<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>		<rss version="2.0"
			xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
			xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
			xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
			xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
			xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
			xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
					>

		<channel>
			<title>UFSM - Feed Customizado RSS</title>
			<atom:link href="https://www.ufsm.br/busca?rss=true&#038;tags=sexualidade" rel="self" type="application/rss+xml" />
			<link>https://www.ufsm.br</link>
			<description>Universidade Federal de Santa Maria</description>
			<lastBuildDate>Fri, 03 Apr 2026 23:22:08 +0000</lastBuildDate>
			<language>pt-BR</language>
			<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
			<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
			<generator>https://wordpress.org/?v=6.9</generator>

<image>
	<url>/app/themes/ufsm/images/icons/favicon.ico</url>
	<title>UFSM</title>
	<link>https://www.ufsm.br</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
						<item>
				<title>CAEd oferece oficinas e grupos terapêuticos a estudantes da UFSM</title>
				<link>https://www.ufsm.br/pro-reitorias/prograd/2025/08/14/caed-oferece-oficinas-e-grupos-terapeuticos-a-estudantes-da-ufsm</link>
				<pubDate>Thu, 14 Aug 2025 20:35:42 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[coordenadoria prograd]]></category>
		<category><![CDATA[corpo]]></category>
		<category><![CDATA[graduação]]></category>
		<category><![CDATA[Grupo terapêutico]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[oficina de escrita]]></category>
		<category><![CDATA[pós-graduação]]></category>
		<category><![CDATA[Prograd]]></category>
		<category><![CDATA[saúde mental]]></category>
		<category><![CDATA[Sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[UFSM]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/pro-reitorias/prograd/?p=25132</guid>
						<description><![CDATA[  A Coordenadoria de Ações Educacionais da UFSM (CAEd), ligada à Pró-reitoria de Graduação (Prograd), divulga uma série de oficinas e grupos terapêuticos voltados a estudantes de graduação e de pós-graduação da Universidade Federal de Santa Maria. Às segundas-feiras, às 15 horas, via Google Meet, é ofertado o Grupo Terapêutico on-line &#8220;Lesbianidades e produção de [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
<p> </p>
<p>A <a href="https://ufsm.br/caed"><strong>Coordenadoria de Ações Educacionais da UFSM (CAEd)</strong></a>, ligada à Pró-reitoria de Graduação (Prograd), divulga uma série de oficinas e grupos terapêuticos voltados a estudantes de graduação e de pós-graduação da Universidade Federal de Santa Maria.</p>
<p><a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/342/2025/08/ufsm-prograd-caed-oficina-lesbianidades-agosto-2025-card.jpg"><img class="alignleft wp-image-25133 size-medium" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/342/2025/08/ufsm-prograd-caed-oficina-lesbianidades-agosto-2025-card-298x300.jpg" alt="" width="298" height="300" /></a>Às<strong> segundas-feiras, às 15 horas, via Google Meet</strong>, é ofertado o Grupo Terapêutico on-line "<strong>Lesbianidades e produção de saúde</strong>". A proposta é oferecer um espaço coletivo de compartilhamento, escuta e acolhimento das diversas experiências relacionadas à sexualidade, as quais perpassam a vida das mulheres lésbicas, com o intuito de, entre pares, serem produzidas ferramentas para fortalecimento individual e coletivo.</p>
<p>As inscrições seguem abertas, por meio do formulário disponível <a href="https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSdlsI4aw5eEFbxVvu8lnhHaEglGVqMPGld5ZAo9LXpnWS497w/viewform"><strong>AQUI</strong></a>. A coordenação é da psicóloga Jaqueline Severo da Cas.  </p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>
<p><a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/342/2025/08/ufsm-prograd-caed-oficina-corpo-de-letras-agosto-2025-card.jpg"><img class="alignright wp-image-25134 size-medium" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/342/2025/08/ufsm-prograd-caed-oficina-corpo-de-letras-agosto-2025-card-300x300.jpg" alt="" width="300" height="300" /></a></p>
<p>Às <strong>terças-feiras</strong>, a CAEd oferece a <strong>Oficina de Escrita e Saúde Mental "Um Corpo de Letras"</strong>. A iniciativa busca construir um espaço terapêutico de acolhimento, de escuta, de trocas, de reflexões e de produções singulares de escrita para todos os gêneros. A partir de temas disparadores que produzam reflexões acerca da saúde mental, pretende-se abordar a relação do <strong>sofrimento psíquico com a dimensão do corpo</strong>.</p>
<p>Os encontros são <strong>presenciais, às 9 horas, na sala 1207 do Prédio 67</strong>, onde se encontra a CAEd (próximo à FATEC e aos prédios básicos). A coordenação é da psicóloga Aline Bedin Jordão. As inscrições estão abertas e podem ser feitas através deste <a href="https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSfyDOsTL6CLzoWp6msg6clI4JN-4MJlX-ujgB5rGT3R0-BpKw/viewform"><strong>FORMULÁRIO</strong></a>.  </p>
<p> </p>
<p> </p>
<p><a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/342/2025/08/ufsm-prograd-caed-oficina-escrevivencias-setembro-2025-card.jpg"><img class="alignleft wp-image-25135 size-medium" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/342/2025/08/ufsm-prograd-caed-oficina-escrevivencias-setembro-2025-card-241x300.jpg" alt="" width="241" height="300" /></a>Já nas <strong>quintas-feiras, das 10h às 11h30 na CAEd (Prédio 67),</strong> a <strong>Oficina de "Escrevivências"</strong> busca congregar mulheres estudantes de graduação e/ou pós-graduação da UFSM para um diálogo a respeito de suas vivências e relações nos ambientes educacionais, em um momento de acolhimento e escuta.</p>
<p>Esta oficina oferta apenas 12 vagas, através <a href="https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSfuvRuGMOR7hr5X9YFwTRyI2gSgViCthbJag6ScI22d7mblWA/viewform"><strong>DESTE LINK</strong></a>. Os encontros terão início em 04 de setembro e término em 23 de outubro. A coordenação é do psicólogo Emanuel Chiamenti.</p>
<p>Outras informações podem ser solicitadas ao email <a href="mailto:caed@ufsm.br"><strong>caed@ufsm.br</strong></a>. Acompanhe outras iniciativas da Coordenadoria de Ações Educacionais por meio do <a href="https://www.instagram.com/caed.ufsm"><strong>Instagram</strong></a> e pelo site <a href="https://ufsm.br/caed"><strong>ufsm.br/caed</strong></a>.  </p>
<!-- /wp:tadv/classic-paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Projeto Diversidade na Escola Apresenta: Escola Acolhedora: Como a escola pode lidar com situações de violência de gênero e sexualidade? </title>
				<link>https://www.ufsm.br/cursos/pos-graduacao/santa-maria/ppggeo/2022/07/14/projeto-diversidade-na-escola-apresenta-escola-acolhedora-como-a-escola-pode-lidar-com-situacoes-de-violencia-de-genero-e-sexualidade</link>
				<pubDate>Thu, 14 Jul 2022 19:01:36 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[evento]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[escola]]></category>
		<category><![CDATA[Live]]></category>
		<category><![CDATA[Projeto]]></category>
		<category><![CDATA[Sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[violência de gênero]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/cursos/pos-graduacao/santa-maria/ppggeo/?p=2585</guid>
						<description><![CDATA[]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph /-->

<!-- wp:image {"id":2586,"sizeSlug":"large","linkDestination":"none"} -->
<figure class="wp-block-image size-large"><img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/538/2022/07/IMG-20220713-WA0002-1024x341.jpg" alt="" class="wp-image-2586" /><figcaption><a href="https://youtube.com/channel/UCkh9dcGo5kUOS8JEwrEhrrA" data-type="URL" data-id="https://youtube.com/channel/UCkh9dcGo5kUOS8JEwrEhrrA" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://youtube.com/channel/UCkh9dcGo5kUOS8JEwrEhrrA</a></figcaption></figure>
<!-- /wp:image -->]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Linn da Quebrada: performance política, visibilidade trans e BBB</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/linn-da-quebrada-performance-politica-visibilidade-trans-e-bbb</link>
				<pubDate>Fri, 15 Apr 2022 13:00:00 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[bbb]]></category>
		<category><![CDATA[destaque arco]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[Gênero]]></category>
		<category><![CDATA[linn da quebrada]]></category>
		<category><![CDATA[linna]]></category>
		<category><![CDATA[mulher trans]]></category>
		<category><![CDATA[performance política]]></category>
		<category><![CDATA[Sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[transexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[travesti]]></category>
		<category><![CDATA[visibilidade trans]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/midias/arco/?p=9190</guid>
						<description><![CDATA[A cantora provocou discussões de gênero e sexualidade no BBB e nas redes sociais, e já foi objeto de estudo em pesquisa da UFSM]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p>Eliminada do reality show Big Brother Brasil no último domingo (10), a artista Linn da Quebrada se destacou nas redes sociais. De acordo com o <a style="text-decoration: none" href="https://trends.google.com.br/trends/explore?q=%2Fg%2F11fz9y4r18&amp;geo=BR">Google Trends Brasil</a>, após o anúncio de sua participação, o nome da cantora foi pesquisado mais de 50 mil vezes. Cerca de<a style="text-decoration: none" href="https://www.imoinsights.com.br/de-olho-no-bbb"> 84% dos brasileiros</a> acompanham o programa e Linn alcançou o Top 10 dos finalistas. Por se identificar como travesti e frequentemente referir-se a si mesma como "bicha, trans, preta e periférica”, a sua participação impactou as redes sociais e evidenciou a necessidade de trazer visibilidade para essa comunidade.</p>		
												<img width="1024" height="667" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/04/Linn_Capa-1024x667.jpg" alt="Ilustração horizontal e colorida em tons de azul e roxo. No centro, em primeiro plano, uma mulher trans, de pele negra, cabelos curtos, ondulados e escuros na altura do ombro. Ela tem rosto angular, olhos escuros, sobrancelhas grossas, arqueadas e na cor preta, nariz e boca grandes. Na testa, tem uma tatuagem preta de arame farpado, e, acima da sobrancelha direita, uma tatuagem preta com a palavra &quot;Ela&quot;. Sorri levemente. Veste uma blusa azul com alças. Atrás, fundo azul marinho em textura com os símbolos da comunidade trans, formado por um círculo com uma flecha e um tracinho na parte superior esquerda, uma flecha na parte superior direita e uma cruz na parte inferior." loading="lazy" />														
		<p>A artista já era conhecida pelo público LGBTQIA+ e também ganhou evidência a partir de papéis em séries, novelas e por sua carreira musical. Linn da Quebrada se considera uma artista afrontosa, que toca em assuntos polêmicos e questiona as normas de gênero e sexualidade. Por isso, a cantora foi objeto de pesquisa em um <a style="text-decoration: none" href="https://periodicos.ufsc.br/index.php/ref/article/view/67834/46904">artigo</a> na Revista Estudos Feministas (REF), em que Patrick Borges Ramires de Souza, cientista social graduado pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), é um dos autores. “A Linn faz parte de um corte geracional de pessoas muito jovens que buscam enfrentar as noções de gênero, calcadas no binarismo heterossexual do masculino e feminino. Isso despertou o meu interesse de investigação, então eu comecei a pesquisar sobre ela”, diz Patrick.</p>		
			<h3>A repercussão de Linn da Quebrada no BBB</h3>		
		<p id="docs-internal-guid-641a1cae-7fff-da12-1731-1dfdd1e8532f" dir="ltr">A participação de Linn no reality show não foi repentina: desde a inclusão de personalidades famosas no programa, os fãs da artista faziam campanha para que ela fizesse parte do elenco. “Ela queria se inserir nesse espaço, também como um local legítimo de ser ocupado por um corpo como o dela. Um corpo transgressor, preto, periférico e de uma travesti. Ela já trazia nas redes sociais a importância de ocupar esse espaço de forma política e eu acredito que é o que ela fez no programa”, afirma Patrick. </p><p dir="ltr"> </p><p dir="ltr">Durante os 22 anos do BBB, houve apenas uma participante trans antes da Linn. Ariadna participou da edição de 2011, foi a primeira eliminada e  se revelou transexual somente após sua saída. Na época, houve receptividade negativa por parte do público. Dez anos depois, Linn da Quebrada participou do programa com uma trajetória diferente: a cantora assumiu uma postura de protagonista e foi bem aceita pela audiência. Segundo uma pesquisa feita pela <a href="https://www.imoinsights.com.br/de-olho-no-bbb">IMO Insights</a>, Linn recebeu 68% de aprovação do público e foi vista como uma pessoa batalhadora. Ela também alcançou três milhões de seguidores no seu <a href="https://www.instagram.com/linndaquebrada/">Instagram</a> após sua eliminação. </p><p dir="ltr"> </p><p dir="ltr">A presença da artista no reality gerou discussões nas redes sociais sobre gênero e sexualidade. Para Patrick, é importante que esse debate aconteça: “O BBB também é acompanhado pela família tradicional brasileira e o programa permitiu que esse diálogo entrasse na casa das pessoas. A Linn trouxe essas questões para espaços que talvez em outros momentos não teria oportunidade de estar”, reflete. </p><p dir="ltr"> </p><p dir="ltr">Outro debate importante provocado por Linn foi o da transfobia e do uso do <a href="https://www.ufsm.br/midias/arco/pronome-neutro-inclusao/">pronome correto</a> ao se referir a pessoas trans. A utilização é uma forma de reconhecer a existência e respeitar as pessoas que se identificam com o gênero trans, travesti ou não binário, além de demonstrar respeito. Durante o programa, a cantora se sentiu magoada com os erros de alguns colegas de confinamento: “Ontem tive uma situação que acabou se desdobrando um pouco com outras pessoas, estamos na metade do programa e a cada dia que passa eu me pergunto: por quanto tempo mais eu vou amenizar o que eu tô sentindo para tornar mais leve pro outro?”, comentou Linn no confessionário, no dia 24 de fevereiro.</p><p dir="ltr"> </p><p dir="ltr">No entanto, apesar de evidenciar a luta da comunidade trans, Linn afirma que não quer representar ninguém e nem um movimento. Patrick complementa: “Quando eu analiso esse discurso dela, eu penso muito que há um interesse em mostrar para as pessoas que ela pode ser um exemplo, mas não um espelho a ser seguido. É bem claro no seu discurso que essa representatividade que ela traz é limitada, porque só alcança ela e não necessariamente as outras artistas que não têm o mesmo espaço de visibilidade”, explica.</p>		
			<h3>Linn como foco de pesquisa acadêmica</h3>		
		<p id="docs-internal-guid-04c3f569-7fff-c1c8-6e34-9261c1f7261c" dir="ltr">Patrick analisou  as performances artísticas da cantora no contexto de internet e mídias digitais entre 2016 e 2020. A pesquisa concluiu que as novas configurações midiáticas deram espaço  para  novas  representações, como a Linn, de afronta às normas restritivas, hierarquizadas e moralizantes de gênero, sexualidade e raça.</p><p dir="ltr"> </p><p dir="ltr">O cientista social categoriza a cantora como uma artista dissidente de gênero. A dissidência ressalta as possibilidades de produção do gênero que escapam às normas que as querem enquadrar. “O tempo inteiro a Linn está falando um pouco sobre isso, nas letras das suas músicas, nos seus videoclipes, no cotidiano de compartilhamento da sua intimidade no Instagram, ela está falando sobre a importância da produção desses corpos que não se adequam ao modelo comportamental do próprio gênero”, expõem. </p><p dir="ltr"> </p><p dir="ltr">Para o autor, Linn tem um engajamento performativo que dialoga com essa dissidência. Patrick observou isso no início da carreira da cantora, em que ela fez uso da sua performance artística de modo diferente a depender do contexto em que estava inserida. </p><p dir="ltr"> </p><p dir="ltr">Um dos exemplos trazidos pelo pesquisador foi a diferença de estética e comportamento da artista em dois programas distintos. O primeiro foi a participação dela no <a href="https://globoplay.globo.com/v/5695481/">Amor e Sexo</a>, em 2017, que teve como proposta abordar questões LGBTQIA+,  da  cultura  à  discriminação  e  à  violência. Aquela edição teve uma temática carnavalesca, marcada pelo uso de muitas cores para enaltecer a diversidade. Linn participou como jurada, mas, apesar de estar esteticamente dentro da proposta do programa, usando roupa e peruca coloridas, o seu comportamento foi o que chamou atenção. “Ela adotou uma postura totalmente oposta à carnavalesca, ela estava séria, combativa, com uma  estética preta afrontosa e aí eu pude perceber como ela se engajou de uma forma totalmente distinta do que o programa propunha”, pondera Patrick. </p><p dir="ltr"> </p><p dir="ltr">O autor explica que essa mudança de postura demarca um engajamento performativo. Linn também foi convidada para participar do programa “Prazer, Eu Sou”, da jornalista Regina Volpato, no <a href="https://www.youtube.com/watch?v=jBEKL9lnYGA">Youtube, </a>em 2016. Naquele momento, a cantora se inseriu em um espaço totalmente distinto, o público do programa eram pessoas de classe média e cisgênero (quando o indivíduo se identifica com o sexo biológico com o qual nasceu) e, por isso, a cantora manteve uma postura mais séria. O  cenário  da  entrevista  trouxe uma distinção de classe percebida no piano ostentado ao fundo da gravação, e Linn aparece com roupas e maquiagem discretas. A cantora assume uma imagem feminina que, em conjunto com seu comportamento, contrasta com a estética em que ela aparece nos videoclipes. </p><p dir="ltr"> </p><p dir="ltr">“Nesse programa, a Linn está com uma estética totalmente distinta, mais adequada ao cenário de uma classe média branca paulistana. Então é isso enquanto engajamento performativo, é o modo como ela se relaciona com esses espaços e mídias que ela frequenta”, exemplifica.</p>		
									<figure>
										<img width="914" height="520" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/04/linn.jpg" alt="Imagem horizontal e colorida de uma mulher trans e negra com um microfone na mão em um palco. Ela tem olhos escuros, nariz e boca grande, usa uma peruca na cor rosa, com cabelos cacheados, volumosos e compridos; e veste um vestido rosa malva com decote em &#039;v&#039;. Está em plano médio, com a boca aberta, segura um microfone preto e cinza próximo a boca, e, com o outro braço, aponta para a frente. No fundo, tela de led iluminada com vários pontos de luz circulares." loading="lazy" />											<figcaption>Linn da Quebrada no programa Amor e Sexo (2017)/ Reprodução: Rede Globo</figcaption>
										</figure>
									<figure>
										<img width="1024" height="576" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2022/04/linn_2-1024x576.jpg" alt="Fotografia horizontal e colorida de duas mulheres sentadas em duas poltronas estofadas na cor verde clara. Na poltrona da esquerda, uma mulher trans e negra, tem rosto angular, olhos escuros, nariz e boca grande, sorri amplamente; ela tem cabelos castanho escuros com luzes, trançados em dreads e presos em um coque; veste um vestido nude formal e usa sapatos de salto alto na cor preta. Na poltrona da direita, mulher cis de pele branca; tem olhos escuros, cabelos cacheados, na cor loiro, na altura do ombro; veste blusa regata colorida, com prevalência da cor turquesa, saia preta e salto alto em tom de marrom. As duas mulheres estão de mãos dadas, e inclinadas em direção uma a outra. Abaixo das poltronas, um tapete branco com listras em tons terrosos. Ao fundo, uma parede rosa claro. Atrás dela, um móvel de madeira marrom escura com um jarro de flores em cima. No centro inferior da imagem, sobre fundo com textura de pinceladas de tinta nos tons amarelo, rosa, vermelho e laranja, a frase, em branco e caixa alta &quot;Prazer, eu sou&quot;." loading="lazy" />											<figcaption>Linn da Quebrada no programa da jornalista Regina Volpato no Youtube</figcaption>
										</figure>
			<h3>A importância de abrir espaço para outros artistas</h3>		
		<p id="docs-internal-guid-0e6a8cfe-7fff-a6e5-7d80-ed8b943763fc" dir="ltr">De acordo com o cientista social, Linn&nbsp; compõe&nbsp; uma&nbsp; nova&nbsp; geração&nbsp; de&nbsp; produção&nbsp; artística,&nbsp; na&nbsp; qual&nbsp; performances&nbsp; dão destaque&nbsp; ao&nbsp; corpo,&nbsp; à&nbsp; sensualidade,&nbsp; à&nbsp; sexualidade&nbsp; e&nbsp; à&nbsp; dissidência&nbsp; de&nbsp; gênero. No entanto, Linn da Quebrada não está sozinha nessa produção, existem diversos artistas, como Liniker,&nbsp; da&nbsp; banda&nbsp; “Liniker&nbsp; e&nbsp; os Caramelos”,&nbsp; Assucena&nbsp; Assucena&nbsp; e&nbsp; Raquel&nbsp; Virgínia,&nbsp; do&nbsp; grupo&nbsp; musical&nbsp; “As Bahias&nbsp; e&nbsp; a&nbsp; Cozinha Mineira”,&nbsp; as drag&nbsp; queens Pabllo&nbsp; Vittar&nbsp; e&nbsp; Glória&nbsp; Groove,&nbsp; a&nbsp; MC&nbsp; Xuxu&nbsp; e&nbsp; a&nbsp; MC&nbsp; Trans&nbsp; e&nbsp; o&nbsp; rapper Rico Dalasam – dentre outras artistas que tensionam as normas de&nbsp; gênero&nbsp; como&nbsp; mote&nbsp; para o&nbsp; seu&nbsp; fazer&nbsp; artístico.&nbsp;</p>
<p dir="ltr">
</p><p dir="ltr">“A gente tem todo um conjunto de outros artistas que talvez não conquistem a mesma visibilidade. A presença da Linn talvez dê um pouco mais de espaço para esses artistas em um cenário fora do ambiente LGBT, mas ainda existem algumas barreiras a serem rompidas”, constata o pesquisador. Contudo, Patrick destaca que esses artistas não precisam somente de visibilidade, pois esta, sozinha, não garante políticas públicas de melhoria para a vida de pessoas trans. Conforme o<a href="https://transrespect.org/en/tmm-update-tdor-2021/"> relatório</a> de 2021 da Transgender Europe (TGEU), que monitora dados globalmente levantados por instituições trans e LGBTQIA+, o Brasil ocupa há 13 anos o topo da lista de países que mais matam pessoas trans.</p>
<p dir="ltr">
</p><p>Para o pesquisador, além de ser importante reconhecer os artistas dessa comunidade, é preciso também incentivar políticas públicas educacionais, de cultura, de inserção no mercado de trabalho e estar atento às pessoas transexuais que se candidatam a cargos políticos. “Não é tão simples dizer que agora que a Linn participou do BBB, as trans vão conseguir mais visibilidade. Talvez a Linn consiga, mas e as outras? Agora é o momento de exigir mudanças”, provoca Patrick.</p><p><strong><em>Expediente:</em></strong></p><p><em><strong>Reportagem:</strong> Rebeca Kroll, acadêmica de Jornalismo e bolsista;</em></p><p><em><strong>Design gráfico:</strong> Noam Wurzel, acadêmico de Desenho Industrial e bolsista;</em></p><p><em><strong>Mídia social:</strong> Eloíze Moraes, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Rebeca Kroll, acadêmica de Jornalismo e bolsista; Ludmilla Naiva, acadêmica de Relações Públicas e bolsista; Alice dos Santos, acadêmica de Jornalismo e voluntária; Gustavo Salin Nuh, acadêmico de Jornalismo e voluntário; e Ana Carolina Cipriani, acadêmica de Produção Editorial e voluntária;</em></p><p><em>Relações Públicas: Carla Costa;</em></p><p><em><strong>Edição de Produção:</strong> Samara Wobeto, acadêmica de Jornalismo e bolsista;</em></p><p><em><strong>Edição geral:</strong> Luciane Treulieb e Maurício Dias, jornalistas.</em></p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Gepacs promove curso on-line sobre violência relacionada a gênero, raça e sexualidade</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2021/08/02/gepacs-promove-curso-on-line-sobre-violencia-relacionada-a-genero-raca-e-sexualidade</link>
				<pubDate>Mon, 02 Aug 2021 23:49:05 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[ciências sociais]]></category>
		<category><![CDATA[Gênero]]></category>
		<category><![CDATA[raça]]></category>
		<category><![CDATA[Sexualidade]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/?p=56421</guid>
						<description><![CDATA[Dividido em quatro módulos, o curso destina-se a profissionais das áreas de educação, saúde e segurança]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p class="p1"><a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/2021/08/Curso-de-Capacitação.jpeg"><img class="alignright  wp-image-56422" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2021/08/Curso-de-Capacitação.jpeg" alt="" width="663" height="771" /></a>Vinculado ao Departamento de Ciências Sociais da UFSM, o Grupo de Pesquisa, Cultura, Gênero e Saúde (Gepacs) informa que começa no dia 11 de agosto o curso de capacitação on-line intitulado Reconhecimento de Direitos Humanos e Combate a Violências Relacionadas a Gênero, Raça e Sexualidade. O curso destina-se a profissionais das áreas de educação, saúde (incluindo profissionais de enfermagem e fonoaudiologia, entre outros) e segurança. A capacitação será realizada de forma remota, em razão das condições impostas pela pandemia Covid-19, com encerramento previsto para o mês de novembro.</p>
<p class="p1">Serão quatro módulos de 40 horas cada um (com aulas semanais de até 3 horas de duração), cujos temas e ministrantes podem ser conferidos no cartaz ao lado. A inscrição pode ser feita para o curso em sua integralidade ou por módulo.</p>
<p class="p1">O sistema de inscrições pode ser acessado <a href="https://portal.ufsm.br/concursos/inscricao/opcoes.html?edicao=4144" target="_blank" rel="noopener">aqui</a>. Haverá a emissão de certificados.</p>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Palestra nesta terça-feira vai abordar as infecções sexualmente transmissíveis</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2018/09/24/palestra-nesta-terca-feira-vai-abordar-as-infeccoes-sexualmente-transmissiveis</link>
				<pubDate>Mon, 24 Sep 2018 18:43:30 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[DSTs]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias para Alunos]]></category>
		<category><![CDATA[Sexualidade]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/?p=44682</guid>
						<description><![CDATA[Vinculado à Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Prae), o Setor de Atenção Integral ao Estudante (Satie) percebeu o crescente número de questionamentos e dúvidas sobre as formas de prevenção e detecção das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Devido à importância do tema, o Satie convida o público universitário para a palestra “Conversando sobre Aids e ISTs”, que [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <img class=" wp-image-44603 alignright" src="https://www.ufsm.br/wp-content/uploads/2018/09/CARTAZ-1.jpg" alt="" width="392" height="557" />Vinculado à Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Prae), o Setor de Atenção Integral ao Estudante (Satie) percebeu o crescente número de questionamentos e dúvidas sobre as formas de prevenção e detecção das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Devido à importância do tema, o Satie convida o público universitário para a palestra “Conversando sobre Aids e ISTs”, que será ministrada nesta terça-feira (25) pela professora Martha Souza, do curso de Enfermagem da Universidade Franciscana. A palestra começa às 8h30min no Auditório Flávio Miguel Schneider, localizado junto ao prédio 42 do campus sede.

As inscrições podem ser feitas <a href="https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLScLsf_qSQB_0r_P2wNUavYJk7sq2ICOj87ojv-zxkMNHAji9g/viewform">aqui</a>. Outras informações constam na página do evento no <a href="https://www.facebook.com/events/718805531787738/">Facebook</a>.]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Palestra na próxima terça-feira vai abordar as infecções sexualmente transmissíveis</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2018/09/19/palestra-na-proxima-terca-feira-vai-abordar-as-infeccoes-sexualmente-transmissiveis</link>
				<pubDate>Wed, 19 Sep 2018 08:53:44 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Aids]]></category>
		<category><![CDATA[DSTs]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias para Alunos]]></category>
		<category><![CDATA[Sexualidade]]></category>

				<guid isPermaLink="false">https://www.ufsm.br/?p=44602</guid>
						<description><![CDATA[Vinculado à Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Prae), a Setor de Atenção Integral ao Estudante (Satie) percebeu o crescente número de questionamentos e dúvidas sobre as formas de prevenção e detecção das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Devido à importância do tema, o Satie convida o público universitário para a palestra “Conversando sobre Aids e ISTs”, que [&hellip;]]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <a href="https://www.ufsm.br/wp-content/uploads/2018/09/CARTAZ-1.jpg"><img class=" wp-image-44603 alignright" src="https://www.ufsm.br/wp-content/uploads/2018/09/CARTAZ-1.jpg" alt="" width="303" height="431" /></a>Vinculado à Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Prae), a Setor de Atenção Integral ao Estudante (Satie) percebeu o crescente número de questionamentos e dúvidas sobre as formas de prevenção e detecção das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Devido à importância do tema, o Satie convida o público universitário para a palestra “Conversando sobre Aids e ISTs”, que será ministrada na próxima terça-feira (25) pela professora Martha Souza, do curso de Enfermagem da Universidade Franciscana. A palestra começa às 8h30min no Auditório Flávio Miguel Schneider, localizado junto ao prédio 42 do campus sede.

As inscrições podem ser feitas <a href="https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLScLsf_qSQB_0r_P2wNUavYJk7sq2ICOj87ojv-zxkMNHAji9g/viewform">aqui</a>. Outras informações constam na página do evento no <a href="https://www.facebook.com/events/718805531787738/">Facebook</a>.]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Homem com H</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/homem-com-h</link>
				<pubDate>Tue, 04 Sep 2018 14:41:55 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Centro de Artes e Letras]]></category>
		<category><![CDATA[dança]]></category>
		<category><![CDATA[Exposição]]></category>
		<category><![CDATA[Fotos]]></category>
		<category><![CDATA[masculinidades]]></category>
		<category><![CDATA[Sexualidade]]></category>
		<category><![CDATA[tese]]></category>

				<guid isPermaLink="false">http://coral.ufsm.br/arco/sitenovo/?p=4484</guid>
						<description><![CDATA[Exposição realizada no Centro de Artes e Letras provoca reflexão sobre masculinidade, sexualidade e envelhecimento
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <span style="font-weight: 400;">O professor do C</span><span style="font-weight: 400;">entro de Educação Física e Desportos (CEFD) da UFSM Gustavo de Oliveira Duarte pesquisa sobre homens que dançam e a relação deles com a sexualidade e o processo do envelhecimento</span><span style="font-weight: 400;">. Sua tese, defendida em 2013 pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), tem como título </span><i><span style="font-weight: 400;">O Bloco das Irenes: articulações entre amizade, homossexualidade(s) e o processo de envelhecimento, e </span></i><span style="font-weight: 400;">faz uma paráfrase a Caio Fernando de Abreu, uma vez que “</span><i><span style="font-weight: 400;">Irenes”</span></i><span style="font-weight: 400;"> era o termo que o escritor usava para se referir  à “bicha velha”. </span>

<span style="font-weight: 400;">Já em 2017, no pós-doutorado que Gustavo realizou na Universidade Federal da Bahia (UFBA), foram realizadas duas exposições fotográficas chamadas <em>Masculinidades dançantes </em>para apresentar os resultados de sua pesquisa.<i> </i>A abertura da mostra ocorreu no ano passado, na Escola de Dança da UFBA, e, no dia 13 de agosto de 2018, a exposição foi exibida no hall do Centro de Artes e Letras (CAL) da UFSM.</span>

<img class="aligncenter size-large wp-image-4487" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/09/UFSM.2018.038.024.RA_.jpg" alt="" width="1024" height="683" />

<span style="font-weight: 400;">“Às vezes, na nossa sociedade, há um apagamento. Onde estão os homossexuais mais velhos?”, questiona o professor. Gustavo explica que as pessoas tendem a relacionar a velhice com uma fase da vida a partir dos 60 anos, mas o foco da sua pesquisa é o processo do envelhecimento e quais são as transformações que ocorrem com o corpo dos homens ao longo do tempo.  </span>

<img class="aligncenter size-large wp-image-4489" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/09/UFSM.2018.038.048.RA_.jpg" alt="" width="1024" height="683" />

<span style="font-weight: 400;">Durante a realização do pós-doutorado, Gustavo esteve em Portugal, na Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa, onde começou a coleta de dados se baseando em dois grupos: a Companhia Maior de Artes Cênicas e a Companhia Nacional de Bailados de Dança Clássica. O professor acompanhou os bailarinos e deu aulas na graduação e pós-graduação da universidade portuguesa, buscando conhecer a realidade no exterior e apresentar sua pesquisa feita em Salvador.</span>

<img class="aligncenter size-large wp-image-4491" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/09/UFSM.2018.038.062.RA_.jpg" alt="" width="1024" height="683" />

<span style="font-weight: 400;">Grande parte da coleta de dados para o pós-doutorado, contudo, foi realizada na Escola de Dança da UFBA, que é a primeira graduação de Dança do Brasil. As fotos que foram apresentadas na exposição não são de autoria de Gustavo, mas sim dos bailarinos entrevistados por ele. O artista explica como foi o processo de escolha das imagens: “Pedi que eles [os bailarinos] selecionassem de três a cinco fotos mais significativas da sua trajetória artística, então é um acervo riquíssimo. Dialoga com a história da dança da Bahia e do Brasil”.</span>

<span style="font-weight: 400;">Juntamente com a exposição de fotos, o professor apresentou, no CAL da UFSM, uma coreografia de sua autoria. A dança tem o nome</span><i><span style="font-weight: 400;"> 4222:DziOhno </span></i><span style="font-weight: 400;">e foi inspirada no grupo DziCroquettes e no artista Kazuo Ohno. Em Salvador, Duarte dançou junto com seu aluno Bruno Parisotto. Na sua reprodução realizada na UFSM, o professor dançou sozinho ao som de </span><i><span style="font-weight: 400;">Homem com H, </span></i><span style="font-weight: 400;">música gravada por Ney Matogrosso: “a recepção foi bem afetiva, ainda que com um certo estranhamento pela temática”. Ele afirma que vai fazer a exibição novamente em diferentes centros, como o CEFD e o Centro de Educação, e pretende levar a apresentação para as escolas.</span>

<img class="aligncenter size-large wp-image-4488" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/09/UFSM.2018.038.045.RA_.jpg" alt="" width="1024" height="683" />

A ideia é expandir os conhecimentos também para fora da UFSM, ao oferecer oficinas sobre dança, sexual<span style="font-weight: 400;">idade e gênero em escolas.</span><span style="font-weight: 400;"> O professor</span><span style="font-weight: 400;"> comenta sobre a importância da temática apresentada: “A gente começa a trabalhar essa perspectiva e paradigma da inclusão e diversidade - que é um ganho do gênero, sexualidade, negritude, deficiência - desde a graduação. Se o professor artista não tocar nisso, quem vai tocar? A questão de reflexão crítica sobre corpo, sociedade e mundo, de certa forma, é uma função do artista”.</span>

<img class="aligncenter size-large wp-image-4490" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/09/UFSM.2018.038.056.RA_.jpg" alt="" width="1024" height="683" />

<img class="aligncenter size-large wp-image-4492" src="https://www.ufsm.br/comunicacao/arco/wp-content/uploads/sites/601/2018/09/UFSM.2018.038.073.RA_.jpg" alt="" width="683" height="1024" />

<b>Reportagem: </b><span style="font-weight: 400;">Martina Irigoyen. acadêmica de Jornalismo</span><span style="font-weight: 400;">
</span><b>Edição</b><span style="font-weight: 400;">: Tainara Liesenfeld, acadêmica de Jornalismo</span>

<b>Fotografia:</b><span style="font-weight: 400;"> Rafael Happke</span>]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>A terceira (sexual)idade</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/a-terceira-sexualidade</link>
				<pubDate>Thu, 09 Aug 2018 20:24:13 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Diário de Campo]]></category>
		<category><![CDATA[9ª edição]]></category>
		<category><![CDATA[idosos]]></category>
		<category><![CDATA[Sexualidade]]></category>

				<guid isPermaLink="false">http://coral.ufsm.br/arco/sitenovo/?p=4196</guid>
						<description><![CDATA[Expressões do cotidiano e da sexualidade de pessoas idosas institucionalizadas são relatadas em diários de campo
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <img width="1024" height="668" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2018/08/Diario_Sexualidade_Site-da-Arco-1024x668.jpg" alt="" loading="lazy" />											
		<p>A sexualidade floresce com a adolescência e anda lado a lado com a vida adulta, mas há quem diga que encontra seu limite quando alcança o envelhecimento. Intimidade, carícias, beijos, afeto, contato pele a pele... Essas são expressões da sexualidade que não estão, necessariamente, ligadas à reprodução, e nesse contexto surgem algumas perguntas: até que ponto a sexualidade é aceita socialmente sem o objetivo procriativo? A felicidade pelo prazer sexual pode ser almejada pelas pessoas idosas?</p><p>Com um olhar subjetivo acerca do aumento da expectativa de vida da população brasileira e das mudanças nas configurações familiares modernas, a pesquisadora Tatiane Rocha Razeira se insere no contexto de uma casa para idosos a fim de entender como idosos e idosas institucionalizadas vivenciam o cotidiano e suas sexualidades. Um olhar intimista é direcionado às individualidades existentes no âmbito de uma das instituições (asilo, abrigo, centro de convivência para idosos) existentes em Santa Maria, as quais, segundo ela, são estigmatizadas socialmente e vistas como forma de exclusão e isolamento de idosos à espera da morte.</p><p>Duas vezes por semana, de março de 2015 a abril de 2016, a pós-graduanda em Gerontologia pela UFSM realizava atividades que envolviam os idosos por cerca de 45 minutos e aproveitava o tempo no local para conversar com os moradores da casa, com a equipe de enfermagem e com as cuidadoras. O resultado são 164 páginas de diários de campo, que dão vida e são inseridos, em parte, na dissertação Cenas do cotidiano e da sexualidade de pessoas idosas institucionalizadas, apresentada em 2016.</p><p>Na dissertação, as fantasias que envolvem o universo da sexualidade são realçadas através do Kama Sutra, obra literária escrita na Índia há aproximadamente 2 mil anos por Mallanaga Vatsyayana. Tatiane nomeou as pessoas descritas no trabalho a partir da proximidade com as interações afetivas e amorosas expressas nos personagens da literatura. Como resultado, a pesquisa mostrou que o grande desafio da temática é fazer com que as pessoas idosas consigam manifestar suas sexualidades sem se sentirem culpadas; e que a institucionalização, atualmente, mostra-se como uma alternativa possível, e até mesmo necessária, às configurações familiares contemporâneas. Essas transformações no corpo e na vida de pessoas em processo de envelhecimento estão disponíveis nos relatos selecionados a seguir.</p><p> </p><p><b>DESCRIÇÃO DO ESPAÇO</b></p><p>Na sala de televisão ficam muitas pessoas, principalmente as que possuem pouca mobilidade, as quais repousam sonolentamente em cadeiras retráteis, os olhos ficam semiabertos, assim como os lábios, por onde timidamente escorre a saliva que repousa na boca espaçosa e ociosa. Algumas delas gemem, outras balbuciam algumas palavras incompreensíveis; umas assistem à televisão, enquanto outras observam seu entorno, como se estivessem procurando alguém ou alguma coisa. Talvez em busca de si mesmas, de quem foram, ou em quem se transformaram, enfim, de sua ipseidade.</p><p><b>CASAL NA CASA</b></p><p>Quando cheguei à casa, o casal Satakarni e Malayevati estava na sala, começaram a namorar ali na casa; convidei-os para a roda de conversa, mas agradeceram e foram subindo as escadas para o quarto. Ela segurou meu braço e, em tom moderado de voz, disse que não era nada comigo, mas é que o marido dela é muito ciumento e não gosta que ela fique se mostrando; disse que obedecia para não dar briga. Antes do namoro, realizavam as atividades físicas; ela gostava e participava ativamente, ele também participava. Satakarni é casado, presenciei a visita da esposa dele na casa no dia que ele apresentou a namorada para a esposa. A esposa apoiou a relação, disse que ficava feliz por ele ter uma companhia, já que entre eles agora só existia amizade.</p><p><b>A FAMÍLIA E O ASILO</b></p><p>Conversei com Vita e sua esposa, que tinha ido visitá-lo. Ela é uma senhora muito elegante, cabelos castanhos curtos escovados, maquiagem leve e perfume suave; é professora do estado aposentada. Ela estava sentada junto de Vita no sofá de dois lugares, seu braço direito repousava nos ombros dele, de vez em quando ela fazia um cafuné no cabelo. Ela disse que tinha vindo namorar, que sente muita saudade dele, que sofreu e sofre muito com a decisão de deixar ele ali na casa; com os olhos marejados, confessou que não foi fácil decidir; conversou com familiares e filhos, e no início sentia vergonha de dizer que ele estava no asilo. O sofrimento é imenso, mesmo sabendo que não tinha mais condições de cuidar e suprir todas as necessidades dele. [...] ‘mas a força a gente tira de Deus, sem ele não ia conseguir enfrentar tudo isso’.</p><p><b>AUTOIMAGEM</b></p><p>[...] estava lá, sentada na cama, olhando em direção à janela, Maharashtra deslizava a escova de plástico desgastada pelos curtos e poucos cabelos castanhos iluminados por ralos fios brancos. Em tom de desabafo, diz que não se olha mais no espelho, só no do banheiro que é pequeno e dá pra ver só o rosto, e faz tempo que não vê seu corpo inteiro refletido no espelho. ‘Pra que olhar? Eu me sinto como um pêssego murcho, por fora! Mas por dentro eu me sinto viva e penso até naquilo, eu tô viva! É isso que importa, não é?’</p><p><b>IMPOTÊNCIA</b></p><p>‘[...] mas ele não funciona mais! Eu pego, puxo, puxo, mas dá em nada, daí a gente fica na vontade’. O relato dela foi reafirmado por uma das funcionárias, que confirmou que ela manipula o pênis dele no banho que chega a cortar, ele reclama e ela vai pedir pomada pra passar. Segundo ela: ‘minha filha diz que ele tá pior que eu, o que eu quero com ele?’ A família não é favorável à relação, pois ele é casado e já tem 84 anos, mas ela não se importa com a opinião da família, disse que continuaria com o namoro.</p><p><b>SEXUALIDADE</b></p><p>A pesquisadora pergunta aos idosos Dandakya, Maharashtra, Bali, Dravida e Aparatika o que eles(as) entendiam por sexualidade:</p><p>[...] após pensarem por alguns segundos, Dandakya respondeu para mim: ‘é tá junto com alguém, em relação né, dormindo junto, com intimidade’. Para Aparatika, ‘é sexo e amor, entre um homem e uma mulher, daí vêm os filhos, depois os netos, é ter uma família’. E Dravida completou: ‘quando a gente fica velha, nem pensa mais nisso, é como se a gente deixasse de ser mulher’.</p><p><b>FUNCIONÁRIOS E SEXUALIDADE DOS IDOSOS</b></p><p>O técnico em enfermagem que trabalha na casa relatou que algumas idosas querem que ele dê o banho nelas, e que, durante o banho, fazem insinuações verbais e gestuais, pedem para ele passar o sabonete várias vezes pelo corpo e em partes específicas (aproximou a mão da região genital e do peito). Ele disse que leva tudo com bom humor, que hoje acha isso normal, mas no início ficava um pouco constrangido. Perguntei se na formação dele em algum momento tinham sido desenvolvidas as temáticas, ele respondeu que foi trabalhado algo relacionado com doenças. </p><p><b>LIMITAÇÕES DO CORPO</b></p><p>[...] Vidushaka estava no quarto, estendendo a cama vagarosamente e com certa dificuldade. Relatou que sentia muita dor na coluna, nos joelhos e nas pernas, cada dia uma dor. Mas, segundo ele, ‘antes tinha um corpo, jogava bocha, caminhava pra lá e pra cá, saia lá de casa e ia na Acampamento a pé, agora tô virado em dor, uma carcaça’. </p><p><b>MASTURBAÇÃO</b></p><p>Em conversa com uma das técnicas em enfermagem, perguntei se ela já tinha presenciado algum tipo de expressão da sexualidade por parte de algum(a) idoso(a). Ela ressaltou que existe um cuidado relativo ao que poderia ser algum tipo de abuso, quando percebem que a pessoa é mais saidinha com as outras, ficam de olho. 'À noite, na hora de dormir, os quartos ficam com as portas abertas, é que muitos tomam medicamentos para dormir, então fica tudo tranquilo, mas tem muita coisa que a gente finge que não viu e não ouviu e outras a gente acostuma. Na casa, tinha um senhor que se masturbava a qualquer hora ou lugar, então a gente o levava para o quarto e deixava terminar. Algumas idosas tinham medo dele, outras pediam para tirar ele da sala, mas a gente entende a situação dele, tá com vontade. Mas, à noite, eu pedia para as gurias do turno ficarem de olho nele'. </p><p><b>BOM PARTIDO</b></p><p>'Ele não é como os velhos daqui, ele nem é velho, caminha, vai aonde quer, volta pra casa dele e não depende de ninguém para comer, ir no banheiro… ele seria um bom companheiro, porque eu não quero um velho de fralda, que não faz mais nada [fez um gesto com as mãos em forma de concha para baixo e para cima], nem que seja para esquentar meus pés, beijar, fazer carinho e conversar. Tu não acha ele um homem bonito? Bem arrumado e não tem cheiro de urina, eu tô certa ou não de querer uma pessoa assim?'</p><p><b>FILHOS, DE QUE ADIANTA?</b></p><p>‘Sempre fui chineiro, não tinha uma mulher, mas várias, fui noivo, mas ela não aguentou, por isso não casei, mas agora queria ter uma companheira, pra esquentar os pezinhos de noite [risos]. Eu acho linda uma morena que vem aqui, é filha de uma das idosas acamadas, pra ela eu dava casa, comida e roupa lavada [risos], até me aquietava, podia ter filhos e eles me cuidarem’. Rapidamente Maharashtra exclamou: Eles não cuidam da gente, olha, eu tô aqui e tenho três filhos, o que adianta?’ </p><p><b>DOR DA MORTE </b></p><p>Estávamos sentados na varanda, quando ela, a irmã dele, desceu do quarto, abraçou e agradeceu a enfermeira, despediu-se das pessoas idosas que estavam na sala. Maharashtra perguntou como ele estava, ela respondeu sem graça que ele estava bem e tratou de sair da sala. Foi caminhando pela rampa, carregando no braço esquerdo uma sacola de papel com alguns pertences, segundo a enfermeira era o radinho de pilha, o relógio, o óculos e a Bíblia; as roupas e os calçados deixou para doação. Na outra mão, segurava o ventilador e, no coração, acredito que o que carregava era tristeza e a certeza de que uma vida toda coube em uma sacola.</p><p><em><strong>Reportagem:</strong> Claudine Friedrich</em></p><p><em><strong>Diagramação e Ilustração:</strong> Giana Bonilla e Juliana Krupahtz</em></p>		
										<img width="1024" height="668" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/601/2018/08/06_CAPA_SITE-1024x668.jpg" alt="" loading="lazy" />]]></content:encoded>
													</item>
						<item>
				<title>Além do armário: a sexualidade vivida sem reservas</title>
				<link>https://www.ufsm.br/midias/arco/alem-do-armario-a-sexualidade-vivida-sem-reservas</link>
				<pubDate>Wed, 08 Jun 2016 19:44:34 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Dossiê Diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Identidade]]></category>
		<category><![CDATA[identidade de gênero]]></category>
		<category><![CDATA[LGBTQI+]]></category>
		<category><![CDATA[Sexualidade]]></category>

				<guid isPermaLink="false">http://coral.ufsm.br/arco/sitenovo/?p=1798</guid>
						<description><![CDATA[Pesquisa relata vivências e problematiza a homossexualidade no interior do Rio Grande do Sul]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
<div id="container_dados">
<div class="texto_noticia">
<blockquote>
<p><em><strong>Confira esta matéria completa na versão digital da 6ª edição da revista Arco, disponível <a href="https://issuu.com/revistaarco/docs/arco_6_issuu">neste link</a>.</strong></em></p>
</blockquote>
<p>A pesquisa científica requer tempo e cautela para reunir os dados e informações necessárias sobre o objeto que está sendo pesquisado. Além desse cuidado, quando o foco do estudo são pessoas, mais do que tato é preciso sensibilidade e respeito, pois não se tratam apenas de números e informações quantitativas, mas de seres humanos. Ainda mais quando a pesquisa irá tratar das relações e do preconceito vividos por um grupo.</p>
<p>Em seu livro Na Batida da Concha – Sociabilidades juvenis e homossexualidades reservadas no interior do Rio Grande do Sul, o sociólogo e historiador Guilherme Passamani relata sua experiência antropológica com um grupo de jovens homossexuais em Santa Maria. O livro, publicado pela Editora UFSM, é uma versão ampliada do Trabalho de Conclusão de Curso em Ciências Sociais, cujo trabalho de campo foi feito entre os anos de 2002 e 2005.</p>
<p>O primeiro contato que o pesquisador teve com esse grupo de jovens gays deu-se através de chats virtuais. No início dos anos dois mil, havia ainda um certo constrangimento em relação à visibilidade homossexual, e, sem redes sociais ou aplicativos que possibilitassem a interação, uma das saídas encontradas para conhecer outras pessoas de forma discreta foram as salas de bate-papo online. Foi em uma dessas salas que Passamani conheceu Rogério*, que, após certa relutância, concordou em colaborar para a pesquisa, cujo objetivo era compreender o lado privado das práticas homossexuais masculinas. Rogério foi a ponte para que o pesquisador pudesse entrar em contato com um grupo de jovens gays com quem tinha o hábito de se reunir em um apartamento no centro de Santa Maria.</p>
<p>Como Rogério descreve no livro, “A Sociedade do Apertamento” era o lugar onde se poderia ser gay sem os ranços de uma sociedade marcada pela homofobia. Fora do apartamento, todos eram vistos como heterossexuais. Aquele era o local, portanto, onde eles poderiam conversar, fazer amigos e namorar sem o medo de serem julgados pela sua homossexualidade. O nome é uma referência ao tamanho pequeno do apartamento onde os mais de dez integrantes se reuniam. Como uma espécie de “sociedade secreta” informal e descontraída, os jovens tinham o local como um ambiente de segurança e liberdade, e a entrada de outros “membros” era feita de maneira cautelosa.</p>
<p><em>*Rogério é o apelido usado pelo pesquisador para identificar este entrevistado.</em><a class="bigger_image" title=""><img class="alignright wp-image-1766 size-large" src="https://www.ufsm.br/midias/arco/wp-content/uploads/sites/601/2017/08/6ª-edição-10-dossiê-além-do-armário-1024x668.png" alt="" width="1024" height="668" /></a></p>
<p><strong>Identidade de gênero:</strong> corresponde ao processo e condição de identificação de gênero, ou seja, com qual gênero as pessoas se identificam: gênero masculino ou feminino. Com base em nossa anatomia corporal e já em nosso nascimento, a sociedade nos designa como homem ou como mulher – gênero masculino ou feminino. No entanto, nem todos se identificam com essa imposição, como os homens transexuais, que não se identificam com o gênero feminino que lhes foi imposto.</p>
<p> </p>
<p><strong>Homofobia:</strong> é o termo geral que define a aversão e discriminação contra homossexuais. Há especificações como a lesbofobia (preconceito contra lésbicas), bifobia (contra bissexuais) e transfobia (contra pessoas transexuais e transgêneros).</p>
<p> </p>
<p><strong>Expressão de gênero: </strong>refere-se a como cada pessoa manifesta sua identidade de gênero, sendo que isso inclui roupas, acessórios, expressão corporal, aparência e estilizações. Isso não impede, por exemplo, uma pessoa de identificar-se com o gênero masculino e naturalmente possuir uma expressão de gênero feminina e vice-versa. Muitos sujeitos também ficam na fronteira não-definida da expressão de gênero, como, por exemplo, as pessoas andróginas.</p>
<p> </p>
<h4>A FACHADA HETEROSSEXUAL</h4>
<p>Além da orientação sexual, havia outros traços em comum entre eles: jovens entre 19 e 25 anos, vindos de cidades do interior do Rio Grande do Sul, pertencentes à classe média, universitários e com práticas homossexuais reservadas, ou seja, não eram vistos publicamente como gays.</p>
<p>A necessidade de manter uma fachada heterossexual era algo constante na vida deles e moldava a forma de ser e de se mostrar para o mundo. O corte de cabelo, o vestuário sóbrio, a busca por um corpo socialmente visto como másculo, a maneira de falar e o tipo de rapaz com quem eles buscavam se relacionar estavam ligados à necessidade de serem discretos, de passarem despercebidos pela sociedade.</p>
<p>A saída das suas cidades de origem, o ingresso na universidade e o encontro com outros que também compartilhavam desse segredo foram fatores positivos para a vivência homossexual desses jovens. Porém, as relações familiares turbulentas, o medo de que suas experiências sexuais fossem descobertas e atingissem suas famílias e a própria pressão cultural sempre foram elementos que exerciam forte influência na vida deles, mesmo longe de casa, dentro do apartamento.</p>
<p>“Lá em casa a gente é bem na nossa, meu pai é um cara da fazenda, sabe? Todo na dele, um gauchão [...] com bigode grande, e a minha mãe é a mulher do gaúcho, meus dois irmãos trabalham na fazenda também, eles são agrônomos, eu que saí meio diferente de todo mundo [...] mas sempre fui calado, a palavra do pai é que vale lá, e o olhar dele nos diz como a gente tem que ser [...] daí eu sempre fui meio na minha” (Leonardo, 21 anos. Trecho do livro Na batida da concha).</p>
<p>Essa imagem culturalmente construída da figura do gaúcho como um homem do campo, másculo, viril, valente e chefe do lar torna-se uma das referências de masculinidade e um dos modelos a ser seguido pelos meninos no interior do Rio Grande do Sul. A fuga desse padrão é vista como um desvio e a necessidade de se encaixar nesse exemplo de “homem de verdade” acaba alimentando outros preconceitos.</p>
<p>Segundo Passamani, a busca por uma fachada heterossexual e o alto grau de preconceito com outras formas de expressão de gênero e sexualidade são reflexos do machismo, em que a figura da mulher é desprestigiada, e o feminino é tratado como frágil, menor e menos importante. Esses comportamentos eram comuns no grupo de jovens pesquisado por ele.</p>
<p>“Não era uma questão tão séria ser visto como gay, mas era uma questão muito séria ser visto como determinado tipo de gay. Eu me lembro de algumas falas deles dizendo o que era ser bicha, e ser bicha era ser afeminado, era ser pobre, era ser escandaloso, era se vestir de forma chamativa. Então, nesse sentido, o que eles eram não era ‘bicha’, porque ser bicha era esse modelo; eles eram outra coisa, o que não implicava uma negação dos desejos por outros homens”, revela Passamani.</p>
<p>Esse desejo de se encaixar nos padrões heterossexuais e de não aparentar a sua homossexualidade também está associado ao desejo de não fazer parte de um grupo que é historicamente marginalizado pela sociedade.</p>
<p> </p>
<h4>A CONSTRUÇÃO HISTÓRICA DO PRECONCEITO</h4>
<p>A sexualidade humana faz parte de uma construção histórico-social. Sabe-se que práticas homossexuais sempre existiram – da Grécia Clássica até comunidades tribais. O que não se sabe ao certo é quando e por que essas práticas deixaram de ser vistas como algo comum e normal e passaram a ser repelidas pela sociedade.</p>
<p>A influência dos dogmas religiosos é fator que influenciou (e ainda influencia) na discriminação aos homossexuais. No entanto, a ciência também teve um papel importante nesse processo discriminatório. Foi a partir do século XIX, com as mudanças nas práticas da medicina, que os sujeitos que mantinham práticas homoeróticas passaram a ter uma “identidade”, ou seja, atribui-se a eles uma série de características e comportamentos que definem o que é um homossexual.</p>
<p>Nesse processo, os psiquiatras da época passaram a explicar a homossexualidade como uma falha biológica, o que tiraria a responsabilidade do sujeito homossexual, que deixaria de ser visto como um transgressor e passaria a ser visto como um doente, sendo, assim, passível de cura.</p>
<p>É somente no século XX que, lentamente, é feita essa desconstrução. Em 1973, a Associação Americana de Psiquiatria retirou a palavra “homossexual” da lista de transtornos mentais ou emocionais e, apenas em 1990, a Organização Mundial da Saúde retirou a orientação sexual da sua lista de doenças.</p>
<p>No entanto, a retirada da homossexualidade da lista de doenças não assegurou a sua aceitação social, e uma das formas encontradas para se preservar de ataques e repressões foi manter a orientação sexual escondida.</p>
<p>No Brasil, a Constituição Federal prevê como objetivo fundamental promover o bem-estar de todos, sem preconceitos de origem, de raça, sexo, cor, idade ou quaisquer discriminações. Para assegurar esse preceito, a Lei 7.716/89 criminaliza o preconceito racial. O Estatuto da Criança e do Adolescente e o Estatuto do Idoso atentam contra o preconceito de idade. Porém, a discriminação em razão de sexo (orientação sexual e identidade sexual) segue sem uma legislação que criminalize a homofobia.</p>
<p>No mundo, mais de 70 países, como Irã, Arábia Saudita, Sudão e Rússia, criminalizam as relações homossexuais. Segundo estudo divulgado em 2014 pela Associação Internacional de Gays e Lésbicas, 2,7 bilhões de pessoas vivem em países onde ser gay gera punições e até mesmo condenação à morte.</p>
<p>No atual contexto social, muitas vezes assumir a sua sexualidade torna-se um ato político, na medida em que esses grupos marginalizados não se vêem contemplados legalmente.</p>
<p> </p>
<h4>A EXPRESSÃO LIVRE DA SEXUALIDADE</h4>
<p>A discriminação com outras formas de expressão da homossexualidade, principalmente as que conferem expressão de gênero feminina, não é um fato isolado dos jovens citados no livro. Segundo o mestre em Comunicação Social Dieison Marconi, “em várias esferas sociais torna-se comum o discurso de que é aceitável ser gay, desde que seja discreto, não se demonstre isso na rua, ou que não se assuma uma expressão feminina. Tudo bem ser gay, desde que não seja ‘pintosa’”.</p>
<p>A pressão em manter escondida a orientação sexual e expressão de gênero, por medo da não aceitação da família, amigos e o medo das agressões às quais estão suscetíveis ao tornar público a homossexualidade, ajudam a criar os ‘armários’, que servem como proteção, mas também limitam as vivências pessoais.</p>
<p>Espaços mais libertários, como a universidade, os coletivos, os grupos de discussão virtuais e presenciais, tornam-se um marco para os jovens gays vindos do interior, por serem muitas vezes um primeiro espaço onde eles podem viver e expressar seu gênero e orientação sexual sem restrições. “É muito importante porque é um dos primeiros momentos onde você se reconhece tendo uma sexualidade normal, uma sexualidade humana normal, que tudo aquilo que te disseram durante a infância e adolescência não era verdade, que faltava mesmo tu ter uma referência de que essas pessoas estavam sendo felizes sendo gays e que não tinha nada de errado em ser gay” conta Dieison.</p>
<blockquote>
<p>“Ah, você tá rindo de mim? Desculpa queridinho, mas eu não vou tirar o meu batom vermelho, eu não vou parar de dar pinta na rua, não vou entrar pro armário de novo, o choro vai ser livre”, diz Dieison Marconi.</p>
</blockquote>
<p>Nos últimos dez anos, desde a realização do trabalho de Passamani, foram notáveis as mudanças no cenário LGBT em Santa Maria. A criação de coletivos que pautam questões de gênero e outros movimentos sociais ajudou na ampliação desse debate e tornou mais visíveis questões que antes circulavam apenas em pequenos grupos. A internet, além de uma ferramenta de socialização, tornou-se também uma forma de divulgação e ativismo.</p>
<p>No entanto, apesar de não ser mais considerada uma doença, a homossexualidade é um tema controverso, que ainda desperta preconceitos e fomenta debates, o que torna o movimento LGBT um movimento de luta por muitas bandeiras, como a criminalização da homofobia e direitos civis igualitários.</p>
</div>
</div>
<div class="texto_rodape">
<p><em><strong>Reportagem</strong>: Maria Helena da Silva</em></p>
</div>
<p> </p>
<!-- /wp:tadv/classic-paragraph -->]]></content:encoded>
													</item>
					</channel>
        </rss>
        