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				<title>UFSM é contemplada com bolsas de estudo voltadas a estudantes negros</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2023/04/10/ufsm-e-contemplada-com-bolsas-de-estudo-voltadas-a-estudantes-negros</link>
				<pubDate>Mon, 10 Apr 2023 12:07:48 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[#bolsas]]></category>
		<category><![CDATA[carrefour]]></category>
		<category><![CDATA[combate ao racismo]]></category>
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						<description><![CDATA[O Grupo Carrefour é o responsável pelo financiamento das bolsas, como forma de reparar o crime de racismo ocorrido em uma das filiais da empresa em 2020]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
<p><span style="font-weight: 400">Na véspera do Dia da Consciência Negra de 2020, João Alberto Silveira, um homem preto, foi espancado até a morte pelos seguranças de uma unidade do supermercado Carrefour, no estacionamento do local, em Porto Alegre. O crime teria ocorrido por conta de um suposto incidente com a vítima no mercado, o que mais tarde se esclareceu como mais um caso de racismo. Como uma das medidas estabelecidas pela Justiça de reparação da violência, a empresa está investindo R$ 68 milhões em bolsas de estudo em instituições federais de todo o país, incluindo na UFSM, para 883 brasileiros negros terem a oportunidade de se manter no meio acadêmico com menos dificuldade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">A determinação, que corresponde ao Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado com o Ministério Público e a Defensoria Pública, tem como finalidade reparar o dano causado pelo violador do direito em questão. Nesse sentido, a UFSM, uma das universidades contempladas pelas bolsas de estudo, <a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/342/2023/03/Edital_039_2023_Prograd_Selecao_de_Estudantes_Bolsa_Carrefour-UFSM.pdf" target="_blank" rel="noopener">publicou um edital </a></span><span style="font-weight: 400">para selecionar os estudantes que receberão a assistência. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Ainda que não solucione o problema racial como um todo, as bolsas vão colaborar para que a discrepância entre a quantidade de pessoas brancas e pretas no ensino superior siga diminuindo. Isso porque, de acordo com </span><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2020-11/cresce-total-de-negros-em-universidades-mas-acesso-e-desigual"><span style="font-weight: 400">pesquisa feita pelo site Quero Bolsa</span></a><span style="font-weight: 400">, com dados do IBGE, entre 2010 e 2019, o número de estudantes pretos no ensino superior subiu 400%. Contudo, apesar disso, negros representam, atualmente, apenas 38,15% do total de universitários no Brasil, enquanto seu percentual no total da população é de 56%. Por isso, toda ação que busque equalizar tais números é necessária, especialmente em cursos com o histórico de baixa representatividade da população negra. Considerando isso, a UFSM distribuirá suas bolsas entre os seguintes cursos:</span></p>
<ul>
<li style="font-weight: 400"><span style="font-weight: 400">Graduação em Administração diurno – Campus Santa Maria: um estudante – Valor mensal da bolsa: R$ 1 mil;</span></li>
<li style="font-weight: 400"><span style="font-weight: 400">Graduação em Comunicação Social – Produção Editorial: um estudante – Valor mensal da bolsa: R$ 1 mil;</span></li>
<li style="font-weight: 400"><span style="font-weight: 400">Graduação em Engenharia Civil: um estudante – Valor mensal da bolsa: R$ 1 mil;</span></li>
<li style="font-weight: 400"><span style="font-weight: 400">Graduação em Engenharia Química: um estudante – Valor mensal da bolsa: R$ mil;</span></li>
<li style="font-weight: 400"><span style="font-weight: 400">Pós-Graduação em Educação – Mestrado: dois estudantes – Valor mensal da bolsa: R$ 3.5 mil.</span></li>
<li>Pós-Graduação em História - Mestrado: um estudante - <span style="font-weight: 400">Valor mensal da bolsa: R$ 3.5 mil.</span></li>
</ul>
<h3>Especificações para os bolsistas</h3>
<p><span style="font-weight: 400">As inscrições já se encerraram. O resultado definitivo dos selecionados deve ser publicado na sexta-feira (14). Para ser selecionado como bolsista, o acadêmico deve ser negro; estar matriculado entre o primeiro e o penúltimo ano dos cursos citados anteriormente; não possuir bolsas da Capes, CNPq, Fapergs, FNDE ou Finep; não ocupar cargo ou emprego público, ou estar a vinculado a qualquer empresa que realize, ou possa realizar, auditorias e atividades de fiscalização no Grupo Carrefour; ter cursado o ensino médio em escola pública ou em escola privada com bolsa de estudo integral; ser oriunda de família com renda igual ou inferior a 1,5 salário mínimo <em>per capita</em>; dentre outras especificações listadas no edital.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Ao dispor da assistência, o aluno receberá a bolsa mensalmente até a conclusão do curso, mas para isso precisa concluí-lo no prazo recomendado pela UFSM, não ser reprovado em nenhuma disciplina e obedecer a frequência mínima da sua graduação.</span></p>
<h3>Essa responsabilização é o suficiente?</h3>
<p><span style="font-weight: 400">É importante ressaltar que a existência do edital decorre de um assassinato cruel, então, logicamente, nenhuma medida jamais será capaz de amenizar a perda da família de João Alberto, conforme comenta o professor coordenador do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Neabi) da UFSM, Anderson dos Santos. Todavia, ele destaca a necessidade de haver a responsabilização pelo crime, e reforça que ela só aconteceu por meio de um conjunto de lutas do movimento negro, que se iniciaram no Rio Grande do Sul e, posteriormente, se expandiram para o restante do país, desde que o crime ocorreu. Em soma a esse pensamento, o militante do Movimento Negro Unificado (MNU) e professor integrante do Neabi Lazie Lopes salienta a relevância da conquista das bolsas de estudo. </span><span style="font-weight: 400">‘</span><span style="font-weight: 400">’Quando se trata de casos que repercutem por conta do racismo estrutural, torna-se difícil algum tipo de responsabilização. O caso Carrefour é um marco neste sentido, para que sociedade e as empresas entendam que o racismo não pode ser tolerado e as empresas são corresponsáveis pelo que acontece em seus espaços", afirma. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Porém, partindo para um cenário mais amplo, Lopes acredita que o investimento em bolsas de permanência em todos os âmbitos de ensino seja fundamental, tanto por parte de grandes empresas como por parte do Estado. Aliado a isso, todos os casos de racismo precisam começar a ter seus responsáveis devidamente punidos, senão esse tipo de crime seguirá se repetindo. Ao encontro disso, Anderson dos Santos defende que companhias como o Carrefour mudem sua postura, reconhecendo o racismo que praticam, aplicando políticas de ações afirmativas para que pessoas negras sejam contratadas não apenas em cargos mais baixos, mas também em áreas de coordenação. </span></p>
<h3>Olhando para dentro da UFSM</h3>
<p><span style="font-weight: 400">Embora a UFSM seja reconhecida por sua política de permanência estudantil e de ações afirmativas, o coordenador do Neabi observa ainda a fragilidade com que a Instituição, bem como as demais universidades federais, tem para lidar com seus próprios casos de racismo, o que provém da invisibilização do tema ao longo das décadas no Brasil. </span></p>
<p>Para que a Universidade fosse contemplada no edital, o NEABI, juntamente ao Observatório de Direitos Humanos, esteve a frente das tratativas para que os cursos e programas de pós-graduação participassem e aderissem ao edital. No entanto, Anderson ainda avalia que a adesão foi baixa e considera que tais iniciativas ainda precisam de maior incentivo Institucional para que possam ser mais abrangentes e beneficiar mais estudantes negros e negras.</p>
<p><span style="font-weight: 400">Felizmente, este cenário tem, aos poucos, se alterado, mas, para que esse processo se efetive mais rapidamente, o professor afirma que as políticas de promoção da equidade racial devem ser reforçadas. E isso não somente nas formas de ingresso e permanência na Universidade, mas também </span><span style="font-weight: 400">‘’no reconhecimento dos notórios saberes negros e indígenas, na curricularização das disciplinas voltadas para as relações étnico-raciais, e nas políticas de extensão e pesquisa". </span><span style="font-weight: 400">Em complemento, o militante do MNU reitera a importância de se coibir casos de racismo dentro da UFSM, pois somente com isso e com as ações de políticas afirmativas a Instituição alcançará o objetivo de</span><span style="font-weight: 400"> ‘’formar profissionais do presente para o futuro’’</span><i><span style="font-weight: 400">.</span></i></p>
<p><em><span style="font-weight: 400">Texto: Laurent Keller, acadêmica de jornalismo e bolsista da Agência de Notícias<br /></span>Edição: Ricardo Bonfanti, jornalista </em></p>
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