{"id":3757,"date":"2024-11-22T14:50:54","date_gmt":"2024-11-22T17:50:54","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/poscom\/?p=3757"},"modified":"2024-11-22T14:50:57","modified_gmt":"2024-11-22T17:50:57","slug":"plataformas-algoritmos-e-a-vida-nas-redes-sociais-uma-nova-perspectiva-para-as-minhas-pesquisas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/poscom\/2024\/11\/22\/plataformas-algoritmos-e-a-vida-nas-redes-sociais-uma-nova-perspectiva-para-as-minhas-pesquisas","title":{"rendered":"Plataformas, algoritmos e a vida nas redes sociais: uma nova perspectiva para as minhas pesquisas"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Texto por: <em>Laura Coelho de Almeida<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2024, entrei no doutorado com o objetivo de seguir estudando a presen\u00e7a de produtores de conte\u00fado online, com o foco na narrativa transm\u00eddia e podcasts. Mas, logo nas primeiras semanas do curso, perdi a vontade de realizar uma pesquisa sobre esse tema. Eu tinha duas preocupa\u00e7\u00f5es: a primeira era que j\u00e1 conseguia ver uma conclus\u00e3o para o tema; a segunda era que n\u00e3o sentia que teria f\u00f4lego para passar quatro anos estudando esse t\u00f3pico. Al\u00e9m disso, eu j\u00e1 estava desenvolvendo um pensamento de que n\u00e3o via a produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fado com os mesmo olhos deslumbrados da gradua\u00e7\u00e3o e do mestrado.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ent\u00e3o, iniciei o processo de tentar encontrar algo que me interessasse o suficiente para transformar em uma tese, atrav\u00e9s de leituras de textos para o meu estado da arte. O primeiro livro que me colocou na dire\u00e7\u00e3o que estou hoje foi o \u201cAliena\u00e7\u00e3o e acelera\u00e7\u00e3o: por uma teoria cr\u00edtica da temporalidade tardo-moderna\u201d, do fil\u00f3sofo alem\u00e3o, Hartmut Rosa, juntamente com \u201cA Crise da Narra\u00e7\u00e3o\u201d, do fil\u00f3sofo sul-coreano Byung-Chul Han.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Harmut Rosa entende que a acelera\u00e7\u00e3o da vida social corresponde a sensa\u00e7\u00e3o de que o mundo ao nosso redor est\u00e1 ficando cada vez mais r\u00e1pido. Tal fato transforma o modo como os seres humanos s\u00e3o definidos, situados ou como se movem no mundo. Por sua vez, a narra\u00e7\u00e3o produz uma hist\u00f3ria e a informatiza\u00e7\u00e3o da sociedade acelera a desnarrativa\u00e7\u00e3o. Juntando os dois entendimentos podemos refletir sobre a necessidade de consumir cada vez mais conte\u00fados curtos e a dificuldade de focar em atividades por um longo per\u00edodo de tempo. A partir dessas duas obras, direcionei meu pensamento para entender como a acelera\u00e7\u00e3o afetou a narrativa digital e, principalmente, investigar como vivemos a nossa vida nessa era digital atual.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Plataformas, algoritmos e a vida nas redes sociais<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tendo esse direcionamento do que me interessava busquei algumas obras para inspira\u00e7\u00e3o de pensamento, fugindo um pouco das teorias, e acabei encontrando o livro \u201cA M\u00e1quina do Caos: Como as redes sociais reprogramaram nossa mente e nosso mundo\u201d do jornalista investigativo Max Fisher (2023). A obra se concentra em entender o funcionamento das grandes empresas de tecnologia, com o foco naquelas que desenvolvem plataformas de redes sociais. O livro tem como base entrevistas com estudiosos da \u00e1rea, al\u00e9m de falas de funcion\u00e1rios e executivos do Vale do Sil\u00edcio. De modo geral, o livro escancara o modo como, desde o princ\u00edpio, as redes sociais foram criadas com o objetivo de manter as pessoas dentro delas pelo maior per\u00edodo de tempo poss\u00edvel. Criando incentivos de valida\u00e7\u00e3o sociais e est\u00edmulos de dopamina, que mant\u00e9m a necessidade de estar sempre online<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, ap\u00f3s pegar as inspira\u00e7\u00f5es de pensamento na obra de Fisher (2023), segui para a teoria. Primeiramente, me detive em dois autores cl\u00e1ssicos que pensam a p\u00f3s-modernidade e a narrativa. Lyotard (2008), em &#8220;A Condi\u00e7\u00e3o P\u00f3s-Moderna&#8221;, entende que na p\u00f3s-modernidade ocorre o abandono das metanarrativas, ou seja, das ideias que levariam o &#8220;homem&#8221; ao sucesso. O autor destaca que, hoje, a verdade serve para um resultado perform\u00e1tico e n\u00e3o para um prop\u00f3sito de ilumina\u00e7\u00e3o. Por sua vez, Virilio (1998), em &#8220;A Bomba Inform\u00e1tica&#8221;, analisa a sociedade atual, ci\u00eancia e tecnologia. Para ele, \u201calguns entusiastas da Internet ficam at\u00e9 felizes em viver suas vidas \u201cna tela\u201d. Internados nos c\u00edrculos fechados da Web, eles oferecem suas vidas privadas para que todos possam assistir.\u201d (Virilio, 1998, p. 24). A partir dessas leituras pude observar e refletir um pouco sobre a transi\u00e7\u00e3o da modernidade para a p\u00f3s-modernidade, e, principalmente, as transforma\u00e7\u00f5es que a tecnologia trouxe para a sociedade. Tendo essas ideias em mente, parti para conceitos e teorias que pudessem ampliar o entendimento da evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica: a plataformiza\u00e7\u00e3o e os algoritmos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A vida digital \u00e9 controlada por algoritmos, sistemas que \u201cdistribuem os discursos criados pelos seus usu\u00e1rios, sejam corpora\u00e7\u00f5es ou pessoas.\u201d (Silveira, 2019, p. 21). De acordo com Silveira (2019), as plataformas desenvolvem uma arquitetura de informa\u00e7\u00e3o centralizada que define como ocorrer\u00e1 a distribui\u00e7\u00e3o dos conte\u00fados. Desse modo, &#8220;as plataformas conseguem estruturar processos de modula\u00e7\u00e3o, desenvolvidos para delimitar, influenciar e reconfigurar o comportamento dos interagentes na dire\u00e7\u00e3o que os mantenha dispon\u00edveis e ativos na plataforma ou que os fa\u00e7a clicar e adquirir os servi\u00e7os, produtos e ideias negociados pelos donos do empreendimento&#8221;. (Silveira, 2019, p. 23)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por sua vez, a plataformiza\u00e7\u00e3o \u00e9 \u201cdefinida como a penetra\u00e7\u00e3o de infraestruturas, processos econ\u00f4micos e estruturas governamentais das plataformas digitais em diferentes setores econ\u00f4micos e esferas da vida.\u201d (Poell; Nieborg; Van Dijck, 2020, p. 2). Os autores destacam que existem 3 dimens\u00f5es da plataformiza\u00e7\u00e3o: a primeira \u00e9 o desenvolvimento de infraestruturas de dados, ou seja, como as plataformas colhem e transformam os dados dos usu\u00e1rios; a segunda corresponde ao mercado e como as plataformas reorganizaram as rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas; e a terceira dimens\u00e3o trata da orienta\u00e7\u00e3o e mudan\u00e7a nas intera\u00e7\u00f5es entre os usu\u00e1rios. (Poell; Nieborg; Van Dijck, 2020, p. 6). Assim, entendemos a import\u00e2ncia do estudo sobre plataformas, uma vez que o princ\u00edpio de cada uma molda o funcionamento das redes sociais e do comportamento social dentro delas.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O futuro da minha pesquisa<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao realizar as leituras para esse primeiro estado da arte da tese e analisar o comportamento online ao meu redor, consegui destacar alguns pontos que me chamaram aten\u00e7\u00e3o e gostaria de estudar mais a fundo. Tais pontos se unem e centralizam-se em dois t\u00f3picos: comunica\u00e7\u00e3o digital e narrativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como diz Silveira (2019), \u201cas principais plataformas de relacionamento online n\u00e3o produzem conte\u00fados. N\u00e3o realizam discursos nem criam narrativas. Quem faz o conte\u00fado de plataformas como <em>Facebook, YouTube, Twitter, Instagram, LinkedIn <\/em>e <em>Snapchat<\/em> s\u00e3o seus pr\u00f3prios usu\u00e1rios.\u201d (Silveira, 2019, p. 20). Ou seja, ca\u00edmos no pensamento de \u201cse voc\u00ea n\u00e3o tem que pagar para estar l\u00e1, ent\u00e3o voc\u00ea \u00e9 o produto.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como as plataformas s\u00e3o regidas por algoritmos e para permanecer em uma boa posi\u00e7\u00e3o de engajamento os usu\u00e1rios (produtos), desenvolvem os conte\u00fados com o objetivo de \u201cagradar\u201d o algoritmo. Logo, isso gera uma cadeia de conte\u00fados curtos, rasos, iguais uns aos outros e que visam apenas a visualiza\u00e7\u00e3o, ou a venda de algum produto. Conte\u00fados que antes serviriam como uma narrativa completa para contar uma hist\u00f3ria e criar uma comunidade, hoje servem apenas para a emiss\u00e3o de dopamina r\u00e1pida com a rolagem do <em>feed<\/em>, sensa\u00e7\u00e3o de valida\u00e7\u00e3o social por meio de intera\u00e7\u00f5es digitais (curtir, comentar e compartilhar). Em alguns casos, tamb\u00e9m ocorre a fomenta\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica consumista, pois ao observar um item no conte\u00fado alheio, as pessoas podem sentir a vontade de possu\u00ed-lo tamb\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tal l\u00f3gica est\u00e1 cada vez mais acelerada, j\u00e1 que os algoritmos mudam a sua l\u00f3gica cada vez mais r\u00e1pido e os usu\u00e1rios precisam correr para se adaptar. Pessoas que tinham um \u00f3timo engajamento, podem perd\u00ea-lo da noite para o dia. Essa \u00e9 uma pr\u00e1tica cansativa e a necessidade de estar sempre online, postar com a maior frequ\u00eancia poss\u00edvel, causa um desencantamento por parte dos usu\u00e1rios. Nessa pequena observa\u00e7\u00e3o de comportamento dos produtores de conte\u00fado que realizei no <em>Instagram <\/em>e <em>Youtube<\/em>, percebi v\u00e1rios coment\u00e1rios sobre a exaust\u00e3o, que chamarei aqui de algor\u00edtmica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os influenciadores est\u00e3o cansados de ter que estar \u201csempre online\u201d e de se reinventar a todo momento. Ou seja, a l\u00f3gica das grandes empresas de plataformas de redes sociais est\u00e1 come\u00e7ando a falhar. \u00c9 preciso parar, olhar para as redes desde a sua cria\u00e7\u00e3o e entender como o desenvolvimento foi feito para chegar nesse cen\u00e1rio atual. Para assim, pensar em formas de burlar a exaust\u00e3o algor\u00edtmica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A comunica\u00e7\u00e3o, hoje, est\u00e1 presa nesse lugar de \u201cdesnarrativa\u00e7\u00e3o\u201d. Sendo assim, se faz necess\u00e1rio entender quais s\u00e3o os limites e potenciais da comunica\u00e7\u00e3o em oferecer novas narrativas no cen\u00e1rio atual, onde as pessoas est\u00e3o cada vez mais vivendo no digital e a l\u00f3gica das narrativas se resume em vendas. Diferentemente das minhas pesquisas da gradua\u00e7\u00e3o e do mestrado, agora sigo para um caminho mais afastado do deslumbramento com as redes sociais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Amadeu da Silveira, S. (2019). <strong>A no\u00e7\u00e3o de modula\u00e7\u00e3o e os sistemas algor\u00edtmicos. <\/strong>PAULUS: Revista De Comunica\u00e7\u00e3o Da FAPCOM, 3(6). Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/fapcom.edu.br\/revista\/index.php\/revista-paulus\/article\/view\/111\">https:\/\/fapcom.edu.br\/revista\/index.php\/revista-paulus\/article\/view\/111<\/a>. Acesso em 28 de Junho de 2024.\u200c<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">FISHER, M. <strong>A m\u00e1quina do caos: Como as redes sociais reprogramaram nossa mente e nosso mundo. <\/strong>Todavia, 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">HAN, Byung-Chul. <strong>A Crise da Narra\u00e7\u00e3o<\/strong>. Petr\u00f3polis, RJ: Vozes, 2023.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">LYOTARD, Jean-Fran\u00e7ois.\u00a0<strong>A condi\u00e7\u00e3o p\u00f3s-moderna<\/strong>. [s.l.] Rio De Janeiro Jos\u00e9 Olympio, 2008. \u200c<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">POELL, Thomas; NIEBORG, David; VAN DIJCK, Jos\u00e9. <strong>Plataformiza\u00e7\u00e3o<\/strong>. Fronteiras, S\u00e3o Leopoldo, v. 22, n. 1, p. 2-10, jan.\/abr. 2020. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/revistas.unisinos.br\/index.php\/fronteiras\/article\/view\/fem.2020.221.01\">http:\/\/revistas.unisinos.br\/index.php\/fronteiras\/article\/view\/fem.2020.221.01<\/a>. Acesso em 28 de Junho de 2024.\u200c&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ROSA, H. <strong>Aliena\u00e7\u00e3o e acelera\u00e7\u00e3o: por uma teoria cr\u00edtica da temporalidade tardo-moderna.<\/strong> Petr\u00f3polis: Vozes, 2022.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">VIRILIO, Paul.\u00a0<strong>The Information Bomb<\/strong>. Verso, 2001. 160\u00a0p. ISBN 9781859843697.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto por: Laura Coelho de Almeida Em 2024, entrei no doutorado com o objetivo de seguir estudando a presen\u00e7a de produtores de conte\u00fado online, com o foco na narrativa transm\u00eddia e podcasts. Mas, logo nas primeiras semanas do curso, perdi a vontade de realizar uma pesquisa sobre esse tema. 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