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Produções 

Triangle of Power

Autor(es): Canal do Youtube: 3Blue1Brown

Fractals and infinite curves, sonified data and farewell to Sir Tom Kibble

Autor(es):  Tushna Commissariat

http://blog.physicsworld.com/2016/06/03/fractals-and-infinite-curves-son…

Fractals have always fascinated me and I am sure it’s the same for many of you. What I find most intriguing about them is how the relatively simple base pattern, or “seed”, quickly scales up to form the intricate designs we see in a snowflake or a coastline. In the video above, mathematician and animator Grant Sanderson has created a montage of “space filling curves” – theoretically speaking, such curves can endlessly expand without every crossing its own path to fill an infinite space. Following on from these curves, Sanderson shows you just how a simple seed pattern grows into a fractal and also describes how small changes to a seed property – such as an angle in a V – can alter the final image. The above video follows from a previous one Sanderson created on “Hilbert’s curve, and the usefulness of infinite results in a finite world” so check them both out.

Music and physics are happy bedfellows, as we have seen in the past, and here’s one more example of where the two happily meet. Thanks to this article on the Engadget website, we came across “Quantizer” – a new software that allows you to experience high-energy physics through real-time audio. The real-time data in this case come from the ATLAS detector at the Large Hadron Collider in Geneva and is the brain-child of students Juliana Cherston and Ewan Hill at MIT’s Media Labs. The really fun part is that you can listen to the data in three different musical styles: “cosmic”, house or “suitar samba”. Tell us which one is your favourite.

While we are on the subject of particle physics, could you tell us what exactly a “particle” is? That is the question being pondered over at Symmetry magazine. In an article, science-writer Matthew Francis talks to science writer and physicist Greg Gbur from the University of North Carolina to see if the two of them can come up with a reasonable answer for what actually constitutes a particle. Read the article and tell us if you agree and how you describe it.

Also talking about the LHC and particles is the latest offering from the Science: Disrupt podcast, titled “Science and storytelling collide”. In the podcast, they catch up with Mark Levinson, who directed the documentary film Particle Fever, based at CERN around the discovery of the Higgs boson.

And finally, all of us here at Physics World were sad to hear yesterday that renowned British physicist Sir Tom Kibble died at the age of 83. Kibble worked on everything from cosmology to quantum gravity to high-energy particle physics and string theory. You can read his obituary over on the Imperial Collage website. Colin Adcock from the JPhys+ blog spoke with Kibble last year so head on over to the blog to find out what inspired Kibble to become a scientist.

A piedade dos morcegos

Autor(es):  Mário Vargas Llosa

Você sabia que os morcegos que saem para caçar à noite voltam à gruta com a boca cheia de um sangrento alimento para dar de comer a seus congêneres incapazes de se valerem por si mesmos? Pergunte-se então, depois de ficar sabendo desse fato objetivo, se tal conduta desses roedores voadores, silenciosos e cegos poderia ser chamada de “consciência” ou “piedade” e ser, portanto, algo equivalente ao que faz em As Vinhas da Ira, de John Steinbeck, a personagem apelidada como Rose of Sharon, que amamenta com o leite de seu filho (que nasceu morto) um ancião agonizante. Esse é o dilema que se coloca e coloca para nós, os espectadores – The Hard Problem –, a simpática e inteligente Hilary, personagem principal da última peça de Tom Stoppard, que acaba de estrear no National Theatre, de Londres.

Talvez Stoppard, provavelmente o mais original e ousado dramaturgo moderno, seja o único autor contemporâneo capaz de levar ao palco uma história com uma temática que combina a neurobiologia, a química, a psicologia e a teologia, além de manter os espectadores durante uma hora e 45 minutos imóveis em suas cadeiras, estupefatos e enfeitiçados, enquanto, sem compreender totalmente o que está acontecendo, seguem as peripécias intelectuais e morais que vive a indócil Hilary durante a preparação de sua tese de doutorado no Instituto Krohl. Ela está rodeada de cientistas descrentes que, como seu orientador Spike, zombam de sua fé e de suas orações antes de dormir e creem, grosso modo, que a chamada consciência humana não constitui uma dimensão espiritual independente do corpo, e sim que não é nada mais – e nada menos – do que um produto resultante dos cruzamentos, descruzamentos, conformações e até confusões dos cem bilhões, aproximadamente, de neurônios que formam o cérebro humano. Outros artigos do autor

A obra não pretende nos educar, propondo uma solução materialista ou idealista à indagação que tira o sono das noites de Hilary; ela simplesmente, depois de nos apresentar as razões e provas que os partidários das duas teses esgrimem, nos abandona na encruzilhada para decidirmos por nossa conta se optamos, como Hilary, por acreditar que o humano não se esgota no físico, e sim que consta também de uma dimensão não física – alma, espírito, consciência ou como se queira chamá-la –, ou, então, se optamos por alguma das sutis e complicadas fórmulas dos sábios ou sofistas que sustentam o oposto, ou seja, que somos apenas o que temos no corpo. O grande mérito da obra de Stoppard é mostrar que não existe uma resposta racional e objetiva para The Hard Problem: que, qualquer que seja a solução pela qual optemos, será sempre não uma fórmula lógica irrefutável, mas sim um ato de fé. Como se Deus existe ou não, se existe outra vida além desta, e se uma religião verdadeira prevalece entre as existentes ou são todas falsas. Nada disso poderá ser provado cientificamente, como pensam os arrogantes pesquisadores microbiológicos do Instituto Krohl, e, portanto, o debate não terminará nunca e continuará perturbando a espécie humana para sempre.

Em algumas das críticas que The Hard Problem recebeu, pergunta-se se não acaba sendo temerário colocar no palco uma problemática tão abstrata e distante dos conflitos cotidianos que costumam divertir, intrigar ou comover os espectadores. Claro que têm razão. A obra não é nada fácil, exige um grande esforço de concentração para não se extraviar entre os raciocínios, referências científicas ou delirantes sofismas que, disfarçados com uma pretensiosa retórica acadêmica, chovem sobre a valente Hilary. Mas o teatro de Stoppard não foi sempre assim, escorregadio e exigente? Desde que vi, nos anos sessenta londrinos, sua maravilhosa Rosencrantz and Guildenstern Are Dead, até a última, Rock’n’Roll, sempre admirei nele seu desprezo pela facilidade e pelas modas e a insolência com que sempre escreveu as histórias que eram importantes para ele, algumas tão delirantes como as dos filósofos acrobatas de Jumpersou do ancião arteriosclerótico de Travesties que, entre as remelas da sua memória, tenta lembrar se naquela Zurique onde foi empregado do consulado britânico alguma vez chegou a esbarrar nos três ilustres exilados que coincidiram com ele naquela cidade: Joyce, Lênin e Tristan Tzara.

Seu grande mérito é ter conseguido que esse seu teatro de assuntos complexos e difíceis – um teatro de ideias nestes tempos de frenética frivolidade! – tenha chegado a conquistar um vasto público, subornando-o graças a seu humor centro-europeu e ao mesmo tempo britânico (uma herança de seus ascendentes checos), no qual há ironia, sarcasmo, grandiloquência, delírio e, sempre, uma ternura compassiva para com todas as extravagâncias e excessos dos bípedes humanos. Em The Hard Problem o humor está muito menos presente que em outras peças, e talvez por isso ela vença com menos facilidade as resistências de um público acostumado a ir ao teatro só para espairecer e se divertir, não para embrulhar o cérebro com perguntas sobre se isto que estamos vivendo aqui é nossa única vida, e se somos um mero produto das casualidades astrais ou filhos de uma criação transcendental, do capricho ou da sabedoria ininteligível de uma divindade arbitrária, o que indicaria que existe outra vida, mais esquiva e permanente, e muito mais difícil de imaginar do que esta que vai escapando das nossas mãos a cada dia.

Por que saímos desta última obra de Stoppard incomodados e até angustiados? Os atores são magníficos, a montagem está impecável, e o que acontece no palco é inquietante. Talvez por este último. Não estamos acostumados a obras de teatro – ou romances – que nos imponham a responsabilidade de ter a última palavra, de decidir qual é a conclusão daquilo que acabamos de ler ou ver representado e, sobretudo, no caso de The Hard Problem, enfrentar o tremendo dilema de decidir se os valores, a generosidade, a bondade, o amor e a amizade que existem em nós, ou se a maldade, o egoísmo, a mesquinharia, o rancoroso e o perverso que também nos habitam, resultam de uma fatídica operação química neurológica de nosso cérebro, ou se por trás de tudo isso existe aquilo que os existencialistas chamavam de escolha, um agir deliberado, decidido por uma consciência não condicionada biologicamente, que é livre e, por isso, nos torna responsáveis por aquilo que fazemos ou deixamos de fazer.

A noite está fria em Londres depois do teatro, mas não chove, e é agradável caminhar às margens do Tâmisa, vendo as luzes e as pessoas animadas nas mesas das calçadas e a multidão de jovens que saem da cinemateca onde está acontecendo um festival de filmes escandinavos. Somos, quando agimos de uma maneira nobre e desinteressada, idênticos aos repelentes morcegos cujo instinto de sobrevivência da espécie incita a levar sangue na boca a seus congêneres inválidos? Ou existe, na Rose of Sharon inventada por John Steinbeck, que dá de mamar de seus peitos ao velho faminto, algo além de um processo químico biológico que faria dela uma autômata, um robô que imita a caridade? É algo impossível de averiguar, é algo que devemos decidir e atuar de forma consequente. Pois o que está em jogo, no fundo desse duro problema, não é se Deus existe ou não, mas se somos livres ou não. Se os cem milhões de neurônios que, pelo visto, vibram em nosso cérebro decidem nossos afetos e defeitos, nossas virtudes e vícios, não somos livres; aparentamos uma liberdade que não temos, pois nossa conduta está dirigida fatidicamente por aqueles microscópicos organismos que pululam por nosso corpo. Não nos convém que seja assim, mesmo que seja. A liberdade, embora às vezes pareça apenas uma mímica nossa, termina por se emancipar de toda forma de behaviorismo e, embora dito desta forma acabe sendo uma cacofonia, praticá-la nos torna livres. A longa história da humanidade não seria, por acaso, uma teimosa luta para escapar desses condicionamentos físicos, naturais, nos quais ficaram presos os animais e dos quais nós, seres humanos, fomos nos liberando depois de inumeráveis aventuras, quedas e reerguimentos? Como todas as boas obras de teatro, The Hard Problem, de Tom Stoppard, começa realmente só depois que o espetáculo termina.

Por que é dificil melhorar a educação?

Autor(es):  SIMON SCHWARTZMAN

34% dos brasileiros, segundo pesquisa do Ibope de 2010, consideravam a educação pública brasileira ótima ou boa, e 44%, regular; 21% achavam que era péssima.

Enquanto isso, os dados do Pisa, a pesquisa internacional da OCDE sobre a qualidade da educação, mostravam que, dos 47% dos jovens de 15 anos que conseguiam chegar ao fim da escola fundamental ou início da média, 67% não tinham os conhecimentos mínimos de matemática esperados para a série, 18,8% não tinham a capacidade mínima de leitura e 54% não dominavam os conceitos básicos de ciência.

Ficaram para trás ou desistiram de estudar 53%.

Aos 18 anos, em 2012, somente 27% dos jovens haviam conseguido chegar ao final do ensino médio ou haviam entrado no ensino superior, e metade já havia deixado de estudar.

Quem olha os dados vê a tragédia em curso, mas a maioria da população, talvez por ter conhecido dias piores, não enxerga o problema.

As crianças começam a desenvolver vocabulário e capacidade de lidar com números muito cedo e, se o ambiente familiar não favorecer, podem ficar prejudicadas por toda a vida.

TRAJETÓRIA

Uma boa pré-escola pode ajudar, se não for só um depósito de crianças para as mães que trabalham. Aos 6-7 anos, todas as crianças deveriam estar lendo fluentemente, se os professores usassem os métodos adequados de alfabetização. Mas os professores não sabem, ou são contra esses métodos, e muitos estudantes permanecem para sempre analfabetos funcionais.

Nos primeiros cinco anos da escola fundamental, os estudantes dependem de um único professor, que deveria enriquecer o vocabulário e a capacidade de leitura das crianças, familiarizá-las com os números e introduzir os conceitos iniciais das ciências naturais, história e geografia. Professores e professoras, como pessoas, são modelos de adultos que as crianças vão rejeitar ou emular.

Mas muitas vezes eles não dominam os conteúdos, não passaram por um bom curso para aprender as melhores práticas de ensino e não conseguem estabelecer com os alunos a relação emocional e de trabalho sem a qual a educação não ocorre.

A partir da 6ª série essa pessoa de referência desaparece, sendo substituída por diferentes professores de português, matemática, história, ciências, com suas qualidades e defeitos, nem sempre bem formados. Com 11 anos, resta ao aluno achar o seu caminho nesse emaranhado.

Se ele chegou bem até aí, e se a família puder ajudar, consegue ir adiante, estudando mais algumas matérias do que outras, quem sabe se interessando por algumas, e decorando o que precisa para passar de ano. Aos 16-17 começa a treinar para o Enem, cujos resultados são conhecidos de antemão: os alunos de boas escolas privadas ou das poucas públicas seletivas, que vêm de famílias mais educadas, conseguem boas notas e uma das 200 mil vagas em universidades públicas.

Aos demais –cerca de 8 milhões– cabe quem sabe a chance de voltar para o ensino médio, para um curso do Pronatec ou se matricular em uma faculdade particular paga e de qualidade desconhecida. A grande maioria, no entanto, não chega lá: não entende bem o que está fazendo na escola, não consegue acompanhar os cursos e, quando chega aos 14 ou 15 anos, desiste de estudar.

PAPEL DA ESCOLA

As escolas não podem, sozinhas, corrigir as desigualdades socioeconômicas, nem as grandes diferenças de interesse, motivação e talento que existem em todos os níveis sociais, mas ajudam muito se funcionarem como devem. Anos de pesquisa no Brasil e no mundo já permitem saber o que faz uma boa escola e um bom sistema de ensino. Não existe bala de prata, mas várias coisas que precisam ser feitas ao mesmo tempo.

A escola precisa ser uma comunidade comprometida com seus fins e, para isso, precisa de um diretor que entenda sua missão, seja capaz de liderar os professores, se relacionar bem com a comunidade e mostrar resultados.

Os professores precisam conhecer bem o que devem ensinar, dominar as técnicas e procedimentos pedagógicos adequados a cada nível de ensino, gostar e estar comprometidos com os resultados de seu trabalho.

Os alunos precisam encontrar na escola um ambiente estimulante, ter a possibilidade de um atendimento individualizado, na medida de suas necessidades, e o tempo de permanência das crianças na escola deve ser mais longo: ao menos seis horas diárias.

Se, nos anos iniciais, todos os estudantes precisam passar pelo mesmo tipo de educação, a partir do ensino médio é preciso entender que eles são diferentes e organizar o sistema educativo para lidar com essas diferenças.

CURRÍCULO ABSURDO

O currículo do ensino médio brasileiro, com 15 ou mais disciplinas obrigatórias, é claramente um absurdo, mas a solução não é fazer um currículo mais “enxuto” ou “interdisciplinar”, e, sim, abrir a possibilidade de escolhas e modernizar os conteúdos.

Algumas competências mais gerais, como as de escrita e leitura, o raciocínio matemático e o inglês, precisam ser reforçadas para todos, ainda que adaptadas aos diversos perfis de formação.

Para os que pretendem se candidatar à universidade, deve ser possível se aprofundar em temas nas áreas de interesse principal –química, eletrônica, computação, biologia, meio ambiente, estatística, direito, economia. Para a grande maioria, que não tem condições ou não quer cursos universitários tradicionais, deve haver cursos técnicos de qualidade, em áreas como serviços de saúde, processamento de dados, mecânica, eletrônica e outros, que garantam uma certificação reconhecida pelo mercado de trabalho e ao mesmo tempo um título de nível médio que permita continuar os estudos depois em cursos superiores ou tecnológicos avançados.

O ensino técnico e profissional só pode dar certo se contar com a participação ativa do setor empresarial, ajudando a formular os currículos, oferecendo equipamentos para as escolas, participando dos sistemas de certificação profissional e oferecendo oportunidades de aprendizagem prática supervisionada, que é muito diferente do uso de estagiários como mão de obra barata.

O Enem precisa ser substituído por certificações e avaliações específicas dos diferentes tipos de formação.

A questão é como passar da situação atual para a desejável. Para isso, é preciso recursos, mas, sobretudo, vencer as barreiras mentais e os interesses corporativos que impedem que as melhores soluções sejam buscadas, e, principalmente, que a população deixe de ser tolerante com a péssima qualidade da educação e comece a exigir resultados.

John Hughes – The Museum Tribute

Autor(es): John Hugues

https://www.youtube.com/user/fredigy

Especialistas elaboram documento para reforma na educação básica

Autor(es): Viviane Monteiro

Proposta deve servir de bússola para as Novas Diretrizes Curriculares Nacionais e fazer frente aos desafios do PNE
 

Quais os direitos de aprendizagem dos estudantes da educação básica? Essa é a pergunta que norteia o documento chamado de “Direitos à Aprendizagem e ao Desenvolvimento”, em fase final de elaboração por um grupo de trabalho criado pelo Ministério da Educação (MEC), há dois anos. A intenção é melhorar a qualidade do ensino básico do País, hoje alvo de críticas de especialistas e acadêmicos.

O assunto foi tema de debate na última terça-feira, 09 de setembro, durante o 5º Encontro Nacional de Ensino de Biologia (ENEBIO), da Associação Brasileira de Ensino de Biologia (SBENBIO). Realizado no Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), o evento reuniu especialistas e acadêmicos de diversas áreas do conhecimento.

Conforme membros do grupo de trabalho, a proposta “Direitos à Aprendizagem e ao Desenvolvimento” deve servir de bússola para aplicação das Novas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) nas escolas. Deve também fazer frente aos desafios do Plano Nacional de Educação (PNE). Tais iniciativas estabelecem a proposição e implementação de diretrizes pedagógicas e uma base nacional comum dos currículos, pautadas nos direitos à aprendizagem e ao desenvolvimento dos alunos.

O grupo de trabalho do MEC é formado por representantes dos sistemas estaduais das diferentes regiões do país, das universidades públicas, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e do próprio Ministério. Foi criado para discutir e elaborar um documento que explicite os direitos dos alunos do ensino médio e fundamental e proponha a base nacional curricular comum para Educação Básica.

Formação humana integral

Daniela Scarpa, professora do Instituto de Biociências da USP, membro do grupo de trabalho do MEC, disse que o documento “Direitos à Aprendizagem e ao Desenvolvimento” tem foco na formação humana integral permitindo ao aluno ampliar sua visão de mundo.

Dessa forma, o documento procura responder quais os direitos à aprendizagem desses indivíduos e também como as áreas do conhecimento, como ciências da natureza, humanas e de linguagens, além de matemática, podem contribuir com esses direitos.

“Por exemplo, o documento aponta o direito do aluno de entrar em contato com diversas linguagens científicas, artísticas e com todas as linguagens culturais que circulam na sociedade, nas diversas esferas e campos de conhecimento. E por isso pode contribuir para o aluno ampliar sua visão de mundo”, explica Daniela.

Por sua vez, Denise Freitas, professora do Departamento de Metodologia de Ensino da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), que participou do grupo de trabalho do MEC na primeira fase de elaboração do documento, disse que a proposta busca responder o que seria um direito à aprendizagem na educação básica. Ou seja, responde à demanda do Conselho Nacional da Educação (CNE) de pensar quais são os direitos que a escola deve assegurar aos alunos, como conhecimentos, experiências e vivências, buscando uma formação integral do estudante.

Consulta pública até o fim do ano

Daniela Scarpa adiantou que o documento encontra-se em fase preliminar e deve ir à consulta pública até o fim deste ano, promovendo um amplo debate nacional. A ideia é que as sociedades científicas, secretários estaduais, dentre outros, leiam os documentos e contribuam com sugestões. Depois desse processo, o documento será submetido ao Conselho Nacional da Educação (CNE), vinculado ao MEC.

Pelo fato de o documento ter como meta uma base nacional comum – a ser vivenciada pelas escolas considerando-se as suas especificidades locais e regionais – e servir como referência para nortear mudanças no currículo de formação de professores, Denise Freitas, da UFSCar, considera importante que toda a comunidade educacional responda ao convite para participar do debate nacional sobre as proposições do documento.

A proposta já começou a ser discutida no âmbito dos estados, municípios e secretarias do Ministério. Passou também por uma rodada de discussão na secretaria de Educação Básica do MEC.

Melhoria da educação básica

Em resposta se o documento Direitos à Aprendizagem e ao Desenvolvimento atende aos anseios da sociedade em prol de uma educação básica de qualidade, Daniela Scarpa afirmou: “Acho que dialoga com essa mudança, de tentar entender melhor esse contexto, de dar mais elementos para o professor trabalhar considerando as diversas realidades e, ao mesmo tempo, entendendo a educação e o aprendizado como um direito.”

Em outra frente, Denise Freitas, destaca a necessidade de uma mudança no atual modelo de ensino da educação básica que, segundo disse, precisa ser pautado no conhecimento científico e tecnológico, compreendido, porém, a partir de sua interação com a cultura e o trabalho.

“Conhecer apenas o produto final, os conceitos, as definições do conhecimento científico e tecnológico não têm servido como formador para o aluno que se pergunta por que precisa estudar, por exemplo, células e fotossíntese”, disse ela.

Conforme observa Denise, os alunos têm se interessado pelos temas contemporâneos e não pelo conteúdo central das disciplinas. Dessa forma, a pesquisadora defende a importância de entender também que o conhecimento científico é historicamente construído. “Por isso, a reformulação pressupõe uma virada, uma mudança ou uma transformação no atual modelo”, disse.

Qualificação dos professores

Daniela Scarpa destaca que inicialmente o grupo de trabalho discutiu a qualificação do professor e como seria a estrutura necessária para melhorar as condições de trabalho do professor. Por exemplo, a implementação de laboratórios científicos na estrutura da escola e mais dedicação a alunos de uma determinada escola.
“Enquanto o professor precisar dar aula em várias escolas e não se dedicar a uma única escola ficará difícil se dedicar aos alunos.”

Viviane Monteiro/ Jornal da Ciência/Foto: ASCOM/SEED

Inovações na educação ‘servem de estímulo a professor’, diz OCDE

Autor(es):  BBC

Inovações – de filosofia, estilo e até de recursos tecnológicos – nas escolas podem ter impacto positivo na valorização de professores e, em alguns casos, nas notas dos alunos em algumas disciplinas.

É o que sugere um estudo-piloto divulgado pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), o relatório Mensurando Inovação na Educação. Notícias relacionadas

A análise se debruçou sobre 28 sistemas educacionais (entre países, estados americanos e territórios canadenses, Brasil não incluído) no mundo. As conclusões podem ser lidas no link http://bbc.in/1yPdvTw.

Segundo os especialistas da OCDE, ainda que não haja uma relação facilmente comprovável entre inovação e melhorias na educação, “em geral, países com maiores níveis de inovação veem aumento em alguns resultados educacionais, incluindo melhor performance em matemática na oitava série (13 e 14 anos), resultados de aprendizado mais igualitários e professores mais satisfeitos”.

Entre as inovações analisadas estão materiais didáticos, recursos educacionais, estilo de ensino, aplicação de conhecimento na vida real, interpretação de dados e textos, disponibilidade de computadores e sistemas de e-learning nas aulas, novas formas de organizar atividades curriculares e uso de tecnologia na comunicação com pais e alunos, entre outros.

Porém, os investimentos em tecnologia e inovação não são unanimidade entre estudiosos de educação, já que nem sempre esses investimentos se traduzem em melhor desempenho ou em benefícios mensuráveis – e muitas vezes incorrem em aumento de gastos. Questão de confiança

O autor do relatório, Stephan Vicent-Lancrin, explica à BBC Brasil que de fato não é possível verificar com certeza a relação direta entre inovação e benefícios. Mas há “indícios” de que aquela tenham efeitos positivos na igualdade de oportunidades entre alunos, no desempenho em disciplinas como matemática e, sobretudo, no estímulo a professores.

“Não podemos afirmar com certeza que as notas melhoram graças a inovações na sala de aula. Mas vemos que inovações trazem confiança para (que agentes participantes da educação) promovam outras mudanças”, diz Vincent-Lancrin.

“A relação mais forte que observamos foi em relação à satisfação de professores. Mais inovações trouxeram mais motivação.”

Inovações medidas incluem materiais didáticos, estilo de ensino e disponibilidade de computadores

As práticas foram estudadas pela OCDE entre 2000 e 2011, no ensino primário e secundário, e o país estudado que mais adotou inovações no período foi a Dinamarca (com 37 pontos no índice calculado pelo órgão), seguido por Indonésia (36), Coreia do Sul (32) e Holanda (30).

Entre as mudanças observadas na Dinamarca estão, por exemplo, aumento no uso de testes-padrão elaborados por professores, e mais intercâmbio de conhecimento entre o corpo docente.

Segundo o relatório, “os sistemas educacionais que mais inovaram são também os mais igualitários em termos de desempenho dos estudantes”. Por exemplo, os da Indonésia e da Coreia do Sul.

Sendo assim, o estudo aponta que há uma “presunção” de que mais inovação desencadeie mais igualdade de oportunidades e aprendizado entre alunos, ainda que isso não possa ser efetivamente provado. Debate

Mas qse a adoção de novas práticas na ciência e na economia produtiva é apontada como um fator importante para a competividade global, na educação essa correlação não é tão simples. O próprio estudo aponta que existem também sistemas educacionais com baixa inovação e alto desempenho.

Ao mesmo tempo, argumentos pró-inovação na educação incluem maximizar o retorno do investimento público, buscar avanços no desempenho de alunos e reduzir a desigualdade de oportunidades entre estudantes, aponta a OCDE.

O relatório diz que, “ao contrário do que se costuma pensar, há um nível razoável de inovação no setor educacional, tanto em relação a outros setores da sociedade como em termos absolutos. Setenta por cento dos formandos empregados no setor educacional consideram seus estabelecimentos como altamente inovadores, índice similar ao da média (do restante) da economia (69%)”.

Segundo Stephan Vincent-Lancrin, o setor educacional apresentou índices de inovação mais elevados do que o restante do setor público, mas são necessários mais estudos para entender exatamente seus desdobramentos no ambiente escolar.

“Estamos tentando colocar o assunto no mapa para entender seu impacto”, diz.

‘Educação não pode cimentar privilégios’, diz reitor dos EUA

Autor(es): Michael S. Roth (entrevistado)

Eleonora de Lucena (entrevistadora)

A educação é essencial para criar mobilidade social e reduzir desigualdades. Mas, se isso não ocorre, sistemas de ensino podem ser usados pelas elites para cimentar privilégios sociais.

O alerta é de Michael S. Roth, reitor da universidade Wesleyan, localizada às margens do rio Connecticut, no nordeste dos EUA. Historiador, ele acaba de lançar nos EUA “Beyond the University, Why Liberal Education Matters” [além da universidade, porque uma educação liberal é importante], no qual defende o ensino multidisciplinar, preocupado com a formação integral de cidadãos, com menos ênfase no treinamento apenas para o emprego.

Afinal, trabalhos mudam com o tempo e as pessoas precisam sempre aprender a aprender. Em seu livro, ele conta pedaços da história da educação superior nos EUA, tratando das discussões filosóficas que deram norte e provocaram mudanças nas escolas.

Nessa entrevista, Roth, 57, concorda com o economista Thomas Piketty, que aponta o poder das elites no sistema educacional norte-americano minado a meritocracia. Para o reitor, apesar de as instituições de ensino de elite usarem critérios que tendem a favorecer os mais ricos, também mantêm programas de inclusão para os de baixa renda.

Folha – Seu livro discute a importância de uma educação abrangente para a formação de cidadãos. O sr. critica o ensino focado apenas no treinamento para o trabalho e alerta para os riscos dessa tendência. Relata que essa discussão já ocorreu no passado. Por que esse tema está de volta ao debate?

Michael Roth – Essa é uma conversa antiga nos EUA e sempre surge em diferentes países pelo mundo. A ansiedade na economia muitas vezes dá origem ao debate sobre as dimensões utilitárias da educação. Isso também está conectado com o aumento da desigualdade e com o medo de que as pessoas possam cair para segmentos inferiores na escala social.

Qual é o impacto da crise de 2008 no sistema educacional nos EUA?

A crise financeira que eclodiu em 2008 erodiu as doações de apoio em muitas instituições norte-americanas. Mas, ainda mais importante, reduziu a vontade política de apoiar o ensino superior com receitas de impostos. O alto desemprego criou mais ansiedade sobre a conexão entre resultados educacionais e perspectivas de emprego.

No seu livro, o sr. mostra que a atuação da academia foi vista muitas vezes como a serviço das elites. Como o sr. avalia essa questão hoje?

Nos EUA, a academia também tem sido vista como um veículo de mobilidade social. Desde Thomas Jefferson, pensadores norte-americanos têm defendido que a educação pode proteger os cidadãos contra a tirania política e levar ao avanço econômico. De outro lado, as elites podem usar o ensino superior para concentrar capital social.

Qual é a relação entre desigualdade e educação? A educação é ainda um fator importante na redução de desigualdades? A privatização do ensino é uma forma de aumentar a desigualdade social?

Acredito que a educação continua essencial para a criação de mobilidade social ou redução de desigualdade. Se falharmos em capturar os sistemas educacionais para criar mobilidade social, eles serão usados pelas elites para cimentar privilégios sociais.

Como o sr. avalia a questão da especialização, da fragmentação na educação. É também uma forma de aprofundar desigualdades?

A especialização tem desempenhado um importante papel nas universidades desde os meados do século 19. Isso muitas vezes aconteceu às custas de uma formação ampla, contextualizada. A fragmentação das instituições de ensino em unidades por disciplina pode torná-las menos eficazes na educação das pessoas de forma integral.

Qual deve ser o papel do Estado na educação. Os países devem ter um sistema de ensino robusto para enfrentar desigualdades?

Sim, penso que o Estado tem uma obrigação importante de apoio à educação. Uma política saudável é essencial para cultivar uma cidadania educada.

Há uma crescente desigualdade nos EUA e na Europa. No livro “Capital no Século 21”, Thomas Piketty afirma que o atual modelo educacional norte-americano reforça as elites e mina os fundamentos da meritocracia. Segundo ele, apenas membros de uma superelite podem estudar em universidades de primeiro nível, que têm critérios de admissão pouco transparentes e tendem a favorecer as famílias da elite. Esse diagnóstico é verdadeiro?

Embora as instituições de ensino de elite utilizem critérios de admissão que tendem a favorecer os ricos, é importante notar que essas escolas também têm programas robustos de ajuda financeira. Todos os anos, milhares de estudantes de baixa renda se inscrevem nessas escolas e não pagam mensalidades. Assim, embora seja verdade que as pessoas ricas têm grandes vantagens, as universidades continuam sendo um lugar onde os de baixa renda e as minorias podem ter acesso ao aprendizado que lhes vai ser útil após a graduação.

O sr. lembra em seu livro que Steve Jobs e Bill Gates, ícones da engenhosidade norte-americana, abandonaram a universidade. O que isso significa?

Muitas pessoas citam exemplos de empreendedores bem-sucedidos em tecnologia (Mark Zuckerberg, do Facebook, por exemplo) para apontar a importância da inovação em oposição à educação. Curiosamente, a maioria dos empreendedores de tecnologia não menospreza a importância de frequentar uma universidade.

Qual sua visão sobre o sistema de cotas na educação?

Embora eu considere errado um sistema rigoroso de cotas, penso que ações afirmativas são um instrumento importante para tornar universidades mais diversificadas e produtivas. Essas políticas também promovem justiça social.

Que lições professores e formuladores de políticas educacionais podem extrair de seu livro?

Que uma educação de forma abrangente e contextualizada pode ser a forma mais pragmática de aprendizado no mundo contemporâneo. Num país de rápida transformação como o Brasil, é vital que as pessoas possam aprender a aprender, para que elas possam contribuir para a cultura e a sociedade muito tempo depois da graduação.

No final de seu livro, o sr. escreve sobre sua experiência de falar para estudantes chineses. O que eles estão fazendo de bom no campo do ensino que pode ser aprendido pelo resto do mundo?

Ensinar a pessoa inteira. Eles cometem um erro quando incentivam a memorização e o ensino voltado apenas para o teste.

No início do seu livro, o sr. descreve a experiência de falar para milhares de estudantes ao redor do mundo em classes virtuais. Qual sua opinião sobre o ensino a distância?

Eu era muito cético sobre a educação a distância e os cursos online abertos para massas de pessoas. Mas eu tenho gostado muito de ensinar a milhares de estudantes ao redor do mundo por meio da parceria entre a Wesleyan e a Coursera. Dei uma aula de história/literatura/filosofia (moderna e pós-moderna) e outra sobre temas globais contemporâneos (como mudar o mundo). Alunos muito diferentes pelo globo parecem ter ganhado muito com essas aulas e eu gostei muito de interagir com eles nos fóruns de discussão.

Matem o mensageiro

Autor(es): Hélio Schwartsman

SÃO PAULO – Em carta aberta à organização do Pisa, o exame internacional que compara o desempenho acadêmico de 65 países, cerca de uma centena de educadores das mais reputadas universidades do mundo criticaram o que qualificam como efeitos perversos do teste.

O principal problema apontado é que, como a prova vem ganhando importância, governos e escolas dedicam cada vez mais esforços a preparar os alunos para sair-se bem no exame, deixando de lado outros objetivos da educação.

Até certo ponto, isso acontece. Basta lembrar que o Pisa avalia só linguagem, matemática e ciências, passando ao largo das humanidades e outros itens que as pessoas tendem a achar importantes como cidadania, religião, habilidades artísticas etc.

Tudo isso pode ser verdade, mas não me parece que o culpado aqui seja o Pisa. Seria melhor imputar a natureza humana por mais esse pecadilho da espécie. Políticos, autoridades educacionais e a imprensa só dão tanta importância ao exame internacional porque ele é reconhecido como um bom termômetro da eficácia dos sistemas. O ideal seria que as instituições avançassem no Pisa sem descuidar das outras áreas, mas o fato de não o fazerem não justifica que se mate ou aleije o mensageiro.

Um possível remédio para o problema, estaria na multiplicação das avaliações, com a criação de outras provas que abordariam diferentes aspectos da educação. Não penso, porém, que isso seja necessário, ao menos não no âmbito das comparações internacionais. Assim como o cozinheiro não precisa tomar todo o caldeirão da sopa para descobrir se ela está bem temperada, testar o aluno em linguagem e matemática é mais que suficiente para aferir seu desempenho acadêmico em geral.

E o Pisa, vale lembrar, deveria ser uma ferramenta para os sistemas descobrirem onde estão indo mal e tentar melhorar, não como peça de propaganda para governantes.

helio@uol.com.br

A ciência do humor

Autor(es): REINALDO JOSÉ LOPES

Livro traça as bases psicológicas das piadas e investiga as conexões da risada com mecanismos cerebrais de raciocínio e criatividade

Você está preparado para ler a piada mais engraçada do mundo, eleita após uma pesquisa com 1,5 milhão de internautas? Lá vai.

Dois caçadores de Nova Jersey (o paralelo americano dos portugueses em piadas brasileiras) estão no meio do mato quando um deles passa mal e cai duro no chão. Desesperado, o outro liga para o serviço de emergência. “Acho que meu amigo morreu, o que eu faço?”, diz o caçador. “Calma, calma”, responde o atendente. “Primeiro, certifique-se de que ele está mesmo morto.” Ouve-se um tiro de fuzil do outro lado da linha. “Tá bom, e agora?”.

Qualidades humorísticas à parte, a piada exemplifica alguns pontos aparentemente universais do humor humano: o hábito de adotar outros grupos de pessoas como alvo de chacota, a busca pelo inesperado e a tendência a transformar problemas de interpretação em motivo de riso.

Nada disso é à toa, argumenta o neurocientista Scott Weems, da Universidade de Maryland, em seu livro “Ha!”, um resumo das conclusões da “humorologia”, ou investigação científica do humor.

Para Weems, o riso e o senso de humor em geral são mecanismos que cérebros complexos, como o nosso, desenvolveram para resolver contradições e, de quebra, obter prazer. Uma espécie de ginástica mental natural, declarou ele à Folha.

“É por isso que o bom humor favorece a cognição: ele acaba sendo uma espécie de aquecimento’ para pensamentos mais profundos”, diz Weems. “Os mesmos processos mentais que nos ajudam a sacar’ uma piada também estão envolvidos em resolver problemas sociais e até filosóficos complicados.”

Não é à toa, portanto, que parece haver uma associação considerável entre a capacidade de produzir humor de qualidade e inteligência –pesquisas indicam que sujeitos engraçados também costumam ser inteligentes.

NATUREZA CÔMICA

“Isso me atraiu para o humor como área de estudo”, diz Weems. “Ele parece estar ligado a vários outros fenômenos mentais importantes, como criatividade, insight e solução de problemas”.

Essa associação está presente até nos níveis mais básicos do funcionamento do cérebro. Ao “sacar” uma piada, a pessoa ativa o sistema de recompensa do cérebro, o mesmo que entra em ação quando resolvemos um problema ou temos prazer com algo, como comida ou sexo.

As estruturas cerebrais ligadas ao humor também são pistas interessantes de como ele atua sobre a mente. São basicamente áreas ligadas ao gerenciamento das emoções e à compreensão de conflitos lógicos. Por isso, humoristas hábeis são em geral os que sabem tirar seu público da “zona de conforto” e fazê-lo pensar de um jeito diferente. Piadas “boazinhas” demais raramente são engraçadas.

Para o neurocientista, qualquer espécie inteligente, mesmo ETs, provavelmente teria alguma forma de humor.

“Como o gosto para piadas varia de lugar para lugar na Terra, não sei se sacaríamos’ as piadas alienígenas. Mas seria um bom jeito de entender a cultura deles, já que daria pistas sobre o que eles acham confuso ou desafiador”, diz.

SBF reprova proposta de unificar disciplinas de ciência no Ensino Médio

Autor(es):  SBF

Encontra-se em discussão nas esferas decisórias da câmara e do senado nacional o projeto de lei (PL) número 6.840/2013* o qual “Altera a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para instituir a jornada em tempo integral no ensino médio, dispor sobre a organização dos currículos do ensino médio em áreas de conhecimento e dá outras providências.”

A SBF avalia que o PL6840/2013 representa um retrocesso na formação básica dos estudantes do ensino médio.
O documento completo da SBF no link: http://www.sbfisica.org.br/v1/arquivos_diversos/noticias/abril2014/posic…

* Link para o PL 6.840/2013: http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=1200…

Relativity Isn’t Relative

Autor(es): MinutePhysics

https://www.youtube.com/watch?v=VS46DZe5usY

Equidade é excelência

Autor(es):  Marcelo Miterhof

A definição de um currículo nacional ajudará a combater a desigualdade educacional.

Em entrevista na semana passada à Folha, o novo presidente do Inep (órgão do MEC de planejamento e avaliação da educação), Chico Soares, defendeu que o currículo da educação básica no Brasil seja mais bem definido.

Seus argumentos são poderosos. Todo jovem brasileiro deve ter acesso a um robusto conhecimento mínimo comum, que o capacite para lidar com problemas e melhor aproveitar a vida pessoal e a profissional.

Se cada lugar puder definir o que será ensinado, é certo que surgiriam ótimas escolhas, porém em outros casos turmas inteiras seriam prejudicadas.

Soares ilustrou o esforço a ser feito. “Vou dizer para o professor: seus alunos do 5º ano são capazes de distinguir fato de opinião, mas num texto muito simples. Eles não são capazes num texto um pouco mais complexo. O que é um texto complexo? O professor teria exemplos.”

A tarefa de negociar esse currículo será difícil. Uma das coisas que mais me desanimaram ultimamente foi ter começado a cursar as disciplinas de licenciatura em filosofia na UFRJ. Tomara que a impressão inicial seja enganosa.

Afinal, é duro se deparar, por exemplo, com a crença de que há uma “hegemonia da matemática” na educação brasileira. As evidências se resumiram a constatar que há mais aulas semanais dessa matéria do que de filosofia, história ou música.

Além de ignorar que é em matemática a maior dificuldade de desempenho dos alunos brasileiros, como no Pisa (a avaliação internacional de estudantes), e que o país tem carência na formação de pessoas nas áreas quantitativas e científicas, não houve discussão sobre os critérios para definir a divisão da grade horária, as necessidades das disciplinas e as prioridades de conteúdo.

Quer dizer, é grande a resistência no meio acadêmico de pedagogia ao tipo de discussão que o estabelecimento de um currículo exige.

A impressão é que predomina uma tentativa de contraposição à escola tradicional, em especial a religiosa, enfatizando a necessidade da criatividade e da construção multilateral do conhecimento.

Esse objetivo deve ter espaço na prática educacional. Contudo, o desafio brasileiro atual é bem anterior a esse.

Nesse sentido, é ilustrativa pesquisa feita com 300 mil professores, disponível em http://www.qedu.org.br/brasil/pessoas/professor. Segundo eles, não há problemas generalizados de planejamento, relacionamento com a direção, diálogo entre docentes ou violência nas escolas. Um pouco mais sensíveis, a infraestrutura, o salário e a sobrecarga de trabalho são alvo do descontentamento de cerca de um terço das respostas.

Os maiores problemas são as faltas de interesse e disciplina do aluno, a incapacidade dos pais de acompanhar as tarefas de casa e o ambiente da comunidade em que vivem.

Como na velha piada, parece que “é a clientela que atrapalha a firma”. Porém, a pesquisa reflete o longo e descomunal esforço civilizatório que é construir um sistema de educação universal num país em desenvolvimento, populoso e de um duradouro passado escravista.

Um currículo nacional ajudará a combater a desigualdade educacional. Definir os conteúdos mínimos que se deve saber em cada nível é fundamental para identificar os alunos que estão ficando para trás e agir para mitigar o problema.

Na Finlândia, um dos líderes no Pisa, “o esforço é fazer com que todo o mundo alcance um determinado nível, o que faz nossos resultados médios serem muito bons”, explicou uma professora ao UOL (9/12/2013). Décadas atrás, o país decidiu que seu foco era a equidade, não a excelência. Conseguiu ambas.

O Brasil elevou substancialmente o gasto público na educação básica. Dados do Inep indicam que, em proporção ao PIB, passou de 3,2% em 2005 para 4,4% em 2011, atingindo o patamar dos países desenvolvidos.

O gasto anual por aluno ainda é baixo porque a renda per capita do país não é alta. Ainda assim, no mesmo período, que teve uma significativa inclusão no sistema educacional, passou de R$ 1.933 para R$ 4.267, a valores constantes de 2011.

Seguir aumentando esse valor é crucial para, por exemplo, pagar maiores salários e ter melhores professores. Mas, para que tal elevação continue sendo efetiva, a sociedade brasileira precisa que contrapartidas sejam pactuadas com a comunidade de educação. A definição de um currículo nacional é uma delas.

marcelo.miterhof@gmail.com

MARCELO MITERHOF, 39, é economista do BNDES. O artigo não reflete necessariamente a opinião do banco. Escreve às quintas-feiras nesta coluna.