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				<title>Nova espécie de réptil de 240 milhões de anos é descoberta no Rio Grande do Sul</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2026/06/10/nova-especie-de-reptil-de-240-milhoes-de-anos-e-descoberta-no-rio-grande-do-sul</link>
				<pubDate>Wed, 10 Jun 2026 12:54:06 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[divulga ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Cappa]]></category>
		<category><![CDATA[Pesquisa]]></category>
		<category><![CDATA[triássico]]></category>

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						<description><![CDATA[Espécie inédita do Período Triássico ajuda a compreender a evolução dos ancestrais dos dinossauros e crocodilos]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <figure>
										<img width="1024" height="562" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/06/Silescelida-acristata-por-Matheus-Fernandes-1024x562.jpg" alt="" />											<figcaption>Representação do Silescelida acristata (Imagem: Matheus Fernandes)</figcaption>
										</figure>
		<!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
<p data-start="641" data-end="952">Paleontólogos descreveram uma nova espécie de réptil fóssil encontrada no interior do Rio Grande do Sul que pode ajudar a esclarecer um dos capítulos mais importantes da história evolutiva dos vertebrados terrestres: a origem dos arcossauros, grupo que inclui os dinossauros (incluindo as aves) e os crocodilos.</p>
<p data-start="954" data-end="1180">Batizada de <em data-start="966" data-end="989">Silescelida acristata</em>, a nova espécie viveu há 240 milhões de anos, em uma época em que os ecossistemas terrestres ainda se recuperavam da maior extinção em massa da história da Terra, a extinção Permo-Triássica. O estudo foi liderado por pesquisadores do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia da Universidade Federal de Santa Maria (CAPPA/UFSM) e foi <a href="https://www.nature.com/articles/s41598-026-53740-9">publicado nesta quarta-feira (10), no periódico científico <em data-start="1406" data-end="1426">Scientific Reports</em>.</a></p>
<p data-start="1429" data-end="1887">O fóssil foi encontrado no município de Dona Francisca, na região central do Rio Grande do Sul, em rochas do Período Triássico Médio, com aproximadamente 240 milhões de anos. Esse sítio fossilífero faz parte do Geoparque Quarta Colônia UNESCO e já revelou uma rica fauna de espécies fósseis, incluindo fragmentos de alguns dos dinossauros mais antigos do mundo, bem como espécimes bem preservados de um dos maiores predadores terrestres do Período Triássico.</p>
<p data-start="1889" data-end="2160">O novo fóssil inclui partes dos membros de uma espécie até então desconhecida. Segundo os autores, a nova espécie pertence a um grupo de répteis arcossauriformes que apresenta características anatômicas próximas das observadas nos ancestrais dos dinossauros e crocodilos.</p>
<p data-start="1889" data-end="2160">As análises do grau de parentesco indicam que o animal pode estar relacionado aos Euparkeriidae, um grupo raro e ainda pouco compreendido, conhecido principalmente por fósseis encontrados na África do Sul, China, Rússia, Polônia e Alemanha. “Essa descoberta amplia significativamente a distribuição geográfica conhecida desses animais e reforça a importância do Brasil para o entendimento da evolução dos ancestrais dos arcossauros”, explica o paleontólogo Maurício S. Garcia, autor principal do estudo e aluno de doutorado do Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Animal da UFSM.</p>
<h3 data-start="2751" data-end="2781">A “redescoberta” do fóssil</h3>
[caption id="attachment_73198" align="alignleft" width="600"]<img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/06/Fossil-de-Silescelida-acristata-e-paleontologo-Mauricio-Garcia-por-Rodrigo-Temp-Muller-²-1024x683.jpg" alt="" width="600" height="401" /> Fóssil de Silescelida acristata e paleontólogo Maurício Garcia (Foto: Rodrigo Temp Müller)[/caption]
<p data-start="2783" data-end="3265">Além da relevância evolutiva, a descoberta possui uma história curiosa. Parte do fóssil que continha informações essenciais sobre sua procedência havia sido acidentalmente perdida por mais de duas décadas. Apenas em 2022, durante uma visita técnica, os pesquisadores localizaram o fragmento desaparecido na coleção científica da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), permitindo confirmar a origem do espécime e realizar sua descrição e identificação formal.</p>
<p data-start="3267" data-end="3628">O nome <em data-start="3274" data-end="3287">Silescelida</em> une palavras do latim e do grego antigo que significam “silêncio” e “perna”. O silêncio é uma referência ao fato de que parte do fóssil ficou perdida por anos antes de ser finalmente redescoberta, enquanto “perna” refere-se ao fato de que o material encontrado consiste principalmente em ossos dos membros, incluindo o fêmur (osso da coxa). Já a palavra <em data-start="3643" data-end="3654">acristata</em> significa literalmente “sem crista”. Esse nome foi escolhido porque o fêmur desse animal não possui uma crista ou protuberância óssea elevada (conhecida como trocânter) onde o músculo da cauda se prenderia, característica que o diferencia de quase todos os seus parentes próximos.</p>
<h3 data-start="3937" data-end="3957">Um predador ágil</h3>
[caption id="attachment_73199" align="alignright" width="501"]<img src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2026/06/Infografico1-1024x1009.jpg" alt="" width="501" height="494" /> Infográfico comparativo de tamanho do Silescelida acristata[/caption]
<p data-start="3959" data-end="4159"><em data-start="3959" data-end="3982">Silescelida acristata</em> era um animal relativamente diminuto, comparável em tamanho a um jacaré pequeno, de constituição esguia e locomoção quadrúpede. Sua dieta provavelmente incluía animais menores.</p>
<p data-start="4161" data-end="4507">Assim como espécies aparentadas, apresentava membros posicionados de forma semi-ereta, projetados mais abaixo do corpo do que lateralmente. Essa característica permitia uma locomoção mais eficiente e ágil, reduzindo o arrasto do ventre contra o solo e representando uma importante inovação na evolução dos ancestrais dos dinossauros e crocodilos.</p>
<p data-start="4509" data-end="4837">Os resultados da pesquisa mostram que a América do Sul pode ter desempenhado um papel mais importante do que se imaginava na diversificação dos arcossauriformes. A presença de <em data-start="4685" data-end="4708">Silescelida acristata</em> sugere que esse grupo era mais amplamente distribuído durante o Triássico do que indicava o registro fóssil conhecido até então. Dentre os já mencionados répteis arcossauriformes, <em data-start="4890" data-end="4913">Silescelida acristata</em> é o primeiro associado à linhagem dos Euparkeriidae a ocorrer na América do Sul.</p>
<p data-start="4996" data-end="5267">A descoberta também reforça o reconhecimento do Rio Grande do Sul como uma das regiões mais importantes do mundo para o estudo da fauna triássica, período que testemunhou a ascensão dos grupos que viriam a dominar os ecossistemas terrestres durante a Era dos Dinossauros.</p>
<p data-start="5269" data-end="5397">O fóssil de <em data-start="5281" data-end="5304">Silescelida acristata</em> está depositado no acervo científico da PUCRS, na cidade de Porto Alegre, Rio Grande do Sul.</p>
<p data-start="5399" data-end="5594">O estudo foi conduzido por Maurício Silva Garcia (CAPPA/UFSM), Gabriela Menezes Cerqueira (CAPPA/UFSM), Francesco Battista (UFRGS), Marco Brandalise de Andrade e Rodrigo Temp Müller (CAPPA/UFSM). A pesquisa recebeu apoio da CAPES, do CNPq e do INCT Paleovert. O acesso livre e gratuito ao artigo científico foi viabilizado pela CAPES.</p>
<p data-start="5736" data-end="5814"><em>Texto: Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia da UFSM</em></p>
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													</item>
						<item>
				<title>Triássico é destaque em periódico internacional editado por paleontólogos da UFSM e da Unipampa</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2024/04/05/triassico-e-destaque-em-periodico-internacional-editado-por-paleontologos-da-ufsm-e-da-unipampa</link>
				<pubDate>Fri, 05 Apr 2024 12:41:08 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Geral]]></category>
		<category><![CDATA[Cappa]]></category>
		<category><![CDATA[destaque ufsm]]></category>
		<category><![CDATA[Internacional]]></category>
		<category><![CDATA[triássico]]></category>

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						<description><![CDATA[Edição de abril da revista The Anatomical Record é o maior da história da publicação
]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <p><!-- wp:tadv/classic-paragraph /--><!-- wp:tadv/classic-paragraph --></p>
<p>Pesquisadores do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da UFSM (Cappa) foram editores do volume mais recente publicado pela revista <a href="https://anatomypubs.onlinelibrary.wiley.com/toc/19328494/2024/307/4" target="_blank" rel="noopener"><em>The Anatomical Record</em></a>, importante periódico internacional sobre estudos anatômicos ligado à Sociedade Americana de Anatomia.</p>
<p>Chamada “O alvorecer de uma era - anatomia comparativa e funcional de tetrápodes Triássicos” (do inglês “<i>The dawn of an era- comparative and functional anatomy of triassic tetrapods</i>”), a edição reúne trabalhos sobre animais vertebrados de quatro patas que viveram no período Triássico em diversas regiões do mundo.</p>
<p>Os paleontólogos da UFSM Flavio Pretto e Leonardo Kerber se juntaram ao pesquisador Felipe Pinheiro, da Unipampa, para propor, em 2022, este volume especial aos responsáveis pela publicação. Um ano e meio depois, o volume foi lançado, sendo chamado de “nossa mega-edição monumental” [our “monumental mega-issue”] na divulgação da edição, por conter 39 artigos, que somaram mais de mil páginas, com diversas contribuições relativas à anatomia comparativa e funcional de tetrápodes do Triássico. “Apresentamos dez táxons novos [nomes de gênero ou espécie], além de uma série de trabalhos e olhares inéditos sobre materiais pouco conhecidos”, relata Flavio Pretto. Diversos estudos publicados no volume evidenciam achados da região central do Rio Grande do Sul, estudados tanto pela UFSM quanto pela Unipampa.</p>
<p>Além de editores do volume, Flavio e Leonardo contribuíram também como autores de trabalhos, juntamente a outros pesquisadores da Universidade. “Nesses artigos, apresentamos desde trabalhos de anatomia clássica até alguns envolvendo aspectos inovadores de paleontologia. O Leonardo, por exemplo, puxou muitos trabalhos de paleoneurologia que utiliza tomografia computadorizada, ou seja, ciência de ponta”, destaca Flavio.</p>
<p><!-- /wp:tadv/classic-paragraph --></p>		
			<h2>Triássico</h2>		
		<p>“Sai da frente, Jurassic Park, que está chegando o circo Triássico!”: assim foi intitulado o editorial do volume, escrito pelos pesquisadores Jeffrey T. Laitman e Heather F. Smith.<br />“Especialmente quando se pensa em dinossauros, o pessoal está mais interessado naqueles gigantes do Cretáceo, né? Achei bem legal o título que eles colocaram no editorial, porque, realmente, o Triássico é, de todo Mesozóico, um dos momentos mais interessantes, e ele sempre fica no lado B do disco, sempre está à sombra do Jurassic Park”, lamenta Flávio.</p>
<p>O período Triássico (aproximadamente 250 milhões de anos atrás) representa um momento crucial para a compreensão da evolução dos tetrápodes. Aves, crocodilos, lagartos e mamíferos são exemplos de linhagens que podem ter tido suas origens nesse período. “Não é, portanto, um exagero afirmar que o Triássico representa o alvorecer da vida moderna, marcando não apenas o início da Era Mesozóica, mas também estabelecendo as diretrizes a partir das quais a vida evoluiria após a extinção em massa mais dramática já experimentada pela Terra”, salientam Leonardo, Flavio e Felipe na introdução do volume.</p>
<p>Os editores chamaram o atual momento de “era de ouro” da pesquisa em vertebrados do Triássico, devido ao grande interesse por parte de investigadores de muitas gerações e partes do mundo para estudar sobre o tema. “A gente tem contribuído para abrir um pouco mais os olhos do mundo acadêmico para quão interessante é isso”, comenta Flavio.</p>		
			<h2>Do simpósio à publicação: diversidade internacional</h2>		
		<p>Em 2023, a UFSM organizou o 12º Simpósio Brasileiro de Paleontologia de Vertebrados, que reuniu mais de 200 pesquisadores em Santa Maria. Segundo Leonardo Kerber, o simpósio foi uma importante iniciativa da Universidade dentro da paleontologia nacional.</p>
<p>No evento, foi realizada uma sessão temática especificamente sobre o Triássico e parte dos trabalhos que compõem o volume na revista <em>The Anatomical Record</em> foi apresentado naquele momento. Os textos da revista trazem, contudo, um espectro mais amplo de pesquisas contemporâneas na área. “Com o simpósio, vimos uma oportunidade de casar as coisas: reunir pessoas e começar a organizar este volume especial, propondo essa integração de vários pesquisadores”, enfatiza Leonardo</p>
<p>Os paleontólogos da UFSM contam que, desde o início, almejaram que houvesse diversidade entre os autores do volume, seja de gênero, de localização geográfica e de fases de carreira: “A gente misturou desde países desenvolvidos até países emergentes e há pesquisadores de fim de carreira junto a estudantes de graduação”, reforça Flavio. Ele também destaca o fato de que pessoas de renome na área contribuíram de maneira bastante entusiasmada com a edição.</p>
<p>Flavio e Leonardo deixam claro o orgulho de terem encabeçado a iniciativa e serem os editores do volume: “sermos pesquisadores de universidades brasileiras traz um protagonismo muito grande pro trabalho desenvolvido tanto pela UFSM, quanto pela Unipampa”.</p>
<p>Outro ponto destacado por eles é a visibilidade alcançada pelo trabalho, comprovada pelas interações online que têm ocorrido em redes sociais como o X (antigo Twitter): “Hoje, pesquisadores do mundo todo que trabalham com a temática viram esse volume e muitos têm interagido com a gente”, conta Leonardo. Flavio finaliza: “Desde a ideia de fazer o simpósio até o volume especial, tudo tomou proporções superlativas, excedeu de longe as expectativas que a gente tinha. Tenho certeza que isso vai reforçar colaborações científicas internacionais no futuro”.</p>		
			<h2>Homenagem</h2>		
		<p>O volume na <em>The Anatomical Record</em> foi dedicado ao professor Cesar Leandro Schultz, recentemente aposentado da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). “A longa e produtiva carreira de Schultz foi fundamental para iluminar a faceta sul-americana da diversidade do Triássico”, destacam os editores. Ele atuou como mentor de boa parte dos pesquisadores brasileiros dedicados ao Triássico, incluindo Flavio Pretto e Felipe Pinheiro. A espécie Buriolestes schultzi, descrita em 2016, também faz uma homenagem ao professor Schultz no nome. Os fósseis do Buriolestes foram descobertos no Sítio Buriol, em São João do Polêsine, Rio Grande do Sul.</p>		
			<h2>Capa</h2>		
		<p>Para representar a diversidade do Triássico na imagem da capa, o artista brasileiro Márcio L. Castro foi convidado para retratar uma seleção de tetrápodes estudados nos artigos publicados na edição especial. “As representações artísticas de Castro captam lindamente a amplitude e riqueza destas criaturas pré-históricas, oferecendo uma representação visual do fascinante mundo da vida Triássica”, destacam Flavio, Leonardo e Felipe na introdução da publicação.</p>		
										<figure>
										<img width="739" height="1024" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2024/04/capa-periodico-739x1024.jpg" alt="" />											<figcaption>Os números destacam animais nos quais a UFSM esteve envolvida no processo de pesquisa: 1 - Prestosuchus; 2 - Herrerasauria indet.; 3 - Proterochampsa; 4 - Buriolestes; 5 - Paratraversodon; 6 - Teyujaua;  7 - Agudotherium</figcaption>
										</figure>
			<h2>Evento: simpósio com os editores</h2>		
		<p>Na próxima quarta-feira, 10 de abril, às 13h (horário de Brasília), os editores Felipe Pinheiro, Flávio Pretto e Leonardo Kerber  apresentam um seminário online  sobre o volume, promovido pela American Association for Anatomy. A inscrição é gratuita. <a href="https://www.anatomy.org/AAA/Meetings-Events/Event_display.aspx?EventKey=041024WEB&amp;WebsiteKey=d743cfe2-c5d7-478b-8792-34bc9103a1b7" target="_blank" rel="noopener">Mais informações no site da Associação. </a></p>]]></content:encoded>
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