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				<title> “A leitura é um hábito que se constrói”: pesquisadoras refletem sobre importância do livro infantil</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2026/04/17/literatura-infantil</link>
				<pubDate>Fri, 17 Apr 2026 15:52:59 +0000</pubDate>
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						<description><![CDATA[Dia 18 de abril marca o aniversário de Monteiro Lobato e homenageia o autor e sua obra
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							<content:encoded><![CDATA[  <p>O dia 18 de abril marca o Dia Nacional do Livro Infantil. A data celebra o aniversário de Monteiro Lobato, figura de referência na literatura infantil, e reforça a importância dessa manifestação cultural. A leitura contribui para o desenvolvimento cognitivo da criança ao incentivar a imaginação, criatividade e o aumento do vocabulário. A conexão com as personagens gera identificação nos pequenos, o que proporciona sentimentos de valorização e compreensão. Por isso, é importante que haja incentivo à prática da leitura desde cedo, por meio da escola e dos familiares.</p>
<p>Existem diversas maneiras de inspirar esse hábito. Uma delas é a leitura compartilhada, por meio da mediação. Doutora em Educação e docente do curso de Psicologia da Universidade Federal de Satna Maria (UFSM), Taís Fim Alberti, defende, a partir da Psicologia Histórico-Cultural, que a leitura insere o sujeito na cultura social vigente. “A gente se humaniza na relação com os outros. Então, é nessa relação de mediação que a gente vai passar para essa nova pessoinha os instrumentos e os signos da nossa cultura”, reforça.&nbsp;</p>
<p>A mediação, descrita pela professora, envolve a leitura compartilhada, ou seja, com outras pessoas - um adulto, um professor ou até uma criança mais velha. Isso permite que a criança se expresse ao conversar sobre a história e falar sobre o que sente e observa. Taís explica que “a leitura é um componente essencial para o desenvolvimento dessas funções psíquicas superiores”.</p>
<p>Ao pensar no desenvolvimento intelectual, é importante refletir sobre o aspecto sócio-emocional presente no ensino. A Psicologia Histórico-Cultural destaca um papel da escolarização. “A escola e o ensino são condições para o desenvolvimento”, ressalta.&nbsp;A docente reflete sobre como a escola tem papel fundamental em sistematizar o conhecimento e, também, criar leitores, pois proporciona o acesso à leitura.</p>
<p>Assim, o livro se materializa em um objeto tátil com textura e ilustração que estímulos à inventividade do leitor e fazem com este se envolva com a história narrada. Na UFSM, o Programa de Pós-Graduação em Comunicação (Poscom) desenvolve pesquisas sobre o mercado editorial e hábitos de leitura na infância. A doutoranda Danielle Neugebauer Wille, que estuda o tema, ressalta como elementos visuais que fogem do texto são essenciais no livro infantil: “a criança fica muito mais interessada e interage muito mais com o livro a partir disso”.</p>
<p>Com um trabalho sobre livros para crianças de quatro a cinco anos, Danielle busca compreender como se dá a experiência estética a partir da materialidade gráfica dos livros infantis - precursores da inovação nesse aspecto. Permeada por sua experiência pessoal como mãe de Pedro, de seis anos, ela pesquisa como o contato da criança com o livro e a leitura compartilhada se dão na relação entre pais e filhos. “O livro infantil dá abertura e proximidade dentro da parentalidade. É um momento de convívio com a criança que possibilita a conversa sobre suas vivências”, comenta a pesquisadora orientada pela professor Sandra Depexe, do Poscom.</p>
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										<img width="912" height="1024" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/04/WhatsApp-Image-2026-04-17-at-12.24.03-912x1024.jpeg" alt="Foto colorida vertical de livro infantil com desenho de cobra azul sobre um fundo amarelo. A cabeça da cobra acompanha o formato da capa da obra, que tem dois olhos e um lingua." /><figcaption>Litetura infantil precisa ser lúdica</figcaption></figure>
<h3><strong>A escolha do livro</strong></h3>
</p>
<p>A professora Taís reforça a importância da escolha cuidadosa do livro, da mediação de alguém com conhecimento sobre a obra e o hábito da leitura alinhado à fase do desenvolvimento. “A literatura que a gente escolher pode transformar isso em algo exaustivo, cansativo”, pondera. Já Danielle argumenta que a leitura não é somente para que se converse com a criança sobre determinado assunto, mas também para que ela se sinta feliz naquele momento.</p>
<p>Outro elemento que chama atenção é o conteúdo da história. Atualmente, os livros fogem da ideia moralista, da “moral da história”, muito presente em livros infantis desatualizados. “Antigamente, o único objetivo do livro era esse. Hoje em dia, ele tem muito mais abertura para ter uma experiência de prazer”, pontua a pesquisadora.</p>
<p>É interessante que as famílias também se mobilizem ao procurar obras com temáticas relevantes para debate ainda na infância, inclusive aqueles de assuntos difíceis de abordar. “É possível permitir que a criança se expresse a partir de alguma vivência real, e a literatura vem como um suporte para aquilo que ela está vivenciando”, reflete Taís. </p>
</p>
<h3>A importância da ilustração</h3>
<p style="color: #000000;font-size: 16px">
<p style="color: #000000;font-size: 16px">A pesquisadora Ana Julia Rodrigues defendeu sua dissertação “‘Eu Gosto de Ler, Só Que Eu Não Leio Muito’: Consumo e Práticas de Leitura de Livros Infantis em uma Escola Pública de Santa Maria”, no Poscom, no dia 27 de março. O estudo trata do consumo de livros infantis e como se dá a relação das crianças com a literatura. Ana Julia percebeu que a ilustração sempre chamou muito a atenção das crianças.</p>
<p style="color: #000000;font-size: 16px">“Sempre que a gente perguntava: ‘por que que tu escolheu esse livro?’, eles sempre destacavam o valor da ilustração”. Ana Julia relata que muitas crianças atentavam para a capa, as cores e os aspectos editoriais, o que revelava sua afinidade com a ilustração. </p>
<p style="color: #000000;font-size: 16px">“É muito deles se identificarem. Muitas vezes é um personagem ou uma cor que chama a atenção. Eles se identificam não necessariamente com a história, mas com algum elemento”, constata.</p>
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										<img width="989" height="1024" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/04/WhatsApp-Image-2026-04-17-at-12.24.04-989x1024.jpeg" alt="Foto colorida vertical de livro infantil e formato quadrado do livro &quot;Quem abre o bocão&quot;. A obra tem na capa principal, em azul, tem dois olhinhos na parte de cima, e uma área vazada em formato de boca. Na página seguinte, visível atráves da área vazada, vários personagens, passarinhos e pintinhos, e uma superfície vermelha" />											</p>
<figcaption>Formas, cores, ilustrações e personagens ajudam no incentivo à leitura</figcaption>
</figure>
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										<img width="768" height="1024" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/04/WhatsApp-Image-2026-04-17-at-09.11.17-768x1024.jpeg" alt="Foto colorida vertical de mulher jovem em pé. Ela usa óculos, tem cabelos claro longo, usa blusa branca e calça escura. Atrás dela, a projeção de um slide com o nome da pesquisa “‘Eu Gosto de Ler, Só Que Eu Não Leio Muito’: Consumo e Práticas de Leitura de Livros Infantis em uma Escola Pública de Santa Maria”" />											</p>
<figcaption>Ana Júlia defendeu dissertação sobre consumo de livros infantis em escola pública</figcaption>
</figure>
<h3>Hábitos de leitura na infância</h3>
<p>A pesquisa de Ana Julia, também orientada pela professora Sandra Depexe, destaca a importância da mediação e o papel central das escolas no interesse que a criança possui ou desenvolve na leitura. Ao buscar compreender a relação criança-livro atualmente, ela observou que, em muitos contextos, “a escola é o único lugar que vai ofertar essa relação com o livro infantil”.</p>
<p>A dissertação aponta que as formas de consumo do livro carregam significados sociais. “A gente observa que, de fato, a escola é o principal local que oferece e oportuniza essa relação”, relata. O alto custo do livro infantil ainda é um fator de afastamento do universo da literatura. Danielle concorda com Ana e reforça que o livro não é um produto cultural barato e acessível. Por isso, ela lembra que, para muitas famílias, a escola é a possibilidade desse contato com a literatura.</p>
<h3><b>Lobato e o Sítio</b></h3>
<p>Monteiro Lobato foi o responsável por revolucionar a literatura infantil no Brasil com o livro “Reinações de Narizinho”, relançado posteriormente como parte da série "Sítio do Pica Pau Amarelo", a primeira escrita para crianças. Com uma linguagem fácil, o autor construiu um universo fantástico e ganhou o país com seus personagens criativos e curiosos. A obra foi traduzida para outros idiomas e recebeu adaptações para cinema, televisão e quadrinhos.</p>
<p>O dia 18 de abril celebra o Dia Nacional do Livro Infantil em homenagem ao autor considerado o “pai da literatura infantil” no Brasil.</p>
<h3><b>Literatura infantil x literatura juvenil</b></h3>
</p>
<p>O livro infantil é concebido para a criança, com formato, ilustrações, cores, quantidade de texto e linguagem específicas. Já a literatura infantil é todo o texto adequado à criança. Atualmente também se considera literatura infantil aquela obra que tem, não só o texto, mas também a ilustração de qualidade. A escritora Cecília Meireles defendia que a “Literatura Infantil é aquela que as crianças leem com agrado”.</p>
<p>Não existem regras expressas para definir o livro juvenil, mas o que se observa – em comparação com o infantil – é o predomínio de textos mais longos, com letras em corpo menor, poucas ilustrações, quase sempre em preto e branco. Com relação ao conteúdo, os juvenis apresentam uma divisão em gêneros de forma mais clara: aventura, suspense, romance, mistério e ficção científica. </p>
<p><em><strong>Texto</strong>: Júlia Ciervo Zucchetto, acadêmica de Jornalismo e estagiária da Agência de Notícias</em></p>
<p><em><strong>Fotos</strong>: Arquivo Pessoal/Ana Júlia Rodrigues</em></p>
<p><em><strong>Edição</strong>: Maurício Dias, jornalista</em></p>

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