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				<title>UFSM participa de guia comunicacional sobre a crise climática do RS</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2025/11/11/ufsm-e-uma-das-instituicoes-autoras-de-guia-comunicacional-sobre-a-clise-climatica-do-rs</link>
				<pubDate>Tue, 11 Nov 2025 18:23:41 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[comunicação social]]></category>
		<category><![CDATA[Enchentes 2024]]></category>
		<category><![CDATA[Geral]]></category>

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						<description><![CDATA[Documento será apresentado oficialmente ao Governo do Estado e integra a Agenda de Ação da COP30]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (Unic Rio) e a Secretaria de Comunicação do Estado do Rio Grande do Sul (Secom/RS) anunciam o lançamento do <a href="https://brasil.un.org/sites/default/files/2025-11/Guia%20de%20Integridade%20da%20Informac%CC%A7a%CC%83o.pdf" target="_blank" rel="noopener">Guia de Integridade da Informação no Contexto da Crise Climática no Rio Grande do Sul: Protocolos, Boas Práticas e Governança da Informação para Enfrentar a Infodemia Climática</a>, obra que marca um novo marco para a governança da informação em emergências climáticas no país.

O documento, com mais de 200 páginas, é resultado de seis meses de trabalho colaborativo, envolvendo 10 instituições autoras e 55 especialistas de universidades (incluindo a UFSM), órgãos públicos e centros de pesquisa. Estruturado sob a abordagem de “Uma Só Saúde” (<i>One Health</i>), o guia traduz em diretrizes práticas o que a crise climática de 2024 evidenciou: sem integridade informacional, não há coordenação eficaz, confiança pública ou ação solidária duradoura.

“O guia representa a convergência entre ciência, comunicação pública e políticas de resiliência territorial. Ele nasce da dor de uma emergência e se transforma em um legado de prevenção e cooperação. Informação íntegra é infraestrutura crítica – sem ela, nenhuma sociedade é resiliente”, afirma Gustavo Buss, coordenador geral e editorial do guia e assessor regional sênior da Rede Saúde Única (RSU/Fiocruz).

O lançamento oficial será realizado em solenidade de entrega ao Governo do Estado do Rio Grande do Sul, em novembro de 2025, consolidando o documento como referência técnica e metodológica para gestores públicos, comunicadores e instituições científicas.

Reconhecendo sua relevância internacional, o guia foi selecionado pela Organização das Nações Unidas para integrar o Mutirão Global pela Integridade da Informação sobre a Mudança do Clima, dentro da Agenda de Ação da COP30, e será apresentado no Celeiro de Soluções, em Belém do Pará. A seleção destaca o protagonismo do Brasil e do Rio Grande do Sul na construção de respostas inovadoras à desinformação climática.

O documento consolida experiências práticas e estudos de caso, como a atuação do Gabinete de Crise de Comunicação e do Núcleo de Combate à Desinformação, que se tornaram referências nacionais em governança da informação. Apresenta ainda protocolos de verificação, diretrizes operacionais, fluxos de comunicação e ações de pré-bunking e educação midiática, reafirmando a informação como pilar da saúde pública, da gestão de risco e da democracia.

O projeto é uma das entregas do Acordo de Cooperação Técnica (ACT) entre a Fiocruz e a Embrapa, que instituiu o Programa de Pesquisa e Inovação Sustentável entre as duas instituições, voltado à integração entre ciência, comunicação e políticas de resiliência climática.

<b>Instituições realizadoras:</b> Fiocruz, Embrapa, Unic Rio e Secom/RS.

<b>Instituições autoras:</b> Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Universidade Federal do Rio Grande (Furg), UFSM, Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Universidade Feevale (Feevale), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) e Secom/RS.

<i>Texto: RSU/Fiocruz</i>]]></content:encoded>
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						<item>
				<title>Projeto da UFSM apresenta pesquisas sobre preservação de arquivos em congresso na Espanha</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2025/11/04/projeto-da-ufsm-apresenta-pesquisas-sobre-preservacao-de-arquivos-em-congresso-na-espanha</link>
				<pubDate>Tue, 04 Nov 2025 20:40:03 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Arquivologia]]></category>
		<category><![CDATA[DAG]]></category>
		<category><![CDATA[Enchentes 2024]]></category>
		<category><![CDATA[hub.doc]]></category>

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						<description><![CDATA[Trabalhos abordaram recuperação de acervos atingidos por enchentes e uso de tecnologias digitais na arquivologia]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  [caption id="attachment_71249" align="alignright" width="629"]<a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/2025/11/1000230145.jpeg"><img class=" wp-image-71249" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2025/11/1000230145-300x225.jpeg" alt="Foto horizontal. 18 pessoas estão em pé ao lado de um grande display com a logomarca do congresso." width="629" height="472" /></a> Representantes da UFSM estiveram em Barcelona para participar do Congresso do ICA, um dos mais importantes do mundo na área de arquivologia[/caption]

Durante a última semana de outubro, a equipe do <a href="https://www.ufsm.br/orgaos-suplementares/dag/hubdoc" target="_blank" rel="noopener">Hub.Doc</a>, projeto vinculado à UFSM, participou do Congresso do Conselho Internacional de Arquivos (ICA), realizado em Barcelona, na Espanha. O evento, promovido a cada quatro anos, reúne especialistas e instituições de diferentes países para discutir estratégias de preservação, acesso e uso de arquivos no mundo todo.

Conforme Débora Flores, coordenadora do Hub.Doc, a participação da equipe no evento buscou mostrar as tecnologias desenvolvidas na recuperação dos arquivos, além de compartilhar os métodos de como o Hub se estruturou após as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em maio de 2024.

A participação da equipe da UFSM destacou iniciativas de recuperação documental e aplicação de tecnologias digitais na área da arquivologia. Entre os trabalhos apresentados, esteve o pôster “Resiliência e determinação no avanço da ciência: protegendo a memória da UFSM após as enchentes”, desenvolvido pelas arquivistas Débora Flores, Daiane Segabinazzi Pradebon e Neiva Pavezi. O estudo detalhou os métodos utilizados na restauração de documentos danificados pelas enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em maio de 2024, como o congelamento de arquivos e a criação de protocolos de recuperação emergencial.

<b>Realidade virtual e inteligência artificial foram abordados nas apresentações do grupo</b>

Outro destaque foi o projeto “Um modelo de recuperação de desastres para arquivos por meio da realidade virtual”, desenvolvido em parceria com o Grupo de Automação e Robótica Aplicada (Garra), coordenado pelo professor Anselmo Cukla, do Departamento de Processamento de Energia Elétrica da UFSM. A iniciativa utiliza vídeos e imagens em 360º para demonstrar, de forma imersiva, o processo de recuperação dos documentos, facilitando o treinamento e a troca de experiências entre profissionais da área.

[caption id="attachment_71250" align="alignleft" width="446"]<a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/2025/11/IMG-20251029-WA0112.jpeg"><img class=" wp-image-71250" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2025/11/IMG-20251029-WA0112-237x300.jpeg" alt="Foto vertical. Na imagem, aparecem três mulheres em pé, tendo ao fundo um pôster apresentado digitalmente em uma tela." width="446" height="564" /></a> A diretora do Arquivo Nacional, Mônica Lima (à esquerda), prestigiou a apresentação do pôster ao lado de Daiane Segabinazzi Pradebon (ao centro) e Débora Flores (à direita)[/caption]

De acordo com Daiane, o principal objetivo do trabalho foi divulgar as ações de recuperação para o resto do mundo. “Essa tecnologia de realidade virtual permite que as pessoas vejam, na prática, a estrutura que montamos e o trabalho que desenvolvemos em relação à recuperação”, comenta.

Segundo Anselmo, o trabalho interdisciplinar fortalece a produção de novas soluções tecnológicas dentro da universidade. “O uso de realidade virtual amplia as possibilidades de ensino e registro técnico, além de contribuir para o desenvolvimento profissional dos estudantes envolvidos”, avalia o professor.

Além das apresentações ligadas à recuperação de acervos, os analistas de tecnologia da informação da UFSM Marcos Vinícius Bittencourt de Souza e Gustavo Zanini apresentaram pesquisas sobre preservação digital e inteligência artificial aplicada à arquivologia. O primeiro trabalho, “Repositórios institucionais brasileiros em risco”, apontou a necessidade de fortalecer políticas de preservação e planos de continuidade em repositórios digitais. Já o estudo “Ciência arquivística e aprendizado de máquina: classificação automática de documentos arquivísticos” apresentou métodos de uso de aprendizado de máquina para otimizar a organização de acervos físicos e digitais.

Para a professora Débora Flores, a presença da UFSM no evento foi uma oportunidade de intercâmbio e visibilidade científica. “Participar de um congresso dessa dimensão permite mostrar que temos soluções desenvolvidas no Brasil que podem ser aplicadas em outras realidades. Foi uma troca importante com instituições que também enfrentaram situações de desastres”, afirma.

Em concordância com o pensamento de Débora, a coordenadora Daiane Segabinazzi Pradebon disse que o evento salientou a inovação proposta pelo Hub.Doc. “No congresso, vimos que estamos no caminho certo. Conhecemos profissionais de locais como Valência e Caribe que passaram por situações difíceis com arquivos e conseguimos ter um panorama diferente. Essa vivência nos fez perceber que trouxemos uma inovação para a situação de recuperação de acervos no mundo”, finaliza.

<b>Sobre o Hub.Doc</b>

O Hub.Doc é um centro de pesquisa e inovação da UFSM dedicado à recuperação, digitalização e preservação de acervos atingidos por desastres. O projeto desenvolve tecnologias e métodos que garantem a proteção e o acesso a documentos históricos, e fortalecem a preservação da memória institucional e coletiva.

Os avanços relacionados ao Hub.Doc e as iniciativas que serão desenvolvidas podem ser acompanhados pelo site e redes sociais do projeto:

<strong>Site:</strong> <a href="https://www.ufsm.br/orgaos-suplementares/dag/hubdoc" target="_blank" rel="noopener">hubdoc.ufsm.br</a>

<strong>Instagram:</strong> <a href="https://www.instagram.com/hubdoc.gov.br/" target="_blank" rel="noopener">@hubdoc.gov.br</a>

<strong>Facebook:</strong> <a href="https://www.facebook.com/hubdoc.br" target="_blank" rel="noopener">/hubdoc.br</a>

<strong>LinkedIn:</strong> <a href="https://www.linkedin.com/company/hubdocgovbr/" target="_blank" rel="noopener">@hubdocgovbr</a>

<strong>Youtube:</strong> <a href="https://www.youtube.com/@hubdocufsm" target="_blank" rel="noopener">@hubdocufsm</a>

<i>Texto: Pedro Moro, estudante de Jornalismo e bolsista na Agência de Notícias</i>

<i>Fotos: arquivo pessoal</i>

<i>Edição: Lucas Casali</i>]]></content:encoded>
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				<title>Como é possível identificar parentesco pelo DNA?</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2025/08/12/como-e-possivel-identificar-parentesco-pelo-dna</link>
				<pubDate>Tue, 12 Aug 2025 18:36:05 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[catástrofe climática]]></category>
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						<description><![CDATA[Campanha Nacional de Coleta de DNA de Familiares de Pessoas Desaparecidas, que acontece até sexta-feira (15), gera curiosidade sobre a ciência por trás da ação]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <img width="1024" height="657" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2025/08/Ilustracao-DNA-1024x657.jpg" alt="Iustração colorida horizontal mostra, à esquerda, uma carteira de identidade brasileira verde, com foto genérica, linhas representando informações e uma assinatura fictícia. À direita, sobre um fundo azul quadriculado, há uma representação estilizada de uma dupla hélice de DNA, formada por esferas amarelas e rosas conectadas por linhas laranjas. Duas legendas com a palavra “DNA” apontam para a hélice, sugerindo a relação entre identidade pessoal e código genético." />													
		<p>O que é identidade? Para alguns, é um número impresso no Registro Civil. Para outros, está nas características que nos diferenciam: o jeito de falar, o formato do rosto ou a história que carregamos. Mas existe também uma assinatura invisível, presente desde o início da nossa existência e gravada dentro de cada célula: o DNA.</p><p>Por vezes, esse registro escondido em nossas células é extremamente necessário para identificação de pessoas desaparecidas. Em 2024, o país registrou cerca de 70 mil desaparecimentos, e o Rio Grande do Sul se enquadrou como o segundo estado com mais casos, sendo 7.538 ocorrências. No estado, esse cenário ainda foi agravado pelas <a style="font-size: 1rem" href="https://www.ufsm.br/2025/05/13/hq-ansiedade-climatica">enchentes de maio</a> do ano passado. Conforme o Ministério da Justiça, houve um aumento de 7,09% no número de desaparecimentos após as chuvas.</p><p> </p><p>Contextos como esse evidenciaram a necessidade de criar a <a href="https://www.gov.br/mj/pt-br/assuntos/noticias/campanha-nacional-reforca-coleta-de-dna-de-familiares-para-ajudar-na-identificacao-de-pessoas-desaparecidas">Campanha Nacional de Coleta de DNA de Familiares de Pessoas Desaparecidas</a>, que, em 2025, acontece até sexta-feira 15 de agosto e visa ampliar o Banco Nacional de Perfis Genéticos (BNPG). Apesar da iniciativa possuir ampla divulgação, ainda pouco se destaca sobre o processo científico por trás da coleta e como é possível identificar parentesco pelo DNA.</p><h3><strong>A ciência por trás da coleta</strong></h3><p>Descoberto em 1953, DNA significa ácido desoxirribonucleico. Essa molécula está presente em basicamente todas as células que formam o corpo humano e é responsável por armazenar e transmitir as informações genéticas de um indivíduo, sendo assim, parte da nossa identidade.</p><p>De maneira didática, o professor Daniel Graichen, também diretor do Laboratório de Genética Evolutiva da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), situado no Campus de Palmeira das Missões, explica que o DNA é como um “manual de instruções” escrito com um “alfabeto químico” de quatro letras (A, T, C e G), que significam Adenina, Timina, Citosina e Guanina, respectivamente.</p><p>Com isso, o DNA serve como molde para que as células produzam o RNA mensageiro que, por sua vez, é utilizado como molde para a síntese de proteínas. Conforme Graichen, as proteínas são moléculas metabólicas e estruturais de todos os seres vivos e determinam todos os nossos fenótipos, ou seja, características observáveis de um organismo, como a cor dos olhos e até aspectos mais complexos do metabolismo e do comportamento.</p><p>Sobre a ciência por trás da campanha de coleta, Graichen conta que a determinação de parentesco por meio da análise de DNA baseia-se na comparação de regiões específicas do genoma, o conjunto completo de informações genéticas de um ser humano contido no DNA, entre dois ou mais indivíduos. “Essas regiões, denominadas marcadores genéticos, apresentam elevada variabilidade entre pessoas, mas seguem padrões previsíveis de herança mendeliana”, aponta.</p><p>Nos testes de paternidade e na identificação individual, os marcadores mais empregados são os microssatélites ou STRs (<i>Short Tandem Repeats</i>). O professor explica que esses elementos consistem em pequenas sequências de nucleotídeos, o “alfabeto químico”, repetidas em conjunto, por exemplo, (ATT ATT ATT ATT ATT ATT), cujo número de repetições varia entre os indivíduos.</p><p>Graichen ainda revela que os microssatélites são amplamente utilizados devido a três características principais: alta variabilidade genética entre indivíduos, a herança previsível, com 50% dos alelos provenientes da mãe e 50% do pai, e a facilidade de amplificação por PCR e análise com alta precisão.</p><p>O professor comenta que no contexto de teste de paternidade, verifica-se se um indivíduo apresenta combinações de alelos compatíveis com a contribuição genética de um suposto pai, mãe ou outro parente. “A compatibilidade é confirmada quando todos os marcadores podem ser explicados pela soma genética dos supostos genitores”, elucida Graichen.</p><p>Segundo ele, no Brasil e em diversos países, os exames forenses e de parentesco seguem painéis padronizados de STRs. O padrão internacionalmente mais reconhecido é o CODIS (Combined DNA Index System), que atualmente contempla 20 marcadores. “O mesmo raciocínio é aplicado para exclusão de paternidade ou absolvição judicial: um suspeito pode ser excluído se o DNA presente na prova não apresentar compatibilidade genética com o seu perfil”, acrescenta.</p><p>Em casos de desaparecimentos, Graichen reforça que: “quando não há amostras biológicas diretas da pessoa antes do sumiço, pode-se utilizar o DNA de familiares biológicos, como pais, filhos ou irmãos, para verificar se a amostra encontrada é compatível com a linhagem genética e, assim, estabelecer uma associação com o desaparecido”.</p>		
													<img width="1024" height="657" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2025/08/ESTRUTURA-DO-DNA-1024x657.jpg" alt="A imagem colorida horizontal apresenta uma explicação visual e textual sobre a estrutura do DNA, com um fundo azul quadriculado e elementos gráficos coloridos que representam a molécula. No centro, há uma ilustração estilizada da dupla hélice do DNA, semelhante a uma escada em espiral. Os “degraus” da escada são formados por pares de esferas conectadas por linhas brancas, simbolizando as bases nitrogenadas. As esferas amarelas e rosas representam os pares de bases químicas que sempre se unem da mesma forma: Adenina (A) com Timina (T) e Citosina (C) com Guanina (G). À esquerda da imagem, um texto explica que o DNA tem formato de dupla hélice e que cada degrau é formado por duas bases unidas. À direita, outro texto define o que são bases nitrogenadas, listando as quatro principais bases que compõem o DNA. Abaixo, em letras grandes e destacadas, está a informação sobre o pareamento específico das bases: “A com T, C com G”. O design da imagem é colorido e didático, com linguagem acessível, voltado para fins educativos. Mostrar menos Conteúdo original excluído." />													
		<h3><strong>Quais técnicas e equipamentos se utilizam nesse processo?</strong></h3><p>De acordo com o professora Graichen, o processo de identificação genética normalmente envolve várias etapas, como a coleta de amostras de sangue, mucosa bucal, ossos ou dentes, a extração do DNA com reagentes químicos ou kits automatizados, e a amplificação do material genético por PCR.</p><p>Ele afirma que a técnica PCR é essencial porque "sintetiza <i>in vitro</i> uma região específica do DNA, aumentando em milhões de vezes sua representatividade", o que permite uma análise precisa. Após isso, aplica-se a técnica eletroforese capilar, que utiliza campo elétrico para separar os fragmentos amplificados por tamanho e determinar o número de repetições em cada marcador genético, criando um “perfil genético”.</p><p>Por fim, a interpretação dos resultados é feita com o auxílio de softwares e bancos de dados, que ajudam a calcular a probabilidade de parentesco. Entre os equipamentos utilizados estão termocicladores (aparelhos que permitem a amplificação de fragmentos de DNA), sequenciadores automáticos de DNA, centrífugas, cabines de biossegurança e computadores com programas de bioinformática.</p><p>Com a estrutura atual, o professor acrescenta que os “testes de parentesco bem conduzidos podem alcançar confiança estatística acima de 99,99% para confirmar ou excluir paternidade/maternidade, porém, nenhum método é absolutamente infalível e erros como, troca ou contaminação de amostras, interpretação incorreta dos dados, casos raros de mutações ou mosaicos genéticos e relações biológicas atípicas, tais como irmãos muito semelhantes geneticamente, podem ocorrer”.</p><h3><strong>Benefícios e limitações dos bancos de perfis genéticos</strong></h3><p>No Brasil, existe o Banco Nacional de Perfis Genéticos (BNPG), instituído no âmbito da Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos (RIBPG). Ele integra um instrumento de auxílio nas investigações criminais e na identificação de pessoas desaparecidas. Graichen conta que esses locais “não armazenam o DNA das pessoas, mas o perfil genético identificado pelas técnicas mencionadas anteriormente”.</p><p>Ao considerar o cenário nacional, Graichen destaca, a partir do seu ponto vista, os benefícios atingidos com a criação do BNPG e as iniciativas de coleta: “a ampliação da eficácia investigativa, com potencial de acelerar a resolução de crimes e de reabrir casos arquivados, a contribuição significativa para a localização e identificação de pessoas desaparecidas, a integração entre diferentes unidades da federação, promovendo padronização técnica e eficiência operacional, e a possibilidade de prevenir erros judiciais, permitindo tanto a confirmação da autoria de crimes quanto a exclusão de suspeitos inocentes, são pontos positivos”, frisa</p><p>Entretanto, o diretor do Laboratório de Genética Evolutiva também aponta desafios e limitações. “A cobertura populacional, embora numericamente relevante, permanece restrita em comparação a países que adotaram sistemas semelhantes há mais tempo, como Estados Unidos e Reino Unido, limitando o alcance potencial do banco”, revela. Atualmente, a RIBPG é composta por 23 laboratórios e cobre todas as 27 unidades federativas. Nesse sentido, Graichen aponta que “persistem desigualdades regionais na infraestrutura laboratorial, o que pode gerar assimetrias na capacidade de análise e processamento das amostras".</p><p>Além disso, o professor  alerta que “a manutenção da base demanda rigorosos protocolos de segurança da informação, a fim de prevenir acessos não autorizados e usos indevidos. Outro ponto, é o cadastramento compulsório que em casos previstos na legislação suscita debates sobre privacidade, direitos individuais e limites éticos, impondo a necessidade de um arcabouço jurídico robusto e transparente”, finaliza.</p><h3><strong>A Campanha Nacional de Coleta de DNA</strong></h3><p>Iniciada em 2021, a Campanha Nacional de Coleta de DNA de Familiares de Pessoas Desaparecidas chegou a sua terceira edição em 2025, com 334 pontos de coleta, ativos até o dia 15 de agosto, Brasil afora.  </p><p>Em Santa Maria, a campanha recebe a população no <a href="https://share.google/JElopYt0g4Ic6hzQ0">Posto Médico Legal de Santa Maria</a>, localizado na Rua Floriano Peixoto, 1750.</p><p>Para realizar a coleta, os familiares devem apresentar um documento de identificação e as informações do Boletim de Ocorrência do desaparecimento (número, estado de registro, delegacia). Itens pessoais da pessoa desaparecida, como escova de dentes ou dente de leite, também podem ajudar na identificação. </p><p>Vale ressaltar ainda que há uma hierarquia de prioridade para a doação de material genético. Em primeiro estão, filhos(as) biológicos(as) e o outro genitor, em segundo lugar, Pai e/ou mãe biológicos e, por fim, estão os irmãos biológicos (mesmo pai e mesma mãe). </p><p>O procedimento de coleta é simples e pode ser feito de duas formas: por meio de um cotonete passado na parte interna da bochecha ou com uma gota de sangue extraída do dedo.</p><p>Mais detalhes sobre a campanha, outros locais de coleta, dúvidas frequentes e informações sobre as próximas edições podem ser acompanhadas no <a href="https://www.gov.br/mj/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/mobilizacao-nacional/coleta-de-dna-de-familiares-de-pessoas-desaparecidas-1/">site do MJSP</a>.</p><p><i><strong>Texto e arte gráfica</strong>: Pedro Moro, estudante de Jornalismo e bolsista na Agência de Notícias</i></p><p><i><strong>Edição</strong>: Maurício Dias</i></p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>CT na Reconstrução: Escritório Modelo de Engenharia recupera pontes em rodovias da região</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2025/05/30/escritorio-modelo-engenharia</link>
				<pubDate>Fri, 30 May 2025 14:21:11 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[1 ano enchentes]]></category>
		<category><![CDATA[castástrofe climática]]></category>
		<category><![CDATA[crise climática]]></category>
		<category><![CDATA[CT na reconstrução]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[Enchentes 2024]]></category>
		<category><![CDATA[escritório modelo engenharia]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/?p=69324</guid>
						<description><![CDATA[Na terceira reportagem da série sobre as ações do CT-UFSM nas enchentes de 2024, conheça o projeto que auxiliou na restauração de estradas do RS]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p>As chuvas começaram no dia 27 de abril, ganharam força dois dias depois e assolaram o estado durante todo o mês de maio de 2024, em forma de enchentes e deslizamentos de terra. De acordo com o Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer), as chuvas danificaram grande parte da infraestrutura rodoviária de responsabilidade estadual: dez pontes foram interditadas e mais de 8 mil quilômetros de estradas foram danificados.</p><p>Você se lembra do que estava fazendo há um ano, quando o Rio Grande do Sul enfrentava a maior catástrofe climática de sua história? A Subdivisão de Comunicação do Centro de Tecnologia preparou uma série de reportagens intitulada #CTnaReconstrução, para tratar de projetos, servidores e estudantes que atuaram na linha de frente. As matérias mostram niciativas de apoio imediato à população e projetos de recuperação e prevenção a médio e longo prazo de áreas atingidas pela catástrofe climática no RS. Na terceira reportagem, destacamos o projeto que auxiliou na recuperação dos estragos em rodovias do Rio Grande do Sul. </p><p><!-- /wp:tadv/classic-paragraph --></p>		
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										<img width="1024" height="576" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2025/05/arroio-grande-1024x576.jpg" alt="" />											<figcaption>Equipe do Escritório Modelo trabalhou com casos reais, como projetos de reconstrução de pontes em Arroio Grande</figcaption>
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		<h3><strong>Conheça o Escritório Modelo</strong></h3><p style="color: #000000;font-size: 16px">O <a style="color: #000000" href="https://www.instagram.com/escritoriomodelodeengenharia/" target="_blank" rel="noopener">Escritório Modelo de Engenharia</a> é um projeto de extensão desenvolvido pelos cursos de graduação e pós-graduação em Engenharia Civil. O projeto em seu formato atual existe desde 2021 e é coordenado pelo professor Almir Barros Santos com a colaboração direta dos docentes André Lubeck e Rogério Antocheves. O Escritório atua como um elo entre a universidade e a comunidade ao prestar serviços para órgãos públicos federais, estaduais e municipais, por meio da elaboração de projetos de engenharia, acompanhamento de obras, realização de cursos de capacitação, consultorias e assessoramentos técnicos. Quando os entes federados encontram dificuldades para realizar ou contratar tais atividades, podem dispor dos serviços do Escritório Modelo da UFSM.</p><p style="color: #000000;font-size: 16px">A origem do Escritório Modelo remonta à experiência dos professores na Universidade Federal do Pampa (Unipampa), entre 2006 e 2017, onde atuaram desde os primeiros anos de funcionamento da instituição. Na época, como aquela universidade não dispunha de infraestrutura administrativa e corpo técnico completos, os docentes recém-chegados acabaram por assumir múltiplas funções e aprender, na prática, como gerir obras e contratos públicos. Esse ambiente desafiador permitiu que eles acumulassem uma vivência profissional impulsionadora. A partir de 2017, quando os três professores se reencontraram na UFSM, trouxeram consigo essa bagagem.</p><p style="color: #000000;font-size: 16px">A ideia de criar o Escritório Modelo de Engenharia surgiu a partir de uma conversa a direção do CT. A proposta era estabelecer um projeto de extensão que pudesse apoiar a Pró-Reitoria de Infraestrutura (Proinfra) na elaboração de projetos estruturais e, futuramente, atender também a órgãos públicos externos.</p><p style="color: #000000;font-size: 16px">Após início com atendimento exclusivo para as demandas da Proinfra, especialmente na área de estruturas da UFSM, o projeto ampliou seu alcance e passou a desenvolver projetos para prefeituras e outros órgãos públicos, principalmente em municípios pequenos, onde a falta de equipe técnica especializada é um obstáculo frequente.</p><p style="color: #000000;font-size: 16px">O Escritório é remunerado pelos contratantes a partir de cada projeto desenvolvido. Os pagamentos são feitos à <a style="color: #204c90" href="https://www.fundep.ufmg.br/" target="_blank" rel="noopener">Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (Fundep)</a>, responsável pela gestão administrativa e financeira, que distribui os recursos de acordo com as rubricas previstas — como bolsas, retribuições e remuneração aos profissionais envolvidos. Parte dos recursos é destinada à Universidade e outra parte é reinvestida nos laboratórios do Centro de Tecnologia. Para assegurar a regularidade e a compatibilidade dos preços, os projetos seguem tabelas referenciais de órgãos públicos como Daer e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) – isso garante que os projetos estejam alinhados às exigências legais e os valores cobrados estejam dentro da realidade do mercado. O Escritório Modelo, portanto, presta um serviço de alta qualidade técnica a preços de mercado e com viés social, tanto para quem contrata quanto para quem trabalha nos projetos.</p><p style="color: #000000;font-size: 16px">Além de auxiliar órgãos públicos na resolução de demandas emergenciais, como no caso das enchentes, o projeto proporciona aos estudantes de Engenharia Civil da UFSM a oportunidade de participar diretamente do desenvolvimento de projetos reais, e vivenciar os desafios da profissão antes mesmo de concluírem a graduação. A experiência prática, segundo os coordenadores, faz toda a diferença na formação dos futuros profissionais. “É muito diferente o aluno trabalhar com um projeto hipotético em sala de aula do que acompanhar a elaboração de um projeto de ponte que realmente será executado”, comenta André Lubeck. E foi essa experiência que foi posta à prova no momento de emergência vivido há um ano.</p><p><!-- /wp:tadv/classic-paragraph --></p>		
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										<img width="576" height="1024" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2025/05/escritorio-modelo-arroio-grande-2-576x1024.jpg" alt="Foto colorida vertical de lugar ao ar livre, próximo a um arroio de um rio. O lugar é cheio de pequenas pedras arredondadas. Quatro pessoas estão na imagem. Duas de um lado do arroio seguram cordas. Uma terceira segura a ponta da corda da outra margem. E uma quarta pessoas está em cima de uma estrutura de madeira, que parece ser o início de uma ponte" />											<figcaption>Equipe do Escritório Modelo realizou trabalho de campo nos distritos Arroio Grande e Boca do Monte, em Santa Maria</figcaption>
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										<img width="576" height="1024" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2025/05/escritorio-modelo-arroio-grande-576x1024.jpg" alt="" />											<figcaption>Grupo da UFSM atuou em nove dos 19 pontos críticos de Santa Maria afetados pelas enchentes</figcaption>
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		<h3><strong>Logística da reconstrução</strong></h3><p style="font-size: 16px;color: #000000">Quando as enchentes atingiram o Rio Grande do Sul, em maio de 2024, a equipe do Escritório Modelo de Engenharia se viu diante de uma demanda emergencial inédita. Diversos municípios da região, afetados pela destruição de pontes, passarelas e estradas vicinais, passaram a buscar apoio técnico para viabilizar projetos e acessar os recursos de recuperação disponibilizados pela Defesa Civil e pelo Governo Federal.</p><p style="font-size: 16px;color: #000000">“Enxergamos a situação como uma oportunidade de ajudar, porque tínhamos estrutura e conhecimento para isso”, relata Lubeck. A relação prévia com a Prefeitura de Santa Maria, que já havia contado com os serviços do Escritório, foi decisiva para organizar os primeiros atendimentos. Na época, o município tinha 19 pontos críticos. “Eles nos perguntaram se teríamos condições de atender e nós falamos que não daria para fazer tudo, mas que poderíamos contribuir”, lembra o professor.</p><p style="font-size: 16px;color: #000000">A partir desse contato, a equipe do Escritório pautou seu trabalho pelas diretrizes do manual da Defesa Civil, que orientava a elaboração dos projetos e da documentação necessária para acessar os recursos de recuperação. A análise do material revelou a necessidade de estudos complementares de geotecnia e hidrologia, além dos projetos estruturais. “Brasília <i style="color: #000000;font-size: 16px">[governo federal]</i> só libera o recurso se tudo atender à legislação. Emergência não é sinônimo de improviso”, reforça o professor.</p><p style="font-size: 16px;color: #000000">Para ampliar a capacidade de atendimento, os coordenadores do Escritório articularam parcerias com outros professores da UFSM. Na geotecnia, contaram com o professor Magnos Baroni para os estudos de solo. Na área hidrológica, uniram-se ao grupo de Ecotecnologias, com os professores Daniel Allasia e João Francisco Horn. “Os professores trouxeram seus estudantes, organizamos as equipes e mostramos para Santa Maria o que conseguiríamos assumir”, detalha Rogerio Antocheves.</p><p style="font-size: 16px;color: #000000">As demandas fizeram com que o Escritório fosse ampliado para agregar mais profissionais. Hoje, o Escritório Modelo entrega projetos completos, com orçamentos, especificações técnicas, <a style="font-size: 16px;color: #204c90" href="https://www.confea.org.br/servicos-prestados/anotacao-de-responsabilidade-tecnica-art" target="_blank" rel="noopener">Anotação de Responsabilidade Técnica (ART)</a> e toda a documentação exigida pela Defesa Civil e por órgãos de controle. Este é um diferencial do projeto: reunir profissionais especializados em áreas específicas para realizar soluções técnicas, atributo que por vezes não é encontrado no mercado privado.</p><p style="font-size: 16px;color: #000000">Santa Maria, então, reorganizou sua estratégia e repassou nove pontos críticos para o Escritório Modelo, enquanto buscava outras soluções para o restante. A experiência com a prefeitura — uma das maiores e mais organizadas da região — serviu como aprendizado e modelo para os atendimentos posteriores. “Quando vieram as demandas de municípios menores, como Quevedos, São Vicente e São Francisco de Assis, a gente já sabia como funcionava o processo e até os ajudamos a organizar a documentação e os procedimentos”, lembra André.</p><p style="font-size: 16px;color: #000000">Para tentar organizar um atendimento coletivo, o Escritório Modelo enviou ofícios e propôs reuniões com associações regionais, como a Quarta Colônia. Porém, diante da urgência e da complexidade da situação, cada município buscava sua solução como podia — alguns contratatavam empresas particulares, outros recorreram a profissionais internos.</p>		
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										<img width="1024" height="577" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2025/05/quevedos-1024x577.jpg" alt="Foto colorida verticula de ponto destruída em Quevedos. Na imagem, apenas estão as cabeceiras da ponte e o rio. Não há, na foto, nenhum vestígio da ponto. Também há vários troncos presos nas cabeceiras." />											<figcaption>Escritório Modelo atendeu outros municípios da região, como Quevedos, que ponte derrubada nas enchentes</figcaption>
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		<h3 style="color: #000000;font-size: 16px"><b>Projeto em campo</b></h3><p style="color: #000000;font-size: 16px">O trabalho do Escritório Modelo de Engenharia Estrutural da UFSM vai muito além dos cálculos e projetos em escritório. Apesar de atuar principalmente com projetos técnicos para licitação, a equipe realiza visitas de campo para vistoriar as áreas afetadas — sempre após a estabilização da situação, para garantir a segurança e o levantamento preciso das necessidades.</p><p style="color: #000000;font-size: 16px">“Nós só atuamos depois que o problema está formalmente registrado e definido pela prefeitura. Mas, claro, fomos a campo vistoriar os locais atingidos”, explica o professor André. Professores especialistas em geotecnia e hidrologia acompanharam as inspeções em áreas críticas, como encostas, para garantir que as condições estejam seguras para intervenções futuras. Os discentes da UFSM têm papel ativo em todo esse processo, sempre sob supervisão técnica rigorosa. Eles colaboram na elaboração de desenhos, orçamentos e especificações, com atenção especial à revisão, pois os projetos serão auditados por órgãos como tribunais de contas.</p><p style="color: #000000;font-size: 16px">Nas vistorias em Santa Maria, mestrandos chegaram a trabalhar com água na altura da cintura para medir fundações de pontes. “São histórias que ficam para a formatura, qualificam muito a formação dos estudantes.” Os docentes lembram de um episódio marcante durante a entrega dos projetos para a Prefeitura de Cacequi: “Esperávamos uma reunião formal, mas era um evento com imprensa, secretários e vereadores. Dois alunos que participaram — a Giovana e o Felipe — tiveram que dar entrevistas. Para eles, foi o auge da graduação.”</p><p style="color: #000000;font-size: 16px">Mas nem tudo são boas notícias. “Muitas pontes que caíram já apresentavam sinais antes. A enchente foi só o empurrãozinho final,” alerta André. Problemas comuns como bueiros entupidos e falta de manutenção adequada comprometem a infraestrutura. “Ficamos felizes em ajudar, mas também tristes por ver onde a engenharia e a manutenção pública estão faltando. Se isso não mudar, os problemas vão continuar,” conclui.</p><p style="color: #000000;font-size: 16px">Na atuação do Escritório Modelo e na formação dos alunos da UFSM, um ponto é sempre reforçado: por trás de cada projeto de engenharia, existe uma questão social profunda. O professor Rogério conta a história de uma senhora feirante que mora próxima a uma das pontes em avaliação. “Ela nos disse que, com a falta daquela ponte, a rotina dela mudou totalmente. Tem que sair muito mais cedo, dar uma volta enorme. E, quando chove, fica impossível passar.” A ponte, para ela, não é apenas concreto ou cálculo — é conexão com o mundo, é qualidade de vida.</p><p style="color: #000000;font-size: 16px">Essa realidade é o que a equipe busca transmitir aos estudantes, o docente enfatiza: “Por trás de cada ponte, de cada prédio, tem pessoas que dependem dessas estruturas para trabalhar, estudar, viver. Esse olhar social precisa caminhar junto com a técnica, senão a engenharia perde o sentido.”</p><p style="color: #000000;font-size: 16px">A ação relatada acima é exemplo que reforça o papel social da Universidade pública enquanto espaço de formação técnica e científica mas, acima de tudo, humana. Em momentos de crise, projetos como esses mostram que o conhecimento produzido dentro da academia pode e deve ser colocado a serviço da sociedade.</p><p style="color: #000000;font-size: 16px"><i>Esta é a terceira reportagem da série #CTnaReconstrução. A </i><a style="color: #204c90" href="https://ufsm.br/r-375-6604" target="_blank" rel="noopener"><i>primeira</i></a><i> e a </i><a style="color: #204c90" href="https://ufsm.br/r-375-6681" target="_blank" rel="noopener"><i>segunda </i></a><i>abordaram as principais ações dos grupos e projetos do CT que ampararam Santa Maria e região no auge das inundações. Acompanhe as próximas reportagens ao longo do mês de maio no site do CT.</i></p><p style="color: #000000;font-size: 16px"><i> </i></p><p style="font-size: 16px"><i>Texto: Marina dos Santos, acadêmica de Jornalismo, com supervisão da Subdivisão de Comunicação do CT/UFSM.</i></p><p style="font-size: 16px"><i>Fotos: Escritório Modelo</i></p><p style="font-size: 16px"><i>Edição final: Agência de Notícias</i></p>]]></content:encoded>
													</item>
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				<title>Catástrofe climática</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2025/05/29/catastrofe-climatica</link>
				<pubDate>Thu, 29 May 2025 20:32:15 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Especial]]></category>
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		<category><![CDATA[Cachoeira do Sul]]></category>
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						<description><![CDATA[Um ano após as enchentes que assolaram o Rio Grande do Sul, reportagem multimídia mostra como a Universidade contribui para mitigar o problema
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <img width="1024" height="667" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2025/05/Colapso-nos-municipios-do-RS.jpg" alt="Imagem colorida horizontal de um mapa do Rio Grande do Sul em azul, com fundo em marrom, que destaca o fato de 95% dos municípios terem sido afetados pelas enchentes de 2024" />													
		<p>Abril e maio de 2024. Neste período, o Rio Grande do Sul entrou em colapso. Chuvas intensas atingiram 471 das 497 cidades gaúchas, aproximadamente 95% dos municípios, e deixaram mais de 600 mil pessoas fora de casa - os dados são da Defesa Civil do estado. A falta de uma preparação adequada do Poder Público para conter as enchentes ocasionou diversas consequências que perduram até os dias de hoje, um ano após a calamidade.</p><p>Na Região Central, mais especificamente no município de Silveira Martins, a coproprietária da loja Massas do Vale, Cleci Bianchi, ainda sente os impactos da catástrofe em seu negócio. “Eu perdi todo o estoque de massas. Eu perdi tudo. A gente tinha um gerador, que só conserva, não congela. Eu consegui [retomar], mas não muito, porque não tinha estrada nem ponte para as pessoas virem buscar [os produtos]. Até agora <i style="color: #000000;font-size: 1rem">tá</i> difícil. Muito difícil”, revelou.</p><p>Outra vítima naquela cidade foi Maria Fighera. Ela conta que no dia 30 de abril de 2024, em um momento de descanso logo após o almoço, sua família ouviu um barulho estranho e, ao olhar para o lado de fora, notou deslizamentos em um morro próximo à estrutura do seu empreendimento. Além dos presentes precisarem sair de casa, o maquinário utilizado foi levado com as enchentes e os animais, mortos.</p><p>Ela conta que, embora o prejuízo financeiro tenha sido grande, nenhuma vida humana foi perdida. “Ficamos mais de um mês sem poder sair de carro. Só pudemos sair depois que veio uma retroescavadeira que abriu a estrada, fazendo um desvio. Ficamos 15 dias sem luz, 20 dias sem internet. Ainda bem que tínhamos em casa um gerador, só faltava a gasolina”, relembrou. A única forma de saber sobre a situação dos vizinhos era pessoalmente.</p><p>Santa Maria está entre os municípios atingidos e, consequentemente, a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), que precisou lidar com o acontecido. O Campus Sede teve de ser <a href="https://www.ufsm.br/2024/04/30/ufsm-orienta-para-evacuacao-do-campus-e-suspensao-das-atividades-academicas-e-administrativas">evacuado</a> e as atividades acadêmicas suspensas por 20 dias. Na sequência, foi revelado que o acervo do Departamento de Arquivo Geral da Universidade, que ficava localizado no subsolo da Reitoria, foi <a href="https://www.ufsm.br/2024/04/30/nota-sobre-o-incidente-com-o-acervo-da-ufsm">comprometido</a>.</p><p>Também afetada por toda essa situação, a Instituição recorreu ao ensino, à pesquisa e à extensão, com projetos voltados à mitigação dos danos causados tanto na cidade quanto fora, colocando-se na linha de frente da rede de apoio ao Estado. Ações foram desenvolvidas em diferentes esferas para entender a complexidade da aflição que o Rio Grande do Sul viveu ao mesmo tempo em que as vítimas eram auxiliadas. Contudo, isso não basta: a UFSM segue trabalhando para evitar que esse pesadelo aconteça novamente em território gaúcho.</p>		
													<img width="1024" height="667" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2025/05/Precipitacao-Tipica-vs-diaria.jpg" alt="Imagem colorida horizontal que destaca, em mapa do RS em azul, com fundo em marrom, o fato de que choveram 600 milímetros em um único dia em cidades da Serra Gaúcha" />													
		<h3><b>Universidade contribui para diminuir perdas no campo</b></h3><p>Um exemplo de ação desenvolvida pela UFSM associada à catástrofe climática é o projeto de divulgação de boletins agrometeorológicos para profissionais envolvidos com o agronegócio em Cachoeira do Sul. A iniciativa, coordenado pela professora Zanandra Oliveira, foi criada em 2017 em uma parceria entre o curso de Engenharia Agrícola com o Grupo Metos, empresa que trabalha com o monitoramento climático.</p><p>A ideia é adquirir dados relativos aos horários, temperatura, umidade relativa, chuva e velocidade do vento em Cachoeira do Sul, em tempo real, para, dessa forma, gerar boletins informativos que ajudem os produtores a tomar as melhores decisões. As informações são disponibilizadas <a style="font-size: 1rem" href="https://www.ufsm.br/unidades-universitarias/cachoeira-do-sul/estacao-meteorologica-da-ufsm-cs">em uma página específica no site da UFSM</a> todo início de mês com gráficos sobre o mês anterior, fazendo um comparativo. Como o trabalho começou há aproximadamente oito anos, ainda não é possível definir um padrão no município no que diz respeito ao clima.</p><p>“As informações meteorológicas são importantes para todas as áreas do conhecimento. A gente vai pensar nas engenharias, todo o planejamento de obras é muito importante. Para o curso de Engenharia Agrícola, a gente tem uma relação direta do clima com as atividades agropecuárias. Então, é fundamental. Seria impossível a gente realizar as atividades de ensino e de pesquisa sem ter acesso a essas informações. É o clima que explica a variabilidade da educação das culturas, o bem-estar dos animais de produção. É um instrumento fundamental e necessário para essa área do conhecimento”, destacou Zanandra.</p><p>No dia 3 de junho de 2024, as secretarias da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação e de Desenvolvimento Rural do Rio Grande do Sul divulgaram um relatório acerca das perdas na produção rural causadas pelas chuvas. De acordo com o documento, elaborado com dados coletados entre 30 de abril e 24 de maio, mais de 206 mil propriedades foram afetadas por todo o Estado, prejudicando 48.674 produtores. Ao todo, 19.190 famílias tiveram perdas relacionadas às estruturas dos empreendimentos, como galpões, armazéns e estufas.</p><p>Em território cachoeirense, também surgiu, em 2020, durante a pandemia, o projeto <a href="https://pacomecsufsm.wixsite.com/ufsm-cs">PaComê</a>, que consiste na promoção de teorias acerca da preparação de alimentos e o conhecimento por trás da prática. A ação tem uma parceria com a Escola Estadual Coronel Ciro Carvalho de Abreu desde 2024 e tem os jovens alunos como os responsáveis por “colocar a mão na massa”, em uma horta localizada na instituição. O objetivo é construir uma rede de entusiastas sobre a saúde alimentar, o plantio agroecológico e a culinária com produtos naturais.</p><p>A professora da UFSM, Mariana Coronas, coordenadora da iniciativa, explica os benefícios da autoprodução, levando em conta os problemas que a cidade teve durante a catástrofe climática do ano passado: “Cachoeira ficou por alguns dias desconectada. Fecharam vários acessos. A gente ficou alguns dias com os supermercados desabastecidos principalmente de produtos perecíveis. Os produtores locais, mesmo que tenham tido suas perdas, continuaram produzindo. Ter essa produção local, em casa, te dá uma certa autonomia para que, eventualmente, quando acontecerem esses eventos, ainda tenha essa fonte”.</p><p>O professor da escola cachoeirense, Volni Oestreich, destaca um dos cuidados que o grupo procura ter durante a atividade: “nós evitamos ao máximo o uso de qualquer produto químico. Então, aqui, o aluno planta, rega, colhe e entrega na cozinha da cantina. Ele mesmo acaba conseguindo participar de todo o processo do plantio e cuidado durante o crescimento. Todos esses produtos são utilizados na escola, consumidos pelos alunos e professores”.</p><p>Uma das responsáveis por atuar é Vanderleia dos Santos, estudante do curso de Engenharia Agrícola da UFSM em Cachoeira do Sul. Ela fez ensino médio na Ciro Carvalho e, através do PaComê, retornou para ajudar os atuais alunos. “Agora, com as mudanças climáticas, o fato de a gente ter essa segurança alimentar, de produzir alimentos, de ter contato com algo mais sustentável também, faz a diferença. É bem mais gratificante, saudável, e a gente consegue mostrar para eles na prática”, comentou. Ainda, na visão da acadêmica, os jovens já estão bem mais conscientes com as práticas da ação.</p>		
													<img width="1024" height="667" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2025/05/Estradas-do-RS-sobrem-Danos.jpg" alt="Imagem colorida horizontal do mapa do RS, com fundo marrom, e caixa de texto com 80% das estradas gaúchas afetas" />													
		<h3><b>Resistir para diminuir os impactos de novos catástrofes</b></h3><p>A catástrofe climática também chamou a atenção dos pesquisadores da UFSM no que diz respeito à infraestrutura ambiental dos municípios. O projeto “Resiliência de redes de transporte em eventos extremos”, coordenado pelo professor Felipe Caleffi, também do campus de Cachoeira do Sul, é um exemplo. A iniciativa tem como objetivo modelar, por meio de um simulador, todas as 497 cidades do Rio Grande do Sul para entender o efeito das fortes chuvas e como elas afetam o transporte público e o transporte de emergência, como ambulâncias, viaturas da polícia e caminhões dos bombeiros.</p><p>O grupo tem a parceria da Defesa Civil do Estado, entidade que estuda quais áreas do Rio Grande do Sul são as mais críticas e devem ser modeladas com mais urgência. Com o trabalho, espera-se que seja realizado um planejamento melhor quando as crises ocorrerem. “As cidades podem se planejar melhor para quando os próximos eventos ocorrerem. A gente imagina que em algum momento vá acontecer de novo. De posse desses dados, dessas simulações, a gente consegue entender melhor os cenários”, explicou Caleffi.</p><p>Conforme <a style="font-size: 1rem" href="https://www.ihu.unisinos.br/639969-infraestrutura-comprometida-chuvas-afetaram-mais-de-80-das-estradas-no-rs">reportagem publicada</a> pelo Instituto ClimaInfo, em 4 de junho de 2024, 80% das estradas gaúchas foram prejudicadas com a catástrofe climática - aproximadamente 13,7 mil quilômetros. No mesmo texto, mas com dados do G1, constata-se que 4.521 km de vias públicas foram afetadas, “distância mais do que suficiente para atravessar o Brasil de Norte a Sul (4.397 km) e de Leste a Oeste (4.320 km)”.</p><p>Na área da arquitetura e do urbanismo, é desenvolvido o projeto Santa Maria Mais Verde Mais Resiliente. A iniciativa, que tem como coordenador o professor Edson Luiz Bortoluzzi, busca aumentar a resiliência ambiental da cidade por meio da integração de políticas urbanas e da implantação de sistemas de espaços livres.</p><p>Segundo o docente, há pelo menos 20 anos são feitas discussões na Universidade acerca da promoção de uma infraestrutura sustentável. A iniciativa, contudo, surgiu realmente a partir das enchentes de maio de 2024. A ideia é propor o desenvolvimento de espaços ambientalmente adequados a fim de proteger possíveis vítimas, uma vez que, na visão de Bortoluzzi, o problema não é a enchente nem o deslizamento, mas a localização das moradias em áreas onde acontecem desastres climáticos.</p><p>“As pessoas atingidas são aquelas de mais baixa renda. Alguns ainda dizem ‘ah, invadiram aquele lugar’. Não, estão ocupando aquele lugar porque foi o que sobrou para elas. A questão da habitação é chave, fundamental”, detalhou o professor. A proposta também envolve a região da Quarta Colônia, em parceria com o <a style="font-size: 1rem" href="https://www.geoparquequartacolonia.com.br/home">Geoparque Quarta Colônia</a>, e tem a intenção de, além de pensar na infraestrutura, investir simultaneamente no aspecto social que envolve a vulnerabilidade ambiental.</p><p>“A gente tem que ter espaços para caminhar, para fazer exercícios. [Tem] a questão da saúde mental, porque quando a gente fala em exercícios e parques não é só [sobre] saúde física, é a saúde mental também. E esses espaços verdes, essas áreas verdes (...) certamente tem que estar atrelados na ideia de reduzir as enchentes”, destacou Bortoluzzi.</p>		
													<img width="1024" height="667" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2025/05/Propriedades-rurais-afetadas-1-1.jpg" alt="Imagem colorida horizontal de mapa do RS com destaque com o total de 206 mil propriedades rurais afetadas durante as enchentes" />													
		<h3><b>‘Todo desastre tem uma linha do tempo’</b></h3>
<p>É normal ocorrerem tempestades severas entre abril e maio, com ventos fortes e até mesmo granizo, no Rio Grande do Sul. Entretanto, a razão por trás da catástrofe climática diz respeito a uma situação de bloqueio das ondas atmosféricas. Isso significa que não houve uma intercalação entre períodos de chuva e tempo seco, o que fez com que a tempestade ficasse parada e o nível de água na Terra aumentasse. As informações são de acordo com o professor do Programa de Pós-Graduação em Meteorologia e coordenador do Grupo de Modelagem Atmosférica de Santa Maria (GruMA) da UFSM, Vagner Anabor.</p>
<p>Ainda, segundo o docente, esse entrave ambiental durou cerca de duas semanas. Na Região Central, mais de 250 milímetros de chuva caíram em um único dia, enquanto lugares como a Serra Gaúcha sofreram com 600 milímetros por dia. Tipicamente, entre abril e maio, são cerca de 150 milímetros por mês. “Esses fenômenos foram muito intensos no estado do Rio Grande do Sul. Posso falar tranquilamente que é o maior desastre já ocorrido porque, para ter uma situação de desastre, a gente precisa ter: um fenômeno acontecendo, uma população exposta a esse fenômeno e que essa população exposta seja vulnerável, não esteja preparada”, afirmou Anabor.</p>
<p>A professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Márcia Amaral, evidencia a temporalidade da situação: “todo desastre tem uma linha do tempo. O desastre nunca começa quando eclode, começa muito tempo antes, e nunca termina em uma data específica. Ele perdura por longos anos na vida de uma comunidade”. Para ela, durante a crise climática, foi possível ver os governos do Estado convocando especialistas de fora para estudar a recuperação de toda a área atingida, mesmo que houvesse soluções “caseiras”, com muita expertise. “Nós criamos uma rede de emergência climática no Rio Grande do Sul reunindo mais de 100 cientistas e buscando justamente que essas pessoas tivessem alguma força junto à mídia, junto à imprensa e junto aos governos, para que esse conhecimento gerado dentro das universidades pudesse também ser acessado nos momentos práticos da recuperação do Estado”.</p>
<p>Na visão de Anabor, hoje, a UFSM forma os melhores previsores de tempo severo do Brasil, com as instituições de ensino superior gaúchas sendo referência na formação de profissionais da meteorologia. Contudo, pela falta de estrutura, os outros estados ficam com essa mão de obra. “A tecnologia que nós dominamos na UFSM permite prever e antecipar esses fenômenos com grande eficiência. A qualificação técnica e o preparo das comunidades é o que a gente precisa, encontrar meios de transferir essa informação lá para ‘a ponta’ da sistema, porque se uma pequena escola do interior não estiver preparada para o desastre e as pessoas não tiverem consciência do problema nem de como reagir a uma situação de emergência, por menor que seja o fenômeno, vai ser muito grave”, afirmou.</p>
<p>Outra ação desenvolvida pela Universidade foi a Sociologia do Alerta, coordenada pela professora do curso de Ciências Sociais, Mari Cleise Sandalowski, que está à frente do projeto Catástrofes Sócio Climáticas. A iniciativa surgiu durante as enchentes de 2024 com o questionamento de como a área das ciências sociais poderia contribuir. A resposta: realizando um mapeamento das características sócio-culturais das comunidades que sofreram com questões de ordem ambiental não só no último ano, mas desde a década de 1990.</p>
<p>Na primeira etapa, o que mais chamou a atenção da docente foi que, no Rio Grande do Sul, há uma ocorrência de eventos que destoa do resto do Brasil. Enquanto no país é possível identificar elementos de ordem climatológica com o passar do tempo, em território gaúcho, de 15 anos para cá, são eventos de ordem hidrológicas. Em Santa Maria, regiões de bairros como Tancredo Neves, Chácara das Flores, Itararé, KM3 e Camobi são as mais afetadas pelas ocorrências.</p>
<p>Na Sociologia do Alerta, uma questão que também é abordada é a memória dos moradores dessas localidades. Mari Cleise conta que não é simples fazer com que uma pessoa, apesar das claras questões ambientais, deixe um lugar. “Não é suficiente você simplesmente retirar as famílias de um local e alojá-las em outro. Você não leva em consideração a memória afetiva, os laços com a vizinhança, os laços familiares, a questão da rede de apoio. Como fica a questão afetiva? O que é um risco, afinal? Para uma população que muitas vezes está em uma situação de precariedade social, de baixa renda, que não tem acesso ao saneamento básico, à segurança pública, à educação dentro dos fatores. Essas questões também são de risco”, pontuou.</p>		
													<img width="1024" height="667" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2025/05/Vagner-Anabor-2.jpg" alt="Imagem colorida horizontal de um mapa do RS em infográfico. A imagem traz a fala do professor Vagner Anabor: se uma pequena escola do interior não estiver preparada para o desastre e as pessoas não tiverem consciência do problema nem de como reagir a uma situação de emergência, por menor que seja o fenômeno, vai ser muito grave" />													
		<h3><b>Enfrentamento exige esforço conjunto</b></h3><p>Uma coisa é certa: apesar das investidas de instituições como a UFSM e do próprio Governo Federal, fortes chuvas, acompanhadas de ventos intensos e descargas elétricas, seguirão acontecendo no Rio Grande do Sul. No período em que a catástrofe climática completou um ano, a Defesa Civil gaúcha emite diferentes alertas para moradores de diferentes regiões do Estado acerca de possíveis transtornos que poderiam ocorrer.</p><p>A Secretaria Extraordinária da Presidência da República de Apoio à Reconstrução do Rio Grande do Sul (SERS), criada em meio às enchentes por meio de uma Medida Provisória, hoje não tem mais status de ministério. A pasta, então comandada por Paulo Pimenta, foi extinta no dia 20 de dezembro.</p><p>O objetivo principal da SERS foi organizar as demandas do Rio Grande do Sul e facilitar o envio de verbas do Governo Federal que, ao todo, investiu R$ 98,7 bilhões em medidas de reconstrução e apoio ao Estado. Desse montante, R$ 42,3 bilhões já chegaram “às mãos” do povo gaúcho entre repasses aos municípios afetados, criação de novas casas, descontos em dívidas, reformas em escolas e unidades básicas de saúde e compra de medicamentos.</p><p>A agora Secretaria para Apoio à Reconstrução do Rio Grande do Sul integra a Secretaria-Executiva da Casa Civil, do ministro Rui Costa, e deverá ser extinta em 30 de maio deste ano. Emanuel Hassen de Jesus, o Maneco, ex-prefeito de Taquari que, em 2023, foi secretário de Comunicação Institucional da Secretaria de Comunicação Social, é quem hoje dirige o setor.</p><p> </p><p>O enfrentamento de catástrofes climáticas exige muito mais do que ações emergenciais durante os episódios e medidas de reconstrução após os eventos extremos. É necessário que os poderes públicos municipal, estadual e federal, as instituições, a iniciativa privada e as comunidades estejam melhores preparados antes da ocorrência de tempestades, enchentes ou deslizamentos. Tudo começa com o entendimento de que o clima gaúcho sofre com situações extremas e que o ‘novo normal’, resultante do aquecimento global, intensifica isto. Diminuir riscos para todos abrange a compreensão de que o preparo deve levar em consideração aspectos ambientais, tecnológicos, econômicos, sociais e culturais.</p><p><em><strong>Repórter Universitário é um projeto da Agência de Notícias e da TV Campus com o objetivo de produzir conteúdo multimídia e multiplaforma por estudantes de Comunicação Social sob a supervisão de técnicos da área</strong></em></p><p><em><b>Reportagem digital</b>: Pedro Pereira (jornalista)</em></p><p><em><strong>Reportagem audiovisual</strong>: Milene Eichelberger (jornalista) </em></p><p><em><strong>Captação de imagens</strong>: Felippe Richardt (técnico em audiovisual), Leonardo Dalla Porta (publicitário) e Taiane Wendland (acadêmica de Produção Editorial, bolsista da TV Campus)</em></p><p><em><b>Edição de imagens</b>: </em><em style="color: #000000;font-size: 16px">Felippe Richardt (técnico em audiovisual) e Taiane Wendland (acadêmica de Produção Editorial)</em></p><p><em><strong>Arte: </strong>Daniel Michelon De Carli (analista de TI e designer)</em></p><p><em><strong>Edição</strong>: Mariana Henriques (jornalista) e Maurício Dias (jornalista)</em></p><p><em><strong>Supervisão geral</strong>: Felippe Richardt (TV Campus) e Mariana Henriques (Agência de Notícias)</em></p>https://www.youtube.com/watch?v=7GAwz_Ds2LY]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>História em quadrinhos retrata a ansiedade climática dos moradores da Urlândia</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2025/05/13/hq-ansiedade-climatica</link>
				<pubDate>Tue, 13 May 2025 16:09:49 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[ansiedade climatica]]></category>
		<category><![CDATA[catástrofe climática]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[Enchentes 2024]]></category>
		<category><![CDATA[HQ]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo em quadrinhos]]></category>

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						<description><![CDATA[A memória e as consequências emocionais e materiais das enchentes de maio em uma comunidade periférica de Santa Maria]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <img width="1080" height="1350" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2025/05/HQ-PREMIO.jpg" alt="Quadro colorido vertical com o título &quot;Quando a rua enche&quot;. O quadro mostra o repórter de costas e uma fonte, um senhor de idade, desenhados de forma estilizadas. Os dois estão de costas e andam por uma rua não asfaltada. Dos dois lados, estão casas de um piso, árvores, postes de energia e um cachorro caramelo. Acima, o céu cinzento, com alguns pássaros voando baixo." />													
													<img width="1081" height="1351" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2025/05/02.jpg" alt="" />													
													<img width="1081" height="1351" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2025/05/03.png" alt="" />													
													<img width="1081" height="1351" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2025/05/04.jpg" alt="" />													
													<img width="1081" height="1351" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2025/05/05.jpg" alt="" />													
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													<img width="1081" height="1351" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2025/05/08.jpg" alt="" />													
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													<img width="1081" height="1351" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2025/05/10.png" alt="" />													
													<img width="1081" height="1351" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2025/05/11.png" alt="" />]]></content:encoded>
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				<title>UFSM atua frente à calamidade pública por meio da extensão</title>
				<link>https://www.ufsm.br/pro-reitorias/pre/2024/05/22/ufsm-atua-frente-a-calamidade-publica-por-meio-da-extensao</link>
				<pubDate>Wed, 22 May 2024 13:34:05 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[#recursos]]></category>
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		<category><![CDATA[quarta colônia]]></category>

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						<description><![CDATA[Ações extensionistas podem receber incentivo financeiro.]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
<p><span style="font-weight: 400">Em vista do estado de calamidade pública climática que impacta todo o Rio Grande do Sul desde o início de maio, a UFSM está presente junto à comunidade, apoiando a atuação dos docentes, dos técnicos-administrativos e discentes em ações de solidariedade às vítimas. Um dos principais braços de atuação da instituição é por meio da extensão universitária, que ganhou forma no programa “UFSM Solidária e Cidadã”, proposto pela equipe da Pró-Reitoria de Extensão (PRE). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Desde o início do período de calamidade pública no estado, duas Instruções Normativas (IN) ligadas à Extensão foram publicadas. </span><a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/346/2024/05/IN-02-24-PRE-assinada.pdf"><span style="font-weight: 400">A primeira</span></a><span style="font-weight: 400">, dispôs sobre a possibilidade de vinculação de ações de solidariedade no </span><a href="https://portal.ufsm.br/projetos/publico/projetos/view.html?idProjeto=424526"><span style="font-weight: 400">programa UFSM Solidária e Cidadã</span></a><span style="font-weight: 400">, o que permite a concessão de incentivos financeiros e certificação das horas trabalhadas. Interessados em se vincular devem enviar um pedido para o email </span><a href="mailto:extensao@ufsm.br"><span style="font-weight: 400">extensao@ufsm.br</span></a><span style="font-weight: 400"> com as informações descritas na referida IN. A </span><a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/346/2024/05/IN-03-Bolsa-de-Extenso-Estudante-Cidado-assinado.pdf"><span style="font-weight: 400">segunda IN</span></a><span style="font-weight: 400">, por sua vez, possibilita o pagamento de bolsas para os estudantes atuantes e membros do programa, de forma a incentivar a continuidade da ação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Outro documento importante neste momento foi o ofício enviado pelo Fórum de Pró-reitores de Extensão das Instituições Públicas de Educação Superior Brasileiras (FORPROEX) e pelo Fórum de Reitores das Instituições Públicas de Educação Superior do Rio Grande do Sul (FORIPES). Nele, são apresentadas 30 </span><span style="font-weight: 400">temáticas de extensão de atenção, que ajudam a guiar as ações da UFSM. Entre elas, estão: apoio psicossocial às vítimas, resgate e cuidado de animais, avaliação de danos estruturais, apoio aos idosos, prevenção de doenças e promoção da saúde e muito mais.</span></p>
<h3><b>Ações contínuas marcam compromisso da UFSM com a recuperação do estado</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400">Com o lançamento da primeira IN, a ação imediata da PRE foi justamente o mapeamento e prospecção de ações solidárias em andamento, visando sua vinculação ao Programa UFSM Solidária e Cidadã. É possível informar dados sobre ações em andamento pelo formulário criado pela equipe da PRE, </span><a href="https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSdwW_9K3SfleA4-a6XgSIuKG4u7Ot_u5FPvi4wJZ1lIFHWCaA/viewform"><span style="font-weight: 400">neste link</span></a><span style="font-weight: 400">. Esse movimento é essencial para que o trabalho seja reconhecido, apoiado e fomentado institucionalmente, além de qualificar junto da comunidade santa-mariense a importância da extensão universitária. Ainda, a pró-reitoria está ampliando o diagnóstico da situação em Santa Maria e nos territórios Geoparques Quarta Colônia e Caçapava do Sul.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">No dia 22 de maio, a PRE organizou um evento online com os coordenadores dos cursos de graduação com foco em orientar o desenvolvimento de ações de extensão frente ao estado de calamidade pública. Para isso, a pró-reitoria utilizará os recursos do Fundo de Inserção da Extensão nos Currículos de Graduação (FIEC-G) e um incremento de recursos pela vinculação ao Programa UFSM Solidária e Cidadã, seguindo as temáticas apresentadas pelo FORPROEX e pelo FORIPES.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Ainda, a PRE tem prevista a execução de edições do “Rondonzinho”, a médio e longo prazo. A iniciativa é inspirada no <a href="https://www.ufsm.br/pro-reitorias/pre/category/projeto-rondon">Projeto Rondon</a>, que pretende atuar, a partir do diagnóstico das realidades dos territórios afetados, de forma que a UFSM promova expedições e solucione os problemas identificados. As expedições poderão ser em bairros específicos de Santa Maria ou em outras cidades de abrangência da Universidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Para o Prof. Flavi Lisboa, pró-reitor de Extensão, a UFSM não pode se eximir do seu papel neste momento de crise climática no estado. Ele entende que, no primeiro momento, as ações da instituição foram de caráter assistencial, mas que, no que tange a extensão universitária, o foco está na transformação social. Dessa forma, as medidas colocadas em práticas focam em ações de médio e longo prazo, de forma a permitir um enfrentamento às adversidades, com foco em diminuir o impacto em grupos em vulnerabilidade social.</span></p>
<hr />
<p><em><span style="font-weight: 400">Texto: Pedro Souza, da Subdivisão de Divulgação e Eventos da PRE</span></em></p>
<!-- /wp:tadv/classic-paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
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