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				<title>Pesquisadora da UFSC debate desafios contemporâneos à democracia em atividades na UFSM</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2026/04/30/pesquisadora-da-ufsc-debate-desafios-contemporaneos-a-democracia-em-atividades-na-ufsm</link>
				<pubDate>Thu, 30 Apr 2026 19:36:47 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Aula Magna]]></category>
		<category><![CDATA[CCSH]]></category>
		<category><![CDATA[democracia]]></category>
		<category><![CDATA[neoliberalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Relações Internacionais]]></category>

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						<description><![CDATA[Luana Heinen ministrou a aula magna do curso de Relações Internacionais na quinta-feira (23) e um minicurso para estudantes de pós-graduação na sexta-feira (24)
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <figure>
										<img width="1024" height="681" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/04/DSC_0214-1024x681.jpg" alt="Foto colorida horizontal da palestrante em pé, em imagem da cintura para cima e da esquerda para a direita. Luana veste óculos, uma blusa cor telha e um casaco jeans. Atrás dela, a projeção de um slide" />											<figcaption>Luana Heinen abordou os impactos da articulação entre neoliberalismo e neoconservadorismo nos processos democráticos contemporâneos.
</figcaption>
										</figure>
		<p>A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) recebeu, na última semana, a professora Luana Renostro Heinen, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), para dois eventos acadêmicos voltados à análise dos atuais desafios à democracia no contexto mundial. A programação incluiu a aula magna do curso de Relações Internacionais, intitulada “Neoliberalismo e Neoconservadorismo no Brasil e na América Latina”, na quinta-feira (23), e o minicurso “Convergência entre neoliberalismo e neoconservadorismo e enfraquecimento da democracia”, realizado na sexta-feira (24).</p><p>“O neoliberalismo, desde suas primeiras manifestações, já era fortemente conservador”, destacou Luana em entrevista à Subdivisão de Comunicação do CCSH. No cenário atual, entretanto, a intensificação do discurso moralizante por parte de lideranças políticas vem sinalizando um novo momento: a convergência entre neoliberalismo e neoconservadorismo. Segundo a pesquisadora, trata-se de um processo de expansão da esfera privada, que busca reduzir a interferência direta do Estado na economia e na vida cotidiana, transferindo responsabilidades públicas para o âmbito familiar, a partir da imposição de uma única moralidade válida. </p><p>Questionada sobre exemplos recentes dessa aliança, Luana citou projetos de lei voltados à proibição do debate de gênero e de educação sexual no ambiente escolar. Para a professora, que desde 2021 coordena o grupo de pesquisa “Direitos Humanos diante do neoliberalismo no Brasil”, essas propostas, além de contrariarem evidências científicas, dificultam o enfrentamento da violência contra crianças e adolescentes.</p>		
													<img width="1024" height="681" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/04/DSC_0222-1-1024x681.jpg" alt="Foto colorida horizontal de sala de aula lotada. Ao fundo, a palestrante Laura à frente da projeção. Em fila, sentados, os estudantes do curso de Relações Internacionais." />													
		<h3><b>O papel da ciência e das universidades&nbsp;</b></h3>
<p>“As universidades são, fundamentalmente, o lugar da dúvida, da contestação, do debate”, enfatizou Luana. Para a docente, enquanto espaços em que a pluralidade é respeitada, as universidades devem estar à frente das discussões sobre a convergência entre neoliberalismo e neoconservadorismo e, consequentemente, sobre os impactos dessa aliança nos processos democráticos, ajudando “a sustentar políticas públicas que sejam baseadas em evidências e não em crenças sem sustentação empírica”, finaliza.</p>
<p>Os eventos com a participação da professora Luana Heinen foram organizados pelo curso de Relações Internacionais, pelo Diretório Acadêmico Mônica de Menezes Campos e pelo Núcleo de Pesquisa e Práticas em Direito Internacional (NPPDI) da UFSM.</p>
<h3><b>Sobre a palestrante&nbsp;</b></h3>
<p>Luana Heinen é doutora e mestre em Direito pela UFSC, com período de estudos na&nbsp;<i>Université Paris-Ouest Nanterre la Défense</i>. É membro do Instituto Memória e Direitos Humanos da UFSC&nbsp;(IMDH/UFSC), além de coordenadora do Núcleo de Estudos em Sociologia e Direito&nbsp;(SocioDir)&nbsp;e do Grupo de Estudos de Direito e Literatura&nbsp;(Literar). Desde 2021, coordena o projeto de pesquisa “Direitos humanos diante do neoliberalismo no Brasil: como autoritarismo e neoconservadorismo convergem para limitar a eficácia dos direitos humanos”.<b>&nbsp;</b></p>
<p><i><b>Texto e fotografias</b>: Carolina Bonoto, jornalista da Subdivisão de Comunicação do CCSH</i></p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Entidades da UFSM promovem debate sobre neoliberalismo no Cone sul</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2022/07/26/entidades-da-ufsm-promovem-debate-sobre-neoliberalismo-no-cone-sul</link>
				<pubDate>Tue, 26 Jul 2022 11:02:54 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[cone sul]]></category>
		<category><![CDATA[grupo práxis]]></category>
		<category><![CDATA[neoliberalismo]]></category>
		<category><![CDATA[UAP]]></category>

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						<description><![CDATA[Hernán Ramírez, professor da Unisinos, palestra na UFSM no dia 2 de agosto]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
<p><a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/2022/07/fotoresize-1.jpg"><img class="alignright wp-image-59218" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2022/07/fotoresize-1.jpg" alt="imagem em formato quadrado, com azul e amarelo como cores predominantes, foto do palestrante no canto direito e as informações sobre o evento constantes no texto" width="422" height="422" /></a>No dia 2 de agosto, o Grupo Práxis (coletivo formado por docentes, estudantes e técnico-administrativos em educação de diversas universidades do país) promove a palestra “Neoliberalismo: Práxis de uma macro-ideologia. Perspectivas desde o Cone Sul”, a ser ministrada por Hernán Ramírez, professor da Unisinos que atua na área de História da América, no ensino de graduação e pós-graduação <em>stricto</em> e <em>latu senso</em>, como criador da Especialização América Latina e o Sul Global. Ramírez também é professor externo permanente da Maestria em Partidos Políticos da Universidad Nacional de Córdoba e membro de Grupo de Trabajo de CLACSO.</p>
<p>A palestra na UFSM ocorre a partir das 19h, no Auditório Sérgio Pires (anexo ao prédio 17 do Campus Sede). Como organizadoras do evento estão as entidades que compõem o Práxis em nível local: Sedufsm, Assufsm, Sinasefe, Atens, DCE, APG (Associação de Pós-Graduandos), UAP (Unidade de Apoio Pedagógico) e Paidéia (<a href="https://www.youtube.com/c/CanalPaideiaTVFIHdoProfDejalmaCremonese" target="_blank" rel="noopener">canal no YouTube</a> do professor Dejalma Cremonose, do Departamento de Ciências Sociais da UFSM, que transmitirá a atividade ao vivo).</p>
<p>A palestra de Ramírez será a segunda atividade organizada pelo Práxis em Santa Maria. No dia 30 de junho, o grupo trouxe para a UFSM o professor Adriano Correia, da Universidade Federal de Goiás (UFG), que ministrou <a href="https://sedufsm.org.br/noticia/7303-a-democracia-requer-disputas-nao-fratricidas-diz-palestrante" target="_blank" rel="noopener">palestra sobre a temática da democracia</a> e, ainda, um minicurso sobre Hannah Arendt.</p>
<p><i>Fonte: </i><em>Assessoria de Imprensa da Sedufsm</em></p>
<!-- /wp:tadv/classic-paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Em uma sociedade neoliberal, a educação está a serviço do mercado</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/sociedade-neoliberal-educacao-servico-mercado</link>
				<pubDate>Wed, 06 Apr 2022 12:03:53 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[arco entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[destaque arco]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Ensino]]></category>
		<category><![CDATA[mercado]]></category>
		<category><![CDATA[neoliberalismo]]></category>
		<category><![CDATA[neoliberalismo e educação]]></category>
		<category><![CDATA[rosana soares]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade neoliberal]]></category>

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						<description><![CDATA[Em Arco Entrevista, Rosana Soares Campos fala sobre a relação entre a educação e o neoliberalismo]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p id="docs-internal-guid-415f2f3e-7fff-c854-f4ab-55b6b269dfed" dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">A relação entre o neoliberalismo e a educação encontra sinais no corte de investimentos das universidades públicas. Mas mais que sinais, a precarização, sucateamento e desmonte do ensino público são estratégicos e fazem parte de um projeto político. Rosana Soares Campos é docente de Ciência Política no Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e afirma que a redução do investimento tem um propósito, que é fazer com que a instituição universidade não funcione bem. O neoliberalismo como discurso afirma que a universidade não cumpre seu papel e não produz pesquisa, o que alcança a sociedade, que passa a pensar da mesma forma.&nbsp;</p>
<p dir="ltr"></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Em entrevista, Rosana conversou com a Arco sobre a relação entre o neoliberalismo e a educação. Confira a seguir:</p>
												<img width="1024" height="668" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/04/Arte_2-1024x668.jpg" alt="Descrição da imagem: Ilustração horizontal e colorida de uma paisagem. No centro esquerdo, um prédio cinza, com janelas azuis, e o nome universidade. Atrás dele, três prédios menores, nas cores cinza forte e fraco e com janelas azuis. Acima da universidade, há uma tesoura aberta, preta, segurada por uma mão transparente. No lado direito dos prédios, caminho cinza com três pessoas com roupas e cabelos coloridos, em tons de vermelho, verde, rosa, amarelo e azul. Na frente do prédio, uma esteira cinza. Nela, três homens iguais, de pele lilás, veste terno, calça e sapatos pretos; tem cabelos pretos; e segura uma maleta preta nas mãos. Abaixo, um gramado verde. No fundo, céu azul e três nuvens amarelas." loading="lazy">
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Arco: <b>O que é o neoliberalismo?</b></p>
Rosana: Há uma multiplicidade de definições. Podemos entender o neoliberalismo como um sistema discursivo, como um projeto político e como um processo contínuo de neoliberalização. Esse é o que mais tem sido usado,&nbsp; acompanhado do termo fenômeno. Fenômeno é um evento que se legitima, se espalha e se arraiga pela sociedade, e vai se consolidando. Se observarmos o neoliberalismo, principalmente depois dos anos 1990, ele vai se ramificando pelas sociedades ao redor do globo, e vai se difundindo com o passar do tempo. Temos um documento dos anos 1980 - o consenso do Washington -, que é uma série de recomendações de como as sociedades deveriam se portar para se tornarem mais avançadas e envolvidas, sociedades de mercado. E nisso se difunde a noção neoliberal, primeiro como uma doutrina que é formulada no final dos anos trinta, depois se torna um projeto político e depois é implementada a partir do Estado. Por isso que o Estado é tão importante no neoliberalismo: anterior às decisões econômicas, precisamos das decisões políticas. O neoliberalismo só se implementa a partir da legalidade. Nos anos quarenta, os neoliberais falavam que é preciso ter uma norma legal, e isso vai passar pelo Estado, pela aprovação do Legislativo e pela execução do Executivo. As privatizações precisam passar por esses poderes, geralmente é um projeto do Executivo que precisa ser aprovado pelo Legislativo.
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Arco: <b>Podemos observar, no neoliberalismo, um comportamento em ondas?</b></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Rosana: Podemos sim. No Brasil, principalmente a partir do governo Collor, mas com muita força e consolidação no governo Fernando Henrique Cardoso, tivemos a chamada primeira onda neoliberal, porque tivemos privatizações, abertura de fronteiras econômicas, entrada de indústrias fortes e desindustrialização do país, a flexibilização em termos de trabalho, muitas reformas beneficiárias para o mercado. Consequentemente, se olhar os dados, duas consequências nefastas para a população foram o aumento do desemprego e do emprego informal e o aumento da pobreza. No período dos anos noventa, o Estado é chamado de neoliberal. No período dos anos 2000, quando o governo do PT assume a presidência, o período é chamado de período novo desenvolvimentista, porque existem políticas muito mais voltadas ao social e ao desenvolvimento interno, há uma injeção de recursos muito grande na indústria e uma tentativa de reindustrialização do país. No governo FHC, há uma tentativa de privatização das universidades, o que não ocorre no governo Lula, pelo contrário: quando implementa o Reuni [Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais] nas universidades em 2007, há uma democratização da educação com uma série de ramificações. Outro ponto fundamental é quando o governo propõe políticas de reconhecimento e de justiça, como as cotas, como uma tentativa de universalização, de que a educação é para todos. Quando acontece o golpe em 2016, Temer ocupa esse espaço e escreve uma carta com seus aliados, <a style="text-decoration: none" href="https://www.fundacaoulysses.org.br/wp-content/uploads/2016/11/UMA-PONTE-PARA-O-FUTURO.pdf">a Ponte para o Futuro</a>. Essa ponte para o futuro é justamente essa sociedade neoliberal, uma sociedade de mercado. Se começa a ter algumas tomadas de decisão muito voltadas para o mercado. E isso vai se consolidando a partir das eleições de 2018 e de 2019, quando Bolsonaro ocupa o cargo de presidente.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Arco: <b>Estamos em uma nova onda neoliberal no Brasil?</b></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Rosana: Sim, ela vai se consolidando agora. Podemos olhar em vários aspectos: na flexibilização do trabalho e na reforma trabalhista. Há um número grande de trabalhadores em empregos precários, mas que são chamados de empreendedores. O entregador de aplicativos não é um empreendedor, é um trabalhador com um emprego extremamente precário, só para sua sobrevivência. Que estrutura de trabalho e que condições de trabalho decente essa pessoa tem? E também na extensão do trabalho: às vezes esse entregador trabalha catorze horas por dia. Outra questão que podemos ver é o neoliberalismo como projeto político implementado na parte educacional. No final de 2018, a Capes [Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior] regulamentou o mestrado e doutorado em forma de educação a distância. E, em 2020, temos uma pandemia: se por um lado paralisa a sociedade em termos de mobilidade, em termos de fluxo da educação digitalizada, há um boom muito grande, e isso é ótimo para o mercado. A pandemia facilitou a educação digitalizada, que primeiro começou com o remoto, mas há um grande ganho das empresas que trabalham no ramo da educação digital.&nbsp;</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">O neoliberalismo, enquanto projeto político, para constituir uma sociedade de mercado, é preciso ter outro tipo de indivíduo: não pode ser um indivíduo que viva em um ambiente socializado demais, democrático demais e participativo demais, porque esse ambiente de sociedade e de mercado exige um indivíduo com características de competitividade, performance, em que o indivíduo é responsável pela sua vida.</p>
<p dir="ltr" style="line-height:1.38;text-align: justify;margin-top:0pt;margin-bottom:0pt"><i><b>O espaço da escola é um espaço de formação. E se esse projeto político entra nesse espaço, ele forma o indivíduo que o mercado quer: competitivo, que não mede esforços para conseguir o que quer, tudo hoje é ranking. E a escola tem um papel fundamental para formar esse indivíduo. </b></i></p>
Arco: <b>Além das características já citadas, como definir a relação entre neoliberalismo e educação?</b>

<i><b>Os neoliberais discordam de uma educação universal, gratuita, de qualidade, proporcionada pelo Estado. Há uma ênfase em destruir a imagem da universidade pública e enaltecer a imagem da universidade privada.</b></i>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Esse processo vem através do discurso de que a universidade pública é só gasto, de que é fechada para o mercado, de que os professores se apropriam de uma ideologia e de uma doutrinação. Se transforma esses espaços públicos que o mercado quer apropriar e se faz um discurso desconstruindo essa imagem. E a sociedade, principalmente a sociedade que não está próxima a esses espaços estatais públicos, compra e repete esse discurso. Ora, se esse discurso está na mídia todo dia, o que acontece? Ele vai se consolidando no imaginário coletivo. E isso é importante para o neoliberalismo. Por isso que se pode entender o neoliberalismo como um processo e como um projeto político. É muito interessante quando pegamos a educação para olhar como o neoliberalismo se ramifica por vários aspectos da sociedade: é exatamente isso que o neoliberalismo quer, a partir do Estado, quando o Estado legaliza e a sociedade legitima essa neoliberalização, essa não responsabilidade do Estado pela educação.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Ao mesmo tempo, os pais escolhem como e onde os filhos vão estudar - e isso é uma responsabilidade dos pais e não do Estado -, há um discurso moral, se abre esses espaços de não responsabilidade do Estado e o espaço é ocupado pelo mercado. E aí se cria a ideia e o discurso de que na universidade pública só tem maconheiro, comunista e doutrinador, e ninguém quer mandar seus filhos para esses espaços, o espaço tem que ser de educação, tem que ser um espaço familiar. E onde é que está esse espaço familiar? Nas universidades particulares. Então é muito interessante: se desconstrói e destrói a imagem da universidade pública e a universidade particular ocupa esse espaço.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Arco: <b>Os cortes de investimentos na educação universitária podem ser considerados sinais de neoliberalismo?</b></p>
Rosana: &nbsp;Não apenas sinais, mas fazem parte desse projeto político. É estratégico. Há uma redução do investimento na universidade pública, e aí ela não tem como funcionar bem. Com isso, qual é o discurso que o mercado faz através das mídias, de entrevistas e de grupos de interesses? É dizer que a universidade não está cumprindo o seu papel, que não produz pesquisa, que é sucateada, que é gasto e não investimento. Esse discurso é muito interessante, quando você troca uma palavra pela outra. A universidade, segundo o mercado, empresários e alguns governantes, é gasto e não investimento. É importante pensar que esses cortes são estratégicos. Há uma multiplicidade de interesses e, quando a gente pesquisa e estuda o neoliberalismo, percebemos que não tem nada desconexo. É interessante observarmos o quanto essas questões estão ligadas em termos políticos, econômicos, educacionais e culturais. A noção da moralidade passa pela noção de cultura, do que você consome. Mas em um ambiente em que se molda o indivíduo se tem, consequentemente, uma sociedade com um comportamento uniforme e homogêneo voltado para o mercado, e é preciso também fazer o controle desses outros espaços políticos, econômicos e culturais. Isso é parte de uma estratégia que é pensada através de um projeto político.
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Arco: <b>O conservadorismo está diretamente ligado ao neoliberalismo?</b>&nbsp;</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Rosana: Não dá para&nbsp; afirmar que existe uma conexão direta. Existem determinados interesses dos dois grupos que confluem e, porque os interesses são convergentes, conseguem conviver. Por exemplo, a preocupação do ministro da Economia é em direção ao mercado, ele não tem essa noção extremamente conservadora, mas sabe conviver bem com uma figura conservadora no poder, que é o presidente. Temos que observar que o presidente foi eleito de uma forma democrática, ele teve todo o apoio do mercado. Apesar de ter comportamentos extremamente misóginos, conservadores, racistas, preconceituosos, por trás desse comportamento havia uma série de atores econômicos apoiando e fazendo com que ele chegasse ao poder. É importante entender que não é necessariamente o mesmo grupo, mas existe uma convergência. Se observarmos, às vezes o próprio mercado e os atores econômicos criticam o governo por comportamentos extremamente morais. Mas eles se apropriam e estão no mesmo espaço porque isso é interessante e é importante para que os espaços públicos sejam ocupados pela iniciativa privada. Eles querem que a educação seja privatizada, então é mais fácil ter um governo com essas características, que aceita destruir a imagem da universidade pública, é uma forma de desconstruir para reconstruir para a iniciativa privada. Há convergências em alguns aspectos e em outros há divergências, mas nesses aspectos há uma funcionalidade.&nbsp;</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Arco: <b>O neoliberalismo enfraquece a democracia e/ou pode se tornar um perigo para ela na medida da sua intensidade?</b></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Rosana: Já é um perigo. Quando há espaços que não são abertos para toda a sociedade, há o risco de ter uma desdemocratização. Uma questão interessante é que o neoliberalismo não está nem um pouco preocupado com a questão da desigualdade. Quando há uma sociedade em que o Estado tem políticas que tentam diminuir as desigualdades, há uma sociedade mais participativa e, consequentemente, mais democrática. Mas quando esses espaços são ocupados pelo mercado, nem todo mundo chega lá. O mercado adora a noção de que você não chega porque não teve mérito. Quando o mercado diz não para as cotas e para a sociedade, há perda das condições de igualdade. Primeiro você tem que ter justiça, depois você tem que pensar em noção de igualdade. A desigualdade é uma construção social importante para o mercado, porque só alguns ocupam os espaços.&nbsp;</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Há um encolhimento dos espaços que são democráticos até desdemocratizar esses espaços. Então quando se tira a política de cotas, bolsas, quando se reduz investimentos, se diminui a possibilidade de as pessoas entrarem e permanecerem nesses espaços. E é só com muitas pessoas em um espaço que você democratiza, porque é a participação que faz com que tenhamos espaços e governos democráticos.</p>
							<i><b>Uma sociedade extremamente mercadológica é perigosa para a democracia, porque se transforma essa sociedade em extremamente competitiva e que aceita a desigualdade, que está muito preocupada em cuidar de si mesma, em que o indivíduo é responsável por si mesmo e não tem tempo pra participação política, porque tem que trabalhar cada vez mais para que eu seja o melhor ou para que eu sobreviva para comer.</b></i>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">A sociedade neoliberal não quer uma sociedade participativa do ponto de vista político, porque, quando é assim, se tem que abrir espaços para tomada de decisão, e essa pluralidade de interesses é mais difícil de ser controlada.</p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt"></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Arco: <b>&nbsp;Você poderia citar quais as principais consequências do neoliberalismo no cenário brasileiro?</b></p>
<p dir="ltr" style="line-height: 1.38;text-align: justify;margin-top: 0pt;margin-bottom: 0pt">Rosana: Em termos sociais, duas consequências foram visibilizadas pela pandemia: o aumento da pobreza e do emprego informal, porque há essa noção de que toda a culpa é da pandemia. Mas temos um governo que não se preocupou com as pessoas passando fome. Quem garantiu o auxílio não foi o governo federal, houve uma pressão de uma parte do legislativo e da sociedade. As pessoas estão passando fome, <a style="text-decoration: none" href="https://www.cartacapital.com.br/opiniao/frente-ampla/com-bolsonaro-o-brasil-voltou-ao-mapa-da-fome/">o Brasil voltou ao Mapa da Fome</a>. A pandemia impulsionou isso, mas, se pegar dados de 2019, algumas políticas sociais já começaram a ser desmanteladas e foram aceleradas ao longo desses anos. Se não houver mudança de governo - porque eles trabalham atrelados a um projeto político de governo -, as consequências para a educação podem ser privatizações. Houve redução de determinados impostos para os grandes conglomerados econômicos e um aumento de impostos para a população. Isso não é contradição, isso é funcionalidade, porque se está atendendo a determinados interesses. Há várias consequências desse extremo neoliberalismo. Se transforma o indivíduo e a sociedade em uma sociedade extremamente individualizada, indivíduos doentes e cansados.&nbsp; É a competitividade que faz do indivíduo um indivíduo cansado, e consequentemente, uma sociedade cansada e doente. A quantidade de pessoas depressivas, tomando remédios, fazendo terapia, indo em psiquiatra, né? Você pergunta para as pessoas como estão, e a resposta é: ‘Cansado’. Essa é a palavra que todos falam.</p>
<strong><em>Expediente:</em></strong>

<em><strong>Entrevista:</strong> Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista;</em>

<em><strong>Design gráfico:</strong> Luiz Figueiró, acadêmico de Desenho Industrial e bolsista;</em>

<em><strong>Mídia social:</strong> Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Rebeca Kroll, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Alice dos Santos, acadêmica de Jornalismo e voluntária; Gustavo Salin Nuh, acadêmico de Jornalismo e voluntário; e Ana Carolina Cipriani, acadêmica de Produção Editorial e voluntária;</em>

<em><strong>Relações Públicas:</strong> Carla Costa;</em>

<em><strong>Edição de Produção:</strong> Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista;</em>

<em><strong>Edição geral:</strong> Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas.</em>]]></content:encoded>
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