{"id":4422,"date":"2025-09-09T11:23:20","date_gmt":"2025-09-09T14:23:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/poscom\/?p=4422"},"modified":"2025-09-09T11:23:23","modified_gmt":"2025-09-09T14:23:23","slug":"mais-de-680-mil-pessoas-no-rs-vivem-em-desertos-de-noticias-aponta-atlas-2025","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/poscom\/2025\/09\/09\/mais-de-680-mil-pessoas-no-rs-vivem-em-desertos-de-noticias-aponta-atlas-2025","title":{"rendered":"Mais de 680 mil pessoas no RS vivem em desertos de not\u00edcias, aponta Atlas 2025"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><em>Ejor auxilia no mapeamento da cobertura jornal\u00edstica no Rio Grande do Sul na 7\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Atlas da Not\u00edcia.<\/em><\/h3>\n\n\n\n<p>O Grupo de Estudos em Jornalismo (Ejor) participou da 7\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Atlas da Not\u00edcia, lan\u00e7ado em 2025. Integrantes do grupo e estudantes de Jornalismo da UFSM contribu\u00edram no mapeamento de ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o em cidades do Rio Grande do Sul. Desde 2017, o <a href=\"https:\/\/atlas.jor.br\/\">Atlas da Not\u00edcia<\/a> se tornou a principal fonte de dados sobre a presen\u00e7a (ou aus\u00eancia) de ve\u00edculos jornal\u00edsticos no Brasil. A cada nova edi\u00e7\u00e3o, o projeto amplia seu alcance e revela mudan\u00e7as no cen\u00e1rio da comunica\u00e7\u00e3o local.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A iniciativa tem como objetivo mapear ve\u00edculos e produtores de not\u00edcias em todo o pa\u00eds. Entre os meses de abril, maio e junho, estudantes de Jornalismo, mestrandas e doutorandas em Comunica\u00e7\u00e3o da UFSM, coordenados pela professora Laura Strelow Storch, dedicaram-se \u00e0 pesquisa. Integraram a equipe Ana Luiza Dutra, Camila Londero, Daniele Lopes Vieira, Laura Coelho, Mariane Machado, Paola Jung e Pedro Souza.<\/p>\n\n\n\n<p>A equipe do Ejor priorizou mapear as cidades da regi\u00e3o central do estado e que s\u00e3o pr\u00f3ximas ao campus sede da UFSM. Durante esta etapa, os estudantes fizeram um levantamento dos ve\u00edculos locais, atrav\u00e9s de pesquisas, liga\u00e7\u00e3o aos \u00f3rg\u00e3os executivos das cidades e contato com os ve\u00edculos para coletar informa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas, a fim de levantar dados sobre cada realidade local.<\/p>\n\n\n\n<p>A professora Laura Strelow Storch, coordenadora do Ejor, destaca a import\u00e2ncia da participa\u00e7\u00e3o do grupo na 7\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Atlas da Not\u00edcia. \u201cA participa\u00e7\u00e3o do Ejor no Atlas da Not\u00edcia refor\u00e7a nosso compromisso em contribuir para a constru\u00e7\u00e3o de um retrato mais preciso do jornalismo brasileiro\u201d, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Atlas da Not\u00edcia: onde falta jornalismo, cresce a desigualdade no acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>O Atlas da Not\u00edcia foi criado em 2017 pelos jornalistas Angela Pimenta e S\u00e9rgio Spagnuolo, o projeto foi inspirado no <strong>America\u2019s Growing News Desert<\/strong>, da revista Columbia Journalism Review. Desde ent\u00e3o, tornou-se fonte para pesquisas, reportagens e estudos sobre a aus\u00eancia de ve\u00edculos jornal\u00edsticos em diferentes regi\u00f5es do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele \u00e9 parte de uma iniciativa do Instituto para o<strong> Desenvolvimento do Jornalismo (Projor)<\/strong> do<strong> Observat\u00f3rio da Imprensa<\/strong>, em parceria com a ag\u00eancia de dados <strong>Volt Data Lab<\/strong>. Al\u00e9m disso, o Atlas tem o cuidado de estar sempre atento \u00e0s novas tend\u00eancias do jornalismo. Um dos diferenciais desta edi\u00e7\u00e3o foi a inclus\u00e3o de uma nova categoria no mapeamento: perfis jornal\u00edsticos no Instagram, reconhecendo a import\u00e2ncia das plataformas como produtoras e difusoras de not\u00edcias locais.<\/p>\n\n\n\n<p>Inicialmente os volunt\u00e1rios do Ejor passaram por uma capacita\u00e7\u00e3o com o professor de Jornalismo da PUC-RS, Marcelo Fontoura. Durante essa etapa, foram apresentadas as diretrizes do projeto, os crit\u00e9rios para identifica\u00e7\u00e3o dos ve\u00edculos e a relev\u00e2ncia da pesquisa para o fortalecimento da comunica\u00e7\u00e3o local e para o acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o. O treinamento garantiu que todos os participantes estivessem alinhados quanto \u00e0 metodologia e aos objetivos do Atlas. Na sua metodologia o Atlas possui diferentes classifica\u00e7\u00f5es para compreender o cen\u00e1rio das not\u00edcias locais no pa\u00eds. As cidades brasileiras s\u00e3o classificadas em categorias: <strong>Desertos<\/strong>, <strong>Quase-desertos<\/strong>, <strong>N\u00e3o-desertos<\/strong> e <strong>Com Ve\u00edculos<\/strong> (munic\u00edpios que possuem ao menos um ve\u00edculo jornal\u00edstico).<\/p>\n\n\n\n<p>O conceito de <strong>\u201cdeserto de not\u00edcias\u201d<\/strong> surgiu a partir dos estudos de Penny Abernathy, que analisou o desaparecimento progressivo de jornais locais em diversas cidades norte-americanas, muito em fun\u00e7\u00e3o da crise do jornalismo impresso e do avan\u00e7o do digital. Inicialmente, o termo designava&nbsp; comunidades sem nenhum jornal local. Posteriormente, a autora ampliou a defini\u00e7\u00e3o para abranger tamb\u00e9m contextos em que, ainda que existam meios de comunica\u00e7\u00e3o, h\u00e1 uma perda significativa de acesso a informa\u00e7\u00f5es relevantes para a cidadania e para o fortalecimento da democracia. Trata-se, de uma condi\u00e7\u00e3o estrutural que compromete a qualidade da esfera p\u00fablica, intensifica desigualdades sociais e fragiliza os v\u00ednculos entre comunidades e processos decis\u00f3rios<\/p>\n\n\n\n<p>No contexto brasileiro, o Atlas da Not\u00edcia cumpre um papel central ao mapear essa realidade Mais do que identificar onde est\u00e3o concentrados ou ausentes os ve\u00edculos jornal\u00edsticos, o projeto evidencia os efeitos dessa assimetria informacional. Revelando a car\u00eancia de jornalismo local como um fator que limita o acompanhamento cr\u00edtico da vida p\u00fablica e deixa de garantir o direito \u00e0 informa\u00e7\u00e3o. O Atlas contribui para tensionar a discuss\u00e3o sobre a fragilidade do ecossistema midi\u00e1tico brasileiro e sobre os riscos que tal cen\u00e1rio imp\u00f5e \u00e0 democracia.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a professora Laura Storch, o Atlas da Not\u00edcia \u00e9 um instrumento essencial para compreender a geografia do jornalismo local no Brasil.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOs levantamentos do Atlas s\u00e3o os mais completos no contexto brasileiro, e oferecem subs\u00eddios indispens\u00e1veis para os estudos em jornalismo, permitindo an\u00e1lises sobre distribui\u00e7\u00e3o, sustentabilidade e evolu\u00e7\u00e3o do setor. Al\u00e9m disso, ao revelar lacunas no acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, como os \u2018desertos de not\u00edcias&#8217;, o Atlas pode orientar a defini\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas e incentivos que fortale\u00e7am o jornalismo local, essencial para a democracia\u201d, destaca.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O mapa do jornalismo ga\u00facho em 2025<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Um dos focos da participa\u00e7\u00e3o do Ejor foi o mapeamento de munic\u00edpios da <strong>Regi\u00e3o Central<\/strong> do estado. Entretanto, a equipe ampliou sua an\u00e1lise para diferentes localidades, evidenciando n\u00e3o apenas a presen\u00e7a, mas, sobretudo, a aus\u00eancia de ve\u00edculos jornal\u00edsticos &#8211; elemento central para compreender as desigualdades informacionais no territ\u00f3rio ga\u00facho.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos estados da Regi\u00e3o Sul, o relat\u00f3rio da 7\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Atlas revelou um cen\u00e1rio preocupante: <strong>457 munic\u00edpios vivem em desertos de not\u00edcias<\/strong>, ou seja, n\u00e3o contam com nenhum ve\u00edculo jornal\u00edstico ativo. Esse n\u00famero representa<strong> <\/strong>8,20% da popula\u00e7\u00e3o regional &#8211; cerca de <strong>2,1 milh\u00f5es de pessoas privadas de informa\u00e7\u00e3o produzida no contexto local<\/strong>. Al\u00e9m disso, os chamados <strong>quase-desertos<\/strong>, que possuem apenas um ve\u00edculo em funcionamento, somam<strong> 222 munic\u00edpios<\/strong>, afetando aproximadamente<strong> 1,2 milh\u00e3o de habitantes.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No caso espec\u00edfico do <strong>Rio Grande do Sul<\/strong>, os dados confirmam a dimens\u00e3o da desigualdade. O levantamento identificou <strong>180 munic\u00edpios configurados como desertos de not\u00edcias<\/strong>, o que significa que <strong>680.088 ga\u00fachos vivem sem acesso a jornalismo local<\/strong>. J\u00e1 os <strong>quase-desertos abrangem 160 munic\u00edpios<\/strong>, onde vivem <strong>1.213.724 pessoas<\/strong>, correspondendo a <strong>7,58% da popula\u00e7\u00e3o do estado.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, o Atlas tamb\u00e9m apontou <strong>157 munic\u00edpios<\/strong> ga\u00fachos classificados como<strong> n\u00e3o desertos de not\u00edcia<\/strong>, ou seja, com tr\u00eas ou mais ve\u00edculos ativos. Neles vivem cerca de 8,9 milh\u00f5es de pessoas, 57,2% da popula\u00e7\u00e3o estadual. Revelando uma <strong>forte concentra\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos em cidades de m\u00e9dio e grande porte, enquanto as localidades menores permanecem desassistidas.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No total, o Rio Grande do Sul registra <strong>1.448 ve\u00edculos jornal\u00edsticos ativos<\/strong>, distribu\u00eddos em <strong>347 impressos<\/strong>, <strong>452 online<\/strong>, <strong>588 r\u00e1dios<\/strong> e <strong>61 televis\u00f5es<\/strong>. Tamb\u00e9m foram identificados <strong>134 ve\u00edculos alternativos<\/strong>, como blogs, iniciativas individuais e projetos restritos \u00e0s redes sociais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Por que mapear os desertos de not\u00edcia importa<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Mapear os desertos de not\u00edcia \u00e9 fundamental porque releva onde a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem acesso a informa\u00e7\u00f5es de cunho jornal\u00edstico. Os n\u00fameros mostram mais que estat\u00edsticas: evidenciam um quadro estrutural de desigualdade no acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o no Rio Grande do Sul. Enquanto os grandes centros urbanos contam com maior diversidade de meios e formatos, os pequenos munic\u00edpios permanecem vulner\u00e1veis ao avan\u00e7o dos desertos de not\u00edcia.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso significa que milhares de pessoas vivem sem o jornalismo local e passam a depender de conte\u00fados circulados em redes sociais ou canais informais, muitas vezes pouco confi\u00e1veis. Tornando a popula\u00e7\u00e3o vulner\u00e1vel \u00e0 desinforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa concentra\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica em p\u00f3los urbanos acentua as desigualdades regionais e compromete o direito fundamental \u00e0 informa\u00e7\u00e3o.&nbsp; Em comunidades menores, a aus\u00eancia de cobertura jornal\u00edstica local enfraquece o acompanhamento cr\u00edtico da vida p\u00fablica e limita a participa\u00e7\u00e3o cidad\u00e3. Nesse sentido, o Atlas evidencia uma crise no jornalismo e seus impactos diretos na democracia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Texto por:<\/strong> Mariane Machado e Ana Luiza Dutra<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ejor auxilia no mapeamento da cobertura jornal\u00edstica no Rio Grande do Sul na 7\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Atlas da Not\u00edcia. O Grupo de Estudos em Jornalismo (Ejor) participou da 7\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Atlas da Not\u00edcia, lan\u00e7ado em 2025. 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