{"id":3459,"date":"2024-06-18T08:00:00","date_gmt":"2024-06-18T11:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/poscom\/?p=3459"},"modified":"2024-06-18T01:13:05","modified_gmt":"2024-06-18T04:13:05","slug":"virada-de-audiencia-jornalismo-feito-para-quem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/poscom\/2024\/06\/18\/virada-de-audiencia-jornalismo-feito-para-quem","title":{"rendered":"Virada de audi\u00eancia: jornalismo feito para quem?"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"3459\" class=\"elementor elementor-3459\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-39fb9f24 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"39fb9f24\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-69308f\" data-id=\"69308f\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-91d6378 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"91d6378\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<h6><strong>Texto por: Andreina Possan\u00a0<\/strong><\/h6>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-28b87812 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"28b87812\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<p><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p>Com as redes sociais, a produ\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias jornal\u00edsticas se alterou, de uma forma bastante peculiar, e tornou o p\u00fablico um agente ativo (Swart et al,&nbsp; 2022) nessa din\u00e2mica. Essa mudan\u00e7a traz novas quest\u00f5es \u00e0 pr\u00e1tica jornal\u00edstica, que passa a ver sua audi\u00eancia por meio de n\u00fameros e m\u00e9tricas.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p>\n<p><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p>A partir dessa reflex\u00e3o, ent\u00e3o, e do entendimento de que o papel do jornalismo se alterou com as novas din\u00e2micas e necessidades sociais, o principal objetivo passa a ser compreender como se d\u00e1 a constitui\u00e7\u00e3o de um p\u00fablico e alterar a log\u00edstica dessas informa\u00e7\u00f5es: com quem o jornalismo fala? Essa produ\u00e7\u00e3o tem o mesmo valor informacional para todas as regi\u00f5es do estado ou pa\u00eds? E, justamente por isso, o que exatamente significa \u201crelev\u00e2ncia\u201d para o jornalismo? Essas quest\u00f5es passam a nortear a discuss\u00e3o porque clareiam muitas lacunas do sistema informacional.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p>\n<p><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p>Entretanto, esse \u00e9 um campo muito impessoal e que nem sempre corresponde \u00e0s prefer\u00eancias e necessidades reais do p\u00fablico, que podem sequer perceber as categorias dos produtores de not\u00edcias (Ornebring e Hellekant Rowe, 2022). J\u00e1 n\u00e3o basta apenas produzir um conte\u00fado e analisar a rea\u00e7\u00e3o da audi\u00eancia, porque n\u00e3o se sabe mais quem ela \u00e9. Deve-se analisar de que maneira as pessoas buscam as informa\u00e7\u00f5es e o que \u00e9, efetivamente, informa\u00e7\u00e3o para elas. Esse movimento de construir a pr\u00f3pria l\u00f3gica de informa\u00e7\u00e3o \u00e9 chamado de <strong>virada de audi\u00eancia<\/strong>.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p>\n<p><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p>Se pensarmos em <em>desertos de not\u00edcias<\/em>, <em>jornalismo local <\/em>e <em>desinforma\u00e7\u00e3o<\/em>, essa discuss\u00e3o ganha, ainda, outra camada. Porque s\u00e3o assuntos que refletem, al\u00e9m de uma desigualdade informacional, as mudan\u00e7as no papel do jornalismo, que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais automaticamente o lugar onde as audi\u00eancias encontram ou experienciam o que \u00e9 not\u00edcia (Swart et al,&nbsp; 2022). Os tr\u00eas t\u00f3picos t\u00eam rela\u00e7\u00e3o direta entre si: os desertos de not\u00edcias &#8211; ou locais onde n\u00e3o h\u00e1 presen\u00e7a profissional da imprensa &#8211; tendem a ser um campo f\u00e9rtil para o isolamento pol\u00edtico e informativo da popula\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p>\n<p><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p>Abernathy (2020) reflete que popula\u00e7\u00f5es com menos acesso \u00e0s not\u00edcias locais s\u00e3o, geralmente, as mais vulner\u00e1veis, mais pobres e com menos educa\u00e7\u00e3o. Consequentemente, se n\u00e3o h\u00e1 informa\u00e7\u00e3o, cria-se um problema social, abre-se espa\u00e7o para a desinforma\u00e7\u00e3o. Obviamente, a comunica\u00e7\u00e3o de massa n\u00e3o poderia abra\u00e7ar todas as regi\u00f5es ou cidades, e \u00e9 aqui que se faz ainda mais necess\u00e1ria a presen\u00e7a e import\u00e2ncia do jornalismo local, com produ\u00e7\u00f5es originais baseadas geograficamente, orientadas para a comunidade e destinado a preencher lacunas percebidas (Metzgar, Kurpius, Rowley, 2011)<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p>\n<p><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p>Como dito no in\u00edcio, o jornalismo passou a olhar com mais aten\u00e7\u00e3o para as necessidades de seu p\u00fablico atrav\u00e9s das m\u00e9tricas, mas elas podem n\u00e3o refletir o que a audi\u00eancia considera relevante ou realmente busca quando procura se informar. Nesses casos, e tamb\u00e9m quando o jornalismo n\u00e3o d\u00e1 conta de cobrir eventos ou trazer informa\u00e7\u00f5es sobre determinadas regi\u00f5es, as pessoas passam a buscar meios pr\u00f3prios para se informar e buscar o que consideram importante e relevante. Nesse contexto, o jornalismo j\u00e1 n\u00e3o ocupa o lugar central na produ\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o. J\u00e1 n\u00e3o \u00e9, necessariamente, o primeiro lugar para onde as pessoas correm quando querem se informar.&nbsp;<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p>\n<p><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p>Exemplo dessa correla\u00e7\u00e3o \u00e9 o dado alarmante publicado na vers\u00e3o 5.0 do Atlas da Not\u00edcia, publicada em 2022, que relata 2.712 munic\u00edpios brasileiros (59%) considerados como desertos de not\u00edcias. Cerca de 29 milh\u00f5es de pessoas n\u00e3o t\u00eam informa\u00e7\u00f5es relevantes sobre o local em que moram e se informam atrav\u00e9s da imprensa regional ou nacional. Em um ambiente democr\u00e1tico, imagine quanta desinforma\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 verificada e passa como verdade. Nesse caso, um dos pilares fundamentais do jornalismo, o de reivindicar direitos, se enfraquece &#8211; ou simplesmente n\u00e3o existe.&nbsp;<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p>\n<p><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p>O jornalismo como conhecemos j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais suficiente. N\u00e3o se pode continuar fazendo as mesmas coisas e esperar obter resultados diferentes. Se for assim, ele tende a ser menos requisitado e relevante com o passar do tempo. Entender as demandas da audi\u00eancia, ou seja, onde as pessoas procuram essas informa\u00e7\u00f5es e como elas as selecionam, bem como o que elas consideram como informa\u00e7\u00e3o, tornando o p\u00fablico um agente ativo na produ\u00e7\u00e3o noticiosa, \u00e9 um caminho seguro para a virada de audi\u00eancia e do jornalismo.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p>\n<p><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p><strong>REFER\u00caNCIAS&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p>\n<p><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p>ABERNATHY, Penelope M. News deserts and ghost newspapers: Will local&nbsp; news survive? UNC Hussman School of Journalism and Media. North Carolina: Center for Innovation and Sustainability in Local Media, 2020. Dispon\u00edvel&nbsp; em: <a href=\"https:\/\/www.usnewsdeserts.com\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/2020_News_Deserts_and_Ghost_Newspapers.pdf\">https:\/\/www.usnewsdeserts.com\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/2020_News_Deserts_and_Ghost_Newspapers.pdf<\/a>. Acesso em: 22 mai. 2024.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p>\n<p><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p>ABERNATHY, Penelope M. The Expanding News Desert. North Carolina:&nbsp; Center for Innovation and Sustainability in Local Media, 2018. Dispon\u00edvel&nbsp; em: <a href=\"https:\/\/www.cislm.org\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/The-Expanding-News-Desert-10_14-Web.pdf\">https:\/\/www.cislm.org\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/The-Expanding-News-Desert-10_14-Web.pdf<\/a>. Acesso em: 22 mai. 2024.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p>\n<p><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p>Metzgar, E. T., D. D. Kurpius, and K. M. Rowley. 2011. Defining Hyperlocal Media: Proposing a Framework for Discussion. New Media &amp; Society 13, 5 (p. 772\u2013787), 2011. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/publication\/258173683_Defining_hyperlocal_media_Proposing_a_framework_for_discussion\">https:\/\/www.researchgate.net\/publication\/258173683_Defining_hyperlocal_media_Proposing_a_framework_for_discussion<\/a>. Acesso em:<strong> <\/strong>21 mai. 2024<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p>\n<p><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p>Ornebring, H., e E. Hellekant Rowe. The Media Day, Revisited: Rhythm, Place and Hyperlocal Information Environments. Digital Journalism, 10, 1 (p. 23-42), 2021. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.tandfonline.com\/doi\/full\/10.1080\/21670811.2021.2024764\">https:\/\/www.tandfonline.com\/doi\/full\/10.1080\/21670811.2021.2024764<\/a>. Acesso em: 20 mai. 2024<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p>\n<p><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p>Projor (2022). Atlas da Not\u00edcia \u2013 Digital Reduz de Desertos de not\u00edcias. Vers\u00e3o 5.0. Recuperado de <a href=\"http:\/\/www.atlas.jor.br\/dados\/relatorios\/\">www.atlas.jor.br\/dados\/relatorios\/<\/a>. Acesso em: 24 mai. 2024<br><\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p>\n<p><!-- wp:paragraph --><\/p>\n<p>Swart, J., Groot Kormelink, T., Costeira Meijer, I., e Broersma, M. Advancing a Radical Audience Turn in Journalism. Fundamental Dilemmas for Journalism Studies. Digital Journalism, 10, 1 (p. 8-22), 2022. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.tandfonline.com\/doi\/full\/10.1080\/21670811.2021.2024764\">https:\/\/www.tandfonline.com\/doi\/full\/10.1080\/21670811.2021.2024764<\/a>. Acesso em: 20 mai. 2024.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto por: Andreina Possan\u00a0 Com as redes sociais, a produ\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias jornal\u00edsticas se alterou, de uma forma bastante peculiar, e tornou o p\u00fablico um agente ativo (Swart et al,&nbsp; 2022) nessa din\u00e2mica. Essa mudan\u00e7a traz novas quest\u00f5es \u00e0 pr\u00e1tica jornal\u00edstica, que passa a ver sua audi\u00eancia por meio de n\u00fameros e m\u00e9tricas. 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