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				<title>Projeto de estudantes da UFSM busca quebrar tabus sobre cannabis sativa</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2024/12/03/projeto-quebra-tabu-cannabis</link>
				<pubDate>Tue, 03 Dec 2024 12:27:15 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[agronomia]]></category>
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						<description><![CDATA[Iniciativa do Último Plano, Uy10+, no Uruguai, tem, entre os projetos, estudo uso do canabidiol no tratamento de sementes de milho]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p>Derrubar mitos em relação à <i>cannabis sativa</i> é um dos objetivos do Último Plano, grupo formado por estudantes da Universidade Federal de Santa Maria e de outras quatro instituições de ensino superior (IES). A agremiação criou a empresa Ent Company, responsável pelo projeto “Uy10+”, no Uruguai, para estudar a ecofisiologia da planta, isto é, as interações, o genótipo, o manejo e o ambiente no sistema de produção agrícola. </p>
<p>Longe do senso comum, que associa unicamente a <i>cannabis </i>à maconha, o cânhamo é uma variação sem efeito entorpecente e que pode ser usado na substituição de fibras de tecido, de farinha sem glúten e revestimento isolante na construção civil. A planta tem mais de 400 substâncias, entre elas o canabidiol, utilizado na fisioterapia, na farmácia e na medicina - um dos usos mais conhecidos é no auxílio ao tratamento de epilepsia. O Uy10+ realiza, entre outras iniciativas, estudos aplicados à agronomia, considerados inéditos em ambientes subtropicais. </p>
<p>“Um dos maiores desafios científicos do nosso tempo é a produção de alimentos, de fibras, de ração, de energia e de combustíveis. Então, a gente segue essa meta com foco, agora, na cultura do cânhamo”, comenta Heitor Bitencourt, estudante de Agronomia da UFSM e cofundador do Último Plano.</p>
<p>No Uruguai, o grupo planta cânhamo desde a safra 2023-2024. Com investimento maior, a agremiação pretende  produzir mais no mesmo espaço com sustentabilidade por meio do aprendizado com a experimentação. A partir disso, o Último Plano quer formar mão de obra especializada e melhorar processos produtivos agrícolas.</p>		
										<figure>
										<img width="768" height="1024" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2024/12/foto-a-cannabis-uruguai-1-768x1024.jpeg" alt="" />											<figcaption>Cultivo de cânhamo, variação da cannabis sativa com menor toxicidade, no Uruguai</figcaption>
										</figure>
		<h3><b>Por um mundo melhor</b></h3>
<p> </p>
<p>Hoje um grupo acadêmico, o Último Plano surgiu em 2015 como um coletivo de rap, com Heitor e um amigo que viviam em Santos, São Paulo. Com o tempo, entretanto, o interesse em escrever letras mais críticas à sociedade passou a ser maior do que a música em si. Então, em 2020, a iniciativa tomou um viés científico voltado para a sofisticação de processos produtivos.</p>
<p>“A gente viu que, para termos um mundo mais justo, com mais oportunidades para as pessoas, o conhecimento da universidade poderia ampliar as nossas ferramentas. Eu vim de uma zona periférica, vi coisas catastróficas. Muitos jovens se perdem no meio do caminho. Com o estudo, podemos melhorar essa questão. As universidades têm um impacto muito grande na sociedade. Queremos deixar esse legado”, avaliou o co-fundador.</p>
<p>O Uy10+ foi a primeira ideia posta em prática. O trabalho tem estudantes da UFSM e de outras quatro IES: Universidade Federal do Pampa (Unipampa), Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Universidade Estadual Paulista (Unesp) e Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Heitor explica que o Uruguai, além da proximidade, foi escolhido por ser o primeiro país do mundo a legalizar a maconha, em 2013.</p>
<p>“Eu via que a periferia não era isso tudo que falavam, era diferente. Nessa vivência, via muitas famílias falando sobre a questão das drogas com ignorância. Nunca era uma discussão e os fins eram sempre os mesmos. Crianças, jovens e adultos que se jogaram nessa vida tiveram uma sentença decretada”, ponderou. Por isso, o estudante diz que “a <i>cannabis</i> sempre foi algo que eu quis desmistificar através da ciência para que assim fosse possível diminuir a ignorância entre as pessoas e impactar na vida dessas pessoas”.</p>		
										<figure>
										<img width="768" height="1024" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2024/12/foto-b-cannabis-uruguai-768x1024.jpeg" alt="Foto colorida vertical de estudante com planta de cânhamo" />											<figcaption>Heitor Bitencourt é estudante de Agronomia na UFSM e co-fundador do Último Plano</figcaption>
										</figure>
										<figure>
										<img width="768" height="1024" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2024/12/foto-c-cannabis-uruguai-1-768x1024.jpeg" alt="" />											<figcaption>Substância extraída do cânhamo pode ser usada para tratar sementes </figcaption>
										</figure>
		<h3><b>Uso de canabidiol no tratamento de sementes de milho</b></h3>
<p> </p>
<p>Uma das integrantes do Último Plano é a engenheira agrônoma Fabieli Cervo, mestranda do Programa de Pós-Graduação em Agronomia da UFSM. Após voltar para a Universidade, com o sonho de estudar sobre a <i>cannabis</i> e, como ela define, “por uma feliz coincidência do destino” conheceu Heitor e o projeto Uy10+. </p>
<p>A pesquisa de Fabieli se chama “Óleos de <i>Cannabis sativa L</i>. na qualidade fisiológica e sanitária de sementes de milho crioulo”. Como a mestranda explica, “meu trabalho investiga a <i>cannabis</i> como um potencial bioproduto para a agricultura. O projeto Uy10+ forma parceria com minha pesquisa, possibilitando-me o uso dos óleos de canabidiol no tratamento de sementes”. A mestranda defende a relevância do estudo: “O desenvolvimento de pesquisas com <i>cannabis</i> no âmbito agrícola é necessário e um passo para a inovação no setor, visto que a cultura é extremamente versátil quanto a seus usos e, principalmente para o Brasil, representa um ato de resistência e quebra de estigma”.</p>
<p>Fabieli é orientada pelo professor Ubirajara Nunes, do Departamento de Fitotecnia do Centro de Ciências Rurais (CCR). O docente admite que o que mais chamou sua atenção foi a proposta de estudar sobre a análise de semestre tratadas com o canabidiol<i>. </i>“Por ser uma planta conhecida no mundo inteiro e por ter carência de informações aplicadas à fisiologia das sementes de milho crioulo”, comentou.</p>
<p>Ubirajara conta que, ao fim dos experimentos, espera-se entender um pouco mais do desempenho do canabidiol no que diz respeito à proteção de plantas no tratamento alternativo de sementes, bem como do impacto que o tratamento de sementes tem na qualidade fisiológica e sanitária. “Ao se obter resultados positivos, será possível incentivar o uso nessa cultura e se estender para as demais culturas agrícolas, visto que bioprodutos são menos prejudiciais ao meio ambiente, tornando-se uma forma sustentável de manejo de patógenos e doenças”, projetou o orientador.</p>
<p>Mais que estudar o impacto da <i>cannabis sativa</i>, o trabalho realizado pelo Uy10+ busca conhecer a fundo os benefícios da planta, ainda muito associada à maconha. “Como instituição, é nosso dever atuar no ensino, na extensão e na pesquisa, e o tema proposto pode gerar muitas discussões e descobertas para desmistificar posições até então contrárias ao seu uso no Brasil. Aqui falamos de ciência e uso de recursos de forma sustentável para o correto uso na agricultura, tendo sempre o amparo legal para a sua pesquisa”, avaliou Ubirajara.</p><p><i><b>Texto</b>: Pedro Pereira, estudante de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias</i></p>
<p><i><b>Fotos</b>: Arquivo pessoal/Heitor Bitencourt</i></p>
<p><i><b>Edição</b>: Maurício Dias, jornalista</i></p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Óleo de canabidiol é utilizado para tratar dermatite atópica canina no HVU da UFSM</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2023/07/10/oleo-de-canabidiol-e-utilizado-para-tratar-dermatite-atopica-canina-no-hvu-da-ufsm</link>
				<pubDate>Mon, 10 Jul 2023 11:00:52 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[canabidiol]]></category>
		<category><![CDATA[cannabis]]></category>
		<category><![CDATA[CCR]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[Hospital Veterinário]]></category>
		<category><![CDATA[hvu]]></category>
		<category><![CDATA[Medicina Veterinária]]></category>

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						<description><![CDATA[Aplicação para um projeto de mestrado já apresentou resultados 
positivos em cães com a doença]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
[caption id="attachment_62896" align="alignright" width="732"]<a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/2023/07/33a06d44-c1f5-483d-9112-80342ad85f08.jpg"><img class="wp-image-62896" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2023/07/33a06d44-c1f5-483d-9112-80342ad85f08.jpg" alt="Fotografia horizontal de duas pessoas à esquerda. Uma das pessoas na foto é Carollina, que está ao lado esquerdo. Ela é uma mulher branca, loira e usa um jaleco branco com o brasão da UFSM na manga. Há outra pessoa na foto, Saulo. Ele está no centro. Saulo é um homem branco, tem cabelo curto e marrom; usa um jaleco branco. Na frente dos dois tem um cachorro de pelagem branco no peito e marrom na face e orelhas, o animal recebe uma dose do medicamento à base de cannabis. O cenário é de uma sala com as paredes brancas e uma janela ao lado direito da foto. A janela está aberta e entra luz solar. " width="732" height="487" /></a> Carollina e Saulo mostram como é a aplicação nos pets[/caption]
<p><span style="font-weight: 400">O gato Gregório morreu no ano de 2018 em decorrência da Doença de Cröhn, que pode ser tratada com substâncias da <em>cannabis</em>. Na época, a tutora Carollina Mariga não tinha conhecimento do medicamento. A perda do seu animal motivou a futura mestre em Medicina Veterinária a utilizar o espaço da UFSM para auxiliar famílias que, assim como a dela, estavam dispostas a buscar alternativas de tratamento para o bem-estar dos pets. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Foi assim que, de forma inédita, o óleo de canabidiol começou a ser aplicado em cães com dermatite atópica canina no Hospital Veterinário Universitário (HVU) de Santa Maria. A iniciativa é parte do projeto de mestrado de Carollina. Esta doença, embora não seja fatal, causa coceira excessiva na pele, o que faz com que os cachorros se machuquem ao se coçarem constantemente. A <em>cannabis</em> é uma alternativa para aliviar os sintomas, já que a doença não tem cura. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400">“Nosso objetivo é usar os efeitos antiinflamatórios presentes no óleo para aliviar a coceira que os cachorros têm. Isso porque o tratamento tradicional dessa doença são medicamentos caros e com grandes efeitos colaterais”, explicou Saulo Tadeu Filho, docente do curso de Medicina Veterinária e orientador da pesquisa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400">O óleo foi doado por instituições nacionais e o processo de testagens iniciou em agosto de 2022. Ainda segundo o professor, se a Universidade não disponibilizasse o medicamento de forma gratuita por meio do projeto, ele não seria acessível para parte da população. Além de um tratamento que é para a vida toda, cada frasco da substância custa cerca de R$ 300,00. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Logo após as tramitações para se adquirir legalmente o óleo pela UFSM, as testagens foram iniciadas em pacientes do HVU que já tinham a doença diagnosticada. Os tutores recebiam os frascos do hospital e medicavam os animais em casa. Foram 14 cães participantes - incluindo o </span>grupo controle (<b><span style="font-weight: 400">parte do grupo experimental que não recebe o tratamento. Serve como base de comparação aos pacientes que receberam e é uma tática crucial para pesquisas de testes, como os recentes testes das vacinas).</span></b><span style="font-weight: 400"> Entre as raças, estão labradores, sem raça definida, dachshund (salsichinha), e em grande maioria, shih-tzus. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400">O óleo utilizado contém 1.500mg de CBD (canabidiol) e 72mg de THC (tetrahidrocanabinol, principal substância psicoativa) num frasco de 30ml. A dose estipulada para a pesquisa foi de 2,5mg/kg para cada cão. O óleo cobriu o período de tratamento estipulado no projeto. Mas, quem teve interesse em seguir com a medicação, pôde adquirir por associação, mediante prescrição veterinária.</span></p>
<p> </p>
[caption id="attachment_62897" align="alignleft" width="380"]<a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/2023/07/image1.jpg"><img class="wp-image-62897" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2023/07/image1.jpg" alt="Fotografia vertical de um cão da raça golden. Ele tem o pelo denso e amarelado. Ele está de costas para a câmera, de língua para fora e olhando para o lado. Está em um campo, deitado em uma manta colorida." width="380" height="675" /></a> Woody, cão de Jéssica e participante do projeto (Foto: Jéssica dos Santos Ribeiro/Arquivo pessoal)[/caption]
<h3>Primeiros resultados e desafios</h3>
<p><span style="font-weight: 400">Apesar de a análise laboratorial não apresentar grandes resultados na pele dos animais, a mudança na prática é expressiva: muitos cães melhoraram com o tratamento, outros estabilizaram. “</span><span style="font-weight: 400">A gente teve os mais variados resultados, assim como é a terapia canábica. Cada um vai responder de uma forma. Tivemos animais que passaram o primeiro verão sem crise, os que ainda estão em terapia, mas já melhoraram, e outros que não responderam ao tratamento”, comenta Carollina Mariga.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">A melhora já foi observada pela tutora do Woody, um golden retriever que iniciou o tratamento recentemente. O caso dele foi diferente, pois participou do projeto como grupo controle. Jéssica dos Santos Ribeiro seguiu com a equipe para o processo de uso do verdadeiro óleo e reajuste das doses para o animal. </span></p>
<p style="text-align: left"><span style="font-weight: 400">O cão tem um caso grave de coceiras e utiliza outros medicamentos para conter as crises. “Ainda não chegamos na concentração ideal do canabidiol, mas percebemos uma redução na dose dos outros medicamentos, como o corticóide, que é necessário para ele sair de crises, quando acontecem. Hoje, ele precisa de metade da dose que ele usava antes”, comenta a tutora.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Diante dos resultados, alguns desafios foram identificados durante as etapas de trabalho. Os pesquisadores entenderam que outras variáveis influenciam nos resultados de melhora, como o ambiente em que o animal vive, a dedicação do tutor, a sua rotina, entre outros aspectos. Carollina, porém, explica que a pesquisa não pode exigir uma realidade utópica dos cães. “Mantivemos a realidade do animal e acrescentamos a <em>cannabis</em> para verificar somente a atuação dela. Obviamente que associar mais cuidados poderia ter uma melhora significativa, mas aí iria sair do escopo da pesquisa”, comenta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Outro desafio foram as doses. Em um primeiro momento, a pesquisa se propôs a utilizar uma dose fixa, algo que já pensam em mudar no projeto de doutorado. “</span><span style="font-weight: 400">Tem pacientes que não respondem à primeira dose, mas a outras mais altas. E isso não fizemos, mas queremos. Variar a dose ou aumentar até um determinado patamar em que o paciente possa responder”, disse Saulo Tadeu. A próxima etapa muda também o componente do tratamento: agora as testagens serão com óleo de <em>cannabis</em>, e não mais canabidiol.</span></p>
<table>
<tbody>
<tr>
<td>
<p><b><em>Cannabis</em> x Canabidiol: </b><span style="font-weight: 400">A <em>cannabis</em> é a planta com todas suas substâncias e compostos. O canabidiol é uma das substâncias químicas encontradas na <em>cannabis</em> que constitui uma parte dos compostos da planta.</span></p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<h3> </h3>
<h3>Quais os critérios para participar</h3>
<p><span style="font-weight: 400">A parceria entre pesquisadores e as instituições que disponibilizaram o óleo de <em>cannabis</em> rendeu produtos suficientes para a sequência da experimentação no doutorado da discente. Além disso, o uso de canabidiol para a dermatite atópica canina já está </span><a href="https://portal.ufsm.br/projetos/publico/projetos/view.html?idProjeto=68849" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400">registrado como projeto</span></a><span style="font-weight: 400"> na Universidade e a ideia é que cada vez mais pessoas se integrem na pesquisa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">A continuidade da ação possibilita que mais tutores levem seus animais de estimação a este tratamento. Atualmente o projeto não está recrutando novos cães, isso porque a etapa de mestrado foi concluída. Para a etapa de doutoramento, estima-se ampliar o acesso. Como a seleção para o projeto é feita pela própria lista de pacientes do HVU, </span><span style="font-weight: 400">tutores que têm interesse em cadastrar seus pets na pesquisa já podem agendar consulta.</span></p>
[caption id="attachment_62898" align="alignright" width="603"]<a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/2023/07/image4.jpg"><img class="wp-image-62898" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2023/07/image4.jpg" alt="Fotografia horizontal de uma pessoa. Centralizada na foto está Carollina. Ela é uma mulher branca, loira e usa um jaleco branco com o brasão da UFSM na manga. Carollina segura na mão esquerda um frasco de vidro marrom com detalhes azuis. Na mão direita Carollina segura um conta-gotas que está contendo o líquido amarelado. A parede ao fundo do cenário é branca. " width="603" height="402" /></a> Carollina e o frasco do óleo de canabidiol[/caption]
<p><span style="font-weight: 400">O número de contato do Hospital é (</span><span style="font-weight: 400">55) 99161-7477</span><span style="font-weight: 400">. Ele fica localizado no Campus Sede da Universidade, prédio 97, após o Colégio Politécnico. Saulo, orientador do projeto, diz que a demanda é grande, pois a </span><span style="font-weight: 400">dermatite atópica é comum em cães. “Os animais cadastrados serão avaliados para saber se estão aptos a participar do estudo”, explica o professor. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400">É a discente que seleciona os pets que entram. Para isso, alguns critérios são avaliados, entre eles: estar com dermatite atópica diagnosticada, controle de pulga e dieta hipoalergênica, estar com o dente limpo e não ser muito obeso. Além disso, é crucial que o tutor seja muito dedicado, pois é ele quem realiza o tratamento em casa e precisa estar em constante contato com a equipe do projeto para dar atualizações.</span></p>
<h3> </h3>
<h3>Estudos com <em>cannabis</em> tendem a crescer</h3>
<p><span style="font-weight: 400">Apesar dos benefícios já comprovados da <em>cannabis</em>, a venda dela e de substâncias derivadas não é legalizada no Brasil. Para conseguir este tipo de produto de forma excepcional, diversos documentos precisam ser autorizados com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Porém, a pesquisa com a <em>cannabis</em> é uma tendência nas universidades e nos centros médicos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Cada vez mais este medicamento é liberado por órgãos governamentais e os cientistas entendem os benefícios da planta para as áreas da saúde humana e animal. Conforme a Associação Brasileira da Indústria de Canabinóides, os pedidos de importação da <em>cannabis</em> medicinal aumentaram 110% em 2021, comparado com 2020.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">“A gente sabe que ainda tem preconceito, o pessoal pensa na <em>cannabis</em> como ilícita. Não é essa parte, mas a medicinal e útil. Eu deixo como mensagem que os pesquisadores tentem trabalhar a <em>cannabis</em>, pois tem muito a explorar”, comentou o orientador. </span><span style="font-weight: 400">Apesar da reação negativa desta parte da sociedade, 79% das pessoas se declaram a favor do fornecimento gratuito de medicamentos feitos a partir da planta da maconha no Sistema Único de Saúde (SUS), segundo o instituto de pesquisa </span><a href="https://www12.senado.leg.br/institucional/datasenado/arquivos/tres-em-cada-quatro-brasileiros-apoiam-a-producao-de-medicamentos-a-base-de-cannabis" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400">DataSenado</span></a><span style="font-weight: 400">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Apoiadores ou não, os tutores não demonstraram receio ao uso do óleo de canabidiol para auxiliar seus bichinhos. Os pesquisadores se alegram com o retorno e confiança no projeto: “A gente não teve nenhuma resistência de tutores aqui, realmente eles são muito 'cabeça aberta', o que a gente agradece muito”, diz Carollina. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Ser pioneira nos testes clínicos do óleo de canabidiol em cães torna a Universidade referência em mais uma área da ciência e motiva que o estudo siga avançando em outros centros de ensino. Além disso, outros benefícios já são vistos, como instituições que manifestaram interesse em vínculos com a UFSM para parcerias no projeto, como a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).</span></p>
<p> </p>
[caption id="attachment_62899" align="alignleft" width="632"]<a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/2023/07/image2.jpg"><img class="wp-image-62899" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2023/07/image2.jpg" alt="Fotografia horizontal de três pessoas centralizadas sorrindo. Uma delas, Carollina, está na ponta esquerda. Ela é uma mulher branca, loira e usa uma jaqueta azul. O segundo, Rafael, está no meio. Ele é um homem branco, com barba e cabelo curto marrom; usa uma camiseta com listras verticais. Ao lado dele, no canto direito, Saulo é um homem branco com cabelo curto e preto. Ele usa uma manta preta, jaqueta preta e blusão vermelho. Todos usam calças escuras. Na frente do trio, uma mesa com os óleos importados, dois expostos e os outros embalados. O cenário é de uma sala com plantas, com uma janela aberta atrás." width="632" height="492" /></a> Carollina Mariga, Saulo Tadeu e Rafael Minuzzi na entrega do óleo (Foto: Setor de Importações/Arquivo)[/caption]
<h3>Primeira importação de óleo de canabidiol na UFSM</h3>
<p><span style="font-weight: 400">Os resultados da pesquisa não seriam possíveis sem a contribuição do Setor de Importações da UFSM, que cuida de todas as tramitações legais para que itens sejam importados conforme a lei. O pedido também gerou um novo desafio para a equipe: por conta do projeto, no ano passado foi a primeira vez em que o óleo de canabidiol foi importado pela Universidade. Por se tratar de um produto sensível, as tramitações exigiram uma atenção dobrada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Os cientistas fizeram questão de mencionar e elogiar a ajuda que tiveram para conseguir o principal produto da pesquisa. “Somos muito gratos a tudo que o setor fez para conseguirmos o óleo, porque tudo envolve muita burocracia e eles sempre se colocaram à disposição”, comentou o docente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Em junho, a UFSM teve outra novidade no que tange à importação: a primeira do óleo de <em>cannabis</em>, doado por uma empresa do Arkansas, nos Estados Unidos. O processo iniciou ainda em 2022. Depois de uma grande demanda de autorizações, os produtos para o projeto de doutorado de Carollina chegaram.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">“Foi necessária a emissão da autorização ao controle e guarda dos produtos e a autorização de importação junto à Anvisa. Ainda foi realizado o licenciamento de importação com a Receita Federal, que trata da anuência do órgão de controle e da autorização de embarque até o Brasil. Por fim, foi realizado o desembaraço aduaneiro em São Paulo e a entrega final na UFSM”, explicou Rafael Minuzzi, chefe do Setor de Importações.</span></p>
<p><i>Texto</i><i><span style="font-weight: 400">: Paula Appolinario e Gustavo Salin Nuh, estudantes de Jornalismo e estagiários da Agência de Notícias<br /></span></i><i><span style="font-weight: 400">Fotos: </span></i><span style="font-weight: 400"><em>Gustavo Salin Nuh</em><br /></span><i>Edição</i><i><span style="font-weight: 400">: Lucas Casali e Ricardo Bonfanti, jornalistas</span></i></p>
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