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				<title>Clínica da UFSM oferece vagas para grupo terapêutico de idosos com ansiedade e depressão</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2023/08/22/clinica-da-ufsm-oferece-vagas-para-grupo-terapeutico-de-idosos-com-ansiedade-e-depressao</link>
				<pubDate>Tue, 22 Aug 2023 12:10:44 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Comunidade]]></category>
		<category><![CDATA[CCSH]]></category>
		<category><![CDATA[CEIP]]></category>
		<category><![CDATA[depressão]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>

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						<description><![CDATA[Atividades serão realizadas nas quintas-feiras pela Clínica de Estudos e Intervenções em Psicologia]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:paragraph -->
<p></p>
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<p>A Clínica de Estudos e Intervenções em Psicologia (Ceip) da UFSM abriu vagas para grupo terapêutico de idosos com sintomas de depressão e/ou ansiedade de leve à moderada. O objetivo é proporcionar a socialização dos idosos, o compartilhamento de experiências e dificuldades, a reflexão sobre enfrentamento de situações adversas e a psicoeducação/educação em saúde.</p>
<p>As atividades do grupo ocorrerão nas quintas-feiras, pela manhã, no prédio 74B do Campus Sede.</p>
<p>Interessados devem se inscrever pelo <a href="https://forms.gle/XfCBa56hgYM6Ytn58" target="_blank" rel="noopener">formulário</a>. As vagas são limitadas. Os encontros devem começar assim que as vagas forem preenchidas.</p>
<p>Mais informações pelo telefone (55) 3220-9229 ou pelo e-mail ufsmceip@gmail.com.</p>
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													</item>
						<item>
				<title>Depressão e exercício físico: mente e corpo em conexão</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/depressao-exercicio-mente-corpo-conexao</link>
				<pubDate>Mon, 24 Jan 2022 13:40:30 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[atividade físico]]></category>
		<category><![CDATA[depressão]]></category>
		<category><![CDATA[destaque arco]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[exercício físico]]></category>

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						<description><![CDATA[A prática de atividade física pode ser uma ferramenta preventiva e terapêutica em casos de depressão
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p id="docs-internal-guid-5b235a6b-7fff-f537-b3b9-afa1613a16b1" dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">A depressão é um transtorno mental que se caracteriza pela perda de interesse e prazer em realizar atividades cotidianas, pelo sentimento de tristeza e pela baixa da autoestima. O transtorno depressivo pode afetar diversas áreas da vida de uma pessoa, como a profissional, a familiar e a social. A <a style="text-decoration: none" href="https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/saude/9160-pesquisa-nacional-de-saude.html?=&amp;t=publicacoes">Pesquisa Nacional de Saúde do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2019, </a>aponta que 16,3 milhões de brasileiros sofrem com a doença. Apesar de as causas e os diagnósticos serem complexos, já se tem conhecimento sobre algumas condições que aumentam o risco de um indivíduo desenvolver depressão. Fatores biológicos, genéticos e psicossociais são alguns deles. </p>		
												<img width="1024" height="668" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/01/capa_2-1024x668.jpg" alt="Ilustração horizontal e colorida em tons de roxo e laranja. No centro, ilustração de um homem correndo. Ele tem pele parda, cabelo preto, pernas e braços compridos. Veste camiseta rosa queimado, bermuda azul claro e tênis branco com detalhes em rosa queimado. Nos pés, desenhos de chamas de fogo. Ele está de perfil, com um braço e uma perna na parte da frente e o outro braço e perna na parte de trás. Na cabeça do homem, zoom circular com desenho de cérebro em rosa e sinais de mais em laranja. Ao redor do homem, desenhos de raios em azul claro. O fundo é roxo." loading="lazy" />														
		<table style="border-collapse: collapse;width: 100%"><tbody><tr><td style="width: 100%"><p>Os <b>fatores biológicos</b> incluem desequilíbrios ou disfunções químicas do cérebro, que podem ser desencadeadas por efeitos colaterais de medicamentos, exposição a doenças inflamatórias e consumo excessivo de álcool e drogas. Os <b>fatores genéticos</b> estão associados à vulnerabilidade hereditária de pessoas com histórico familiar de depressão, que podem ser mais propensas a desenvolverem a doença. Já os <b>fatores psicossociais ou ambientais</b> incluem eventos estressores, como o luto e/ou traumas psicológicos. Todos esses elementos e, principalmente, a interação entre eles, influenciam significativamente na evolução de quadros depressivos.  </p><p> </p><p>Por outro lado, existem também os <b>fatores protetores</b>, que diminuem os riscos de desenvolvimento da depressão ou são capazes de minimizar seus efeitos. Um deles é a prática de exercício físico. O professor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Felipe Barreto Schuch, é um dos estudiosos da área que dedica suas pesquisas à investigação da relação entre exercício físico e saúde mental. Ele é doutor em Psiquiatria e Ciências do Comportamento, coordenador do Grupo de Pesquisa em Exercício Físico e Saúde Mental da UFSM, e listado como <a href="https://www.ufsm.br/unidades-universitarias/cefd/2021/11/25/prof-dr-felipe-barreto-schuch-dmtd-e-destaque-na-pesquisa-mundial/">um dos autores mais citados na área "Psicologia e psiquiatria" nos anos de 2020 e 2021 na lista Web of Science pela Clarivate</a>. Seus <a href="https://scholar.google.com.br/citations?user=Jbu489QAAAAJ&amp;hl=pt-BR&amp;oi=ao">estudos</a> focam na investigação do papel da atividade física como ferramenta terapêutica e preventiva para desenvolvimento de depressão e outros transtornos mentais.</p></td></tr></tbody></table>		
			<h3>Como funciona o corpo ao se exercitar?</h3>		
		<p>Felipe Schuch explica que, ao praticar exercício físico, o corpo reage com a liberação de uma série de neurotrofinas, família de proteínas que promovem a sobrevivência e o desenvolvimento dos neurônios. Processo chamado de regeneração neuronal. Esse processo parece promover alterações em determinadas estruturas do cérebro e também no seu funcionamento, o que está plenamente relacionado à saúde cerebral.</p>		
												<img width="1024" height="668" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/01/infografico-1-1024x668.jpg" alt="Infográfico horizontal e colorido. Na parte superior esquerda da imagem, sobre barra horizontal cinza, com o título em caixa alta &quot;O cérebro durante o exercício físico&quot;. Abaixo, na parte esquerda, quatro boxes sobre fundo cinza. No primeiro, o número &quot;1&quot; em círculo amarelo e o texto &quot;Prática do exercício&quot; em caixa alta. Abaixo, o texto, &quot;A atividade física eleva a circulação de sangue no cérebro e a comunicação entre neurônios. Assim, eles passam a produzir neurotrofinas, como a proteína BDNF*&quot;. Abaixo, o número &quot;2&quot; sobre círculo amarelo e, ao lado, em caixa alta, a frase &quot;Regeneração neuronal&quot;. Abaixo, a frase &quot;As neurotrofinas recuperam neurônios danificados e estimulam o crescimento de novos, promovendo a saúde cerebral&quot;. Abaixo, no canto inferior esquerdo da imagem, sobre fundo cinza, a observação &quot;*O Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro (BNDF) é uma neurotrofina - uma proteína - importante para o crescimento, sobrevivência e manutenção dos neurônios. Também contribui para funções relacionadas à memória e à aprendizagem. Ao lado, no lado direito, ilustração de um homem correndo. Ele tem pele parda, cabelo preto, pernas e braços compridos. Veste camiseta rosa queimado, bermuda azul claro e tênis branco com detalhes em rosa queimado. Nos pés, desenhos de chamas de fogo. Ele está de perfil, com um braço e uma perna na parte da frente e o outro braço e perna na parte de trás. Na cabeça do homem, zoom circular com desenho de cérebro em rosa e sinais de mais em laranja. Ao redor do homem, desenhos de raios em azul claro. O fundo é roxo." loading="lazy" />														
		<p id="docs-internal-guid-74939b90-7fff-4fd3-3285-1886eb865fee" dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Ainda, a depressão crônica pode ter como um dos efeitos a <a style="text-decoration: none" href="https://super.abril.com.br/ciencia/inflamacao-e-uma-das-principais-caracteristicas-da-depressao-indica-estudo/">inflamação no cérebro</a>. Todo processo inflamatório faz com que o corpo reaja para promover a defesa e restaurar os tecidos afetados. O papel do exercício físico, nesse caso, é promover uma resposta mais rápida e efetiva do sistema anti-inflamatório. “O exercício faz com que os tecidos respondam mais rápida e efetivamente no processo de combate a inflamação e assim, potencialmente, restaure algumas das áreas que estão afetadas pela depressão”, explica Schuch. <br /><br />Kimberly Fontoura, de 23 anos, foi diagnosticada com transtorno de ansiedade generalizada, depressão e compulsão alimentar e incluiu a prática de exercícios físicos na sua rotina após identificar o agravamento dos sintomas diante da sobrecarga causada pelos estudos. Ela conta que o processo foi complexo e o tratamento aliou psicoterapia, acompanhamento psiquiátrico e uso de medicamentos, mas reconhece que o exercício físico e a diminuição de hábitos sedentários foram essenciais. "É difícil reconhecer e encarar isso em um primeiro momento, mas, aos poucos, vejo que além de fortalecer meu corpo eu também fortaleço minha mente", comenta.</p>		
			<h3><p dir="ltr" style="line-height:1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top:0pt;margin-bottom:0pt" id="docs-internal-guid-4b0c0890-7fff-e1e0-88eb-e424e2f9a0bb">Uma questão multiprofissional&nbsp;</p></h3>		
		<p id="docs-internal-guid-d8efd9de-7fff-2c0a-fc1a-35580d65dd65" dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Apesar de ser uma ferramenta importante, tanto no tratamento quanto na prevenção de quadros depressivos, o exercício, sozinho, muitas vezes não é capaz de impedir o desenvolvimento do transtorno mental.  No tratamento para depressão, os métodos que costumam ser utilizados são: a psicoterapia, que trata das questões emocionais a partir do diálogo entre o profissional e o paciente; e o uso de medicamentos antidepressivos que atuam na regulação dos neurotransmissores, a partir de prescrição médica.</p><p> </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Felipe Schuch explica que casos depressivos são complexos e demandam profissionais de diferentes áreas em atuação conjunta para o tratamento, assim como o uso de mais de uma estratégia para alcançar um desfecho positivo. Para isso, destaca a importância de acompanhamento multidisciplinar disponível nos serviços de saúde mental e nas internações psiquiátricas. “Necessitamos que médico psiquiatra, clínico, enfermeiro, psicólogo, nutricionista e todos os outros que estão em contato com o paciente estejam alinhados para uma mudança no estilo de vida de forma efetiva”, afirma o pesquisador.</p><p> </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Maitê Grassel, psicóloga e integrante do Laboratório de Avaliação e Clínica Cognitiva <a style="text-decoration: none" href="https://www.ufsm.br/grupos/laccog">(LACCog)</a> da UFSM, observa que o trabalho coletivo entre profissionais de diferentes especialidades vêm ganhando protagonismo na área do cuidado, principalmente no Sistema Único de Saúde (SUS), que tem como um dos <a style="text-decoration: none" href="https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/s/sistema-unico-de-saude-sus-estrutura-principios-e-como-funciona">princípios</a> a integralidade de ações, a fim de assegurar a saúde plena dos cidadãos. No entanto, ainda há necessidade de avanços para uma atuação intersetorial. “Uma das formas de alcançar isso seria através da formação desses profissionais da saúde, desde a graduação, para a conscientização da importância do trabalho em equipe para o melhor tratamento do paciente”, afirma a psicóloga. </p><p><br />Por meio do projeto de extensão <a style="text-decoration: none" href="https://portal.ufsm.br/projetos/publico/projetos/view.html?idProjeto=65105">CliniCog</a>, o LACcog busca aplicar o conhecimento científico com a promoção de ações voltadas à comunidade. Através de atendimentos com a abordagem da Terapia Cognitivo-Comportamental, contribui para que o paciente reconheça suas condições cognitivas e desenvolva habilidades que possam promover mudanças comportamentais. Uma das técnicas utilizadas pelos profissionais é a psicoeducação, em que a pessoa é estimulada a participar ativamente de seu tratamento psicoterapêutico. Nesse processo, um dos conhecimentos a ser transmitido entre o paciente e profissional pode ser sobre a importância da atividade física regular para a saúde mental. </p>		
			<h3>Mudança de comportamento e qualidade de vida</h3>		
		<p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">De acordo com Felipe Schuch, tão importante quanto incluir atividades físicas na rotina é reduzir o tempo em comportamento sedentário - também considerado fator de risco para o desenvolvimento de depressão. Comportamento sedentário é um termo utilizado para caracterizar um conjunto de atividades, realizadas na posição sentada ou deitada, que apresentam baixo gasto energético, como assistir à televisão, utilizar o computador e jogar videogame. Ou seja, diminuir o sedentarismo e aumentar o tempo de exercício físico são duas formas de reduzir o risco de depressão e outros transtornos mentais. </p><p> </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Esse foi o caso de Daniela Andrighetto, de 28 anos, que, diante do estresse causado pelo contexto da pandemia e de dores no corpo como reflexo do trabalho remoto, decidiu promover uma mudança no estilo de vida. Passou a praticar exercícios físicos como corridas e danças, a partir de vídeos no YouTube. A melhora na qualidade de vida foi logo percebida. "Quando estava muito estressada ou ansiosa, o exercício me ajudava a relaxar, melhorando, inclusive, meu sono", destaca. A estudante também fez alterações em sua dieta e teve mudanças no peso. </p><p> </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Pessoas com depressão possuem <a style="text-decoration: none" href="https://www.ox.ac.uk/news/2014-05-23-many-mental-illnesses-reduce-life-expectancy-more-heavy-smoking">expectativa de vida</a> de 10 a 15 anos a menos do que a população em geral. Este dado chama a atenção para outra questão: as consequências físicas dos problemas de saúde mental. Indivíduos com depressão, assim como outros transtornos psicológicos, estão mais vulneráveis a doenças como diabetes, hipertensão e problemas cardiovasculares. Estes estão relacionados a desregulações hormonais e alterações metabólicas causadas pela depressão.</p><p> </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Ao longo de seus estudos, o professor Felipe Schuch investigou a relação do exercício físico com a incidência de depressão também em crianças, adolescentes e idosos. De maneira geral, a prática traz benefícios para todas as faixas etárias, mas há características específicas para cada idade. Na infância e adolescência, o exercício físico se mostra um grande aliado, já que nem sempre o tratamento farmacológico é a primeira intervenção recomendada. Já no caso dos idosos, a prática pode ser ainda mais importante, pois além de contribuir para a redução dos sintomas depressivos, pode contribuir no fortalecimento do sistema neurológico e muscular, muitas vezes afetado pelo curso natural da idade, que provoca, por exemplo, perda da capacidade motora e riscos de queda. “Quando se estabelece uma relação entre o paciente e o exercício, não estamos só melhorando a saúde mental, mas também diminuindo o risco de ele vir a desenvolver algum problema de saúde física e, com isso, aumentar a sua expectativa e qualidade de vida”, explica o docente. </p><p> </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Em 2021, o Ministério da Saúde lançou o primeiro <a style="text-decoration: none" href="https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_atividade_fisica_populacao_brasileira.pdf">Guia de Atividade Física para a População Brasileira</a>, que apresenta recomendações e informações sobre atividade física e incentiva a promoção da saúde e a melhoria da qualidade de vida. O documento aborda a prática em todos os ciclos de vida – crianças, adolescentes, adultos e idosos, – e em algumas condições como gestantes e pessoas com deficiência, além do destaque para a Educação Física Escolar.</p><p> </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.7999999999999998;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">De acordo com orientações da <a style="text-decoration: none" href="https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/physical-activity">Organização Mundial da Saúde</a>, é recomendado que adultos façam pelo menos 150 a 300 minutos de atividade física de intensidade moderada a vigorosa por semana, inclusive quem vive com doenças crônicas ou incapacidade. Para crianças e adolescentes, a indicação é que se pratique uma média de 60 minutos de atividade física por dia.</p><strong><em>Expediente:</em></strong><em><strong>Reportagem:</strong> Caroline de Souza, acadêmica de Jornalismo e voluntária;</em><em><strong>Design gráfico:</strong> Luiz Figueiró, acadêmico de Desenho Industrial e bolsista;</em><em><strong>Mídia social:</strong> Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Rebeca Kroll, acadêmica de Jornalismo e voluntária; Alice dos Santos, acadêmica de Jornalismo e voluntária; Martina Pozebonn, acadêmica de Jornalismo e estagiária;</em><em><strong>Edição de Produção:</strong> Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista;</em><em><strong>Edição geral:</strong> Luciane</em> <em>Treulieb e Maurício Dias, jornalistas.</em>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Pint of Science termina com debate sobre depressão e felicidade</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2019/05/23/pint-of-science-encerra-se-com-discussao-sobre-transtorno-de-humor-e-felicidade</link>
				<pubDate>Thu, 23 May 2019 20:47:30 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
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		<category><![CDATA[transtorno do humor]]></category>

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						<description><![CDATA[Encerrou-se, nesta quarta feira (22), a primeira edição do Pint of Science em Santa Maria. Durante a terceira noite do evento, os bares Paiol e Biroska receberam um público de 350 pessoas para conversas informais sobre os projetos científicos desenvolvidos na UFSM e Universidade Franciscana (UFN). No Paiol, a discussão começou com a apresentação do [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <figure><a href="https://www.ufsm.br/wp-content/uploads/2019/05/dejalma-pintsm.jpeg" data-elementor-open-lightbox="yes">
</a>

[caption id="" align="alignleft" width="221"]<a href="https://www.ufsm.br/wp-content/uploads/2019/05/dejalma-pintsm.jpeg"><img src="https://www.ufsm.br/wp-content/uploads/2019/05/dejalma-pintsm-221x300.jpeg" alt="Imagem de professor ao microfone, ao fundo, em um bar com pessoas sentadas" width="221" height="300" /></a> Professor Dejalma Cremonese foi convidado do última noite do Pint of Science[/caption]

Encerrou-se, nesta quarta feira (22), a primeira edição do Pint of Science em Santa Maria. Durante a terceira noite do evento, os bares Paiol e Biroska receberam um público de 350 pessoas para conversas informais sobre os projetos científicos desenvolvidos na UFSM e Universidade Franciscana (UFN).
No Paiol, a discussão começou com a apresentação do professor Guilherme Bochi, do Departamento de Fisiologia e Farmacologia da UFSM, sobre depressão, transtorno de humor que mais acomete a população mundial. O professor questionou se a doença pode ou não ser considerada o mal do século e salientou que a depressão não está totalmente desvendada pela ciência, o que evidencia a importância das pesquisas na área.
Para Guilherme, o Pint of Science representa uma oportunidade de mostrar ao público projetos científicos desenvolvidos na universidade, além de possibilitar a discussão descontraída sobre as pesquisas. De acordo com a professora Kátia Barreto, do mesmo departamento, o evento ajuda a desmitificar a produção científica para a comunidade: “Parece que a gente está lá (na universidade) recluso e que a população não faz parte disso. Mas o que a gente está fazendo lá é justamente para as pessoas daqui. É importante que, se o público em geral não tem acesso ao nosso dia a dia acadêmico, que possa usufruir das informações em situações informais. E que as pessoas realmente percebam a importância da produção científica, em especial nesse momento, em que a educação e a ciência estão sendo terrivelmente ameaçadas”, explica.
A segunda palestra da noite teve como objetivo o encontro com a felicidade. Ministrada pelo professor Dejalma Cremonese, do Departamento de Ciências Sociais da UFSM, a fala intitulada “Em busca da felicidade: aspectos éticos e filosóficos”, discutiu com o público caminhos para uma vida mais contente.
O professor buscou no pensamento grego antigo e nos registros de filósofos consagrados como Sócrates, Aristóteles e Immanuel Kant lições sobre a ética humana, autoconhecimento e busca pelo ser feliz. Há dez anos Dejalma se dedica a leituras, pesquisas e experimentos de análise social que tentam descobrir ou redescobrir a essência do ser humano. “Essa é uma ótima oportunidade de trazer essas pesquisas para o ambiente público. Não são dados quantitativos, mas qualitativos que dizem respeito a nossa própria existência: como podemos ser mais felizes?”, observa.
Perto dali, no Biroska, o público participou de outros dois bate-papos. O primeiro, com a professora Solange Binotto Fagan, da UFN, que discutiu sobre “O admirável mundo nanométrico”. Logo depois, foi a vez da professora Aline Ferreira Orique, também da UFN, que falou sobre o tema “O que os olhos não veem, mas nosso coração pode sentir”.
O Pint of Science acontece desde 2015, com o objetivo de aproximar a descoberta científica da sociedade de forma atraente e descontraída. Em 2019, Santa Maria recebeu pela primeira vez o evento, que durou três noites. Desde o início do festival, na segunda feira (20), até o encerramento, cerca de 970 pessoas estiveram nos bares Paiol e Biroka para prestigiar as discussões.
A edição de 2019 do Pint of Science ocorreu simultaneamente em 24 países e 87 cidades brasileiras.
<i>Texto: Bárbara Marmor, acadêmica de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias</i></figure>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Na subjetividade do trabalho</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/na-subjetividade-do-trabalho</link>
				<pubDate>Thu, 30 Aug 2018 19:28:22 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Dossiê Saúde Mental]]></category>
		<category><![CDATA[9ª edição]]></category>
		<category><![CDATA[depressão]]></category>
		<category><![CDATA[saúde mental]]></category>
		<category><![CDATA[trabalho]]></category>
		<category><![CDATA[Transtorno Mental]]></category>

				<guid isPermaLink="false">http://coral.ufsm.br/arco/sitenovo/?p=4218</guid>
						<description><![CDATA[Transtornos mentais e comportamentais são a principal causa de afastamento de servidores da UFSM
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <span style="font-weight: 400"><img class="alignleft wp-image-4344 size-thumbnail" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/08/trigger-warning-150x150.png" alt="" width="150" height="150" /></span>

<span style="font-weight: 400"><strong>Esta matéria possui conteúdo que pode desencadear fortes emoções. Caso você esteja passando por </strong><strong>um momento de maior sensibilidade tenha cautela ao prosseguir com a leitura. Se se sentir desconfortável interrompa a leitura e volte quando estiver mais forte emocionalmente.</strong></span>

<span style="font-weight: 400">O trabalho abrange diversos aspectos da vida humana, sendo condição preponderante para a realização do sujeito, segundo a psicologia. Dessa forma, as condições às quais os trabalhadores têm de se submeter diariamente para a realização de determinado fim são cruciais para a qualidade do serviço e da própria saúde física e mental. Em um ambiente tão complexo quanto o universitário – que compreende muito além das atividades em sala de aula -, as situações que podem desencadear um adoecimento profissional são diversas.</span>

<span style="font-weight: 400">Na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), em 2017, 20% das licenças concedidas a servidores técnico-administrativos em educação (TAEs) e docentes para tratamento de saúde foram para casos de transtornos mentais e comportamentais. A psicóloga e mestranda do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFSM Luciana Schneid Ferreira afirma que o trabalho jamais é neutro: “O sofrimento, ao contrário do que muitos pensam, não é sinônimo de adoecimento. Ele é inerente ao ser humano. Se o sujeito tiver autonomia e reconhecimento em seu trabalho, vai transformar este sentimento em algo bom, que promoverá saúde, desenvolvimento e realização. Se, por outro lado, não tiver as condições mínimas para conduzi-lo, vai desencadear uma doença”.</span>

<span style="font-weight: 400">Segundo dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2017, três das dez doenças mais incapacitantes para o trabalho no mundo são de origem mental. A depressão é a primeira da lista, afetando mais de 300 milhões de pessoas – um aumento de 18% entre 2005 e 2015. Transtornos causados por álcool e ansiedade aparecem em quinto e  sexto lugares no ranking, respectivamente.</span>

<span style="font-weight: 400">No mesmo ano, um boletim organizado pelos ministérios da Fazenda e do Trabalho no Brasil mostrou que os transtornos mentais e comportamentais foram a terceira causa de incapacidade para o trabalho, no período de 2012 a 2016, considerando a concessão de auxílio-doença e aposentadoria por invalidez.</span>

<b>Reflexo mundial</b>

<span style="font-weight: 400">A UFSM reflete o que acontece no país e no mundo - como mostram os gráficos na página seguinte. Os levantamentos foram feitos pela Perícia Oficial em Saúde (PEOF) da Universidade, responsável por avaliar e conceder licenças a servidores para tratamento médico próprio ou de familiares. O setor é vinculado à Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas (Progep) e atua em conjunto com a Coordenadoria de Saúde e Qualidade de Vida do Servidor (CQVS), formada por uma equipe psicossocial que acompanha os servidores em adoecimento profissional.</span>

<span style="font-weight: 400">“O número de afastamentos por transtornos mentais é o maior, e ainda assim não traduz todos os casos de doença mental que existem na Instituição”, afirma a psicóloga da CQVS Quenia Rosa Gonçalves. Essa é uma das preocupações de Luciana, que também atua como psicóloga do CQVS, em sua pesquisa de mestrado, iniciada no ano passado. Ela procura traçar o perfil dos servidores que adoecem na UFSM, utilizando como base a Psicodinâmica do Trabalho, abordagem científica desenvolvida na França na década de 1980, por Christophe Dejours. A teoria possibilita uma compreensão contemporânea sobre a subjetividade no trabalho, relacionando-o com prazer, autonomia, liberdade, reconhecimento, mas também com sofrimento, quando ausentes os sentimentos anteriores.</span>

<b>Como o trabalho causa o adoecimento?</b>

<span style="font-weight: 400">A OMS apresenta como causas dos transtornos mentais as cargas de trabalho excessivas, as exigências contraditórias, a falta de clareza na definição das funções, a comunicação ineficaz por parte de chefias e colegas, e o abuso sexual ou psicológico.</span>

<span style="font-weight: 400">Somando-se a isso, Quenia aponta que dificuldades no convívio interpessoal, subordinação e subutilização são as demandas mais recebidas na CQVS. “Acompanhamos casos de servidores super qualificados que não conseguiam desenvolver todo seu conhecimento e suas habilidades no cargo que assumiram, porque eram subutilizados em outros serviços. Com o tempo, isso gera angústia e outros sintomas, e a pessoa não suporta”, expõe a psicóloga. A Psicodinâmica, de acordo com Luciana, definiria o caso pelos conceitos de trabalho prescrito e trabalho real: o que está determinado em contrato como atribuições do cargo, em contraste com os problemas e imprevistos do dia a dia da profissão.</span>

<span style="font-weight: 400">A precarização do serviço público e as crises econômicas também fazem parte desse cenário. Atualmente, cargos desocupados por aposentadoria não têm reposição de novos servidores. Como solução, há sobrecarga de trabalho aos que ficam, além da entrada de funcionários terceirizados. Relacionada a isso, está a hipersolicitação, que ocorre quando o servidor é requerido no ambiente de trabalho, mas também por e-mail, celular e outras plataformas.</span>

<span style="font-weight: 400">Segundo Luciana, os pesquisadores da área afirmam que, no serviço público, os casos de assédio moral tendem a ser mais graves e duradouros, se comparados aos da iniciativa privada. Isso porque, em instituições como a UFSM, o servidor dificilmente pede demissão, devido ao ingresso por concurso e à estabilidade do cargo, e acaba se submetendo por muito mais tempo àquela violência. Outra peculiaridade das organizações públicas é a questão política, que comumente norteia a escolha de gestores. “Quem está à frente de um setor não está necessariamente capacitado no âmbito interpessoal para isso, mas tem inclinações políticas. Isso pode prejudicar o trabalho dos funcionários e, em consequência, possibilitar um quadro de adoecimento”, pontua a mestranda.  </span>

<span style="font-weight: 400">Apesar de todas as situações apresentadas, os casos de adoecimento profissional não obrigatoriamente têm relação com o trabalho. Podem ter influência em predisposições genéticas e/ou problemas pessoais, sociais e familiares, sendo difícil delimitar com exatidão o chamado nexo causal das patologias.</span>

<b>Tratamento é um direito</b>

<span style="font-weight: 400">Todo servidor público federal tem direito à Licença para Tratamento de Saúde (LTS), conforme determina o art. 202 do Regime Jurídico Único. Legalmente, o servidor pode ficar afastado da instituição com a qual tem vínculo empregatício por até dois anos. Depois desse período, a providência tomada é a aposentadoria por invalidez.</span>

<span style="font-weight: 400">A assistente social da PEOF Fabiane Drews explica que o tempo de afastamento é relativo, pois depende do diagnóstico e da reação do paciente ao tratamento. “A maioria dos casos de doença mental que chegam ao setor ocasiona uma licença. Mas isso não é regra geral. Muitas vezes, tentamos conduzir de outras maneiras, como solicitando a troca do funcionário de setor ou intervindo nos conflitos”, comenta Fabiane. A médica do trabalho que coordena a PEOF, Liliani Brum, explica que geralmente as licenças por problemas mentais são mais longas devido à complexidade e à subjetividade da matéria.</span>

<span style="font-weight: 400">No entanto, as profissionais comentam que ainda há preconceito e falta de conhecimento em relação aos transtornos mentais. “A pessoa pensa que vai aguentar, porque não entende o adoecimento mental como doença, principalmente por não ser tão visível quanto os problemas físicos”, explica a psicóloga Quenia. Outro limitador é o estereótipo de que servidor público não trabalha. Como contraponto, a Psicodinâmica diz que o trabalhador que adoece é justamente aquele que tem vontade de trabalhar e não consegue desenvolver seu trabalho por conta da doença.</span>

<span style="font-weight: 400">Diante deste cenário, Luciana entende que a organização do trabalho deve ser questionada: “Para mudar, é necessária uma ação conjunta na gestão da instituição como um todo, na intenção de diminuir o número de casos e acabar com preconceitos. Priorizar a saúde em detrimento da política e de outras questões é fundamental”.</span>

<em><span style="font-weight: 400"><strong>Reportagem:</strong> Andressa Motter </span></em>

<em><span style="font-weight: 400"><strong> Diagramação e Lettering:</strong> Juliana Krupahtz </span></em>

<em><span style="font-weight: 400"><strong>Ilustração:</strong> Giana Bonilla e Deirdre Holanda</span></em>]]></content:encoded>
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				<title>A sobrecarga invisível na Universidade</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/a-sobrecarga-invisivel-na-universidade</link>
				<pubDate>Thu, 23 Aug 2018 23:03:05 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Dossiê Saúde Mental]]></category>
		<category><![CDATA[9ª edição]]></category>
		<category><![CDATA[depressão]]></category>
		<category><![CDATA[estresse]]></category>
		<category><![CDATA[saúde mental]]></category>
		<category><![CDATA[Transtorno Mental]]></category>

				<guid isPermaLink="false">http://coral.ufsm.br/arco/sitenovo/?p=4212</guid>
						<description><![CDATA[Rotina e pressão no ambiente universitário são apontadas como causas de problemas de saúde mental dos estudantes]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p style="text-align: center"><strong><img class="wp-image-4344 size-thumbnail alignleft" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/08/trigger-warning-150x150.png" alt="" width="150" height="150" />Esta matéria possui conteúdo que pode desencadear fortes emoções. Caso você esteja passando por </strong><strong>um momento de maior sensibilidade tenha cautela ao prosseguir com a leitura. Se se sentir desconfortável interrompa a leitura e volte quando estiver mais forte emocionalmente.</strong></p>


<span style="font-weight: 400">“No dia em que entreguei a versão final da minha dissertação, voltei sozinha da Universidade pro centro. Quando cheguei perto do Theatro Treze de Maio, eu parei. Não sabia aonde estava indo. Entrei em pânico porque sabia que era uma crise e eu estava sozinha. Era pra ser um dia feliz, um dia de me sentir competente, mas eu fui engolida por essa coisa horrível”.</span>

<span style="font-weight: 400">Esse relato é de Luísa Greff, que cursa o doutorado em Letras na UFSM, mas também pode ser tomado como realidade próxima de outros tantos estudantes. Comumente, histórias parecidas expõem a pressão acadêmica e os altos níveis de estresse como parte da experiência universitária.</span>

<span style="font-weight: 400">Para algumas pessoas, entrar na universidade é um dos primeiros passos rumo à independência da família. Desde cedo, o jovem se depara com uma série de desafios, a começar pela preparação e ingresso em vestibulares e processos seletivos. Depois, sua capacidade de adaptação é posta à prova: grande parte das vezes envolve sair de casa, ambientar-se em uma cidade distinta, conhecer pessoas novas, inserir-se e ampliar o círculo de amigos. Junto a isso, há um processo maior, que compreende adaptar-se à vida acadêmica e conciliar os estudos com a vida pessoal. O conjunto de ações que antecedem e acompanham a nova rotina pode acarretar problemas físicos e/ou psicológicos até então inexistentes ou, ainda, piorar a situação daquelas pessoas que já possuem algum transtorno.</span>

<span style="font-weight: 400">O problema é visível, mas de onde ele vem? Por que os alunos estão adoecendo no ensino superior? O que faz com que a universidade seja, por vezes, apontada como culpada? Seriam os professores os “vilões” da história?</span>

<img class="wp-image-4213 aligncenter" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2018/08/09_01_CAPA_SITE-300x173.jpg" alt="" width="432" height="249" />

<b>O debate nas redes</b>

<span style="font-weight: 400">Nos últimos anos, o compartilhamento de relatos e experiências pessoais nas redes sociais foi um importante mecanismo para o assunto ganhar mais visibilidade. Frente a isso, estudantes de diversas universidades no país protagonizaram movimentos com o intuito de debater temas pertinentes à saúde mental do estudante e questionar as lógicas produtivistas do universo acadêmico.</span>

<span style="font-weight: 400">Em 2017, uma série de tentativas de suicídio entre alunos do quarto ano de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) chamou a atenção da mídia, e a expressão #EstamosJuntos mobilizou estudantes e professores de uma das melhores faculdades do país. Ainda, na mesma instituição, outro exemplo foi a campanha #NãoÉNormal, criada por alunos da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e que possui mais de 30 mil curtidas na página do Facebook. A hashtag é seguida de frases como: "esperar entrar de férias para poder cuidar da saúde” e “ficar fazendo trabalho durante os feriados sem poder voltar para casa e rever a família".</span>

<span style="font-weight: 400">Paralelo a isso, o texto Eu não sou um mau aluno, de autoria desconhecida, viralizou nas redes sociais. A escrita faz menção a episódios da vida acadêmica: noites mal dormidas, notas baixas, afastamento dos amigos e da família. Muitos estudantes se identificaram com a narrativa e, apesar de questionarem a rotina exaustante, culpabilizavam-se: teriam se tornado maus alunos diante de uma série de fatores estruturais.</span>

<span style="font-weight: 400">A cientista social e antropóloga Rosana Pinheiro-Machado, atualmente professora titular visitante da UFSM no Programa de Pós-Graduação de Ciências Sociais, tem pesquisas relacionadas ao tema. No texto Depressão e sofrimento na pós-graduação: frescura catártica ou saúde pública?, publicado em abril de 2018, ela defende que “ainda há uma carência do tema no debate público”, pois é custoso para as pessoas admitirem falhas individuais. Apesar de a vida acadêmica ser permeada por momentos de escrita e produção – ações que, naturalmente, podem gerar ansiedade e agitação mental –, o fenômeno hoje atinge proporções inéditas. Portanto, deve ser encarado por uma rede ampla de profissionais que atuam no ensino superior.</span>

<b>O entusiasmo desgastado</b>

<span style="font-weight: 400">Para além dos muros e das salas de aula das universidades, a rotina acadêmica é, muitas vezes, romantizada e idealizada. O estudante de Medicina da UFSM Geferson Pelegrini conta que, no período que antecede a faculdade, já é “natural” que aconteça a privação de elementos importantes da vida social para alcançar o objetivo tão sonhado. “Acredito que idealizamos os cursos que almejamos – foi assim comigo a respeito da Medicina – e quando estamos na universidade nos deparamos com um ambiente, na maioria do tempo, hostil, que nos padroniza e nos cobra sem pensar em nossa individualidade e em nossas necessidades”, relata o estudante. Na graduação, Geferson cursou a disciplina de Saúde do Estudante de Medicina e do Médico, que, contraditoriamente, fora ofertada ao meio-dia, no horário que tecnicamente deveria ser destinado ao almoço.</span>

<span style="font-weight: 400">Nesse sentido, o artigo Precisamos falar de vaidade na vida acadêmica, também escrito pela professora Rosana Pinheiro-Machado e publicado em 2016 pela revista CartaCapital, virou uma espécie de manifesto. A escrita problematiza o adoecimento das pessoas que passam pelo sistema acadêmico, devido às lógicas de produtividade e competitividade. “A formação de um acadêmico passa por uma verdadeira batalha interna em que ele precisa ser um gênio. As consequências dessa postura podem ser trágicas, desdobrando-se em dois possíveis cenários igualmente predadores: a destruição do colega e a destruição de si próprio”, descreve a pesquisadora.</span>

<b>“O que você faz da meia-noite às seis?”</b>

<span style="font-weight: 400">A maior parte das reclamações vem do tempo, ou da falta dele. A acadêmica de Arquitetura da UFSM Isabela Moreira Braga relata que, já no primeiro semestre do curso, chegou a passar mais de cinquenta horas acordada para dar conta de um trabalho da faculdade. Isabela também teve a autoestima fortemente agredida, pois diante de todas as demandas tinha impressão de que nunca poderia ser uma boa aluna e futura profissional do ramo. Os agravamentos também tiveram impactos físicos: como evitava “gastar” o tempo com outras coisas que não fossem trabalhos da faculdade, acabou emagrecendo, e as longas horas que dedicava sobre as maquetes resultaram em problemas na coluna e nos músculos. “Houve dias, não muito raros, em que a dor se agravava e dificultava o desenvolvimento de um projeto e até mesmo o meu descanso”, conta a estudante, que teve de se submeter a tratamento psicológico e sessões de fisioterapia.</span>

<span style="font-weight: 400">Os prazos são curtos e quando não consegue finalizar uma tarefa, é provável que o aluno seja questionado pelo professor em tom de brincadeira: “O que você faz da meia-noite às seis?”. O acadêmico do curso de Arquitetura Jeison de Paula afirma já ter ouvido a frase diversas vezes, e a sua resposta é sempre a mesma: “Trabalho”. Para se manter na universidade, desde os primeiros semestres, buscou aliar o estudo ao trabalho e, por conta das demandas, acabou reprovando em uma disciplina.</span>

<span style="font-weight: 400">Na UFSM, essa discussão foi pauta de uma palestra em 2017. A iniciativa foi idealizada por estudantes de diferentes áreas que compunham a Liga Comum Unidade, que tem por objetivo abrir espaços de estudo e reflexão da atuação dos sistemas de saúde. No evento em questão, a psiquiatra e coordenadora do Espaço Nise da Silveira &amp; AFAB Martha Noal avaliou o problema como consequência do modo como o ser humano opera em sociedade: “Nós é que normalizamos as coisas que não deveriam ser normais. Não é normal as pessoas não dormirem à noite para conseguirem dar conta das suas demandas do dia”.</span>

<b>A ordem vem de cima</b>

<span style="font-weight: 400">Ao passo que os alunos encontram dificuldades para gerenciar o tempo para a resolução das tarefas, os professores têm a responsabilidade de fazer as ofertas. Para a professora do Departamento de Saúde Coletiva da UFSM Liane Righi, o problema reside no fato de as ofertas não estarem articuladas: “Não é ilegítimo que o professor exija da turma conteúdos que acrescentem para a qualidade da universidade. No entanto, se a pessoa faz 12 disciplinas, ela terá 12 fardos. São 12 professores achando que o conteúdo é exclusivo, tentando se legitimar”.</span>

<span style="font-weight: 400">Na visão de Liane, a estrutura departamental da universidade contribui para isolar as pessoas nas suas especialidades, fragmenta o trabalho docente, o aprendizado e as ofertas. Com isso, os acadêmicos também não aproveitam as demais oportunidades que a universidade oferece: oficinas, espaços de lazer, biblioteca e acesso à cultura.</span>

<span style="font-weight: 400">Segundo Martha Noal, um dos fatores causais é também a falta de preparação dos profissionais na área educativa. “No Centro de Educação, os profissionais das licenciaturas têm formações pedagógicas. Nas outras áreas isso é mais complicado: os professores aprendem a ser jornalistas e médicos, mas não aprendem, de fato, a serem professores”, problematiza a pesquisadora.</span>

<b>Outros agravantes</b>

<span style="font-weight: 400">No entanto, as situações que podem gerar problemas psicológicos nem sempre surgem da relações entre alunos e professores. É comum encontrar casos em que estudantes são afastados de determinados grupos ou se sentem acuados por não se enquadrarem em certos “padrões” da turma. Além disso, a busca incessante por ter as melhores notas pode dificultar o relacionamento e acirrar a competitividade entre os colegas. Martha Noal afirma que é preciso acabar com a ideia de seleção natural. “Acreditamos que o bom aluno será um bom profissional, e não necessariamente vai ser assim”, reforça a psiquiatra.</span>

<span style="font-weight: 400">Ademais, as tensões no ambiente acadêmico podem ser motivadas por algum tipo de discriminação ou preconceito. A cientista social Rosana Pinheiro-Machado traz um dado interessante: enquanto a segmentação por gênero atinge homens cis em 31% e mulheres cis em 41%, na população transgênero o percentual sobe para 57% na academia. A pesquisadora salienta que, além do gênero, as vítimas da opressão têm sotaque e classe social. Neste universo, entram também questões raciais.</span>

<span style="font-weight: 400">Em 2017, Elisandro Ferreira, acadêmico do Direito da UFSM, passou por uma situação que nunca havia imaginado que passaria no universo acadêmico: foi julgado pela cor da sua pele. Ao chegar na sala do Diretório Acadêmico do Direito, viu o seu nome e o de uma colega escritos na parede, ao lado de manifestações de cunho racista. Naquele momento, sentiu-se extremamente impotente e, nos dias que seguiram, passou a desconfiar de todos aqueles que o cercavam. A saúde mental de Elisandro foi fortemente abalada e ele chegou a pensar em desistir do curso. Com o apoio emocional de amigos e familiares, permaneceu, e hoje milita ativamente pelo movimento Racismo, Basta!</span>

<span style="font-weight: 400">Para lidar de maneira mais saudável com as tensões do ambiente universitário, a professora Liane Righi orienta que os alunos passem a destacar prioridades, dentro de suas próprias limitações: “Destacar também é dizer: nesta disciplina, nesta área, eu não serei o melhor, isso me interessa menos”. Mas a deterioração da qualidade de vida pode se manifestar de maneiras distintas em cada indivíduo. No senso comum, existe também a ideia de colocar o suicídio como o único “extremo”. No entanto, casos graves de surtos etambém podem ser considerados como “extremos”. Um aumento significativo no sentimento de tristeza, apatia e reflexos em sintomas físicos – falta de vontade de se alimentar ou vontade de comer demais; dormir demais ou ter insônia – podem indicar problemas. Mesmo que não saiba explicar bem o motivo, basta que o estudante não se sinta bem para que busque ajuda.</span>

<span style="font-weight: 400">Esse é também o conselho de Luísa Greff, a doutoranda que abre esta reportagem. Ela, que ao longo de boa parte do tempo acadêmico, teve acompanhamento psicológico, alerta: “A gente quer fugir de dentro da nossa cabeça. E não dá. Não adianta viajar, o problema vai na bagagem. Não adianta beber o fim de semana inteiro, pois na segunda-feira o problema está lá. Como na música de Chico Buarque, ‘inútil dormir que a dor não passa’”.</span>

<em><span style="font-weight: 400"><strong>Reportagem:</strong> Tainara Liesenfeld </span></em>

<em><strong>Diagramação e Lettering: </strong>Juliana Krupahtz</em>

<em><span style="font-weight: 400"><strong>Ilustração:</strong> Deirdre Holanda</span></em>]]></content:encoded>
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