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				<title>UFSM e Fiocruz seguem estudos relacionados às variantes do coronavírus</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2024/01/18/ufsm-e-fiocruz-seguem-estudos-relacionados-as-variantes-do-coronavirus</link>
				<pubDate>Thu, 18 Jan 2024 14:55:09 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[bioquímica e biologia molecular]]></category>
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		<category><![CDATA[zootecnia e ciências biológicas]]></category>

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						<description><![CDATA[Pesquisas conduzidas pelas instituições mostram a mudança na prevalência e impactos causados pelas variantes Gamma e Omicron durante a pandemia]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
<p><span style="font-family: Arial, sans-serif"><span style="font-size: medium"><span lang="pt-BR">Quase quatro anos após o início da pandemia da Covid-19 no Brasil, a UFSM e a Fundação Oswaldo Cruz seguem somando esforços no sentido de entender o impacto das linhagens d</span></span></span><span style="font-family: Arial, sans-serif"><span style="font-size: medium"><span lang="pt-BR">o vírus causador da doença, o</span></span></span><span style="font-family: Arial, sans-serif"><span style="font-size: medium"><span lang="pt-BR"> SARS-CoV-2, no interior do Rio Grande do Sul e suas rotas de transmissão - um conhecimento que será útil para antecipar e aplicar medidas de contenção viral em futuros surtos.</span></span></span></p>
<p><span style="font-family: Arial, sans-serif"><span style="font-size: medium"><span lang="pt-BR">Mesmo numa época em que os índices relacionados ao coronavírus registram uma queda acentuada, os estudos com o SARS-CoV-2 continuam sendo altamente relevantes, pois as linhagens novas, capazes de infectar e reinfectar a população, continuam a surgir. É crucial manter a vigilância para poder acompanhar essa evolução e poder também atualizar as vacinas com as linhagens que emergiram recentemente.</span></span></span></p>
<p><span style="font-family: Arial, sans-serif"><span style="font-size: medium"><span lang="pt-BR">O alerta é do pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz – Instituto Aggeu Magalhães, também conhecida como Fiocruz Pernambuco, Gabriel Wallau. “Agora estamos dando continuidade às análises para investigar a existência de padrões de transmissão viral entre o Rio Grande do Sul e outros estados e países fronteiriços, bem como entre cidades das regiões Central e Noroeste do RS, regiões pouco ou não investigadas em estudos anteriores”, explica o pesquisador, que é egresso da UFSM.</span></span></span></p>
<h3><span style="font-family: Arial, sans-serif"><span style="font-size: large"><span lang="pt-BR">Brasil teve pelo menos três grandes ondas epidêmicas</span></span></span></h3>
<p><span style="font-family: Arial, sans-serif"><span style="font-size: medium"><span lang="pt-BR">Segundo Wallau, os agentes que causam doenças, como vírus e bactérias, estão constantemente sofrendo mudanças genéticas. Trata-se de um processo normal que, na maioria das vezes, resulta em pouca ou nenhuma alteração na capacidade patogênica desses agentes. Algumas modificações genéticas, entretanto, podem alterar a capacidade desses agentes em se espalhar ou em modificar os sintomas da doença que ele causa, tornando-os mais ou menos patogênicos ou fatais. Os “tipos” novos de vírus que surgem por variações genéticas são chamados de linhagens. Em uma pandemia como a da Covid-19, a quantidade de vírus se reproduzindo na população humana é muito alta. Assim, o número de novas linhagens tende também a ser maior. Como consequência, no decorrer da pandemia, quando os números de casos começam a cair, pode ocorrer o surgimento de uma nova variante e os números de casos retornam a aumentar. Estes fenômenos de aumento de casos associado a uma nova variante são chamados de “ondas epidêmicas”.</span></span></span></p>
<p><span style="font-family: Arial, sans-serif"><span style="font-size: medium"><span lang="pt-BR">Ao longo da pandemia da Covid-19 o Brasil passou por pelo menos três grandes ondas epidêmicas: a primeira relacionada à entrada e espalhamento das linhagens originais importadas de outros países; a segunda, da linhagem Gamma, originada no país e primeiramente detectada no estado do Amazonas; seguida da onda de casos relacionada à linhagem Omicron, identificada pela primeira vez na África do Sul e que chegou ao Brasil no início de 2022.</span></span></span></p>
<p><span style="font-family: Arial, sans-serif"><span style="font-size: medium"><span lang="pt-BR">O desenvolvimento e popularização da tecnologia de sequenciamento de DNA, que permite ler diretamente no material genético, faz com que hoje se possa c</span></span></span><span style="color: #000000"><span style="font-family: Arial, sans-serif"><span style="font-size: medium"><span lang="pt-BR">omparar o material genético dos vírus que estão se multiplicando em uma população </span></span></span></span><span style="font-family: Arial, sans-serif"><span style="font-size: medium"><span lang="pt-BR">e detectar o surgimento de novas linhagens. A este processo de acompanhamento da evolução das linhagens chama-se de “vigilância genômica”. No caso da Covid-19, a vigilância genômica no Estado foi e continua a ser conduzida por diferentes instituições ao longo da pandemia, cada uma contribuindo para um melhor entendimento das linhagens virais de SARS-CoV-2 circulantes e seu impacto na população, como forma de guiar as medidas de prevenção.</span></span></span></p>
<p><a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/2024/01/WhatsApp-Image-2024-01-18-at-08.37.35.jpeg"><img class="size-full wp-image-65026 aligncenter" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2024/01/WhatsApp-Image-2024-01-18-at-08.37.35.jpeg" alt="" width="1280" height="720" /></a></p>
<h3><span style="font-family: Arial, sans-serif"><span style="font-size: medium"><span lang="pt-BR">Parceria permitiu pesquisa no interior do RS</span></span></span></h3>
<p><span style="color: #000000"><span style="font-family: Arial, sans-serif"><span style="font-size: medium"><span lang="pt-BR">O</span></span></span></span><span style="font-family: Arial, sans-serif"><span style="font-size: medium"><span lang="pt-BR"> maior esforço de amostragem viral se dá em regiões metropolitanas, mais populosas, e por consequência há uma limitada representatividade de informações nas regiões menos populosas, como no interior gaúcho. Foi </span></span></span><span style="font-family: Arial, sans-serif"><span style="font-size: medium"><span lang="pt-BR">pensando em mitigar esse viés que pesquisadores da UFSM e a Rede Genômica Fiocruz estabeleceram uma parceria para realizar a vigilância genômica do SARS-CoV-2 nas regiões de Santa Maria e Palmeira das Missões.</span></span></span></p>
<p><span style="font-family: Arial, sans-serif"><span style="font-size: medium"><span lang="pt-BR">Neste contexto, foram sequenciados e submetidos ao banco de dados internacional de vigilância genômica 772 genomas do vírus, de pelo menos cinco linhagens predominantes (B.1.1.28, P.1 - Gamma, P.2 - Zeta, AY – Delta e BA – Omicron), a partir de amostras provenientes de 96 cidades do Centro e Noroeste do estado. De Palmeira das Missões, 31 genomas de SARS-CoV-2 foram sequenciados, sendo 11 da variante Omicron, 19 da Gamma e 1 da linhagem XAG. De Santa Maria, 67 genomas de pacientes foram sequenciados, sendo 25 da variante Omicron, 38 da Gamma e 2 da Delta </span></span></span><span style="font-family: Arial, sans-serif"><span style="font-size: medium"><span lang="pt-BR">(confira na arte acima</span></span></span><span style="font-family: Arial, sans-serif"><span style="font-size: medium"><span lang="pt-BR">)</span></span></span><span lang="pt-BR">.</span></p>
<p><span style="color: #000000">“<span style="font-family: Arial, sans-serif"><span style="font-size: medium"><span lang="pt-BR">As compara</span></span></span></span><span style="color: #000000"><span style="font-family: Arial, sans-serif"><span style="font-size: medium"><span lang="pt-BR">ções entre as linhagens Gamma e Omicron indicam uma</span></span></span></span><span style="font-family: Arial, sans-serif"><span style="font-size: medium"><span lang="pt-BR"> clara mudança de comportamento epidemiológico, onde a linhagem Gamma foi associada com uma das maiores taxas de mortalidade na região, enquanto a entrada e espalhamento da linhagem Omicron gerou a maior onda de casos, porém com <a href="https://ti.saude.rs.gov.br/covid19/" target="_blank" rel="noopener">reduzida mortalidade comparativa</a>”, explica o pesquisador</span></span></span><span style="font-family: Arial, sans-serif"><span style="font-size: medium"><span lang="pt-BR">. Esse resultado revelou que o <a href="https://vacina.saude.rs.gov.br/" target="_blank" rel="noopener">nível de vacinação da população</a>, que teve início em janeiro de 2021 para grupos prioritários, mas que só atingiu 90% da população adulta no final de 2021</span></span></span><span style="font-family: Arial, sans-serif"><span style="font-size: medium"><span lang="pt-BR">, foi o principal determinante para a redução no número de casos fatais frente o espalhamento da linhagem Omicron, que é a mais infecciosa do vírus SARS-CoV-2 caracterizada até o momento.</span></span></span></p>
<p>“<span style="font-family: Arial, sans-serif"><span style="font-size: medium"><span lang="pt-BR">Estes resultados da vigilância genômica reforçam a importância no investimento continuado no monitoramento de patógenos respiratórios que impactam a população gaúcha. As dores e perdas deixadas pela pandemia devem ser acompanhadas pela lição de que temos de buscar estar sempre preparados para novas emergências sanitárias. A vigilância genômica pode ser uma grande aliada na busca e planejamento das medidas de contenção e de prevenção a novas epidemias e pandemias”, salienta Wallau.</span></span></span></p>
[caption id="attachment_65027" align="alignright" width="699"]<a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/2024/01/WhatsApp-Image-2024-01-17-at-15.24.43.jpeg"><img class="wp-image-65027" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2024/01/WhatsApp-Image-2024-01-17-at-15.24.43.jpeg" alt="foto colorida horizontal com um grupo de homens e mulheres em um laboratório, com janelas pintadas de azul, todos de jaleco branco e usando máscaras" width="699" height="340" /></a> Equipe do Campus de Palmeira das Missões[/caption]
<h3><span style="font-family: Arial, sans-serif"><span style="font-size: medium"><span lang="pt-BR">Dois campi da UFSM estão envolvidos nos estudos</span></span></span></h3>
<p><span style="font-family: Arial, sans-serif"><span style="font-size: medium"><span lang="pt-BR">Da UFSM, participam deste trabalho em parceria com a Fiocruz pesquisadores e estudantes dos campi de Santa Maria e Palmeira das Missões. Do Campus Sede, participam equipes do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular e do Departamento de Medicina Veterinária Preventiva. Já a UFSM-PM está representada por professores do Departamento de Ciências da Saúde e do Departamento de Zootecnia e Ciências Biológicas.</span></span></span></p>
<p><em>Foto: Arquivo </em><br /><em>Artes: Daniel Michelon De Carli</em></p>
<!-- /wp:tadv/classic-paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Como funcionam as pesquisas para a criação de uma vacina?</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/como-funcionam-pesquisas-criacao-vacina</link>
				<pubDate>Sat, 05 Sep 2020 15:46:29 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Saúde]]></category>
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						<description><![CDATA[Confira as etapas de um imunizador e saiba sobre os estudos que buscam combater a covid-19]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2020/09/capa.site_.png" data-elementor-open-lightbox="yes" data-elementor-lightbox-title="Vacinas" data-elementor-lightbox-description="Ilustração de cientista mulher que observa um tubo de ensaio. O desenho representa a corrida pelas vacinas contra a covid-19">
<img width="1024" height="576" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2020/09/capa.site_-1024x576.png" alt="" loading="lazy">								</a>
<h2><b>Confira as etapas e saiba mais sobre os estudos que buscam imunizar contra a covid-19&nbsp;</b></h2>
Pandemia, quarentena e expectativas: o novo coronavírus veio para colocar a nossa paciência à prova. A atenção está voltada à comunidade científica e, nossos diálogos cotidianos compreendem a produção de vacinas. A internet vai à loucura: os memes são uma forma bem-humorada para tratar da espera pela cura do novo coronavírus. Contam-se os dias para a descoberta que simbolizará a liberdade para a vida tal como a conhecíamos. A partir dos veículos de informação nos atualizamos sobre os avanços das pesquisas na Inglaterra, nos Estados Unidos, na Alemanha, na China, na Rússia e no Brasil. Mas afinal, como é o processo para criação de uma vacina?

Com mais de 25 milhões de casos e de 859 mil mortes ao redor do mundo, a COVID-19 passou a ser considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma <a href="https://www.euro.who.int/en/health-topics/health-emergencies/coronavirus-covid-19/news/news/2020/3/who-announces-covid-19-outbreak-a-pandemic">pandemia</a> no início de 2020. A partir disso, a indústria farmacêutica e os centros de pesquisa de todo o planeta entraram em uma grande corrida para descobrir uma forma de proteger as pessoas. Porém, os processos que envolvem a elaboração de uma vacina são rigorosos, principalmente porque existem várias etapas de testes antes que ela chegue ao cidadão.&nbsp; Isso ocorre para se certificar de que a imunização é eficaz e segura, e torna todo o seu desenvolvimento mais lento, o que, muitas vezes, não combina com a urgência de uma pandemia.
<h3><b>Etapas do desenvolvimento da vacina</b></h3>
As pesquisas são divididas em três períodos, entenda cada um deles:
<h4><b>Etapa 1: Laboratorial</b></h4>
É restrita aos laboratórios e é composta pelas pesquisas iniciais e análises de possibilidades. O agente responsável pela doença é identificado e são ponderadas até centenas de moléculas e métodos para se definir a melhor composição da vacina.

<a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2020/09/box.png" data-elementor-open-lightbox="yes" data-elementor-lightbox-title="coronavirus-spike" data-elementor-lightbox-description="Informação sobre a spike, estrutura em formato de espinho do novo coronavírus. Em conjunto, as estruturas formam uma coroa e é a partir dela que penetram nas células">
<img width="800" height="533" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2020/09/box.png" alt="" loading="lazy">								</a>
<h4><b>Etapa 2: Pré-clínica</b></h4>
Aqui outros seres vivos começam a serem envolvidos na busca pela cura. Antes, os testes eram feitos <i>in vitro</i> ou com células, e agora são realizados em animais para comprovar os dados obtidos nas experimentações anteriores. Buscam-se animais cujos corpos reajam ao vírus de forma semelhante ao organismo humano. Em geral, são usados camundongos e macacos. Ainda assim, por mais que os resultados sejam encorajadores, não há garantia de que a vacina não cause danos quando aplicada em humanos. É para isso que existe a próxima etapa.
<h4><b>Etapa 3: Clínica</b></h4>
É a mais complexa e mais extensa - quando o produto começa a ser testado em seres humanos. O processo clínico se divide em três fases:

<b>Fase 1 – </b>Tem como principal objetivo analisar a segurança do imunizador. São testados poucos voluntários, de 20 a 80 pessoas, geralmente adultos saudáveis. São levados em consideração potenciais efeitos colaterais, intensidade do produto e diferentes dosagens para evitar quaisquer danos. Além disso, já são possíveis algumas observações a respeito da resposta imunológica da vacina.&nbsp;&nbsp;

<b>Fase 2 – </b>Busca entender de maneira mais concreta a eficácia da vacina. Aqui, a quantidade de voluntários testados aumenta e pode chegar a centenas de pessoas. Os pesquisadores já têm conhecimento de dados importantes, como dosagem e efeitos colaterais esperados, por isso, o grupo a ser testado se torna mais heterogêneo, com pacientes considerados de risco. Para melhor análise da resposta imunológica, muitas vezes são utilizados grupos de controle – medicados apenas com placebo. Isso ajuda a observar de forma mais detalhada a eficácia da vacina e a reação do organismo a ela. Ainda são considerados apontamentos na sua segurança - como possíveis efeitos colaterais mais raros, que não apareceram durante a primeira fase de testes, e podem resultar em um ajuste na dosagem.

<b>Fase 3 – </b>Avalia a eficiência e a segurança da vacina no público-alvo. A testagem envolve milhares de pessoas e as análises são levantadas a partir da observação da vacina no mundo real, ou seja, é esperado que os voluntários se exponham ao vírus para entender a eficácia do produto. Aqui, o uso do placebo é essencial para comparação dos resultados dos dois grupos. Para isso, existe um sistema chamado “duplo-cego”, no qual nem o cientista nem o voluntário sabe se a aplicação é da vacina ou do composto ineficaz. Assim, não há nenhuma mudança de comportamento que possa afetar os resultados. A exposição ao vírus deve acontecer por conta própria - por esse motivo, a terceira fase pode durar anos. Assim, os pesquisadores costumam procurar áreas de maior incidência da doença, com maiores riscos de contágio. Só após esta etapa e a aprovação dos órgãos regulatórios, ocorre a fabricação da vacina em maior escala, seguida pela distribuição. Mesmo depois de aprovada, segue em constante avaliação e observação.
<h3><b>Duração de pesquisa e produção do imunizador</b></h3>
É importante ressaltar que em relação aos processos de pesquisa para a vacina da COVID-19, não há demora. A comunidade científica está a todo vapor para achar resultados eficazes no desenvolvimento dessa imunização. A verdade é que essas pesquisas costumam levar anos, sem nem considerar o tempo de produção.

No caso da Sars-CoV-2, o que acontece é que muitos processos foram radicalmente encurtados, graças a pesquisas prévias em estágio avançado sobre doenças como Sars e Mers - causadas por outras versões do coronavírus. Para as fases clínicas, em especial a 3, tem sido primordial a aplicação em ambientes com grande incidência da doença, para resultados mais rápidos e eficientes. É por isso que o Brasil tem sido um país escolhido para testes.

Além disso, segundo o epidemiologista e supervisor do Programa de Residência em Medicina de Família e Comunidade da UFSM, Ricardo Heinzelmann, um fato importante tem sido a prioridade dos investimentos governamentais e privados no âmbito da saúde: “O ritmo de alocação de recursos públicos e privados de diversos países para desenvolvimento da vacina para COVID-19 impressiona. Orçamentos foram rapidamente revisados para que equipes de pesquisadores em diversas partes do mundo se dedicassem ao desenvolvimento desta vacina. Também o ritmo de celebração de acordos de cooperação técnicas internacionais entre instituições governamentais e não governamentais, com assinaturas praticamente imediatas de acordos ao passo de cada nova fase das vacinas”. &nbsp;Porém, o especialistas alerta que o rigor científico precisa ser mantido para que os processos não sejam atropelados em nome das demandas mundiais.

Apesar de grande repercussão e expectativas mundiais, recentemente o diretor executivo da OMS, Michael Ryan, afirmou que o fato de uma candidata à vacina para a COVID-19 chegar à fase 3 não significa que ela esteja “quase lá” para ser utilizada. “A fase 3 não significa ‘quase lá’. Significa que é a primeira vez que a vacina será aplicada na população em geral, em indivíduos saudáveis, para ver se ela os protegerá”, enfatizou. “Agora, é uma corrida para a vacina comprovar que é eficaz em um grande número de pessoas ao longo do tempo”, complementou.
<h3><b>Vacinas para Sars-CoV-2 e seus métodos</b></h3>
No contexto de acelerada busca pela vacina do novo coronavírus, são exigidos determinação e esforços internacionais. Isso promove uniões entre pesquisadores, laboratórios e nações - o que resulta em uma superação de obstáculos em conjunto. O fato é algo extremamente positivo na medida que proporciona diferentes análises acerca do problema. No sentido das pesquisas ao redor do globo, isso se representa de uma maneira mais concreta com a diversificação de metodologias utilizadas nas vacinas.

Cada laboratório tem sua aposta, baseada em conceitos como eficiência, segurança, dosagem e velocidade. O último, porém, é o mais desafiador nessa conjuntura de pandemia, que demanda uma rapidez sem precedentes na busca de uma vacina. A consequência é o uso de métodos não tão convencionais e, muitas vezes, inovadores. Entenda sobre como podem ser classificados:

<a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2020/09/infografico.png" data-elementor-open-lightbox="yes" data-elementor-lightbox-title="infografico" data-elementor-lightbox-description="Infográfico sobre os diferentes métodos das vacinas: vírus enfraquecido, material genético e vetores virais">
<img width="273" height="1024" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2020/09/infografico-273x1024.png" alt="" loading="lazy">								</a>
<h3><b>Corrida pelo protagonismo da cura do novo coronavírus</b></h3>
O que podemos afirmar é que nunca tivemos tantos recursos e uma ciência tão avançada para superarmos uma pandemia. Grandes investimentos e trabalho coletivo proporcionam o avanço nas pesquisas mundiais. É assim que já se apresentam opções promissoras na busca pela imunização do vírus.

Atualmente, estão em desenvolvimento pelo menos 165 vacinas para o novo coronavírus, das quais, 34 estão nas etapas clínicas das testagens, segundo o relatório da<a href="https://www.who.int/publications/m/item/draft-landscape-of-covid-19-candidate-vaccines"> OMS</a>, de 3 de setembro. Delas, pelo menos sete já estão na fase 3.&nbsp;

A liderança é acirrada, porém o <b>Reino Unido</b> se classifica em primeiro lugar com a <b>Vacina da Universidade de Oxford</b>, apoiada pela farmacêutica <b>AstraZeneca, </b>&nbsp;como anunciado pela OMS no final de julho. Com a metodologia a partir de vetores virais, é baseada em um adenovírus causador de resfriado, alterado com material genético do Sars-Cov-2. Os pesquisadores anunciaram recentemente que a vacina “<a href="https://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(20)31604-4/fulltext">é segura e produz resposta imune”.</a>

Os <b>Estados Unidos</b> também estão na corrida com dois desenvolvimentos principais: a <b>Moderna/NIAID</b> e a <b>BioNTech/Pfizer</b>, em parceria com a <b>Alemanha</b>. Em fase 3, as duas pesquisas utilizam o método de RNA na busca pela imunização. A que está em testes pelo laboratório da <b>Moderna Inc.,</b> com apoio do&nbsp; Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos, já recebeu quase 1 bilhão de dólares em investimentos daquele governo e<a href="https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2022483?query=featured_coronavirus"> apresentou</a>, em julho, bons resultados na produção de anticorpos em 45 voluntários. A fase 3, que se iniciou no final de julho, deve contar com cerca de 30 mil participantes nos Estados Unidos.&nbsp;

Já a<a href="https://www.pfizer.com.br/noticias/releases/pfizer-e-biontech-unem-esforcos-para-vacina-contra-covid-19"> iniciativa</a> dos laboratórios <b>Pfizer</b> (americana) e <b>BioNTech</b> (alemã) não representa uma parceria inédita – os dois já haviam trabalhado juntos no desenvolvimento de vacinas baseadas em RNA para a prevenção de influenza em 2018. O resultado da recente parceria foi apresentado no estudo<a href="https://www.nature.com/articles/s41586-020-2639-4"> publicado</a> na revista “Nature”, referente às fases 1 e 2. Segundo o texto, a vacina BNT162b1, induziu boa resposta imune e não teve efeitos colaterais graves nos voluntários adultos.&nbsp;

A <b>China</b> participa com outras três vacinas, que são respectivamente do <b>Instituto Biológico de Pequim e Instituto Biológico de Wuhan/Sinopharm</b>, da empresa <b>Sinovac</b> e do <b>Cansino Biologics INC</b>. As duas primeiras são elaboradas a partir de vírus inativado e a última utiliza o mesmo método da vacina de Oxford.

Os testes realizados até o momento pela <b>Sinopharm</b> geraram resposta imunológica após duas doses e não causaram nenhum efeito colateral grave, segundo<a href="https://jamanetwork.com/journals/jama/fullarticle/2769612"> estudo</a> publicado no periódico "Journal of the American Medical Association" (JAMA). A empresa realiza agora testes em estágio avançado fora do país, com destaque nos Emirados Árabes Unidos, com cerca de 15 mil voluntários – já que a China não tem casos novos suficientes para ser um local de testes útil.

A <b>Sinovac</b> também já<a href="https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2020.07.31.20161216v1.full.pdf"> divulgou</a> seus resultados da fase 2, porém em uma publicação sem revisão de outros especialistas. Segundo o estudo, feito com cerca de 600 participantes, não houve efeitos adversos preocupantes e 90% dos pacientes desenvolveram a resposta imune. A vacina está em testagem internacional.

Por fim, a <b>Cansino Biologics </b>foi testada em cerca de 500 pessoas em Wuhan. Anunciada como segura e geradora de resposta imune em julho, em uma<a href="https://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(20)31605-6/fulltext"> publicação</a> na revista The Lancet. Mesmo assim, os voluntários ainda não teriam sido expostos ao novo coronavírus para checar a imunidade contra a COVID-19. Essa foi a primeira vacina chinesa a realiza testes em humanos, em março, porém as outras concorrentes – como a Sinovac e a Sinopharm - a ultrapassaram na transição para a fase 3. O produto, primeiro patenteado pelo governo chinês, está no processo de testes internacionais.

Por último, a <b>Rússia</b> é outro país que integra a participação na corrida pela vacina contra o novo coronavírus. Chamada de <b>Sputnik V</b>, a<a href="https://clinicaltrials.gov/ct2/show/NCT04530396?term=vaccine&amp;cond=covid-19&amp;draw=3"> imunização</a> faz referência à corrida espacial entre a Rússia e os Estados Unidos na Guerra Fria. Sputnik I foi o primeiro satélite a orbitar a Terra, lançado pelos soviéticos em 1957.&nbsp; O presidente, Vladimir Putin, anunciou no início de agosto o registro da vacina contra o coronavírus. Porém, isso tem sido motivo de questionamento e polêmica entre diversos especialistas. A pesquisa, que teve caráter militar, foi custeada por 4 bilhões de rublos - o equivalente a R$300 milhões - pelo Fundo de Investimento Direto da Rússia e é desenvolvida pelo <b>Instituto Gamaleya</b>. A polêmica se relaciona com o seu cunho extremamente secreto, em colaboração direta do Ministério de Defesa Russo. O que muitos especialistas criticam é o fato de, após o término da fase 1, os russos terem pulado diretamente para a fase 3 - e ao invés de fazerem amplos testes, querem começar a vacinação em massa e acompanhar os resultados. Ainda assim, o país não precisaria da aprovação da OMS para registrar a vacina – só o que acontece é que as entidades costumam pedir uma pré-qualificação, como um selo de qualidade da organização. No dia 4 de setembro foi <a href="https://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(20)31866-3/fulltext">publicada</a> pela revista Lancet a pesquisa que a classifica como segura e eficaz. A vacina russa estaria no processo das que estão em testes no Brasil. Entenda mais sobre isso a seguir.&nbsp;
<h3><b>Brasil no epicentro dos testes</b></h3>
O Brasil é um dos países mais afetados pelo novo coronavírus: está em 2º lugar no ranking da Covid-19, com mais de 3 milhões de casos e 122 mil mortes. Esse é o principal fator que nos torna um lugar para as testagens clínicas de vacinas em fase 3. Atualmente, são quatro vacinas em vigência de testes no nosso território.

A vacina de <b>Oxford/AstraZeneca</b>, em parceria com a <b>Fundação Oswaldo Cruz</b>; a <b>Sinovac</b>, da China, em conexão com o <b>Instituto Butantan</b>; a <b>Pfizer/BioNTech</b>, com testes em São Paulo e Salvador; e a<a href="https://clinicaltrials.gov/ct2/show/NCT04436276?term=NCT04436276&amp;draw=2&amp;rank=1"> <b>Jansen-Cilag</b></a>, da farmacêutica americana <b>Johnson &amp; Johnson</b>, ainda em fase 2 (vetor viral não-replicante), foi aprovada pela Anvisa para a realização de testes clínicos de fase 3 no Brasil. O governo do Paraná também estaria no processo de acordo com a vacina Sinopharm e Sputnik V.

Em relação à aquisição após o encerramento dos testes, segundo Ricardo Heinzelmann, preocupa o fato do custo unitário ser elevado. “Podemos ter no Brasil o cenário de aquisição para as camadas sociais da população de maior poder de compra, adquirindo direto no setor privado, e uma importante parcela da sociedade sem condição de compra ter atraso no recebimento desta vacina por falta de orçamento do poder público”, alerta.

Nesse sentido, o especialista salienta a importância de investimentos no Sistema Único de Saúde (SUS), o qual garante que a situação brasileira não seja pior, além de ser o responsável por lidar com quaisquer problemas em relação à vacina posteriormente à distribuição – como já ocorreu antes. “Temos um governo federal que não conduz de forma adequada toda esta situação. Não há um plano nacional construído de forma intersetorial e em colaboração com estados e municípios para enfrentamento à pandemia. Não há um conjunto de ações articuladas de políticas das áreas de assistência social, educação, saúde, emprego e renda, coordenadas pelo governo”, destaca.

Segundo Heinzelmann, a pandemia demonstrou que emergências de saúde pública podem afetar a economia mundial e uma das principais consequências disso é a revisão de orçamentos voltados para o estímulo à pesquisa no campo de infectologia e virologia. Estímulos esses, que em conjunto a uma fala clara por parte das autoridades nacionais – ao enfatizar medidas de proteção e distanciamento – e investimento na rede pública de saúde, teriam salvado muitas vidas.

A corrida pelas vacinas continua e o futuro é incerto. Mas a esperança fica de que, após essa pandemia, ocorra uma mudança de conceitos em toda a sociedade.

<b><i>Expediente</i></b>

<b><i>Repórter</i></b><i>: Esther Klein, bolsista de Jornalismo</i>

<b><i>Ilustradora</i></b><i>: Beatriz Dalcin, bolsista de Publicidade e Propaganda</i>

<b><i>Mídia Social</i></b><i>: Nathalia Pitol, bolsista de Relações Públicas</i>

<b><i>Editora de Arte</i></b><i>: Marcele Reis, bolsista de Publicidade e Propaganda</i>

<b><i>Editora de Produção</i></b><i>: Melissa Konzen, bolsista de Jornalismo</i>

<b><i>Editor Chefe</i></b><i>: Maurício Dias, jornalista</i>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Núcleo de Geografia da Saúde da UFSM fornece informações para combate à COVID-19 em condições de desigualdade social</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2020/04/17/nucleo-de-geografia-da-saude-da-ufsm-fornece-informacoes-para-combate-a-covid-19-em-condicoes-de-desigualdade</link>
				<pubDate>Fri, 17 Apr 2020 18:15:47 +0000</pubDate>
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						<description><![CDATA[Precariedade em moradia e saneamento básico é um dos os maiores desafios no enfrentamento da pandemia no Brasil Durante a pandemia causada pelo novo coronavírus, o  Observatório de Dados da COVID-19 da UFSM tem reunido esforços de diferentes setores da universidade no fornecimento de informações sobre a evolução e distribuição territorial dos casos no Rio [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:paragraph {"align":"center"} -->
<p class="has-text-align-center"><em>Precariedade em moradia e saneamento básico é um dos os maiores desafios no enfrentamento da pandemia no Brasil </em></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Durante a pandemia causada pelo novo coronavírus, o  <a href="https://www.ufsm.br/coronavirus/observatorio//">Observatório de Dados da COVID-19 </a>da UFSM tem reunido esforços de diferentes setores da universidade no fornecimento de informações sobre a evolução e distribuição territorial dos casos no Rio Grande do Sul. Entre os colaboradores está o Núcleo de Pesquisa em Geografia da Saúde (NePeGS). O Núcleo  mapeou os locais do município de Santa Maria em condições precárias e mais suscetíveis à proliferação do vírus, reunindo informações estratégicas para que o poder público possa combater a pandemia em um contexto de desigualdade social. </p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:image {"align":"left","id":51873,"width":410,"height":307,"sizeSlug":"large","linkDestination":"media"} -->
<div class="wp-block-image"><figure class="alignleft size-large is-resized"><a href="https://www.ufsm.br/wp-content/uploads/2020/04/arroio-cadena.jpg"><img src="https://www.ufsm.br/wp-content/uploads/2020/04/arroio-cadena.jpg" alt="" class="wp-image-51873" width="410" height="307" /></a><figcaption>População às margens do Arroio Cadena, em Santa Maria, estão entre as mais vulneráveis à pandemia de COVID-19</figcaption></figure></div>
<!-- /wp:image -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A função do Núcleo no Observatório é georreferenciar, geocodificar e especializar dados sobre casos confirmados,  suspeitos e descartados,  além de fornecer um mapa que mostre demonstre as localizações de casos no território. Outras informações são agregadas e fornecidas à vigilância epidemiológica para que ela possa desenvolver estratégias para conter a difusão espacial, como, por exemplo,  a existência de casos em uma área de ocupação irregular, ou entre a população indígena.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>O Núcleo leva em consideração as particularidades de cada cidade e região, pois a forma como a COVID-19 se comporta depende das condições de saneamento, habitação e infraestrutura, além de outros aspectos, como extensão territorial. A variação de comportamento pode ser diferente em áreas do mesmo bairro. Segundo o professor Rivaldo Faria, fundador e coordenador do NePeGS, o Brasil possui profunda desigualdade social e quando uma doença se instala em uma cidade como Santa Maria, é efetivamente tão ou mais grave conforme as desigualdades territoriais. </p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>O grupo&nbsp; desenvolveu um mapeamento da pobreza em Santa Maria, que conclui que entre 30% a 35% da população do município vive em situação extremamente precária em relação a habitação, saneamento e infraestrutura, distribuídos em bairros ao norte, oeste, sul e algumas áreas de Camobi. Porém a maior concentração de população em situação de vulnerabilidade está ao longo do Arroio Cadena, da ferrovia e ao redor do Morro Cechella.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>De acordo com Faria, o enfrentamento em locais com essas condições é mais difícil por diversos aspectos, como por exemplo, a impossibilidade de realizar distanciamento social em casas com muitos moradores. Outro mapeamento realizado foi o da população idosa de Santa Maria, o maior grupo de risco à COVID-19, assim como a população que possui alguma doença crônica, pois condições precárias das casas destas pessoas é um fator extremamente perigoso.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Geografia da Saúde é estratégica nas ações de combate à pandemia</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Criado em 2017 para entender como os fenômenos da doença e da morte se expressam geograficamente no território, o Núcleo de Pesquisa em Geografia da Saúde é o único no estado do Rio Grande do Sul especializado no tema. Atualmente, conta com um grupo significativo de doutorandos, mestrandos e alunos de graduação, que atuam tanto na pesquisa científica quanto em projetos de extensão. </p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Segundo o professor Rivaldo Faria, a Geografia da Saúde é essencial porque a COVID-19, além de um problema médico, biológico e econômico, é também um evento geográfico, desde a contaminação - que depende de uma coincidência espacial entre uma superfície ou pessoa infectada e a pessoa que será infectada -  à difusão, visto que começou na China e se tornou uma pandemia. </p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>No Brasil, a doença seguiu um roteiro geográfico, chegando primeiro às capitais, onde estão os maiores núcleos populacionais e fluxos de pessoas  mais intensos. Após, se espalhou na rede urbana e para cidades próximas, se estendendo para as cidades médias e chegando então aos pequenos municípios. Como ainda não há tratamento ou vacina, a técnica utilizada é também geográfica: no isolamento social, a população de uma área evita o contato social para reduzir o número de pessoas infectadas.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Além disso, a partir da aplicação da geografia da epidemiologia e da geografia social, é realizado o monitoramento dos equipamentos médicos. É necessário saber se o número de leitos, médicos e ambulâncias é suficiente para a demanda, baseada no número de casos de coronavírus. Caso a equação demonstre que os equipamentos médicos serão insuficientes durante o durante o pico de contaminação da doença, os gestores devem atuar para evitar  incapacidade de atendimento.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><em>Reportagem: Ana Laura Iwai, bolsista da Agência de Notícias da UFSM<br>Edição: Davi Pereira<br>Fotografia: Bibiana Pinheiro</em></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:tadv/classic-paragraph /-->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Drogas que combatem a malária podem ser a cura para a Covid-19?</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/hidroxicloroquina</link>
				<pubDate>Mon, 30 Mar 2020 15:29:02 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Mitômetro]]></category>
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						<description><![CDATA[A hidroxicloroquina foi apontada em estudos chineses como possível tratamento para o novo coronavírus. Até o momento, O uso combinado da droga apenas inibiu a ação do vírus no corpo humano. Ainda há, portanto, questionamentos sobre sua eficácia. Não se sabe ao certo a dosagem adequada, nem em que momento o remédio deve ser aplicado [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">A hidroxicloroquina foi apontada em estudos chineses como possível tratamento para o novo coronavírus. Até o momento, O uso combinado da droga apenas inibiu a ação do vírus no corpo humano. Ainda há, portanto, questionamentos sobre sua eficácia. Não se sabe ao certo a dosagem adequada, nem em que momento o remédio deve ser aplicado no tratamento.</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"> </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Mesmo assim, o <a style="color: #000000" href="https://www.saude.gov.br/noticias/agencia-saude/46601-cloroquina-podera-ser-usada-em-casos-graves-do-coronavirus">Ministério da Saúde</a> aposta no uso da droga em casos graves de <a style="color: #000000" href="https://www.ufsm.br/midias/arco/mitometro-coronavirus-foi-criado-em-laboratorio-por-chineses/">pacientes infectados pelo SARS-CoV-2</a> e que estejam hospitalizados. A recomendação seria para tratamento por cinco dias. </p><h3><strong>Pesquisas chinesas</strong></h3><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">A hidroxicloroquina, medicamento derivado da cloroquina e conhecido pelo nome comercial de Reuquinol, é utilizada como combate ao parasita causador da malária. Por ter ação anti-inflamatória, também é usada para lúpus e artrite reumatóide. A droga tem sido utilizada em estudos sobre o novo coronavírus. </p><p><b style="font-weight: normal"> </b></p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Uma das primeiras pesquisas sobre a eficácia da hidroxicloroquina para combater o novo coronavírus foi publicada na <a style="text-decoration: none;color: #000000" href="https://www.nature.com/articles/s41421-020-0156-0">revista Nature</a>. O estudo de cientistas de Wuhan e Pequim, na China, é baseado apenas em testes in vitro, ou seja, sem testes em humanos. Os resultados para a inibição da <a style="text-decoration: none;color: #000000" href="https://www.ufsm.br/midias/arco/mitometro-coronavirus-foi-criado-em-laboratorio-por-chineses/">SARS-CoV-2</a> foram positivos. Além disso, houve combinação com outra droga, o antiviral remdesivir, utilizado para tratar o ebola. </p><p><b style="font-weight: normal"> </b></p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Outro estudo de pesquisadores da Universidade de Qingdao, China, publicado na <a style="text-decoration: none;color: #000000" href="https://www.jstage.jst.go.jp/article/bst/14/1/14_2020.01047/_article">BioScience Trends</a>, observa, a partir da análise de cem pacientes, que a cloroquina e a hidroxicloroquina podem ser eficientes para o controle da pneumonia em quadros do novo coronavírus. Dada a pandemia, os pesquisadores chegaram a recomendar o uso da droga por ser barata e utilizada há mais de 70 anos.</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"> </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Apesar dos resultados iniciais, pesquisas do Centro Clínico de Xangai questionam a eficácia da hidroxicloroquina no tratamento do novo coronavírus. Os cientistas testaram dois grupos de 15 pacientes internados na China sem abandonar os outros cuidados. O primeiro recebeu hidroxicloroquina e o segundo não. Após cinco dias de tratamento, todos os pacientes foram submetidos à tomografia computadorizada. Não foi notada nas imagens nenhuma diferença significativa entre os dois grupos.</p>		
										<img width="658" height="1024" src="https://www.ufsm.br/midias/arco/wp-content/uploads/sites/601/2020/02/depende-658x1024.png" alt="" />											
		<h3><b>Tratamento auxiliar</b></h3><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">O Ministério da Saúde divulgou <a style="background-color: #ffffff" href="https://www.saude.gov.br/noticias/agencia-saude/46601-cloroquina-podera-ser-usada-em-casos-graves-do-coronavirus">nota</a>, na semana anterior, para anunciar que a cloroquina e a hidroxicloroquina podem ser usadas por pacientes internados com casos graves do novo coronavírus. A recomendação é para uso complementar aos demais procedimentos, como a assistência ventilatória. O protocolo é para até cinco dias de tratamento. </p><p> </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">O texto, publicado no site do Ministério, informa a distribuição de 3,4 milhões de unidades dos remédios para os estados e, ainda, alerta “tanto a cloroquina e a hidroxicloroquina não são indicadas para prevenir a doença e nem tratar casos leves”.</p><h3><b>Medicamentos especiais</b></h3><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Em função da busca desenfreada pela cloroquina e pela hidroxicloroquina nas farmácias brasileiras, a <a style="text-decoration: none" href="http://portal.anvisa.gov.br/noticias/-/asset_publisher/FXrpx9qY7FbU/content/hidroxicloroquina-vira-produto-controlado/219201?inheritRedirect=false">Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)</a> incluiu os dois medicamentos na categoria de controle especial. A medida objetiva garantir o tratamento de pacientes com malária, lúpus e artrite reumatóide. </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"> </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">A Anvisa ainda faz dois alertas, um para as farmácias e outro para os pacientes. Para as farmácias, a Agência reforça que a venda irregular passa a ser considerada infração grave. Já para os pacientes, o órgão destaca que o uso sem supervisão “pode representar um alto risco às pessoas”. Entre os efeitos colaterais que a hidroxicloroquina pode causar estão: convulsões, arritmia cardíaca, erupções na pele e visão borrada. </p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Novo coronavírus foi criado em laboratório por chineses?</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/mitometro-coronavirus-foi-criado-em-laboratorio-por-chineses</link>
				<pubDate>Mon, 23 Mar 2020 19:28:04 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Mitômetro]]></category>
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		<category><![CDATA[top 5]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/arco/?p=6193</guid>
						<description><![CDATA[Publicações que acusam cientistas de criarem o novo vírus são falsas
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <i>Publicações que acusam cientistas de criarem o vírus são falsas</i>

Circulam nas redes sociais digitais postagens (como a compartilhada nesta checagem), que atribuem a cientistas chineses a criação do novo coronavírus.&nbsp;

Nos textos, de cunho conspiratório, é afirmado que a doença seria uma espécie de arma biológica desenvolvida em laboratório. Os objetivos seriam reduzir a população mundial e provocar uma crise no mercado financeiro para que o governo chinês obtivesse vantagens econômicas.

<img width="564" height="584" src="https://www.ufsm.br/midias/arco/wp-content/uploads/sites/601/2020/03/coronavirus_fakenews_laboratorio.png" alt="">
<img width="658" height="1024" src="https://www.ufsm.br/midias/arco/wp-content/uploads/sites/601/2020/02/mito-658x1024.png" alt="">
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">MITO!</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Um <a style="text-indent: 36pt;background-color: #ffffff" href="https://www.nature.com/articles/s41591-020-0820-9?fbclid=IwAR1VXXDKrzVpERJRvpAHtjk1f2XZGwtQ1XGu813ZXBLLI1wpPqVoKbH7z70">estudo publicado na revista “Nature Medicine”</a>, realizado por pesquisadores do Reino Unido, Austrália e Estados Unidos, comprovou que o novo coronavírus não foi criado em laboratório. A partir da análise comparativa de dados genômicos, os cientistas encontraram evidências de que provavelmente o vírus seja resultado de seleção natural. “Nossas análises mostram claramente que o SARS-CoV-2 não é uma construção de laboratório ou um vírus propositadamente manipulado”, afirmam os pesquisadores.&nbsp;</p>
<p dir="ltr"></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Ao compararem com outros vírus corona, os estudiosos concluíram que o novo coronavírus tem uma estrutura que o permite se conectar e infeccionar as células humanas de maneira muito eficaz. O que seria resultado de uma evolução.</p>
<p dir="ltr"></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Quanto ao surgimento, como no começo muitos casos foram relacionados a um mercado de frutos do mar em Wuhan, que também vende carne de animais silvestres, os cientistas levantaram a hipótese de que bichos, como o morcego, teriam servido como hospedeiros, inicialmente.&nbsp;</p>
<p dir="ltr"></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">O estudo ainda busca descobrir em qual etapa o SARS-CoV-2 desenvolveu suas características próprias. Se houve seleção natural ainda no hospedeiro animal, ou se ela ocorreu após ter contaminado os seres humanos. Mas, uma questão é certa: o novo coronavírus não foi criado em laboratórios.&nbsp;</p>
Mitômetro<em style="color: #000000;font-size: 16px"> Coronavírus&nbsp;é um projeto de checagem de fatos da revista Arco voltado para a temática da pandemia com o objetivo de combater a desinformação.</em>

<em style="color: #000000;font-size: 16px"><b>Compreenda os selos</b>:</em>

<i><b>Comprovado</b> - fato com evidências científicas e que pode ser explicado a partir de relatórios, documentos e pesquisas confiáveis e com metodologias factíveis.&nbsp;</i>

<i><b>É possível</b> - selo para uma checagem com elementos reais. Não há comprovação 100% em função de determinados indícios, detalhes ou situações.</i>

<b>Depende - </b><i>é o meio termo entre o que é mito e a verdade. Não existe um consenso entre as fontes e os especialistas. Também usado para quando faltam evidências ou para destacar que o fato pode ocorrer em uma determinada situação.&nbsp;</i>

<b>Improvável - </b><i>refere-se a uma situação com pouquíssima possibilidade de ser real.&nbsp;</i>

<b>Mito - </b><i>não existe possibilidade alguma de ser verdade. Existem evidências que provam o contrário. Enquadram-se aqui as teorias da conspiração, as lendas da internet e as noticias falsas.</i>]]></content:encoded>
													</item>
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        </rss>
        