{"id":2594,"date":"2023-05-08T10:58:45","date_gmt":"2023-05-08T13:58:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/poscom\/?p=2594"},"modified":"2023-05-05T11:01:13","modified_gmt":"2023-05-05T14:01:13","slug":"a-relevancia-da-teoria-do-gatekeeping-para-o-campo-de-estudos-em-jornalismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/poscom\/2023\/05\/08\/a-relevancia-da-teoria-do-gatekeeping-para-o-campo-de-estudos-em-jornalismo","title":{"rendered":"A relev\u00e2ncia da Teoria do Gatekeeping para o campo de estudos em Jornalismo\u00a0"},"content":{"rendered":"\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"has-text-align-right\"><em>Todo jornal quando alcan\u00e7a o leitor \u00e9 o resultado de uma s\u00e9rie completa de sele\u00e7\u00f5es<br>sobre que itens e em que posi\u00e7\u00e3o devem ser publicados, quanto espa\u00e7o cada est\u00f3ria<br>deve ocupar, que \u00eanfase deve ter. N\u00e3o h\u00e1 padr\u00f5es objetivos aqui. (LIPPMANN, 2008, p. 301).<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>No ano de 1950, a publica\u00e7\u00e3o do texto&nbsp; \u201c<em>The \u2018Gate Keeper\u2019: A Case Study In The Selection of News<\/em>\u201d escrito por David Manning White inaugurou uma discuss\u00e3o que tornou-se central para o campo de estudos em Jornalismo: o processo de sele\u00e7\u00e3o das not\u00edcias. White foi o primeiro pesquisador a aplicar a&nbsp; <em>Teoria do Gatekeeping, <\/em>que tem sua origem no campo da Psicologia, ao contexto comunicacional. O artigo publicado em uma revista norte-americana tornou-se um cl\u00e1ssico e deu in\u00edcio a uma ampla corrente de estudos&nbsp; que caracteriza-se pelo interesse na compreens\u00e3o das rotinas e processos de produ\u00e7\u00e3o da not\u00edcia &#8211; o <em>newsmaking.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O estudo realizado com o editor de um jornal matinal nos Estados Unidos &#8211;&nbsp; que recebeu o pseud\u00f4nimo de \u201c<em>Mr. Gates<\/em>\u201d &#8211; delineou um modelo<em> <\/em>que busca demonstrar a forma como ocorre a sele\u00e7\u00e3o dos itens noticiosos. Embora seja considerado limitado por diversas raz\u00f5es,&nbsp; especialmente por n\u00e3o prever a possibilidade de m\u00faltiplos gatekeepers atuando ao longo do processo da sele\u00e7\u00e3o, o trabalho de White \u00e9 um marco importante para os estudos em Jornalismo. Shoemaker e Vos (2011, p.230) endossam que \u201ca met\u00e1fora do <em>gatekeeper<\/em> ofereceu aos primeiros pesquisadores em comunica\u00e7\u00e3o um modelo para avaliar a maneira como ocorre a sele\u00e7\u00e3o e a raz\u00e3o pela qual alguns itens s\u00e3o escolhidos e outros rejeitados\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde a publica\u00e7\u00e3o do trabalho de White, passaram-se mais de 70 anos. Ele escreveu em um contexto s\u00f3cio-hist\u00f3rico completamente diferente do que temos hoje e, ent\u00e3o, a pergunta \u00e9: o que faz uma teoria se manter relevante mesmo tanto tempo depois? Para Karl Popper, importante fil\u00f3sofo da ci\u00eancia, uma teoria deve ser sempre colocada \u00e0 prova, em situa\u00e7\u00f5es cruciais, para ver se essa resiste. Enquanto resistir, a teoria se mant\u00e9m v\u00e1lida at\u00e9 o momento em que um acontecimento decisivo, que n\u00e3o possa ser contornado, a refute. No caso da Teoria do Gatekeeping, nos parece que \u00e9 justamente isso que acontece: ela \u00e9 capaz de se remodelar para dar conta de novos contextos sociais, comunicacionais e tecnol\u00f3gicos e, por isso, continua funcionando para explicar as rotinas de sele\u00e7\u00e3o da not\u00edcia &#8211; o que prova sua consist\u00eancia enquanto teoria.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 evidente que nesse per\u00edodo de tempo a abordagem foi revisitada\u00a0 e atualizada. \u00a0\u00c0 medida que os processos jornal\u00edsticos foram se complexificando, a <em>Teoria do Gatekeeping<\/em> tamb\u00e9m foi incorporando novos conceitos e refinando suas abordagens para aprimorar a compreens\u00e3o do processo de sele\u00e7\u00e3o de not\u00edcias. Se em um primeiro momento acreditava-se que o processo de sele\u00e7\u00e3o de not\u00edcias ocorria apenas em um n\u00edvel individual e altamente subjetivo, aos poucos, os pesquisadores foram percebendo a exist\u00eancia de outros \u2018port\u00f5es\u2019 que exercem influ\u00eancia sobre o produto final &#8211;\u00a0 como o n\u00edvel organizacional, por exemplo. \u00a0Da mesma forma, quando o antigo monop\u00f3lio do <em>gatekeeping<\/em> mantido pela m\u00eddia de massa \u00e9 desafiado pelas din\u00e2micas do ambiente digital, novamente, vemos a teoria se atualizar para dar conta de novos contextos. Podemos perceber esse movimento atrav\u00e9s da formula\u00e7\u00e3o do conceito de <em>gatewatching<\/em> desenvolvido pelo pesquisador australiano Axel Bruns em 2005, por exemplo.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Essa capacidade de oxigena\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de atestar sua consist\u00eancia enquanto teoria, nos permite tra\u00e7ar sua historicidade. Por isso, quando olhamos de modo transversal para a hist\u00f3ria da\u00a0 Teoria do Gatekeeping e suas respectivas atualiza\u00e7\u00f5es, conseguimos tra\u00e7ar um percurso que acompanha as transforma\u00e7\u00f5es enfrentadas pelo campo do Jornalismo. No Brasil, infelizmente, especialmente no campo da comunica\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 comum encontrarmos pesquisas que buscam revisitar teorias cl\u00e1ssicas. Mas, tendo em vista a relev\u00e2ncia que uma teoria tem para a compreens\u00e3o da realidade, isso pode ser bem interessante, n\u00e3o acham? Pois bem, \u00e9 isso que estou tentando fazer com meu trabalho de disserta\u00e7\u00e3o! Com esse ~<em>spoiler~ <\/em>me despe\u00e7o e at\u00e9 a pr\u00f3xima!<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><em>Refer\u00eancias:<\/em><br>LIPPMANN, Walter. <em>Opini\u00e3o P\u00fablica.<\/em> Rio de Janeiro: Vozes, 2008.<\/p>\n\n\n\n<p>SHOEMAKER, Pamela J.; VOS, Tim P. <em>Teoria do Gatekeeping<\/em>: constru\u00e7\u00e3o e sele\u00e7\u00e3o da not\u00edcia. Porto Alegre: Penso, 2011.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Bruna Eduarda Meinen Feil<\/p>\n","protected":false},"author":3581,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[71,69,162],"class_list":["post-2594","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria","tag-ejor","tag-grupos-pesquisa","tag-pesquisasejor"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/poscom\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2594","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/poscom\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/poscom\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/poscom\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3581"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/poscom\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2594"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/poscom\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2594\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/poscom\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2594"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/poscom\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2594"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/poscom\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2594"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}