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				<title>UFSM participa de estudo internacional sobre ameaças às terras indígenas na Amazônia</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2026/09/03/ufsm-participa-de-estudo-internacional-sobre-ameacas-as-terras-indigenas-na-amazonia</link>
				<pubDate>Thu, 03 Sep 2026 14:22:16 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[divulga ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Amazônia]]></category>
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						<description><![CDATA[Pesquisa com 66 autores de 57 instituições ao redor do mundo resultou em artigo publicado na Nature Sustainability
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							<content:encoded><![CDATA[  <figure>
										<img width="1024" height="576" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/09/Vale-do-Javari-acervo-pessoal-de-gabriel-de-oliveira-e-erin-koster-1024x576.jpg" alt="Foto colorida horizontal registra uma paisagem de rio e de vegetação da Amazônia. Em primeiro plano, há um pequeno curso de rio marrom com vegetação rasteira à sua margem, cercado por árvores mais frondosas. À direita, um pequeno barco de madeira está na margem do rio. Ao fundo, o curso de água se encontra com o rio, onde também é possível observar outros barcos pequenos de madeira e casas simples. O céu está parcialmente nublado, com a luz do sol atravessando as árvores no canto superior esquerdo da imagem." />											<figcaption>Vale do Javari na Amazônia é a terra de maior concentração mundial de Povos Indígenas voluntariamente isolados</figcaption>
										</figure>
		<p>O artigo “Ameaças Fronteiriças em Espiral na Amazônia Indígena”, publicado em 28 de julho de 2026, na revista Nature Sustainability, teve como um dos autores o estudante de pós-doutorado do Programa de Pós-Graduação em Física da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Alecsander Mergen. </p><p>O pesquisador foi o responsável pelo processamento de imagens via satélite de áreas ao redor da Terra Indígena Vale do Javari, localizada na região oeste do estado do Amazonas. Foram identificados índices de desmatamento a 5, 10, 50, 100 e 200 quilômetros de distância do território mapeado. </p><p>O trabalho ocorreu durante o doutorado sanduíche de Alecsander na <i style="color: #000000;font-size: 1rem">University of South Alabama</i>, entre 1° de junho e 31 de dezembro de 2025. A colaboração surgiu a partir de convite do professor Gabriel de Oliveira, lotado na instituição estadunidense e líder da pesquisa. </p><p>A coleta de dados via satélite foi feita e analisada por Alecsander durante o doutorado na UFSM. Em sua tese, foram identificadas as trocas de dióxido de carbono (CO₂) em áreas de criação de gado com vegetação nativa no Pampa, por meio de imagens de satélite, para desenvolver modelos capazes de monitorá-las em todo o bioma. </p><p>No estágio doutoral, o cientista pôde ampliar o conhecimento sobre sensoriamento remoto na área do Javari, na Amazônia. Para criar modelos específicos para a análise do território brasileiro, também foram feitos estudos no Delta do Rio Mobile-Tensaw, na cidade de Mobile, Alabama. Alecsander considera que aquela região se assemelha com o Vale do Javari, por ser banhada por um grande rio e cercada pela vegetação.</p><p>O Vale do Javari é a terra de maior concentração mundial de Povos Indígenas voluntariamente isolados. Com 8.544.440 hectares, o vale está localizado entre as fronteiras do Brasil, do Peru e da Colômbia. O território ganhou atenção mundial em 2022 após os assassinatos do jornalista estadunidense Dom Phillips e do indigenista brasileiro Bruno Pereira, que expuseram as ameaças de atividades ilegais na região. </p>		
										<figure>
										<img width="1024" height="562" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/09/Grafico-desmatamento-1-1024x562.jpeg" alt="Gráfico de linhas, em cores, apresenta a evolução do desmatamento no Vale do Javari e em áreas de amortecimento localizadas a diferentes distâncias da região, entre 2008 e 2024. O eixo horizontal indica os anos, enquanto o eixo vertical mostra a área desmatada, em quilômetros quadrados, com valores de 0 a 400 km². A legenda identifica o Vale do Javari e as zonas de 5, 10, 50, 100 e 200 quilômetros. A linha referente à Zona 200 km apresenta os maiores valores ao longo de todo o período, com oscilações e crescimento acentuado a partir de 2018. O desmatamento nessa área atinge o pico em 2022, próximo de 380 km², e diminui em 2023 e 2024. A Zona 100 km também registra aumento expressivo a partir de 2018, chegando a cerca de 180 km² em 2022. As zonas de 50, 10 e 5 km apresentam valores menores, embora também tenham aumento do desmatamento a partir de 2018. O Vale do Javari permanece entre as áreas com menores valores de desmatamento no período." />											<figcaption>Desmatamento anual em quilômetros quadrados na Terra Indígena Vale do Javari e zonas de amortecimento </figcaption>
										</figure>
		<h3><b>Desmatamento, violência e extração de recursos ilegais</b></h3>
<p>A zona de amortecimento do Vale do Javari, uma faixa de 200 quilômetros ao redor da terra indígena e considerada uma área de proteção,&nbsp;foi analisada via satélite para que fosse possível identificar a situação do desmatamento na região. Os resultados do estudo mostraram que, quanto mais distante da Terra Indígena, maiores são os índices de desmatamento. “Isso mostra o quão importante é preservar essas áreas indígenas e o poder de preservação que elas exercem na área amazônica”, destacou o pesquisador Alecsander Mergen, do PPG em Física.&nbsp;</p>
<p>O estudo ainda mostra que, desde 2008, a devastação ambiental vem crescendo no Vale do Javari. Entre 2017 e 2022, o desmatamento aumentou de forma exponencial. Em 2022, a perda florestal no entorno foi 187,5 vezes maior do que na própria Terra Indígena. São várias as causas para esse resultado. O pesquisador aponta o fator agrícola na Amazônia como um dos responsáveis.&nbsp;</p>
<p>Além disso, o narcotráfico, a caça e a pesca ilegais são as principais causas das invasões e ameaças diretas à Terra Indígena. A vulnerabilidade ocorre pela localização fronteiriça do território. Alecsander sugere que, principalmente nas áreas mais remotas, devem ser aumentadas as políticas públicas de fiscalização.&nbsp;</p>
<p>No Vale do Javari, cinco povos indígenas mantêm contato com a sociedade em redor: os Marubo, Mayoruna, Matis, Kanamari e Kulina. Dois grupos têm contato recente: os Korubo e Tsohóm-Djapá. E, pelo menos, 14 grupos vivem em isolamento voluntário.</p>
<h3><b>Ciência de alta qualidade</b></h3>
<p>Antes de voltar ao Brasil, o cientista participou da Reunião Anual de 2025 da<i> American Geophysical Union </i>(AGU) em Nova Orleans, Louisiana. O encontro é considerado o maior do mundo na área de biogeociências. “A UFSM tem esse <i>know-how</i> muito grande de conseguir contatos e de ter esse poder científico. Todo mundo conhece a Universidade de Santa Maria, então isso abre muito as portas”, relatou.&nbsp;</p>
<p>Além de estudar as ameaças fronteiriças na Amazônia a partir de dados via satélite, o trabalho de Alecsander na <i>University of South Alabama</i> resultou na instalação de torres de fluxo para monitorar a emissão de gases decorrente do efeito estufa. Após a experiência, surgiu a oportunidade de uma parceria com o <a href="https://mamiraua.org.br/noticias/torre-fluxo/">Instituto Mamirauá</a> para a implantação de uma torre de fluxo em uma área de preservação ambiental na Amazônia.&nbsp;</p>
<p>O líder da pesquisa, o professor Gabriel de Oliveira, ainda o chamou para seguir com o pós-doutorado nos Estados Unidos. No entanto, com já havia recebido o convite do Laboratório de Gases de Efeito Estufa (LABGEE), Alecsander decidiu permanecer na UFSM. O pesquisador avalia a relevância da experiência no exterior para a busca de conhecimento, mas, observa, a importância de contrtibuir com a evoluição a pesquisa brasileira e mostrar para o mundo a ciência de alta qualidade feita no país.&nbsp;</p>
<p>A professora do PPG em Física da UFSM, Débora Roberti, ressalta que, quando os estudantes retornam à UFSM, trazem conhecimento para os grupos de pesquisa e contribuem para a formação de outros colegas. "O benefício dos alunos saírem para esse período no exterior não fica restrito a eles. Eles também trazem esse retorno científico e institucional para a Universidade", avalia. A professora lembra, ainda, que PPG participa do Capes Global, iniciativa que fomenta redes de cooperação internacional entre instituições brasileiras de ensino superior com diferentes graus de internacionalização.&nbsp;</p>
<p>O artigo “Ameaças Fronteiriças em Espiral na Amazônia Indígena” pode ser acessado na revista <a href="http://google.com/url?q=https://www.nature.com/articles/s41893-026-01874-z&amp;sa=D&amp;source=docs&amp;ust=1788445021520054&amp;usg=AOvVaw14hWCy4oRv-EOWW_wjvNcC">Nature Sustainability.</a></p>
<p><i><strong>Texto</strong>: Nicolle Seixas, estudante de Jornalismo e voluntária da Agência de Notícias.</i></p>
<p><i><b>Foto</b>:&nbsp;</i><i style="font-size: 16px">Acervo pessoal /&nbsp;</i><i style="font-size: 16px">Gabriel de Oliveira / Erin Koster</i></p>
<p><i style="font-size: 1rem"><strong>Gráfico:&nbsp;</strong></i>Alecsander Mergen / Gabriel de Oliveira / Erin Koster</p><p><i style="font-size: 1rem"><strong>Edição</strong>: Maurício Dias, jornalista</i></p>]]></content:encoded>
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