência, especialmente a região do Restaurante Universitário, onde conquistou uma nova cama comprada pelos voluntários. “Ele ficou do tamanho certinho da cama. É o nosso grandalhão”, brinca a professora.</p>		
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										<img width="1024" height="868" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2025/05/silveira-1024x868.jpg" alt="" />											<figcaption>Silveira em 2017 (Foto: Mariana Garghetti Buss)</figcaption>
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										<img width="720" height="653" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2025/05/WhatsApp-Image-2025-05-19-at-13.53.02.jpeg" alt="" />											<figcaption>Silveira em sua cama em frente ao RU (Foto: divulgação)</figcaption>
										</figure>
		<h3>Saúde, cuidados e “auposentadoria”</h3>
<p>Com cerca de 10 anos de idade e mais de 43 kg, Silveira apresenta hoje diversos problemas de saúde comuns a cães idosos e de vida livre: artrose, problemas de pele (já precisou retirar nódulos) e dificuldades digestivas. Já teve episódios de gastroenterite e atualmente segue uma alimentação regrada, à base de ração sênior ou de raças pequenas — não aceita grãos grandes e não pode comer comida de humanos. “Ele é fino. E a ração dele, por conta das condições de saúde, não costuma vir das doações”, explica Fabiana.</p>
<p>Silveira é atendido regularmente no Hospital Veterinário Universitário (HVU) e está passando por um check-up para avaliar se ainda pode seguir com a rotina de cão de vida livre. “A gente está usando esse momento de visibilidade para refletir: será que não é hora de ele se ‘auposentar’? Ele precisa de um lar definitivo, seguro, com carinho e cuidados que a vida no campus não garante”, reforça a coordenadora.</p><h3>Curiosidades do Silveira</h3>
<p>Quem convive com Silveira no dia a dia, compartilha histórias que mostram o quanto ele é único:</p>
<ul>
<li>Devido à sua popularidade no campus, ele foi carinhosamente apelidado de Pró-Reitor de Assuntos Caninos da UFSM (PRAC-UFSM) pela comunidade acadêmica;</li>
<li>Ele prefere gente a cachorro. Já se envolveu em confusões com outros animais e até levou uma mordida;</li>
<li>Silveira tem um lugar preferido na UFSM: o sofá da Biblioteca Central. Fica visivelmente irritado se alguém estiver sentado no “lugar dele”;</li>
<li>Faz uma ronda diária pela universidade. De manhã, diariamente, passa pela Odontologia e Terapia Ocupacional, seguindo para outros locais do campus;</li>
<li>É um cachorro que exige atenção: por ser extremamente sociável, precisa de uma adoção muito especial — ele fica triste se não vê gente por perto;</li>
<li>Uma curiosidade inusitada: ele late mais para carros brancos. O motivo? Ninguém sabe, mas o comportamento já foi observado várias vezes.</li>
</ul>		
										<figure>
										<img width="766" height="1024" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2025/05/20250519_151846-766x1024.jpg" alt="" />											<figcaption>Silveira é frequentador assíduo de aulas de diversos cursos (Foto: Mariana Henriques)</figcaption>
										</figure>
		<h3> </h3>
<h3>Projeto Zelo: educação e acolhimento</h3>
<p>Por trás do cuidado com Silveira e de outros aproximadamente 80 animais no campus, está o Projeto Zelo, iniciativa de educação para proteção animal ligada à Pró-Reitoria de Extensão (PRE) da UFSM.</p>
<p>Atuando desde 2014, o Zelo enfrenta diariamente os desafios do abandono — o campus ainda é um ponto comum para o descarte irresponsável de cães e gatos. “Nós cuidamos de animais que não têm tutor. Se não fosse essa rede de voluntários, eles não teriam acesso a alimentação, tratamento, castração e atendimento veterinário”, destaca Fabiana.</p>
[caption id="attachment_69200" align="alignright" width="490"]<img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2025/05/Screenshot_1.jpg" alt="" width="490" height="492" /> Ecobag do Silveira[/caption]
<p>Para manter essa estrutura, o projeto conta com doações e com o apoio da comunidade. Além do brechó solidário localizado no Colégio Politécnico, na sala C9, o público também pode adquirir ecobags, adesivos e bottons com a identidade do projeto. Toda a renda é revertida aos cuidados com os animais.</p>
<p>As contribuições podem ser feitas por Pix (chave: fabiana@ufsm.br), com qualquer valor, ou com doações de roupas, calçados, ração, medicamentos e itens diversos.</p>
<h3>Como ajudar?</h3>
<p>Você pode apoiar o Projeto Zelo de diversas formas:</p>
<ul>
<li style="font-weight: 400">Sendo voluntário/a nos cuidados diários com os animais;<br /></li>
<li style="font-weight: 400">Ajudando com transporte, lar temporário ou alimentação;<br /></li>
<li style="font-weight: 400">Doando roupas e calçados em bom estado para o brechó;<br /></li>
<li style="font-weight: 400">Adquirindo produtos solidários na Cooperativa-Escola dos Estudantes do Colégio Politécnico da UFSM (Cespol);<br /></li>
<li style="font-weight: 400">Fazendo um Pix para fabiana@ufsm.br.
<p> </p>
</li>
</ul>
<h3>Educação e empatia</h3>
<p>Os animais do campus são bem cuidados, muitos circulam livremente e até acompanham aulas. Mas para que essa convivência aconteça com responsabilidade, a comunidade acadêmica precisa se envolver. “Chove, faz sol, tem feriado — e os voluntários estão sempre ali. Precisamos de mais gente com sensibilidade para a causa animal. Nossa missão é educar e mostrar que todo cão ou gato abandonado merece uma segunda chance”, explica a professora Fabiana.</p>
<p>A adoção responsável é a principal meta do Projeto Zelo. O grupo realiza o acompanhamento dos perfis dos animais e oferece suporte às famílias interessadas, ajudando a encontrar o melhor ambiente para cada um deles. “Muitos cães de grande porte ainda esperam por um lar. Queremos mostrar que todo animal tem potencial de ser adotado e amado — e que o campus, apesar de acolhedor, não é o lugar ideal para eles viverem para sempre”, conclui Fabiana.</p>
<p>Você pode acompanhar a rotina do Silveira no perfil<a href="https://www.instagram.com/silveirapodrao/"> @silveirapodrao</a> e conhecer mais sobre o cuidado com os animais do campus no perfil do<a href="https://www.instagram.com/zeloufsm/"> @zeloufsm</a>. Os itens disponíveis para venda podem ser encontrados no perfil <a href="https://www.instagram.com/grifedozelo/?hl=pt-br">@grifedozelo</a>.</p>
<p><em>Texto: Mariana Henriques, jornalista</em></p>
<p><!-- /wp:tadv/classic-paragraph --></p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Projeto CãoViver será lançado nesta terça-feira no Campus de Palmeira das Missões</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2025/05/19/projeto-caoviver-sera-lancado-nesta-terca-feira-no-campus-de-palmeira-das-missoes</link>
				<pubDate>Mon, 19 May 2025 18:33:53 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[abandono de animais]]></category>
		<category><![CDATA[PRE]]></category>
		<category><![CDATA[UFSM Palmeira das Missões]]></category>
		<category><![CDATA[Zootecnia]]></category>

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						<description><![CDATA[O CãoViver atua com foco na educação e adaptação dos cães já presentes no campus, oferecendo abrigo, água e alimentação]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  Será lançado oficialmente nesta terça-feira (20), às 16h, no auditório do Campus da UFSM em Palmeira das Missões (UFSM/PM), o Projeto CãoViver. A iniciativa busca oferecer soluções responsáveis e humanitárias para a presença de cães abandonados no campus, promovendo o bem-estar dos animais e a segurança da comunidade acadêmica.

<a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/2025/05/caoviver.jpeg"><img class=" wp-image-69192 alignright" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2025/05/caoviver-300x298.jpeg" alt="" width="521" height="518" /></a>O projeto, coordenado pelas docentes Luciana Fagundes Christofari e Jaqueline Schneider Lemes, teve início em fevereiro deste ano e vem sendo desenvolvido com a participação da educadora canina Suele Bueno – egressa do curso de Zootecnia da UFSM/PM –, servidores, estudantes bolsistas e voluntários. A proposta surgiu como resposta à crescente preocupação com a circulação desordenada dos cães nas áreas comuns do campus, o que vinha gerando episódios de ataques, trânsito em salas de aula e outros transtornos.

Além do lançamento no auditório, estão previstas ações pontuais em diferentes locais do campus ao longo do dia.

<b>Convivência e cuidado</b>

O CãoViver atua com foco na educação e adaptação dos cães já presentes no campus, oferecendo abrigo, água e alimentação em um espaço específico, com estrutura que garante sombra e sol ao longo do dia. Os animais permanecem presos em sistema de vai-e-vem entre 7h e 22h30min, sendo soltos posteriormente. Nos fins de semana e feriados, os horários são reduzidos.

O cuidado com os animais conta com apoio de dois bolsistas – um da direção do campus e outro via Pró-Reitoria de Extensão (PRE) – e de voluntários. As bolsas representam o único recurso financeiro institucional no momento. Alimentação, vacinas, atendimento veterinário e demais necessidades estão sendo viabilizados por meio de doações e da renda obtida no Brechó do Projeto.

<b>Apoio da comunidade é essencial</b>

As coordenadoras do projeto reforçam que o sucesso da iniciativa depende do engajamento da comunidade acadêmica e da população local. Entre as orientações importantes, destacam-se:

- Não trazer animais de outras áreas da cidade para o campus;

- Denunciar casos de abandono de animais no local;

- Evitar alimentar os cães fora de seus espaços destinados, especialmente dentro dos prédios;

- Avisar a direção em caso de eventos aos fins de semana, para organização da rotina de cuidados;

- Apoiar com doações ou trabalho voluntário.

Além disso, está prevista a vacinação antirrábica dos cães. E mesmo diante das ações internas, as docentes destacam a importância de continuar pressionando os órgãos competentes do município para políticas públicas mais efetivas no combate ao abandono de animais.

A comunidade está convidada a acompanhar e participar das ações do Projeto CãoViver. A iniciativa também tem como objetivo estimular a adoção responsável dos animais que hoje vivem no campus.

Para mais informações, o público pode acessar as redes sociais do projeto: <a href="https://www.instagram.com/vivercao/" target="_blank" rel="noopener">@vivercao</a> e <a href="https://www.instagram.com/caoviver.brecho/" target="_blank" rel="noopener">@caoviver.brecho</a>.

<i>Texto: Assessoria de Comunicação da UFSM/PM</i>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Silveira alerta: abandono de animais é crime!</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2023/11/20/silveira-alerta-abandono-de-animais-e-crime</link>
				<pubDate>Mon, 20 Nov 2023 19:06:21 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[abandono de animais]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[Extensão]]></category>
		<category><![CDATA[Zelo]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/?p=64577</guid>
						<description><![CDATA[Há quase 10 anos, projeto da USFM atua na conscientização conta o abandono de animais]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p>

<!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
</p>
<p>Mesmo que seja considerado crime previsto por lei, o abandono de animais é muito praticado e, o campus da UFSM acaba sendo um local bastante procurado em Santa Maria para descartar esses bichinhos. É pensando nisso que o Zelo atua na luta contra o abandono e na conscientização da adoção responsável. Com quase 10 anos de existência, o projeto busca diminuir os casos de maus-tratos por meio de palestras, divulgação de trabalhos e iniciativas que busquem garantir o bem-estar dos animais.</p>
<p>Na matéria produzida pela TV Campus é possível conhecer mais sobre o projeto e como é possível ajudar.</p>
<p>
<!-- /wp:tadv/classic-paragraph -->

</p>
<p>https://www.youtube.com/watch?v=ZVexq0ZfINU</p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Abandono de animais na UFSM cresce após retorno do ensino presencial</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2022/05/09/abandono-de-animais-na-ufsm-cresce-apos-retorno-do-ensino-presencial</link>
				<pubDate>Mon, 09 May 2022 13:07:00 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[abandono de animais]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[Hospital Veterinário]]></category>
		<category><![CDATA[hvu]]></category>
		<category><![CDATA[projeto zelo]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/?p=58480</guid>
						<description><![CDATA[Nove cachorros foram abandonados no Campus Sede desde o início do semestre]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
[caption id="attachment_58484" align="alignright" width="646"]<a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/2022/05/IMG_6143.jpg"><img class="wp-image-58484" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2022/05/IMG_6143.jpg" alt="Foto colorida horizontal mostra uma pessoa de costas, em frente a uma parede onde há duas prateleiras com muitas roupas" width="646" height="430" /></a> Valores arrecadados no brechó do Projeto Zelo, no Politécnico, são destinados aos cuidados com os animais[/caption]
<p><span style="font-weight: 400">O abandono de animais no Campus Sede da UFSM vem crescendo após o retorno do ensino presencial. No total, 9 cachorros foram abandonados na Instituição ao longo das três primeiras semanas de aula, iniciadas em 11 de abril, de acordo com levantamento feito pelo Projeto Zelo. O perfil dos animais é bem definido: em maioria, sem castração e de grande porte. Até o momento, os responsáveis pelos abandonos não foram identificados e os cachorros seguem soltos pelo campus, sem abrigo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Infelizmente, essa prática não é atual. O descarte de animais no </span><span style="font-weight: 400">campus</span><span style="font-weight: 400"> acontece há, ao menos, quatro décadas, segundo relato de Fabiana Stecca, coordenadora do Zelo, projeto de extensão criado em 2014 pelo Gabinete do Vice-Reitor, com o intuito de trabalhar a conscientização para o não abandono e para a guarda responsável de animais. </span><span style="font-weight: 400">‘’O abandono nunca parou, ele só foi se modificando. Na pandemia o problema ficou pior ainda, porque os animais abandonados chegavam aqui, quase todos, com problemas sérios de saúde. Tivemos situações de animais extremamente magros, famintos, com anemia inclusive’’</span><i><span style="font-weight: 400">, </span></i><span style="font-weight: 400">expõe a coordenadora.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">O principal foco do Zelo é criar eventos e palestras, tanto dentro quanto fora da UFSM, para conscientizar a população acerca da causa animal. Entretanto, devido à quantidade de animais desassistidos presentes na Universidade, o projeto passou a atuar também arrecadando fundos para tratamento, castração e alimentação dos animais, além de elaborar campanhas de adoção. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Contudo, uma das voluntárias do projeto, Carla Flores, servidora atuante no curso de Odontologia, destaca que o projeto não possui abrigo próprio para os cachorros e gatos abandonados, assim como não realiza tratamentos médicos, já que o Zelo não tem por objetivo principal oferecer assistência aos animais. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Ao encontro desse relato, Raíssa Nascimento, bolsista do projeto e estudante de Desenho Industrial, informa que o </span><span style="font-weight: 400">campus</span><span style="font-weight: 400"> não é o local adequado para nenhum animal: </span><span style="font-weight: 400">‘’Na universidade, eles estão sujeitos a perigos, principalmente, quando ficam mais velhos e com problemas de saúde, porque não há ninguém 24 horas disponível no campus para cuidar deles. Os animais soltos pela UFSM podem ser atropelados, brigarem entre si, ou se exporem a doenças", relata.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Em decorrência do número alto de animais desamparados - estima-se que mais de 90 -, o Zelo tem encontrado dificuldades para conseguir lares temporários suficientes e recursos financeiros para a compra de ração e vacina, e para o custeio de tratamentos, que geralmente são caros. Fabiana Stecca esclarece que, enquanto projeto de extensão, o Zelo recebe dinheiro público somente para bolsas, pequenas necessidades de custeio e repasses destinados ao Hospital Veterinário Universitário (HVU), uma vez que os animais abandonados não possuem nenhum tipo de atendimento gratuito. Fora isso, todo capital é arrecadado por meio de doações.</span></p>
[caption id="attachment_58485" align="alignleft" width="504"]<a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/2022/05/IMG_6164.jpg"><img class="wp-image-58485" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2022/05/IMG_6164.jpg" alt="Foto colorida horizontal mostra dois gatinhos de pelagem bege, um deitado e outro sentado, em uma calçada em frente a uma área verde. Ambos os gatos olham para a câmera" width="504" height="336" /></a> No campus, animais abandonados estão sujeitos a perigos[/caption]
<p><b>Como coibir o abandono?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400">O abandono e maus tratos de animais é crime, previsto pelo artigo 32 da Lei Federal nº 9605 de 1998. Portanto, quando há informações suficientes sobre o abandono, é possível realizar denúncia e boletim de ocorrência. Por isso, a coordenadora do Projeto Zelo pede que as pessoas comuniquem o projeto, ou o vigilante da UFSM mais próximo, caso presenciem situações estranhas, como carros estacionados em locais incomuns do </span><span style="font-weight: 400">campus</span><span style="font-weight: 400">, para que assim os criminosos sejam responsabilizados.</span></p>
<p><b>Formas de ajudar o Zelo</b></p>
<p><span style="font-weight: 400">Financeiramente, o Projeto recebe doações pelo pix </span><a href="mailto:fabiana@ufsm.br"><span style="font-weight: 400">fabiana@ufsm.br</span></a><span style="font-weight: 400">, ou por dinheiro em espécie, diretamente na recepção do Colégio Politécnico da UFSM, de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h. Doações de ração também são bem-vindas, bem como de roupas, calçados e acessórios, já que o Zelo possui um brechó, também localizado no Politécnico, cujo valor arrecadado se destina totalmente aos cuidados animais. Para conferir as peças disponíveis, basta acessar @grifedozelo no Instagram. Imãs, camisetas e calendários também são vendidos pelo Projeto todas terças-feiras de manhã na PoliFeira, na Avenida Roraima.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Outra maneira de auxiliar é tornando-se voluntário, através do e-mail citado acima, ou diretamente por mensagem no Instagram (<a href="https://www.instagram.com/grifedozelo/?hl=pt" target="_blank" rel="noopener">@zeloufsm</a>) ou Facebook (<a href="https://www.facebook.com/projetozeloufsm" target="_blank" rel="noopener">@projetozeloufsm</a>). Também é possível adotar, ser lar temporário e apadrinhar os animais, tanto gatos quanto cachorros, ou então oferecer carona solidária, para ajudar no deslocamento até o HVU, por exemplo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Se nenhuma dessas formas de colaboração forem viáveis, ainda é possível ajudar compartilhando os posts de divulgação dos animais disponíveis para adoção, publicados nas redes sociais do Zelo.</span></p>
<p><em>Texto: Laurent de Lima Keller, acadêmica de Jornalismo, bolsista da Agência de Notícias</em><br /><em>Fotos: Ana Alícia Flores, acadêmica de Desenho Industrial, bolsista da Agência de Notícias, e Rafael Happke/Arquivo (foto de capa)</em><br /><em>Edição: Ricardo Bonfanti, jornalista</em><br /><br /></p>
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