{"id":3461,"date":"2024-06-17T08:30:00","date_gmt":"2024-06-17T11:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/poscom\/?p=3461"},"modified":"2024-06-18T01:39:47","modified_gmt":"2024-06-18T04:39:47","slug":"aceleracao-e-desaceleracao-social-como-reflexos-da-crise-climatica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/poscom\/2024\/06\/17\/aceleracao-e-desaceleracao-social-como-reflexos-da-crise-climatica","title":{"rendered":"Acelera\u00e7\u00e3o e desacelera\u00e7\u00e3o social como reflexos da crise clim\u00e1tica\u00a0"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"3461\" class=\"elementor elementor-3461\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-2d4dad47 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"2d4dad47\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-6681c009\" data-id=\"6681c009\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-b0c1f31 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"b0c1f31\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<h6><strong>Texto por: Amanda Spohr Demamann<\/strong><\/h6>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-5a4c569b elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"5a4c569b\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<!-- wp:paragraph -->\n<p>A Teoria da acelera\u00e7\u00e3o social na vida moderna estabelecida por Hartmut Rosa define o tempo como um ciclo de retroalimenta\u00e7\u00e3o. A sensa\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica da incessante falta de tempo fez com que a sociedade buscasse por dispositivos que possibilitassem a economia dele, como meios de transporte, de comunica\u00e7\u00e3o e de produ\u00e7\u00e3o, uma esp\u00e9cie de \u201cacelera\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica\u201d, conforme explicita o autor (Rosa, 2019). Apesar de correspondida, a demanda parece n\u00e3o ser suficiente: ao passo em que a sociedade busca por mais inova\u00e7\u00f5es que possam contribuir na economia de tempo dos afazeres di\u00e1rios, ele segue, cada vez mais r\u00e1pido. \u00c9 uma engrenagem coletiva que faz indiv\u00edduos sentirem-se como um hamster, correndo incessantemente na sua roda.&nbsp;<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Entretanto, em um mundo que tudo se torna t\u00e3o r\u00e1pido, h\u00e1 limitadores de velocidade naturais, desses que n\u00e3o podem ser modificados. Recentemente, o excesso de chuvas que atingiu o Rio Grande do Sul causou uma crise sem precedentes em diversas regi\u00f5es, expondo o paradoxo de uma desacelera\u00e7\u00e3o for\u00e7ada (Rosa, 2019) versus a acelera\u00e7\u00e3o de outros processos, como o do voluntariado e das produ\u00e7\u00f5es noticiosas.&nbsp;<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>No contexto de uma ruptura abrupta no tempo, a emerg\u00eancia da suspens\u00e3o de atividades mercadol\u00f3gicas, escolares, e de outros nichos se deu porque grande parte das cidades ficaram submersas e foram destru\u00eddas pelas for\u00e7as das \u00e1guas, alterando as l\u00f3gicas de funcionamento dos centros urbanos e das rotinas produtivas. As restri\u00e7\u00f5es de mobilidade em raz\u00e3o de deslizamentos em pistas e queda de pontes, a falta de acesso \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel, energia el\u00e9trica e informa\u00e7\u00e3o, e o aumento da demanda de atendimentos hospitalares fizeram com que o processo de desacelera\u00e7\u00e3o fosse sentido tamb\u00e9m pela popula\u00e7\u00e3o que n\u00e3o residia nessas regi\u00f5es, mas de formas diferentes. Caracterizado por Rosa (2019) como uma esp\u00e9cie de freio, esse fen\u00f4meno de desacelera\u00e7\u00e3o for\u00e7ada &#8211; nesse caso, encarado como uma resposta da natureza \u00e0 interven\u00e7\u00e3o humana &#8211; resultante de uma in\u00e9rcia acelerativa, decorre de um limitador natural e acontece quando a pr\u00f3pria natureza reduz a sua capacidade frente ao processamento de a\u00e7\u00f5es humanas.&nbsp;<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Por outro lado, quem esteve na linha de frente dos resgates e do voluntariado &#8211; ao organizar abrigos e cozinhas solid\u00e1rias, arrecadar donativos, processar uma l\u00f3gica de entrega \u00e0s cidades, atuar no atendimento hospitalar ou mesmo na produ\u00e7\u00e3o noticiosa &#8211; vivenciou uma acelera\u00e7\u00e3o do tempo. Esse, por sua vez, n\u00e3o parecia ser suficiente para atender \u00e0s demandas dos desabrigados ou resgatar aqueles que esperavam por ajuda em cima dos telhados das suas casas. Se para esse grupo o tempo n\u00e3o passava enquanto o resgate n\u00e3o chegava, para os volunt\u00e1rios cada minuto importava, instituindo uma situa\u00e7\u00e3o paradoxal. A sensa\u00e7\u00e3o de estar \u00e0 frente do combate fez, inclusive, com que muitas pessoas se sentissem impotentes perante \u00e0 crise clim\u00e1tica e humanit\u00e1ria que se instalou no estado.&nbsp;<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Neste sentido, a cobertura jornal\u00edstica ininterrupta tamb\u00e9m evidenciou uma necessidade ampliada da produ\u00e7\u00e3o de not\u00edcias e dos pr\u00f3prios profissionais da \u00e1rea. A emerg\u00eancia da crise, apesar de restringir a mobilidade, n\u00e3o foi impedimento para que muitos jornalistas estivessem nos lugares afetados, e produzissem seus materiais <em>in loco, <\/em>salientando a rela\u00e7\u00e3o existente entre o jornalismo e o tempo presente socialmente compartilhado. A demanda por informa\u00e7\u00f5es constantemente atualizadas, ao mesmo tempo em que o acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o era exclusivo de regi\u00f5es n\u00e3o afetadas pela chuva, exp\u00f4s, novamente, o paradoxo da in\u00e9rcia e do movimento, em que, de acordo com Rosa, encontramos movimentos de acelera\u00e7\u00e3o e desacelera\u00e7\u00e3o em equil\u00edbrio, sem que se possa identificar a domin\u00e2ncia em um dos sentidos (Rosa, 2019, p.179).<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\n\n<!-- wp:paragraph -->\n<p>Apesar da intensidade aceleradora demonstrada pelo jornalismo, passado um m\u00eas do in\u00edcio das chuvas, ele voltou a se estabelecer nos conformes do dia a dia. As pautas, agora, permeiam o campo da reestrutura\u00e7\u00e3o do Estado, mas n\u00e3o s\u00e3o mais as \u00fanicas a ganharem espa\u00e7os nos meios de comunica\u00e7\u00e3o, ao mesmo tempo em que a cobertura sobre esses acontecimentos j\u00e1 n\u00e3o parece ser t\u00e3o mais intensa. No reflexo do tempo social, o jornalismo passa, neste momento, por um processo de desacelera\u00e7\u00e3o, tal qual as popula\u00e7\u00f5es diretamente afetadas pelas enchentes. Por outro lado, levando em conta a ideia de equil\u00edbrio de Rosa (2019), as atividades nos centro urbanos v\u00e3o se restabelecendo aos poucos e dentro da normalidade poss\u00edvel, fazendo a roda da engrenagem voltar a girar.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto por: Amanda Spohr Demamann A Teoria da acelera\u00e7\u00e3o social na vida moderna estabelecida por Hartmut Rosa define o tempo como um ciclo de retroalimenta\u00e7\u00e3o. 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