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				<title>Vagas ociosas na pós-graduação da UFSM seguem tendência nacional e comprometem a produção científica</title>
				<link>https://www.ufsm.br/2022/08/02/vagas-ociosas-na-pos-graduacao-da-ufsm-seguem-tendencia-nacional-e-comprometem-a-producao-cientifica</link>
				<pubDate>Tue, 02 Aug 2022 12:19:08 +0000</pubDate>
						<category><![CDATA[Geral]]></category>
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						<description><![CDATA[Com 27% de vagas ociosas na seleção da pós para o segundo semestre, UFSM estuda alternativas]]></description>
							<content:encoded><![CDATA[  <!-- wp:tadv/classic-paragraph -->
<div>Seguindo uma tendência verificada em instituições de ensino superior públicas e privadas em todo o Brasil, a Universidade Federal de Santa Maria registrou uma queda no número de inscritos para a seleção de pós-graduação no segundo semestre deste ano. O índice de 27% de vagas ociosas é um dos maiores já registrados na Instituição, reflexo de uma conjuntura cada vez menos favorável ao ensino e à pesquisa. Além dos sucessivos e exorbitantes cortes nos recursos destinados às universidades federais, impactando no número de bolsas - que já estão com valores defasados -, há outros fatores que levam a este cenário, como a redução de oportunidades para pós-graduandos no mercado de trabalho. Para buscar reverter a situação, que afeta de forma preocupante a produção de ciência e conhecimento, a UFSM estuda alternativas.</div>
<div> </div>
<h3>Situação começou a mudar neste ano<b></b></h3>
<p>Sempre aguardado com expectativa pelos candidatos, o <a href="https://www.ufsm.br/pro-reitorias/prpgp/editais/012-2022/" target="_blank" rel="noopener" data-saferedirecturl="https://www.google.com/url?q=https://www.ufsm.br/pro-reitorias/prpgp/editais/012-2022/&amp;source=gmail&amp;ust=1659521749613000&amp;usg=AOvVaw1kadOPVB73bQ2GkjVaNm37">Edital da Pós-Graduação da UFSM</a> para o segundo semestre de 2022 disponibilizou 941 vagas em 58 programas <i>Stricto sensu</i>. Porém, houve apenas 682 inscritos, resultando em 259 vagas ociosas, o que equivale a 27%. A redução já havia se verificado na seleção do primeiro semestre, embora menos acentuada: para as 1.542 vagas ofertadas, houve 1.217 inscritos, com 325 vagas ociosas (20% do total). No processo seletivo 2022/1 foi aberto um edital extraordinário visando preencher as vagas ociosas nos programas de pós-graduação (PPGs), mas houve apenas 175 inscritos para um total de 303 vagas, totalizando 42% de vagas ociosas. "O fato de termos um terço das vagas da pós-graduação ociosas na UFSM, antes mesmo da realização do processo seletivo, preocupa. Isto é, este panorama de vagas ociosas tende a se agravar, porque o fato de estar inscrito em um processo seletivo não garante a aprovação e o ingresso no curso", observa a pró-reitora de Pós-Graduação e Pesquisa, Cristina Wayne Nogueira. A PRPGP discute internamente e com os PPGs a possibilidade de lançamento de um processo seletivo extraordinário, mas uma das preocupações é que o cronograma ficaria muito próximo do edital para ingresso no primeiro semestre de 2023.<i><b> </b></i></p>
<div>
<div>O cenário de aumento de vagas ociosas presenciado em 2022 difere da situação de 2021, quando<i> </i>a UFSM realizou três processos seletivos para ingresso na pós-graduação, um dos quais extraordinário. Nenhum dos processos apresentou vagas ociosas. Entretanto, a análise dos números de inscritos nestes editais já evidenciava uma redução marcante na procura pela pós-graduação entre o primeiro e o segundo semestre letivo de 2021. Enquanto um dos editais abertos no primeiro semestre chegou a ter 705 candidatos a mais do que o número de vagas oferecidas, na seleção do segundo semestre foram somente 73 candidatos a mais. </div>
<div> </div>
<h3>Ociosidade em todas as áreas do conhecimento</h3>
<p><a href="https://www.ufsm.br/app/uploads/2022/08/tabela.jpg"><img class="alignright  wp-image-59282" src="https://www.ufsm.br/app/uploads/2022/08/tabela.jpg" alt="" width="566" height="295" /></a>Na UFSM, a ociosidade de vagas atinge todas as áreas do conhecimento e abrange até mesmo programas de excelência, sendo de 32% no mestrado (660 vagas, 448 inscritos, saldo de 212 vagas) e de 16% no doutorado (256 vagas, 214 inscritos, saldo de 42 vagas). O cenário de vagas para o processo seletivo 2022/2 foi positivo em apenas oito cursos de mestrado e um curso de doutorado. "Mas os cursos que preencheram as vagas não são os mesmos que em 2022/1, o que deixa claro que as vagas ociosas atingem todas as áreas do conhecimento, inclusive os PPGs consolidados e de excelência", analisa a pró-reitora.</p>
<p>Como exemplo, ela destaca os programas com conceitos 6 e 7. A tabela ao lado mostra os dados referentes às vagas ociosas nos cursos de doutorado com conceito CAPES de excelência (Avaliação Quadrienal 2017) no Edital 2022/2. Química e Medicina Veterinária, os únicos doutorados da UFSM com conceito máximo, tiveram, respectivamente, 20 e 2 vagas ociosas.</p>
<div>
<h3>Além do corte de verbas, desinteresse tem outras causas</h3>
<div>Uma conjunção de fatores ajuda a compreender a redução do interesse na pós-graduação, e um deles certamente é a redução expressiva de verbas para a educação e ciência no Brasil. Os ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) e de Educação (MEC), que são os principais responsáveis pelo financiamento à pesquisa científica e tecnológica e a pós-graduação no Brasil, foram bastante afetados com a redução do orçamento. O MCTI sofreu corte de cerca de R$ 3 bilhões, incluindo verbas do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), que são destinadas por lei para o financiamento da pesquisa científica e tecnológica no Brasil. O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) teve neste ano redução de R$ 9,459 milhões em programas de pesquisa e bolsas, enquanto a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível de Ensino Superior (CAPES) tem em 2022 o menor orçamento dos últimos dez anos. </div>
<div> </div>
<div>Devido a este contexto desanimador, o corte no número de bolsas para pós-graduandos da UFSM nos últimos anos foi de 19% <i>- </i><span style="color: #000000">em 2019 inicia a reestruturação dos critérios de distribuição de bolsas pela CAPES, que em fevereiro de 2020 resulta em 262 bolsas a menos, sendo 169 de mestrado e 93 de doutorado na UFSM.</span> Não bastassem os cortes, os pós-graduandos estão recebendo valores que não são reajustados desde 2013: R$ 1.500,00 para o mestrado e R$ 2.200,00 para o doutorado.</div>
<div> </div>
<div>"Uma vez que os estudantes de pós-graduação são profissionais, a bolsa é a forma que esses profissionais têm de custear suas despesas pessoais e manter dedicação exclusiva à pesquisa", destaca Cristina, acrescentando que, com valores defasados, a pós-graduação se torna pouco atrativa aos profissionais, que precisariam dedicar dois anos para obter titulação de mestre e quatro anos para o título de doutor. Além disso, a redução do número de bolsas de pós-graduação e a defasagem do valor impactam majoritariamente os alunos de famílias de baixa renda, que dependem exclusivamente deste recurso para se manter na UFSM. Estima-se que os cortes e a defasagem representem um impacto de cerca de R$ 5 milhões que deixam de circular na economia de Santa Maria a cada ano. </div>
<div> </div>
<div>Além da questão financeira, os impactos da pandemia no ensino superior também são considerados na análise das possíveis causas do desinteresse pela pós-graduação. "A pandemia afastou os estudantes do ambiente do Campus, do ecossistema de geração de conhecimento, onde estão os laboratórios, os grupos de pesquisa, do convívio na Instituição, e este ambiente é o que catalisa o interesse pela pesquisa e pós-graduação", salienta Cristina, que cita ainda a retenção de alunos na graduação devido aos atrasos na diplomação. A pró-reitora também faz uma relação com a "clientela" da pós-graduação da UFSM. A grande maioria dos pós-graduandos da Instituição são os próprios alunos graduados, especialmente os que fizeram iniciação científica (IC) ou iniciação tecnológica (IT), cujas bolsas também estão defasadas. A Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado (FAPERGS) reajustou neste mês o valor mensal das bolsas para R$ 500,00, enquanto o valor das bolsas do CNPq continua R$ 400,00/mês desde 2012. </div>
<div> </div>
<div>Como se não bastasse, o cenário nacional não é atrativo para os pós-graduados. "É importante destacar que no Brasil as oportunidades de emprego para doutores são majoritariamente nas universidades, e o cenário nacional é de redução das oportunidades, com redução de concursos para as instituições federais de ensino, bolsas de pós-doutorado com valor defasado", observa a pró-reitora.</div>
<div> </div>
<h3>Menos pós-graduação, menos ciência</h3>
<p>Os impactos desta redução de ingressantes na pós-graduação serão sentidos não só na UFSM, mas no cenário nacional como um todo. A situação preocupa porque a produção de ciência no Brasil se faz nas instituições federais - em torno de 50% da produção científica, segundo o Instituto Sou Ciência - e pelas mãos dos pós-graduandos. A pós-graduação é a base que sustenta a produção intelectual e científica no Brasil. Apesar da falta de investimentos em ciência, o Brasil é o 13º maior produtor de conhecimento científico no mundo, tomando como base artigos publicados em revistas internacionais. Não há dúvidas de que isso impactará também na capacidade de resolução de problemas. </p>
<div> </div>
<div>"Este cenário de redução de investimento em ciência e tecnologia e da formação de pessoal qualificado para atuação nesta área é particularmente preocupante, considerando-se o momento de crise econômica e social vivenciado no Brasil. Em momentos de crise, os países desenvolvidos voltam seus investimentos para a ciência e tecnologia, que serão a mola propulsora capaz de reverter o processo de desaceleração do crescimento econômico. Entretanto, no Brasil, vemos o movimento inverso, gerando enorme preocupação quanto à capacidade do país em superar este momento de crise", aponta Cristina.</div>
<div> </div>
<div>Outra questão que precisa ser levantada, segundo análise de Cristina e da professora Tatiana Emanuelli, é que a titulação de mestres e doutores implica em ganho de qualidade para as instituições de ensino, impactando positivamente a formação dos alunos de graduação envolvidos em projetos de pesquisa da pós-graduação e também a comunidade, nos casos de projetos que tenham impacto local, regional e até nacional.</div>
<h3><br />UFSM estuda alternativas </h3>
<div>A UFSM pretende propor alternativas visando reverter o quadro de vagas ociosas na pós-graduação. "Estamos analisando os dados para que possamos construir estratégias assertivas que aumentem a atração de estudantes para a pós-graduação da UFSM. Estas estratégias poderão passar por editais estratégicos com foco em públicos específicos (servidores, gestores e estrangeiros), por exemplo. Teremos que dar uma atenção especial aos alunos de graduação e aos processos de Iniciação Científica e Inovação Tecnológica", antecipa a pró-reitora.<br /><br /></div>
<div>Mesmo que ainda não esteja nada definido, uma coisa é certa. Não há risco de descontinuidade de cursos de mestrado e doutorado, como o que aconteceu recentemente na Unisinos - mais um exemplo de que o problema não é restrito à UFSM. "Estamos em constante contato com colegas pró-reitores de Pós-Graduação de outras instituições de ensino superior, regionais e nacionais, que relatam as mesmas dificuldades quanto à baixa procura para os cursos de pós", ressalta Cristina.</div>
<div> </div>
<div><em>Texto: Ricardo Bonfanti, jornalista da Agência de Notícias</em></div>
<div><em>Foto de capa: Ana Alicia Flores, acadêmica de Desenho Industrial, bolsista da Agência de Notícias</em></div>
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