{"id":4572,"date":"2025-11-22T17:04:14","date_gmt":"2025-11-22T20:04:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/poscom\/?p=4572"},"modified":"2025-11-22T17:04:16","modified_gmt":"2025-11-22T20:04:16","slug":"jornalismo-sob-pressao-global-aponta-relatorio-do-worlds-of-journalism-study","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/poscom\/2025\/11\/22\/jornalismo-sob-pressao-global-aponta-relatorio-do-worlds-of-journalism-study","title":{"rendered":"Jornalismo sob press\u00e3o global, aponta relat\u00f3rio do Worlds of Journalism Study"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><em>Por: <\/em><\/strong><em>Camille Moraes e Sabrina Fagundes<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O terceiro relat\u00f3rio global do Worlds of Journalism Study (WJS3) revela um cen\u00e1rio de press\u00e3o crescente sobre jornalistas em todo o mundo. O estudo, considerado o maior levantamento internacional sobre a profiss\u00e3o, mostra que a pr\u00e1tica jornal\u00edstica enfrenta riscos intensificados, precariza\u00e7\u00e3o e hostilidade pol\u00edtica, especialmente no Sul Global. A pesquisa foi conduzida entre 2021 e 2025 e entrevistou mais de 32 mil jornalistas em 75 pa\u00edses, tendo contato com o envolvimento de mais de 300 pesquisadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Reconhecido internacionalmente por sua abrang\u00eancia geogr\u00e1fica, o WJS \u00e9 um estudo longitudinal que monitora, desde 2011, as transforma\u00e7\u00f5es da profiss\u00e3o e oferece um panorama comparativo que permite entender padr\u00f5es globais e especificidades regionais. O WJS3 buscou compreender como jornalistas de diferentes pa\u00edses percebem os riscos associados ao trabalho, como avaliam sua liberdade editorial e de que forma conciliam princ\u00edpios profissionais (como objetividade, transpar\u00eancia e fun\u00e7\u00f5es sociais do jornalismo) diante de rupturas tecnol\u00f3gicas, pol\u00edticas e culturais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Viol\u00eancia f\u00edsica, simb\u00f3lica e digital em alta<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>O WJS3 identifica tr\u00eas grandes dimens\u00f5es de risco: viol\u00eancia f\u00edsica e material, ataques simb\u00f3licos e psicol\u00f3gicos e amea\u00e7as digitais, como vigil\u00e2ncia e persegui\u00e7\u00e3o online. Em muitos pa\u00edses, essas formas de viol\u00eancia se sobrep\u00f5em e moldam o cotidiano das reda\u00e7\u00f5es. Na Am\u00e9rica Latina, os efeitos s\u00e3o especialmente graves. M\u00e9xico, Brasil e Col\u00f4mbia est\u00e3o entre os pa\u00edses com mais jornalistas assassinados na \u00faltima d\u00e9cada, combinando viol\u00eancia pol\u00edtica, criminal e digital.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados do WJS mostram que os jornalistas consideram sua profiss\u00e3o como perigosa. Al\u00e9m das amea\u00e7as f\u00edsicas e da viol\u00eancia direta, outros tipos de risco s\u00e3o relevantes: ataques digitais, persegui\u00e7\u00e3o online, discurso de \u00f3dio e vigil\u00e2ncia. Essas formas de viol\u00eancia amea\u00e7am a integridade dos jornalistas, mas tamb\u00e9m limitam a liberdade de imprensa e o direito \u00e0 informa\u00e7\u00e3o da sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>Como consequ\u00eancia direta, mais da metade dos jornalistas entrevistados admite evitar certos temas, fontes ou posicionamentos por medo de retalia\u00e7\u00f5es. A autocensura aparece tanto em regimes autorit\u00e1rios quanto em democracias, onde campanhas de desinforma\u00e7\u00e3o e linchamentos virtuais tamb\u00e9m geram medo e retra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Como jornalistas entendem seu papel social<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A no\u00e7\u00e3o de \u201cpap\u00e9is profissionais\u201d considera valores institucionais, atitudes e cren\u00e7as que os jornalistas adotam como resultado de sua socializa\u00e7\u00e3o ocupacional e busca explicar os modos como os jornalistas percebem a si mesmos, sua identidade, valores e ideais profissionais.<\/p>\n\n\n\n<p>O relat\u00f3rio analisa como os profissionais definem sua fun\u00e7\u00e3o na sociedade, agrupando essas concep\u00e7\u00f5es em quatro perfis: Fiscalizador: vigia o poder, revela problemas sociais e oferece informa\u00e7\u00f5es pol\u00edticas para o debate p\u00fablico. Colaborativo: tende a apoiar pol\u00edticas governamentais e refor\u00e7ar a imagem de l\u00edderes e institui\u00e7\u00f5es. Intervencionista: defende mudan\u00e7as sociais, busca influenciar a agenda p\u00fablica e participa ativamente do debate social. Adaptativo: foca em entretenimento, orienta\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica e formatos voltados ao engajamento de audi\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p>O peso de cada perfil varia conforme o regime pol\u00edtico. Em contextos autorit\u00e1rios, predomina o papel colaborativo; em democracias consolidadas, o fiscalizador. Pa\u00edses como Brasil, \u00cdndia e Filipinas apresentam uma combina\u00e7\u00e3o dos tr\u00eas primeiros, com crescimento do intervencionismo social.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a professora Laura Storch, uma das autoras do cap\u00edtulo sobre pap\u00e9is profissionais no relat\u00f3rio global, compreender essas percep\u00e7\u00f5es \u00e9 fundamental:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>&#8220;Entender como os jornalistas se veem \u00e9 entender como justificam suas escolhas diante do p\u00fablico. No Brasil, isso \u00e9 ainda mais importante por estarmos em um ambiente marcado por desigualdades estruturais, polariza\u00e7\u00e3o e expectativas sociais contradit\u00f3rias.&#8221;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>No Brasil, os jornalistas priorizam pap\u00e9is de servi\u00e7o p\u00fablico, especialmente \u201ccombater a desinforma\u00e7\u00e3o\u201d (94,7% consideram esse papel muito ou extremamente importante), \u201crevelar problemas sociais\u201d (92,8%) e \u201cfornecer informa\u00e7\u00f5es pol\u00edticas\u201d (86%). As fun\u00e7\u00f5es de vigil\u00e2ncia do poder (84,7%) e de an\u00e1lise (85%) tamb\u00e9m s\u00e3o altamente valorizadas, assim como a promo\u00e7\u00e3o da paz (83,4%). Em contraste, pap\u00e9is centrados no entretenimento (44,4%) ou alinhados a elites pol\u00edticas (17,8%) aparecem com import\u00e2ncia significativamente menor.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Saiba mais sobre o cen\u00e1rio brasileiro em: <\/strong><a href=\"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/poscom\/2025\/11\/22\/relatorio-do-terceiro-worlds-of-journalism-revela-cenario-do-jornalismo-brasileiro-marcado-por-desigualdades-regionais-e-concentracao-dos-grandes-meios-de-comunicacao\">https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/poscom\/2025\/11\/22\/relatorio-do-terceiro-worlds-of-journalism-revela-cenario-do-jornalismo-brasileiro-marcado-por-desigualdades-regionais-e-concentracao-dos-grandes-meios-de-comunicacao<\/a><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Entre o ideal democr\u00e1tico e seus limites<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>O WJS3 mostra que, apesar das press\u00f5es e amea\u00e7as, o jornalismo continua desempenhando papel central em sociedades democr\u00e1ticas. Mas esse papel \u00e9 exercido \u201centre o ideal e o limite\u201d: profissionais comprometidos com o interesse p\u00fablico trabalham sob forte desgaste emocional, precariza\u00e7\u00e3o e instabilidade. Como sintetiza Laura Storch:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>&#8220;Observar o jornalismo globalmente permite enxergar tanto vulnerabilidades quanto resist\u00eancias. O Brasil tem um papel central nesse panorama: sendo o maior pa\u00eds da Am\u00e9rica Latina, nossas experi\u00eancias revelam como os jornalistas atuam em contextos de tens\u00e3o democr\u00e1tica, desigualdade e transforma\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica.&#8221;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>O relat\u00f3rio conclui que fortalecer o jornalismo n\u00e3o \u00e9 apenas uma pauta da categoria, mas uma quest\u00e3o essencial para a vitalidade democr\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Saiba mais sobre a pesquisa em<\/strong>:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/poscom\/2025\/11\/22\/docente-do-poscom-integra-pesquisa-global-sobre-condicoes-de-trabalho-do-jornalismo-no-mundo\">https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/poscom\/2025\/11\/22\/docente-do-poscom-integra-pesquisa-global-sobre-condicoes-de-trabalho-do-jornalismo-no-mundo<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Camille Moraes e Sabrina Fagundes O terceiro relat\u00f3rio global do Worlds of Journalism Study (WJS3) revela um cen\u00e1rio de press\u00e3o crescente sobre jornalistas em todo o mundo. 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