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				<title>Portal da UFSM apresenta memorial virtual às vítimas da Kiss</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2024/08/26/portal-da-ufsm-apresenta-memorial-virtual-as-vitimas-da-kiss</link>
				<pubDate>Mon, 26 Aug 2024 15:04:54 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Antropologia]]></category>
		<category><![CDATA[boate kiss]]></category>
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		<category><![CDATA[tragédia da Kiss]]></category>

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						<description><![CDATA[Maquete 3D do prédio da boate foi usada em julgamento dos réus em 2021 e estará disponível ao público em geral pela primeira vez
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph /--><p style="text-align: center"><em><b>ALERTA DE GATILHO</b></em></p>
<p style="text-align: center"><em>A reportagem a seguir trata de tema sensível aos familiares e aos sobreviventes da tragédia em Santa Maria</em></p><p>Em Santa Maria, o dia 27 ficou marcado pelo clamor por justiça dos familiares e sobreviventes da tragédia na boate Kiss. Nos primeiros anos após o incêndio de 27 de janeiro de 2013, todo o mês ocorriam manifestações públicas, como a soltura de balões brancos. Nesta terça (27), o portal da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) apresenta um recurso importante para o pedido de reparação e para compreensão da tragédia: o memorial virtual.</p>
<p>O <a href="https://www.ufsm.br/projetos/extensao/memorial-kiss" target="_blank" rel="noopener">memorial com maquete em 360º</a> do prédio da boate foi desenvolvido pelo Projeto Memória, Justiça e Tecnologias Digitais Interativas, coordenado pela professora Virgínia Vecchioli, do Departamento de Ciências Sociais. A maquete foi usada como recurso no júri da tragédia na boate, no <a href="https://www.tjrs.jus.br/novo/caso-kiss/julgamento/">Foro Central de Porto Alegre</a>, em dezembro de 2021, e estará disponível ao público em geral pela primeira vez. </p>
<p>A reprodução da boate foi requisitada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul à equipe da professora e antropóloga, que já tinha liderado projeto semelhante para reconstruir digitalmente a antiga casa de tortura utilizada na ditadura militar da Argentina (<i>leia mais abaixo</i>). A maquete usada no júri da Kiss foi feita com imagens obtidas a partir do escaneamento digital, que reproduzem de forma exata o interior e o exterior do prédio. </p>
<p>Naquela ocasião, a estrutura foi elaborada com o UnReal Engine, programa usado para projetos de arquitetura e de jogos digitais. Para disponibilizar a maquete no portal da UFSM, uma adaptação foi necessária. “A maquete original era inviável para as placas de vídeo que a maioria das pessoas utilizam. Por conta disso, utilizamos um outro recurso, as chamadas fotoesferas, que criam imagens 360 a partir da maquete virtual original”, explica Virgínia. </p>
<p>Sobre a importância do memorial, a professora defende que a iniciativa contribui para que se lide coletivamente com o passado traumático de forma pedagógica e cultural. "O nosso memorial virtual é um valioso recurso para mostrar que o sofrimento, que não pode ser apagado ou ignorado, pode ser reconvertido em aprendizado para as futuras gerações de modo que tragédias como a da boate Kiss nunca mais se repitam", comenta. </p>		
										<figure>
										<img width="1024" height="682" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2024/08/4-NOVA-1024x682.jpg" alt="" />											<figcaption>Imagem da área do palco, local em que começou o incêndio na boate Kiss</figcaption>
										</figure>
		<h3><b>Recursos interativos e contribuição de sobreviventes</b></h3>
<p>O memorial com a maquete 3D trará os antigos ambientes da boate Kiss, demolida, em julho deste ano, para a construção de um memorial físico na Rua dos Andradas. Os internautas poderão conferir fotos antes e depois, objetos e informações sobre as irregularidades do local, e relatos em português e em inglês de sobreviventes sobre o que ocorreu na noite do incêndio que provocou a morte de 242 pessoas. </p>
<p>Conforme a professora Virgínia Vecchioli, as informações foram obtidas a partir de três fontes: trechos escritos de depoimentos à Polícia Civil, em 2013; trechos de áudios de depoimentos ao júri, em 2021; e trechos em áudios de entrevistas à equipe do Projeto Memória, Justiça e Tecnologias Digitais Interativas.</p>
<p>Para aumentar a sensação de imersão, os internautas poderão visualizar a maquete com dispositivos de realidade virtual (RV), como o Google Cardboard, óculos de RV de baixo custo. A experiência será semelhante ao de navegar pelo Google Street View com recursos de RV.</p>		
										<figure>
										<img width="1024" height="576" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2024/08/Captura-de-tela-2024-08-20-153827-1-1024x576.jpg" alt="" />											<figcaption>Maquete virtual trará recursos interativos, como tutorial e </figcaption>
										</figure>
										<figure>
										<img width="1024" height="576" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2024/08/Captura-de-tela-2024-08-20-153120-1-1-1024x576.jpg" alt="" />											<figcaption>A partir da visita em 3D, público poderá ter acesso a depoimentos de sobreviventes sobre o que ocorreu em cada local da boate</figcaption>
										</figure>
		<h3><b>Direito à justiça, à memória e à reparação </b></h3>
<p>O julgamento, realizado em dezembro de 2021, foi anulado no mesmo ano pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul a partir de pedidos de recursos de cortes superiores. Entre os familiares e sobreviventes, o sentimento de impunidade está presente. A professora Virgínia comenta a importância da busca por direitos e por reparações simbólicas. “A comunidade precisa continuar demandando pelos seus direitos: o direito à justiça, à memória e à reparação material e simbólica.  Os poderes públicos com responsabilidade na tragédia deveriam pedir perdão aos diretamente envolvidos e à comunidade de Santa Maria pelos incumprimentos que levaram a tragédia, essa seria uma forma de reparação simbólica. O memorial físico é uma outra coisa muito importante”, aconselha. </p><h3><b>Casa de tortura na Argentina</b></h3>
<p>A professora e antropóloga Virgínia Vecchioli liderou projeto semelhante ao da boate Kiss. “<a href="https://www.ufsm.br/cursos/graduacao/santa-maria/ciencias-sociais/2021/06/16/pesquisadora-da-ufsm-lidera-projeto-de-tecnologia-que-reconstroi-campo-de-detencao-da-ditadura-argentina">El Campito</a>” é uma maquete das instalações da antiga casa de tortura da Guarnición de Campo de Mayo, utilizada durante a ditatura militar da Argentina. O  <a href="https://huelladigital.com.ar/V6/campito/">dispositivo</a> foi elaborado por um grupo multidisciplinar em parceria com o professor Martín Malamud, da Universidade de Buenos Aires, e com o designer Diego Cagide, da Huella Digital. O trabalho recebeu menção honrosa na categoria Patrimônio Cultural Intangível (Imaterial), em 2019, no Concurso de Patrimônio, promovido pelo Fundo Nacional de Artes da Argentina. Também foi usado como prova da acusação durante a audiência no Tribunal Oral Federal nº1 em 2021. </p><p><em><strong>Texto</strong>: Maurício Dias</em></p>
<p><em><strong>Imagens</strong>: Projeto Memória, Justiça e Tecnologias Digitais Interativas</em></p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Pós em Ciências Sociais convida para a palestra “Metodologias para pensar a cidade”</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2023/06/28/pos-em-ciencias-sociais-convida-para-a-palestra-metodologias-para-pensar-a-cidade</link>
				<pubDate>Wed, 28 Jun 2023 21:18:53 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Antropologia]]></category>
		<category><![CDATA[ciências sociais]]></category>
		<category><![CDATA[Geral]]></category>

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						<description><![CDATA[A palestrante será a professora Cornélia Eckert, do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Ufrgs]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/2023/06/ETNOGRAFIAS-1.jpg"><img class=" wp-image-62769 alignright" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2023/06/ETNOGRAFIAS-1-300x300.jpg" alt="" width="563" height="563" /></a>O Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da UFSM e o Núcleo de Estudos Contemporâneos (Necon) promovem na próxima quarta-feira (5) a palestra on-line “Metodologias para pensar a cidade”, que será ministrada pela professora Cornélia Eckert, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs). Ela vai abordar o tema sob o ponto de vista das linhas de pesquisa em que atua no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Ufrgs: antropologia visual e imagem, antropologia urbana, antropologia e meio ambiente. A atividade começa às 14h, via <a href="https://meet.google.com/wsx-fzxy-dav" target="_blank" rel="noopener">Google Meet</a>.

A palestra é a aberta a toda a comunidade acadêmica, sem necessidade de inscrição prévia. Os participantes vão ganhar certificado.]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Egressa da UFSM tem artigo premiado na 33ª Reunião Brasileira de Antropologia</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2022/09/01/egressa-da-ufsm-tem-artigo-premiado-na-33a-reuniao-brasileira-de-antropologia</link>
				<pubDate>Thu, 01 Sep 2022 12:57:42 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Antropologia]]></category>
		<category><![CDATA[CCSH]]></category>
		<category><![CDATA[ciências sociais]]></category>
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		<category><![CDATA[PPGCS]]></category>

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						<description><![CDATA[Bruna Fani Duarte Rocha concluiu mestrado pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
<p>A egressa do mestrado em Ciências Sociais e do curso de graduação em Letras pela UFSM Bruna Fani Duarte Rocha foi condecorada no Prêmio de Antropologia e Direitos Humanos da <a href="https://www.33rba.abant.org.br/site/capa" target="_blank" rel="noopener">33ª Reunião Brasileira de Antropologia</a>, que ocorre de forma virtual até sábado (3). O prêmio à egressa foi anunciado nesta quarta-feira (31). </p>
<p>O artigo intitulado "Parto, Memória e Resistência: o (re)conhecimento da dor e da violência obstétrica no cotidiano de mães enlutadas e 'mães especiais'", fruto da dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais, sob orientação da professora Monalisa Dias de Siqueira, ganhou menção honrosa na categoria mestrado. Atualmente, Bruna cursa doutorado em Antropologia Social na Universidade Federal de Santa Catarina. </p>
<p>A avaliação é de que o prêmio gera reconhecimento para o tema da violência obstétrica e coloca tanto o programa quanto a UFSM em destaque em um dos maiores eventos científicos da área no campo dos direitos humanos.</p>
<!-- /wp:tadv/classic-paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Ricos e malandros: livro aborda a riqueza e a desigualdade brasileira</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/arco-entrevista-gava-ricos-e-malandros</link>
				<pubDate>Wed, 03 Nov 2021 11:25:29 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[arco entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Antropologia]]></category>
		<category><![CDATA[Desigualdade]]></category>
		<category><![CDATA[destaque arco]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
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		<category><![CDATA[SOCIOLOGIA]]></category>

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						<description><![CDATA[Em entrevista, o cientista político Rodrigo Gava comenta sobre a obra lançada pela Editora UFSM]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p>Conforme <a href="https://cps.fgv.br/slide/desigualdade-de-impactos-trabalhistas-na-pandemia" target="_blank" rel="noopener">dados</a> apresentados pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), a evolução da proporção de pobres no Brasil era, no final de 2020, de 9,41%. Atingiu a marca de 16,09% no início de 2021 e chegou ao mês de julho na marca de 12,98%. Muito se fala  da pobreza e seus desdobramentos sociais, como a fome, por exemplo. Já em relação aos ricos, a história é outra: pouco se fala. Em <a href="https://cps.fgv.br/ricos" target="_blank" rel="noopener">pesquisa</a> publicada em agosto de 2020 pela FGV, que leva em consideração o total populacional através dos dados de rendimentos declarados no Imposto de Renda Pessoa Física, a capital do Brasil que possui a maior renda por habitante é Florianópolis, com R$ 3.998 mensais, seguida de Porto Alegre e Vitória.  </p>		
												<img width="1024" height="668" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/11/Colagem_1458_951-1024x668.jpg" alt="" loading="lazy" />														
		<p>Em entrevista à Revista Arco, Rodrigo Gava, doutor em Ciência Política pelo Instituto de Ciências Humanas e Filosofia da Universidade Federal Fluminense (UFF), fala de seu livro, ‘Ricos &amp; Malandros - a riqueza na estrutura da desigualdade brasileira: como os ricos atuam na sociedade’. A obra traz uma reflexão sobre a atuação dos ricos em nossa sociedade. O exemplar pode ser adquirido no site da Editora UFSM e está disponível nos formatos de livro impresso e ebook.</p><p style="color: #000000;font-size: 16px">ARCO - Ao ler a obra ‘Ricos &amp; Malandros - A riqueza na estrutura da desigualdade brasileira: como os ricos atuam na sociedade’, é possível ver que ela é baseada em sua tese de doutorado. Em qual momento e por qual motivo você decidiu transformá-la em um livro?</p><p style="color: #000000;font-size: 16px">Um doutoramento consome quatro anos das nossas vidas e a expectativa, enquanto escrever, rezar e estudar faz parte da nossa rotina diária, é ao final ver a tese pronta e que se conseguiu dar uma mínima contribuição à sociedade e, no meu caso, ao pensamento social. Ocorre que uma tese não costuma chegar ao grande público: a liturgia do texto acadêmico, o espaço de exposição e a distância do cotidiano costumam inviabilizar que mais pessoas leiam esses trabalhos. E, assim, vi a necessidade – e tive a vontade, como a vanglória há de justificar – de transformar a tese em livro, o que exigiu tempo e paciência para esta necessária adaptação. </p><p><b>ARCO - Quais foram os principais desafios que você enfrentou ao transformar sua tese em um livro? </b></p><p>Todo autor enfrenta os desafios inerentes à indústria do livro. São os vícios e os obstáculos que o negócio impõe, sob suas premissas de lucro e consumo.  Sem entrar no mérito do “gosto” e da “moda” em vigência (dicas de vida, mandingas para ficar rico, táticas para o sucesso), costuma-se ver a qualidade do livro (seja uma obra literária ou científica) submetida aos interesses do setor – é comum ser visto e prestigiado o nome da capa bem antes do conteúdo, motivo pelo qual as editoras garantem desproporcional espaço para gente midiática (ou indicada por gente midiática). Afora isso, vemos um protagonismo da prática que o mercado chama de “coparticipação”, na qual os autores pagam para publicar seus livros, o que acaba restringindo ainda mais o espaço para a grande maioria que não pode pagar ou não se dispõe a isso. E, como o único critério passa a ser o monetário, o curioso disso é que o próprio leitor acaba refém dessa dinâmica: quilos de livros publicados sem qualidade e que entopem as prateleiras das livrarias ou os canais dos sites de venda, dificultando a seleção. Há exceções nisso tudo? Sim, como aquelas relacionadas ao garimpo feito por pequenas editoras – e como todo garimpo, a sorte é elemento crucial. </p><p><b>ARCO - Seu doutorado foi no Instituto de Ciências Humanas e Filosofia da Universidade Federal Fluminense (UFF) no estado do Rio de Janeiro (RJ). O que levou você a publicar pela Editora UFSM?  </b></p><p>Retomo ao final da resposta anterior: albergando-me nas exceções, neste caso, nas editoras das universidades públicas. Lamentavelmente sucateadas sob orçamentos que, desde 2015, viraram pó, essas editoras herculeamente continuam a fazer o seu trabalho, editando trabalhos muito importantes para as ciências brasileiras e visando suprir o abandono das editoras privadas que não têm interesse em publicar dissertações e teses, já que, em regra, parecem despreocupadas em dispor de um robusto catálogo acadêmico, ao contrário do que se faz lá fora.  E mesmo com todas as adversidades políticas e financeiras, a Editora da UFSM tem conseguido publicar com frequência, continuidade e excelência técnica, dando-me agora esta oportunidade. Ainda, o fato de o livro ser publicado por uma editora como a da UFSM não é só uma questão de orgulho para mim, na medida em que também serve ao leitor como uma espécie de chancela, um selo de controle de independência e qualidade – uma vez que o livro não está ali por mera indicação ou patrocínio pessoal – cujo filtro não é apenas interessar ao público, mas estar ali sob interesse público. </p><p><b>ARCO - Em relação ao título da obra, o termo ‘Malandros’ chama a atenção. Qual a principal ideia ao utilizar esse termo associado aos ricos? </b> </p><p>A ideia deste título veio no momento da publicação e tem uma origem de <i>forma</i> e outra de <i>fundo</i>.  Primeiro, ela surge quando lembrei do meu outro livro, “Ricos e Mendazes”, fruto da minha dissertação de mestrado e publicado pela Editora Almedina (Portugal). Ainda que em áreas distintas, a questão da riqueza é central – se lá eu tinha a hipocrisia dos países ricos nas relações de comércio internacional, aqui eu tenho a malandragem dos endinheirados nas relações da vida nacional.  Depois, embora a temática do malandro em si não seja objeto deste estudo, é inegável que o seu perfil ilustre a nossa gramática moral e, assim, sirva de pano de fundo para todo o livro, do início ao fim, como paradigma da atuação dos ricos.  </p>		
			<h4>"A dialética da malandragem, enraizada no hibridismo sociocultural de uma certa brasilidade, compunha-se por traços marginais que beiravam o ilegal e uma presença lúdica que tocava o imoral."</h4>		
		<p>A sua imagem de outrora firmava-se na ginga maliciosa do viver entre as lacunas e as contextualizações das regras e das leis, com uma vida solitária de anti-herói, mas também como resistência negra à exploração de um país que se modernizava.  </p><p>Agora, se na dinâmica social faz-se o epitáfio desta malandragem, outra se pronuncia, abdicando do <i>ethos</i> histórico, mas assumindo a parte mais indesejada da sua construção normativa e que vai muito além do “jeitinho”.  </p><p>E assim sobressai o malandro embranquecido “de gravata e capital” e que “nunca se dá mal”, transformando-se em senhor da ordem vigente, intrincando inescrupulosamente as esferas política e econômica e se encastelando no lusco-fusco do direito, e que hoje samba em outro ritmo sobre o corpo do povo brasileiro. <i> </i></p><p><b>ARCO -</b> <b>Logo no início, na página 19, aparece a expressão ‘Se os tubarões fossem homens’. Poderia falar sobre ela e como está relacionada com o seu objetivo com a obra? </b></p><p>Bertolt Brecht, um dos gênios alemães, escreveu esta pequena parábola “Se os tubarões fossem homens” para ilustrar a nossa história, uma história marcada a ferro e fogo pelos processos de dominação, exploração, desigualdade, autoritarismo e alienação, permeados por gestos de crueldade, ganância, hipocrisia... tão longe de um mundo próximo do ideal e de valores como a cooperação, a solidariedade, a igualdade, a justiça, a liberdade, a emancipação do povo e o engrandecimento do homem.  </p><p>Como na alegoria de Brecht – cuja representação traz ideologia, gaiolas, guerras, opressão, pão e circo como metáforas da sociedade humanas –, a civilização que criamos parece não ter muito o que ensinar ao reino animal, só a aprender: sim, os nossos tubarões são bastante piores que os tubarões dos outros mares.  </p><p>É uma bela crítica à organização social e às relações humanas, tão simplesmente bela que recentemente mereceu uma edição destinada ao público infantil – sim, é muito importante que desde cedo os nossos peixinhos saibam que a civilização da Terra pode ser outra. Afinal, não são peixinhos, mas são homens e mulheres capazes de transformar o mundo. </p><p><b>ARCO - Com a obra ‘Ricos &amp; Malandros - A riqueza na estrutura da desigualdade brasileira: como os ricos atuam na sociedade’, você objetiva estudar a questão da desigualdade, mas pelo olhar dos ricos. Por que você decidiu focar neste grupo? </b> </p><p>A desigualdade é estudada há séculos. A questão é que, invariavelmente, explora-se apenas um lado do problema.  Enquanto a pobreza se deixa auscultar, desnudar, dissecar, inventariar, saborear; enquanto são inúmeros os estudos que promovem verdadeiras autópsias sociológicas sobre os pobres e miseráveis, sobre o <i>habitus</i> da ralé, sobre as famílias no submundo do trabalho, sobre os jovens em situação de marginalidade, sobre as comunidades de sem-teto ou erguidas sobre palafitas e barracos de pau a pique, com a riqueza isso não ocorre.  </p><p>Afinal, o modo e o campo de atuação dos ricos permanecem sutilmente ignorados, como se fossem abstrações irrelevantes, como se sua existência estivesse desconectada da estrutura de poder e das disputas na repartição da renda.  </p>		
			<h4>"A ainda pobre existência de dados e informações permitem que os ricos, absolutamente fosforescentes pelo consumo, jactem-se pela sua invisibilidade no controle dos mecanismos de manutenção e de concentração da riqueza."</h4>		
		<p>Um lado para o qual invariavelmente se demonstram atitudes de <i>reverência e êxtase</i> e de <i>receio e intocabilidade,</i>  é a ideia de “totem e tabu”, em alusão freudiana à antropologia social, sobre o qual não há o devido reconhecimento dos efeitos danosos que exercem no tecido social brasileiro, sublimando-o. </p><p>Por isso, constitui um desafio para as Ciências Sociais (como meio) e para a sociedade (como fim) a superação dos problemas no estudo dos ricos e, principalmente, a superação do equivocado entendimento de que a pobreza é um problema e que <i>esta</i> riqueza, em seu nível e forma, não o é. </p><p><b>ARCO - Ainda sobre a temática do livro. A seu ver, enquanto pesquisador, qual é a importância de se estudar esse tema? Como sua obra contribui para o debate sobre o assunto? </b></p><p>Estive bem longe de descobrir a pólvora – antes e melhor, outros tantos já o fizeram –, só ajudei a riscar os fósforos para trazer um pouco mais luz, também como sinal de que não desertamos nosso posto, como pediu o Veríssimo pai. </p>		
			<h4>"Sem receio do exagero podemos afirmar que inexiste no Brasil tema mais importante para se conhecer, estudar e trabalhar, de verdade e a fundo, do que a desigualdade social."</h4>		
		<p>Claro que a necessária superação do capitalismo deve estar no nosso horizonte como estado e nação, porém, hoje, ela é a nossa <i>prioridade zero</i>, ao lado de toda a urgente agenda ambiental. Afinal, a desigualdade social é, como se diz nas ciências sociais, um “fato total”, atingindo – no nosso caso, tingindo e manchando com a cor da dor e do pavor milhões de brasileiros – todas as áreas e todas as dimensões da vida.  </p><p>O que busquei nesta obra é ajudar a clarear a realidade, pois, como sentenciou Noam Chomsky, a população em geral não sabe o que está acontecendo e sequer sabe que não sabe.  </p><p>Disponho-me a participar da luta contra os erros, as mentiras e os preconceitos do senso conservador e da agenda liberal martelados diariamente na cabeça dos cidadãos pelas formas mais ou menos tradicionais da mídia, mais ou menos retrógradas da paróquia e mais ou menos encaixotadas da escola. Nesse pacote, a lógica é esconder os reais problemas e maquiar as suas soluções para torná-los ininteligíveis ou, ainda pior, para pretensamente resolvê-los na base de alguma saída heróica, mitológica ou divinal que apenas mantém intocada uma ideia de ordem <i>sem</i> progresso. </p><p><b>ARCO - Para quem deseja ler sua obra, o que essa pessoa deve esperar? </b></p><p>Um modesto manifesto, pensado e escrito com o lado esquerdo do peito. Uma tentativa de mostrar o buraco no qual há tanto tempo estamos metidos, contribuindo para uma “abertura de olhos” capaz de revelar o que temos acima e em volta e, a partir disso, conhecer um pouco <i>o que fazer</i> e acreditar que ainda é possível sair disso, de modo a construir uma sociedade (e um lugar) diferente – afinal, como traz José Saramago na abertura do seu “Ensaio sobre a cegueira”: <i>se podes olhar, vê; se podes ver, repara.</i> </p><p>A obra, e isso é importante destacar, constitui uma “proposta de ação” que se insurge sobre o modo de atuação dos ricos e a lógica da ordem que os sustentam – o neoliberalismo como a última máscara do capitalismo –, buscando desestruturar argumentos ideológicos e construções institucionais e propondo alterar o olhar sobre o problema da concentração de riqueza e imaginar alternativas a ele. </p><p>Afinal – e é este o compromisso que pretendo manter com o leitor –, como certa vez me disse o professor Avelãs Nunes, lá de Coimbra, acreditamos que as ciências sociais não podem ser boa ciência social se não incorporar à sua análise a <i>consciência social</i>, sem a hipocrisia beata dos que, apesar das “mãos sujas” de compromissos inconfessáveis, juram que a sua ciência é uma ciência “neutra” em relação aos fins, como um terreno etéreo sem lugar para os homens de carne e osso.  </p><p><b>ARCO - Há algo que não perguntei que você gostaria de destacar? </b></p><p>Antônio Abujamra, em uma segunda fase do seu “Provocações”, passou a encerrar o programa perguntando ao entrevistado: “me diga, afinal, o que é a vida?”.  Não ouso propor aqui essa máxima divagação, mas é preciso destacar o <i>quanto </i>da vida da imensa maioria do povo brasileiro é refém desta escolha política: a desigualdade social.  </p><p>E nesse cenário mostra-se inadiável outro olhar sobre a desigualdade, olhada para cima. O objetivo é alcançar o "topo" da pirâmide social, microcosmos dos endinheirados cuja compreensão é vital para a redescoberta do país, a emancipação da sua gente e a construção de uma ordem que seja capaz de dar <i>outra</i> razão à vida, de modo a constituir na nova sociedade as <i>conexões reconstituintes</i> do espírito social e humano. </p><p>A vida, pois, a ser ajustada sob uma nova sociabilidade: igualitária, solidária, coletiva, cooperativa, sustentável e democrática, horizonte para a efetiva transformação do Brasil. </p><p><strong><i>Expediente</i></strong></p><p><strong><i>Repórter: </i></strong><em>Gustavo Salin Nuh, acadêmico de jornalismo e voluntário</em></p><p><i><strong>Ilustrador:</strong> Luiz Figueiró, acadêmico de Desenho Industrial e voluntário</i></p><p><strong><i>Mídia Social:</i></strong> <i>Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Caroline de Souza, acadêmica de Jornalismo e voluntária; e Martina Pozzebon, acadêmica de Jornalismo e estagiária</i></p><p><i><strong>Edição de Produção:</strong> Esther Klein, acadêmica de Jornalismo e bolsista</i></p><p><i><strong>Edição Geral:</strong> Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas</i></p>]]></content:encoded>
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				<title>Pesquisadora da UFSM faz parte de coletânea que reúne autores da Antropologia na América Latina</title>
				<link>https://www.ufsm.br/cursos/graduacao/santa-maria/ciencias-sociais/2020/12/02/pesquisadora-da-ufsm-faz-parte-de-coletanea-que-reune-autores-da-antropologia-na-america-latina</link>
				<pubDate>Wed, 02 Dec 2020 18:28:51 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Notícias Bacharelado]]></category>
		<category><![CDATA[Antropologia]]></category>
		<category><![CDATA[ciências sociais]]></category>
		<category><![CDATA[Pesquisadora]]></category>

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						<description><![CDATA[A Asociación Latinoamericana de Antropología (ALA) lançou a Colección Antropologías hechas en América Latina, empreendimento editorial que reúne trabalhos de autores da área de antropologia de Argentina, Uruguai, Colômbia, Venezuela e também países do Caribe. A pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Patrimônio Cultural da UFSM, Virgínia Vecchioli, fez parte do livro Antropologías hechas en [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:paragraph -->
<p>A Asociación Latinoamericana de Antropología (ALA) lançou a Colección Antropologías hechas en América Latina, empreendimento editorial que reúne trabalhos de autores da área de antropologia de Argentina, Uruguai, Colômbia, Venezuela e também países do Caribe. A pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Patrimônio Cultural da UFSM, Virgínia Vecchioli, fez parte do livro Antropologías hechas en la Argentina com um artigo publicado. O livro foi lançado no dia 27 de novembro e está disponível gratuitamente juntamente com toda a coleção, n<a rel="noreferrer noopener" href="https://www.asociacionlatinoamericanadeantropologia.net/index.php/publicaciones/coleccion-antropologias-hechas-en-america-latina" target="_blank">o site da ALA</a>.</p>
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				<title>Pesquisadora da UFSM faz parte de coletânea que reúne autores da Antropologia na América Latina</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2020/12/02/pesquisadora-da-ufsm-faz-parte-de-coletanea-que-reune-autores-da-antropologia-na-america-latina</link>
				<pubDate>Wed, 02 Dec 2020 12:32:49 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Antropologia]]></category>
		<category><![CDATA[antropologia na América do Sul]]></category>
		<category><![CDATA[Pesquisa]]></category>

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						<description><![CDATA[A Asociación Latinoamericana de Antropología (ALA) lançou a Colección Antropologías hechas en América Latina, empreendimento editorial que reúne trabalhos de autores da área de antropologia de Argentina, Uruguai, Colômbia, Venezuela e também países do Caribe. A pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Patrimônio Cultural da UFSM, Virgínia Vecchioli, fez parte do livro Antropologías hechas en [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:paragraph -->
<p>A Asociación Latinoamericana de Antropología (ALA) lançou a Colección Antropologías hechas en América Latina, empreendimento editorial que reúne trabalhos de autores da área de antropologia de Argentina, Uruguai, Colômbia, Venezuela e também países do Caribe. A pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Patrimônio Cultural da UFSM, Virgínia Vecchioli, fez parte do livro  Antropologías hechas en la Argentina com um artigo publicado. O livro foi lançado no dia 27 de novembro e está disponível gratuitamente juntamente com toda a coleção, <a rel="noreferrer noopener" href="https://www.asociacionlatinoamericanadeantropologia.net/index.php/publicaciones/coleccion-antropologias-hechas-en-america-latina" target="_blank">no site da ALA</a>. </p>
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				<title>Entre o lá e o aqui</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/entre-o-la-e-o-aqui</link>
				<pubDate>Sun, 07 Jul 2013 17:33:38 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Diário de Campo]]></category>
		<category><![CDATA[Antropologia]]></category>
		<category><![CDATA[ciências sociais]]></category>
		<category><![CDATA[etnografia]]></category>
		<category><![CDATA[fotoetnografia]]></category>
		<category><![CDATA[fotografia]]></category>

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						<description><![CDATA[E neste simples ato de atravessar a ponte, tantas fronteiras são ultrapassadas]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2017/08/1-Edicao_Diario_Entre-o-La-e-o-Aqui.jpg" data-elementor-open-lightbox="yes" data-elementor-lightbox-title="1-Edicao_Diario_Entre o La e o Aqui" data-elementor-lightbox-description="Fotografia horizontal colorida de entardecer próximo a um rio. O céu está alaranjado. Um homem e seu cavalo estão em um terço da imagem. A sombra deles é projetada na água do rio.">
							<img width="808" height="528" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2017/08/1-Edicao_Diario_Entre-o-La-e-o-Aqui.jpg" alt="" loading="lazy" />								</a>
		<p>Uma linha. Uma ponte. E, em apenas alguns passos, é possível deparar-se com outra língua, com diferentes hábitos, com uma nova cultura. No meio de tudo isso, estão pessoas que, cotidiana ou esporadicamente, compartilham da fronteira como lugar onde essas diferentes línguas, hábitos e culturas convivem em uma tumultuada harmonia.</p><p>Foi na intenção de entender como as pessoas se apropriam desse território de fronteira que Francieli Rebelatto, orientada pela professora Luciana Hartmann, redigiu sua dissertação no mestrado em Ciências Sociais em 2011: Atravessando a ponte, vivendo na linha: marcos e marcas de uma cultura de fronteira à luz da fotoetnografia. Para tanto, durante o curso, Francieli viajou diversas vezes ao encontro de seu objeto de pesquisa: as fronteiras das cidades de Santana do Livramento (Brasil) e Rivera (Uruguai) e de Uruguaiana (Brasil) e Paso de los Libres (Argentina).</p><p>Ainda na graduação em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo na UFSM, Francieli teve o primeiro contato com o que viria a se tornar seu objeto de estudo. Em 2006, como estudante do curso de Jornalismo, Francieli participou do Projeto Rondon, uma iniciativa do governo brasileiro na qual universitários vão às mais distantes comunidades carentes, contribuindo para o desenvolvimento do lugar através de projetos de extensão. Foi na expedição que levou o grupo até a cidade de Tabatinga, no Amazonas, que Francieli conheceu as fronteiras do Brasil com a Colômbia e o Peru.</p><p>De lá, Francieli voltou fascinada com a troca cultural presente nas fronteiras. A nova paixão virou objeto de estudo e resultou na sua monografia e, mais tarde, na dissertação. Francieli constatou, ainda em seus estudos iniciais, que as regiões de fronteira não eram retratadas na grande mídia como lugares de riqueza cultural, e buscou as Ciências Sociais para dar uma abordagem antropológica à sua pesquisa.</p><p>Já no mestrado, Francieli fundamentou sua pesquisa com os conceitos do antropólogo francês Marc Augé, lugar antropológico e não-lugar. Segundo o autor francês, por lugares antropológicos podemos compreender aqueles lugares com os quais criamos vínculos, por exemplo, onde moramos ou onde trabalhamos. Já não-lugares são os locais de passagem, de consumo, com os quais não criamos relações.</p><p>A esses conceitos Francieli aliou a metodologia de fotoetnografia. Assim como a etnografia, que vai a campo buscar o contato direto com o objeto, a fotoetnografia exigiu que Francieli estivesse em pleno contato com a fronteira. Mas em vez de lápis e papéis à mão, foi com uma câmera fotográfica e suas lentes que a pesquisadora fez seu diário de campo.</p><p>Através de sua inserção no campo, entrevistas, observações e, claro, das fotos, Francieli buscou retratar o sentimento de pertencimento e o oposto, a falta de vínculos das pessoas com essas regiões de fronteira. Os não-lugares são representados pelas fotos em movimento, poluídas visualmente, trazendo o olhar do viajante. Já os lugares antropológicos trazem as características próprias daquele lugar, as pessoas e a cultura.</p><p>Em vez de lápis e papéis à mão, foi com uma câmera fotográfica e suas lentes que a pesquisadora fez seu diário de campo</p><p>Os dias nas fronteiras Brasil–Argentina e Brasil–Uruguai renderam a Francieli um ensaio fotográfico em que buscou representar a cultura própria desses lugares. A dissertação trouxe à pesquisadora o questionamento: Fronteira, limite ou passagem? Se o que responde a pergunta é o olhar do sujeito sobre o local, seguem algumas das muitas fotos feitas por Francieli Rebelatto em seu diário de campo.</p><p style="color: #000000;font-size: 16px"><em>Repórter: Natascha Carvalho</em></p><p style="color: #000000;font-size: 16px"><em>Fotografias: Francieli Rebelatto</em></p>]]></content:encoded>
													</item>
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