{"id":2277,"date":"2022-10-01T14:29:44","date_gmt":"2022-10-01T17:29:44","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/poscom\/?p=2277"},"modified":"2022-10-01T14:31:16","modified_gmt":"2022-10-01T17:31:16","slug":"a-incerteza-no-centro-da-discussao-sobre-o-jornalismo-contemporaneo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/poscom\/2022\/10\/01\/a-incerteza-no-centro-da-discussao-sobre-o-jornalismo-contemporaneo","title":{"rendered":"A incerteza no centro da discuss\u00e3o sobre o jornalismo contempor\u00e2neo"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><strong><em>\u201cSe voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 acima da sua cabe\u00e7a, como voc\u00ea sabe o qu\u00e3o alto voc\u00ea \u00e9?\u201d <\/em><\/strong>(<strong><em>T.S. Eliot<\/em><\/strong>)<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<div style=\"height:54px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/poscom\/2022\/08\/19\/ejor-integra-novas-pesquisa-nacionais-e-internacionais\/\">J\u00e1 contamos por aqui<\/a> que estou participando de duas novas pesquisas a partir deste ano \u2013 o Worlds of Journalism Study, que visa estudar os n\u00edveis de risco e incerteza que os jornalistas enfrentam no seu trabalho, e o Democracia em Perigo, que destaca os riscos da desinforma\u00e7\u00e3o para os processos e institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas no Pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Perigo, risco e incerteza s\u00e3o eixos orientadores das duas pesquisas. E isso n\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa: a ideia de crise tem configurado debates sobre o contempor\u00e2neo e sobre o jornalismo h\u00e1 algum tempo. As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, objeto de interesse das pesquisas da profa M\u00e1rcia Amaral, tamb\u00e9m s\u00e3o exemplo importante de como essas no\u00e7\u00f5es mobilizam o jornalismo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De formas distintas, estas ideias est\u00e3o pipocando nos trabalhos que eu e a M\u00e1rcia temos orientado no Poscom UFSM. O trabalho da M\u00e1rcia j\u00e1 est\u00e1 ativo h\u00e1 mais tempo e tem pensado o modo como o jornalismo narra situa\u00e7\u00f5es limite, como acontecimentos traum\u00e1ticos, em particular desastres ambientais. <a href=\"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/poscom\/2022\/09\/19\/noticias-sobre-mudancas-climaticas-na-espanha-sao-tema-de-estudo-de-pesquisadora-do-ejor\/\">Este artigo dela<\/a>, em parceria com colegas do Observatorio de la Comunicaci\u00f3n del Cambio Clim\u00e1tico da Espanha, aponta para a dificuldade dos jornalistas em tratar do tema das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas a partir de sua complexidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cPode-se concluir que as refer\u00eancias a cat\u00e1strofes e\/ou desastres nas not\u00edcias cujo tema principal s\u00e3o as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas s\u00e3o <strong>vazias de conte\u00fado<\/strong>. As palavras \u201ccat\u00e1strofe\u201d ou \u201cdesastre\u201d relacionadas \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, em vez de alertar emissores e receptores, os colocam em uma zona de conforto sem\u00e2ntico em que <strong>a capacidade de explicar e entender \u00e9 inibida<\/strong> como se estiv\u00e9ssemos diante de uma palavra estereotipada. Por que explicar ou entender mais se isso j\u00e1 disse tudo?\u201d (Ascencio et al, 2022, p. 545).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta \u201cina\u00e7\u00e3o\u201d, como os autores definem, do jornalismo frente a situa\u00e7\u00f5es de perigo e acontecimentos sociais complexos (como s\u00e3o os desastres) nos d\u00e3o pistas sobre <strong>modos de existir coletivamente no contempor\u00e2neo<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Claudine Friedrich, mestranda no Ejor, est\u00e1 pensando seu projeto a partir da cobertura sobre Covid-19 nos \u00faltimos anos. Uma das problem\u00e1ticas da pesquisa dela tem apontado para a dificuldade de o jornalismo ser plural em um contexto de negacionismo cient\u00edfico. <a href=\"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/poscom\/2022\/09\/19\/a-crise-das-comunidades-epistemicas-e-os-desafios-do-jornalismo-frente-a-desinformacao\/\">Neste texto<\/a> ela escolheu pensar sobre isso a partir do trabalho da Thaiane Oliveira (UFF), que define nosso como <strong>um tempo de crise das comunidades epist\u00eamicas<\/strong>. De modo distinto, a Bruna Feil, tamb\u00e9m mestranda, <a href=\"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/poscom\/2022\/09\/16\/repercussoes-dos-processos-de-aceleracao-do-tempo-social-no-campo-jornalistico\/\">est\u00e1 pensando<\/a> nas repercuss\u00f5es dos processos de acelera\u00e7\u00e3o do Tempo Social no jornalismo. Ela est\u00e1 estudando o trabalho do soci\u00f3logo alem\u00e3o Hartmut Rosa, que defende a ideia de que a acelera\u00e7\u00e3o \u00e9 reflexo de um modelo de sociedade que se organiza a partir de um jogo de press\u00f5es entre crescimento constante e inova\u00e7\u00e3o constante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Onde quero chegar? Estamos estudando coisas t\u00e3o distintas, mas olhando para um mesmo fen\u00f4meno geral: <strong>vivemos em um tempo de incertezas<\/strong>. Em um texto de 2015 a pesquisadora Barbie Zelizer (2015, p. 889) diz: \u201cDada a insist\u00eancia da modernidade na ordena\u00e7\u00e3o racional e l\u00f3gica do conhecimento, a incerteza levanta problemas particulares para seus res\u00edduos e, em muitos casos, sua intrus\u00e3o no mundo social e f\u00edsico obscurece o arranjo ordenado esperado de bens simb\u00f3licos e materiais\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para ela, quando usamos a ideia de \u201ccrise\u201d estamos navegando a partir da confus\u00e3o que a incerteza gera sobre esses modelos de representa\u00e7\u00e3o social j\u00e1 conhecidos. Mas a nossa tend\u00eancia \u00e9 colocar tudo no mesmo \u201cbalaio\u201d, naturalizando diferen\u00e7as entre fen\u00f4menos, nublando nossa capacidade de compreens\u00e3o sobre suas circunst\u00e2ncias e evitando lidar com muito do que a hist\u00f3ria nos ensinou sobre sua padroniza\u00e7\u00e3o. Nas palavras de Zelizer:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201c\u2026 a no\u00e7\u00e3o de crise que prevaleceu entre muitos observadores repousa em temporalidades e geografias particulares no cerne de seu imagin\u00e1rio. Invocar a \u201ccrise\u201d como uma forma de explicar a situa\u00e7\u00e3o do jornalismo perde uma oportunidade de reconhecer qu\u00e3o contingentes e diferenciados podem ser os futuros do jornalismo. <strong>Tamb\u00e9m levanta quest\u00f5es cr\u00edticas sobre como as institui\u00e7\u00f5es lidam com a incerteza em sua ess\u00eancia<\/strong>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A proposta geral de Barbie \u00e9 sugerir a necessidade de abandonar o conceito de \u201ccrise\u201d e aprofundar no p\u00e2ntano mais denso da incerteza, buscando compreender a multiplicidade daquilo que se materializa em nosso objeto particular de interesse: sua hist\u00f3ria, seus padr\u00f5es institucionais e sociais, seus corporativismos. Isso nos permitir\u00e1 observar o objeto cient\u00edfico a partir de suas multiplicidades, seus tamanhos e desenhos pr\u00f3prios. N\u00e3o parece um convite interessante?<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Lozano-Ascencio, C., Franz-Amaral, M., &amp; Puertas-Crist\u00f3bal, E. (2022). Las cat\u00e1strofes y los desastres en las noticias sobre el cambio clim\u00e1tico en Espa\u00f1a de 2019 a 2021. <em>Estudios sobre el Mensaje Period\u00edstico<\/em> 28 (3), 537-548. DOI: <a href=\"https:\/\/dx.doi.org\/10.5209\/esmp.80591\">10.5209\/esmp.80591<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Zelizer, B. (2015). Terms of Choice: Uncertainty, Journalism, and Crisis. <em>Journal of Communication<\/em> (65), 888-908. DOI: <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1111\/jcom.12157\">10.1111\/jcom.12157<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Laura Storch<\/p>\n","protected":false},"author":635,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[71,162],"class_list":["post-2277","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria","tag-ejor","tag-pesquisasejor"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/poscom\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2277","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/poscom\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/poscom\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/poscom\/wp-json\/wp\/v2\/users\/635"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/poscom\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2277"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/poscom\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2277\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/poscom\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2277"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/poscom\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2277"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/poscom\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2277"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}