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				<title>Inovação para o campo: UFSM obtém proteção de novas cultivares</title>
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				<pubDate>Fri, 12 Mar 2021 11:28:00 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Geral]]></category>
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[caption id="attachment_55287" align="alignright" width="486"]<a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/2021/03/Foto1-1.jpg"><img class="wp-image-55287" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2021/03/Foto1-1.jpg" alt="" width="486" height="324"></a> Uma das novas cultivares de aveia-preta da UFSM em fase inicial de desenvolvimento vegetativo[/caption]
<p>A UFSM iniciou 2021 com a obtenção da proteção de duas cultivares de aveia-preta (<em>Avena strigosa Schreb.</em>) junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), aumentando a lista de produtos agrícolas desenvolvidos no campus de Frederico Westphalen que contam com patenteamento.&nbsp;A conquista representa mais um avanço importante no que se refere à inovação tecnológica na Universidade.&nbsp;</p>
<p>Com a proteção das cultivares UFSMFW 2101 e UFSMFW 2202 pelo Serviço Nacional de Proteção de Cultivares (SNPC) do Mapa, a Instituição passa a ter o direito de reprodução comercial destas variedades em todo o país por 15 anos (prazo de proteção para a maioria das espécies vegetais), ficando vedado a terceiros a produção com fins comerciais, o oferecimento à venda ou a comercialização do material de propagação da cultivar sem autorização.&nbsp;</p>
<p>"A conquista é extraordinária para a UFSM, sendo um grande avanço em relação à inovação tecnológica", avalia o diretor da UFSM-FW Braulio Otomar Caron, que integra a equipe responsável pelo trabalho.&nbsp;</p>
<p>Com a proteção em mãos, a meta agora é finalizar a obtenção dos dados de Determinação do Valor de Cultivo e Uso (VCU) - que vai garantir que a cultivar tenha valor agronômico comprovado em condições de campo - e obter o registro das cultivares até o final de 2021, para então ser iniciada a produção e comercialização de sementes, por meio de parceria - a proteção da cultivar dá o direito à propriedade intelectual ao seu obtentor, enquanto o registro permite a produção, o beneficiamento e a comercialização de sementes e mudas.&nbsp;</p>
<p><strong>Trabalho teve início em 2013</strong></p>
<p>A conquista coroa um trabalho iniciado pelo Laboratório de Melhoramento Genético e Produção de Plantas&nbsp;(LMGPP) da UFSM-FW ainda em&nbsp;2013, com a coleta a campo de sementes salvas por produtores nos municípios de Ajuricaba, Alto Alegre, Boa Vista das Missões, Campos Borges,&nbsp;Chapada, Condor, Espumoso, Palmeira das Missões, Planalto,&nbsp;Salvador das Missões, Santa Rosa, Taquaruçu do Sul e Tenente Portela. Na&nbsp;sequência, as sementes foram colocadas a campo e selecionadas plantas pelo&nbsp;método de melhoramento genealógico (<em>pedigree</em>). O processo teve continuidade com os ensaios preliminares e de VCU. Duas linhagens foram selecionadas e deram origem às cultivares agora protegidas.&nbsp;</p>
<p>Inicialmente os trabalhos foram coordenados pelo professor Velci Queiroz de Souza, atualmente na Universidade Federal do Pampa (Unipampa). No final de 2016, o professor Volmir Sergio Marchioro, que já tinha experiência como melhorista no desenvolvimento de uma cultivar de aveia-branca e 24 cultivares de trigo em outras instituições de pesquisa, assumiu a coordenação dos trabalhos e a responsabilidade técnica pela condução dos ensaios necessários para fins de proteção: de distinguibilidade (a cultivar é considerada distinta quando se diferencia claramente de qualquer outra reconhecida na data do pedido de proteção), homogeneidade (quando utilizada em plantio, em escala comercial, a cultivar apresente variabilidade mínima quanto aos descritores que a identifiquem) e estabilidade (quando reproduzida em escala comercial, mantenha a sua homogeneidade através de gerações sucessivas).&nbsp;</p>
<p>Alunos do Programa de Pós-Graduação em Agronomia - Agricultura e Ambiente (PPGAAA) da UFSM-FW também tiveram participação.&nbsp;Daniela Meira&nbsp;defendeu sua dissertação de&nbsp;mestrado em 2018 com a condução de parte do processo de melhoramento, sob a orientação&nbsp;do professor Caron.&nbsp;Atualmente, Luis Antonio Klein está&nbsp;conduzindo os ensaios de VCU que vão fazer parte da sua dissertação de mestrado, sob a&nbsp;orientação do professor Volmir.</p>
<p>"No grupo de melhoristas das duas cultivares&nbsp;temos ex-alunos que passaram pelo grupo de trabalho e hoje são professores em outras&nbsp;instituições de ensino e da própria UFSM, o que mostra a importância da pesquisa, da iniciação&nbsp;científica e da pós-graduação", afirma Volmir.</p>
[caption id="attachment_55288" align="alignleft" width="399"]<a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/2021/03/Foto2.jpg"><img class="wp-image-55288" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2021/03/Foto2.jpg" alt="" width="399" height="487"></a> Diferença de ciclo da cultivar UFSMFW 2202 em relação a uma aveia-preta de ciclo tardio[/caption]
<p><strong>Importância e diferenciais das novas cultivares</strong></p>
<p>Embora não existam estatísticas precisas em relação a área cultivada e volume de produção, a aveia-preta tem boa aceitação para alimentação animal, sendo cultivada principalmente nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul. É utilizada como pastejo durante o inverno, corte e, em alguns casos, como feno e silagem. Destaca-se devido à utilização para rotação de cultura e cobertura de solo, principalmente antecedendo a semeadura da soja. Por apresentar crescimento rápido, rusticidade e tolerância à acidez do solo, auxilia no controle de plantas daninhas e quebra o ciclo de algumas doenças importantes para culturas subsequentes, além de outros benefícios que a palhada de aveia proporciona em relação à fertilidade do solo.</p>
<p>As cultivares de aveia-preta UFSMFW 2101 e UFSMFW 2202 possuem algumas diferenças entre si em relação a tipo de folha, pilosidade, cerosidade e formato de panícula e grão. Mas o principal diferencial destas cultivares, que as coloca em destaque, está relacionado ao ciclo vegetativo e reprodutivo: a UFSMFW 2101 é de ciclo muito precoce, e a UFSMFW 2202, de ciclo precoce. Segundo Volmir, outro fator de extrema importância para ambas as cultivares é a produtividade de grãos (sementes), associada à excelente produtividade de matéria seca/verde, considerando que são cultivares de ciclo precoce - normalmente as maiores produtividades de matéria seca/verde são obtidas em cultivares de ciclo longo. O ciclo precoce das cultivares irá refletir diretamente na rotação de culturas, permitindo a antecipação do próximo cultivo.&nbsp;</p>
<p>Além&nbsp;disso, conforme Volmir, o elevado potencial produtivo de sementes destas cultivares permitirá aos produtores obter um volume elevado de sementes por área, reduzindo custos, o que&nbsp;normalmente não acontece para cultivares de ciclo longo. Outro aspecto importante é que&nbsp;as cultivares foram&nbsp;selecionadas por precocidade e potencial de produtividade de matéria verde/seca e de sementes em Frederico Westphalen, sendo, consequentemente, adaptadas à região norte gaúcha.&nbsp;&nbsp;</p>
<p><strong>Cultivares da UFSM com proteção</strong></p>
<p>A UFSMFW 2101 e a UFSMFW 2202 são as primeiras cultivares de aveia-preta desenvolvidas na UFSM protegidas pelo Mapa. A Universidade conta também com cinco cultivares de cana-de-açúcar protegidas, desenvolvidas pelos professores Velci Queiroz de Souza, Bráulio Otomar Caron e Denise Schmidt, do campus de Frederico Westphalen. Atualmente, estes materiais de cana estão em ensaios de VCU e processo final de registro, sob a responsabilidade técnica do professor Caron.&nbsp;</p>
<p>O professor Volmir lembra que o Laboratório de Melhoramento Genético e Produção de Plantas ainda tem algumas linhagens de aveia-preta e cana-de-açúcar que podem gerar novas cultivares num futuro próximo. Também foram iniciados trabalhos de cruzamentos e seleção em soja e linhaça, respectivamente.</p>
<p><em>Texto: Agência de Notícias da UFSM</em><br><em>Fotos: Divulgação</em></p>
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