{"id":2311,"date":"2022-10-27T12:00:00","date_gmt":"2022-10-27T15:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/poscom\/?p=2311"},"modified":"2022-10-14T10:25:36","modified_gmt":"2022-10-14T13:25:36","slug":"entrevista-com-michelle-prazeres-a-ideia-de-uma-comunicacao-slow-nao-e-confrontar-a-comunicacao-fast-e-fazer-a-gente-pensar-quando-a-velocidade-faz-sentido-e-quando-ela-nao-faz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/poscom\/2022\/10\/27\/entrevista-com-michelle-prazeres-a-ideia-de-uma-comunicacao-slow-nao-e-confrontar-a-comunicacao-fast-e-fazer-a-gente-pensar-quando-a-velocidade-faz-sentido-e-quando-ela-nao-faz","title":{"rendered":"Entrevista com Michelle Prazeres: \u201cA ideia de uma comunica\u00e7\u00e3o slow n\u00e3o \u00e9 confrontar a comunica\u00e7\u00e3o fast, \u00e9 fazer a gente pensar quando a velocidade faz sentido e quando ela n\u00e3o faz\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como voc\u00eas perceberam atrav\u00e9s dos textos que tenho publicado por aqui, a discuss\u00e3o sobre acelera\u00e7\u00e3o do Tempo Social e seus reflexos no campo do Jornalismo me interessa de forma particular e a tem\u00e1tica integra o desenvolvimento do projeto da minha disserta\u00e7\u00e3o. <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/poscom\/2022\/10\/05\/slow-journalism-como-manifestacao-da-aceleracao-nas-dinamicas-do-jornalismo\/\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/poscom\/2022\/10\/05\/slow-journalism-como-manifestacao-da-aceleracao-nas-dinamicas-do-jornalismo\/\" target=\"_blank\">Em meu \u00faltimo texto<\/a>, fiz uma discuss\u00e3o sobre o movimento denominado <em>slow journalism<\/em> e apresentei a professora <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/1649405843235976\" data-type=\"URL\" data-id=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/1649405843235976\" target=\"_blank\">Michelle Prazeres<\/a> como sendo uma das principais refer\u00eancias no assunto aqui no Brasil. Pois bem, nesta semana, trago para voc\u00eas uma entrevista que fiz com ela. Michelle \u00e9 jornalista de forma\u00e7\u00e3o, professora e pesquisadora da Faculdade C\u00e1sper L\u00edbero (FCL- SP). Ela desenvolve pesquisas que relacionam comunica\u00e7\u00e3o, tecnologias e acelera\u00e7\u00e3o\u00a0 social do tempo e, al\u00e9m disso, \u00e9 ativista do movimento <em>slow <\/em>e idealizadora do <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.desacelerasp.com.br\/\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/www.desacelerasp.com.br\/\" target=\"_blank\">Desacelera SP<\/a>.  Na entrevista, Michelle explica porque defende o uso da express\u00e3o \u201c<em>slow <\/em>no Jornalismo\u201d em detrimento de \u201c<em>slow journalism<\/em>\u201d e o que caracteriza esse movimento de contracultura que serve tamb\u00e9m, nas palavras dela, como um \u201cresgate aos valores essenciais do Jornalismo\u201d. Michelle tamb\u00e9m relaciona as din\u00e2micas de acelera\u00e7\u00e3o a fen\u00f4menos como a desinforma\u00e7\u00e3o e a precariza\u00e7\u00e3o do trabalho. Confere a\u00ed!<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/513\/2022\/10\/WhatsApp-Image-2022-10-13-at-09.46.48-1-683x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2313\" width=\"512\" height=\"768\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/513\/2022\/10\/WhatsApp-Image-2022-10-13-at-09.46.48-1-683x1024.jpeg 683w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/513\/2022\/10\/WhatsApp-Image-2022-10-13-at-09.46.48-1-200x300.jpeg 200w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/513\/2022\/10\/WhatsApp-Image-2022-10-13-at-09.46.48-1-768x1152.jpeg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/513\/2022\/10\/WhatsApp-Image-2022-10-13-at-09.46.48-1-1024x1536.jpeg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/513\/2022\/10\/WhatsApp-Image-2022-10-13-at-09.46.48-1.jpeg 1080w\" sizes=\"(max-width: 512px) 100vw, 512px\" \/><figcaption> <strong>Michelle Prazeres<\/strong> | <em>Foto: Paulo Pereira, Desacelera SP<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>EJor: <\/em><\/strong><em>O movimento slow parte da ideia mais geral de que a vida contempor\u00e2nea se acelerou. Como podemos compreender essa ideia de acelera\u00e7\u00e3o na vida di\u00e1ria?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>Michelle Prazeres: <\/em><\/strong>O movimento <em>slow<\/em> \u00e9 um movimento ativista de pessoas, organiza\u00e7\u00f5es, projetos que acreditam que a gente chegou em um <em>limite de acelera\u00e7\u00e3o<\/em> e que precisamos ir mais devagar, desacelerar, recobrar os sentidos, humanizar. Ent\u00e3o, ele \u00e9 um movimento contracultural que nasce para combater o que a gente chama de<em> cultura da velocidade. <\/em> O Hartmut Rosa vai defender a ideia de que existe a acelera\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, a acelera\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as sociais e a acelera\u00e7\u00e3o do ritmo da vida. Ent\u00e3o, para ele, o movimento de acelera\u00e7\u00e3o \u00e9 um movimento de compress\u00e3o do tempo, ou seja, Rosa define a acelera\u00e7\u00e3o como um processo que nos leva a fazer mais coisas no mesmo espa\u00e7o de tempo, em menos espa\u00e7o de tempo ou ainda fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo &#8211; o que a gente costuma chamar de <em>multitasking<\/em> ou multitarefas. Junto com esse processo de acelera\u00e7\u00e3o caminha o desenvolvimento tecnol\u00f3gico e caminha tamb\u00e9m uma concep\u00e7\u00e3o de mundo, de progresso, de avan\u00e7o, de desenvolvimento que vai produzindo a sensa\u00e7\u00e3o de que a gente s\u00f3 progride se seguir esses caminhos. Nesse sentido, o movimento de desacelera\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m questiona por que a gente tende a achar que s\u00f3 esses caminhos s\u00e3o leg\u00edtimos.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>EJor:<\/em><\/strong><em>&nbsp; Na sua vis\u00e3o, quais os efeitos da acelera\u00e7\u00e3o na Comunica\u00e7\u00e3o? Qual o papel da \u201cvelocidade\u201d na qualidade da Comunica\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>Michelle Prazeres: <\/em><\/strong>A minha imers\u00e3o no movimento <em>slow<\/em> conduziu, de alguma forma, as minhas pesquisas. Ent\u00e3o,\u00a0 eu acho que tem v\u00e1rias formas de a gente olhar para a acelera\u00e7\u00e3o na interface com o campo da Comunica\u00e7\u00e3o. Uma dessas formas eu trabalhei no meu p\u00f3s-doutorado, analisando o Jornalismo e a sua rela\u00e7\u00e3o com o movimento <em>slow<\/em>. Outra forma tem a ver com\u00a0 a acelera\u00e7\u00e3o no campo das m\u00eddias como um todo, uma parte, digamos assim, mais \u2018funcional\u2019 da Comunica\u00e7\u00e3o e uma terceira forma est\u00e1 associada \u00e0 acelera\u00e7\u00e3o dos ambientes de conviv\u00eancia. Essa \u00faltima diz respeito \u00e0\u00a0 acelera\u00e7\u00e3o de uma comunica\u00e7\u00e3o, como diria Muniz Sodr\u00e9, entendida como \u2018pr\u00e1tica organizadora da vida comum\u2019. Essa comunica\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m est\u00e1 acelerada, entre outras coisas, pela presen\u00e7a das tecnologias nesses ambientes. Quanto ao papel da velocidade na qualidade da Comunica\u00e7\u00e3o, eu diria, por exemplo, que no Jornalismo, historicamente, a velocidade \u00e9 vista como uma aliada, como \u00e9 o caso do \u2018furo\u2019. Voc\u00ea dar a informa\u00e7\u00e3o primeiro, antes do concorrente, sempre foi visto como um valor para o jornalista e para o Jornalismo. Mas, a gente chegou em um momento tal de acelera\u00e7\u00e3o que toda essa quest\u00e3o das brevidades, das not\u00edcias curtas, de ler s\u00f3 o t\u00edtulo, que a velocidade acabou conduzindo a gente para um lugar onde o Jornalismo e a desinforma\u00e7\u00e3o se misturam em um cen\u00e1rio de desordem informacional. A velocidade tem um papel hist\u00f3rico na constitui\u00e7\u00e3o de uma comunica\u00e7\u00e3o que acontece em \u2018tempo real\u2019, mas chegou em um momento da contemporaneidade em que ela pr\u00f3pria <em>[a velocidade]<\/em> tensiona essa qualidade, especialmente quando estamos falando de Jornalismo e de comunica\u00e7\u00e3o como conviv\u00eancia porque a velocidade compromete a comunica\u00e7\u00e3o construtora do comum na medida em que ela nos desumaniza, nos rouba nossos sentidos. Perde-se a qualidade de constru\u00e7\u00e3o de v\u00ednculos, de pontes, de ambienta\u00e7\u00e3o para essa conviv\u00eancia. Ent\u00e3o, nesse caso, a acelera\u00e7\u00e3o \u00e9 inversamente proporcional a qualidade da comunica\u00e7\u00e3o. Mas, tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 certo falar que uma comunica\u00e7\u00e3o veloz n\u00e3o pode ser de qualidade. Acho que tem que ter esses cuidados porque uma das coisas que eu gosto de dizer sobre o tema da minha pesquisa \u00e9 que a ideia de uma comunica\u00e7\u00e3o <em>slow<\/em> n\u00e3o \u00e9 confrontar a comunica\u00e7\u00e3o <em>fast<\/em>, \u00e9 fazer a gente pensar quando a velocidade faz sentido e quando ela n\u00e3o faz. Da mesma forma que n\u00e3o \u00e9 certo falar que a velocidade apenas compromete a qualidade, tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 certo a gente falar que o lento garante a qualidade. Acho que quando a gente traz o movimento <em>slow<\/em> para a jogada, a gente est\u00e1 acionando uma palavra chave que \u00e9 consci\u00eancia.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>EJor:<\/em><\/strong><em>\u00a0 A rela\u00e7\u00e3o entre Jornalismo e tempo \u00e9 indissoci\u00e1vel e o imperativo da velocidade sempre ocupou um lugar central nos processos de produ\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica. O que faz do momento atual t\u00e3o particular? Quais s\u00e3o os processos que caracterizam \/ diferenciam o per\u00edodo que estamos vivendo a ponto de existir um movimento cr\u00edtico como o slow journalism? <\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>Michelle Prazeres: <\/em><\/strong>Eu costumo dizer que a velocidade \u00e9 o esp\u00edrito do nosso tempo e na minha pesquisa de P\u00f3s-Doutorado eu lembro de ter chegado nesse lugar inc\u00f4modo de pensar que o <em>slow<\/em> journalism n\u00e3o \u00e9 um tipo de jornalismo, n\u00e3o \u00e9 uma linguagem, n\u00e3o \u00e9 um g\u00eanero jornal\u00edstico. Mas, o termo <em>slow<\/em> sempre vai funcionar de forma relacional,\u00a0 ent\u00e3o a pergunta seria: \u00e9<em> slow <\/em>em rela\u00e7\u00e3o ao que? Se o que estamos vivendo \u00e9 <em>fast<\/em>, o <em>slow <\/em>funciona como uma esp\u00e9cie de \u2018dique de conten\u00e7\u00e3o\u2019 a essa velocidade que est\u00e1 fazendo a gente produzir, circular e consumir informa\u00e7\u00e3o de forma desenfreada baseado na ideia de que a gente precisa cada vez mais, mais r\u00e1pido e em maior quantidade. E isso tem a ver com uma agenda da contemporaneidade, do capitalismo neoliberal que faz a gente achar que avan\u00e7o progresso e desenvolvimento se resumem a isso.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>EJor: <\/em><\/strong><em>&nbsp;Na pr\u00e1tica, como as din\u00e2micas de acelera\u00e7\u00e3o no campo jornal\u00edstico podem ser percebidas? \u00c9 poss\u00edvel associar os processos acelerat\u00f3rios a fen\u00f4menos como a desinforma\u00e7\u00e3o e a precariza\u00e7\u00e3o do trabalho, por exemplo?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>Michelle Prazeres: <\/em><\/strong>A acelera\u00e7\u00e3o no campo do Jornalismo pode ser percebida no universo da produ\u00e7\u00e3o, como precariza\u00e7\u00e3o do trabalho e na acelera\u00e7\u00e3o das jornadas. Jornalistas que fazem 4 ou 5 mat\u00e9rias ao mesmo tempo e depois tem que acompanhar no online, editar se for preciso, gerar m\u00e9tricas e toda quest\u00e3o do engajamento, tudo isso acaba reverberando nos modos de trabalho. Na dimens\u00e3o da distribui\u00e7\u00e3o, a gente presume que as pessoas querem receber coisas pelas redes sociais, ler s\u00f3 os t\u00edtulos e a gente se submete a essa l\u00f3gica. N\u00f3s temos poucas pesquisas que mostram como acontece de fato essa recep\u00e7\u00e3o e a\u00ed a\u00a0 gente presume que ela \u00e9 acelerada porque as pessoas tamb\u00e9m vivem em contextos acelerados\u00a0 nas suas vidas individuais. Do ponto de vista do contexto, o Jornalismo se mistura com a desinforma\u00e7\u00e3o e disputa na economia da aten\u00e7\u00e3o espa\u00e7o e tempo dos p\u00fablicos. E do ponto de vista da pesquisa, a gente tamb\u00e9m consegue perceber acelera\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00f3 da pesquisa em Jornalismo, mas da pesquisa como um todo. O campo da pesquisa acaba se submetendo \u00e0s regras da produtividade e do produtivismo.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>EJor: <\/em><\/strong><em>&nbsp;Em seus trabalhos voc\u00ea defende que desacelerar seria uma uma forma de revigorar o&nbsp; cotidiano, mas tamb\u00e9m de repolitiz\u00e1-lo. De que forma a acelera\u00e7\u00e3o do cotidiano pode ser compreendida como um fen\u00f4meno pol\u00edtico e que consequ\u00eancias gera para o jornalismo?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>Michelle Prazeres: <\/em><\/strong>Gosto muito da ideia de que a gente precisa entender a humaniza\u00e7\u00e3o do tempo como uma luta por justi\u00e7a social. A acelera\u00e7\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno pol\u00edtico que est\u00e1 conectado a uma agenda capitalista e neoliberal que faz a gente acreditar no empreendedorismo,&nbsp; nessa sociedade do sujeito do desempenho, na efici\u00eancia, na conectividade, tudo isso como coisas necessariamente positivas. Existe toda uma agenda pol\u00edtica em que a velocidade est\u00e1 articulada que legitima um <em>modus operandi<\/em>, um modo de vida que \u00e9 hegem\u00f4nico na nossa sociedade. O Jornalismo n\u00e3o escapa disso e a gente pode dizer que essa agenda de valores tamb\u00e9m est\u00e1 presente e promove a legitima\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas, processos e produtos jornal\u00edsticos conectados ao <em>fast. <\/em>Ent\u00e3o, o Jornalismo termina concorrendo, do ponto de vista da est\u00e9tica, da linguagem, da ocupa\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o, com um universo inteiro de acesso, de desinforma\u00e7\u00e3o, de infoxica\u00e7\u00e3o. O<em> slow no jornalismo<\/em> corresponderia a uma s\u00e9rie de estrat\u00e9gias, mecanismos, m\u00e9todos e at\u00e9 linguagens para recobrar a humanidade do Jornalismo e a sua fun\u00e7\u00e3o social. Por isso, eu defendo o uso da express\u00e3o <em>slow no jornalismo<\/em> em detrimento de <em>slow journalism<\/em> porque esse \u00faltimo pode denotar que \u00e9 um g\u00eanero diferente ou algo que ainda n\u00e3o existe. Na verdade, quando na minha pesquisa eu tipifique as caracter\u00edsticas do <em>slow journalism <\/em>como relativas a um jornalismo de qualidade, bem apurado, aprofundado, voc\u00ea percebe que remete quase que a um resgate dos valores essenciais do Jornalismo. Ent\u00e3o n\u00e3o tem nada de novo, mas o fato da acelera\u00e7\u00e3o ser um tra\u00e7o caracter\u00edstico da nossa \u00e9poca, faz com que a gente precise falar de <em>slow journalism<\/em> ou <em>slow no jornalismo<\/em> para mostrar que existem for\u00e7as, disputas nesse campo e que o <em>slow<\/em> \u00e9 um campo de constru\u00e7\u00e3o, de contracultura e de resist\u00eancias.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Bruna Eduarda Meinen Feil<\/p>\n","protected":false},"author":3581,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[71,162],"class_list":["post-2311","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria","tag-ejor","tag-pesquisasejor"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/poscom\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2311","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/poscom\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/poscom\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/poscom\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3581"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/poscom\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2311"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/poscom\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2311\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/poscom\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2311"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/poscom\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2311"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/poscom\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2311"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}