<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>		<rss version="2.0"
			xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
			xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
			xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
			xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
			xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
			xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
					>

		<channel>
			<title>UFSM - Feed Customizado RSS</title>
			<atom:link href="https://www.ufsm.br/busca?rss=true&#038;tags=ed31" rel="self" type="application/rss+xml" />
			<link>https://www.ufsm.br</link>
			<description>Universidade Federal de Santa Maria</description>
			<lastBuildDate>Wed, 16 Sep 2026 20:44:54 +0000</lastBuildDate>
			<language>pt-BR</language>
			<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
			<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
			<generator>https://wordpress.org/?v=7.0.2</generator>

<image>
	<url>/app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico</url>
	<title>UFSM</title>
	<link>https://www.ufsm.br</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
						<item>
				<title>Além da bandeira</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2026/07/29/alem-da-bandeira</link>
				<pubDate>Wed, 29 Jul 2026 14:47:01 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[31° Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Perfil]]></category>
		<category><![CDATA[.TXT]]></category>
		<category><![CDATA[ed31]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/?p=4262</guid>
						<description><![CDATA[A Árbitra assistente da FIFA, Maíra Mastella Moreira, conta a sua trajetória dentro e fora de campo. 
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p>Para escutar o áudio da reportagem, clique abaixo:</p><figure><p>[audio mp3="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/07/audio-reportagem-TXT-Maira-Mastella.mp3"][/audio]</p></figure>		
								<figure><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/07/IMG_4940-683x1024.jpg" alt="Foto vertical e colorida de Maíra em um campo de futebol. Posicionada no centro da imagem, Maíra está com expressão sorridente. Ela é uma mulher de pele branca, cabelos castanhos com mechas loiras, presos em um rabo de cavalo. Ela usa brincos de argola pequenos e dourados e tem as unhas vermelhas. Usa casaco verde do tipo esportivo, com zíper na gola e listras brancas, com a palavra FIFA no peito , e calça jeans azul marinho. Maíra está com o braço estendido à frente e segura um par de cartões nas cores amarelo e vermelho fluorescentes. No fundo, um campo de futebol com gramado verde e linha branca de campo, goleira branca, árvores e céu azul." /></figure><figure><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/07/IMG_4933-1024x683.jpg" alt="Foto horizontal e colorida de Maíra sorridente em um campo de futebol. Posicionada no centro da imagem, ela é uma mulher de pele branca, cabelos castanhos com mechas loiras presos em um rabo de cavalo. Usa brincos de argola pequenos e dourados e tem as unhas vermelhas. Ela usa um casaco verde do tipo esportivo, com zíper na gola e listras brancas, com a palavra FIFA e um logotipo da Adidas no peito, além de calça jeans azul marinho. Maíra está com os braços cruzados em frente ao corpo. No fundo, há um campo de futebol com gramado verde e linha branca de campo, goleira branca, árvores e céu azul." /></figure><figure><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/07/IMG_4826-1024x683.jpg" alt="Foto horizontal e colorida de Ricardo Clausen, Luis Corpis e Maíra em uma arquibancada. Os três conversam e estão sentados lado a lado. À esquerda, Ricardo é um jovem de pele parda, com cabelos castanhos escuros, curtos, cacheados, laterais raspadas, topo mais alto e barba da mesma cor. Ele usa óculos de armação preta.Veste blusa de mangas compridas e calças pretas. Os braços estão cruzados e segura um celular conectado a um cabo branco na mão esquerda. Seu olhar está direcionado à Maíra. Ao centro, Luis é um jovem de pele negra, cabelos pretos, curtos e crespos, barba e bigode da mesma cor. Ele veste blusa preta com duas faixas horizontais na altura do peito, nas cores vinho e branco, além de uma calça preta. A mão esquerda está próxima ao rosto, apoiada na região do queixo, enquanto a direita segura um celular. Seu olhar também está direcionado à Maíra. À direita, Maíra é uma mulher de pele branca, cabelos castanhos com mechas loiras presos em um rabo de cavalo. Ela usa pequenos brincos dourados. Veste uma blusa esportiva verde de mangas compridas, com detalhes em cinza e listras nos ombros. Na região do peito está escrito “FIFA” em letras brancas, acompanhado de um logotipo branco da Adidas no lado oposto. As mãos estão elevadas à frente do corpo, com os dedos levemente abertos. Ela usa anéis, tem as unhas pintadas de vermelho e usa um relógio de pulseira preta no pulso esquerdo. Na parte inferior, veste uma calça jeans azul escuro e tênis brancos, e está sentada com as pernas cruzadas e o corpo levemente inclinado em direção aos dois jovens. No fundo da imagem, aparecem as estruturas de uma arquibancada de concreto, com degraus em tons de cinza, algumas pichações nas paredes e uma área de tijolos aparentes à esquerda. A iluminação é natural e clara." /></figure>			
		<p>Natural de Cruz Alta, no interior do Rio Grande do Sul, Maíra Mastella Moreira transformou em carreira a relação com o esporte presente desde a infância, em uma trajetória marcada pela disciplina e pela superação.  A árbitra FIFA desde 2024, já atuou em alguns dos principais gramados do futebol brasileiro, como Maracanã, Mineirão, Beira-Rio e Arena do Grêmio. Entre viagens, treinamentos e decisões tomadas em frações de segundo, a assistente construiu espaço em um ambiente historicamente masculino.</p><p> Desde os primeiros anos escolares, o esporte ocupou um espaço central na rotina da árbitra. Quando criança, jogava futebol ao lado dos meninos da turma. “Joguei até a sexta série, aí começa a ter uma disparidade física. Foi onde senti que não dava mais para jogar com os meninos”, relembra. Naquele momento, o crescimento de equipes femininas na região permitiu que ela seguisse ligada ao futebol em novos contextos. Antes da arbitragem surgir como possibilidade profissional, Maíra transitou por diferentes modalidades. Jogou tênis, basquete e futsal, e construiu uma relação contínua com o exercício físico. </p><p> Aos 17 anos, ingressou na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), onde iniciou a formação acadêmica. Integrante da segunda turma do ano de 2010 do curso de Educação Física Bacharelado, Maíra afirma que guarda boas lembranças da Universidade, teve bons professores e reconhece a importância da UFSM em seu desenvolvimento. Conciliou estudos, estágios e a permanência nas equipes esportivas da instituição. Os estágios nas academias em Santa Maria contribuíram para consolidar o olhar sobre a profissão em que começava a se formar. Naquele momento, porém, a arbitragem não ocupava um lugar definitivo nos planos.</p><p> </p><h3><b>O CAMINHO ATÉ A ARBITRAGEM</b></h3><p>Assim que ingressou na graduação, Maíra imaginava seguir carreira ligada ao treinamento físico. Em determinado momento da faculdade, chegou a planejar um intercâmbio nos Estados Unidos, para buscar formas de permanecer no universo esportivo. Foi a partir do Laboratório de Cenários Esportivos na Mídia (LACEM), vinculado à Universidade, que a arbitragem ganhou contornos mais concretos. Muito antes de a presença feminina no futebol se tornar pauta frequente nos meios de comunicação, algumas árbitras já ocupavam espaço nos gramados brasileiros. Nomes como Sílvia Regina, Ana Paula Oliveira e Aline Lambert ganharam destaque ao exercer uma função tradicionalmente masculina, contribuindo para mudanças significativas na percepção do papel das mulheres no esporte, tema que Maíra desenvolveu posteriormente em seu artigo acadêmico.</p><p>  À medida que aprofundava a pesquisa sobre a presença feminina no cenário esportivo, Maíra passou a enxergar no futebol uma possibilidade real de atuação profissional. Em 2013,durante a graduação, realizou o curso de arbitragem e iniciou uma trajetória que rapidamente exigiu mudanças profundas na rotina. Ainda jovem, adaptou-se aos deslocamentos constantes até Porto Alegre, onde realizava parte da preparação necessária para ingressar no quadro de árbitros.</p><p>Os primeiros anos do curso foram marcados por uma rotina intensa. Depois de semanas divididas entre estudos e trabalho, viajava durante a madrugada para participar de atividades aos sábados, como treinamentos físicos e atuações nos campeonatos veterano (categoria para pessoas acima dos 35 anos) de Santa Maria. Além do conhecimento técnico, era necessário alcançar índices físicos rigorosos e manter a preparação contínua.</p><p> </p><h3><b>À BEIRA DO CAMPO</b></h3><p>Hoje, como árbitra assistente, Maíra ocupa uma função que exige precisão extrema, concentração permanente e leitura rápida do jogo. Especializada na regra 11, referente ao impedimento, ela explica que a arbitragem contemporânea exige participação ativa. Além disso, a árbitra também tem como um dos seus aprofundamentos os lances relacionados à regra 12, que envolve faltas e sanções disciplinares.</p><p>Mesmo inserida há seis anos na elite nacional, Maíra relata ter dificuldade de agir naturalmente em momentos de estádio lotados e partidas decisivas: “Em jogos específicos, especialmente quando o hino toca antes da partida, eu lembro da menina do interior que cresceu acompanhando futebol sem imaginar que poderia chegar tão longe por meio dele.”</p><p>A presença feminina na arbitragem profissional ainda é um espaço de disputa e afirmação. Para ela, o preparo físico sempre funcionou como um elemento fundamental de credibilidade em um ambiente composto majoritariamente por homens. “A mulher precisa provar que pode”, resumiu.</p><p>Ao longo da carreira, Maíra construiu referências importantes dentro da arbitragem feminina. Trabalhou ao lado de Sílvia Regina, referência brasileira nos anos 1990 e 2000, teve Ana Paula Oliveira como chefe no âmbito nacional e acompanhou trajetórias de nomes como Neuza Back e Edina Alves, protagonistas da consolidação feminina na elite do futebol brasileiro.</p>		
													<img width="1024" height="683" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/07/IMG_4855-1024x683.jpg" alt="Foto horizontal e colorida de Maíra sentada em uma arquibancada. Posicionada no centro da imagem, Maíra é uma mulher de pele branca, cabelos castanhos com mechas loiras presos em um rabo de cavalo. Ela usa brincos de argola pequenos e dourados e tem as unhas vermelhas. Usa casaco verde do tipo esportivo, com listras brancas e zíper na gola, com a palavra FIFA e símbolo da marca Adidas no peito, e calça jeans azul marinho. Usa relógio preto no pulso esquerdo. As pernas e os braços estão cruzados em frente ao corpo. A expressão facial é séria e o olhar se direciona para a lateral. Está com a boca ligeiramente aberta e os olhos semicerrados. Ao fundo, na parte superior da imagem, aparecem estruturas de concreto de uma arquibancada, com algumas pichações nas paredes e áreas iluminadas pela luz natural. Atrás de Maíra há degraus de concreto cinza que ocupam grande parte do cenário." />													
													<img width="1024" height="683" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/07/IMG_4853-1024x683.jpg" alt="Foto vertical e colorida de Maíra sentada em uma arquibancada. Posicionada no centro da imagem, Maíra é uma mulher de pele branca, cabelos castanhos com mechas loiras presos em um rabo de cavalo. Ela usa brincos de argola pequenos e dourados e tem as unhas vermelhas. Usa casaco verde do tipo esportivo, com listras brancas e zíper na gola, com a palavra FIFA e símbolo da marca Adidas no peito, e calça jeans azul marinho. Usa relógio preto no pulso esquerdo. As pernas estão cruzadas e a mão esquerda segura a gola do casaco. A expressão facial é séria e o olhar se direciona para a lateral. Ao fundo, arquibancadas de concreto em tom cinza, com marcas do tempo, algumas pichações e estruturas metálicas distribuídas entre os degraus. Na parte superior direita da imagem, há áreas iluminadas pela luz natural." />													
		<h3><b>ROTINA E MATERNIDADE</b></h3><p>Se dentro de campo a arbitragem exige atenção contínua, fora dele a rotina também passou a demandar novos equilíbrios. Mãe de Benício, menino de um ano de idade, Maíra reorganizou a vida profissional após a maternidade. Antes dedicada também à assessoria esportiva, decidiu reduzir os atendimentos para concentrar-se exclusivamente na arbitragem. A mudança ocorreu no momento em que já integrava o quadro internacional da FIFA, condição que trouxe maior estabilidade profissional.</p><p>Ainda assim, a rotina permanece marcada pelos deslocamentos frequentes. Treinos diários, estudos de inglês e espanhol e viagens semanais fazem parte do cotidiano. Nos períodos em que está em casa, busca direcionar o tempo ao convívio com o filho.</p><p>A natureza, as viagens e os espaços abertos são refúgios em meio à rotina intensa do futebol profissional. Na cidade de Santa Maria, procura lugares ao ar livre para aproveitar os momentos de descanso com a família.</p><p>A maternidade trouxe novos desafios emocionais. Em alguns períodos, as escalas exigem ficar semanas longe de casa. Em outros, mudanças repentinas de designação de jogos alteram os planos de retorno. Longe de construir uma narrativa heroica sobre a conciliação entre maternidade e carreira, Maíra trata essas situações como parte da vida que escolheu construir. “Eu  sabia que eu teria esse desafio da distância mas eu defini por isso,eu sabia que teria que dividir esses momentos.”</p>		
													<img width="768" height="1152" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/07/IMG_4866-768x1152.jpg" alt="Foto vertical e colorida de Maíra sentada em uma arquibancada. Posicionada no centro da imagem, Maíra é uma mulher de pele branca, cabelos castanhos com mechas loiras presos em um rabo de cavalo. Ela usa brincos de argola pequenos e dourados e tem as unhas vermelhas. Usa casaco verde do tipo esportivo, com listras brancas e zíper na gola, com a palavra FIFA e símbolo da marca Adidas no peito, e calça jeans azul marinho. Usa relógio preto no pulso esquerdo. As pernas e os braços estão cruzados em frente ao corpo. A expressão facial é séria e o olhar se direciona para a lateral. Está com a boca ligeiramente aberta e os olhos semicerrados. No canto inferior esquerdo, aparece parcialmente as mãos de outra pessoa, que veste roupa preta e segura um celular. Ao fundo, há estruturas de uma arquibancada de concreto, com degraus cinzas e corrimãos metálicos. No canto superior direito, há uma área bastante iluminada pela luz natural." />													
		<h3><b>PREPARAÇÃO E CONQUISTAS</b> </h3><p>Em uma profissão constantemente submetida à avaliação pública, Maíra aprendeu cedo a concentrar energia na própria preparação e não nas críticas externas. Para ela, a arbitragem exige capacidade de autoavaliação permanente.</p><p>A implementação do VAR e o avanço da profissionalização da arbitragem brasileira alteraram significativamente a dinâmica da carreira. Ao contrário da percepção de aumento de pressão associada à tecnologia, ela enxerga o árbitro de vídeo como uma ferramenta de apoio e correção. Já a profissionalização da arbitragem trouxe estabilidade em um cenário historicamente marcado pela incerteza.</p><p>Entre as principais realizações da carreira, Maíra destaca a final do Mundial Sub-17 de 2024, competição que aconteceu no primeiro ano no quadro FIFA. Também guarda com significado especial as participações nos clássicos Gre-Nais e na semifinal da Copa do Brasil de 2025, considerada até agora a sua principal atuação em âmbito nacional. </p><p>Mesmo com conquistas importantes já acumuladas, a árbitra mantém o olhar direcionado aos próximos ciclos internacionais. A possibilidade de participação nas futuras Copas do Mundo aparece como horizonte profissional, embora ela reconheça a competitividade do cenário.</p><p>No futebol, as oportunidades não avisam quando vão chegar, e é com esse pensamento que Maíra Mastella Moreira constrói a própria trajetória sem perder de vista o caminho percorrido. “Penso assim: eu estou conseguindo. Eu vim lá do interior, onde não tinha nenhuma mulher. Eu não sabia se ia ser escalada, não tinha base nenhuma. Mas tive a oportunidade e lutei muito pra isso”, afirma.</p>		
		<p><strong>Repórteres:</strong> Luís Corpis e Ricardo Clausen </p><p><strong>Contato:</strong> luis.nunes@acad.ufsm.br | ricardo.clausen@acad.ufsm.br</p><p><strong>Fotos:</strong> Eduarda Zonta</p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Uma sinfonia sexagenária</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2026/07/28/uma-sinfonia-sexagenaria</link>
				<pubDate>Tue, 28 Jul 2026 18:13:27 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[31° Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[.TXT]]></category>
		<category><![CDATA[ed31]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/?p=4257</guid>
						<description><![CDATA[O nascimento e a vida da Orquestra Sinfônica de Santa Maria
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:audio {"id":4261} -->
<figure class="wp-block-audio"><audio controls src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/07/audio_orquestra.mp3"></audio></figure>
<!-- /wp:audio -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Em 1966, o professor, violinista e compositor Frederico Richter deu os primeiros passos para a criação do que hoje é a Orquestra Sinfônica de Santa Maria. Natural de Porto Alegre, ao assumir o cargo de docente no Centro de Artes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), notou uma escassez de alunos e músicos que dominassem instrumentos de orquestra na cidade.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Para mudar esse cenário, Frederico contou com o apoio de colegas da UFSM – inclusive do próprio fundador da instituição, José Mariano da Rocha Filho – e de colegas de Porto Alegre. Juntos, formaram um conjunto de câmara composto essencialmente por cordas. Determinado a constituir uma orquestra sinfônica completa, o professor criou o projeto de extensão “Orquestra Possível” em 1981, em que músicos de qualquer instrumento podiam participar.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Esse movimento culminou na criação da Associação Cultural Orquestra Sinfônica de Santa Maria em 1988, que consolidou a especialização da orquestra e possibilitou a arrecadação de verbas para a compra de instrumentos. Quem assumiu a direção do grupo nesse ano foi o maestro, trompetista e também professor Ênio Guerra. Segundo ele, a Associação viabilizou a arrecadação de verbas junto a órgãos de fomento e incentivo à cultura. Foi a partir daí que os músicos tiveram alguma remuneração nas horas de trabalho e apresentações, que passaram a acontecer em todo o Rio Grande do Sul.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Hoje, aos 60 anos, a Orquestra conta com uma equipe de músicos e de produção completa, além de uma sala de ensaios exclusiva no Centro de Convenções da UFSM. Como almejado por seu fundador, ela segue como uma espécie de “orquestra escola”, um laboratório em que alunos e músicos da cidade aprendem na prática e no palco. Nas apresentações, o grupo lota as plateias ao explorar diferentes estilos, do clássico ao popular.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Exemplo dessa mistura de gêneros musicais e possibilidade de experimentação é o concerto comemorativo realizado em maio deste ano. O programa reuniu referências de diferentes períodos e linguagens musicais, como o berimbau, os ritmos brasileiros, a música clássica e o jazz.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Desde dezembro de 2025, quem ocupa a posição de maestro e diretor artístico é o professor Cláudio Antonio Esteves, do Departamento de Música da Universidade. Ele descreve o ambiente criado pela orquestra como um espaço de desenvolvimento, no qual o aluno tem tempo para se adaptar ou, em suas palavras, “maturar” uma peça e apresentá-la com potencial máximo.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Cláudio ainda destaca que a vontade de encarar músicas desafiantes e animadoras é o que realmente move os alunos. Na visão do maestro, esse desafio é o que transforma o esforço técnico em prazer artístico e permite que o estudante cresça como profissional. Além da prática, o palco funciona como um laboratório no qual se aprende a lidar com a pressão de um concerto.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Os músicos são estudantes que integram o grupo ao cursarem disciplinas obrigatórias da graduação, além daqueles que escolhem permanecer depois. O acadêmico de Música Leandro Barboza fez quatro disciplinas obrigatórias e quatro eletivas na Orquestra. “Estar inserido em um grupo orquestral me faz amadurecer como músico e como futuro profissional”, comenta. </p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Para ele, a ideia de orquestra escola surge também como uma forma de integrar a comunidade acadêmica com a comunidade externa, inclusive de projetos sociais da cidade e região. Leandro, que toca fagote, destaca que não são apenas estudantes de Música da Universidade envolvidos: há também alunos do Bacharelado em Música e Tecnologia, por exemplo, que cuidam da parte técnica do som em apresentações, além de bolsistas de outras instituições e cidades da região. “Isso faz com que haja uma integralidade entre os diferentes níveis musicais”, comenta.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>José Munhoz iniciou o Bacharelado em Música em 2002 e em 2004 ingressou na Orquestra Sinfônica como trompetista. Logo depois mudou para trompa – instrumento no qual concluiu um segundo bacharelado em 2007. Nesses 22 anos, afastou-se dos ensaios e apresentações apenas por um curto período. “Toco até hoje pois me sinto bem interagindo com os demais colegas músicos, percebo que fazer parte do grupo me satisfaz pessoal e profissionalmente”, diz José. </p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A flautista Gabriela Sara Griebeler e o clarinetista Eder Roberto de Oliveira também têm trajetória marcada pela Orquestra. Como Leandro, eles cursaram os quatro semestres de disciplinas obrigatórias da grade curricular. Nesse período, apresentaram-se em diversos lugares do Rio Grande do Sul e Uruguai e conheceram professores e músicos de várias outras universidades e países. De acordo com a flautista, o ambiente de convivência com profissionais e a segurança passada pela regência foram fundamentais para seu amadurecimento artístico.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:image {"id":4258,"width":"760px","height":"auto","aspectRatio":"1.499330655957162","sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/07/segunda-imagem-orquestra-1024x683.jpg" alt="Fotografia horizontal colorida da flautista Gabriela Sara Griebeler e do clarinetista Eder Roberto de Oliveira lado a lado. Ao centro da imagem, ambos estão em pé e enquadrados da cintura para cima. A mulher tem pele branca, cabelos curtos e claros, usa óculos com armação transparente e veste blusão azul. Ao lado dela, um homem de pele branca tem cabelo raspado, usa óculos com armação preta e veste blusão cinza com mangas puxadas. Ele apoia a mão esquerda sobre a direita à frente do corpo. Ao fundo, os músicos permanecem sentados com instrumentos musicais nas mãos. Eles têm expressões concentradas e alguns olham para as estantes de partituras na frente deles. Atrás dos músicos, há uma janela ampla de vidros em meio a paredes e vigas brancas.
" class="wp-image-4258" style="aspect-ratio:1.499330655957162;width:760px;height:auto" /></figure>
<!-- /wp:image -->

<!-- wp:paragraph {"fontSize":"small"} -->
<p class="has-small-font-size"><strong>A flautista Gabriela Sara Griebeler e o clarinetista Eder Roberto de Oliveira / Foto: Sabrina Fagundes</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Gabriela e Eder continuaram como músicos contratados após concluírem a graduação, e todo esse preparo resultou no novo capítulo de suas vidas: ambos foram aprovados na Orquestra Sinfônica da Força Aérea Brasileira, em Brasília. Enquanto ex-integrantes conquistam outros espaços Brasil afora, o que iniciou como uma “orquestra possível” está pronto para tocar os próximos sessenta anos. </p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Para o atual maestro, é essa capacidade de ensinar, criar e sonhar que sustenta o projeto desde sua origem. “A gente faz uma orquestra assim sonhando grande e realizando o que dá. E vai abrindo até chegar ao que a gente tem hoje”, declara Cláudio. </p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:image {"id":4259,"width":"781px","height":"auto","aspectRatio":"1.4193309924228423","sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/07/terceira-imagem-orquestra-1024x721.jpg" alt="Fotografia horizontal colorida de apresentação da orquestra sinfônica em um palco iluminado de madeira clara. Em primeiro plano, ao centro, um solista está de frente para o público com os braços abertos. Ao lado dele, o maestro Enio Guerra está de costas sobre uma plataforma de regência com bordas brancas. Atrás do solista e do maestro, os musicistas, em sua maioria homens, estão sentados em frente a estantes de partituras em um semicírculo. Todos seguram instrumentos de cordas e vestem ternos e calças pretas. À esquerda da imagem, musicistas sentadas executam violinos e violas. À direita, integrantes da seção de violoncelos e contrabaixos permanecem sentados com os instrumentos posicionados à frente do corpo. Ao fundo, músicos de sopro e percussão ocupam fileiras organizadas atrás de estantes de partituras vermelhas. O palco tem piso de madeira clara e iluminação direcionada aos integrantes da orquestra.
" class="wp-image-4259" style="aspect-ratio:1.4193309924228423;width:781px;height:auto" /></figure>
<!-- /wp:image -->

<!-- wp:paragraph {"fontSize":"small"} -->
<p class="has-small-font-size"><strong>O IV Concerto da Temporada realizado no Theatro Treze de Maio sob regência de Enio Guerra com participação do solista Luiz Henrique Molz no ano de 2000. / Foto: Arquivo Fotográfico UFSM</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Reportagem por: </strong>Felipe Santos, Giana Bess e Laura Fedatto<br></p>
<!-- /wp:paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>CIÊNCIA EM MOVIMENTO</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2026/07/28/ciencia-em-movimento</link>
				<pubDate>Tue, 28 Jul 2026 17:23:50 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[31° Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Esporte]]></category>
		<category><![CDATA[.TXT]]></category>
		<category><![CDATA[ed31]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/?p=4253</guid>
						<description><![CDATA[LAMDER incentiva desenvolvimento acadêmico na área de reabilitação desportiva]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:paragraph -->
<p>Para escutar o áudio da reportagem, clique abaixo:</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:audio {"id":4255} -->
<figure><audio controls src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/07/Audioreportagem-Bernardo-e-Leonardo.mp3"></audio></figure>
<!-- /wp:audio -->		
										<figure>
										<img width="1024" height="768" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/07/2-1-1024x768.jpg" alt="" />											<figcaption>Representação do laboratório LAMDER | Foto: Luise Verffel</figcaption>
										</figure>
		<p id="docs-internal-guid-f9ddcd26-7fff-837b-e7aa-8a338429b0d1" dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-indent: 36pt;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">Com a popularização das corridas de rua no país, cresce também a incidência de lesão em membros inferiores. No Brasil, cerca de 36,5% dos corredores amadores de rua já sofreram algum tipo de lesão. Fundado em meados de 2020, o Laboratório de Análise Musculoesquelética e Desportiva em Reabilitação (LAMDER) surgiu a partir da demanda dos próprios alunos do curso de Fisioterapia da UFSM. Por meio do ensino, da pesquisa e da extensão, o propósito é diagnosticar, prevenir e recuperar lesões. A iniciativa conta com mais de 20 estudantes de graduação e oito da pós-graduação.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-indent: 36pt;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">O coordenador e fundador do Laboratório, Guilherme Nunes, reforça a proposta do grupo: "É um laboratório feito e conduzido por alunos, onde eles fazem o conhecimento". O espaço não pertence a um docente ou programa de pós-graduação específico, o que garante um forte protagonismo estudantil em todas as suas etapas. O projeto une o rigor científico à formação de profissionais indispensáveis na Universidade.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-indent: 36pt;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">O foco central do LAMDER é o desenvolvimento científico. A prestação de serviços diretos não é a atividade principal do projeto. No entanto, a equipe busca mecanismos para que seus membros possam praticar atendimentos por meio do projeto de extensão Análise e Prevenção de Lesões Musculoesqueléticas e Desportivas (APREMDE). O grupo atende pacientes vinculados à Universidade, selecionados após uma longa fila de espera. O foco é em lesões de membros inferiores, como dores crônicas no joelho e entorses de tornozelo.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-indent: 36pt;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">A iniciativa coloca os estudantes no centro do atendimento. Eles são os responsáveis pelas práticas clínicas junto à supervisão de professores e pós-graduandos. Para as avaliações, o Laboratório utiliza equipamentos próprios de tecnologia avançada, como dinamômetros e plataformas de força. Hoje, a atuação do projeto só é limitada pela ausência de estrutura física maior. </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-indent: 36pt;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">Além das corridas, há uma crescente na popularidade de esportes recreativos como beach tennis e padel. As queixas sobre dores nos membros inferiores se tornaram cada vez mais frequentes. Para estudar essas condições e responder aos questionamentos da comunidade, o LAMDER concentra grande parte de suas pesquisas em lesões de joelho e tornozelo. No entanto, um dos papéis do laboratório é atuar na linha de frente para desmistificar crenças populares: a ideia de que sentir dor é, obrigatoriamente, sinônimo de ter uma lesão grave ou alteração estrutural permanente no corpo.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-indent: 36pt;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">O chamado valgo dinâmico, popularmente conhecido como o ato de “correr com o joelho para dentro”, é um ótimo retrato desse embate entre a ciência e o senso comum. A população tem curiosidade em saber se realizar um movimento biomecanicamente incomum leva diretamente ao machucado. Contudo, pesquisas de laboratório revelam que essa alteração de movimento, analisada de forma isolada, não é um fator determinante para a ocorrência de lesões.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-indent: 36pt;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">Dentro do projeto, os futuros fisioterapeutas aprendem que o desenvolvimento de uma lesão esportiva é o resultado de uma associação complexa de múltiplos fatores, e não a consequência de uma única circunstância mecânica. Por conta disso, a abordagem indicada na fisioterapia é baseada em evidências e se afasta da tentativa de focar exclusivamente em corrigir uma única alteração de movimento. Em vez disso, os alunos são treinados para adotar uma visão global do paciente e compreender que essa amplitude de análise prepara o atleta para retornar ao esporte com o mesmo desempenho e segurança anteriores à lesão.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">Conhecimento que transforma</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-indent: 36pt;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">Poucas pessoas acompanharam o LAMDER tão de perto quanto a mestranda de Fisioterapia Brenda Guterres. Ela entrou como voluntária em 2020 e construiu toda a sua trajetória, do TCC ao mestrado, no projeto. "O laboratório foi essencial para a minha formação. Tanto para o meu conhecimento científico quanto para o desenvolvimento como estudante e formação profissional", afirma. A dissertação de Brenda investiga quais intervenções os fisioterapeutas utilizam com atletas imediatamente antes da prática esportiva. Para isso, ela aplicou um estudo piloto que está na fase final de coleta de dados. O trabalho é uma extensão da monografia, que analisou os efeitos da massagem pós-fadiga muscular em atletas universitários em um ensaio clínico randomizado, desenvolvido em parceria com duas colegas do projeto. O ensaio é um estudo científico que sorteia pacientes em grupos para testar e comparar a eficácia de um tratamento de forma imparcial. A colaboração é parte essencial do processo. "É impossível fazer uma boa pesquisa sozinha", diz Brenda.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-indent: 36pt;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">Já o estudante do sexto semestre de Fisioterapia, Gabriel Galetto, entrou no laboratório em setembro de 2025 depois de conhecer o LAMDER pelo Instagram. O que começou como curiosidade nas redes virou uma escolha concreta. Hoje, Gabriel contribui com coletas para artigos e TCCs, participa da escrita científica e atua na comunicação do laboratório.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-indent: 36pt;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">O impacto na formação foi imediato. "O LAMDER me proporcionou oportunidades na escrita científica, participação em coletas de pesquisa e contato com estudantes da pós-graduação, ampliando significativamente meu aprendizado", conta. Mas a mudança mais marcante foi outra: o laboratório despertou o interesse na pós-graduação, que Gabriel não cogitava antes de entrar no projeto. Para o estudante, a importância do espaço vai além da formação individual. "O laboratório é referência quando o assunto é pesquisa científica", afirma.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-indent: 36pt;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">O orgulho pelas trajetórias e pelo esforço conjunto do laboratório fica estampado em um mural com artigos científicos publicados pelos acadêmicos, em sua maioria frutos de trabalhos de conclusão de curso. Entre os destaques estão estudos realizados em parceria com a Seleção Brasileira de Vôlei Masculino, desenvolvidos durante o ciclo olímpico. Um dos artigos mais recentes, publicado em junho deste ano, avalia 86 atletas universitários de diferentes modalidades esportivas e avalia os efeitos da massagem terapêutica após um período de fadiga muscular induzida. O estudo orientado pelo coordenador conclui que o mecanismo analgésico da massagem provavelmente não está relacionado à rigidez muscular. Os efeitos parecem apenas agudos e de curta duração. </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-indent: 36pt;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">Para garantir a continuidade das pesquisas e se manter fiel à proposta do projeto, o coordenador Guilherme resume a missão do espaço em uma frase: "A publicação não pode ser o foco. Na verdade, ela é a consequência de um trabalho bem feito". É com essa mentalidade que o laboratório incentiva o desenvolvimento diário dos alunos e os prepara para conduzir os próximos movimentos do LAMDER.</p>
<p dir="ltr">Reportagem por Bernardo Tadioto Centenaro e Leonardo Cabistani Koehler</p>
<p> </p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Caminhos para o desenvolvimento da fala</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2026/07/22/caminhos-para-o-desenvolvimento-da-fala</link>
				<pubDate>Wed, 22 Jul 2026 23:21:23 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[31° Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[.TXT]]></category>
		<category><![CDATA[ed31]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/?p=4139</guid>
						<description><![CDATA[NEPAI realiza avaliações auditivas em crianças 
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p>Para escutar o áudio da reportagem, clique abaixo:</p><figure><p>[audio mp3="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/06/Audioreportagem-txt.mp3"][/audio]</p></figure>		
										<figure>
										<img width="1024" height="683" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/06/4-1024x683.jpg" alt="Foto horizontal e colorida de uma mesa com brinquedos e objetos decorativos, em um ambiente infantil ou de atendimento. No centro da imagem, há uma luminária branca em formato de galinha, com crista vermelha, bico laranja, bochecha vermelha e pés laranja. À direita da galinha, aparece uma cesta plástica transparente com peças coloridas em tons de amarelo, verde, azul e bege. Na parte inferior da imagem, sobre a mesa, há um brinquedo laranja em formato de martelo. À esquerda, aparecem porta-retratos com fotografias e um frasco de álcool em gel parcialmente escondido atrás da luminária. Ao lado do frasco de álcool em gel, ao fundo, há um quadro com a ilustração de um dinossauro verde e a palavra “RAWR!”. Ao lado aparece um urso de pelúcia marrom que segura uma almofada vermelha em formato de coração, com a frase “I Love You” escrita em branco. No fundo da imagem, há uma parede clara e um armário branco com puxadores." />											<figcaption>Brinquedos utilizados para adaptar as avaliações auditivas às crianças.</figcaption>
										</figure>
		<p>Antes de uma criança falar as primeiras palavras, ela já se comunica. O olhar, os gestos, as reações aos sons e a forma como responde ao ambiente também fazem parte do desenvolvimento da linguagem. Por isso, avaliar a audição infantil não significa apenas descobrir se uma criança escuta. Em muitos casos, o exame ajuda a investigar dificuldades de fala, comunicação e aprendizagem, além de orientar os próximos encaminhamentos. </p><p>Durante a disciplina Prática Clínica de Fonoaudiologia Hospitalar, do curso de Fonoaudiologia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), uma menina de dois anos chega à ala de Fonoaudiologia do Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM) para uma avaliação auditiva. A atividade integra o módulo de Triagem Auditiva Neonatal e Avaliação Eletrofisiológica da Audição Infantil. A família busca investigar possíveis alterações na audição e compreender melhor o atraso no desenvolvimento da fala. A professora Eliara Pinto Vieira Biaggio, conduz o atendimento com estudantes da disciplina. Durante a avaliação, a criança circula pela sala, brinca, interage com a equipe e responde às propostas de acordo com o próprio tempo. A cena evidencia que a avaliação infantil exige mais do que técnica: envolve paciência, observação e adaptação constante às necessidades de cada paciente. </p><p>Ao final dos exames, a avaliação indica que a menina não tem deficiência auditiva. Com a possibilidade de alteração na audição descartada, ela é encaminhada para atendimento fonoaudiológico voltado ao desenvolvimento da fala e da linguagem. O caso mostra que descartar uma deficiência auditiva é parte fundamental do cuidado, uma vez que ajuda a família a seguir por outros caminhos de investigação e acompanhamento. </p><p>Nesse ponto, o trabalho do Núcleo de Estudos e Pesquisa em Audição Infantil (NEPAI) se aproxima da rotina das crianças e famílias. Vinculado à fonoaudiologia da UFSM, o Núcleo realiza avaliações auditivas e integra ensino, pesquisa e extensão. A coordenadora do grupo, Eliara, resume uma das ideias centrais da área: “Uma coisa é escutar, outra coisa é entender”. </p><h3><b><i>Do teste da orelhinha ao acompanhamento </i></b></h3><p>O cuidado com a audição começa ainda nos primeiros dias de vida. No HUSM, a fonoaudióloga Maria Rita <a href="https://www.escavador.com/sobre/2792726/maria-rita-leal-ghisleni">Leal Ghisleni</a> atua na Triagem Auditiva Neonatal (TAN), conhecida como teste da orelhinha. O procedimento é realizado em recém-nascidos e funciona como uma primeira etapa para identificar possíveis alterações auditivas. No hospital, cerca de 200 bebês passam pela triagem a cada mês, com média de 12 a 14 avaliações por dia.</p><p>Quando o teste indica necessidade de nova avaliação, o resultado ainda não significa um diagnóstico fechado. Fatores do próprio nascimento, como a presença de vérnix na orelha, podem interferir na avaliação. Por isso, o bebê retorna para o reteste da orelhinha e, se a alteração persiste, é encaminhado para diagnóstico audiológico. Para Maria Rita, a identificação precoce permite que a criança receba acompanhamento e, quando necessário, recursos que favoreçam o acesso aos sons e o desenvolvimento da fala. </p>		
										<figure>
										<img width="768" height="512" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/06/WhatsApp-Image-2026-06-25-at-09.36.40-1-768x512.jpeg" alt="Foto horizontal e colorida de um quadro com a identificação do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Audição Infantil. No centro da imagem está o quadro retangular, que tem moldura azul clara e fundo branco. Dentro dele, aparece um desenho formado por linhas azuis e vermelhas: à esquerda, há um coração com a ilustração de um bebê no interior; à direita, o desenho se conecta a um estetoscópio. Ao redor da ilustração, está escrito “Núcleo de Estudos e Pesquisas em Audição Infantil” em formato circular e letra cursiva. Também aparecem pequenos pontos vermelhos e linhas vermelhas que lembram ondas sonoras. Ao fundo, há uma parede clara." />											<figcaption>Placa de identificação da sala do NEPAI.</figcaption>
										</figure>
		<p>Depois da triagem, a investigação auditiva pode seguir por diferentes caminhos. Crianças com suspeita de perda da audição, atrasos na fala, trocas de sons, dificuldades de linguagem, otites de repetição ou dúvidas durante a investigação de outras condições do desenvolvimento exigem novas avaliações. Segundo Eliara, a avaliação auditiva também é necessária em casos de investigação para transtorno do espectro autista, já que alterações na audição podem existir junto a outras características do neurodesenvolvimento. </p><p>Para chegar a essas respostas, os exames precisam se adaptar à infância. Alguns dependem da participação da criança, como a audiometria, que representa a principal avaliação comportamental da audição. Nesses casos, recursos lúdicos podem ajudar a transformar o teste em uma atividade mais adequada. No NEPAI, por exemplo, a equipe utiliza brinquedos durante a avaliação. Em uma  das demonstrações, a criança é convidada a alimentar uma galinha de brinquedo sempre que percebe o estímulo sonoro. A estratégia ajuda a manter a atenção e mostra como a técnica pode ser ajustada à idade e ao comportamento de cada paciente. </p><p>Nem sempre a resposta vem de forma simples. Crianças pequenas ou neurodivergentes podem apresentar desconfortos sensoriais, dificuldade de interação ou resistência ao uso de equipamentos. Por isso, o atendimento exige atenção ao ambiente e ao tempo de quem é avaliado. Eliara explica que, em alguns casos, é preciso reduzir estímulos visuais, evitar o uso de jaleco, começar com sons mais fracos ou diminuir o número de pessoas na sala. “A gente tem que adaptar a técnica à criança”, afirma. Quando os testes comportamentais não são possíveis, exames objetivos, com eletrodos colocados na pele, registram respostas do sistema auditivo sem depender de uma reação direta do paciente. Esses exames são conhecidos como Potenciais Evocados Auditivos. Para ela, a avaliação audiológica não deve ser feita a qualquer custo, mas de forma humanizada, com respeito aos limites de cada atendimento.  </p><p>Além dos atendimentos clínicos, o NEPAI desenvolve pesquisas voltadas à audição e ao neurodesenvolvimento infantil. Entre elas estão análises sobre o Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico, (PEATE), exame que registra respostas do sistema auditivo a partir de estímulos sonoros, sem depender de respostas verbais ou comportamentais da criança. As pesquisas buscam compreender como essas respostas aparecem em crianças neurotípicas para, depois, comparar os resultados com avaliações feitas em pacientes autistas, especialmente em estudos relacionados à hipersensibilidade auditiva e ao diagnóstico diferencial. </p><p>Essa aproximação entre produção científica e atendimento passa pelo contato com famílias. Um exemplo é a participação de integrantes ligados à associação Universo Atípico, de Santa Maria, que ajuda a ampliar o acesso às avaliações e a aproximar o núcleo de demandas vividas fora da universidade. Quando alguma necessidade é identificada, o acompanhamento não termina no exame: conforme o caso, a criança é encaminhada para as práticas clínicas das diferentes áreas da fonoaudiologia na Clínica-Escola da UFSM, no prédio 26E, ou para outros serviços da rede municipal. </p><p>O NEPAI reúne estudantes de iniciação científica, extensão, mestrado e doutorado que atuam lado a lado nos atendimentos e pesquisas. É uma formação que acontece no contato direto com as crianças e suas famílias, tanto na Clínica-escola de Fonoaudiologia quanto no HUSM. De acordo com a professora Eliara, a aproximação entre Universidade e sociedade se traduz em impacto concreto: famílias que chegam sem respostas encontram caminhos, e crianças que poderiam aguardar muito tempo por um diagnóstico recebem acompanhamento.</p>		
								<figure><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/06/1-1024x683.jpg" alt="Foto horizontal e colorida de Gabriela e Larissa sentadas à mesa, em uma sala de estudo ou reunião, com cadernos, canetas, celular e notebook. Na parte mais ao fundo da imagem, está Gabriela, uma mulher jovem de pele branca. Ela tem o cabelo preto preso em trança, usa óculos de armação escura e veste casaco branco. Ela segura uma caneta sobre um caderno espiral e olha para a frente, com expressão atenta. Em primeiro plano, à direita, está Larrisa, uma mulher jovem e loira de pele branca. Ela também está sentada e aparece de perfil. Veste casaco xadrez preto e branco sobre blusa preta e calça jeans de lavagem clara. Usa brincos de argola e colar dourados. Segura uma caneta com a mão direita, apoiada sobre um caderno branco. Também olha para a frente com expressão atenta. Sobre a mesa branca, da esquerda para a direita, aparecem um celular preto, um notebook preto aberto, um estojo organizador com canetas coloridas, cadernos, outro celular e canetas. Ao fundo, há uma parede clara, persianas de uma janela, folhas fixadas na parede e parte de um quadro branco à direita." /></figure><figure><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/06/Copia-de-3-1024x683.jpg" alt="Foto horizontal e colorida de Eliara sentada à mesa em um ambiente de sala ou consultório. Ela tem cabelos lisos, loiro médios e compridos. Usa óculos com armação arredondada e colar dourado. Veste colete em tom bege sobre casaco cinza e blusa preta. As mãos estão sobre a mesa e gesticulam. Está com a boca aberta e expressão atenta. À direita, em primeiro plano, aparece parcialmente a cabeça de outra pessoa, de costas para a câmera, próxima a um notebook. À esquerda, há uma estante branca com livros na parte superior. À direita, aparece uma janela grande com grades, por onde entra luz natural. Ao fundo, há paredes claras, parte da estante e a área externa vista pela janela." /></figure>			
		<p><strong>Repórteres:</strong> Gabriela Alves e Larissa Froeder Butzke </p><p><strong>Fotografia: </strong>Eduarda Zonta</p><p><strong>Contato:</strong> gabriela.alves@acad.ufsm.br / larissa.butzke@acad.ufsm.br </p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Escrita Criativa colabora para saúde mental</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2026/07/21/escrita-criativa-colabora-para-saude-mental</link>
				<pubDate>Tue, 21 Jul 2026 19:27:12 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[31° Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[.TXT]]></category>
		<category><![CDATA[ed31]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/?p=4245</guid>
						<description><![CDATA[Projeto da UFSM reúne alunos de diferentes cursos e mostra como a oficina pode integrar os estudantes e contribuir para a qualidade de vida
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:audio {"id":4249} -->
<figure class="wp-block-audio"><audio controls src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/07/Audioreportagem-saude-mental.mp3"></audio></figure>
<!-- /wp:audio -->

<!-- wp:paragraph -->
<p> Uma música começa a tocar. Alguns olham para o teto, outros para a folha em branco. Em poucos minutos, aquilo que era apenas uma proposta de escrita vira lembrança, sentimento, personagem ou desabafo. Na Oficina de Escrita Criativa do Setor de Atenção Integral ao Estudante (SATIE), cada texto surge da mesma inspiração, mas nunca de maneira idêntica. A quarta edição da Escrita Criativa iniciou no primeiro semestre de 2026 com a proposta de contribuir para a garantia do acesso aos direitos da cultura e lazer. A oficina conta com um bolsista de graduação, que atua como professor e coordena as atividades desenvolvidas pelas duas turmas de participantes.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A Lei Nacional nº 14.914, de 3 de julho de 2024 tem como objetivo ajudar estudantes de instituições federais de ensino a conseguirem entrar, permanecer e concluir seus cursos, principalmente aqueles em situação de vulnerabilidade social. Segundo uma das assistentes sociais da SATIE, Andreia Zanoello, as oficinas eram pensadas antes da existência de tal legislação. “A responsabilidade da reitoria não se dá somente em questões materiais, também há a necessidade de promover ações voltadas à socialização entre estudantes”. - contou Andreia.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>As oficinas são disponibilizadas semestralmente e contam com diversas modalidades, como por exemplo: corrida, padel, vôlei, pilates, alongamento e costura criativa. O estudante de Letras, Guilherme Michels, é o responsável pela oficina “Escrita Criativa”, a qual assumiu no início do mês de Abril. A oficina ocorre todas às terças e sextas, das 10h às 11h, na SATIE, localizada próxima à Casa do Estudante Universitário (CEU). A localização da oficina é proposital, pois, como mencionado por Andreia, as ações tentam impactar de uma forma maior os estudantes com mais vulnerabilidade social.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Guilherme conta que o gosto pela escrita e a vontade de fazer com que mais pessoas gostassem desse lazer foi o que motivou sua inscrição no edital para ministrar os encontros. “Às vezes você pode escrever por hobby, porque pode ser muito terapêutico para algumas pessoas”, comenta Guilherme.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Participam da oficina estudantes de diferentes áreas, o que gera diversas interpretações acerca da temática dos textos. Por cerca de uma hora, o professor mostra uma fonte de inspiração, como uma música, para os alunos escreverem o que sentem a partir daquilo. Depois de finalizados, os textos são lidos em voz alta. Guilherme observou que, no momento da leitura, há trocas significativas entre os participantes: “A gente pode escrever sobre as mesmas coisas, mesmas palavras, a mesma imagem, o mesmo conceito, mas sempre vamos ter uma interpretação diferente”, explica.<br></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:image {"id":4246,"width":"959px","height":"auto","sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/07/IMG-20260428-WA0143-1-1024x682.jpg" alt="Foto horizontal e colorida de dois rapazes em uma sala iluminada por grandes janelas. Na parte inferior direita, de costas, está Leonardo, um jovem de pele branca e cabelos curtos castanho-escuros. Ele veste um casaco preto e está sentado em um pufe laranja. Ele gesticula com a mão esquerda. À esquerda e ao fundo está Guilherme, um jovem de pele branca, cabelos castanho-claros, curtos e cacheados. Ele veste casaco de moletom cinza escuro e calça jeans. Está sentado em uma cadeira preta, de pernas cruzadas, e segura uma prancheta. Ele olha em direção a Leonardo. No fundo, há um longo balcão cinza com nichos em que há livros empilhados. Atrás do balcão, grandes janelas de vidro com molduras amarelas revelam árvores e folhas verdes do lado de fora. A luz natural entra em abundância pelas janelas.
" class="wp-image-4246" style="width:959px;height:auto" /></figure>
<!-- /wp:image -->

<!-- wp:paragraph {"fontSize":"small"} -->
<p class="has-small-font-size"><strong>Guilherme explicando a dinâmica para os alunos.</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:heading {"fontSize":"medium"} -->
<h2 class="wp-block-heading has-medium-font-size"><strong>Quando escrever também vira pausa</strong></h2>
<!-- /wp:heading -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>No ambiente acadêmico, encontrar tempo para o lazer se torna cada vez mais difícil e, a partir disso, iniciativas como a oficina de Escrita Criativa são de extrema importância. Uma pesquisa realizada em 2019 por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e do Instituto Federal Farroupilha, com 423 estudantes universitários, identificou que a frequência que os participantes mencionaram dificuldades na gestão do tempo relacionada às tarefas acadêmicas foi de 16,1%.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>O aluno da oficina e graduando do curso de Engenharia de Telecomunicações, Leonardo Nielsen, explicou que, quando criança, escrevia com certa frequência, porém os estudos substituíram o tempo de seu hobby. “Na faculdade a gente acaba não tendo muito tempo para as coisas. Por isso, eu queria ter um espaço dedicado, pelo menos uma hora na semana, para poder escrever alguma coisa”, declara.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:heading {"fontSize":"medium"} -->
<h2 class="wp-block-heading has-medium-font-size"><strong>O peso que cabe no papel</strong></h2>
<!-- /wp:heading -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A psicóloga Dariane Félix esclarece que a escrita ajuda no processo de cura psicológica e depende da capacidade de “elaboração” de cada pessoa – que é a aptidão de transformar uma experiência pessoal em algo de possível compreensão. A partir dessa ideia, quando uma pessoa consegue elaborar, é indicado que ela escreva.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Outro participante da oficina e mestrando em Ciências da Computação é Davi Tonon. Para ele, a escrita ajuda a entender e organizar pensamentos, sentimentos e emoções. Nesse sentido, Dariane traz uma visão terapêutica, que evidencia o quanto a oficina coopera na formação dos jovens. “Quando fazemos o movimento de escrever, conseguimos organizar melhor os nossos pensamentos. Conseguimos até mesmo visualizá-los e entendê-los melhor”, enfatiza.<br></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:image {"id":4247,"width":"992px","height":"auto","sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/07/IMG-20260428-WA0145-1024x682.jpg" alt="Foto horizontal e colorida de Davi sentado em um pufe preto com um livro nas mãos. Ele é um homem de pele branca, cabelos castanho-escuros compridos, presos em um coque, e usa barba da mesma cor. Ele veste moletom bege e calça jeans escuro. Em volta dele, há outros pufes grandes nas cores cinza-escuro, azul claro e laranja, que preenchem a parte inferior e esquerda da cena.  Atrás dele há duas cadeiras de escritório pretas, um balcão baixo bege com livros empilhados e grandes janelas de vidro ao fundo. À esquerda e em desfoque está outro rapaz, de pele branca, cabelos castanho-claros e cacheados e moletom cinza escuro. Ele observa a cena.
" class="wp-image-4247" style="width:992px;height:auto" /></figure>
<!-- /wp:image -->

<!-- wp:paragraph {"fontSize":"small"} -->
<p class="has-small-font-size"><strong>Davi lendo o que havia escrito durante a oficina</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A escrita terapêutica surge para expressar algo íntimo entre psicólogo e paciente. Já a escrita literária, o foco da oficina, leva em consideração o público que vai atingir. Apesar dessa distinção, os participantes da Escrita Criativa apontam que as dinâmicas ofertadas trazem possibilidades de autoconhecimento. A participante e graduanda em Medicina Veterinária, Ilana Petry, diz que: “A escrita me permite dividir o peso da minha carga com o papel”.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:heading {"fontSize":"medium"} -->
<h2 class="wp-block-heading has-medium-font-size"><strong>Mais do que escrever, sentir</strong></h2>
<!-- /wp:heading -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Segundo a crítica de cinema, Pauline Kael, foi dito por um analista que, quando seus pacientes não falam de seus complexos ou problemas, eles trazem situações de personagens de filmes como parte da novela da própria vida. Dariane indica a leitura a seus pacientes com o objetivo de fazê-los focar em uma atividade que desacelera o corpo, trabalhar a empatia, se identificar e refletir sobre a própria vida. “Acredito que a escrita e a leitura dão sentido para a vida, o que seria da gente sem as histórias que nos trazem inspiração para viver a vida real?” - questiona.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A Oficina de Escrita Criativa é um período de tempo que permite aos seus participantes a fala e a escuta ativa de seus textos autorais, sem julgamentos ou pressão. Lá, os estudantes entendem que nem sempre a escrita tem que ser perfeita ou que é necessário ser um grande autor para poder escrever. No final do dia, você só precisa sentir. “Eu gosto muito desse tempo que passo aqui pois ele ajuda a lembrar que a gente também existe fora da faculdade”, afirmou Ilana.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Reportagem: Emmanuelly Zini, Luisa Santos e Sabrina Fagundes</strong> </p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Fotos: Sabrina Fagundes</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p><strong>Ilustração capa: Willian Silveira</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Assistência estudantil e permanência na UFSM</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2026/07/17/assistencia-estudantil-e-permanencia-na-ufsm</link>
				<pubDate>Fri, 17 Jul 2026 16:00:00 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[31° Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[.TXT]]></category>
		<category><![CDATA[ed31]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/?p=4235</guid>
						<description><![CDATA[Auxílios oferecidos pela instituição garantem acesso à Universidade, mas estudantes relatam desafios para manter a trajetória acadêmica]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:paragraph -->
<p>Para escutar o áudio da reportagem, clique abaixo:</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:audio {"id":4237} -->
<figure><audio controls src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/07/Lia-e-Julia-Assistencia-estudantil-e-permanencia-na-UFSM.mp3"></audio></figure>
<!-- /wp:audio -->		
										<figure>
										<img width="1024" height="410" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/07/Primeira-imagem-2-1024x410.jpeg" alt="" />											<figcaption>Ilustração por Eduardo Carlsson </figcaption>
										</figure>
		<p>Acordar às 7h30min para assistir aula, almoçar rapidamente antes de pegar o transporte público, passar toda a tarde e noite no emprego, enfrentar dois ônibus no retorno e chegar em casa depois da meia-noite. Essa era a rotina de Manuella Silva, 24 anos, estudante de Tecnologia em Alimentos na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Mesmo sendo beneficiária da assistência estudantil da Universidade, a necessidade de trabalhar fazia parte da sua rotina. Ela trabalhou em um shopping da cidade até novembro de 2025 para suprir gastos com medicamentos, materiais para aula, produtos de higiene pessoal e itens de limpeza. “A minha rotina cansativa era o que fazia eu conseguir permanecer na Universidade. Eu não queria apenas sobreviver, eu queria viver”, relata.</p>
<p>A situação vivida por Manuella não é isolada. Segundo dados da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (PRAE), a Universidade atende atualmente cerca de 3.657 estudantes por meio do Benefício Socioeconômico (BSE), programa que dá acesso a subsídios para a permanência de estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica.</p><p>De acordo com o Pró-Reitor Adjunto de Assuntos Estudantis, Victor de Carli Lopes, a instituição aplicou, em 2025, cerca de R$29,1 milhões em ações voltadas aos alunos. O valor contempla benefícios e serviços como a Casa do Estudante Universitário (CEU) e o Restaurante Universitário (RU), além de bolsas, auxílios e demais programas de assistência estudantil. Entre os recursos oferecidos pela instituição, destacam-se o auxílio alimentação, com investimento de R$2.021.250,00, o auxílio transporte, que recebeu R$1.016.330,00, e o auxílio pedagógico, com R$416.943,00 destinados aos estudantes. </p>		
										<figure>
										<img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/elementor/thumbs/Segunda-imagem-3-rqjomp6tgo7hrt1gu0iubh6r74zg0pg8tkj1oytnlk.jpg" title="Segunda imagem" alt="Victor de Carli Lopes, Pró-Reitor Adjunto de Assuntos Estudantis. Foto por Júlia Sones" loading="lazy" />											<figcaption>Victor de Carli Lopes, Pró-Reitor Adjunto de Assuntos Estudantis. Foto por Júlia Sones</figcaption>
										</figure>
										<figure>
										<img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/elementor/thumbs/Terceira-imagem-rqjou3756sbn1gb2opi9f427b6kbj1sa655gi9v8oo.jpg" title="Terceira imagem" alt="Edison Luiz Pavão Borges, coordenador da Casa do Estudante Universitário. Foto por Júlia Sones" loading="lazy" />											<figcaption>Edison Luiz Pavão Borges, coordenador da Casa do Estudante Universitário. Foto por Júlia Sones</figcaption>
										</figure>
		<p id="docs-internal-guid-6b3ec7ad-7fff-083a-3e4d-7f3bc11e7af9" dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">O coordenador da Casa do Estudante Universitário, Edison Luiz Pavão Borges, explica que a assistência estudantil é um conjunto de ações. "A moradia por si só não resolve. Então a gente deve somar todos os auxílios e fatores que foram desenvolvidos nos últimos anos para que o aluno permaneça aqui e consiga se formar com excelência”, declara Edison.</p>
<p> </p><p id="docs-internal-guid-cc99b9f6-7fff-5769-921b-e0552eee2c35" dir="ltr" style="line-height: 1.3800000000000001;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">A necessidade de buscar sustento externo e a rigidez de cursos integrais também cobram um preço alto, afetando diretamente a saúde dos estudantes. Isabela De Andrade, graduanda de Relações Públicas, precisou reorganizar drasticamente sua trajetória acadêmica para dar conta de uma rotina exaustiva em que dividia o tempo entre um estágio obrigatório da faculdade, um extracurricular em formato home office e um emprego presencial no comércio. A sobrecarga para se manter na cidade fez com que ela trancasse quatro disciplinas ao longo dos semestres, atrasando o curso em um ano e meio.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.3800000000000001;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">A pressão contínua resultou em um esgotamento extremo. Em 2025, Isabela sofreu um burnout e um surto psicótico, episódios que exigiram internação hospitalar e afastamento médico. Apesar do impacto severo, ela destaca o suporte que encontrou na instituição durante o período mais crítico para não perder o vínculo com a graduação. "A UFSM me auxiliou permitindo fazer cadeiras online enquanto estive internada. A rotina era muito pesada, não tinha como estagiar e fazer faculdade ao mesmo tempo", desabafa.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.3800000000000001;text-align: justify;margin-top: 12pt;margin-bottom: 12pt">As histórias de Manuella, Gabriel e Isabela mostram que a assistência estudantil desempenha um papel fundamental para garantir o acesso e a continuidade dos estudos de milhares de alunos. No entanto, os relatos também evidenciam que a permanência acadêmica envolve desafios que ultrapassam o alcance dos auxílios institucionais. Entre jornadas de trabalho extensas, dificuldades financeiras e a necessidade de conciliar diferentes responsabilidades, permanecer na Universidade ainda é um processo de constante adaptação e resistência.</p>		
										<figure>
										<img width="1024" height="582" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/07/Quarta-imagem-1024x582.jpeg" alt="" />											<figcaption>Ilustração por Eduardo Carlsson</figcaption>
										</figure>
		<p id="docs-internal-guid-dde0107d-7fff-6f46-22a8-7fd6bd1530f5" dir="ltr" style="line-height: 1.38;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Reportagem escrita por Júlia Sones e Nathalia Guerreiro</p>
<p> </p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>SEGURANÇA À PROVA DE CHAMAS</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2026/07/17/seguranca-a-prova-de-chamas</link>
				<pubDate>Fri, 17 Jul 2026 15:13:20 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[31° Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[.TXT]]></category>
		<category><![CDATA[ed31]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/?p=4230</guid>
						<description><![CDATA[UFSM trabalha na prevenção contra incêndios
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p>Para escutar o áudio da reportagem, clique abaixo:</p><p>[audio mp3="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/07/Audio-Reportagem-Felipe-e-Gabriel.mp3"][/audio]</p><p>Venerado por nossos ancestrais, o processo químico de combustão rápida que libera luz e calor, apelidado de fogo, nem sempre foi sinônimo de perigo. Na Roma e Grécia Antiga, a ‘chama sagrada’ simbolizava a união e proteção famíliar. Porém, em paralelo à veneração, o poder destrutivo das chamas também acompanhou a história da humanidade. </p><p>Em Santa Maria, isso não foi diferente. Vista como uma das maiores tragédias do Brasil, o incidente da Boate Kiss foi um marco na legislação de segurança contra incêndios no país. Ocorrido em 2013, os desdobramentos do acidente proporcionaram a revisão e readequação de uma série de normas, além da criação de legislações como a Lei Kiss, ou decretos como o 50.803, que tornaram mais rígida erestritiva a segurança.</p><p>Na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), a legislação criada a partir da tragédia na boate estimulou a criação do Núcleo de Prevenção de Incêndios (NPI). O setor integra a Pró-reitoria de Infraestrutura (Proinfra) e verifica as condições de mais de 350 edificações, só no Campus sede, além de garantir materiais de segurança e fazer a manutenção dos equipamentos.</p><p> </p><h3><strong>Os desafios de uma cidade-escola</strong></h3><p>Atualmente, cruzam pelo arco da UFSM mais de 30 mil pessoas, divididas entre técnico-administrativos, professores e acadêmicos. Em números, a ‘população universitária’ supera a quantidade de habitantes de mais de 400 municípios do Rio Grande do Sul.</p><p>Aos 65 anos, a UFSM possui construções das mais variadas idades e arquiteturas. A primeira delas foi o Centro de Tecnologia (CT). A mais recente foi o prédio 5F, do Colégio Técnico Industrial de Santa Maria, inaugurado em 2026. Na década de 1960, edificações com corredores e escadas estreitas eram comuns, bem como a pouca oferta de locais de saída. Nesse sentido, a vida de quem trabalhou em diversas épocas no Campus, contrasta com as mudanças e evoluções que a Universidade teve. Vigia do Hospital Universitário de Santa Maria na década de 80, José Carlos Dantas conta que prédios de grande circulação como o Hospital Universitário nem sempre tiveram a atenção merecida: “antigamente, se tinha fumaça, fogo ou qualquer problema, a gente dava um jeito de resolver. Não existia protocolo, orientação ou manual”. Entretanto, o ex-servidor destaca que, hoje, além de extintores por toda a parte, há também alarmes e tecnologias que detectam o fogo automaticamente.</p><p> </p><h3><strong>Medidas básicas de segurança</strong></h3> Apesar das restrições e rigidez na legislação, após 2013, os novos decretos abriram exceções conforme a idade e atividade prestada na edificação, o que significa que nem todas as construções podem ser alteradas, mas as que estão em uso possuem medidas básicasde segurança contra incêndios (box).De acordo com o NPI, há mais de 3,5 mil extintores espalhados pela UFSM, mas nem sempre a disponibilidade desses materiais significa a solução do problema. Edificações com grande circulação de pessoas, como os restaurantes universitários (RUs), também possuem servidores com cursos de brigadistas, que os capacitam a manusear, verificar equipamentos e orientar as pessoas em situações de perigo. Faxineiro do RU 2, João Arantes conta que cada etapa do curso simulou circunstâncias diferentes. “Verificamos a validade de extintores, apagamos princípios de incêndio, aprendemos a fazer primeiros socorros e até conduzimos evacuações de emergência”, descreve. <h3><strong>Simulações de incêndio</strong></h3><p>Em uma Instituição com tamanho de cidade, um dos grandes desafios é simular situações de incêndio. Além de ter sido o primeiro núcleo construído na UFSM, o Centro de Tecnologia também foi pioneiro nas simulações. Em abril de 2025, a atividade coordenada pela direção do Centro, pelo Grupo de Estudos e Pesquisas em Engenharia de Segurança Contra Incêndios (Gepesci) e pelo NPI reuniu mais de 600 pessoas com o objetivo de capacitar docentes, discentes e brigadistas.</p><p>O professor Rogério Antocheves tem pós-doutorado em Segurança contra Incêndio e ajudou na organização do evento. Para ele, simulações são atividades complexas que demandam meses de planejamento.”Toda a preparação foi realizada de forma sigilosa para garantir uma análise mais precisa sobre o comportamento do público. Também usamos as redes sociais para informar a comunidade, sobre como se portar nesses casos, e destacar equipamentos aliados como extintores, placas de sinalização e saídas de emergência”, pontua.</p><p>A formanda do Curso de Engenharia Civil, Carolina Matos, salienta que a divulgação desses conteúdos contribuiu para manter as informações frescas na memória e favorecer a resposta adequada durante a simulação. Para o primeiro tenente Alexandre Sena, comandante do 3o Pelotão de Bombeiros Militares de Camobi, apenas com treinamento é possível garantir eficiência nas simulações e reforçar o olhar atento para os protocolos e características de cada edificação. O profissional sugere que a cultura de prevenção de incêndio faça parte do cotidiano desde a infância: “Estamos em um processo de evolução. Seria interessante difundir este assunto nos bancos escolares, não apenas na parte acadêmica, mas sim nas séries iniciais, criando conhecimentos básicos”, explica Alexandre.</p><p> </p><h3><strong>Dor e esperança</strong></h3><p>A tragédia da Boate Kiss vitimou 242 pessoas. Entre elas, mais de cem eram estudantes da UFSM ou vestibulandos. Presidente da Associação de Familiares e Vítimas da Tragédia de Santa Maria (AVTSM), Flávio José da Silva perdeu sua filha Andrielle Righi da Silva, que na época tinha 22 anos. Desde 2013, ele participa ativamente na luta por justiça, além de contribuir com a comunidade de familiares ligados às vítimas.</p><p>De acordo com Flávio, anualmente entram milhares de novos estudantes na Universidade, e muitos deles eram crianças quando aconteceu a tragédia. Portanto, a criação de um “projeto de memórias” tem a função não apenas de relembrar a tragédia, mas também de enfatizar as causas e construir uma cultura de prevenção seria o ideal em uma cidade universitária. O presidente da Associação também destaca que a iniciativa é válida para que os jovens se tornem mais observadores e não escolham opções de entretenimento que não garantam sua segurança: “Minha filha escolheu o ingresso mais caro disponível à venda naquela noite, mas pagou com a própria vida”, afirma.<br />Apesar das dores do passado, o pai de Andrielle Silva destaca a importância e a positividade de simulações de incêndio, dentro do Campus. “Sei que atividades como essa são complicadas, mas o treinamento permite que as pessoas estejam preparadas e vidas sejam salvas”, ressalta.</p><p> </p><h3><strong>Futuro e prevenção</strong></h3><p>Em 2026, o trabalho conjunto do pró-reitor de Infraestrutura da UFSM, André Lübeck, juntamente com o chefe do NPI, Matheus Leiria, tem gerado avanços na prevenção de incêndios no Campus. Além de garantir que todas as edificações estejam com medidas básicas de segurança, a equipe finaliza, neste momento, um sistema digital de transparência disponível no site da Instituição. O recurso possibilita a verificação e a manutenção da situação dos extintores espalhados pela Universidade.</p><p>Além disso,a Proinfra tem articulado a realização de um curso de brigadistas que capacite professores e servidores de diversos setores do Campus. A medida é um dos passos para garantir mais simulações por toda a UFSM. De acordo com André Lübeck “não somos perfeitos e cometemos erros, mas não descansaremos quando o assunto for a segurança de nossa comunidade”.</p><p> </p><h3><b>Medidas de proteção ativa contra incêndio:</b></h3><p><strong>1. </strong><b>Extintores de incêndio:</b> Equipamentos portáteis essenciais para o combate inicial ao fogo, disponíveis em diferentes tipos conforme a classe do incêndio.</p><p><strong>2. </strong><b>Sinalização de emergência:</b> Placas e sinais que indicam saídas, rotas de fuga, localização de extintores e outros equipamentos de segurança.</p><p><strong>3. </strong><b>Iluminação de emergência:</b> Luzes que se ativam automaticamente em caso de falha no fornecimento elétrico, garantindo visibilidade nas rotas.</p><p><strong>4. </strong><b>Treinamento de prevenção e combate para os servidores:</b> Capacitação de profissionais para orientar as pessoas em situações de incêndio.</p>		
		<p><strong>Repórteres:</strong> Gabriel Ferraz e Felipe Wenceslau </p><p><strong>Contato: </strong> gabriel.ferraz@acad.ufsm.br | felipe.wenceslau@acad.ufsm.br</p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>A luta pela igualdade de gênero na UFSM</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2026/07/15/a-luta-pela-igualdade-de-genero-na-ufsm</link>
				<pubDate>Wed, 15 Jul 2026 04:07:04 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[31° Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Comunidade]]></category>
		<category><![CDATA[.TXT]]></category>
		<category><![CDATA[ed31]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/?p=4223</guid>
						<description><![CDATA[Após cinco anos da aprovação da Política de Igualdade de Gênero, desigualdades estruturais persistem no ambiente universitário
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:audio {"id":4224} -->
<figure class="wp-block-audio"><audio controls src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/07/Audioreportagem.TXTA-EDUARDAPOLLY-online-audio-converter.com_.mp3"></audio></figure>
<!-- /wp:audio -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A igualdade de gênero no Brasil é garantida pela legislação federal. Ainda assim, 83,5% das mortes violentas de mulheres no país ocorrem em ambientes domésticos ou em relações íntimas afetivas, de acordo com a Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres (ONU Mulheres). Mesmo que as leis garantam os mesmos direitos a todos, as desigualdades nas dinâmicas familiares, nas representações políticas e na esfera socioeconômica permeiam o cotidiano brasileiro.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Pesquisas como essa refletem a pobreza das discussões e incentivos públicos para concretizar a igualdade de gênero, não apenas no Brasil, mas também em Santa Maria. A cidade é a terceira do Rio Grande do Sul com maior número de vítimas de feminicídio, segundo a Secretaria de Segurança Pública do estado. Na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), o debate sobre acolhimento e enfrentamento dessas violências passou a ganhar força institucional nos últimos anos.<strong>&nbsp;</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Apesar das discussões sobre violência de gênero e desigualdade já existirem dentro do ambiente universitário, a UFSM só aprovou oficialmente sua Política de Igualdade de Gênero em 2021. Até então, as iniciativas relacionadas ao tema aconteciam de forma descentralizada, por meio de projetos e grupos de pesquisa isolados. São ações muitas vezes sustentadas pela força de vontade de pessoas interessadas na pauta, que buscam construir espaços de diálogo, acolhimento e enfrentamento mesmo sem uma estrutura institucional consolidada.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>O debate ativo na Universidade começa a se concretizar em 2017, com a oficialização da Comissão de Igualdade de Gênero, que marca um passo importante na tentativa de transformar a Universidade em um espaço mais seguro, inclusivo e acolhedor. O grupo realizava encontros semanais e reunia representantes de diferentes áreas, além de convidados externos que contribuíam para a construção de uma política interna. Segundo a Coordenadora da Comissão de Igualdade de Gênero da UFSM e atual Pró-Reitora de Assuntos Estudantis (PRAE/UFSM), Jaciele Sell, o processo foi lento e cercado por desafios.&nbsp;<br></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:media-text {"mediaId":4225,"mediaLink":"https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/?attachment_id=4225","mediaType":"image","mediaWidth":38,"verticalAlignment":"center"} -->
<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile is-vertically-aligned-center" style="grid-template-columns:38% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/07/JACIELE--736x1024.jpeg" alt="Fotografia colorida de Jaciele Sell em ambiente interno. Ao centro da imagem, ela aparece em pé, enquadrada da cintura para cima, com os braços cruzados à frente do corpo e expressão sorridente. Jaciele tem pele branca, olhos claros e cabelos castanhos curtos, repartidos lateralmente, com ondas na altura do queixo. Ela veste blusa vinho de um ombro só, com detalhe no ombro esquerdo. Usa anéis nas mãos e pulseira no pulso direito. Ao fundo, cortinas brancas desfocadas compõem um ambiente claro e discreto. A iluminação suave destaca o rosto e a vestimenta da entrevistada. 
" class="wp-image-4225 size-full" /></figure><div class="wp-block-media-text__content"><!-- wp:paragraph {"placeholder":"Conteúdo..."} -->
<p>Ela afirma que a criação da Comissão foi consequência do aumento de denúncias de assédio e do sentimento de insegurança vivenciado pelas mulheres no ambiente universitário. Sua construção envolveu a articulação entre diferentes setores, motivados pela necessidade de discutir violência de gênero, desigualdades estruturais e formas de cuidado às vítimas. “Não tinha por onde começar”, relembra Jaciele.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Em aproximadamente cinco anos, a Comissão promoveu audiências públicas, palestras, fóruns institucionais e consultas à comunidade acadêmica. O processo foi marcado por resistências internas e debates sobre conceitos considerados centrais para a política. Questões como a inclusão de pessoas trans, o uso dos termos “igualdade” ou “equidade” e a necessidade de pensar na assistência para mães estudantes passaram a fazer parte das discussões, de acordo com Jaciele.<br></p>
<!-- /wp:paragraph --></div></div>
<!-- /wp:media-text -->

<!-- wp:paragraph {"fontSize":"small"} -->
<p class="has-small-font-size">Coordenadora da Comissão de Igualdade de Gênero da UFSM e atual Pró-Reitora de Assuntos Estudantis (PRAE/UFSM), Jaciele Sell.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A demanda de institucionalizar essas iniciativas ganhou força. Em novembro de 2021, a Universidade aprovou oficialmente sua primeira Política de Igualdade de Gênero, por meio da Resolução nº 064/2021. O documento reconhece a desigualdade como uma questão estrutural que vai além da vida universitária e  estabelece diretrizes que determinam três eixos: promoção da igualdade de gênero; enfrentamento e responsabilização em casos de violência; e assistência às vítimas. </p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A resolução marcou a criação da Casa Verônica, espaço multiprofissional pensado para acolher pessoas em situação de violência de gênero e articular ações de apoio na Universidade. O Comitê de Igualdade de Gênero (CIG), vinculado à Casa, atua em parceria com serviços públicos de saúde e não executa diretamente políticas ou atendimentos, mas atua como um órgão de formulação e articulação. “O Comitê pensa iniciativas e propõe caminhos a partir da Política Institucional”, explica o assistente social e integrante do CIG, Ricardo Felippe. </p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A Casa Verônica surge como um dos principais braços da Política de Igualdade de Gênero na UFSM e promove atividades educativas, palestras e ações de letramento. Iniciativas que, segundo Ricardo, geram tensão entre setores e buscam incentivar mobilizações. O objetivo, de acordo com ele, é desnaturalizar aspectos estruturais, iniciar discussões e trazer à tona pautas sensíveis. <br></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>O nome do espaço foi escolhido pela comunidade universitária por meio de votação e carrega um significado político e simbólico. O título homenageia Verônica de Oliveira, mulher trans e ativista LGBTQIAP+ de Santa Maria. Verônica, conhecida por acolher pessoas em situação de vulnerabilidade em sua casa, foi vítima de transfeminicídio em 2019. Ao adotar seu nome, a Casa busca manter viva a memória de sua trajetória e reconhecer a relevância histórica de sua atuação na cidade.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Mais de quatro anos após a aprovação da Política de Igualdade de Gênero, o Comitê da Casa Verônica promove uma Consulta Pública, em abril de 2026, sobre a proposta de alteração do documento da Política. A intenção foi ampliar o diálogo e qualificar as estratégias institucionais de prevenção e enfrentamento às desigualdades.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A ativista e pesquisadora em Teatro e violência de gênero, licenciada pela UFSM, Sofia Lopes Dotto, se fez presente durante a Consulta. A egressa declarou, em seu perfil público do Instagram, que o encontro não promoveu o acolhimento ou um espaço de escuta da comunidade acadêmica, mas sim uma oportunidade da instituição contestar e rebater as contribuições do público.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Durante a Consulta, foi determinado que as solicitações da comunidade seriam formalizadas via e-mail. Sofia Dotto afirma que o seu documento com as reivindicações e as sugestões para aprimorar a Política foi enviado ao Comitê de Igualdade de Gênero, mas a resposta do CIG, segundo ela, foi recebida em junho de 2026, dois meses após o encontro, sem um retorno concreto sobre as propostas. "A Consulta Pública foi um retrato do descaso da UFSM", declarou.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:heading {"fontSize":"large"} -->
<h2 class="wp-block-heading has-large-font-size"><strong>O caso de Sofia Dotto</strong><br></h2>
<!-- /wp:heading -->

<!-- wp:image {"id":4227,"width":"858px","height":"auto","sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/07/SOFIA-1024x683.jpeg" alt="Fotografia retangular horizontal colorida de Sofia Lopes Dotto em cena artística. Ao centro da imagem, ela aparece enquadrada dos ombros para cima. Sofia está com o rosto voltado para a direita, boca aberta e mão direita posicionada ao lado da boca. A expressão é intensa e enérgica. Ela usa maquiagem elaborada, com batom vermelho, delineador claro ao redor dos olhos e elementos decorativos que se estendem pela testa. Os cabelos estão penteados para trás, com aparência úmida. Ela veste roupa vermelha em tom semelhante ao da maquiagem. Ao fundo, uma área escura e desfocada ocupa a imagem. Fotografia retangular horizontal colorida de Sofia Lopes Dotto em cena artística. Ao centro da imagem, ela aparece enquadrada dos ombros para cima. Sofia está com o rosto voltado para a direita, boca aberta e mão direita posicionada ao lado da boca. A expressão é intensa e enérgica. Ela usa maquiagem elaborada, com batom vermelho, delineador claro ao redor dos olhos e elementos decorativos que se estendem pela testa. Os cabelos estão penteados para trás, com aparência úmida. Ela veste roupa vermelha em tom semelhante ao da maquiagem. Ao fundo, uma área escura e desfocada ocupa a imagem. " class="wp-image-4227" style="width:858px;height:auto" /></figure>
<!-- /wp:image -->

<!-- wp:paragraph {"fontSize":"small"} -->
<p class="has-small-font-size">Ativista e pesquisadora em Teatro e violência de gênero, licenciada pela UFSM, Sofia Lopez Dotto. </p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Sofia e outras colegas da turma de Teatro de 2021 foram vítimas de violência de gênero, por um ex-docente e um ex-discente da Universidade, ao longo de três dos quatro anos da graduação. Ambos os agressores eram reincidentes em crimes sexuais contra estudantes. Essas mulheres foram submetidas a comentários impróprios sobre seus corpos, toques inadequados e insinuações sexuais sob pretexto de aulas práticas do currículo do curso.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A ativista desenvolveu Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), o qual afeta diretamente suas memórias e seus aprendizados da licenciatura, marcada pela violência. Em 2025, Sofia escolhe relatar sua experiência por meio do seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), intitulado&nbsp; “Teatro E (Auto)Biografias Femininas: Uma Trilha Para A Discussão De Violência De Gênero Em Ambiente Acadêmico”. Este promove cinco oficinas para oito mulheres diversas com vínculo com a UFSM, selecionadas com objetivo de transformar o teatro em uma linguagem disparadora para as narrativas de violência de gênero.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Sofia ainda relata as dificuldades enfrentadas ao decidir formalizar acusações à uma autoridade da instituição e os desafios sofridos ao longo de um ano, no qual perdurou o Processo Administrativo. Ela afirma que as histórias de assédio em espaços acadêmicos se tornam boatos de corredor, pois não é do interesse da Universidade defender seus discentes. As denúncias e a luta dessas mulheres resultaram na demissão e no desligamento dos agressores, em 2024, por prática de assédio moral e sexual contra estudantes. "A Política não têm efetividade nenhuma. Se as vítimas antes de mim tivessem sido ouvidas, eu não teria sido violentada”, ressalta.&nbsp;<br></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Texto:<em> Eduarda Zonta e Pollyana Bronzatto</em><br></p>
<!-- /wp:paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Literatura para recomeçar</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2026/07/10/literatura-para-recomecar</link>
				<pubDate>Fri, 10 Jul 2026 17:54:00 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[31° Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Dossiê]]></category>
		<category><![CDATA[.TXT]]></category>
		<category><![CDATA[ed31]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/?p=4216</guid>
						<description><![CDATA[Projeto “Livros que livram: remição da pena” aproxima estudantes e apenados por meio da leitura e do diálogo]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:paragraph -->
<p>Para escutar o áudio da reportagem, clique abaixo:</p>
<!-- /wp:paragraph -->
<!-- wp:audio {"id":4217} -->
<figure><audio controls src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/07/audioreportagem-txt.mp3"></audio></figure>
<!-- /wp:audio -->		
										<figure>
										<img width="768" height="1024" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/07/foto-1-1.jpeg" alt="" />											<figcaption>Apenadas do Presídio Regional de Santa Maria (PRSM) participam de encontros mensais</figcaption>
										</figure>
		<p id="docs-internal-guid-c5faec83-7fff-ac71-0d92-7d51721a9e0c" dir="ltr" style="line-height: 1.3800000000000001;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Na periferia de Porto Alegre, nos anos 1990, Vera, personagem fictícia criada por José Falero, vive com outras mulheres que compartilham uma mesma responsabilidade: sustentar as famílias mesmo em meio à pobreza. Faxineira, ela cria como filho o sobrinho e divide o quintal da casa com a mãe, as quatro irmãs e os filhos de cada uma delas. Entre o trabalho exaustivo, a violência cotidiana e as desigualdades que atravessam a cidade, Vera tenta manter de pé a própria vida e a daqueles que dependem dela. </p>
<p> </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.3800000000000001;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Em Santa Maria, abril de 2026, a história de Vera foi tema de um encontro realizado no Presídio Regional, no bairro Nossa Senhora da Medianeira. Todos os meses, junto a estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), mulheres privadas de liberdade participam de rodas de conversa sobre literatura, com o objetivo de reduzir suas penas. </p>
<p> </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.3800000000000001;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Dentro da sala de aula do presídio, oito mulheres e  um homem trans se organizam para comentar a leitura do mês. Com o acompanhamento da psicóloga da instituição, o grupo inicia a conversa, retoma os principais pontos da obra e relembra a trajetória da protagonista.</p>
<p> </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.3800000000000001;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Ao longo do encontro, os comentários sobre a trajetória de Vera se aproximam das experiências compartilhadas pelas apenadas. Algumas apontam o desejo de um desfecho mais feliz para a personagem, outras identificam semelhanças entre a realidade do livro e as próprias vivências. Assim como Vera espera que os tempos difíceis passem, mesmo que lentamente, as participantes também expressam esse sentimento em suas trajetórias e nas expectativas de mudança construídas durante o cumprimento da pena.</p>
<p> </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.3800000000000001;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Durante a conversa, as integrantes também relacionam a leitura a referências presentes em filmes e produções audiovisuais às quais têm acesso pela televisão no presídio. Entre os títulos mencionados, estavam “A Vida e a História de Madam C.J. Walker” e “Que Horas Ela Volta?”, obras que discutem trabalho, desigualdade e os papéis socialmente atribuídos às mulheres, especialmente em contextos marcados pela invisibilidade feminina.</p>
<p> </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.3800000000000001;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Doutoranda em Ciências Sociais  e integrante do projeto de extensão “Livros que Livram”, Juliana Felix, media a conversa, que avança para além da narrativa do romance e aborda permanências e transformações na condição das mulheres desde os anos 1990. </p>		
			<h2>A leitura como direito</h2>		
										<figure>
										<img width="766" height="1024" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/07/foto-2-766x1024.jpeg" alt="" />											<figcaption>A lei de remição pela leitura está presente na legislação desde 2011</figcaption>
										</figure>
		<p id="docs-internal-guid-dff32258-7fff-3384-1e84-555a905b0199" dir="ltr" style="line-height: 1.3800000000000001;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Prevista na legislação brasileira desde 2011, a remição de pena pela leitura permite que pessoas privadas de liberdade reduzam parte da condenação por meio do acesso aos estudos e à produção de resenhas. Após a retirada do livro, a pessoa tem de 21 a 30 dias para concluir a leitura e, em seguida, dez dias para entregar o relato escrito à mão sobre a obra.</p>
<p> </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.3800000000000001;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Os textos passam pela análise de uma Comissão de Validação instituída pelo juízo responsável. A legislação prevê a remição de quatro dias de pena por obra lida e validada, com limite de até 12 livros por ano, o que pode representar a redução de até 48 dias da pena nesse período. Qualquer obra literária pode ser utilizada no processo, desde que a leitura e a produção do relatório sejam comprovadas e aprovadas pela comissão responsável.</p>
<p> </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.3800000000000001;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Dados divulgados pela Secretaria Nacional de Políticas Penais apontam crescimento nos pedidos de remição de pena por meio da leitura no Brasil. Segundo informações do Sistema Nacional de Informações Penitenciárias (SISDEPEN), o primeiro semestre de 2024 registrou aumento de 41.910 solicitações em comparação ao mesmo período de 2023. O avanço é associado à ampliação de iniciativas voltadas ao acesso à educação e à leitura dentro do sistema prisional. </p>
<p> </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.3800000000000001;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Em Santa Maria, o Presídio Regional segue as diretrizes da Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). No local, as mulheres cumprem pena em alas exclusivas e em regime fechado, enquanto a ala masculina é destinada aos regimes semiaberto e aberto, com separação física entre os gêneros.</p>		
			<h2><h2>Livros que Livram</h2></h2>		
										<figure>
										<img width="768" height="1024" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/07/foto-3-768x1024.jpeg" alt="" />											<figcaption>O projeto possui integrantes de diversos cursos da UFSM</figcaption>
										</figure>
		<p id="docs-internal-guid-347ec77b-7fff-3bde-b221-40c9b3b967d8" dir="ltr" style="line-height: 1.3800000000000001;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Criado em 2018 e vinculado ao curso de Direito da UFSM, o projeto de extensão Livros que Livram reúne estudantes, pesquisadores e professores de diferentes áreas em torno da remição de pena pela leitura. Participam da iniciativa integrantes dos cursos de graduação em Direito, Letras, Psicologia, Comunicação Social e Ciências Sociais, além de estudantes de pós-graduação, mestrandos e doutorandos. Coordenado pela professora do departamento de Direito, Angela Araújo da Silveira Espindola, o projeto realiza oficinas de leitura mensais no Presídio Regional de Santa Maria.</p>
<p> </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.3800000000000001;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">A proposta parte da perspectiva interdisciplinar do movimento Direito e Literatura, corrente acadêmica que aproxima os estudos jurídicos das interpretações e reflexões produzidas pelos livros. Nos encontros, os livros funcionam como ponto de partida para discussões sobre trabalho, gênero, desigualdade social e experiências individuais.</p>
<p dir="ltr"> </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.3800000000000001;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">A professora e coordenadora do projeto explica que a proposta expande as possibilidades de acesso à leitura e o diálogo dentro do sistema prisional. “Ainda que as pessoas estejam cumprindo pena, elas têm direito a um tratamento humano, algumas possibilidades de ver a vida de outro jeito”, ressalta.</p>
<p> </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.3800000000000001;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Além da produção das resenhas exigidas para a remição de pena, as rodas de conversa buscam ampliar o acesso à literatura e transformar a leitura em uma atividade coletiva de debate e troca de experiências. A escolha das leitoras acontece por meio de uma triagem feita pela unidade prisional. Em média, nove a 12 apenadas participam das discussões sobre as obras. Para Angela, o projeto também impacta a formação universitária dos estudantes envolvidos. “A extensão é uma via de mão dupla. Ela ajuda os apenados, mas ela ajuda muito o estudante de Direito”, destaca.</p>		
			<h2><h2>A importância do projeto para estudantes de direito</h2></h2>		
		<p id="docs-internal-guid-44a96e19-7fff-e38a-6634-1af17e29bf59" dir="ltr" style="line-height: 1.3800000000000001;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Na sala de aula do Regional, experiências e histórias que dificilmente caberiam apenas nas páginas dos livros são compartilhadas com os estudantes da UFSM. A estudante de Psicologia Ana Julia Barcelos ingressou no projeto motivada pelo interesse na área jurídica. Mesmo com pouco tempo de participação nos encontros, a experiência já modificou sua percepção sobre o sistema prisional e os contextos relacionados ao encarceramento. “Quando cheguei lá, percebi que era diferente do que eu imaginava. Quebrou um pouco desse estigma que eu tinha”, relata. </p>
<p> </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.3800000000000001;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">O estudante de Direito Pietro Silva, bolsista do projeto até o final de 2025, conta que, inicialmente, encontrou no Livros Livram um modo de cumprir a carga horária de extensão, mas, com o tempo, os encontros no presídio agregaram à sua trajetória acadêmica. “Era a oportunidade que a gente precisava para botar em prática aquilo que aprende ou ouve falar durante a faculdade”, comenta.</p>
<p> </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.3800000000000001;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">No decorrer das ações, o estudante teve contato com o ensaio “O Direito à Literatura”, de Antonio Candido. No texto, o autor defende que o acesso aos livros deve ser entendido como um direito tão importante quanto outras necessidades básicas. “Isso é um direito fundamental. Não pode ser retirada de ninguém”, destaca Pietro.</p>
<p> </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.3800000000000001;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Ao corrigir as resenhas, o estudante encontra relatos sobre a leitura como uma forma de escapar simbolicamente do cárcere. “Elas falavam que o livro as fazia fugirem da realidade, sair de dentro do presídio, mesmo que não pudessem sair dali”, relembra.</p>
<p> </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.3800000000000001;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Para Juliana, integrante do projeto, a experiência no projeto também transforma a sua percepção sobre as participantes dos encontros. “No primeiro momento, pensei que eram apenas apenadas que cometeram crimes. Mas tem uma história por trás dessas mulheres”, ressalta. Com o passar das conversas, ela conta que os encontros deixam de seguir um roteiro e passam a se construir a partir das vivências compartilhadas pelas participantes. “A conversa acontece de acordo com o coração delas, do que elas estão sentindo”, explica.</p>
<p> </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.3800000000000001;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">O Livros que Livram também dialoga com resoluções recentes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Para Angela, a iniciativa vai além da remição de pena e busca garantir “o direito de fabular, que só se concretiza a partir do acesso aos livros”. Com a continuidade das atividades, a proposta é ampliar a participação de estudantes como mediadores de leitura e fortalecer a atuação nas instituições prisionais de Santa Maria com a retomada das ações na Penitenciária Estadual de Santa Maria (PESM) e a manutenção dos encontros realizados no Presídio Regional de Santa Maria (PRSM). </p>
<p> </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.3800000000000001;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Texto: Giovanna Felkl e Janine Paula</p>
<p> </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.3800000000000001;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Fotos: Banco de imagens do projeto Livros que Livram</p>
<p> </p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>A maternidade para além do cárcere </title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2026/07/08/a-maternidade-para-alem-do-carcere</link>
				<pubDate>Wed, 08 Jul 2026 18:24:41 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[31° Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Dossiê]]></category>
		<category><![CDATA[.TXT]]></category>
		<category><![CDATA[ed31]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/?p=4135</guid>
						<description><![CDATA[Criado em 2016, Projeto Inspira promove o reencontro fora do presídio entre mães privadas de liberdade e seus filhos]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p>Para escutar o áudio da reportagem, clique abaixo:</p>
<figure>
<p>[audio mp3="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/06/audioreportagem.mp3"][/audio]</p>
</figure>
<figure>
										<img width="1024" height="683" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/07/foto-inspira-1024x683.jpg" alt="" /><figcaption>Participantes do Projeto Inspira acompanham apresentação musical durante o encontro | Foto: Eduarda Zonta</figcaption></figure>
<p>“Esse encontro inspira transformações”. A frase registrada nas costas das camisetas usadas por mulheres em privação de liberdade e seus filhos representa as marcas deixadas em cada participante do Projeto Inspira. Com organização da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), da Polícia Penal (PP) e da Polícia Federal (PF), o último encontro do Projeto Inspira ocorreu no dia 15 de maio deste ano. As atividades são realizadas nos meses de maio, outubro e dezembro, para celebrar o Dia das Mães, o Dia das Crianças e o Natal. Desta vez, oito mulheres apenadas e 14 crianças tiveram a oportunidade de se reencontrar fora do ambiente de visitas do Presídio Regional de Santa Maria. O pavilhão da Polícia Federal foi o local que, transformado em um salão de festas, recebeu mães e filhos com balões, brincadeiras, cama elástica, comidas, apresentações e música. </p>
<p>Na manhã deste dia, às 8h36min, chegaram as mulheres escoltadas por oito agentes penitenciários, responsáveis por cuidar de cada uma delas. O pavilhão já estava cheio de voluntários na cozinha, professores e estudantes da Universidade, policiais penais e federais. Todos os olhares foram direcionados às mulheres.</p>
<p>Em outros bairros da cidade, desde as 7h30min, a psicóloga da Polícia Penal, Renata Domingues, e o agente da Polícia Federal, José Getúlio Pompeo, buscavam, com um ônibus da PF, cada uma das crianças em suas casas. Eles são os responsáveis pelo deslocamento e o contato com as famílias. Para que o projeto ocorra, o Inspira é viabilizado por meio de três requisitos: o vínculo entre mãe e filho, a autorização da família e a residência em Santa Maria. O comportamento funciona como critério de exclusão, e não de inclusão. </p>
<p>No pavilhão da Polícia Federal, às 8h46min, o clima de ansiedade se transformou em emoção com a chegada das crianças. Antes delas entrarem no salão, as mães já correram para a porta ao escutar as vozes, gritos e risadas infantis. Então, abraços e lágrimas marcaram o reencontro por alguns instantes. Para os filhos, de dois a 14 anos, esse momento representa o contato materno que não é mais diário. Eles brincam e fazem com que as mulheres também voltem a ser crianças por algumas horas. Para as mães, é um dia de dignidade. Elas estão “livres”, sem algemas, e exercem a maternidade – cuidam, brincam, trocam de roupa, levam ao banheiro e alimentam seus filhos. As atividades cotidianas que compõem essa convivência podem ser retomadas por elas durante um dia.</p>
<figure>
										<img width="1024" height="683" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/06/foto-inspira-1-1024x683.jpg" alt="Fotografia horizontal e colorida de atividade recreativa durante encontro do Projeto Inspira. Em primeiro plano, uma menina está de costas para a câmera com os braços erguidos. À frente dela, uma mulher também mantém os braços levantados. As mãos das duas se encontram no alto. A imagem enquadra a mulher apenas até a altura do pescoço, sem mostrar o rosto. Ambas vestem camisetas brancas com mangas azul-claras e calças rosas. A menina tem cabelos longos, lisos e castanhos escuros e veste blusa de mangas listradas em tons de rosa sob a camiseta. A mulher tem cabelos longos, lisos e em tom de ruivo avermelhado. Ao fundo, uma lona transparente ocupa grande parte da imagem. No canto direito, em desfoque, há móveis brancos de uma cozinha infantil, como fogão e armários, e uma criança menor, de costas, na frente dos móveis." />											</p>
<figcaption>Atividade recreativa realizada durante o encontro do  Projeto Inspira | Foto: Eduarda Zonta</figcaption>
</figure>
<p>Privada de liberdade, Amanda Santos* participa do Projeto Inspira pela terceira vez. Ela não recebe a visita dos dois filhos durante o ano porque a mais velha, responsável por eles, acredita que as crianças não devem ser expostas ao ambiente penitenciário. Por isso, o Inspira é a única alternativa. Para Amanda, o encontro representa o respiro de sair de dentro do presídio e uma oportunidade de rever seus filhos. “Para mim, é uma liberdade de volta”, relata.</p>
<p>Todas as mulheres que fazem parte do Inspira estão condenadas e em regime fechado. Uma consequência do encarceramento é a perda do crescimento e do desenvolvimento de seus filhos. A apenada Aline Cardoso* destaca que, no encontro anterior do Inspira (realizado em outubro de 2025), seu filho mais novo, de três anos, não falava nem caminhava. Desta vez, o menino já corria pelo espaço e conversava com todos. Isso a deixou assustada. </p>
<p>A chegada da banda da Base Aérea marcou o início do fim. Ao som de <i style="color: #000000;font-size: 1rem">Photograph</i>, de Ed Sheeran, e Amigo Estou Aqui, de Toy Story, o espaço começa a se esvaziar. A despedida é a pior parte, de acordo com a psicóloga Renata. “Nós precisamos, neste momento, retirar as crianças do colo das mães, porque elas não querem ir embora de jeito nenhum”, destaca. E assim foi. Mães e filhos se despediram. As crianças mais velhas acompanharam os irmãos mais novos, de mãos dadas. De longe, as mães abanaram para o ônibus e o silêncio ecoou no pavilhão. Às 16h02min, as mulheres foram organizadas em filas e retornaram ao presídio. </p>
<p>*Nome fictício usado para preservar a identidade da entrevistada. </p>
</p>
<h3><b><i>A manutenção do vínculo</i></b></h3>
<figure>
										<img width="1024" height="683" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/06/foto-inspira-1024x683.jpg" alt="Fotografia horizontal e colorida de participantes do Projeto Inspira que assistem a uma apresentação durante encontro do grupo. Em primeiro plano, de costas, cinco mulheres e três crianças estão sentadas em cadeiras plásticas brancas, voltadas para a apresentação. Duas crianças estão sentadas no colo de mulheres e uma ocupa uma cadeira plástica. Todos vestem camisetas brancas com mangas azul-claras e a frase “Este encontro inspira transformações” estampada nas costas. Ao fundo, o ambiente amplo apresenta paredes brancas, escada à esquerda e abertura à direita, por onde entra iluminação natural. Cerca de quatro pessoas estão ao fundo, sendo duas sentadas no centro e duas de pé no lado direito. Uma das pessoas de pé é um homem que veste farda policial e está próximo à porta." />											</p>
<figcaption>Participantes do Projeto Inspira assistem a uma apresentação durante encontro do grupo | Foto: Eduarda Zonta</figcaption>
</figure>
<p>Em um ambiente marcado pela distância da família e pela rotina do sistema prisional, a maternidade permanece como um ponto central na vida de mulheres privadas de liberdade. A psicóloga Renata destaca que a presença dos filhos torna-se uma motivação. “Sempre fazemos algo por alguém. E as mulheres, o objetivo é o filho, a maternagem é uma coisa muito forte”, ressalta. Embora existam muitas outras mães no presídio, ampliar o número de participantes ainda representa um desafio.</p>
<p>Mesmo na realidade do cárcere, essas mulheres ainda exercem o papel de mães. Nos encontros, elas têm a oportunidade de passar um tempo com os filhos em um ambiente diferente da rotina prisional. São momentos de conversa, brincadeiras e convivência que ajudam a fortalecer os laços familiares. A pedagoga Carol Fontana da Silva, que acompanha o projeto desde 2016, explica que o trabalho busca acolher as crianças que convivem com essa realidade. Segundo Carol, o objetivo é ouvir e estar presente na vida das crianças sem julgamentos, para reconhecer que o acolhimento às diferentes infâncias constitui a base de qualquer aprendizagem.</p>
<p>Para reduzir os impactos do cárcere no desenvolvimento infantil, a legislação e decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) permitem a conversão da prisão preventiva em domiciliar para gestantes e mães de crianças de até 12 anos, além de mulheres que apresentem bom comportamento. Para a professora do Departamento de Metodologia do Ensino, do Centro de Educação da UFSM,  e coordenadora do projeto, Graziela Escandiel, os encontros têm impacto direto na relação entre mães e filhos, uma vez que permitem momentos de convivência fora do ambiente comum das visitas no presídio. “O que importa é eles ficarem com as mães. Então, se eles ficam ali juntos, é uma interação que nós, da educação, entendemos que é importante”, afirma.</p>
<p> Segundo Graziela, apesar de ser uma ação pontual em um momento específico da vida dessas mulheres, os encontros fazem diferença e despertam um sentimento de reconhecimento por proporcionarem aos filhos uma experiência de convivência mais afetiva com as mães.</p>
</p>
<h3><b><i>Dez anos de história</i></b></h3>
<p>Criado em 2016 pelo ex-delegado da Polícia Federal (PF) e secretário de Segurança Pública de Santa Maria, Getúlio de Vargas, o Projeto Inspira completou dez anos de história em 2026. Segundo o secretário, em um primeiro momento, o projeto foi idealizado com o objetivo de dar uma recompensa às mulheres em privação de liberdade com melhor comportamento dentro do presídio. </p>
<p>No primeiro encontro, realizado em oito de abril de 2016, havia em torno de 15 mães e 25 crianças. Com o passar do tempo, por logística e segurança, foi estabelecida uma média de dez mães e 15 crianças. Os recursos financeiros usados para a concretização do Inspira são captados nos editais para projetos sociais da Vara de Execuções Criminais (VEC). </p>
<p>A professora Graziela Escandiel, coordenadora do curso de Pedagogia da UFSM na época, entrou no projeto para suprir a necessidade de montagem e planejamento de oficinas e atividades para o dia do encontro. Em 2018, o Inspira passou a ser  uma das primeiras iniciativas do Observatório de Direitos Humanos (ODH) no eixo de extensão prisional. </p>
<p>Pela Polícia Federal, a papiloscopista Rosa Maria Veiga coordenou o Inspira de 2019 a 2025. Para ela, a parceria entre Polícia Federal, Polícia Penal e Universidade torna o projeto mais fácil. “Uma instituição está interligada à outra. É a corrente que forma o Inspira. Se um elo romper, acaba o projeto”, declara. A partir de 2025, o responsável do Inspira pela PF é o agente federal José Getúlio Pompeo. Em 2026, os próximos encontros estão previstos para novembro e dezembro. </p>
<p><strong>Repórteres:</strong> Nicolle Seixas e Rinália Figueiredo </p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;background-color: #ffffff;margin-top: 0pt;margin-bottom: 12pt">Contato: nicolle.seixas@acad.ufsm.br | rinalia.figueiredo@acad.ufsm.br</p>

<!-- wp:paragraph -->
<p></p>
<!-- /wp:paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Mulheres e (in)justiça climática</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2026/07/06/mulheres-e-injustica-climatica</link>
				<pubDate>Mon, 06 Jul 2026 18:14:20 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[31° Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[.TXT]]></category>
		<category><![CDATA[ed31]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/?p=4205</guid>
						<description><![CDATA[Pesquisas da UFSM mostram que desastres climáticos aprofundam desigualdades de gênero
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:audio {"id":4206} -->
<figure class="wp-block-audio"><audio controls src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/07/audio_mulheres.mp3"></audio></figure>
<!-- /wp:audio -->

<!-- wp:image {"id":4210,"width":"608px","height":"auto","aspectRatio":"0.7500079828846952","sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/07/Copia-de-primeira-imagem-mulheres-edited.jpg" alt="Fotografia vertical colorida de uma casa parcialmente destruída após danos estruturais. Ao centro da imagem, uma parede cinza com revestimento de cimento permanece de pé. Acima da parede, estrutura de tijolos alaranjados aparentes forma um triângulo que seria parte do telhado. Na parede cinza, há uma abertura quadrada onde antes ficava uma janela. Abaixo, a estrutura continua com tijolos alaranjados aparentes. Em primeiro plano, pedaços de madeira e restos de materiais de construção estão espalhados e empilhados junto à base da parede. Pela abertura da antiga janela, aparece uma antena parabólica instalada na área externa. Ao fundo, vegetação densa e verde ocupa a paisagem. Acima, céu azul-claro com poucas nuvens brancas. 
" class="wp-image-4210" style="aspect-ratio:0.7500079828846952;width:608px;height:auto" /></figure>
<!-- /wp:image -->

<!-- wp:paragraph {"fontSize":"small"} -->
<p class="has-small-font-size"><strong>(Casa no bairro Itararé após enchentes / Foto por: Júlia Colnaghi)&nbsp;</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Quando ocorre um desastre climático, nem todos enfrentam seus impactos da mesma maneira. Além das perdas materiais e dos riscos imediatos, muitas mulheres assumem a tarefa de sustentar redes de cuidado essenciais para a sobrevivência e a reconstrução das localidades atingidas. Em um contexto de intensificação de eventos extremos no Rio Grande do Sul, especialmente após as enchentes de 2024, pesquisas da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) buscam compreender como essas experiências revelam desigualdades já existentes.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Uma das iniciativas é o projeto “Justiça climática e resiliência comunitária: integrando saberes locais e governança de riscos na prevenção de desastres em Santa Maria”, coordenado pela professora do Departamento de Direito da UFSM, Francielle Tybush. Um de seus objetivos é gerar dados concretos para algo que o campo teórico aponta há tempos: as pessoas mais afetadas pelos desastres são aquelas já vulnerabilizadas por questões de gênero, raça e classe.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Francielle defende o uso do termo “injustiça climática” em vez do já conhecido “justiça climática”. As mulheres, além de enfrentarem os impactos diretos de enchentes e deslizamentos, são as principais responsáveis pelas tarefas de cuidado, como a atenção aos filhos, aos idosos da família e aos companheiros doentes. A sobrecarga feminina após os desastres evidencia uma dupla vulnerabilidade, causada pelas consequências de um desastre climático e agravada por questões de gênero instauradas na sociedade.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Em seu trabalho de conclusão do curso de Direito, Júlia Colnaghi, orientada por Francielle, entrevistou mulheres dos bairros mais atingidos pelas chuvas de 2024 em Santa Maria. O objetivo da pesquisa é compreender como elas foram afetadas pelo desastre. Ao responderem sobre em quem pensariam ou salvariam primeiro no caso de um desastre, todas as mães afirmam priorizar os filhos (mesmo que já sejam adultos ou não morem na mesma casa), os companheiros e os animais domésticos.&nbsp;</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Para Júlia, a pergunta costumava causar estranhamento entre as participantes da pesquisa. Para muitas, a resposta era tão evidente que parecia não haver outra possibilidade além de pensar primeiro na segurança de familiares e dependentes. “Era muito interessante que as mulheres achavam quase um absurdo eu perguntar isso”, comenta a pesquisadora.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A enfermeira Elizangela Machado, liderança da Associação Comunitária Tancredo Neves, um dos bairros pesquisados por Júlia, comenta que, em 2024, todas as atividades do centro foram interrompidas para dar lugar à organização e ao preparo das refeições. Além de tomar frente nessas iniciativas, Elizangela acompanha desde então mulheres cujas casas sofreram danos com alagamentos. Segundo ela, mães solo, idosas e viúvas estão entre as mais afetadas emocionalmente. “O céu escurece e elas já começam a entrar em desespero”, relata. Os impactos, em sua percepção, ultrapassam as perdas materiais: “às vezes não é uma cesta básica que elas precisam, às vezes é um acolhimento, uma palavra, um carinho”.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Ao falar sobre seu trabalho, Elizangela também ressalta um sentimento de sobrecarga em relação à própria rotina, dividida entre a atuação no centro comunitário e o cuidado da casa e dos filhos. “As mulheres tentam ser fortes o tempo inteiro, mas depois tu para e pensa: eu também não superei”, afirma.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:image {"id":4209,"width":"896px","height":"auto","sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/07/Copia-de-segunda-imagem-mulheres-1-1024x683.jpg" alt="Fotografia horizontal colorida da enfermeira Elizangela Machado em um banco azul de praça. Ao centro da imagem, ela aparece de perfil voltada para a direita. A mulher tem pele parda, cabelos pretos presos em coque na altura da nuca e usa batom vermelho. Ela veste blusão de tricô rosa-claro de mangas compridas e calça preta. Os braços estão flexionados à frente do corpo e as mãos erguidas na altura do peito. Ao fundo, árvores recebem iluminação solar suave filtrada entre as folhas. 

" class="wp-image-4209" style="width:896px;height:auto" /></figure>
<!-- /wp:image -->

<!-- wp:paragraph {"fontSize":"small"} -->
<p class="has-small-font-size"><strong>(A enfermeira Elizangela Machado / foto: Emmanuelly Zini)</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A doutoranda em Psicologia Social na UFSM, Alíssia Dornelles, pesquisa o que chama de “itinerários de cuidado” na experiência de mulheres diante das inundações no estado. A psicóloga reforça o argumento de que eventos climáticos extremos acentuam desigualdades já presentes na sociedade e aumentam ainda mais a carga de trabalhos de cuidado, muitas vezes invisibilizada. Em abrigos, cozinhas solidárias e espaços de acolhimento, eram elas que, na maioria das vezes, organizavam os alimentos, cuidavam de crianças e da limpeza dos locais.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Alíssia argumenta que pensar nos impactos das enchentes também passa por olhar para o que acontece depois das ações de resposta imediata aos danos. “Tem um processo de reconstrução que é também material, mas subjetivo”, afirma. Em sua tese, ela busca justamente compreender como as mulheres atravessam esse processo de reconstrução: “As mulheres sabem cuidar, elas amparam os outros, elas buscam ajuda para os outros. Mas onde é que elas olham para elas?”, questiona a pesquisadora.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>A reflexão de Alíssia ecoa em outro desafio trazido por Francielle: além de não se priorizarem na busca por cuidados, muitas mulheres sequer se reconhecem como atingidas. Por causa disso, deixam de reivindicar direitos e acessar serviços disponíveis. É preciso tornar visíveis populações que historicamente permanecem à margem de políticas públicas, para que suas necessidades sejam consideradas antes, durante e depois dos desastres”, enfatiza a professora.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph {"fontSize":"small"} -->
<p class="has-small-font-size"><strong>Texto: Felipe Santos, Giana Bess e Laura Fedatto</strong></p>
<!-- /wp:paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>À espera de um lar</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2026/07/03/a-espera-de-um-lar</link>
				<pubDate>Fri, 03 Jul 2026 12:38:59 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[31° Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Comunidade]]></category>
		<category><![CDATA[.TXT]]></category>
		<category><![CDATA[ed31]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/?p=4188</guid>
						<description><![CDATA[Projeto Zelo mostra a realidade do abandono no Campus e a importância da conscientização]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:audio {"id":4190} -->
<figure><audio controls src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/07/Zelo.mp3"></audio></figure>
<!-- /wp:audio --><p>Uma pesquisa realizada pelo Instituto de Medicina Veterinária do Coletivo (IMVC) estima que há 30,2 milhões de cães e gatos abandonados no Brasil, número expressivo quando comparado ao total de 121,3 milhões de animais de estimação no país. De acordo com os dados disponibilizados pelo relatório em 2024, um dos possíveis motivos para o abandono animal é a mudança de residência.</p>
<p>O Projeto Zelo teve início em 2014, vinculado ao Gabinete do Vice-Reitor e, em 2018, foi conectado à Pró-Reitoria de Extensão (PRE) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Conforme a professora do Colégio Politécnico e coordenadora do projeto, Fabiana Stecca, o objetivo do programa é a educação e a conscientização sobre abandono e maus-tratos de animais, mas a demanda constante de cães e gatos abandonados na Universidade faz com que grande parte do trabalho seja atender a esses chamados. “Nós passamos o tempo todo apagando incêndios. Imagina, você tem 80 e poucas possibilidades de um animal ficar doente”, desabafa. </p>		
										<figure>
										<img width="1024" height="683" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/07/imagem-11-3-1024x683.jpg" alt="" />											<figcaption>Cão que vive no Campus Sede da UFSM
</figcaption>
										</figure>
		<p>Entre 2024 e 2025, o Zelo registrou 91 adoções. Esse índice sinaliza crescimento no número de animais acolhidos por famílias e maior alcance das iniciativas desenvolvidas. Entretanto, o cenário ainda exige atenção, uma vez que mais de 80 animais seguem sem lar. Eles têm variadas idades, tamanhos e raças. Fabiana ressalta: “Todos vão precisar, em algum momento, ter um lar, e muitos não vão conseguir”.  </p>		
										<figure>
										<img width="1024" height="575" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/07/imagem-3-2-1024x575.jpg" alt="" />											<figcaption>Casas de animais no brechó do Projeto Zelo</figcaption>
										</figure>
		<p>Os animais abrigados vivem em diversos pontos do campus sede. Este era o caso de Silveira, cão que viveu na UFSM por cerca de 12 anos. Nesse tempo, ele colecionou carinho e muitos petiscos oferecidos pelos estudantes. Com a grande quantidade de alimentos não indicados, o cão entrou em um quadro de sobrepeso, que agravou outros problemas de saúde.</p>
<p>Após isso, Silveira iniciou um acompanhamento nutricional com o Núcleo de Ensino e Pesquisa em Animais de Companhia (Nepac), que registrou o tratamento do cãozinho em seus perfis nas redes sociais. Devido ao sobrepeso, seus problemas de saúde estavam se agravando, como a artrose.</p>
<p>Além destes, ele ainda possui problemas de pele, segundo Fabiana: “surgiram diversos nódulos [...] Alguns precisaram passar por biópsia, que acusou hemangiossarcoma”.  A doença trata-se de um câncer maligno agressivo, originado nos vasos sanguíneos. No caso de Silveira, Fabiana relata que foi realizada criocirurgia para remover os nódulos existentes. O  procedimento médico e dermatológico é realizado de forma minimamente invasiva, utilizando o frio extremo e o nitrogênio líquido, para congelar e destruir tecidos doentes. </p>
<p>Em 2025, uma internauta fez um tweet sobre o físico do animal. O post viralizou e gerou diversas reportagens e parcerias com grandes empresas. “A fama do Silveira foi muito positiva no sentido da imagem, mas o abandono sempre foi constante e continua assim”, comenta Fabiana.</p>
<p>Devido ao quadro de saúde, Silveira já não poderia viver nas ruas. Durante o tratamento com veterinário, conseguiu um lar, o que contribuiu para seus cuidados e recuperação. Para os outros animais cuidados pelo projeto, o acolhimento do cão por um tutor  significa maior possibilidade de adoção.</p>		
										<figure>
										<img width="1024" height="683" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/07/imagem-10-1-1024x683.jpg" alt="" />											<figcaption>Cachorrinha chamada Sabrina saindo de sua casa no Campus Sede da UFSM</figcaption>
										</figure>
		<p>O caso trouxe maior visibilidade para o Zelo também entre os estudantes da instituição. “Os alunos do Politécnico não sabem o que é aqui (sala do projeto). Nós estamos dentro da instituição, eles passam por aqui todo dia e não têm conhecimento disso”, relata a bolsista do projeto e estudante do terceiro semestre de Geografia na UFSM, Lais Rodrigues. </p>
<p>Depois de serem resgatados pelo projeto, os animais passam por triagem nos hospitais veterinários e ficam disponíveis para adoção. É o caso do Simba, gato socorrido em setembro de 2024. O animal, encontrado amarrado em uma plantação do Campus, foi resgatado pelo Zelo. Os cuidados veterinários encontraram uma displasia de válvula mitral, cardiopatia congênita rara, e FeLV positivo, vírus que causa a leucemia felina.</p>
<p>Em abril de 2025, Simba encontrou um lar com Maria Eduarda Bueno, estudante de Design na Universidade Franciscana. A tutora conta que se apaixonou pelo bichano: “Chegou um ponto que eu disse: eu vou trazer o Simba para casa e o que tiver que ser, vai ser”, relembra. Maria já resgatou outros gatos e, atualmente, cuida de dez felinos, dois deles com FeLV positivo. Ela compartilha a dificuldade de esses animais serem adotados: “As pessoas querem gatinhos novos, elas querem animais saudáveis”.</p>		
										<figure>
										<img width="461" height="1024" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/07/Simba-2-461x1024.jpeg" alt="" />											<figcaption>Maria Eduarda segurando seu gato Simba, o qual foi socorrido e adotado através do Projeto Zelo</figcaption>
										</figure>
		<p><b>Como a iniciativa se sustenta</b></p>
<p>O Projeto Zelo não recebe auxílio de órgãos públicos por não ter um CNPJ, o que impede a participação do projeto em editais para conseguir verbas públicas. Dessa forma, o projeto se sustenta a partir de doações da comunidade. Grande parte da renda vem das vendas do brechó Grife Zelo, com peças que custam, em média, R$10,00.</p>		
										<figure>
										<img width="1024" height="575" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/07/imagem-2-1024x575.jpg" alt="" />											<figcaption> Alguns itens disponíveis para compra no brechó do Zelo</figcaption>
										</figure>
		<p>Outra forma de arrecadação se dá por meio de parcerias privadas. “São algumas clínicas, locais de hospedagem que montam um pacote para nós, algumas clínicas que nos dão desconto”, relata a coordenadora.</p>
<p>Além dessas parcerias, há a Corrida da Causa Animal, em que parte do valor das inscrições é destinado ao Zelo. A segunda edição ocorreu em maio de 2026 e contou com cerca de 600 inscritos, entre as modalidades de 5 km em corrida e 2 km em caminhada com os pets. A iniciativa foi criada junto ao Núcleo de Implementação da Excelência Esportiva e Manutenção da Saúde (Nieems) e à Pró-Reitoria de Extensão (PRE). </p>
<p>O Zelo recebe doações para os animais, como rações, petiscos ou cobertores. Também aceita roupas, sapatos e acessórios em bom estado para revenda no brechó. A iniciativa recebe contribuições em valores via pix pela chave <a href="mailto:fabiana@ufsm.br">fabiana@ufsm.br</a>. </p>		
										<figure>
										<img width="1024" height="683" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/07/imagem-5-1024x683.jpg" alt="" />											<figcaption> Cão caramelo que vive no Campus Sede da UFSM cuidado pelo Zelo</figcaption>
										</figure>
		<p><b>Reportagem: Emmanuelly Zini, Luisa Santos e Sabrina Fagundes</b></p>
<p><b>Fotos: Emmanuelly Zini e Sabrina Fagundes</b></p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>ENSINAR PELAS TELAS</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2026/07/01/ensinar-pelas-telas</link>
				<pubDate>Wed, 01 Jul 2026 13:00:00 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[31° Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>
		<category><![CDATA[.TXT]]></category>
		<category><![CDATA[ed31]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/?p=4131</guid>
						<description><![CDATA[Projeto pedagógico da UFSM desenvolve jogo sobre sustentabilidade para crianças
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p>Para escutar o áudio da reportagem, clique abaixo:</p><p>[audio mp3="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/06/Luiza-e-Rafa-txt.mp3"][/audio]</p>		
								<figure><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/06/1--1024x683.jpg" alt="Foto horizontal e colorida de um desenho em uma folha sobre uma mesa cinza. Na folha estão desenhados um menino branco de olhos azuis, cabelo preto em formato de gota e armadura em verde e azul. Ao lado há um personagem bípede, similar a um anfíbio, de corpo azul e um robô de corpo roxo. Acima dos desenhos está escrito “Não jogar lixo na natureza”, seguido de duas árvores e um sol.. Do lado esquerdo do desenho, há uma régua branca e lápis de cor espalhados sobre a mesa ao redor da folha. O fundo da imagem é a mesa cinza." /></figure><figure><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/06/2--1024x683.jpg" alt="Foto horizontal e colorida de uma menina de 11 a 12 anos, cabelo longo e castanho com mechas rosas. Ela está sentada de costas, em frente ao notebook em uma sala de informática. Na mão direita, a menina segura uma folha de instruções. No canto inferior esquerdo da imagem, o menu inicial de um jogo com ilustrações em pixel art está aberto no notebook. Na mesa de informática que se estende do canto inferior esquerdo ao canto superior direito, outros aparelhos estão ligados na mesma tela inicial. Ao lado do notebook, no canto inferior esquerdo, está um estojo rosa. Ao fundo, a parede é bege." /></figure><figure><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/06/3--1024x683.jpg" alt="Foto horizontal e colorida de crianças em uma sala de informática. No centro da imagem, em primeiro plano, uma Cleonice atende um aluno enquanto outras crianças jogam em computadores. Cleonice tem pele branca , cabelos loiros e ondulados presos em um semi-coque. Ela usa casaco preto e está sentada de costas. Na frente dela, um menino de estatura baixa, de pele parda e cabelos castanho-escuros curtos, veste moletom cinza e está em frente à Cleonice. O rosto do menino é tapado pela imagem da professora. No fundo , três meninos, sentados de costas, jogam em notebooks. Um armário cinza está posicionado no canto direito da fotografia. As paredes são bege." /></figure><figure><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/06/4--1024x683.jpg" alt="Foto horizontal e colorida das mãos de um menino de pele negra sobre uma mesa cinza, que desenham uma paisagem com lápis de cor azul. Em uma folha branca ele desenha um sol amarelo, um céu com tons de azul e amarelo e seis pássaros. Na parte superior da fotografia está um estojo preto aberto, que contém canetas verde e amarelo. Ao redor do desenho há uma régua branca, um lápis preto e uma folha branca. O fundo da imagem é a mesa cinza." /></figure><figure><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/06/5--1024x683.jpg" alt="Fotografia horizontal e colorida de quatro mulheres em um laboratório de informática. À esquerda, Brenda de pele branca e de cabelo raspado. Ela usa óculos de armação preta e arredondada e veste camiseta preta. Ao lado, Eliane de pele branca de estatura baixa, cabelo loiro preso para trás. Ela usa um colar de pérolas e veste blusa branca. Em seguida está Luiza, uma mulher jovem de pele branca, estatura alta, cabelo cacheado, comprido e preto com a metade presa. Ela óculos de armação clara e gateada e veste regata cinza com jeans azuis. À direita está Rafaela, uma mulher jovem de pele branca, que tem cabelos castanho claros, compridos e lisos. Ela veste camisa social branca. Ao fundo, alguns notebooks sobre mesas marrons e a parede bege." /></figure>			
		<p>Em uma sala de aula, cerca de 30 crianças da turma 62, do 6° ano, da Escola Municipal de Ensino Fundamental Adelmo Simas Genro, ganham moedas enquanto combatem os inimigos da sustentabilidade. Uma mistura de sons de limpeza,  batalhas virtuais e conversas invade a sala: alunos experimentam a primeira versão de um jogo. Esta é a terceira presença de Felipe* na classe em dois meses. Ele rejeita as provas e os conteúdos massivos das aulas comuns. Durante o jogo, se concentra em vencer os vilões e acertar todas as questões de matemática enquanto supera o tempo de toda a turma. A professora  de Educação Física, Cleonice Casarin, percebe um brilho que não via há muito tempo no olhar do menino. Pela primeira vez, ela observa seu aluno motivado a aprender. “Vi ele diante do prazer da experimentação do sucesso, ao ser valorizado e validado pelo seu desempenho”, diz a professora.</p><p>O <i>Guardiões da Cibersustentabilidade</i> nasce como o primeiro jogo gaúcho e brasileiro voltado à sustentabilidade na prática, especialmente para aplicação em ambientes escolares. Desenvolvido por profissionais e alunos da UFSM, o projeto surge da necessidade de contemplar os temas propostos pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que aborda, de maneira ampla, questões relacionadas à sustentabilidade. </p>		
										<figure>
										<img width="768" height="512" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/06/IMG_4522-768x512.jpg" alt="Foto horizontal e colorida de um notebook, sobre uma mesa de madeira, que mostra a tela de um jogo com ilustrações em pixel art. A tela do notebook é azul com o desenho de Na tela do notebook, um homem idoso, de bigode e cabelos brancos, que veste um jaleco, camisa social azul, gravata vermelha e um par de óculos de aviador. Ele dá instruções a partir de um balão de texto branco posicionado à sua esquerda. No canto inferior esquerdo, outro aparelho similar exibe o mesmo jogo. No canto superior direito, cabos e fios se espalham na mesa ao redor de um estojo branco. Ao fundo, a parede é bege." />											<figcaption>Aplicação do jogo na escola fundamental Adelmo Simas Genro - FOTO: EDUARDA ZONTA </figcaption>
										</figure>
		<p>A iniciativa ganhou força a partir da abertura inovadora do edital gaúcho GameRS, submetido pela Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia (Sict), que propunha a parceria entre uma instituição e uma<i> startup </i>para concorrer a um investimento. Foi então que o coordenador do projeto do <i>Guardiões da Cibersustentabilidade</i>, Ricardo Tombesi, e a CEO da Performance Vegetal, Betânia Vahl de Paula, começaram a transformação da ideia em um jogo educacional. No entanto, ao longo do processo, houve cortes dos 300 mil reais iniciais do orçamento e o cronograma precisou ser ampliado de 24 para 26 meses. O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) subsidiou 36 mil reais à adaptação do jogo para o formato 3D.</p><p>Os três mapas do jogo, inspirados no território brasileiro, buscam incentivar a criação de hábitos sustentáveis. O <i>Guardiões da Cibersustentabilidade</i> instiga  a curiosidade, a imaginação e o interesse pelo aprendizado. “Uma das metas da plataforma é  instigar a leitura em uma geração cada vez mais imediatista”, destaca a engenheira ambiental Francieli Pacholski.</p><p>Ao longo do desenvolvimento, a equipe precisou reformular o público-alvo. O time definiu a transição entre o quinto e o sexto ano como públicos ideais, visto que é nesta fase que os estudantes começam a consolidar o pensamento científico e passam por uma fase de maior avanço  neurológico. Por isso, o jogo foi repaginado e, do Ensino Médio, passou a focar na pré-adolescência, pois considera a menor carga horária escolar e as diferentes formas de aprendizagem nessa etapa. </p><p>No olhar educacional de Cleonice, o interesse, o envolvimento e a motivação dos alunos foram perceptíveis durante as aplicações. Segundo ela, isso acontece porque atividades intuitivas e interativas ainda são pouco exploradas no ambiente escolar, o que torna a experiência mais atrativa e significativa para os estudantes.</p><p> </p><h3><b>Games em sala de aula</b></h3><p>Manter o aluno imerso na aula é o maior desafio do professor, afirma a mestranda em Tecnologias Educacionais em Rede para Inovação e Democratização da Educação, Eliane Cristina Amoretti. O jogo foi planejado para equilibrar ludicidade e conteúdo de forma que o jogador responda questões de aula enquanto pratica atividades sustentáveis. A plataforma do jogo permite aos professores adicionar exercícios da sua disciplina e acompanhar o desempenho dos alunos. A aventura ensina por associação: quando o jogador limpa um bueiro e recolhe as garrafas do chão, entende que o lixo traz consequências para o meio ambiente. O uso de elementos de jogos em atividades do dia a dia, nomeado de gamificação, ajuda no aprendizado. No <i>Guardiões da Cibersustentabilidade,</i> as crianças aprendem por meio de desafios, pontuações e recompensas, em uma jornada voltada à preservação do planeta.  </p>		
										<figure>
										<img width="1024" height="321" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/06/Captura-de-tela-2026-06-11-104407-1024x321.jpg" alt="Captura de tela horizontal e colorida de um jogo com ilustração em pixel art de um bioma árido e florido. À esquerda, flores de cores variadas e caixas de abelha rodeiam o riacho contornados por rochas pequenas. No centro, ao lado de um riacho, está um menino branco de olhos azuis, cabelo preto em formato de gota e armadura em verde e azul. O riacho é sinuoso e ladeado por pedras marrons. À direita da imagem, ao lado do riacho, árvores frutíferas, coqueiros e paineiras-rosas." />											<figcaption>Interface da plataforma do Guardiões da Cibersustentabilidade</figcaption>
										</figure>
		<h3><b>Era uma vez…</b></h3><p>Uma forte enchente separa Nereu de sua família em um futuro distópico. Enquanto procura seus familiares no abrigo, o menino encontra um mentor que propõe uma viagem ao passado para corrigir alguns erros que levaram ao desastre. A aventura conduz Nereu da poluição urbana ao desmatamento da densa Floresta Amazônica. No percurso, ele aplica a sustentabilidade e aprende como se deve cuidar do planeta corretamente, para que não ocorram incidentes ambientais.</p><p>Nessa aventura, Nereu percorre três mapas de diferentes locais no Brasil. No primeiro, enquanto limpa a cidade, o herói enfrenta o vilão poluidor, Bubble, um bichinho gracioso e difícil de vencer. Nereu desliga as torneiras, recolhe os lixos da rua e combate o inimigo com seu descontaminante. Logo mais, ao sair da cidade, ele encontra nas fazendas gaúchas, a Prenda e o Laçador. Quando chega ao mapa dois, pequenas produções do Cerrado mudam as cores do cenário para os tons terrosos da casa de barro e o vermelho do fogo produzido por Bubble. Cachoeiras e araras-azuis pintam o mapa com um pouco de azul. Nereu combate as queimadas e resgata animais presos ilegalmente. Na Amazônia, terceiro e último mapa, o verde da mata densa predomina, com a presença dos ribeirinhos e cobras coloridas que chamam a atenção. Nereu encara Medusa, o maior vilão do jogo.</p><p>Cada bioma tem uma riqueza de detalhes imersiva para o jogador. De acordo com a engenheira ambiental, Francieli, as vegetações, os relevos, as casas, os povos, os animais e até mesmo a inclinação do solo foram milimetricamente planejados para serem fiéis à realidade brasileira.</p><p> </p><h3><b>O segredo dos códigos</b></h3><p>Desenhado <i>frame </i>por <i>frame</i>, em formato 2D e em 250px x 250px, o universo de Nereu nasceu por meio da <i>pixel art</i>, técnica que transforma pequenos pontos de cor em cenários cheios de vida. Cada ícone foi pensado manualmente, desde os inimigos até os itens espalhados pelos biomas. As chamadas <i>sprites</i>, responsáveis por compor o ambiente do jogo, foram desenvolvidas uma a uma, com referências buscadas em diferentes sites e auxílio de inteligência artificial para formar os elementos, a fim de tornar a experiência mais imersiva para as crianças.</p><p>Segundo um dos desenvolvedores do projeto, Eliakim Zacarias, construir a base do jogo sempre será uma das etapas mais longas e desafiadoras. Há uma preocupação humana por trás de cada mecânica executada, mediada por métricas como o tempo das partidas, o número de mortes, as respostas das perguntas e a quantidade de moedas de carbono coletadas. Esses índices precisam equilibrar diversão, aprendizado e sentimento de conquista. “Cuidamos para que a criança conseguisse ajudar e comprar pelo menos uma ONG ao final”, comenta Eliakim.</p><p>A cada moeda conquistada, o jogo simboliza a ideia de colaboração, cuidado, esperança e impacto coletivo. Em meio aos pixels e aos desafios, Nereu busca transformar a tecnologia em uma ponte para a empatia.</p><p> </p><h3><b>Das telas à realidade </b></h3><p>O jogo foi aplicado em diferentes espaços educativos de Frederico Westphalen, como na Central Única das Favelas (CUFA) e na feira local, Expofred, além da Escola Municipal de Ensino Fundamental Adelmo Simas Genro, na cidade de Santa Maria. Em todas as aplicações, o projeto mostrou que os jogos digitais podem ser desenvolvidos por uma Instituição, ultrapassar o entretenimento e se tornar ferramentas de sensibilização socioambiental.</p><p>Para a CEO da <i>startup</i>, Betânia, é fundamental ensinar às crianças sobre realidades que, muitas vezes, parecem distantes de seus cotidianos. Mostrar o Cerrado, o solo rachado e as árvores retorcidas significa apresentar os sinais de um ambiente fragilizado pelas ações humanas. De acordo com ela, é preciso mostrar a vulnerabilidade das comunidades, como as ribeirinhas, a fim de gerar sensibilidade pelas realidades diferentes vivenciadas.</p><p>A proposta do <i>Guardiões da Cibersustentabilidade</i> convida o público infanto-juvenil a sentir, refletir e imaginar vivências que talvez nunca tenham experimentado. A proposta deste projeto, planejada e desenvolvida na UFSM, ao ser aplicada no contexto escolar, permite transformar a teoria em aplicação e promover uma aprendizagem interativa. Para Eliane Cristina, o propósito do jogo é proporcionar às crianças a oportunidade de vivenciar suas experiências sem ter a experiência realmente vivenciada. De maneira lúdica, através de missões e inimigos, o projeto utiliza a tecnologia como ponte para aprendizado e consciência socioambiental. </p>		
		<p><strong>Repórteres:</strong> Luiza Kaiper e Rafaela Locateli </p><p><strong>Contato:</strong> luiza.kaiper@acad.ufsm.br / rafaela.locateli@acad.ufsm.br</p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Da coleta à caneta </title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2026/06/29/da-coleta-a-caneta</link>
				<pubDate>Mon, 29 Jun 2026 21:35:46 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[31° Edição]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[.TXT]]></category>
		<category><![CDATA[ed31]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/?p=4168</guid>
						<description><![CDATA[Projeto da UFSM proporciona escrita em meio à reciclagem
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p><!-- wp:audio {"id":4177} --></p>
<figure><audio src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/06/audioreportagem-laura-e-malu-_1_.mp3" controls="controls"></audio></figure>
<p><!-- /wp:audio --><!-- wp:paragraph --></p>
<p>O Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf) é uma pesquisa nacional periódica que revela a dimensão do analfabetismo funcional no Brasil. De acordo com a edição mais recente (2024), quase 30% dos brasileiros entre 15 e 64 anos vivem em condição de analfabetismo funcional. Embora saibam ler e escrever, essas pessoas enfrentam dificuldades para interpretar textos, fazer cálculos e usar ferramentas digitais no dia a dia.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --></p>
<p>O Café com Letras surge justamente para enfrentar essa realidade. O projeto busca ampliar o acesso à alfabetização e fortalecer a autonomia de pessoas que, por diferentes razões, tiveram seu percurso escolar interrompido. Vinculado ao Observatório de Direitos Humanos (ODH) da Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), o projeto leva ações educativas a grupos em situação de vulnerabilidade social.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:image {"id":4169,"width":"711px","height":"auto","aspectRatio":"1.4992858843132588","sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} --></p>
<figure><img style="aspect-ratio: 1.4992858843132588;width: 711px;height: auto" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/06/4-1024x683.jpeg" alt="Fotografia horizontal e colorida. A imagem mostra o interior de uma associação de recicladores. Ao centro e à direita, dois grandes cartazes destacam orientações sobre sustentabilidade, reciclagem e separação correta de resíduos. À esquerda, há uma janela iluminada pela luz natural e uma mesa com toalha estampada, objetos decorativos e materiais diversos. No canto inferior direito, caixas de papelão e uma mesa com pães e embalagens completam o ambiente." /></figure>
<p><!-- /wp:image --><!-- wp:paragraph {"fontSize":"small"} --></p>
<p>Interior da Associação - FOTO: EMMANUELLY CHRISTINA PERANSONI ZINI</p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --></p>
<p>A proposta teve início no final de novembro de 2024, quando a coordenadora da Associação dos Selecionadores de Materiais Recicláveis (Asmar), Margareth Vidal, contata o Observatório de Direitos Humanos (ODH) para pedir auxílio, após perceber a dificuldade que seus colegas enfrentavam ao tentar ler uma mensagem ou não conseguir anotar informações durante o trabalho. A intenção era conseguir ajuda principalmente no processo de alfabetização dos recicladores. </p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --></p>
<p>Ao buscar apoio na PRE da UFSM, Margareth encontra a professora do Departamento de Pedagogia e coordenadora do Observatório de Direitos Humanos, Jane Schumacher, que acolhe a ideia e inicia as atividades do projeto dentro da Asmar. Além da alfabetização, o projeto busca fortalecer a autoestima dos trabalhadores que tiveram a leitura e a escrita interrompidas, estimulando a confiança e a autonomia por meio da aprendizagem.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --></p>
<p>Há quase duas décadas dedicada à reciclagem, uma das participantes do projeto, conhecida como Tita, conta que teve pouco contato com a escola durante a infância, não passou da educação infantil e aprendeu somente a escrever seu nome. Ela relembra as dificuldades de acesso à educação na época: “Lá fora não tinha escola. Tinha que caminhar quase o dia inteiro para chegar num colégio. Tive que desistir”.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:image {"id":4171,"width":"708px","height":"auto","aspectRatio":"1.4992858843132588","sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} --></p>
<figure><img style="aspect-ratio: 1.4992858843132588;width: 708px;height: auto" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/06/1-1024x683.jpeg" alt="Fotografia horizontal e colorida. Em primeiro plano, duas pessoas aparecem parcialmente enquadradas enquanto separam resíduos recicláveis sobre uma esteira de triagem. A pessoa à esquerda veste camiseta cinza sobre blusa de mangas longas rosa e segura sacolas plásticas entre embalagens e materiais recicláveis. Ao fundo, outras pessoas trabalham na separação dos resíduos diante de grandes fardos de materiais prensados, em um galpão de reciclagem." /></figure>
<p><!-- /wp:image --><!-- wp:paragraph {"fontSize":"small"} --></p>
<p>Tita com a mão na massa - FOTO: EMMANUELLY CHRISTINA PERANSONI ZINI</p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --></p>
<p>Desde o início do projeto, para participar dos encontros realizados no centro de reciclagem, Tita concilia a longa rotina de trabalho na Asmar com o deslocamento diário entre Camobi e Asmar. Segundo ela, o aprendizado já trouxe mudanças. “Agora eu tô sabendo bem mais coisa. Tô sabendo lidar com meus cartões de crédito, coisa que eu não sabia”, destaca.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --></p>
<p>Outra participante do projeto é Adriana, que desde pequena coletava materiais recicláveis nas ruas da cidade  ao lado de sua mãe. Ela já trabalha há quatro anos na Asmar e conta que, antes das aulas, não conseguia ler nem escrever o próprio nome. “Não sabia nada. Agora eu sei escrever meu nome, meus dados, até o CPF”. Além da alfabetização, Adriana relata que as aulas também ajudaram a desenvolver outras habilidades, como o uso do celular. </p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --></p>
<p>Mãe de um menino de 11 anos, a recicladora divide a rotina entre o trabalho e os cuidados com o filho. Apesar do cansaço ao chegar em casa, ela afirma que deseja continuar aprendendo e pensa em retomar os estudos futuramente.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:image {"id":4172,"width":"714px","height":"auto","aspectRatio":"1.4992858843132588","sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} --></p>
<figure><img style="aspect-ratio: 1.4992858843132588;width: 714px;height: auto" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/06/IMAGEM-5-1024x683.jpg" alt="Fotografia horizontal e colorida de um estudante que escreve em uma folha de papel enquanto recebe acompanhamento da bolsista do projeto, durante uma atividade pedagógica. A fotografia tem enquadramento fechado e destaca as mãos do estudante e da bolsista. O foco está na mão do aluno, de pele parda, que usa camiseta cinza e segura um lápis preto com borracha verde sobre um papel branco com texto manuscrito. Atrás dele estão as mãos de outra pessoa, de pele negra e com as unhas pintadas de rosa. Ela veste jaqueta jeans com as mangas cinzas. Ambos apoiam as mãos sobre uma toalha de mesa estampada com quadrilhos verdes. A iluminação natural destaca a cena e produz sombras sobre a toalha a partir das mãos.. " /></figure>
<p><!-- /wp:image --><!-- wp:paragraph {"fontSize":"small"} --></p>
<p>Hora de escrever - FOTO: EMMANUELLY CHRISTINA PERANSONI ZINI</p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --></p>
<p>A integrante do projeto Joseane Rodrigues trabalha com a reciclagem há quatro anos. Antes disso, passou por diferentes ocupações para sustentar a família, como a venda de doces e de lingeries e a produção de trufas. Recentemente, também concluiu cursos profissionalizantes de maquiagem e barbearia. </p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:image {"id":4173,"width":"699px","height":"auto","aspectRatio":"1.4992858843132588","sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} --></p>
<figure><img style="aspect-ratio: 1.4992858843132588;width: 699px;height: auto" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/06/3-1024x683.jpeg" alt=" Fotografia horizontal e colorida. Em primeiro plano, uma mulher adulta, de pele negra e cabelos presos, veste camiseta cinza e realiza a separação de resíduos sobre uma esteira de triagem. Ela mantém o olhar voltado para os materiais à sua frente. Ao fundo, aparecem fardos de recicláveis, uma prensa hidráulica verde e amarela, caixas e equipamentos utilizados no processamento dos resíduos dentro do galpão." /></figure>
<p><!-- /wp:image --><!-- wp:paragraph {"fontSize":"small"} --></p>
<p>Jo durante o trabalho - FOTO: EMMANUELLY CHRISTINA PERANSONI ZINI</p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --></p>
<p>Desde que iniciou o projeto, ela sempre participou das atividades. Encontrou nas aulas um espaço para revisitar conteúdos que nunca compreendeu totalmente, como porcentagem e uso dos porquês.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:heading {"fontSize":"large"} --></p>
<h2><strong><strong>Acolhimento que alfabetiza</strong></strong></h2>
<p><!-- /wp:heading --><!-- wp:media-text {"mediaId":4174,"mediaLink":"https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/?attachment_id=4174","mediaType":"image"} --></p>
<figure><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/06/IMAGEM-3.jpeg" alt="Fotografia vertical e colorida de Jane Schumacher, coordenadora do Café com Letra, sentada de perfil em frente a uma mesa de escritório. Ela sorri enquanto olha ligeiramente para a direita da câmera. Ela é uma mulher de cerca de 40 anos, que tem pele branca, cabelos loiro escuros presos em um coque do qual escapam alguns fios ondulados. Ela veste um suéter verde-claro sobre blusa marrom. Usa brincos de argola dourada.Ao fundo, em desfoque, há materiais de escritório e janelas. " /></figure>
<p><!-- wp:paragraph {"align":"left","placeholder":"Conteúdo..."} --></p>
<p>Ao longo de 15 anos de atuação como docente e de uma década de vínculo com o ODH, a professora Jane Schumacher construiu sua trajetória unindo educação e extensão universitária. Formada em Pedagogia e coordenadora do Café com Letras, ela sempre esteve envolvida em projetos voltados a grupos em situação de vulnerabilidade. </p>
<p><!-- /wp:paragraph --></p>
<p><!-- /wp:media-text --><!-- wp:paragraph {"fontSize":"small"} --></p>
<p>Jane Schumacher, professora e coordenadora do Café com Letras durante a entrevista. - FOTO: Maria Lúcia Homrich Gotuzzo</p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --></p>
<p>Desde o primeiro encontro, realizado em dezembro de 2024, Jane passou a acompanhar de perto a rotina dos trabalhadores e incentivou atividades de leitura, escrita e interpretação de textos durante o horário de lanche da associação.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>A TXT. conversou com a professora Jane Schumacher para entender melhor sua relação com o projeto.</strong></p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>.TXT: Como começou o projeto?</strong></p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>Jane:</strong> Após a Margareth buscar ajuda, eu e o coordenador da época do ODH fomos visitar a Asmar em dezembro. Como a Universidade já estava sem alunos naquele período, eu disse para ele: “Nós vamos ter que começar, eu não vou deixar esse pessoal sem atividade nenhuma”. E, assim, no dia 18 de dezembro de 2024, iniciamos as atividades do projeto.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --></p>
<p>Tivemos um recesso em janeiro, mas eles ficaram com cadernos de caligrafia para continuar praticando. Inclusive, eu mesma precisei me organizar para aprender metodologias voltadas para alfabetização de adultos. Começamos com um grupo de oito pessoas e seguimos atuando desde então.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --></p>
<p>Nesse processo, fizemos uma testagem de lectoescrita (habilidade de ler e escrever de forma integrada) para entender em que nível cada participante estava. Descobrimos que três pessoas não reconheciam letras e apenas reproduziam a assinatura do nome. As demais já eram alfabetizadas, mas apresentavam dificuldades na escrita e na construção de frases. Começamos a trabalhar com atividades simples, sempre contextualizadas com a realidade deles dentro da reciclagem. </p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>.TXT: Como foi o primeiro encontro com os trabalhadores? </strong></p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>Jane:</strong> No primeiro encontro eu percebi que existia um interesse que estava meio adormecido. Eles não se sentiam motivados e também havia certa resistência, porque chegava uma pessoa da Universidade, alguém estranho para eles, propondo um trabalho de alfabetização. Muitos não acreditavam que aquilo realmente teria continuidade.</p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --></p>
<p>Foi importante justamente o fato de termos começado em dezembro, mesmo sem alunos da Instituição envolvidos. Eu senti que aquelas mulheres e homens precisavam de um projeto ali, precisavam ser ouvidos e acolhidos. No começo, muitos não participavam e tinham receio, mas aos poucos eles foram percebendo que o projeto continuaria e que aquele espaço era realmente para eles. </p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>.TXT: Qual é o maior desafio na alfabetização de adultos? </strong></p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>Jane:</strong> Eu acredito que o maior desafio seja a falta de confiança. Muitas vezes, eles não conseguem vislumbrar outras possibilidades além do trabalho que realizam hoje e acabam acreditando que não merecem ir além. A alfabetização também passa por isso: fazer com que eles percebam que são capazes de sonhar e ocupar outros espaços. </p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>.TXT: O que mais te marca no projeto? </strong></p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>Jane:</strong> É enxergar a potência dessas mulheres e homens que não tiveram as mesmas oportunidades ou não conseguiram concluir os estudos. São pessoas com um conhecimento de vida incrível, mas que muitas vezes foram excluídas pelo sistema. A reciclagem é o que sustenta muitas dessas famílias, mas existe uma capacidade enorme ali que, por muito tempo, não foi reconhecida. </p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>.TXT: Defina o Café com Letras em uma frase ou um sentimento:</strong></p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:paragraph --></p>
<p><strong>Jane:</strong> Para mim, é uma ação na reciclagem de resistência. Resistência porque existem muitas mulheres e muitos homens que ganham a sua vida e sustentam tantas outras que fazem parte da rotina. </p>
<p><!-- /wp:paragraph --><!-- wp:image {"id":4175,"width":"711px","height":"auto","sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} --></p>
<figure><img style="width: 711px;height: auto" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/714/2026/06/IMAGEM-7-1024x683.jpg" alt="Fotografia horizontal e colorida de uma parede branca com cartazes e imagens que correspondem às letras do alfabeto. Organizados na sequência alfabética, os materiais apresentam palavras e figuras associadas a cada letra, como o x que é associado à palavra xícara. Do lado direto da imagem e dos cartazes, estão cerca de 18 balões nas cores vermelho, branco e rosa claro. Acima dos cartazes, há uma imagem representativa de Jesus Cristo e, ao lado esquerdo, dois quadros com imagens indistintas. Abaixo dos cartazes, aparecem cortinas de uma janela e móveis uma televisão,um sofá e uma poltrona. As paredes são bege. " /></figure>
<p><!-- /wp:image --><!-- wp:paragraph {"fontSize":"small"} --></p>
<p>O alfabeto do café com letras - FOTO: EMMANUELLY CHRISTINA PERANSONI ZINI</p>
<p>Texto: Laura Waechter Severo e Maria Lúcia  Homrich Gotuzzo </p>
<p><!-- /wp:paragraph --></p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Dossiê: Palavras que libertam, laços que resistem</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/2026/06/26/dossie-palavras-que-libertam-lacos-que-resistem</link>
				<pubDate>Fri, 26 Jun 2026 13:55:19 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Dossiê]]></category>
		<category><![CDATA[.TXT]]></category>
		<category><![CDATA[ed31]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/experimental/revistatxt/?p=4165</guid>
						<description><![CDATA[Duas dimensões do sistema prisional evidenciam caminhos para a garantia de direitos e a reinserção social: a remição da pena por meio da leitura e o fortalecimento dos vínculos maternos. Neste dossiê, apresentamos duas iniciativas de extensão da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) que atuam junto à população privada de liberdade, o que evidencia [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:paragraph -->
<p>Duas dimensões do sistema prisional evidenciam caminhos para a garantia de direitos e a reinserção social: a remição da pena por meio da leitura e o fortalecimento dos vínculos maternos. Neste dossiê, apresentamos duas iniciativas de extensão da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) que atuam junto à população privada de liberdade, o que evidencia diferentes formas de intervenção social, educacional e humana no contexto carcerário.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>Vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Direito (PPGD/UFSM), o Livros que Livram promove a leitura e a produção de resenhas em instituições prisionais. Por meio de encontros mensais, pessoas privadas de liberdade podem obter a remição de pena prevista em lei, ao mesmo tempo em que ampliam seu acesso à educação e à literatura. O projeto reúne apenados para um debate da obra escolhida do mês e o recolhimento de resenhas realizada pelos prisioneiros. O espaço é uma via de mão dupla entre o sistema carcerário e os integrantes do projeto, trazendo para os estudantes a prática e a realidade das casas prisionais.</p>
<!-- /wp:paragraph -->

<!-- wp:paragraph -->
<p>O Projeto Inspira, associado ao Observatório de Direitos Humanos (ODH), busca fortalecer os vínculos entre mães privadas de liberdade e seus filhos. A iniciativa organiza momentos de convivência, socialização, brincadeiras e interação entre mães e crianças, e proporciona encontros que valorizam os laços afetivos e o direito à convivência familiar. As ações são realizadas em parceria com a Polícia Federal (PF) e a Polícia Penal (PP) e envolvem mulheres custodiadas no Presídio Regional de Santa Maria.</p>
<!-- /wp:paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
					</channel>
        </rss>
        