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						<item>
				<title>Professor da UFSM recebe prêmio Açorianos na categoria literatura juvenil</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2025/06/17/acorianos</link>
				<pubDate>Tue, 17 Jun 2025 12:36:47 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[literatura fantástica]]></category>
		<category><![CDATA[literatura juvenil]]></category>
		<category><![CDATA[prêmio Açorianos]]></category>
		<category><![CDATA[steampunk]]></category>

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						<description><![CDATA[Andre Cordenonsi foi destacado por “Sherlock e os aventureiros: Resgate sobre trilhos"
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <figure>
										<img width="576" height="1024" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2025/06/Artur-Vecchi-editor-esq-Andre-Cordenonsi-autor-dir-2-576x1024.jpeg" alt="" />											<figcaption>Da esquerda para a direita, o editor Artur Vecchi e o autor Andre Cordenonsi durante a entrega do Açorianos</figcaption>
										</figure>
										<figure>
										<img width="678" height="1024" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2025/06/capa-1-678x1024.jpg" alt="Imagem colorida vertical da capa do livro. No alto da página, o nome do autor, &quot;A. Z, Cordenonsi&quot;. Logo abaixo, o nome &quot;Sherlok&quot; em tamanho grande, sendo que a letra &quot;S&quot; está dentro de uma lupa. Um pouco abaixo, diagramado de forma integrada, &quot;e os aventureiros&quot;. No espaço inferior, o nome do fascículo, &quot;Resgate sobre trilhos&quot;" />											<figcaption>Capa da obra premiada como literatura juvenil no 30º Açorianos de Literatura</figcaption>
										</figure>
		<p style="text-align: left">O professor André Cordenonsi, do Departamento de Arquivologia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), foi um dos vencedores do 30º Prêmio Açorianos de Literatura.&nbsp;Promovida pela Secretaria de Cultura da Prefeitura de Porto Alegre, a premiação considerada o mais antigo e o mais importante do Rio Grande do Sul, ocorreu nesta segunda (16), no Teatro da Câmara Túlio Piva, no bairro Cidade Baixa.&nbsp;</p>
<p style="text-align: left">Cordenonsi recebeu o prêmio de melhor obra de Literatura Juvenil por "Sherlock e os Aventureiros: Resgate sobre Trihos". O livro foi escolhido por júri formado por três escritores finalistas do Açorianos. Além do professor da UFSM, outros escritores foram escolhidos nas seguintes categorias: crônica, ensaio de literatura e humanidades, conto, literatura infantil, poesia, categorai especial e livro do ano. A lista completa pode ser conferida no <a href="https://prefeitura.poa.br/smc/noticias/escritores-recebem-o-30o-premio-acorianos-de-literatura-em-nove-categorias">site da Prefeitura de Porto Alegre</a>.</p><p style="text-align: left">Para o professor, "participar como indicado por três vezes já é a realização do sonho de qualquer escritor. Vencer é indescritível". Ele ainda complementa:" Em um ambiente onde a literatura parece ser atacada e esvaziada por pequenos setores da sociedade, a valorização das letras, da contação de história e da arte de criar histórias que entretém e formam é um ato revolucionário e de resistência à esses ataques. Escrever literatura para jovens e crianças é apostar em um futuro melhor para as próximas gerações e para a humanidade'"</p>
<h3 style="line-height: 1.2;font-size: 1.75rem;color: #000000">Literatura fantástica</h3>
<p style="color: #000000;font-size: 16px">"Resgate sobre Trilhos" é o quarto capítulo da série "Sherlock e os Aventureiros", de Cordenosi. A obra de literatura fantástica do gênero steampunk foi lançada pela Editora Avec, de Porto Alegre.&nbsp;</p>
<p style="color: #000000;font-size: 16px">Além do detetive Sherlock, o texto traz outros personagens conhecidos - alguns da ciência, outros da ficção - como o inventor servo-croata Nikola Tesla, a cientista polonesa Maria Skodowska, mais conhecida como Marie Currie, e o ladrão de casaca Arsène Lupin, criado pelo escritor francês Maurice LeBlanc.&nbsp;</p>
<p style="color: #000000;font-size: 16px">Cordenonsi também é autor do universo de aventura e mistério Le Chevalier, em parceria com o ilustrador Fred Rubim; e&nbsp;da série de horror&nbsp;sobrenatural A Irmandade do Olho do Corvo. O escritor, em conjunto com os professores Nikelen Witter e Eneias Tavares, assina a autoria de Guanabara Real.</p>
<p style="text-align: left">
</p><p><!-- wp:tadv/classic-paragraph /--></p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Professora da UFSM vence Prêmio Açorianos de Literatura na categoria ‘Conto’</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2022/02/18/professora-da-ufsm-vence-premio-acorianos-de-literatura-na-categoria-conto</link>
				<pubDate>Fri, 18 Feb 2022 17:46:17 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[contos]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Nikelen Witter]]></category>
		<category><![CDATA[prêmio Açorianos]]></category>

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						<description><![CDATA[Nikelen Witter é docente no curso de História e autora de sete livros
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <img width="699" height="1024" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2022/02/nikelen-699x1024.jpg" alt="" loading="lazy">

Nikelen Witter, docente no curso de História da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), venceu, nesta quinta-feira (17), o Prêmio Açorianos de Literatura na categoria ‘Conto’, com o livro ‘Dezessete Mortos’. A história se passa nos campos do sul do Brasil, e mescla tradições ancestrais e medos modernos. A&nbsp;<a href="https://prefeitura.poa.br/smc/noticias/divulgados-os-vencedores-do-premio-acorianos-de-literatura" target="_blank" rel="noopener">premiação</a>&nbsp;foi criada em 1977 pela Prefeitura Municipal de Porto Alegre e reconhece os destaques em Literatura do Rio Grande do Sul.

Além de Nikelen, outro professor da UFSM concorreu à premiação. André Zanki Cordenonsi é docente no curso de Arquivologia e concorreu na categoria Literatura Infanto-Juvenil com o livro ‘Sherlock e os Aventureiros’.

A Revista Arco entrevistou <a href="https://www.ufsm.br/midias/arco/professora-historia-ufsm-premio-acorianos/">Nikelen</a> e <a href="https://www.ufsm.br/midias/arco/professor-arquivologia-ufsm-indicados-premio-acorianos/">André</a> sobre obras, carreira e relação entre pesquisa, docência e literatura.&nbsp;]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Professor de Arquivologia da UFSM  está entre os indicados ao Prêmio Açorianos de Literatura</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/professor-arquivologia-ufsm-indicados-premio-acorianos</link>
				<pubDate>Thu, 17 Feb 2022 12:32:59 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[arco entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[André Cordenonsi]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[destaque arco]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
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		<category><![CDATA[Prêmio]]></category>
		<category><![CDATA[prêmio Açorianos]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/arco/?p=9014</guid>
						<description><![CDATA[Arco Entrevista Andre Zanki Cordenonsi, indicado à categoria infanto-juvenil para o Prêmio Açorianos]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  Considerado uma das premiações culturais mais importantes do Rio Grande do Sul, o Prêmio Açorianos de Literatura está em sua 27ª edição e tem, entre os indicados, dois professores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Nesta quarta-feira (16), a Arco começou o mini dossiê sobre o prêmio com a entrevista da historiadora <a style="text-decoration: none" href="https://www.ufsm.br/midias/arco/professora-historia-ufsm-premio-acorianos/">Nikelen Witter</a>. Hoje, o Arco Entrevista é com o professor Andre Zanki Cordenonsi, da Arquivologia.

<img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/02/andre-capa-1024x668.jpg" alt="Descrição da imagem: colagem horizontal e colorida com destaque para as cores azul pastel, amarelo e rosa. No centro da imagem, recorte de fotografia em preto e branco de um homem de pele clara, rosto angular, calos escuros, ralos e barba aparada. Veste camisa escura. Na frente, recortes de margaridas, binóculo, lupa. Atrás, fundos de formas geométricas em amarelo, rosa e cinza. Algumas nuvens estão espalhadas. O fundo é azul pastel." loading="lazy" width="1024" height="668">

Andre Cordenonsi é graduado em Informática pela UFSM, tem mestrado em Ciências da Computação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e doutorado em Informática na Educação também pela UFRGS. Atualmente, é professor do Mestrado Profissional em Patrimônio Cultural e do Mestrado Profissional em Tecnologias Educacionais da UFSM. É escritor e autor de livros sobre o mais famoso detetive de todos os tempos: Sherlock Holmes. Entre suas obras, estão ‘Sherlock e os Aventureiros’ - indicada nesta edição ao Prêmio Açorianos -, além de ‘Le Chevalier’; ‘O Selvagem do Himalaia’ e ‘A Irmandade do Olho do Corvo: as crias de Hastur: 1’. Confira a entrevista a seguir:
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">ARCO - Qual foi sua reação ao receber a notícia da indicação ao prêmio pela segunda vez?</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">ANDRE CORDENONSI - Na verdade, fiquei bastante surpreso, porque o livro indicado é o terceiro livro da série. Não é uma coisa muito comum: normalmente, quando você lança uma série, o primeiro livro chama mais atenção, não é tão usual os demais serem indicados a prêmios. O primeiro, ‘Sherlock e os Aventureiros - O mistério dos planos roubados’, foi indicado a três prêmios: o Minuano, o Açorianos e o da Associação Gaúcha de Escritores (AGES). Ele ganhou o Minuano e perdeu o AGES para mim mesmo, porque fui indicado com outro livro, o ‘Guanabara Real’. Mas fiquei bastante feliz, a indicação já é um prêmio muito grande. Como é o maior prêmio do Rio Grande do Sul, ficar entre os três melhores do ano já é um sinal muito positivo, e para série também - afinal de contas, uma série com três livros que contém quatro indicações mostra a qualidade do trabalho.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">ARCO - Quais livros formaram o escritor e o professor que você é hoje?</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">ANDRE - Na infância, os livros que me marcaram foram a coleção ‘Cachorrinha Samba’ e ‘A Montanha Enfeitiçada’, ambos da Maria José Dupré. Eram livros que misturavam História do Brasil com a fantasia e ficção.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">O livro que me marcou na juventude foi ‘Os Meninos da Rua Paulo’, de Ferenc Molnár, porque um dos protagonistas morria no final do livro e foi a primeira vez que eu vi, em um livro infanto-juvenil, o protagonista morrer, e&nbsp; aquela ideia de uma criança morrer me chocou. Eu já estava lendo livro policial, mas, em um livro infanto-juvenil, uma criança&nbsp; morrer, na época me deixou perplexo: “dá para fazer isso no livro? Eu posso matar um protagonista tão jovem assim?”.&nbsp; Um pouco depois, entra Agatha Christie e eu começo a me interessar por histórias policiais, do gênero fantasia. A maior parte das literaturas infanto-juvenil acaba brincando com&nbsp; fantasia, de alguma forma ou outra, apesar de ter muita coisa realista. Então eu entro na literatura de gênero com a Agatha Christie e, mais tarde, com Sherlock Holmes.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">ARCO - Vários autores já se inspiraram no personagem&nbsp; Sherlock Holmes, das mais diversas formas.&nbsp; O que levou você a construir a narrativa da história voltada para o público infanto-juvenil na coleção de livros ‘Sherlock e os Aventureiros’ ?</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">ANDRE CORDENONSI - Quando eu concebi a história, já foi como uma série de cinco livros - ou seja, não é uma coisa pequena -, então eu queria mostrar para a editora que o projeto estava bem construído. Eu fiquei um bom tempo pesquisando e lendo sobre Sherlock Holmes, criando a história, para entregar algo mais encaminhado.&nbsp; Eu já tinha escrito os três primeiros livros, mostrei para eles e foi aprovado.&nbsp;</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Antes de as obras sobre Sherlock Holmes entrarem para o domínio público, pagavam-se royalties para os sobrinhos-netos do Arthur Conan Doyle, família indireta que cuidava dos títulos do autor. Quando entrou em domínio público, a grande maioria dos autores e projetos trabalhavam com o Sherlock adulto, mas houve algumas iniciativas para explicar o Sherlock jovem. O grande problema é que se sabe muito pouco sobre ele jovem, pois em todos os contos e romances, o Conan Doyle dá pouquíssimas informações sobre a juventude do personagem. Tem um conto que o próprio Sherlock narra - um dos poucos que ele é o narrador e não o Watson - um dos casos da juventude, que ocorreu enquanto ele frequentava a universidade. Ali temos o maior número de informações, e ele não era tão jovem, o meu Sherlock é mais jovem que isso. As pessoas começaram a tentar descobrir como poderia ter sido a juventude e, com isso, surgiram biógrafos.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Quando pensei em começar a produzir a série, sabia que queria escrever sobre a juventude dele, porque era uma coisa que me intrigava, assim como à maioria dos fãs. Estava pensando em escrever para o público infanto-juvenil, mesmo que a maior parte do meu trabalho não tenha esse público como alvo. Queria que meus livros&nbsp; pudessem ser trabalhados em escolas.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">O principal objetivo era dar uma resposta à pergunta de como ele se torna o maior detetive de todos os tempos. E como tinha a ideia de ser usado em escolas, criei uma concepção que se perpetua em toda a série: como ele se torna o maior detetive de todos os tempos? É porque ele tem bons professores. E quem são esses bons professores? São personalidades intelectuais importantes da época, que convivem com ele e também são jovens. No primeiro livro, é o Nikola Tesla, engenheiro que se tornou um dos aventureiros e o acompanha até o quinto livro. No segundo livro, é a Ada Lovelace, matemática e uma das mães da computação moderna. No terceiro, ele se aproxima da Química com Louis Pasteur, francês que cria o sistema da pasteurização. É sempre isso: ele encontra alguém jovem, próximo da sua idade, que o ajuda a entender algum aspecto de algo que o auxilia a se tornar detetive.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">ARCO - ‘O Selvagem do Himalaia’ e ‘A Irmandade do Olho do Corvo: as crias de Hastur: 1’ são livros de aventura, fantasia e ficção científica. O que te inspira para escrever livros com essa temática e narrativa?</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">ANDRE CORDENONSI - Eu sempre gostei de literatura de gênero. Comecei com a história do detetive, depois fui para ficção científica, terror e assim por diante. As três vertentes do fantástico, que são fantasia, terror e ficção científica, foram o que eu mais consumi durante a infância e adolescência. Com o ‘Le Chevalier’, que tem os livros e os quadrinhos, eu caí na ficção científica. ‘O Selvagem do Himalaia’ vai para ficção científica de novo, mistura um pouquinho de fantasia e ficção científica. O jovem Sherlock é um detetive, mas flerta um pouco com ficção científica e fantasia. Essas três vertentes são formas de contar histórias, mas, no final das contas, o que temos e o que importa é o que acontece com os personagens principais. Eles vão enfrentar problemas, situações em que não vão saber o que fazer, vão ocorrer problemas com seus familiares. No final das contas, o livro é sobre os personagens principais que emulam nós mesmos, sempre estamos falando sobre nós mesmos ou nossa sociedade, eu sou produto do meu tempo.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"></p>
<p id="docs-internal-guid-c2ed3ff4-7fff-79a2-caa6-114fb38a218d" dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">“Eu gosto de trabalhar com o passado. Primeiro, porque gosto de história de época e, segundo, porque trabalho muito tempo no futuro - como sou professor de computação, passo o dia inteiro falando sobre o futuro. Então, todas as minhas histórias são temporalmente no passado.”</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">ARCO - Com relação a sua área de atuação, a Arquivologia, existem nas obras elementos que contemplam a área? De que maneira eles são inseridos na narrativa?&nbsp;&nbsp;</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"></p>
ANDRE CORDENONSI - A minha área de formação é a Computação, mas eu fiz concurso para Arquivologia para trabalhar com a área de documentos digitais, que é onde atuo. Como estou há 15 anos lá,&nbsp; aprendi muitas coisas que acabam dentro da minha narrativa. Por exemplo, no livro ‘Le Chevalier’, eu tenho um personagem que é arquivista, que aparece nos romances e nos quadrinhos, que talvez fosse algo que eu não pensaria se não estivesse inserido aqui dentro. Na Arquivologia, se trabalha muito com a ideia de preservação de documentos e informações, e documentos envolvem diversos tipos, como o de papel, áudio, vídeo e fotografias. Tudo isso eu trabalho no formato digital e tive que mostrar no analógico, tive que pesquisar para as aulas e, de vez em quando, aparece algo das pesquisas nas minhas histórias.
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">ARCO - A literatura se insere em seus objetos de pesquisa? De que forma?</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">ANDRE CORDENONSI - Sim, já fiz alguns trabalhos com alunos que pesquisaram em arquivos de autores ou em arquivos pessoais que envolviam autores. De alguma forma isso interfere, porque a literatura mexe com essa área. Por exemplo, eu estou com uma aluna no mestrado que está estudando formas de ensinar literatura para crianças. De vez em quando, dá para brincar utilizando jogos digitais, eu consigo colocar alguma coisa de literatura nisso, mas não sempre. Mas, por causa da minha área de formação, eu tenho trabalhado com pensamento computacional, que é ensino de lógica para jovens, o que se afasta bastante da área [literatura], mas, de vez em quando, conseguimos inserir alguma coisa.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">ARCO - Para finalizar, gostaria de saber: o que significa a literatura para você?&nbsp;</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"></p>
ANDRE CORDENONSI - Literatura, como todas as artes, é uma forma de se expressar, de mostrar o que você pensa e acha sobre o mundo. Todos os livros que o autor escreve, de alguma forma, são autobiográficos. Não quer dizer que você esteja contando sua própria história ou se colocando como protagonista, mas ele representa aquilo que você acha, como um sujeito naquela situação vai se comportar, então ele diz algo sobre você.
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"></p>
“Todas as obras, em qualquer arte, inclusive na literatura, são um espelho do autor. Às vezes, precisamos entender as escolhas dos protagonistas para entender as nossas próprias escolhas.”
<p id="docs-internal-guid-7c9e97f6-7fff-0d81-a5f5-359b7b2feadd" dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Uma das principais funções da literatura é ajudar as pessoas a terem empatia sobre&nbsp; as situações alheias, porque você passa pelo ciclo completo, você entende a história inteira e começa a imaginar os impactos que ocorrem nas pessoas. Pode ser que, quando você passar por algo semelhante na vida real, compreenda melhor o que está acontecendo A literatura nos deixa pessoas melhores.</p>
<strong><em>Expediente:</em></strong><em><strong>Entrevista:</strong> Karoline Rosa, acadêmica de Jornalismo e voluntária;</em><em><strong>Design gráfico:</strong> Ana Carolina Cipriani, acadêmica de Produção Editorial e voluntária;</em><em><strong>Mídia social:</strong> Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Rebeca Kroll, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Alice dos Santos, acadêmica de Jornalismo e voluntária; Gustavo Salin Nuh, acadêmico de Jornalismo e voluntário;</em><em><strong>Edição de Produção:</strong> Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista;</em><em><strong>Edição Geral:</strong> Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas.</em>]]></content:encoded>
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						<item>
				<title>Professora de História da UFSM concorre ao Prêmio Açorianos</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/professora-historia-ufsm-premio-acorianos</link>
				<pubDate>Wed, 16 Feb 2022 13:50:36 +0000</pubDate>
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						<description><![CDATA[Arco Entrevista Nikelen Witter, indicada ao Prêmio Açorianos na categoria ‘Conto’]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p id="docs-internal-guid-a0678687-7fff-074d-640a-f8b18d453d97" dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Criado em 1977 pela Prefeitura Municipal de Porto Alegre, o Açorianos é uma das mais importantes premiações culturais do Rio Grande do Sul e que, além da literatura, também reconhece os trabalhos de destaques nas áreas de música, teatro, dança e artes plásticas. O prêmio Açorianos de Literatura contempla obras de dez categorias: Conto, Crônica, Ensaio de Literatura e Humanidades, Especial, Infantil, Infanto-Juvenil, Narrativa Longa e Poesia. O vencedor de cada categoria concorre ao Livro do Ano.  </p><p> </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">A premiação desta edição, que ocorre em 17 de fevereiro de 2022, tem na lista de indicados dois docentes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM): Nikelen Witter e Andre Zanki Cordenonsi. Na reportagem de hoje, a Revista Arco  entrevista a escritora e professora Nikelen Witter.</p>		
												<img width="1024" height="668" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/02/capa-nikelen-1024x668.jpg" alt="Colagem horizontal e colorida. Na direita da imagem, fotografia de uma mulher, em preto e branco, de perfil; ela olha para baixo e segura uma caneta em uma das mãos; tem pele clara, cabelos escuros, curtos e cacheados; usa óculos e veste casaco escuro; na gola do casaco, ilustração da gola glorida em azul claro. Abaixo da caneta, pedaço de papel rasgado com escritos. Ao lado esquerdo, colagem de flores nas cores amarelo, branco, laranja e rosa, um livro aberto, um olho e um mosquito. Na parte inferior, colagem de texturas: lisa na cor marrom e branco e preto quadriculado, juntadas por pedaços de fita. Acima, ao fundo da fotografia, um sol laranja, duas nuvens pequenas, uma borboleta laranja, ilustração de revoada de 12 pássaros roxos sobre fundo de textura amarela. o fundo é roxo." loading="lazy" />														
		<p id="docs-internal-guid-02347203-7fff-85f1-b968-b75017424cc9" dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Nikelen é graduada em História pela UFSM, tem mestrado em História do Brasil pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e é doutora em História Social pela Universidade Federal Fluminense (UFF). É autora do livro ‘Dizem que foi Feitiço: as práticas de cura no sul do Brasil (1845-1890)’. Atualmente, é professora do Departamento de História da UFSM e se dedica a investigações de questões que envolvem Gênero e História das Mulheres na época contemporânea. É também escritora com diversas obras de ficção como ‘Guanabara Real e a Alcova da Morte’; ‘Territórios Invisíveis, Viajantes do Abismo’ e ‘Dezessete mortos’, livro com o qual ela concorre ao Prêmio Açorianos de Literatura. Confira a entrevista a seguir:</p>		
		<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">ARCO - Qual foi sua primeira reação ao receber a notícia da indicação ao prêmio?</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"> </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">NIKELEN WITTER - Quase descrença. Vou te dizer que, no [Prêmio] Jabuti, havia uma categoria em que era possível concorrer, a categoria do romance de entretenimento. No Açorianos, eu achava mais difícil que uma coletânea com textos góticos fosse colocada entre os finalistas. Então minha reação foi “Nossa, como assim?”. Mas foi muito legal.</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"> </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">ARCO - Quais livros formaram a professora e a escritora que você é hoje?</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"> </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">NIKELEN- Eu sempre fui muito leitora, então é muito difícil selecionar alguns livros. Quando eu tinha treze anos, minha família se mudou, eu saí de um bairro para outro, saí de um lugar onde eu tinha vivido a minha infância, em que tinha amiguinhas na rua, para outra região de Santa Maria. Quando eu tinha 17 anos, perguntaram para minha mãe se eu era visita, porque ninguém me via, eu ia do colégio para casa e em casa eu estava no meu quarto lendo o tempo todo. Quando eu tinha dez anos, meu presente de aniversário foi um dicionário de mitologia grega e eu acho que ele foi um dos livros mais importantes que eu já tive. Até hoje, 38 anos depois, eu me sirvo dele para pegar bases para histórias que eu estou escrevendo. E quem já teve aula comigo sabe que eu uso muito a mitologia como exemplo ou alegoria de várias coisas, então acho que esse é um livro bem fundamental na minha vida.</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Mas te dizer qual foi o livro que me fez pensar “eu quero ser escritora ou eu quero ser professora, eu quero trabalhar com História” é difícil, porque foram coisas que eu sempre quis: escrever livros e estudar História.    </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"> </p>  <p id="docs-internal-guid-82f0eb3c-7fff-f23d-7596-8fe1090b57c3" dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">ARCO - ‘Dezessete Mortos’ é um livro de contos com uma pegada de terror. De onde surgiu a inspiração para a escrita e o que te motivou a escrever sobre essa temática? </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"> </p><p>NIKELEN- Eu não curto filmes de terror, mas eu sempre gostei de livros de terror, especialmente esse terror não declarado, gótico, que não é simplesmente assassinato, mas que tem uma sombra. Sempre foi uma coisa que eu curti muito, ainda mais quando mescla  com elementos históricos, lendários, com histórias que contamos à noite para crianças. Eram as histórias que eu ouvia e essas histórias sempre me povoaram. Quando aparecia algum edital, alguma coisa que pedisse contos nessa linha, eu recuperava essas ideias lá do fundo e escrevia.</p><blockquote><p id="docs-internal-guid-06075ae5-7fff-90c8-df51-23d679aa2d1d" dir="ltr" style="line-height: 1.8;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt;text-align: center">"Acho que sempre foi algo que me habitou, eu curto esse imaginário gótico, escuro e não bem definido: a coisa de você entrar em um quarto escuro e não saber o que tem lá e, em geral, não é nada vivo."</p></blockquote><p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">ARCO - Qual o estilo que você mais gosta de utilizar na escrita?</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"> </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">NIKELEN- Eu gosto da escrita do fantástico, daquilo que não é absolutamente realista, talvez até para diferenciar da minha escrita para a História. Desde a primeira história de ficção que escrevi, durante a 7ª série,  me voltei para esses elementos fantasiosos e fantásticos. Depois, à medida que fui me desenvolvendo na área da História, o meu tema de trabalho, pelo menos nos primeiros dez anos como pesquisadora, foi a questão da saúde. E ela envolve doença e morte, não é um tema leve, é um tema que me exigia como pesquisadora e como escritora; e que usa muito o sofrimento humano como base para pesquisa, para tentar entender como as pessoas lidavam com isso. Quando eu decidi que queria escrever de forma profissional, me sentia mais confortável colocando na escrita esses elementos fantásticos e fantasiosos.  Isso também tem a ver com a minha leitura de passatempo e de entretenimento, com a literatura que costumo consumir. Minha leitura é voltada para esse tipo de livro, então escrevo sobre isso, tenho muito mais dificuldade de me apegar a um livro de ficção que seja realista. </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"> </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">ARCO - Em 2019, você ofertou uma disciplina que pensava a inserção da História em livros distópicos e de ficção, a exemplo de Harry Potter. Pensando nisso e nos seus livros, existe uma intersecção entre o lado professora e o lado escritora? De que maneira?</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"> </p><p>NIKELEN- Acho que sim. ‘Dezessete mortos’, por exemplo, tem muitos elementos de História, até mesmo uma história quase alternativa. No conto ‘O terror dos teus inimigos’, eu uso um personagem do Rio Grande do Sul, o Moringue, que foi um dos líderes legalistas durante a Revolução Farroupilha, então acho que ali tem muitas conexões. O próprio ‘Viajantes do Abismo’, livro que foi um dos finalistas do Jabuti, partiu de um processo crime, e a partir dele fui trabalhando com elementos que envolviam o caos ecológico que vivemos e que, como professora, eu historicizo esse momento e como nós chegamos a ele. Acaba sendo uma alegoria para falar de diversos elementos que são absolutamente realistas, só que escritos de forma muito alegórica.</p><p id="docs-internal-guid-e6fa116c-7fff-9641-ce5b-2e9294060b12" dir="ltr" style="line-height: 1.8;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt;text-align: center">"Eu acho que é nesse caminho que eu vejo a minha intersecção entre a professora-pesquisadora e a escritora. A escritora se alimenta desses elementos e os transforma em um texto ficcional que alfineta alguns pontos sensíveis da nossa percepção da realidade. "  <br /></p><p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">ARCO - A literatura se insere em seus objetos de pesquisa? De que forma?</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">&nbsp;</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">NIKELEN- Eu defendi meu doutorado em 2007 e, quando saímos do doutorado, não queremos olhar aquele material porque estamos muito cansadas. Mas, depois de dois anos, decidi que queria estudar e pesquisar outras coisas. Aí surgiu a ideia da História da Leitura, como as pessoas leem e colocam o livro como um material fundacional delas. A partir daí, não consegui mais me separar da literatura, eu uso como base de pesquisa, de aula e de formação. A literatura nos dá um alcance da mentalidade de uma determinada época que nenhum livro de História te dá, tanto com o conteúdo do livro quanto com a forma com que as pessoas leram e receberam aquele livro.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Eu fiz um projeto de extensão no ano retrasado [2020], em que lemos autoras brasileiras que estiveram de fora do cânone, e as perguntas eram: Por que estavam fora do cânone? Por que elas foram esquecidas pelo cânone?&nbsp; Por que não foram lidas? Por que foram alijadas pelos leitores, crítica da época e pelo próprio mercado? Isso diz muito da época em que elas escreveram e também diz muito sobre a gente, uma vez que estamos resgatando e lendo elas. A partir daí, faço a minha análise histórico-social, que envolve uma “marca” da minha pesquisa que é a questão do gênero. Um exemplo são perguntas como: Por que ainda encontramos homens que dizem não ler livros escritos por mulheres?; ou Por que a leitura de determinadas mulheres modifica a forma como determinados homens atuam no mundo? Isso é muito legal e eu acabo interseccionando esses elementos nos meus afazeres de pesquisadora.&nbsp;</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">&nbsp;</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">ARCO - A literatura pode ser considerada uma ferramenta para o ensino? Por quê?</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">&nbsp;</p>
<p>NIKELEN- Acho que sim, na verdade eu acho que ela é fundamental. Eu sou daquele tipo de leitora que acredita o seguinte: eu vivo coisas tão maravilhosas e incríveis lendo, que fico muito triste de conhecer uma pessoa que não lê, porque eu penso o que essa pessoa está perdendo de viver, saber e se divertir. Quando pequena, eu não entendia quando as pessoas me diziam que eu não estava fazendo nada, só lendo. Como assim não estou fazendo nada? Eu estou em outro lugar, em outra época, navegando os sete mares, puxando espada, eu estou fazendo milhões de coisas! </p>
<p>E acho que é algo importante para mim, como professora e formadora de professores, mostrar o quanto essa paixão pode ser enriquecedora no processo de ensino e aprendizagem. Nas minhas disciplinas correntes, atualmente História Contemporânea do Século 20, eu sempre peço um ensaio acadêmico de um livro escrito na época que estamos estudando. Isso é usado para destrinchar livros,&nbsp; textos&nbsp; e debates que fizemos em aula, e os resultados são sempre fantásticos e incríveis. Alunos já me disseram que encontram o livro da sua vida nessa leitura, outros que foram fazer seu Trabalho de Conclusão de Curso sobre os livros que escolheram. </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">
</p><p>Então acho que, se eu conseguir formar professores que se apaixonem pela leitura da ficção, eles vão levar isso para seus alunos também, vão envolver seus alunos no processo.</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Eu não sou das Letras, sou da História, mas acho que isso não precisa ficar restrito às Letras, pode estar em qualquer disciplina que tenha uma professora ou professor que use essa paixão, porque a literatura nos permite passear por todas essa nuances. Sempre tem uma forma para puxarmos a História e isso é riquíssimo. Por exemplo, a própria ficção científica,  o que tem a ver  com a História? Não podemos esquecer que, embora a ficção científica imagine o futuro, ela é escrita do presente e são as angústias do presente que ela vai responder.</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">É isto que eu penso que é legal e interessante  trabalhar: que você pode trazer mais estudantes a se encantarem com a sua disciplina - em vez de chegar com aquele conteúdo quadradinho sempre -, por isso me interessa formar professores que tenham essa bagagem, porque eles serão mais efetivos em sala de aula, na hora de conquistar e levar coisas diferentes para seus alunos.</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"> </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">ARCO - Para finalizar, gostaria de saber: o que significa a literatura para você? </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"> </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">NIKELEN WITTER - Viver mais, com mais profundidade, amplitude e horizonte. Literatura para mim é isso. </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"> </p><strong><em>Expediente:</em></strong><em><strong>Entrevista:</strong> Karoline Rosa, acadêmica de Jornalismo e voluntária;</em><em><strong>Design Gráfico:</strong> Ana Carolina Cipriani, acadêmica de Produção Editorial e voluntária;<br /></em><em><strong>Mídia Social:</strong> Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Rebeca Kroll, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Alice dos Santos, acadêmica de Jornalismo e voluntária; Gustavo Salin Nuh, acadêmico de Jornalismo e voluntário;</em><strong><em>Edição de Produção:</em></strong> <em>Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista;</em><em><strong>Edição Geral:</strong> Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas.</em>]]></content:encoded>
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