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				<title>UFSM participa de estudo internacional sobre ameaças às terras indígenas na Amazônia</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2026/09/03/ufsm-participa-de-estudo-internacional-sobre-ameacas-as-terras-indigenas-na-amazonia</link>
				<pubDate>Thu, 03 Sep 2026 14:22:16 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[divulga ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Amazônia]]></category>
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		<category><![CDATA[desmatamento]]></category>
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		<category><![CDATA[vale da Javari]]></category>

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						<description><![CDATA[Pesquisa com 66 autores de 57 instituições ao redor do mundo resultou em artigo publicado na Nature Sustainability
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <figure>
										<img width="1024" height="576" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/09/Vale-do-Javari-acervo-pessoal-de-gabriel-de-oliveira-e-erin-koster-1024x576.jpg" alt="Foto colorida horizontal registra uma paisagem de rio e de vegetação da Amazônia. Em primeiro plano, há um pequeno curso de rio marrom com vegetação rasteira à sua margem, cercado por árvores mais frondosas. À direita, um pequeno barco de madeira está na margem do rio. Ao fundo, o curso de água se encontra com o rio, onde também é possível observar outros barcos pequenos de madeira e casas simples. O céu está parcialmente nublado, com a luz do sol atravessando as árvores no canto superior esquerdo da imagem." />											<figcaption>Vale do Javari na Amazônia é a terra de maior concentração mundial de Povos Indígenas voluntariamente isolados</figcaption>
										</figure>
		<p>O artigo “Ameaças Fronteiriças em Espiral na Amazônia Indígena”, publicado em 28 de julho de 2026, na revista Nature Sustainability, teve como um dos autores o estudante de pós-doutorado do Programa de Pós-Graduação em Física da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Alecsander Mergen. </p><p>O pesquisador foi o responsável pelo processamento de imagens via satélite de áreas ao redor da Terra Indígena Vale do Javari, localizada na região oeste do estado do Amazonas. Foram identificados índices de desmatamento a 5, 10, 50, 100 e 200 quilômetros de distância do território mapeado. </p><p>O trabalho ocorreu durante o doutorado sanduíche de Alecsander na <i style="color: #000000;font-size: 1rem">University of South Alabama</i>, entre 1° de junho e 31 de dezembro de 2025. A colaboração surgiu a partir de convite do professor Gabriel de Oliveira, lotado na instituição estadunidense e líder da pesquisa. </p><p>A coleta de dados via satélite foi feita e analisada por Alecsander durante o doutorado na UFSM. Em sua tese, foram identificadas as trocas de dióxido de carbono (CO₂) em áreas de criação de gado com vegetação nativa no Pampa, por meio de imagens de satélite, para desenvolver modelos capazes de monitorá-las em todo o bioma. </p><p>No estágio doutoral, o cientista pôde ampliar o conhecimento sobre sensoriamento remoto na área do Javari, na Amazônia. Para criar modelos específicos para a análise do território brasileiro, também foram feitos estudos no Delta do Rio Mobile-Tensaw, na cidade de Mobile, Alabama. Alecsander considera que aquela região se assemelha com o Vale do Javari, por ser banhada por um grande rio e cercada pela vegetação.</p><p>O Vale do Javari é a terra de maior concentração mundial de Povos Indígenas voluntariamente isolados. Com 8.544.440 hectares, o vale está localizado entre as fronteiras do Brasil, do Peru e da Colômbia. O território ganhou atenção mundial em 2022 após os assassinatos do jornalista estadunidense Dom Phillips e do indigenista brasileiro Bruno Pereira, que expuseram as ameaças de atividades ilegais na região. </p>		
										<figure>
										<img width="1024" height="562" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/09/Grafico-desmatamento-1-1024x562.jpeg" alt="Gráfico de linhas, em cores, apresenta a evolução do desmatamento no Vale do Javari e em áreas de amortecimento localizadas a diferentes distâncias da região, entre 2008 e 2024. O eixo horizontal indica os anos, enquanto o eixo vertical mostra a área desmatada, em quilômetros quadrados, com valores de 0 a 400 km². A legenda identifica o Vale do Javari e as zonas de 5, 10, 50, 100 e 200 quilômetros. A linha referente à Zona 200 km apresenta os maiores valores ao longo de todo o período, com oscilações e crescimento acentuado a partir de 2018. O desmatamento nessa área atinge o pico em 2022, próximo de 380 km², e diminui em 2023 e 2024. A Zona 100 km também registra aumento expressivo a partir de 2018, chegando a cerca de 180 km² em 2022. As zonas de 50, 10 e 5 km apresentam valores menores, embora também tenham aumento do desmatamento a partir de 2018. O Vale do Javari permanece entre as áreas com menores valores de desmatamento no período." />											<figcaption>Desmatamento anual em quilômetros quadrados na Terra Indígena Vale do Javari e zonas de amortecimento </figcaption>
										</figure>
		<h3><b>Desmatamento, violência e extração de recursos ilegais</b></h3>
<p>A zona de amortecimento do Vale do Javari, uma faixa de 200 quilômetros ao redor da terra indígena e considerada uma área de proteção,&nbsp;foi analisada via satélite para que fosse possível identificar a situação do desmatamento na região. Os resultados do estudo mostraram que, quanto mais distante da Terra Indígena, maiores são os índices de desmatamento. “Isso mostra o quão importante é preservar essas áreas indígenas e o poder de preservação que elas exercem na área amazônica”, destacou o pesquisador Alecsander Mergen, do PPG em Física.&nbsp;</p>
<p>O estudo ainda mostra que, desde 2008, a devastação ambiental vem crescendo no Vale do Javari. Entre 2017 e 2022, o desmatamento aumentou de forma exponencial. Em 2022, a perda florestal no entorno foi 187,5 vezes maior do que na própria Terra Indígena. São várias as causas para esse resultado. O pesquisador aponta o fator agrícola na Amazônia como um dos responsáveis.&nbsp;</p>
<p>Além disso, o narcotráfico, a caça e a pesca ilegais são as principais causas das invasões e ameaças diretas à Terra Indígena. A vulnerabilidade ocorre pela localização fronteiriça do território. Alecsander sugere que, principalmente nas áreas mais remotas, devem ser aumentadas as políticas públicas de fiscalização.&nbsp;</p>
<p>No Vale do Javari, cinco povos indígenas mantêm contato com a sociedade em redor: os Marubo, Mayoruna, Matis, Kanamari e Kulina. Dois grupos têm contato recente: os Korubo e Tsohóm-Djapá. E, pelo menos, 14 grupos vivem em isolamento voluntário.</p>
<h3><b>Ciência de alta qualidade</b></h3>
<p>Antes de voltar ao Brasil, o cientista participou da Reunião Anual de 2025 da<i> American Geophysical Union </i>(AGU) em Nova Orleans, Louisiana. O encontro é considerado o maior do mundo na área de biogeociências. “A UFSM tem esse <i>know-how</i> muito grande de conseguir contatos e de ter esse poder científico. Todo mundo conhece a Universidade de Santa Maria, então isso abre muito as portas”, relatou.&nbsp;</p>
<p>Além de estudar as ameaças fronteiriças na Amazônia a partir de dados via satélite, o trabalho de Alecsander na <i>University of South Alabama</i> resultou na instalação de torres de fluxo para monitorar a emissão de gases decorrente do efeito estufa. Após a experiência, surgiu a oportunidade de uma parceria com o <a href="https://mamiraua.org.br/noticias/torre-fluxo/">Instituto Mamirauá</a> para a implantação de uma torre de fluxo em uma área de preservação ambiental na Amazônia.&nbsp;</p>
<p>O líder da pesquisa, o professor Gabriel de Oliveira, ainda o chamou para seguir com o pós-doutorado nos Estados Unidos. No entanto, com já havia recebido o convite do Laboratório de Gases de Efeito Estufa (LABGEE), Alecsander decidiu permanecer na UFSM. O pesquisador avalia a relevância da experiência no exterior para a busca de conhecimento, mas, observa, a importância de contrtibuir com a evoluição a pesquisa brasileira e mostrar para o mundo a ciência de alta qualidade feita no país.&nbsp;</p>
<p>A professora do PPG em Física da UFSM, Débora Roberti, ressalta que, quando os estudantes retornam à UFSM, trazem conhecimento para os grupos de pesquisa e contribuem para a formação de outros colegas. "O benefício dos alunos saírem para esse período no exterior não fica restrito a eles. Eles também trazem esse retorno científico e institucional para a Universidade", avalia. A professora lembra, ainda, que PPG participa do Capes Global, iniciativa que fomenta redes de cooperação internacional entre instituições brasileiras de ensino superior com diferentes graus de internacionalização.&nbsp;</p>
<p>O artigo “Ameaças Fronteiriças em Espiral na Amazônia Indígena” pode ser acessado na revista <a href="http://google.com/url?q=https://www.nature.com/articles/s41893-026-01874-z&amp;sa=D&amp;source=docs&amp;ust=1788445021520054&amp;usg=AOvVaw14hWCy4oRv-EOWW_wjvNcC">Nature Sustainability.</a></p>
<p><i><strong>Texto</strong>: Nicolle Seixas, estudante de Jornalismo e voluntária da Agência de Notícias.</i></p>
<p><i><b>Foto</b>:&nbsp;</i><i style="font-size: 16px">Acervo pessoal /&nbsp;</i><i style="font-size: 16px">Gabriel de Oliveira / Erin Koster</i></p>
<p><i style="font-size: 1rem"><strong>Gráfico:&nbsp;</strong></i>Alecsander Mergen / Gabriel de Oliveira / Erin Koster</p><p><i style="font-size: 1rem"><strong>Edição</strong>: Maurício Dias, jornalista</i></p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Arco Entrevista Alencar Zanon, um dos autores de estudo sobre produção de soja e redução de desmatamento no Brasil</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/arco-entrevista-alencar-zanon-um-dos-autores-de-estudo-sobre-producao-de-soja-e-reducao-de-desmatamento-no-brasil</link>
				<pubDate>Mon, 24 Oct 2022 14:24:45 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[arco entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Alencar Zanon]]></category>
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		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
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						<description><![CDATA[Estudo publicado na Nature Sustainability alia aumento de produção agrícola à preservação ambiental]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Maximizar o lucro do produtor rural com o mínimo impacto ambiental é um dos objetivos da Equipe FieldCrops e de seu coordenador, o professor Alencar Zanon, do Centro de Ciências Rurais (CCR) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Desde 2017, dada a sua experiência na área, o docente aliou-se a uma rede de pesquisa interuniversidades, o projeto <b><i><u><a href="http://www.yieldgap.org">Global Yield Gap and Water Productivity Atlas</a> </u></i></b>. Em 10 de outubro, a parceria resultou na publicação do artigo <a href="https://www.nature.com/articles/s41893-022-00968-8" target="_blank" rel="noopener"><b><u>“Protecting the Amazon forest and reducing global warming via agricultural intensification"</u></b></a> (Protegendo a floresta amazônica e reduzindo o aquecimento global por meio da intensificação agrícola, em português) na renomada revista Nature Sustainability. </p><p><br />O feito é oriundo do trabalho de universidades e instituições de pesquisa brasileiras (UFSM, Universidade de São Paulo, Universidade Federal de Goiás, Embrapa Arroz e Feijão), argentinas (Universidad de Buenos Aires e Conicet) e norte-americana (University of Nebraska).</p>		
												<img width="1024" height="712" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/10/Capa_soja-1024x712.png" alt="Descrição da imagem: Fotografia horizontal e colorida em tons de verde. No centro, um homem de pele branca está agachado em meio a uma plantação de soja. Ele usa boné branco com aba verde, veste camiseta verde clara e calça jeans azul escura. As plantas de soja estão em tamanho médio, e tem cor verde claro. A plantação se estende até o horizonte, onde encontra algumas árvores verde escuras e o céu azul claro." loading="lazy" />														
		<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">O estudo aponta uma alternativa para a questão, outrora antagônica, entre produção agrícola e preservação ambiental: a intensificação. Isto é, por meio de pesquisas e políticas públicas, pode-se aumentar a produtividade de uma lavoura, sem precisar avançar em novos territórios. Assim, os pesquisadores detém-se à soja, principal nome da exportação brasileira, e ao bioma Cerrado. Com isso, o Brasil poderia aumentar a produção anual do grão em 36% até 2035 e, ainda, reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 58%. </p><p> </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Além disso, o artigo lembra que a expansão da soja na Amazônia equivale a um terço das terras convertidas para tal finalidade no Brasil entre 2015 e 2019. Dessa forma, os autores das universidades e institutos em pesquisa presentes na publicação querem evitar que se cumpra a previsão de que o Brasil usará 57 milhões de hectares para a produção de soja nos próximos 15 anos, com um quarto da produção em terras ambientalmente frágeis. A Revista Arco conversou com o professor Alencar Zanon para entender mais sobre o assunto:</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">ARCO: O estudo afirma que o Brasil fez progressos notáveis no fomento da produção agrícola nos últimos 50 anos, tornando-se um grande país exportador de soja, milho e carne bovina. No entanto, grande parte do aumento da produção agrícola ocorreu devido à expansão das terras agrícolas e não à produtividade delas. O que fez com que esta última não fosse realizada?  </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Alencar: O que acontece no Brasil, como um país em desenvolvimento, é que temos muitas áreas que são aptas para a agricultura. Por conta  dessa aptidão agrícola do nosso país, é natural que os produtores busquem expandir novas fronteiras. Em virtude do espírito empreendedor, da coragem que o produtor tem em semear em novas áreas, e também pela aptidão do nosso solo e clima, é que nós tivemos essa expansão, transformando o Brasil de um produtor incipiente de soja ao maior produtor mundial. Então, eu resumo em: solos aptos para a agricultura e um bom clima, os quais permitem que cultivemos hoje mais de 40 milhões de hectares de soja com sustentabilidade.  </p><p><b style="font-weight: normal"> </b></p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">ARCO: Nesses 50 anos de avanços, não foi investido em produtividade de terras? </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Alencar: Na verdade, foi. Nós tivemos grandes revoluções que permitiram o aumento de produtividade nas áreas, só que a área cultivada era pequena. Sendo assim, quando comparamos o aumento de produtividade com o aumento da área cultivada, isso faz com que os maiores aumentos na produção total venham de novas áreas. Se formos analisar, quando a soja ganhou um espaço grande como cultura agrícola no Brasil, a produtividade era de 1,5 mil quilos de soja por hectare. Hoje, a produtividade é de 3 mil quilos de soja por hectare. A produtividade aumentou em 100%. Mas, se olharmos no cenário geral, como houve expansão de 20 milhões de hectares, nos anos 2000, para 42,5 milhões de hectares em 2022, a maior parte da produção vem dessas áreas novas. </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">ARCO: O que o artigo sugere, então, é que, mesmo com a grande produtividade que temos até agora, é preciso aumentá-la nas terras já existentes, em vez de avançar para novas áreas?<br />Alencar: No artigo, dissemos que há uma oportunidade de aumentar a produtividade na atual área agricultável sem precisar adentrar novas áreas. Em outras palavras, comparando o Brasil com outros dos maiores produtores de soja no mundo - Estados Unidos e Argentina - somos o país que mais pode aumentar sua produtividade por hectare. Esse é o grande lance do Brasil, diferente dos países mencionados, que têm uma margem muito pequena para aumentar a produtividade, nós temos uma margem considerável para produzir mais na mesma área, sem a necessidade de expandir para novos espaços. Por mais que nossa produtividade seja boa, podemos melhorar. É isso que o artigo cita como Rendimento Explorável. Nos biomas Pampa e Mata Atlântica, essa oportunidade é pequena. Já no Cerrado, há uma margem grande. Para aumentar a produtividade da soja no Brasil, com sustentabilidade, devemos focar no Cerrado.</p><p><b style="font-weight: normal"> </b></p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">ARCO: Como é possível analisar o cenário da produção agrícola no Brasil?</p><p>Alencar: Chamamos de BAU ou business-as-usual, (tendência atual, em português) o cenário do que aconteceu nos últimos 15 anos e projeta para o futuro a mesma tendência. É como se continuássemos fazendo o que estamos fazendo agora. Isto é, produtividade e expansão de áreas. Então, ele é muito perigoso, porque vai acarretar em um desmatamento muito grande. Não queremos esse cenário. Já no cenário no cropland expansion (sem expansão de terras agrícolas, em português) ou NCE somente o mesmo ganho de produtividade é mantido, porém, não há expansão às novas áreas. Nesta perspectiva, há pouco ganho econômico, comparado com a tendência de produção atual de soja.<br /> Por fim, nós propomos o terceiro, o cenário intensification , INT, (intensificação, em português) de melhores práticas de manejo nas lavouras de soja. Nele, reduz-se o impacto negativo da conversão de novas áreas para a produção desse grão. Assim, assume-se que os produtores aumentarão sua produtividade, ficando próximos de produzir os valores da máxima lucratividade. Esse cenário seria o ideal. Mas, para isso acontecer, precisa haver um investimento muito grande em pesquisa, desenvolvimento e políticas públicas. Isso seria espetacular se ocorresse, porque continuaríamos a produzir grandes quantidades de soja, cuja produção cresceria até 2035, porém, reduzindo drasticamente o impacto ambiental. Ou seja, produziríamos com sustentabilidade. Para que isso seja possível, dependemos de investimentos altos oriundos dos setores público e privado em pesquisa e desenvolvimento, principalmente a nível de lavouras de produtores. <br /></p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">ARCO: Você afirma que, para ser eficaz, a intensificação exigiria políticas e fiscalização adequadas. Quais políticas e práticas são essas?</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Alencar: Seriam editais em que haveria um investimento muito grande de recursos financeiros. Também deve ser onde nós, universidades, e os demais institutos de pesquisa, pudéssemos aplicar e usar esses recursos para mostrar para os produtores como aumentar a produtividade da soja por meio da intensificação diretamente em suas lavouras.  É isso que precisamos: focar recursos para que instituições públicas e privadas se habilitem a ir nas lavouras mostrar ao produtor como ele deve proceder para produzir na mesma área, sendo sustentável. </p><p> </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">ARCO: Aplicando as práticas que são propostas pelo artigo, em quanto tempo os resultados poderão ser vistos?</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Alencar: Em 15 anos, os resultados serão fantásticos, se conseguirmos aplicar as práticas. Isso significa que produziremos 162 milhões de toneladas de soja, sem desflorestar e reduzindo o aquecimento global em 58%.<br /></p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">ARCO: É possível citar exemplos de ações que já ocorrem nesta perspectiva?</p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Alencar: Devemos intensificar as ações que são feitas em lavouras de produtores. Aqui na UFSM, há a Equipe FieldCrops, que faz justamente isso, pesquisa On Farm e On Demand. Isto é, fazemos pesquisas de acordo com a necessidade do produtor dentro de sua própria lavoura. Logo, isso é um exemplo prático de como podemos aumentar a produção de forma sustentável. Além disso, são práticas muito simples de serem implementadas, inclusive por quem já tem um negócio consolidado, pois estamos falando da melhoria da época de semeadura, colocar a quantidade correta de adubação, colocar a cultivar certa. Então são práticas relativamente simples e que podem ser utilizadas em todos os tipos de lavouras. Temos trabalhos em lavouras desde Nova Palma, onde o produtor tem 15 hectares, até produtores grandes de 8 mil hectares no Maranhão.  </p><p>ARCO: O artigo destaca a preocupação com a preservação ambiental ao mesmo tempo em que aponta para a necessidade de utilizar os commodities como respaldo econômico. De que forma é possível equilibrar essas duas perspectivas?</p><p>Alencar: É preciso intensificar a quantidade de pesquisas realizadas dentro da lavoura e permitir que os produtores tomem decisões de práticas de manejo com base nos dados gerados dentro de suas lavouras. <br />Há um outro estudo que demonstra isso, o artigo “<a href="https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0308521X22000701?via%3Dihub" target="_blank" rel="noopener"><i><u><b>Field validation of a farmer supplied data approach to close soybean yield gaps in the US North Central region</b></u></i></a><a href="https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0308521X22000701?via%3Dihub">”</a> (Validação em lavouras com base em uma abordagem de dados de produtores para diminuir a lacuna de produtividade na região Centro-Norte dos Estados Unidos, em português), realizado nos Estados Unidos. Foi usada a mesma metodologia do nosso trabalho e provou-se que, fazendo pesquisa On Farm e gerando dados, em 80% das vezes foi possível aumentar a produtividade e a lucratividade das lavouras. Essa é a forma como conseguimos conciliar o aumento da produtividade, do ganho econômico, com a redução do impacto ambiental. </p><p> </p><p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">ARCO: Como funciona a rede de pesquisadores que está envolvida na pesquisa e como se chegou à proposta do artigo e seu olhar ao Brasil?</p><p>Alencar:  Fazemos parte de um projeto global que já está presente em 75 países. É o Global Yield Gap Atlas (Gyga). Trata-se do maior projeto da atualidade de segurança alimentar a nível global. Ele engloba 15 culturas agrícolas. É um projeto liderado pela Universidade de Wageningen, na Holanda, e a Universidade de Nebraska, nos EUA, com a participação de diferentes universidades no mundo inteiro, como a UFSM. Nós já tínhamos essa hipótese, de que o Brasil consegue manter o desenvolvimento econômico preservando os recursos naturais. Com a pesquisa, pudemos demonstrar isso através do estudo publicado. Isso se pode fazer através da intensificação dos cultivos.<br /></p><p><strong><em>Expediente:</em></strong></p><p><em><strong>Entrevista:</strong> Gabrielle Pillon, acadêmica de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias;</em></p><p><em><strong>Design gráfico:</strong> Cristielle Luise, acadêmica de Desenho Industrial e bolsista;</em></p><p><em><strong>Mídia social:</strong> Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Nathália Brum, acadêmica de Jornalismo e estagiária; e Gabriel Escobar, acadêmico de Jornalismo e bolsista;</em></p><p><em><strong>Edição de Produção:</strong> Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista;</em></p><p><em><strong>Edição geral:</strong> Luciane Treulieb e Mariana Henriques, jornalistas.</em></p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Arco no Fone discute a relação entre degradação ambiental e negligência</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/arco-no-fone-discute-a-relacao-entre-degradacao-ambiental-e-negligencia</link>
				<pubDate>Fri, 09 Apr 2021 13:39:41 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Arco afora]]></category>
		<category><![CDATA[ambiente degradado]]></category>
		<category><![CDATA[arco no fone]]></category>
		<category><![CDATA[desmatamento]]></category>
		<category><![CDATA[negligência ambiental]]></category>
		<category><![CDATA[podcast]]></category>
		<category><![CDATA[queimadas]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/arco/?p=6523</guid>
						<description><![CDATA[Quatro principais biomas brasileiros sofrem com uma série de degradações, como desmatamento, queimadas e derramamento de minério. Ao mesmo tempo órgãos de fiscalização passam por momento retração.]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:image {"align":"center","id":6473,"sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image aligncenter size-large"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/03/podcast.jpg" alt="" class="wp-image-6473" /></figure>
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<p><span style="font-weight: 400">O podcast Arco no Fone desta quinzena discute como a negligência em relação à legislação ambiental brasileira contribui para a degradação dos biomas. Os órgãos ambientais, como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), sofrem diversos cortes desde o primeiro ano do governo Bolsonaro, em 2019.&nbsp;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Em setembro de 2020 as queimadas no Pantanal alcançaram seus recordes, como mostramos na série Pantanal em Chamas. Ademais, os problemas ambientais atingem todos os principais biomas brasileiros, Pantanal, Amazônia, Mata Atlântica e Cerrado. E o que o governo federal fez para reverter a situação?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Para discutirmos sobre o cenário ambiental atual, convidamos para o episódio os professores Ana Paula Rovedder, do Departamento de Ciências Florestais da UFSM e Jerônimo Siqueira Tybusch, do Departamento de Direito da UFSM. Ana Paula possui mestrado e doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em Engenharia Florestal e Engenharia Agrícola, ambos da UFSM, e coordena o Núcleo de Estudos e Pesquisas de Recuperação de Áreas Degradadas. Jerônimo é Pró-Reitor de Graduação da UFSM, possui doutorado em Ciências Humanas pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e é líder do Grupo de Pesquisa em Direito da Sociobiodiversidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">As responsáveis pelo roteiro, entrevistas e apresentação foram as estudantes Eduarda Paz e Alice Santos, do curso de Jornalismo. Por conta da pandemia, tudo foi gravado de maneira remota. A montagem e sonoplastia é de Rodrigo Santiago, do Núcleo de Rádio da UFSM. A marca do podcast é de Marcele Reis, acadêmica de Publicidade e Propaganda. As peças de divulgação são de Amanda Pinho, aluna do curso de Produção Editorial. Os posts nas redes sociais são de Nathalia Pitol, estudante de Relações Públicas. A supervisão é do jornalista Maurício Dias.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
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				<title>Arco entrevista ecólogo Murilo de Mello</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/entrevista-murilo-mello</link>
				<pubDate>Wed, 03 Feb 2021 21:39:26 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[arco entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[agricultura]]></category>
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						<description><![CDATA[Líder de projetos da Itapoty e membro do projeto Gigante Guarani conta mais sobre a iniciativa e quais as perspectivas]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <img width="1024" height="668" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2021/02/revista-arco-gigante-guarani-1024x668.png" alt="" loading="lazy" />											
		<h2><strong><i>Líder de projetos da Itapoty e membro do Gigante Guarani conta sobre as propostas e as perspectivas do programa</i></strong></h2><p>“Quem planta por cima, protege por baixo”: esse é um dos lemas do programa <a href="https://giganteguarani.org.br/" target="_blank" rel="noopener">Gigante Guarani</a>, que atua nas áreas das <em>Cuestas Basalticas</em> e no interflúvio dos rios Tietê e Paranapanema, no estado de São Paulo. A iniciativa - que foi elaborada em 2008 pela Rede de ONGs do Ecótono da Cuesta em parceria com a Faculdade de Ciências Agrônomas  e o Instituto de Biociências da Universidade Estadual de São Paulo - conta com apoio de diversas ONGs e instituições, de maneira que se integra em <b>projetos de reflorestamento, educação de agricultores familiares em práticas agroecológicas e conscientização ambiental</b>.</p>
<p>O projeto atual busca promover a restauração de 200 hectares da Mata Atlântica. Entre os espaços que o Programa tem recuperado estão pontos de recarga do Aquífero Guarani, considerado um dos maiores reservatórios de água subterrânea do planeta, com 1.200.000 km² – equivalente a quase 5 vezes o estado de São Paulo. O manancial, que abrange em maior parte o Brasil - mas também a Argentina, o Uruguai e o Paraguai - foi considerado sobre-explorado em 2014 por uma<a href="https://sealevel.nasa.gov/publications/4407/quantifying-renewable-groundwater-stress-with-grace/" target="_blank" rel="noopener"> publicação</a> da NASA que media, a partir de satélites, as mudanças em relação ao tamanho dos aquíferos.</p>
<p>Além disso, o reservatório está ameaçado pela pecuária extensiva e, principalmente, pela agricultura convencional, com a consequente infiltração de substâncias tóxicas na água. Assim, associado ao projeto também está o desenvolvimento de uma produção agroecológica em Áreas de Proteção Permanente, que são protegidas com a função de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o solo e o bem-estar de populações humanas.</p>
<p>A revista Arco conversou com Murilo Gambato de Mello, graduado pelo curso de Ecologia da UNESP, líder de projetos da Itapoty e mobilizador no Gigante Guarani para conhecer mais sobre o seu funcionamento e quais as perspectivas para o futuro. A ONG Gigante Guarani foi uma das convidadas do <a href="https://www.ufsm.br/pro-reitorias/pre/eventos/i-forum-primavera-da-articulacao-floresta-viva-informar-e-reflorestar/" target="_blank" rel="noopener">1° Fórum Primavera da Articulação Floresta Viva: (In)Formar e Reflorestar,</a> organizado pela UFSM.</p><p><b>ARCO - Ainda que já houvesse um trabalho histórico de entidades ambientalistas na região, o Programa Gigante Guarani foi elaborado a partir da criação da Rede de ONGs do Ecótono da Cuesta. Como foi esse processo do surgimento do programa e quais aspectos foram levados em consideração no seu planejamento?</b></p><p><b>Murilo de Mello</b> - O Programa Gigante Guarani surgiu da necessidade de ampliar a sinergia entre as ações já desenvolvidas pelas ONGs no Ecótono da Cuesta, bem como de propiciar e valorizar a parceria com a UNESP e com as prefeituras da região, possibilitando atrair e captar recursos financeiros em escala maior, recursos estes extremamente necessários para executar os trabalhos de campo. Os principais aspectos que fundamentaram a concepção deste programa foram as linhas de atuação das ONGs envolvidas; as demandas socioambientais mais relevantes na região - levantadas através de mapeamentos do uso do solo, inventários de biodiversidade e diagnósticos participativos- ; políticas públicas; e interfaces com as linhas de pesquisas dos laboratórios da UNESP parceiros do programa.</p><p> </p><p><b>ARCO - No seu ponto de vista, qual a importância da pluralidade de organizações na criação e no desenvolvimento do projeto?</b></p><p><b>Murilo de Mello - </b>A pluralidade de organizações garante além de um “olhar mais aguçado” e sistêmico para o território onde o projeto está sendo desenvolvido, uma forma mais eficiente de atuação, pois cada instituição possui sua expertise e uma equipe capacitada para tal. Essa pluralidade também permite uma articulação institucional mais fortalecida, o que representa um ganho em termos de sinergia e troca de conhecimentos práticos.</p><p> </p><p><b>ARCO - Um dos objetivos nesta fase é promover a restauração de 200 hectares da Mata Atlântica, junto com uma produção agroecológica. Como essas ações se relacionam com a preservação do Aquífero Guarani?</b></p><p><b>Murilo de Mello -</b> O programa tem como foco principal desenvolver ações ecológicas sobre áreas de recarga do Aquífero Guarani, essas áreas de recarga compreendem partes do território onde as rochas areníticas - que contém o referido aquífero - estão próximas da superfície, possibilitando assim que a água das chuvas infiltre no solo e nas rochas, abastecendo o aquífero. Portanto, restaurar o máximo possível das matas nativas, adotar práticas eficientes de conservação do solo que favoreçam a infiltração de água e utilizar métodos de produção agrícola mais ecológicos - que utilizem menos produtos químicos - são fundamentais para a manutenção e proteção deste gigante aquífero.</p><p> </p><p><b>ARCO - Entre as metodologias do programa estão práticas agroecológicas, o planejamento de paisagens sustentáveis, o fortalecimento da cadeia de restauração ecológica e geração de tecnologia. Pode explicar um pouco mais sobre como cada uma dessas atividades são aplicadas?</b></p><p><b>Murilo de Mello -</b> As atividades citadas são desenvolvidas preferencialmente de forma integrada ao longo dos anos, e também através de projetos específicos. Explicando, cada uma destas atividades depende de financiamento (captação de recursos) para que aconteçam no campo, desta forma, sempre buscamos captar recursos que possibilitem a integração destas frentes de atuação.</p><p>Em termos práticos, para a realização de uma etapa do programa, inicia-se com uma ação de planejamento da paisagem, que envolve o mapeamento do uso do solo em uma determinada região concomitante com a mobilização e sensibilização dos/as proprietários/as rurais e do poder público local. Nesta fase, define-se as áreas prioritárias a serem restauradas, as metodologias a serem utilizadas, as vocações e as possibilidades para adoção de práticas agroecológicas na produção. Nas propriedades rurais que aderem ao projeto, são realizados mapeamentos mais detalhados do uso do solo, e o planejamento para a restauração da vegetação nativa. Junto a isso, são passadas informações sobre práticas agroecológicas que podem ser implantadas e os benefícios destas. Áreas demonstrativas de sistemas agroflorestais (SAF) também são implantadas em algumas propriedades rurais.</p><p>Projetos específicos para o desenvolvimento da agroecologia na região são realizados a partir destes mapeamentos e diagnósticos de campo, voltados principalmente para a agricultura familiar e assentamentos rurais. Quanto ao fortalecimento da cadeia de restauração, as ações inicialmente desenvolvidas objetivam mapear e identificar matrizes de árvores nativas da região, para a coleta de sementes, apoiar na estruturação de viveiros públicos (UNESP e CEDEPAR), capacitar mão de obra, e aumentar a demanda para os trabalhos de restauração da vegetação nativa na região. </p><p>A geração de tecnologia acontece através de pesquisas científicas, visando aprimorar as técnicas de restauração utilizadas para cada tipo de solo, e testando o método de restauração a partir de “chuva de sementes” - chamado de “muvuca”.</p><p> </p><p><b>ARCO - Outro objetivo interessante do Gigante Guarani é a mobilização social através da divulgação. Como isso é desenvolvido através das redes sociais e, na sua perspectiva, qual a importância desse processo para uma sustentabilidade de longo prazo?</b></p><p><b>Murilo de Mello -</b> A comunicação e a mobilização social foram incluídas como um dos objetivos desta fase com o intuito de reforçar para a sociedade em geral sobre a urgente necessidade do engajamento dos diversos setores na efetivação de ações em larga escala de restauração e preservação da vegetação nativa. Para tal, foi criado um site específico para divulgação do projeto, e dentro deste site existe um mecanismo para que qualquer pessoa ou empresa possa fazer doações para a restauração de áreas, bem como, proprietários/as rurais podem cadastrar suas áreas a serem restauradas pelo projeto.</p><p>Cabe ressaltar que o Gigante Guarani foi motivo de <a href="https://globoplay.globo.com/v/8835092/" target="_blank" rel="noopener">reportagem especial</a> do Globo Rural no ano de 2020. Todo esse esforço de divulgação, tem como finalidade, além de sensibilizar a sociedade para a questão ambiental e ajudar a manter a esperança em um mundo melhor, de atrair novos parceiros e financiadores que permitam a continuidade e a ampliação das ações no médio e no longo prazo.</p><p> </p><p><b>ARCO - Além de contar com o apoio do BNDES para a reflorestação, o projeto recebeu financiamentos do Ministério do Meio Ambiente ao longo dos anos. Qual a importância do poder público para o desenvolvimento do projeto e como você avalia o contexto atual nesse sentido?</b></p><p><b>Murilo de Mello -</b> O poder público é sempre um parceiro importante e fundamental, pois essa parceria ocorre nas 3 esferas: municipal (prefeituras), estadual (universidades e instituições de pesquisa e extensão rural), e federal (financiador). Facilitando e apoiando o desenvolvimento das ações em campo, gerando conhecimentos e também fomentando diálogos para a elaboração de políticas públicas municipais, regionais e estaduais, ampliando assim os resultados do projeto.</p><p>Em relação ao contexto atual, vemos transtornados o descaso do governo federal em relação à questão ambiental e às instituições federais envolvidas diretamente com essa agenda, dificultando o desenvolvimento de algumas atividades que dependem da articulação com instituições federais e da captação de recursos financeiros atrelados a estas. Por outro lado, o apoio proveniente dos municípios e das instituições estaduais se manteve o mesmo, mostrando o que já sabemos há tempos: da importância do engajamento e do fortalecimento dos municípios e de suas políticas públicas na manutenção e na ampliação de uma agenda ambiental positiva.</p><p> </p><p><b>ARCO - Quais são os principais desafios atualmente para o Gigante Guarani e qual a perspectiva para o futuro do programa?</b></p><p><b>Murilo de Mello - </b>Temos um desafio prático, que é o de garantir a boa manutenção das áreas onde foram plantadas mudas das árvores nativas, manutenção esta que requer um monitoramento constante (mensal), e a disponibilidade de recursos financeiros para “cuidar dos plantios”, o que exige também o apoio constante dos/as proprietários/as rurais.</p><p>Outro desafio é ampliar as fontes de captação dos recursos financeiros, recursos esses indispensáveis para a realização com sucesso das atividades de restauração da vegetação nativa, conservação do solo, mobilização social, transição agroecológica e fortalecimento de políticas públicas. Pelo fato do programa ter como foco as áreas de recarga do Aquífero Guarani, as perspectivas para o futuro são ao mesmo tempo otimistas - por conta da causa envolvida (água potável para milhões de pessoas) - e muito desafiadoras - por conta da extensão da área da recarga e da necessidade do engajamento “pra valer” de todos os setores da sociedade, engajamento esse que reflita em ações duradouras, e estas requerem o investimento constante de recursos financeiros em larga escala.</p><p>O sonho coletivo é que o programa evolua e transforme-se na Agência Guardiã da Recarga do Aquífero Guarani, composto por uma gestão tripartite: poder público, ONGs e setor privado. E que administre um “fundo financeiro abundante”, alimentado anualmente por recursos provenientes do setor privado e de instituições internacionais. </p><p>*Conheça mais sobre o projeto no <a href="https://giganteguarani.org.br/" target="_blank" rel="noopener">site</a> ou no <a href="https://www.instagram.com/giganteguarani/?hl=pt-br" target="_blank" rel="noopener">Instagram.</a></p><p> </p><p> </p><p><b><i>Expediente</i></b></p><p><b><i>Repórter:</i></b><i> Esther Klein, acadêmica de Jornalismo e bolsista</i></p><p><b><i>Ilustradora:</i></b><i> Julia Dutra, acadêmica de Publicidade e Propaganda e bolsista</i></p><p><b><i>Mídia Social:</i></b><i> Nathália Pitol, acadêmica de Relações Públicas e bolsista</i></p><p><b><i>Editor:</i></b><i> Maurício Dias, jornalista</i></p>]]></content:encoded>
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