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				<title>PL 2159/2021, que aborda flexibilização das leis ambientais brasileiras, gera debate na UFSM</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2025/07/14/pl-2159-2021-flexibilizacao-lei-ambiental</link>
				<pubDate>Mon, 14 Jul 2025 13:25:09 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Congresso Nacional]]></category>
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		<category><![CDATA[legislação ambiental]]></category>
		<category><![CDATA[meio ambiental]]></category>
		<category><![CDATA[PL 2159/2021]]></category>

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						<description><![CDATA[Pesquisadores e estudantes refletem sobre a falta de diálogo entre universidades e Congresso na formulação de políticas ambientais]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <img width="1024" height="667" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2025/07/pl-devastacao-pedro-moro-1024x667.jpg" alt="Desenho colorido horizontal de uma estátua da justiã coberta por videiras e flores. À direita, duas mãos seguram uma tesoura e cortam a videira." />													
		<p>O Projeto de Lei (PL) 2159/2021, que propõe uma reforma na legislação ambiental brasileira, foi aprovado pelo Senado em maio deste ano e gerou forte reação da comunidade ambientalista. Apelidado de “PL da Devastação”, o texto,&nbsp; que deve ser votado ao longo desta semana na Câmara dos Deputados, é criticado por flexibilizar regras do licenciamento ambiental — processo que autoriza atividades com potencial de causar danos à natureza.</p>
<p>Entre os trechos mais polêmicos, está a previsão de dispensa total de licenciamento para determinadas ações, como cultivo agrícola comum, pecuária extensiva ou semi-intensiva, pequenas usinas de reciclagem, sistemas públicos de água e esgoto, além de obras emergenciais ou de manutenção. Além disso, com a redução da fiscalização, as comunidades indígenas passam a correr riscos de terem suas terras invadidas e degradadas.</p>
<p>Para além das críticas técnicas, o projeto reacendeu um debate dentro da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM): a ausência de diálogo entre o Congresso Nacional e os saberes científicos produzidos nas universidades na formulação de políticas ambientais.</p>
<h3><strong>Pesquisadores alertam sobre riscos devido a falta de aporte técnico</strong></h3>
<p>Para a professora Josita Monteiro, do curso de Engenharia Florestal e coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Política e Legislação Ambiental (Nepla), “a flexibilização de certas normas sempre traz algum risco”. Ela explica que, somadas à carência de profissionais capacitados nos órgãos de fiscalização, essas mudanças podem intensificar a degradação ambiental em diversas regiões. “Os fiscais em nível municipal, por exemplo, na maioria das vezes são contratados sem especialização. Isso dificulta o monitoramento e permite que mais situações de irregularidade ocorram”, explica a pesquisadora.</p>
<p>Josita também critica a falta de embasamento técnico na formulação de leis ambientais. Segundo ela, a escuta científica é essencial para evitar normas vagas ou ambíguas. “No <a href="https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12651.htm">Código Florestal</a>, por exemplo, há especificações simplórias e com grau de subjetividade. Isso gera dissonância entre o que a lei prevê e o que a técnica considera adequado, e isso afeta diretamente o ambiente”, avalia.</p>
<h3><strong>Distanciamento entre ciência e política</strong></h3>
<p>A professora Cláudia Hertes de Moraes, do Departamento de Comunicação da UFSM em Frederico Westphalen e coordenadora do Programa de Educação Tutorial (PET) Educom Clima, também observa um enfraquecimento da relação entre ciência e Estado. “Passamos por uma onda de negacionismo muito forte durante a pandemia, e isso afetou a relação das universidades com o restante da sociedade”, analisa Cláudia.</p>
<p>Ela também destaca que o distanciamento das universidades com certos setores da sociedade precisa ser enfrentado. “O ingresso de estudantes de diversas classes sociais tem se mostrado cada vez mais necessário. Quando limitamos o acesso, perdemos a pluralidade de olhares e também deixamos saberes valiosos de fora. A inclusão enriquece a forma como a universidade enxerga e transforma a sociedade”, afirma.</p>
<h3><strong>Discussão do PL mobiliza comunidades indígenas</strong></h3>
<p>Além da crítica acadêmica, o projeto também mobiliza reações de estudantes indígenas, que denunciam o apagamento de seus saberes e o impacto direto nos territórios. Para Xainã Pitaguary, estudante de Direito da UFSM, comunicador indígena e um dos coordenadores gerais do Diretório Central dos Estudantes (DCE), o PL representa a&nbsp; oposição entre o modelo extrativista e a relação espiritual e ancestral dos povos indígenas com a Terra. “O PL da Devastação representa uma profunda violência epistêmica e territorial, porque foi construído sem ouvir nós, sem reconhecer que a terra tem espírito, que o rio tem dono, que a floresta tem voz”, aponta.</p>
<p>O estudante, natural da comunidade indígena cearense Pitaguary, ainda reflete sobre a precarização dos mecanismos de proteção ambiental. Segundo ele, o PL aprofunda um cenário recorrente de descaso com o meio ambiente. “Licenciamento ambiental, com todos os problemas que tem hoje, ainda era uma barreira mínima. Agora estão desmontando até isso”, argumenta.</p>
<p>Ao reforçar as críticas de Josita e Cláudia sobre a falta de diálogo entre ciência e política, Xainã amplia a discussão ao destacar a responsabilidade das universidades na defesa dos territórios e saberes ancestrais. “As universidades precisam ser trincheiras éticas, defensoras da vida e do conhecimento. Hoje, defender que esse projeto é inconstitucional é defender um projeto de país. E a universidade precisa estar do lado da terra e de quem cuida dela”, diz o estudante.</p>
<p>Xainã ainda enfatiza que povos originários e periféricos são primeiros a enfrentar as consequências da crise ambiental e alerta que:</p>		
							"A mãe natureza está nos avisando. O discurso está errado quando dizem que a Terra está morrendo. Quem está morrendo somos nós"
														Xainã Pitaguary
		<h3><strong>Educação como um caminho de transformação</strong></h3>
<p>Na UFSM, tanto Josita quanto Cláudia lideram iniciativas que buscam a divulgação dos conhecimentos produzidos no âmbito acadêmico por meio de atividades extensionistas — ações que fortalecem laços e trocas entre as universidades e a população em geral.</p>
<p>Tutorado por Cláudia, o <a href="https://www.ufsm.br/pet/educom-clima">PET Educom Clima </a>realizou, ao longo de 2025, ações voltadas à educação ambiental e climática. O grupo promoveu oficinas em escolas da região, desenvolvendo materiais que integram comunicação, educação e conhecimento científico sobre o meio ambiente.</p>
<p>Uma das metas em desenvolvimento é tornar a educação climática e ambiental uma disciplina regulamentada na legislação local. Para isso, o grupo formalizou reuniões com o Centro de Educação e Cooperação Socioambiental. “Estamos em discussão para inserir, cada vez mais, essa pauta no currículo de ensino das escolas da rede pública municipal", relata a professora.</p>
<p>O PET também atua em parceria com o curso de Licenciatura Intercultural Indígena da UFSM, buscando visibilizar os conhecimentos tradicionais dessas comunidades. “Nossa relação com o meio ambiente é muito diferente da indígena. Nossa cultura é extrativista, enquanto eles priorizam a preservação”, compara Cláudia.</p>
<p>Coordenado por Josita, o projeto de extensão <a style="text-align: justify" href="https://www.instagram.com/educafloresta/">Educa Floresta</a> promove visitas a escolas e ações de popularização da engenharia florestal. O grupo produz cartilhas sobre a fauna e flora brasileira, abordando a importância do uso sustentável dos recursos naturais. “A ideia é desmistificar que a floresta deva ser intocada. Podemos usufruir dela, sim, mas com equilíbrio e responsabilidade”, elucida.</p>		
										<figure>
										<img width="1024" height="683" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2025/07/DSC_0015-1-1024x683.jpg" alt="Foto colorida horizontal de grupo de pessoas sentadas em uma mesa retangular. Atrás deles uma parede preta com inscrições feitas com giz" />											<figcaption>PET Educom Clima realizou oficinas em parceria com o curso de Licenciatura Intercultural Indígena no campus de Frederico Westphalen da UFSM 
</figcaption>
										</figure>
		<h3><strong>Do estudo à proposta</strong></h3>
<p>Na disciplina de Política e Legislação Ambiental, Josita promove oficinas em que os estudantes analisam e propõem melhorias às normas ambientais vigentes. As sugestões são publicadas no<a href="https://www12.senado.leg.br/ecidadania"> Portal da Cidadania</a>, onde podem receber votos e, se atingirem aproximadamente 20 mil apoios, são encaminhadas ao Senado. “Neste ano, desenvolvemos oito propostas. Mas sem engajamento popular, elas não avançam. A falta de divulgação e de conhecimento da população sobre o portal é um grande entrave”, comenta Josita.</p>
<p>Para ela, a atuação da universidade na construção de leis é fundamental. “Refletimos sobre a legislação com um olhar técnico e crítico. Muitas vezes, quem propõe e vota nessas leis não têm formação na área. Por isso, a participação da academia é cada vez mais necessária”, defende.</p>
<p>Cláudia complementa: “As universidades públicas têm um papel central no letramento da sociedade. Precisamos sair do campus e garantir o direito à informação e à educação. Só assim as pessoas entenderão o valor da ciência”.</p>
<h3><strong>Câmara dos Deputados deve votar o PL nesta semana</strong></h3>
<p>A tramitação do projeto é antiga. O texto original foi submetido à Câmara dos Deputados em junho de 2004, antes numerado 3729/2004. No entanto, por diversas vezes, o documento retornou ao Senado para mudanças da proposta. O projeto voltou a ser discutido com prioridade em 2021, agora numerado 2159/2021. </p>
<p>Em maio de 2025, a Comissão de Meio Ambiente (CMA) do Senado aprovou o projeto em votação simbólica. Alguns dias depois, em reunião conjunta com o CMA, a Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) confirmou o avanço do texto. Com essa última aprovação, o projeto foi novamente encaminhado à Câmara dos Deputados, que pretende discutir a pauta ainda nesta semana.</p>
<p>Caso seja aprovado na Câmara, o texto segue para sanção do presidente da República, que pode aprová-lo integralmente, vetar trechos ou vetar totalmente. Após isso, o Congresso ainda pode manter ou derrubar eventuais vetos presidenciais. Se sancionado, o projeto pode ser questionado no Supremo Tribunal Federal por inconstitucionalidade, o que abriria espaço para suspensão parcial ou total da nova lei. Caso o PL seja rejeitado na Câmara dos Deputados, ele é arquivado e não segue para sanção presidencial.</p>
<p>As atualizações sobre o andamento do PL  podem ser acompanhadas no <a href="https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=257161&amp;fichaAmigavel=nao">site oficial da Câmara dos Deputados.</a> </p>
<p> </p>
<p><i>Texto e arte gráfica: Pedro Moro, estudante de Jornalismo e bolsista da Agência de Notícias</i></p>
<p><i>Fotos: Gabriela Menezes/Arquivo PET Educom Clima/</i></p>
<p><i>Edição: Maurício Dias</i></p>]]></content:encoded>
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