{"id":250,"date":"2016-09-27T16:10:36","date_gmt":"2016-09-27T19:10:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/graduacao\/santa-maria\/odontologia\/2016\/09\/27\/a-intimidade-da-saude-da-gente-e-do-sus-na-teve\/"},"modified":"2016-09-27T16:10:36","modified_gmt":"2016-09-27T19:10:36","slug":"a-intimidade-da-saude-da-gente-e-do-sus-na-teve","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/graduacao\/santa-maria\/odontologia\/2016\/09\/27\/a-intimidade-da-saude-da-gente-e-do-sus-na-teve","title":{"rendered":"A intimidade da sa\u00fade da gente e do SUS na tev\u00ea"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"><em>Pela primeira vez, uma s&eacute;rie m&eacute;dica brasileira baseada em casos reais revela os conflitos e vit&oacute;rias de uma equipe de sa&uacute;de da fam&iacute;lia da rede p&uacute;blica e seus pacientes<\/em><\/span><\/p>\n<p class=\"p2\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"><strong>M&ocirc;nica Tarantino (Sa&uacute;de!Brasileiros) e Maria Luiza Carrilho Sardenberg (@Redehumanizasus)<\/strong><\/span><\/p>\n<p class=\"p3\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"><\/span><\/p>\n<p class=\"p4\" style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/brasileiros.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Ana-e-Helena-Petta-e1474826510835.jpg\" alt=\"Ana e helena\" \/><\/p>\n<p class=\"p7\" style=\"text-align: justify;\"><em><span class=\"s1\">A atriz Ana Petta interpreta a m&eacute;dica Laura(&agrave; esq.), na s&eacute;rie criada a partir de uma ideia original dela&nbsp;e da&nbsp;irm&atilde;, Helena Petta, que &eacute; m&eacute;dica na vida real. Foto: Divulga&ccedil;&atilde;o<\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"p7\" style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p8\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Os m&eacute;dicos&nbsp;s&eacute;ries House, Scrub s e Gray&rsquo;s Anatomy agora t&ecirc;m companhia brasileira. Lan&ccedil;ada em 11 de setembro, a miniss&eacute;rie Unidade B&aacute;sica (domingo, 22 horas, no Universal Channel), coloca em cena dois m&eacute;dicos &ndash; a Dra. Laura (Ana Petta) e o Dr. Paulo (Caco Ciocler) &mdash; que disputam, no dia a dia do atendimento &agrave; popula&ccedil;&atilde;o, qual &eacute; a escolha mais correta para tratar os doentes. Ele diz que &eacute; imprescind&iacute;vel conhecer a pessoa por tr&aacute;s dos sintomas, como e com quem vive, sua cultura e cren&ccedil;as. Ela &eacute; uma m&eacute;dica rec&eacute;m-formada e cuidadosa que privilegia os resultados dos exames para fechar o diagn&oacute;stico. Carregados de certezas, ambos ser&atilde;o desafiados pela realidade. &nbsp; &nbsp;&nbsp;<\/span><\/p>\n<p class=\"p9\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Criada a partir de uma ideia original da m&eacute;dica infectologista Helena Petta e de sua irm&atilde;, a atriz Ana Petta, a &nbsp;miniss&eacute;rie inova em muitos aspectos.&nbsp;&Eacute; a primeira vez que a a&ccedil;&atilde;o transcorre dentro de uma Unidade B&aacute;sica de Sa&uacute;de (UBS), a porta de entrada da rede p&uacute;blica de sa&uacute;de, e mostra o cotidiano das equipes de m&eacute;dicos, enfermeiros, atendentes, auxiliares, agentes comunit&aacute;rios e estagi&aacute;rios que atuam nessas estruturas. Al&eacute;m disso, trata de casos reais e muito frequentes, escolhidos ap&oacute;s uma imers&atilde;o dos roteiristas em uma UBS paulistana no bairro do Br&aacute;s. Tamb&eacute;m se preocupa em abordar os m&eacute;ritos e as car&ecirc;ncias da rede de medicina de fam&iacute;lia e comunidade que se espalhou pelo Pa&iacute;s.<\/span><\/p>\n<p class=\"p9\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\">Nesta entrevista, feita por Sa&uacute;de!Brasileiros em parceria com a psic&oacute;loga Maria Luiza Sardenberg, curadora da Rede Humaniza SUS (que trouxe perguntas da rede), a m&eacute;dica e a atriz falaram do modelo de m&eacute;dico que cada um idealiza para si, dos acertos e car&ecirc;ncias do atendimento oferecido &agrave; popula&ccedil;&atilde;o pela rede p&uacute;blica de medicina de fam&iacute;lia e comunidade e de suas inten&ccedil;&otilde;es ao criar a s&eacute;rie. O encontro aconteceu dois dias antes da partida de Helena para um doutorado sandu&iacute;che de seis meses na Universidade de Harvard, em Boston, nos Estados Unidos, em que ela discutir&aacute; como foi a adapta&ccedil;&atilde;o de conceitos de sa&uacute;de para a dramaturgia televisiva.<\/span><\/p>\n<p class=\"p9\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"><strong>Como surgiu a id&eacute;ia de uma s&eacute;rie passada na intimidade do SUS?<\/strong><\/span><\/p>\n<p class=\"p9\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"><strong>Helena Petta<\/strong> &ndash; Em uma conversa com minha irm&atilde;, Ana, que &eacute; atriz. Ela atuou em uma miniss&eacute;rie policial brasileira, &ldquo;9mm: S&atilde;o Paulo&rdquo;, que mostrou o cotidiano da Divis&atilde;o de Homic&iacute;dios de S&atilde;o Paulo, produzida pela Fox. A partir dessa s&eacute;rie, que foi roteirizada pelo Newton Canitto, acabamos pensando em uma s&eacute;rie m&eacute;dica tamb&eacute;m brasileira. E n&atilde;o tinha como n&atilde;o ser em uma Unidade B&aacute;sica de Sa&uacute;de. Eu sou m&eacute;dica, infectologista. Estudei na Santa Casa, fiz mestrado em Sa&uacute;de Coletiva e trabalhei cinco anos em unidade b&aacute;sica, onde vi que, em muitas situa&ccedil;&otilde;es, o que eu havia aprendido n&atilde;o bastava. Depois fui ensinar Aten&ccedil;&atilde;o B&aacute;sica na Universidade Federal do Paran&aacute;, e levava os alunos para visitar&nbsp;a UBS.&nbsp;<br \/> <strong>Ana Petta<\/strong> &ndash; Quando falamos de fazer isso, Helena e eu, temos um irm&atilde;o que estava conosco e ele riu muito dessa possibilidade. O passo seguinte foi apresentar a id&eacute;ia ao Cannito. Da ideia original &agrave; <br \/> estreia, foram seis anos. Em 2014, terminamos o roteiro; em 2015 filmamos os 8 epis&oacute;dios e em 2016, estreamos.<\/span><\/p>\n<p class=\"p9\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"><strong>Por que ningu&eacute;m pensou em abordar a sa&uacute;de b&aacute;sica antes?<\/strong><\/span><\/p>\n<p class=\"p9\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"><strong>Ana<\/strong> &ndash; N&atilde;o sei&hellip;Mas n&atilde;o &eacute; f&aacute;cil fazer uma s&eacute;rie m&eacute;dica que n&atilde;o aconte&ccedil;a na emerg&ecirc;ncia e nem no diagn&oacute;stico de doen&ccedil;as raras, perto da morte. O p&uacute;blico est&aacute; mais acostumado com s&eacute;ries que come&ccedil;am com as pessoas entrando na emerg&ecirc;ncia, lutando pela vida. Isso &eacute; muito forte e pega o espectador. Criar uma dramaturgia nesse ambiente que a gente est&aacute; propondo &eacute; mais dif&iacute;cil para o roteirista.<\/span><\/p>\n<p class=\"p7\" style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/brasileiros.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/289744_624844_unidade_basica_canal_universal_credito_danielle_feltrin__4_-e1474827645893.jpg\" alt=\"foto2\" \/><\/p>\n<p class=\"p7\" style=\"text-align: justify;\"><em><span class=\"s1\">A m&eacute;dica Laura t&ecirc;m uma vis&atilde;o da medicina que conflita com as ideias do Dr. Paulo (Caco Ciocler), seu colega de UBS. Foto: Divulga&ccedil;&atilde;o<\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"p7\" style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p9\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"><strong>Como foi a pesquisa para selecionar os temas a serem abordados?<\/strong><\/span><\/p>\n<p class=\"p9\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"><strong>Helena &ndash; <\/strong>Houve um esfor&ccedil;o de pesquisa grande para construir hist&oacute;rias a partir de casos reais, de relatos verdadeiros. Eu fiz uma parte desse levantamento mais voltada para o roteiro. Falei com alguns amigos e contatos da rede do tempo que trabalhei em UBS em Curitiba (PR), onde moro. Esses meus conhecidos nos acompanharam em visitas domiciliares, nos ajudaram a estar no dia a dia da UBS.<\/span><\/p>\n<p class=\"p9\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"><strong>Ana<\/strong> &ndash; N&oacute;s, os atores, fizemos laborat&oacute;rio em uma Unidade B&aacute;sica do bairro do Br&aacute;s, em S&atilde;o Paulo. Por cerca de duas semanas, acompanhamos o dia a dia, a rotina dos m&eacute;dicos, fizemos visitas domiciliares. O Caco ficou muito encantado com o que viu e se tornou um defensor da aten&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica &agrave; sa&uacute;de e da medicina de fam&iacute;lia. Antes, achava que era tudo horr&iacute;vel e o atendimento no SUS, muito ruim.&nbsp; Foi uma experi&ecirc;ncia que causou um impacto muito forte em todos n&oacute;s.<\/span><\/p>\n<p class=\"p9\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"><strong>Voc&ecirc;s mostraram os epis&oacute;dios a pessoas que n&atilde;o conhecem o atendimento p&uacute;blico de sa&uacute;de?<\/strong><\/span><\/p>\n<p class=\"p9\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"><strong>Helena<\/strong> &ndash; A pergunta da pessoa que n&atilde;o conhece o SUS, quando termina de ver o epis&oacute;dio &eacute;: Existe um m&eacute;dico de fam&iacute;lia e um agente comunit&aacute;rio que batem na porta da casa das pessoas? Quem n&atilde;o conhece acha que &eacute; fic&ccedil;&atilde;o demais. Teve gente da equipe de filmagem da miniss&eacute;rie que chorou. Porque as pessoas n&atilde;o conhecem o que acontece dentro da unidade b&aacute;sica, mas tiveram um caso de c&acirc;ncer na fam&iacute;lia ou de idoso deprimido, de alcoolismo. Estamos falando disso tudo.<br \/> <strong>Ana<\/strong> &ndash; Todo mundo que conhece uma unidade b&aacute;sica se identifica. Acabamos de receber um relato de um agente de sa&uacute;de que viu cap&iacute;tulos. Ele contou que chorou, riu; achou o cen&aacute;rio perfeito, as falas, o cen&aacute;rio. At&eacute; agora, pelo menos, o que chega para a gente &eacute; uma desconfian&ccedil;a maior de quem n&atilde;o conhece o SUS do que de quem conhece.<\/span><\/p>\n<p class=\"p9\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"><strong>Voc&ecirc;s receiam que os m&eacute;dicos entendam que a s&eacute;rie fala de um SUS idealizado?<\/strong><\/span><\/p>\n<p class=\"p9\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"><strong>Helena<\/strong> &ndash; N&atilde;o &eacute; uma unidade em que tudo funciona perfeitamente e, em v&aacute;rios momentos, a gente aborda aspectos que n&atilde;o est&atilde;o bem. Em um dos epis&oacute;dios, o desfibrilador est&aacute; quebrado e, na hora de uma parada card&iacute;aca, o m&eacute;dico e outras pessoas t&ecirc;m que reanimar o paciente sem a ajuda do equipamento. Mas, ao mesmo tempo &ndash; e n&atilde;o inventamos isso &ndash; &nbsp;voc&ecirc; vai &agrave; UBS e v&ecirc; pessoas comprometidas, querendo ajudar. Mostramos um SUS que tem, acima de tudo, um esfor&ccedil;o humano muito grande de equipe para enfrentar o dia a dia da unidade e realizar um trabalho muito importante para a sociedade brasileira. E que tem sim dificuldades e debilidades. A gente espera que as pessoas que assistam a miniss&eacute;rie possam perceber e conhecer esse universo.<\/span><\/p>\n<p class=\"p9\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"><strong>Os m&eacute;dicos que protagonizam a s&eacute;rie t&ecirc;m vis&otilde;es diferentes sobre como tratar a mesma pessoa?<\/strong><\/span><\/p>\n<p class=\"p9\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"><strong>Ana<\/strong> &ndash; Sim. O Dr. Paulo tem uma abordagem mais ampla do paciente, quer saber o que acontece com a pessoa, vai no boteco do bairro para beber e conhecer os moradores, &eacute; amigo do agente comunit&aacute;rio. Em um epis&oacute;dio, ele diz &agrave; m&eacute;dica que ela precisa conhecer melhor uma paciente e o arranjo familiar para se aproximar do diagn&oacute;stico. A Dra. Laura responde: &ldquo;Eu n&atilde;o sou psic&oacute;loga. Eu pego um paciente, fa&ccedil;o uma an&aacute;lise cient&iacute;fica, examino, fa&ccedil;o um diagn&oacute;stico e encaminho o tratamento ou mando para um especialista.&rdquo; A m&eacute;dica tamb&eacute;m o critica, dizendo que est&aacute; h&aacute; tanto tempo na UBS que esqueceu o que &eacute; ser m&eacute;dico.<\/span><\/p>\n<p class=\"p7\" style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/brasileiros.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/1473636668017.jpg\" alt=\"foto3\" \/><\/p>\n<p class=\"p7\" style=\"text-align: justify;\"><em><span class=\"s1\">Em epis&oacute;dio sobre diabetes e ades&atilde;o ao tratamento, o&nbsp;m&eacute;dico Paulo visita a paciente em casa e provoca m&atilde;e e filha a conversarem sobre as atitudes que impedem a ajuda m&uacute;tua. Foto: Divulga&ccedil;&atilde;o<\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"p7\" style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p8\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"><strong> Ao longo dos cap&iacute;tulos, o comportamento dos m&eacute;dicos passar&aacute; por mudan&ccedil;as? &nbsp;<\/strong><\/span><\/p>\n<p class=\"p9\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"><strong>Helena<\/strong> &ndash; A m&eacute;dica Laura chega de um jeito na UBS e, no final da temporada, v&ecirc;-se que algo mudou. Ela quer fazer radiologia e s&oacute; est&aacute; na UBS para ganhar algum dinheiro enquanto se prepara para as provas. Com forma&ccedil;&atilde;o tradicional, quer resolver os casos, mas percebe o conhecimento obtido na faculdade n&atilde;o d&aacute; conta de uma realidade t&atilde;o complexa. Vou dar um exemplo &ndash; no primeiro epis&oacute;dio, tem uma paciente com diabetes descontrolado. Laura se questiona por que a paciente n&atilde;o melhora se ela passou rem&eacute;dios e exames. Apesar do caso ser da m&eacute;dica, o Dr. Paulo vai visitar a casa da paciente. Descobre que o marido dela acabou de morrer e que a senhora finge que toma o rem&eacute;dio, mas esconde, porque quer morrer tamb&eacute;m.&nbsp; O m&eacute;dico mostrar&aacute; que existe um outro caminho para exercer a medicina, que &eacute; olhar menos para a doen&ccedil;a propriamente dita e mais para as pessoas.<\/span><\/p>\n<p class=\"p9\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"><strong>A s&eacute;rie retrata tamb&eacute;m o&nbsp;m&eacute;dico burocr&aacute;tico que a gente encontra de vez em quando, que nem levanta a cabe&ccedil;a para olhar o paciente e j&aacute; faz uma receita? &nbsp;<\/strong><\/span><\/p>\n<p class=\"p9\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"><strong>Ana<\/strong> &ndash; Tem uma estagi&aacute;ria, estudante do sexto ano de medicina, Samara, que chega &agrave; UBS para um est&aacute;gio obrigat&oacute;rio. Ela n&atilde;o entra em contato de jeito nenhum com os pacientes, com a situa&ccedil;&atilde;o e tem medo de andar na regi&atilde;o. Quando suspeita de ass&eacute;dio sexual por um familiar no caso de uma menina com sangue na urina, justifica dizendo, de forma extremamente preconceituosa, que &ldquo;isso &eacute; comum entre essa gente.&rdquo;<\/span><\/p>\n<p class=\"p9\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"><strong>Dra. Helena, quanto de voc&ecirc; est&aacute; na personagem? &nbsp;<\/strong><\/span><\/p>\n<p class=\"p9\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"><strong>Helena<\/strong> &ndash; Desde a faculdade, eu tive contato com a discuss&atilde;o sobre o SUS, mas acho que nunca fui uma Laura. Ela traduz muito o tipo de forma&ccedil;&atilde;o que a gente tem.&nbsp; Todo mundo que sai de uma faculdade tradicional acha que est&aacute; super preparado, mas cai numa unidade b&aacute;sica e v&ecirc; que n&atilde;o sabe lidar com isso. Com certeza, muitas dessas situa&ccedil;&otilde;es que retratamos foram vivenciadas pelos m&eacute;dicos. &nbsp;&nbsp;<\/span><\/p>\n<p class=\"p9\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"><strong>O Dr. Paulo, de Unidade B&aacute;sica, &eacute; o oposto do Dr. House?<\/strong><\/span><\/p>\n<p class=\"p9\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"><strong>Helena<\/strong> &ndash; O House &eacute; um grande personagem e a s&eacute;rie muito bem feita. Ele &eacute; um cara super perspicaz, que sabe tudo de cl&iacute;nica e avan&ccedil;os. Os epis&oacute;dios s&atilde;o sobre doen&ccedil;as rar&iacute;ssimas que esse m&eacute;dico diagnostica sem falar com o paciente. As pessoas, em geral, querem um Dr. House para trat&aacute;-las. O Caco Ciocler comentava que queria um m&eacute;dico desses pra ele. Mas existe um questionamento em rela&ccedil;&atilde;o ao que esse tipo de personagem simboliza na medicina. Do aspecto simb&oacute;lico dessa vis&atilde;o que passa pelo jornalismo, pela m&iacute;dia, pela dramaturgia e pela medicina. O Dr. House traz o modelo do hospital de alta tecnologia, onde se pede uma angiorresson&acirc;ncia cerebral para descobrir um vasinho entupido que causa todas as altera&ccedil;&otilde;es. Claro, em determinados contextos esses s&atilde;o exames importantes e h&aacute; diagn&oacute;sticos raros, mas a esmagadora maioria dos casos n&atilde;o segue esse padr&atilde;o.Quanto ao paciente, o Dr. House age como se pudesse se desvencilhar do paciente e deixar s&oacute; a doen&ccedil;a.&nbsp; O problema &eacute; que, atualmente, os estudantes j&aacute; partem do racioc&iacute;nio mais raro, de algo que s&oacute; o exame vai conseguir detectar.<br \/> <strong>Ana<\/strong> &ndash; A s&eacute;rie faz esse debate. Em um epis&oacute;dio, a Dra. Laura n&atilde;o consegue encontrar o que causa sangramento na urina de uma menina e acaba pedindo uma bi&oacute;psia renal, um exame dolorido e caro. Para faz&ecirc;-lo mais rapidamente, o pai da crian&ccedil;a pede adiantamento. O m&eacute;dico Paulo estranha o pedido da bi&oacute;psia, mas como os resultados dos outros exames estavam normais, a Dra. Laura quer avan&ccedil;ar. Por&eacute;m o exame n&atilde;o d&aacute; nada. E, no final, o m&eacute;dico descobre que a m&atilde;e estava simulando a doen&ccedil;a. Uma outra preocupa&ccedil;&atilde;o que tivemos &eacute; que o Dr. Paulo n&atilde;o fosse apenas um m&eacute;dico que sabe perceber, no ambiente, o que est&aacute; envolvido na doen&ccedil;a, mas n&atilde;o fazer um diagn&oacute;stico e prescrever&hellip; Ele sabe sim.<\/span><\/p>\n<p class=\"p12\" style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/brasileiros.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/11148404_1663704733845033_2439729374188048706_n-e1474855981336.jpg\" alt=\"foto4\" \/><\/p>\n<p class=\"p12\" style=\"text-align: justify;\"><em><span class=\"s1\"><strong>Mem&oacute;ria e rever&ecirc;ncia:&nbsp;<\/strong><\/span><\/em><em><span class=\"s1\">Coment&aacute;rio da m&eacute;dica Helena Petta em seu Instagram sobre o nome escolhido para a unidade b&aacute;sica ficcional retratada na s&eacute;rie, batizada de Cec&iacute;lia Donnangelo (professora, pesquisadora e intelectual de import&acirc;ncia central para a Sa&uacute;de Coletiva): &ldquo;Homenagem a uma mulher &agrave; frente do seu tempo, que dedicou sua vida a sa&uacute;de coletiva. Refer&ecirc;ncia para todos.&rdquo;<\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"p7\" style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p9\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"><strong>Muita gente reclama que a medicina considera tudo risco e pode virar doen&ccedil;a. Vivemos sob o &ldquo;risco&rdquo;. Como voc&ecirc;s veem essa id&eacute;ia?<\/strong><\/span><\/p>\n<p class=\"p9\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"><strong>Helena<\/strong> &ndash; H&aacute; uma vis&atilde;o mais biom&eacute;dica que trabalha com os fatores de risco o tempo todo. &Eacute; o discurso do risco. Em muitos programas de tev&ecirc; voc&ecirc; ver&aacute; os m&eacute;dicos ensinando a fazer isso ou aquilo a partir dos fatores de risco. Mas existe outra discuss&atilde;o que considera o conceito de vulnerabilidade, cujo debate come&ccedil;ou a ser introduzido no Brasil a partir da epidemia de Aids por Jos&eacute; Ricardo Ayres, professor da Universidade de S&atilde;o Paulo. Resumidamente, o conceito de vulnerabilidade v&ecirc; o adoecimento como um processo que tem a ver com fatores individuais, mas tamb&eacute;m envolve fatores sociais e program&aacute;ticos. O que &eacute; isso? Se h&aacute; pol&iacute;ticas p&uacute;blicas para quest&otilde;es da mulher, g&ecirc;nero ou aspectos raciais, por exemplo, a probabilidade de adoecer de um determinado indiv&iacute;duo diminui.<\/span><\/p>\n<p class=\"p9\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"><strong>Voc&ecirc;s esperam muitas cr&iacute;ticas dos m&eacute;dicos?<\/strong><\/span><\/p>\n<p class=\"p9\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"><strong>Helena<\/strong> &ndash; Na parte m&eacute;dica, muitos podem se incomodar. Por que pediu tal exame e n&atilde;o outro? Mas temos limites, tem a dramaturgia que corta muita coisa, que faz edi&ccedil;&atilde;o. H&aacute; muitas situa&ccedil;&otilde;es para debate.<br \/> <strong>Ana<\/strong> &ndash; Em 26 minutos de cada epis&oacute;dio, voc&ecirc; n&atilde;o d&aacute; conta de tudo. E qualquer filme, pe&ccedil;a, s&eacute;rie, &eacute; sempre um recorte. Ent&atilde;o voc&ecirc; nunca d&aacute; conta de tudo que poderia ser. Estamos esperando tamb&eacute;m a s&eacute;rie terminar para que surjam questionamentos. Eu acho muito legal essa coisa da Rede Humaniza SUS. [A atriz se refere &agrave; interatividade dos usu&aacute;rios dessa rede na proposi&ccedil;&atilde;o de temas para as pr&oacute;ximas temporadas]. Pode surgir muito tema para uma pr&oacute;xima temporada, coisas que a gente n&atilde;o sacou, n&atilde;o pensou.<\/span><\/p>\n<p class=\"p9\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"><strong>Foram oito epis&oacute;dios na estreia. Est&atilde;o planejando uma segunda temporada?<\/strong><\/span><\/p>\n<p class=\"p9\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"><strong>Ana<\/strong> &ndash; Esse &eacute; um projeto de vida para mim. N&atilde;o tem nada oficial, mas h&aacute; uma vontade do canal e a gente j&aacute; tem muito material. (Nota das entrevistadoras &ndash; durante o&nbsp;fechamento desta edi&ccedil;&atilde;o, soubemos que em breve come&ccedil;am as grava&ccedil;&otilde;es da segunda temporada)<\/span><\/p>\n<p class=\"p9\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"><strong>A ind&uacute;stria farmac&ecirc;utica tem alguma participa&ccedil;&atilde;o ou patroc&iacute;nio?<\/strong><\/span><\/p>\n<p class=\"p9\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"><strong>Ana<\/strong> &ndash; N&atilde;o, nada.<\/span><\/p>\n<p class=\"p9\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"><strong>A abertura dos cap&iacute;tulos informa que &eacute; inspirada em casos reais. De que modo voc&ecirc;s selecionaram os temas de cada epis&oacute;dio?<\/strong><\/span><\/p>\n<p class=\"p8\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"><strong>Helena<\/strong> &#8211; Durante as conversas na UBS, o roteirista foi percebendo algumas situa&ccedil;&otilde;es muito recorrentes. Toda vez que a gente ia entrevistar, algu&eacute;m contava que um paciente n&atilde;o aderia ao medicamento. O primeiro epis&oacute;dio mostrou uma paciente com diabetes que escondia o rem&eacute;dio em vez de tomar. O segundo falou de HIV, f&eacute; e igreja. Outro abordou o alcoolismo &ndash; os profissionais da sa&uacute;de que entrevistamos viram que muitas das pessoas que procuram seguidamente a UBS com queixas vagas s&atilde;o da mesma fam&iacute;lia, em que h&aacute; casos de alcoolismo. Em outro epis&oacute;dio, o filho do Dr. Paulo conta ao pai que &eacute; gay e o m&eacute;dico trata o filho muito mal. Justo ele, um cara todo coerente, n&atilde;o aceita de jeito nenhum na hora que &eacute; com o filho dele&hellip;E piora quando o menino come&ccedil;a a contar detalhes da sua vida sexual ao pai, que n&atilde;o quer saber. O filho contesta: mas n&atilde;o &eacute; voc&ecirc; quem diz que tem que conhecer mais sobre a vida das pessoas?<\/span><\/p>\n<p class=\"p9\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"><strong>Algum cap&iacute;tulo fala sobre o c&acirc;ncer?<\/strong><\/span><\/p>\n<p class=\"p9\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"><strong>Ana<\/strong> &ndash; Sim. Tem um caso de c&acirc;ncer avan&ccedil;ado em que a Dra. Laura fala para o Dr. Paulo que n&atilde;o h&aacute; mais o que fazer e que o trabalho deles termina ali. E ele diz que n&atilde;o, que o trabalho deles est&aacute; apenas come&ccedil;ando porque o m&eacute;dico nem sempre cura, mas ele sempre cuida. Essas coisas que a gente gosta de mostrar, cenas assim que gostamos fazer.<\/span><\/p>\n<p class=\"p9\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"><strong>Por que o nome de cada epis&oacute;dio &eacute; o do personagem? Algum motivo especial para essa estrat&eacute;gia?<\/strong><\/span><\/p>\n<p class=\"p9\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"><strong>Ana<\/strong> &ndash; Tem uma frase emblem&aacute;tica na s&eacute;rie que tem a ver com isso. &Eacute; quando o Dr. Paulo diz que a gente aprendeu muito sobre as doen&ccedil;as, mas agora temos que aprender mais sobre as pessoas. N&atilde;o &eacute; a diabetes, o HIV, o alcoolismo, o c&acirc;ncer, n&atilde;o &eacute; a doen&ccedil;a a quest&atilde;o. &Eacute; a pessoa. &nbsp;<\/span><\/p>\n<p class=\"p9\" style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/brasileiros.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/14484935_1836285036587001_7755217810114393200_n.jpg\" alt=\"foto5\" \/><\/p>\n<p class=\"p9\" style=\"text-align: justify;\"><em><span class=\"s1\"><strong>Do Instagram de Helena Petta<\/strong>: &ldquo;Esta foto foi tirada quando filmamos as cenas externas do sexto epis&oacute;dio q vai ao ar hj (domingo 25). As crian&ccedil;as q estavam ali ficaram fissuradas em ver as c&acirc;meras, atores, diretores e toda a magia q envolve a produ&ccedil;&atilde;o artistica. Hj (25\/09) elas estar&atilde;o na TV, compondo mais um dos epis&oacute;dios da nossa s&eacute;rie, que, assim como elas, tem a cara do Brasil! &ldquo;#unidadebasica<\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"p9\" style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p9\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"> <strong>Haver&aacute; um epis&oacute;dio que tratar&aacute; do papel dos conselhos de sa&uacute;de da UBS?<\/strong><\/span><\/p>\n<p class=\"p9\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"><strong>Helena<\/strong> &ndash; Sim, um dos epis&oacute;dios ter&aacute; um surto de leptospirose (doen&ccedil;a bacteriana&nbsp;frequentemente transmitida por &aacute;gua ou alimentos infectados pela urina de animais, em especial de&nbsp;ratazanas).&nbsp;Existe na regi&atilde;o um lix&atilde;o que funciona ao lado de um c&oacute;rrego, numa &aacute;rea sem nenhum saneamento b&aacute;sico. Vem a chuva e um monte de gente precisa atravessar por esse c&oacute;rrego e pega leptospirose. A UBS re&uacute;ne o conselho de sa&uacute;de para discutir o &nbsp;caso e decidir o que fazer. Foi engra&ccedil;ado, porque na hora de montar a cena para filmagem as cadeiras estavam colocadas uma na frente da outra, como se fosse um audit&oacute;rio. Eu pedi por favor para dispor em roda. Como estava no roteiro, a produ&ccedil;&atilde;o n&atilde;o queria, mas n&atilde;o abri m&atilde;o.<\/span><\/p>\n<p class=\"p12\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"><strong>Do Instagram de Helena Petta:<\/strong> &ldquo;Esta foto foi tirada quando filmamos as cenas externas do sexto epis&oacute;dio q vai ao ar hj (25\/09). As crian&ccedil;as q estavam ali ficaram fissuradas em ver as c&acirc;meras, atores, diretores e toda a magia q envolve a produ&ccedil;&atilde;o artistica. Hj elas estar&atilde;o na TV, compondo mais um dos epis&oacute;dios da nossa s&eacute;rie, que, assim como elas, tem a cara do Brasil! &ldquo;#unidadebasica<\/span><\/p>\n<p class=\"p9\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"><strong>A miniss&eacute;rie estr&eacute;ia num momento em que o SUS est&aacute; amea&ccedil;ado por um projeto de emenda constitucional do governo atual que&nbsp;acaba com a vincula&ccedil;&atilde;o do or&ccedil;amento com a sa&uacute;de. Como voc&ecirc;s veem essa situa&ccedil;&atilde;o?<\/strong><\/span><\/p>\n<p class=\"p9\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"><strong>Ana<\/strong> &ndash; Come&ccedil;amos a fazer em um outro momento, em que a &nbsp;aten&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria teve uma grande expans&atilde;o. Eu acho que existe uma classe m&eacute;dia que n&atilde;o entende a import&acirc;ncia da rede de medicina de fam&iacute;lia e de comunidade que existe hoje. Essa rede foi constru&iacute;da com muito esfor&ccedil;o e trabalho ao longo dos anos pelos profissionais das equipes de sa&uacute;de da fam&iacute;lia. Isso ajuda muitas pessoas e n&atilde;o pode acabar. A s&eacute;rie t&ecirc;m o papel mostrar essa realidade que &eacute; ainda desconhecida e que faz toda a diferen&ccedil;a na sa&uacute;de de um indiv&iacute;duo.&nbsp; Acho que ela vai cumprir essa tarefa.<\/span><\/p>\n<p class=\"p9\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"><strong>De onde vem esse desconhecimento t&atilde;o grande sobre o SUS?<\/strong><\/span><\/p>\n<p class=\"p9\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"><strong>Helena<\/strong> &ndash; Muita gente viu nos planos de sa&uacute;de uma sa&iacute;da para n&atilde;o enfrentar as condi&ccedil;&otilde;es do SUS. Vende-se uma imagem de que voc&ecirc; tem que fugir do SUS, que esse neg&oacute;cio &eacute; de pobre e s&oacute; tem m&eacute;dico ruim, que precisa ter plano de sa&uacute;de. As pessoas t&ecirc;m um imagin&aacute;rio de que o profissional est&aacute; na UBS &eacute; &nbsp;porque n&atilde;o deu certo. Os pr&oacute;prios estudantes da resid&ecirc;ncia de medicina de fam&iacute;lia contam que as suas fam&iacute;lias acham um absurdo: Como assim, fez medicina para acabar num postinho? No entanto, no momento em que essas pessoas se deparam com servi&ccedil;os do SUS que superam o atendimento prestado pelos seus planos, elas veem que os planos podem ser piores do que a rede p&uacute;blica. Porque voc&ecirc; pode ter um &oacute;timo plano de sa&uacute;de, mas v&atilde;o te mandar a um especialista, para outro e para outro. Ningu&eacute;m vai, de fato, pensar em voc&ecirc;, saber quem voc&ecirc; &eacute;, cuidar de voc&ecirc;.Eu acho que essa &eacute; uma das rea&ccedil;&otilde;es que a miniss&eacute;rie poder&aacute; gerar em algumas pessoas.<\/span><\/p>\n<p class=\"p9\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"><strong>Qual &eacute; a opini&atilde;o de voc&ecirc;s sobre a cobertura do SUS feita pela imprensa?<\/strong><\/span><\/p>\n<p class=\"p9\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"><strong>Helena<\/strong> &ndash; Do ponto de vista jornal&iacute;stico, o que sempre me incomoda &eacute; um pouco denunciar as mazelas, as filas e os pronto-socorros sem uma discuss&atilde;o mais aprofundada sobre o porqu&ecirc;. Estamos falando de um sistema muito sub-financiado e ao qual falta apoio &agrave; gest&atilde;o. Outro aspecto que sempre me incomodou &eacute; a busca da sa&uacute;de por meio dessa discuss&atilde;o que j&aacute; mencionei sobre os fatores de risco. O tempo inteiro tem que comer isso, tem que fazer gin&aacute;stica, tem que fazer n&atilde;o sei mais o que. &Eacute; a medicina do tem que, prescritiva, na cartilha, sem discutir tamb&eacute;m os motivos&hellip;Qual &eacute; a vida dessas pessoas, o que est&aacute; acontecendo com elas? Como uma pessoa que trabalha n&atilde;o sei quantas horas por dia, agora talvez 12 horas, volta para casa e vai fazer atividade f&iacute;sica? Acho que s&atilde;o os dois pontos que me sempre incomodaram. Na dramaturgia, essa coisa est&aacute; muito centrada na alta tecnologia, nas doen&ccedil;as raras.<br \/> <strong>Ana<\/strong> &nbsp;&ndash; Eu penso como a Helena. Pelo menos como telespectadora, me incomoda a pegada muito sensacionalista. Sem trazer uma complexidade para as quest&otilde;es, e tamb&eacute;m com interesses pol&iacute;ticos, econ&ocirc;micos. A&iacute; voc&ecirc; tem pouco espa&ccedil;o para mostrar o que h&aacute; de positivo tamb&eacute;m. Voc&ecirc; fica na cr&iacute;tica da cr&iacute;tica e n&atilde;o mostra que tem todo um esfor&ccedil;o, pessoas pensando sobre aquilo. A gente espera que a s&eacute;rie cumpra esse papel de refor&ccedil;ar uma experi&ecirc;ncia que tem sido interessante, uma tentativa de transforma&ccedil;&atilde;o de uma realidade.<\/span><\/p>\n<p class=\"p12\" style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/brasileiros.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/imgres-4.jpg\" alt=\"foto6\" \/><\/p>\n<p class=\"p12\" style=\"text-align: justify;\"><em><span class=\"s1\"><strong>A&ccedil;&atilde;o&nbsp;em equipe:&nbsp;<\/strong><\/span><\/em><em><span class=\"s1\">A enfermeira Beth (Carlota Joaquina) &eacute; a diretora da UBS; Malaquias, interpretado por Vinicius de Oliveira (o Josu&eacute;, do filme Central do Brasil) &eacute; o agente que liga a comunidade e a UBS e Samara (Bianca Muller), uma estagi&aacute;ria que est&aacute; cursando medicina e se choca com a realidade local.&nbsp; Foto: Divulga&ccedil;&atilde;o<\/span><\/em><\/p>\n<p class=\"p8\" style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p8\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"> <strong>Voc&ecirc;s esperam que essa abordagem mais &iacute;ntima do cotidiano do SUS feita por Unidade B&aacute;sica poder&aacute; interferir no ideal de m&eacute;dico dos alunos de medicina? O Caco Ciocler disse, em entrevista, que os estudantes assistem as s&eacute;ries americanas e&nbsp;saem da faculdade achando que ser&atilde;o como o personagem, e que a cada dia ter&atilde;o uma doen&ccedil;a rara para descobrir.<\/strong><\/span><\/p>\n<p class=\"p9\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"s1\"><strong>Helena<\/strong> &ndash; &nbsp;Muitas vezes, os alunos carregam consigo, em seu universo simb&oacute;lico, a imagem de que o m&eacute;dico n&atilde;o pode se envolver com as hist&oacute;rias das pessoas e deve se manter focado na busca do diagn&oacute;stico, da doen&ccedil;a. A s&eacute;rie mostra que existe um outro modo, que voc&ecirc; deve se envolver sim, que voc&ecirc; deve olhar paras as pessoas e entender o contexto delas, inclusive para fazer um melhor diagn&oacute;stico, para ter um melhor tratamento.Essas s&atilde;o quest&otilde;es relevantes, inclusive porque as faculdades de medicina hoje s&atilde;o obrigadas a levar os alunos para a aten&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria, aumentando a inser&ccedil;&atilde;o dos estudantes na rede. Unidade B&aacute;sica tamb&eacute;m diz que voc&ecirc; sozinho, como m&eacute;dico, muitas vezes n&atilde;o dar&aacute; conta daqueles problemas e que a equipe &eacute; muito importante. &Eacute; o que acontece no universo da aten&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria em sa&uacute;de. A gente fala de tudo isso em aulas, debates e artigos, mas sempre achei que a melhor maneira de contar outra hist&oacute;ria &eacute; pela arte, porque chega &agrave; emo&ccedil;&atilde;o.<\/span><\/p>\n<p class=\"p9\" style=\"text-align: justify;\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p9\" style=\"text-align: justify;\">FONTE:&nbsp;<span class=\"s1\"><a href=\"http:\/\/brasileiros.com.br\/tjKeC\">http:\/\/brasileiros.com.br\/tjKeC<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pela primeira vez, uma s&eacute;rie m&eacute;dica brasileira baseada em casos reais revela os conflitos e vit&oacute;rias de uma equipe de sa&uacute;de da fam&iacute;lia da rede p&uacute;blica e seus pacientes M&ocirc;nica Tarantino (Sa&uacute;de!Brasileiros) e Maria Luiza Carrilho Sardenberg (@Redehumanizasus) A atriz Ana Petta interpreta a m&eacute;dica Laura(&agrave; esq.), na s&eacute;rie criada a partir de uma ideia [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-250","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/graduacao\/santa-maria\/odontologia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/250","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/graduacao\/santa-maria\/odontologia\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/graduacao\/santa-maria\/odontologia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/graduacao\/santa-maria\/odontologia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/graduacao\/santa-maria\/odontologia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=250"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/graduacao\/santa-maria\/odontologia\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/250\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/graduacao\/santa-maria\/odontologia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=250"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/graduacao\/santa-maria\/odontologia\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=250"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/graduacao\/santa-maria\/odontologia\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=250"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}