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				<title>Empreendedorismo Social potencializa soluções para problemas sociais e ambientais</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2025/07/18/empreendedorismo-social-potencializa-solucoes-para-problemas-sociais-e-ambientais</link>
				<pubDate>Fri, 18 Jul 2025 13:18:23 +0000</pubDate>
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						<description><![CDATA[Ações do Time Enactus UFSM mostram como o conhecimento acadêmico pode gerar impacto positivo fora da Universidade
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
<p>Com o avanço das tecnologias e o crescimento das startups, o empreendedorismo passou a ser tema presente em vários espaços, principalmente em conversas sobre inovação e desenvolvimento. Falar sobre empreendedorismo, no sentido mais amplo do termo, é destacar a capacidade de observar problemas e desenvolver soluções para eles, a partir da aplicação de diversos tipos de recursos (financeiros, humanos, materiais, etc). A partir desse olhar, podemos ir além das concepções tradicionais de negócios, e colocar em evidência conceitos como o empreendedorismo social.</p>
<p>Meu nome é Debora Bobsin, sou professora do Departamento de Ciências Administrativas, e ministro a disciplina de Empreendedorismo Social para o curso de graduação em Administração. Também coordeno o Time Enactus UFSM, projeto de extensão que promove o empreendedorismo social no ambiente acadêmico, desenvolvendo ações voltadas para os desafios enfrentados por comunidades em vulnerabilidade social da região de Santa Maria.</p>
[caption id="attachment_344" align="alignright" width="1024"]<img class="size-large wp-image-344" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/929/2025/07/Encontro-diagnostico-de-problemas-1024x768.jpeg" alt="" width="1024" height="768" /> Integrantes do Time Enactus UFSM junto a participantes do projeto[/caption]
<p>Se compreendermos que empreender é criar soluções para os problemas existentes, o empreendedorismo social se dedica a resolver problemas específicos de ordem social e ambiental. Por muito tempo, essa abordagem esteve diretamente relacionada a organizações do Terceiro Setor, mais especificamente a entidades filantrópicas e organizações sem fins lucrativos. Entretanto, o conceito se expandiu e passou a englobar também os chamados negócios sociais. Um marco importante nessa trajetória foi a criação do Grameenn Bank, por Muhammad Yunus, que desenvolveu uma empresa pioneira de microcrédito em Bangladesh. O banco nasceu com o propósito de resolver problemas sociais e promover inclusão financeira, ao mesmo tempo em que buscava manter uma estrutura sustentável - em que o lucro era reinvestido no próprio negócio.</p>
<p>No Brasil, nos últimos anos, temos assistido ao desenvolvimento e consolidação de negócios de impacto socioambiental. Esses empreendimentos atuam na solução de problemas sociais e ambientais a partir de uma lógica de negócios, podendo alcançar lucro, distribuir dividendos, etc. Ou seja, o que diferencia o modelo do empreendedorismo social é a intencionalidade: criar soluções que gerem impacto socioambiental. Há diversos exemplos pelo país que ilustram esse modelo em ação. O Programa Vivenda, por exemplo, atua na melhoria das condições de moradia para pessoas de baixa renda, oferecendo soluções habitacionais acessíveis. A Retalhar transforma resíduos têxteis em matéria-prima para novos produtos, contratando cooperativas de costureiras de periferias urbanas. Já a Abraço Cultural é uma escola de idiomas que tem como diferencial o corpo docente formado por refugiados, promovendo não apenas ensino de línguas, mas também a valorização da diversidade cultural e a inclusão social.</p>
<h2>Realidade local e Agenda 2030</h2>
<p>O ponto de partida de uma iniciativa de empreendedorismo social é a compreensão da realidade local, dos problemas sociais e ambientais existentes, e de quem são as pessoas que vivenciam este contexto. A participação ativa das comunidades e o reconhecimento de seus saberes na construção de soluções para os próprios problemas são passos importantes para a emancipação desses sujeitos, permitindo que os empreendimentos sociais se tornem fontes de transformação social.</p>
<p>Uma referência útil para identificarmos oportunidades de atuação dos empreendimentos sociais é a Agenda 2030, que reúne os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Esses objetivos abarcam problemas globais de diferentes naturezas, presentes em maior ou menor grau nas diferentes realidades, como desigualdade, pobreza, fome, mudanças climáticas, entre outros. Por isso, as problemáticas que deram origem aos ODS podem ser fontes de potenciais negócios sociais. É necessário, portanto, examinar com profundidade como esses contextos se formam e como determinada comunidade vivencia esses desafios. Para isso, precisamos nos aproximar da realidade, conversar com as pessoas, e também analisar os dados que possam confirmar o que observamos na prática.</p>
<h2>Impacto mensurável</h2>
<p>Além de intencionalidade em construir uma solução para um problema socioambiental, um empreendimento social precisa comprovar seu impacto por meio de resultados mensuráveis. Contudo, as métricas no empreendedorismo social vão além do lucro financeiro - tradicionalmente usado para avaliar o sucesso de um negócio. Alguns exemplos de indicadores são melhoria da qualidade de vida das pessoas, geração de renda, acesso a serviços básicos e redução de impactos ambientais (como diminuição ou reaproveitamento de resíduos). A avaliação sistemática do impacto é essencial para garantir que o empreendimento social esteja, de fato, promovendo mudanças.</p>
<h2>Projeto Enactus e a atuação da Universidade na sociedade</h2>
<p>Por fim, o empreendedorismo social tem uma relação muito próxima com o papel da Universidade na sociedade. Ele contribui para a formação cidadã desenvolvida nas diferentes áreas do conhecimento por meio das ações de pesquisa, ensino e extensão. O empreendedorismo social, seja como conteúdo de sala ou como campo de investigação e prática acadêmica, nos possibilita construir uma formação conectada com as diferentes realidades sociais, culturais e econômicas. A presença de suas concepções, nos espaços formativos, permite desenvolver, nas novas gerações de profissionais, o comprometimento em construir um mundo melhor e um país mais justo.</p>
<p>Nesse sentido, o Time Enactus UFSM tem atuado como um espaço de aplicação prática para os estudantes da Universidade. A equipe foi selecionada no edital Proext-PG UFSM Além do Arco, e atualmente desenvolve iniciativas voltadas à sustentabilidade e à inclusão. Um dos projetos em andamento é voltado à educação ambiental. As ações vêm sendo realizadas em Caçapava do Sul e Santa Maria, com foco na implantação de hortas educativas voltadas para crianças. Uma cartilha educativa e um jogo interativo relacionados ao tema estão em fase de finalização para serem distribuídos nas escolas. </p>
[caption id="attachment_343" align="alignleft" width="385"]<img class=" wp-image-343" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/929/2025/07/imagem-horta-768x1024.jpg" alt="" width="385" height="513" /> Material sobre hortas comunitárias produzido pelo Time Enactus UFSM[/caption]
<p> </p>
<p>Outro projeto está sendo desenvolvido na comunidade Passo das Tropas, uma das áreas mais afetadas pelas enchentes em Santa Maria de maio de 2024. A ação tem como público prioritário as mulheres da comunidade, embora seja aberta a outras pessoas interessadas. A proposta é realizar capacitações sobre plantio e cuidado com o porongo, incluindo a distribuição de sementes. As atividades acontecem na escola da região, com as mães dos alunos. Além disso, estão sendo promovidas oficinas de gestão, comercialização e vendas nas redes sociais, abordando temas como precificação e estratégias de mercado, com o objetivo de fortalecer a autonomia financeira das participantes e ampliar o alcance das iniciativas sociais desenvolvidas.  Mais informações podem ser conseguidas na <a href="https://www.instagram.com/timeufsm/">página de Instagram do projeto.</a></p>
<p>Texto: Debora Bobsin, professora do Departamento de Ciências Administrativas</p>
<p>Edição: Luciane Treulieb, jornalista</p>
<p>Colagem de capa: Evandro Bertol, designer </p>
<!-- /wp:tadv/classic-paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Empreendedorismo Social potencializa soluções para problemas sociais e ambientais</title>
				<link>https://www.ufsm.br/projetos/extensao/proext-pg/2025/07/18/empreendedorismo-social-potencializa-solucoes-para-problemas-sociais-e-ambientais</link>
				<pubDate>Fri, 18 Jul 2025 13:09:16 +0000</pubDate>
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						<description><![CDATA[Ações do Time Enactus UFSM mostram como o conhecimento acadêmico pode gerar impacto positivo fora da Universidade
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph /-->

<!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
<p>Com o avanço das tecnologias e o crescimento das startups, o empreendedorismo passou a ser tema presente em vários espaços, principalmente em conversas sobre inovação e desenvolvimento. Falar sobre empreendedorismo, no sentido mais amplo do termo, é destacar a capacidade de observar problemas e desenvolver soluções para eles, a partir da aplicação de diversos tipos de recursos (financeiros, humanos, materiais, etc). A partir desse olhar, podemos ir além das concepções tradicionais de negócios, e colocar em evidência conceitos como o empreendedorismo social.</p>
<p>Meu nome é Debora Bobsin, sou professora do Departamento de Ciências Administrativas, e ministro a disciplina de Empreendedorismo Social para o curso de graduação em Administração. Também coordeno o Time Enactus UFSM, projeto de extensão que promove o empreendedorismo social no ambiente acadêmico, desenvolvendo ações voltadas para os desafios enfrentados por comunidades em vulnerabilidade social da região de Santa Maria.</p>
[caption id="attachment_344" align="alignright" width="1024"]<img class="size-large wp-image-344" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/929/2025/07/Encontro-diagnostico-de-problemas-1024x768.jpeg" alt="" width="1024" height="768" /> Integrantes do Time Enactus UFSM junto a participantes do projeto[/caption]
<p>Se compreendermos que empreender é criar soluções para os problemas existentes, o empreendedorismo social se dedica a resolver problemas específicos de ordem social e ambiental. Por muito tempo, essa abordagem esteve diretamente relacionada a organizações do Terceiro Setor, mais especificamente a entidades filantrópicas e organizações sem fins lucrativos. Entretanto, o conceito se expandiu e passou a englobar também os chamados negócios sociais. Um marco importante nessa trajetória foi a criação do Grameenn Bank, por Muhammad Yunus, que desenvolveu uma empresa pioneira de microcrédito em Bangladesh. O banco nasceu com o propósito de resolver problemas sociais e promover inclusão financeira, ao mesmo tempo em que buscava manter uma estrutura sustentável - em que o lucro era reinvestido no próprio negócio.</p>
<p>No Brasil, nos últimos anos, temos assistido ao desenvolvimento e consolidação de negócios de impacto socioambiental. Esses empreendimentos atuam na solução de problemas sociais e ambientais a partir de uma lógica de negócios, podendo alcançar lucro, distribuir dividendos, etc. Ou seja, o que diferencia o modelo do empreendedorismo social é a intencionalidade: criar soluções que gerem impacto socioambiental. Há diversos exemplos pelo país que ilustram esse modelo em ação. O Programa Vivenda, por exemplo, atua na melhoria das condições de moradia para pessoas de baixa renda, oferecendo soluções habitacionais acessíveis. A Retalhar transforma resíduos têxteis em matéria-prima para novos produtos, contratando cooperativas de costureiras de periferias urbanas. Já a Abraço Cultural é uma escola de idiomas que tem como diferencial o corpo docente formado por refugiados, promovendo não apenas ensino de línguas, mas também a valorização da diversidade cultural e a inclusão social.</p>
<h2>Realidade local e Agenda 2030</h2>
<p>O ponto de partida de uma iniciativa de empreendedorismo social é a compreensão da realidade local, dos problemas sociais e ambientais existentes, e de quem são as pessoas que vivenciam este contexto. A participação ativa das comunidades e o reconhecimento de seus saberes na construção de soluções para os próprios problemas são passos importantes para a emancipação desses sujeitos, permitindo que os empreendimentos sociais se tornem fontes de transformação social.</p>
<p>Uma referência útil para identificarmos oportunidades de atuação dos empreendimentos sociais é a Agenda 2030, que reúne os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Esses objetivos abarcam problemas globais de diferentes naturezas, presentes em maior ou menor grau nas diferentes realidades, como desigualdade, pobreza, fome, mudanças climáticas, entre outros. Por isso, as problemáticas que deram origem aos ODS podem ser fontes de potenciais negócios sociais. É necessário, portanto, examinar com profundidade como esses contextos se formam e como determinada comunidade vivencia esses desafios. Para isso, precisamos nos aproximar da realidade, conversar com as pessoas, e também analisar os dados que possam confirmar o que observamos na prática.</p>
<h2>Impacto mensurável</h2>
<p>Além de intencionalidade em construir uma solução para um problema socioambiental, um empreendimento social precisa comprovar seu impacto por meio de resultados mensuráveis. Contudo, as métricas no empreendedorismo social vão além do lucro financeiro - tradicionalmente usado para avaliar o sucesso de um negócio. Alguns exemplos de indicadores são melhoria da qualidade de vida das pessoas, geração de renda, acesso a serviços básicos e redução de impactos ambientais (como diminuição ou reaproveitamento de resíduos). A avaliação sistemática do impacto é essencial para garantir que o empreendimento social esteja, de fato, promovendo mudanças.</p>
<h2>Projeto Enactus e a atuação da Universidade na sociedade</h2>
<p>Por fim, o empreendedorismo social tem uma relação muito próxima com o papel da Universidade na sociedade. Ele contribui para a formação cidadã desenvolvida nas diferentes áreas do conhecimento por meio das ações de pesquisa, ensino e extensão. O empreendedorismo social, seja como conteúdo de sala ou como campo de investigação e prática acadêmica, nos possibilita construir uma formação conectada com as diferentes realidades sociais, culturais e econômicas. A presença de suas concepções, nos espaços formativos, permite desenvolver, nas novas gerações de profissionais, o comprometimento em construir um mundo melhor e um país mais justo.</p>
<p>Nesse sentido, o Time Enactus UFSM tem atuado como um espaço de aplicação prática para os estudantes da Universidade. A equipe foi selecionada no edital Proext-PG UFSM Além do Arco, e atualmente desenvolve iniciativas voltadas à sustentabilidade e à inclusão. Um dos projetos em andamento é voltado à educação ambiental. As ações vêm sendo realizadas em Caçapava do Sul e Santa Maria, com foco na implantação de hortas educativas voltadas para crianças. Uma cartilha educativa e um jogo interativo relacionados ao tema estão em fase de finalização para serem distribuídos nas escolas. </p>
[caption id="attachment_343" align="alignleft" width="385"]<img class=" wp-image-343" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/929/2025/07/imagem-horta-768x1024.jpg" alt="" width="385" height="513" /> Material sobre hortas comunitárias produzido pelo Time Enactus UFSM[/caption]
<p> </p>
<p>Outro projeto está sendo desenvolvido na comunidade Passo das Tropas, uma das áreas mais afetadas pelas enchentes em Santa Maria de maio de 2024. A ação tem como público prioritário as mulheres da comunidade, embora seja aberta a outras pessoas interessadas. A proposta é realizar capacitações sobre plantio e cuidado com o porongo, incluindo a distribuição de sementes. As atividades acontecem na escola da região, com as mães dos alunos. Além disso, estão sendo promovidas oficinas de gestão, comercialização e vendas nas redes sociais, abordando temas como precificação e estratégias de mercado, com o objetivo de fortalecer a autonomia financeira das participantes e ampliar o alcance das iniciativas sociais desenvolvidas.  Mais informações podem ser conseguidas na <a href="https://www.instagram.com/timeufsm/">página de Instagram do projeto.</a></p>
<p>Texto: Debora Bobsin, professora do Departamento de Ciências Administrativas</p>
<p>Edição: Luciane Treulieb, jornalista</p>
<p>Colagem de capa: Evandro Bertol, designer </p>
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													</item>
						<item>
				<title>“Imagino uma mudança significativa na qualidade de vida das comunidades a partir da atividade produtiva dessas mulheres”</title>
				<link>https://www.ufsm.br/projetos/extensao/proext-pg/2025/01/23/imagino-uma-mudanca-significativa-na-qualidade-de-vida-das-comunidades-a-partir-da-atividade-produtiva-dessas-mulheres</link>
				<pubDate>Thu, 23 Jan 2025 11:50:12 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Destaques]]></category>
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						<description><![CDATA[ Time Enactus da UFSM trabalha com capacitação de mulheres e geração de renda para transformar comunidades locais
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph /-->

<!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
<p><img class="size-large wp-image-278 aligncenter" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/929/2025/01/imagem_entrevista-10_001-1024x667.jpg" alt="" width="1024" height="667" /></p>
<p><span style="font-weight: 400">O fortalecimento das comunidades por meio do empreendedorismo social e da inovação é o foco do Time Enactus, uma iniciativa que integra a <a href="https://enactus.org.br/">rede Enactus</a> e busca promover o espírito de liderança dos estudantes envolvidos e o desenvolvimento de ações sociais sustentáveis. Contemplado pelo Edital Proext-PG UFSM, o projeto de extensão tem como objetivo abordar questões regionais a partir dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Atualmente, a equipe trabalha em um projeto voltado a mulheres que enfrentam dificuldades no acesso à renda, com foco em capacitações e desenvolvimento de competências, promovendo, assim, impacto social e autonomia econômica.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Nesta entrevista, conversamos com Debora Bobsin, professora do </span><span style="font-weight: 400">Departamento de Ciências Administrativas da UFSM  e </span><span style="font-weight: 400">coordenadora do projeto, que compartilhou suas reflexões sobre os impactos esperados e a relevância da extensão universitária na formação acadêmica. Confira a seguir:</span></p>
<p><b>1) Como o projeto visa impactar a sociedade?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400">O Time Enactus faz parte de uma rede que busca promover o espírito de liderança voltada para o desenvolvimento do empreendedorismo social, desenvolvendo os nossos estudantes. Trabalhamos por meio de ações que podem ser projetos ou iniciativas sociais na comunidade. Tínhamos uma ação chamada Florescer, que trabalhava com a educação ambiental junto às escolas. Estamos finalizando essa ação com a ideia de construir materiais didáticos para que os professores possam replicar essas atividades, sem necessitar da presença constante da equipe do projeto, ampliando assim o número de escolas impactadas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Além disso, estamos iniciando um trabalho a partir de um olhar sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), identificando os potenciais e principais problemas da nossa região. Detectamos uma questão ligada à geração de renda e ao acesso ao mercado de trabalho por parte das mulheres. Assim, estamos começando a pensar em um projeto voltado a um grupo de mulheres que enfrentam dificuldades no acesso à renda. A ideia é trabalhar com capacitações, desenvolvimento de competências e também abordar questões específicas do universo feminino.</span></p>
<p><b>2) Por que isso é importante?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400">O que temos observado em Santa Maria são números expressivos, como, por exemplo, gravidez na adolescência. Essas meninas, muitas vezes, não continuam os estudos. Também há um índice elevado de mulheres fora do mercado de trabalho e um número significativo de mães solo. O desafio é grande, tanto para a inserção das mulheres no mercado de trabalho quanto para abordar a realidade de muitas delas que acabam empreendendo por necessidade - e não por oportunidade, pois é o que acaba restando para elas em termos de possibilidade de geração de renda.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Nesse contexto, analisamos os dados e começamos a mapear onde estão essas mulheres em Santa Maria. Nossa ideia é acessá-las e, de alguma forma, auxiliá-las, seja no acesso ao mercado de trabalho ou no desenvolvimento dos seus negócios.</span></p>
<p><b>3) Como participar de projetos de extensão influenciou a sua carreira?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400">Não participei de muitos projetos de extensão durante a graduação, pois não era uma cultura tão presente quanto é hoje. Acabei me envolvendo com a extensão já na docência. Sempre gostei muito de atividades para além daquelas curriculares e isso influenciou a forma como vejo a extensão: como um espaço de aprendizado. Sempre tive um viés prático, e hoje a extensão alimenta minhas reflexões como pesquisadora e eu acho que esse acaba sendo um dos papéis da extensão. Ela alimenta a minha sala de aula e, a partir dela, acabei entrando em um novo campo de estudo e de olhar, que é o empreendedorismo social, com foco em inovação social e tecnologia social. Estou iniciando nesse campo, mas percebo como a extensão tem o poder de transformar o olhar sobre a pesquisa: algumas questões deixam de fazer sentido, enquanto outras passam a ter mais relevância.</span></p>
<p><b>4) Qual é a importância de um edital como o Proext-PG para estimular a extensão na pós-graduação?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400">Primeiramente, é importante pensar que muitos alunos de pós-graduação serão docentes, na sua maioria, no curto ou médio prazo, e vão se deparar com a demanda de realizar extensão, porque hoje, com a curricularização da extensão, é muito difícil um professor não precisar se envolver com isso. Então, eu acho que o edital oportuniza que esses alunos vejam a extensão como um espaço de atuação na sua futura atividade docente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Além disso, a extensão é uma mola propulsora para os nossos temas de pesquisa, ou uma forma de acessar novos problemas de pesquisa. Quando analisamos os impactos, vejo, institucionalmente, a importância de conectar nossos problemas de pesquisa com as demandas da sociedade. Esse é um aspecto de médio a longo prazo que, acredito, será cada vez mais evidente. Socialmente, acredito que se trata de oferecer ao aluno da pós-graduação uma formação mais contextualizada, que o permita enxergar o contexto ao seu redor. Assim, ele passa a observar a sociedade e a comunidade ao seu redor, questionando como suas atividades influenciam ou são influenciadas por esse entorno. Esse, acredito, é o verdadeiro papel da extensão.</span></p>
<p><b>5) Por que graduandos e pós-graduandos deveriam participar de projetos de extensão?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400">Acredito que a formação deve estar profundamente conectada à realidade local que vivenciamos, sem se isolar em si mesma, mas sendo contextualizada, questionada e reforçada. Isso acontece, em grande parte, por meio da extensão. Por isso, vejo a participação em projetos extensionistas como algo de grande influência tanto na formação acadêmica, do ponto de vista do ensino, quanto na pesquisa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Do ponto de vista do ensino, temos visto uma maior integração entre extensão e sala de aula, a partir da curricularização da extensão, com atividades extensionistas vinculadas a disciplinas em muitos cursos. Assim, os alunos começam a perceber como os componentes curriculares estão diretamente conectados com problemas reais, sejam eles sociais ou ambientais. Já na pesquisa, como mencionei antes, acredito que ela deve se alimentar da extensão, pois muitos de nossos problemas de pesquisa podem surgir desse contexto. Dessa forma, criamos uma conexão importante e fechamos um ciclo valioso entre ensino, pesquisa e extensão.</span></p>
<p><b>6) Em 2026, quando finalizam os meses previstos para a execução do projeto, que mudanças você imagina que terão ocorrido nas comunidades apontadas como os principais públicos-alvo do projeto?</b></p>
<p><span style="font-weight: 400">Não é fácil prever um cenário, ainda mais quando trabalhamos com questões como mercado de trabalho, trabalho digno e geração de renda. Mas espero ver essas mulheres, que estamos começando a ter contato, fortalecidas, com suas atividades econômicas estruturadas e uma renda que proporcione melhor qualidade de vida para elas e suas famílias. Que seus filhos possam estar na escola, sem precisar ajudar nas atividades profissionais, para que eles possam também se desenvolver e ter acesso a uma educação de qualidade. Então é isso que eu imagino: uma mudança significativa na qualidade de vida dessas comunidades a partir da atividade produtiva dessas mulheres.</span></p>
<p><em>Texto: Luciane Treulieb, jornalista</em></p>
<p><em>Ilustração: Evandro Bertol, designer </em></p>
<p><em>Aluata Comunicação e Ciência</em></p>
<p> </p>
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