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				<title>Queimadas na Amazônia ajudam a explicar impactos dos aerossóis na atmosfera do Sul do Brasil</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2026/09/02/queimadas-na-amazonia-ajudam-a-explicar-impactos-dos-aerossois-na-atmosfera-do-sul-do-brasil</link>
				<pubDate>Wed, 02 Sep 2026 11:05:57 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[divulga ciência]]></category>
		<category><![CDATA[aerobi]]></category>
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		<category><![CDATA[química da atmosfera]]></category>

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						<description><![CDATA[Pesquisa desenvolvida por instituições brasileiras e francesas investiga como partículas liberadas pelas queimadas interferem na atmosfera e no clima da América do Sul]]></description>
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[caption id="attachment_73977" align="alignright" width="508"]<a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/09/WhatsApp-Image-2026-08-28-at-19.24.17-2.jpeg"><img class="wp-image-73977" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/09/WhatsApp-Image-2026-08-28-at-19.24.17-2.jpeg" alt="" width="508" height="677" /></a> UFSM foi uma das organizadoras do "Amazonia Summer School" em Santarém (PA)[/caption]
<p>A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) participou da organização da <em>Amazonia Summer School</em> (AMASS) 2026, realizada em Santarém (PA), que reuniu pesquisadores e estudantes brasileiros e estrangeiros para discutir os impactos dos aerossóis atmosféricos, das queimadas e das mudanças climáticas na Amazônia.</p>
<p>O evento, realizado entre os dias 9 e 15 de agosto, contou com a participação de dois professores e seis estudantes da Universidade e buscou ampliar a cooperação científica entre instituições brasileiras e francesas.</p>
<h3>Aerossóis e as transformações na atmosfera amazônica</h3>
<p>Os aerossóis atmosféricos são partículas sólidas ou líquidas suspensas na atmosfera que podem ter diferentes origens. Eles não possuem uma composição única e podem ser formados por diferentes materiais presentes na atmosfera. Na Amazônia, as queimadas são uma importante fonte dessas partículas, durante a combustão da biomassa, são liberados gases e partículas, incluindo carbono disperso na forma de fuligem fina. Parte desses gases também pode se combinar quimicamente na atmosfera e formar aerossóis, que podem ser transportados pelos ventos para outras regiões da América do Sul.</p>
<p>A presença desses materiais interfere em diferentes processos atmosféricos. Os aerossóis interagem com a radiação solar, podendo absorvê-la ou refleti-la, e também atuam como núcleos de condensação para a formação de nuvens. Com isso, podem influenciar o regime de chuvas, a quantidade de radiação que chega à superfície e o desenvolvimento de tempestades.</p>
<p>“Os aerossóis atmosféricos são extremamente importantes, porque eles interagem muito com a radiação solar, então eles absorvem ou refletem a radiação”, explica a professora e pesquisadora da UFSM na área de Química da Atmosfera Damaris Pinheiro.</p>
<p>As queimadas também provocam alterações na composição da atmosfera ao liberar gases e partículas resultantes da combustão da biomassa. Quando incorporados às nuvens, esses materiais podem modificar o tamanho das gotas e o conteúdo de gelo, alterando a formação e a intensidade das tempestades. Segundo o professor do curso de Meteorologia da UFSM Wagner Anabor, essas alterações são um dos aspectos que ainda precisam ser melhor compreendidos pela pesquisa científica.</p>
<p>Apesar dos avanços nas pesquisas, ainda existem questões que precisam ser respondidas sobre a influência dos aerossóis. “Nós ainda não sabemos, realmente, como e qual a quantidade desses aerossóis é significativa para impactar de maneira substancial as tempestades”, afirma Anabor.</p>
<p>Para compreender essas relações, a realização de observações diretamente na Amazônia é fundamental. Embora existam pontos de monitoramento de longo prazo na região, a quantidade de dados de superfície ainda é limitada diante das dimensões do território. Os registros obtidos em campo também permitem validar informações provenientes de satélites e modelos numéricos.</p>
<p>Essas observações são especialmente importantes para pesquisas que buscam acompanhar o deslocamento das partículas liberadas pelas queimadas e compreender como elas se transformam ao longo do caminho até outras regiões da América do Sul.</p>
<h3>AMASS reúne pesquisadores e estudantes em Santarém</h3>
<p>É nesse contexto que a <em>Amazonia Summer School </em>(AMASS) 2026 reuniu pesquisadores e estudantes brasileiros e estrangeiros em torno do estudo da atmosfera amazônica e de suas relações com as mudanças climáticas. Organizada pela a Université de La Réunion (Universidade da Ilha da Reunião, uma instituição francesa no Oceano Índico) e pela Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), em parceria com a UFSM, o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN) e a Universidade Regional do Cariri (URCA), a iniciativa contou com o apoio da Embaixada da França no Brasil.</p>
<p>Ao longo do evento, foram discutidos temas como aerossóis atmosféricos, queimadas, mudanças climáticas, radiação ultravioleta, camada de ozônio, saúde e ciclo hidrológico. A programação também contou com atividades de formação em tratamento de dados atmosféricos, inteligência artificial aplicada às ciências atmosféricas e modelagem atmosférica.</p>
<p>Segundo a professora Damaris, entre 50 e 60 pessoas participaram das atividades ao longo do evento. Além dos estudantes e pesquisadores brasileiros, a programação reuniu participantes de países como França, Madagascar, Moçambique, Peru e Colômbia.</p>
<p>Os participantes também visitaram o Observatório da Amazônia, em Santarém, onde estão instalados equipamentos voltados ao monitoramento da atmosfera. O espaço reúne projetos de diferentes instituições internacionais e contribui para ampliar a produção de dados sobre a região.</p>
<p>A programação incluiu ainda atividades de campo e visitas a locais de observação na Amazônia. Para Wagner Anabor, a experiência permite aproximar os pesquisadores da realidade que é objeto dos estudos. “Isso é extremamente importante porque tira essa ciência que ocorre dentro dos escritórios e coloca ela próxima da realidade”, explica.</p>
<p>Além da formação científica, a experiência de campo permitiu que estudantes e pesquisadores conhecessem diretamente os locais e as condições em que os dados são coletados, aproximando a pesquisa da realidade amazônica.</p>
[caption id="attachment_73978" align="alignleft" width="612"]<a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/09/WhatsApp-Image-2026-08-28-at-19.24.18-2.jpeg"><img class="wp-image-73978" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/09/WhatsApp-Image-2026-08-28-at-19.24.18-2.jpeg" alt="" width="612" height="459" /></a> Participantes puderam conhecer as estruturas e os trabalhos desenvolvidos por diferentes grupos de pesquisa[/caption]
<h3>UFSM coordena projeto que deu origem à iniciativa</h3>
<p>A participação da UFSM na AMASS está relacionada ao projeto AEROBI, voltado à investigação dos aerossóis derivados da queima de biomassa e de seus impactos na atmosfera da América do Sul. A universidade realiza a coordenação brasileira da iniciativa, que reúne instituições do Brasil e da França. “Sem a UFSM, a Escola de Verão da Amazônia não teria saído”, afirma Damaris Pinheiro. Segundo ela, a realização do evento foi resultado das articulações entre os pesquisadores envolvidos no projeto e a Embaixada da França no Brasil, que financiou a iniciativa.</p>
<p>A escolha de Santarém também esteve relacionada à presença do Observatório da Amazônia, criado pela UFOPA. O projeto AEROBI instalou equipamentos no local e, durante a Escola de Verão, os participantes puderam conhecer as estruturas e os trabalhos desenvolvidos por diferentes grupos de pesquisa.</p>
<p>A cooperação entre a UFSM e instituições francesas, entretanto, antecede a AMASS. As pesquisas conjuntas começaram em 2015 e, ao longo de mais de uma década, passaram por diferentes temas relacionados à química da atmosfera. Os primeiros trabalhos tiveram como foco o ozônio atmosférico e, posteriormente, passaram a incluir estudos sobre aerossóis, queimadas e mudanças climáticas.</p>
<p>A parceria também tem impacto na formação acadêmica. Estudantes brasileiros já tiveram a oportunidade de realizar parte de sua formação na França, enquanto pesquisadores e estudantes franceses vieram ao Brasil para desenvolver estudos relacionados à modelagem atmosférica e à observação de aerossóis. A cooperação resultou ainda na formação de doutores em regime de cotutela, com titulação por instituições brasileiras e francesas.</p>
<p>Os estudos desenvolvidos a partir dessa cooperação também permitem observar a relação entre os fenômenos atmosféricos da Amazônia e outras regiões da América do Sul. As partículas liberadas pelas queimadas podem ser transportadas pela atmosfera por longas distâncias, alcançando o Sul do Brasil, inclusive o Rio Grande do Sul.</p>
<p>Essa relação faz com que o monitoramento da atmosfera amazônica também tenha importância para pesquisas realizadas na UFSM. O acompanhamento do deslocamento dessas partículas permite investigar como os aerossóis provenientes das queimadas podem chegar à região e interferir nas condições atmosféricas locais.</p>
<h3>Observatório permanente do clima</h3>
<p>Na UFSM, a ampliação das observações atmosféricas também está entre as iniciativas relacionadas a esse trabalho. A universidade pretende estabelecer um observatório permanente do clima voltado à realização de observações atmosféricas de longo prazo. A iniciativa deverá permitir o acompanhamento das condições atmosféricas por períodos de 10, 15, 20 anos ou mais, contribuindo para a identificação de transformações e para o estudo dos impactos dos aerossóis.</p>
<p>O espaço também poderá ser utilizado para acompanhar a presença de partículas provenientes de queimadas na atmosfera e comparar períodos de maior e menor concentração de aerossóis. A proposta é ampliar a produção de dados de longo prazo, uma das necessidades apontadas pelos pesquisadores para compreender as transformações da atmosfera.</p>
<p>Para além da realização da Escola de Verão, a expectativa é que a aproximação entre pesquisadores resulte em novos projetos e oportunidades de formação. “Para nós pesquisadores, nos levou também a interagir com outros grupos de pesquisa que estão trabalhando também em temas semelhantes ao que a gente trabalha e deu possibilidades da gente desenvolver novos projetos conjuntos”, destaca Damaris Pinheiro.</p>
<p>A continuidade da cooperação entre as instituições deve ampliar as pesquisas sobre aerossóis, ozônio, queimadas e mudanças climáticas, além de fortalecer a formação de estudantes e a produção de dados sobre a atmosfera. Para a UFSM, a experiência da AMASS também reforça a atuação da universidade em pesquisas que conectam diferentes regiões da América do Sul e instituições de diferentes países</p>
<p><em style="font-size: revert;color: initial">Texto: Matheus Bernardes, estudante de Jornalismo, bolsista da Agência de Notícias</em><br /><em>Fotos: Acervo pessoal/Wagner Anabor</em><br /><em>Edição: Lucas Casali e Ricardo Bonfanti, jornalistas</em></p>
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