{"id":4573,"date":"2025-11-23T17:01:05","date_gmt":"2025-11-23T20:01:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/poscom\/?p=4573"},"modified":"2025-11-23T19:11:41","modified_gmt":"2025-11-23T22:11:41","slug":"o-paradoxo-comunicacional-do-antropoceno-uma-analise-da-tragedia-do-rs-e-o-choque-global-planetario-em-chakrabarty","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/poscom\/2025\/11\/23\/o-paradoxo-comunicacional-do-antropoceno-uma-analise-da-tragedia-do-rs-e-o-choque-global-planetario-em-chakrabarty","title":{"rendered":"O paradoxo comunicacional do antropoceno: Uma an\u00e1lise da trag\u00e9dia do RS e o choque global-planet\u00e1rio em Chakrabarty"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><em>Por:<\/em><\/strong> <em>Ana Luiza Dutra Ribeiro<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>As \u00e1guas que cobriram o <strong>Rio Grande do Sul em 2024<\/strong> trouxeram uma mensagem sobre o choque entre dois projetos de mundo em rota de colis\u00e3o. No dia 1\u00b0 de maio de 2024, foi registrado o primeiro recorde de chuva no Rio Grande do Sul, quando a esta\u00e7\u00e3o meteorol\u00f3gica do <a href=\"https:\/\/portal.inmet.gov.br\/noticias\/eventos-extremos-chuva-acima-da-m%C3%A9dia-marcam-maio-de-2024\">INMET<\/a>, localizada em Santa Maria, totalizou 213,6 mm. Esse valor passou a ser o maior j\u00e1 registrado em um \u00fanico dia nessa esta\u00e7\u00e3o em 112 anos. Os n\u00fameros finais chocaram os quatro cantos do Brasil. Segundo o <a href=\"https:\/\/www.estado.rs.gov.br\/defesa-civil-atualiza-balanco-das-enchentes-no-rs-20-8\">Governo do RS<\/a>, foram contabilizados <strong>478 munic\u00edpios afetados<\/strong>, <strong>183 mortos<\/strong>, <strong>806 feridos<\/strong> e <strong>2.398.255 afetado<\/strong>s. Al\u00e9m disso, segundo o relat\u00f3rio conjunto produzido pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe (CEPAL) e Grupo Banco Mundial, o impacto global estimado \u00e9 de aproximadamente<strong> <\/strong><a href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.18235\/0013254\"><strong>R$ 88,9 bilh\u00f5es.<\/strong><\/a> Mas por tr\u00e1s das estat\u00edsticas, uma realidade mais complexa, est\u00e1vamos testemunhando o encontro violento entre a <strong>Hist\u00f3ria Global<\/strong> e a <strong>Hist\u00f3ria Planet\u00e1ria<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Para entender essa colis\u00e3o, precisamos de <strong>Dipesh Chakrabarty (2024)<\/strong>, historiador indiano cujo trabalho nos mostra outras formas de pensarmos sobre a crise clim\u00e1tica. Em seu livro <strong><em>\u201cO Global e o Planet\u00e1rio: A Hist\u00f3ria na Era da Crise Clim\u00e1tica\u201d<\/em><\/strong>, ele nos apresenta como ler essa colis\u00e3o de hist\u00f3rias. Sua distin\u00e7\u00e3o entre Global e Planet\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 apenas conceitual, \u00e9 existencial. O <strong>Global<\/strong> representa o mundo que constru\u00edmos atrav\u00e9s de s\u00e9culos de modernidade ocidental: n\u00e3o apenas redes de capital e Estados-na\u00e7\u00e3o, mas toda uma ideia civilizat\u00f3ria fundada na domina\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica da natureza. \u00c9 a esfera onde prevalecem temporalidades humanas, artificiais &#8211; como ciclos eleitorais e trimestres financeiros -, e naturais &#8211; como gesta\u00e7\u00f5es e a morte. O Global opera sob a l\u00f3gica implac\u00e1vel da acelera\u00e7\u00e3o e acumula\u00e7\u00e3o infinita, convertendo rios em \u201crecursos h\u00eddricos\u201d, florestas em \u201cestoques de carbono\u201d e ecossistemas complexos em \u201cservi\u00e7os ambientais\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 o <strong>Planet\u00e1rio<\/strong> designa a Terra como sistema f\u00edsico aut\u00f4nomo, com suas temporalidades profundas, eras glaciais e ciclos de carbono milenares. \u00c9 a esfera das for\u00e7as geobiol\u00f3gicas que operam independentemente da hist\u00f3ria humana. O Planet\u00e1rio n\u00e3o obedece \u00e0 l\u00f3gica do mercado ou do Estado, segue ritmos pr\u00f3prios, medidos em s\u00e9culos e mil\u00eanios, n\u00e3o em ciclos econ\u00f4micos ou legislativos. Aqui reside a grande problematiza\u00e7\u00e3o do autor: por s\u00e9culos, operamos sob o que ele chama de \u201cgrande ilus\u00e3o moderna\u201d, a cren\u00e7a de que o Planet\u00e1rio constitu\u00eda um palco est\u00e1vel e previs\u00edvel onde os dramas humanos poderiam se desenrolar. A natureza seria um recurso passivo, um fundo inesgot\u00e1vel para nossa expans\u00e3o. A crise clim\u00e1tica rompe essa ilus\u00e3o de forma brutal.<br>Chakrabarty nos for\u00e7a a confrontar um paradoxo fundamental de nossa condi\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea: pela primeira vez na hist\u00f3ria do planeta, uma esp\u00e9cie biol\u00f3gica adquire a capacidade consciente de alterar processos geol\u00f3gicos em escala planet\u00e1ria, se tornando o que ele denomina de &#8220;<strong>for\u00e7a geol\u00f3gica consciente<\/strong>&#8220;. Contudo, essa mesma esp\u00e9cie permanece fundamentalmente vulner\u00e1vel \u00e0s for\u00e7as colossais que desencadeia. Somos, simultaneamente, agentes tect\u00f4nicos e seres fr\u00e1geis, uma contradi\u00e7\u00e3o existencial que define os contornos de nossa nova era, o <strong>Antropoceno.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p><strong><em>\u201cO Antropoceno, exige que pensemos nas duas escalas vastamente diferentes de tempo envolvidas na hist\u00f3ria da Terra e na hist\u00f3ria do Mundo, respectivamente: isto \u00e9, as dezenas de milh\u00f5es de anos de uma \u00e9poca geol\u00f3gica em geral abarca, versus os quinhentos anos no m\u00e1ximo que, pode-se dizer, constituem a hist\u00f3ria do capitalismo\u201d (Chakrabarty, 2024, p. 240).<\/em><\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Este paradoxo desestabiliza as pr\u00f3prias funda\u00e7\u00f5es do pensamento moderno. Como podemos ser, ao mesmo tempo, sujeitos que escrevem a hist\u00f3ria e objetos das for\u00e7as que nossa a\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica libera? O projeto iluminista nos colocou como senhores e possuidores da natureza, mas a crise clim\u00e1tica revela que essa senhoria era falsa, controlamos cada vez mais os mecanismos, mas n\u00e3o as consequ\u00eancias de seu funcionamento desregulado. A no\u00e7\u00e3o de &#8220;for\u00e7a geol\u00f3gica consciente&#8221; carrega em si uma ironia: a consci\u00eancia que nos permitiu transformar o planeta \u00e9 a mesma que nos torna cientes de nossa impot\u00eancia final diante dos sistemas terrestres que perturbamos. O carbono que emitimos conscientemente atrav\u00e9s de ind\u00fastrias e combust\u00edveis f\u00f3sseis desencadeia respostas clim\u00e1ticas cuja complexidade ultrapassa nossa capacidade de previs\u00e3o e controle.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta condi\u00e7\u00e3o redefine a ag\u00eancia humana. N\u00e3o nos limitamos a atuar dentro de um sistema terrestre preexistente e est\u00e1vel, agora participamos ativamente na reconfigura\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios processos que constituem esse sistema. O Antropoceno, portanto, n\u00e3o celebra o triunfo humano sobre a natureza, mas exp\u00f5e nossa inser\u00e7\u00e3o problem\u00e1tica nos sistemas terrestres: temos o poder de perturbar o planeta, mas n\u00e3o o de domin\u00e1-lo. E essa perturba\u00e7\u00e3o, na realidade, afeta apenas a possibilidade da exist\u00eancia da nossa esp\u00e9cie. Pois a estrutura milenar evolutiva que permitiu que nossa esp\u00e9cie surgisse e evolu\u00edsse, est\u00e1 sendo alterada. E as consequ\u00eancias dessas altera\u00e7\u00f5es, se nada for feito, <strong>levar\u00e1 a ir\u00f4nica extin\u00e7\u00e3o de nossa esp\u00e9cie.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na pr\u00e1tica, essa condi\u00e7\u00e3o revela uma cruel assimetria de poder, enquanto as decis\u00f5es que realmente moldam nosso impacto planet\u00e1rio, os modelos energ\u00e9ticos, as pol\u00edticas de uso do solo, os tratados econ\u00f4micos globais, s\u00e3o tomadas por um restrito grupo de elites pol\u00edticas e corporativas, s\u00e3o as popula\u00e7\u00f5es comuns que, em seu cotidiano, se veem transformadas em agentes geol\u00f3gicos involunt\u00e1rios. O agricultor familiar que recorre a agrot\u00f3xicos para manter sua competitividade em um mercado controlado por grandes conglomerados, e o trabalhador que depende de um transporte movido a combust\u00edveis f\u00f3sseis por falta de alternativas acess\u00edveis, n\u00e3o est\u00e3o escolhendo ser for\u00e7as de escala planet\u00e1ria. Eles est\u00e3o sobrevivendo dentro de um sistema que foi imposto. Suas a\u00e7\u00f5es, quando multiplicadas por milh\u00f5es, alteram de fato a qu\u00edmica da atmosfera. No entanto, a trag\u00e9dia maior reside no fato de que essas mesmas pessoas, que colhem os riscos do sistema, mas nunca seus maiores benef\u00edcios, ser\u00e3o as primeiras e mais gravemente atingidas pelas enxurradas, secas e ondas de calor que esse mesmo sistema desregulou. A vulnerabilidade, portanto, n\u00e3o \u00e9 democr\u00e1tica, ela recai com peso desproporcional sobre aqueles com menor poder para mudar as regras do jogo.<\/p>\n\n\n\n<p>Este \u00e9 o centro da contradi\u00e7\u00e3o do Antropoceno, a mesma t\u00e9cnica que nos deu poder geol\u00f3gico n\u00e3o nos deu imunidade geol\u00f3gica. Continuamos t\u00e3o vulner\u00e1veis \u00e0s for\u00e7as da natureza quanto nossos ancestrais do Neol\u00edtico, apenas, agora, s\u00e3o for\u00e7as que n\u00f3s mesmos desequilibramos. A \u00e1gua que invade as casas \u00e9 ao mesmo tempo natural e humana, natural em sua materialidade, humana em sua intensidade e frequ\u00eancia crescentes. O paradoxo que Chakrabarty identifica nos condena a habitar um limbo hist\u00f3rico, somos os primeiros seres que precisam aprender a governar n\u00e3o apenas suas sociedades, mas sua pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o de for\u00e7a geol\u00f3gica uma tarefa para a qual n\u00e3o temos precedentes, nem ferramentas conceituais adequadas, nem institui\u00e7\u00f5es capazes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Neste limbo, a comunica\u00e7\u00e3o revela-se uma arena de conflito. A linguagem do Global, com seu vocabul\u00e1rio de crescimento \u2013 PIB, <em>commodities<\/em> e efici\u00eancia \u2013-, se mostra insuficiente para traduzir a dimens\u00e3o existencial do Planet\u00e1rio. <strong><em>Como comunicar, nos curtos ciclos da m\u00eddia e da pol\u00edtica, a lentid\u00e3o de uma era glacial ou a f\u00faria acumulada de ciclos de carbono milenares?<\/em><\/strong> Os alertas cient\u00edficos, convertidos em manchetes e debates eleitorais, s\u00e3o frequentemente dilu\u00eddos, distorcidos ou tratados como mais um tema na disputa de narrativas. A pr\u00f3pria ideia de um &#8220;alerta&#8221; pressup\u00f5e um receptor capaz de ouvir e agir, mas a estrutura global, voltada para a acelera\u00e7\u00e3o e a acumula\u00e7\u00e3o, \u00e9 surda aos ritmos e aos avisos do planeta. A trag\u00e9dia ga\u00facha, portanto, como veremos, n\u00e3o foi apenas uma falha de alertas meteorol\u00f3gicos, foi tamb\u00e9m uma falha comunicacional de escala civilizat\u00f3ria, onde a mensagem, embora gritada h\u00e1 d\u00e9cadas pela ci\u00eancia e pelos movimentos ambientais, n\u00e3o pode ser processada por um sistema cognitivo e econ\u00f4mico configurado para ignor\u00e1-la.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta n\u00e3o \u00e9 apenas uma colis\u00e3o entre diferentes escalas temporais, mas entre modos distintos de ver o mundo. O Global, com sua f\u00e9 no controle t\u00e9cnico e no progresso, esbarra na resist\u00eancia do Planet\u00e1rio, que imp\u00f5e limites e que n\u00e3o se deixa domesticar por solu\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas. O que torna as ideias de Chakrabarty particularmente pertinentes para compreender a trag\u00e9dia ga\u00facha e para pensarmos como comunicar os novos tempos. Pois elas t\u00eam a capacidade de revelar como a colis\u00e3o Global-Planet\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno abstrato, mas se materializa nos pampas alagados da Quarta Col\u00f4nia, no gado arrastado pela correnteza na campanha, nas pontes derrubadas em Porto Alegre, nos alertas da Defesa Civil que n\u00e3o eram compreendidos. Cada gota de chuva que caiu sobre o RS carregava consigo a assinatura dessa colis\u00e3o hist\u00f3rica, <strong><em>a mem\u00f3ria do desenvolvimento global encontrando os limites planet\u00e1rios.<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>DE BER\u00c7O DO AMBIENTALISMO \u00c0 T\u00daMULO DOS ALERTAS CLIM\u00c1TICOS<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>O Rio Grande do Sul carrega em sua hist\u00f3ria ambiental uma contradi\u00e7\u00e3o de profunda ironia. Foi neste extremo sul do Brasil que a <strong>consci\u00eancia ecol\u00f3gica<\/strong> n\u00e3o apenas despertou, mas se organizou pioneiramente, dando voz a um movimento que sacudiu as estruturas do pa\u00eds (Pereira, 2018). E \u00e9 neste mesmo solo, meio s\u00e9culo depois, que se desenha o mais avassalador cap\u00edtulo da crise clim\u00e1tica brasileira, materializando a resposta planet\u00e1ria a d\u00e9cadas de alertas sistematicamente ignorados. O que ocorreu aqui em 2024 transcende qualquer registro hist\u00f3rico recente, apresentando ao Brasil a for\u00e7a incompar\u00e1vel de um planeta que se defende.<\/p>\n\n\n\n<p>A g\u00eanese dessa consci\u00eancia remonta a 27 de abril de 1971, quando um grupo fundou em Porto Alegre a Associa\u00e7\u00e3o Ga\u00facha de Prote\u00e7\u00e3o ao Ambiente Natural (Agapan). Sob a lideran\u00e7a do primeiro presidente, o ambientalista <strong>Jos\u00e9 Lutzenberger<\/strong>, a associa\u00e7\u00e3o emergiu combatendo os mesmos problemas que hoje assolam o estado com intensidade redobrada: a intoxica\u00e7\u00e3o por agrot\u00f3xicos, a devasta\u00e7\u00e3o mineral, a polui\u00e7\u00e3o industrial e a degrada\u00e7\u00e3o dos biomas. O legado institucional dessa mobiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 sentido na hist\u00f3ria brasileira, a Agapan foi fundamental na cria\u00e7\u00e3o da primeira Secretaria de Meio Ambiente do Brasil, em Porto Alegre, estabelecendo os futuros paradigmas para estruturas estaduais e nacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, nas d\u00e9cadas seguintes, testemunhamos um met\u00f3dico processo de desmonte legislativo. O <strong>C\u00f3digo Florestal<\/strong> <strong>estadual<\/strong>, gestado em nove anos de debates t\u00e9cnicos e contribui\u00e7\u00f5es do pr\u00f3prio Lutzenberger em 1992. Considerado um dos mais completos e modernos do pa\u00eds, foi brutalmente atropelado em 2019. O novo texto, que cortou 480 pontos da legisla\u00e7\u00e3o, representou um <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2019\/10\/18\/novo-codigo-ambiental-do-rs-representa-retrocesso-de-40-anos-acusa-agapan\/\">retrocesso de quatro d\u00e9cadas na prote\u00e7\u00e3o ambiental<\/a>, segundo a Agapan. Entre eles, destacam-se a elimina\u00e7\u00e3o de incentivos \u00e0 prote\u00e7\u00e3o ambiental, o esvaziamento do licenciamento atrav\u00e9s da Licen\u00e7a por Ades\u00e3o de Compromisso, um mecanismo de autodeclara\u00e7\u00e3o que entrega ao empreendedor as chaves da fiscaliza\u00e7\u00e3o, e o desmantelamento do <a href=\"https:\/\/www.al.rs.gov.br\/FileRepository\/repLegisComp\/Lei%20n%C2%BA%2009.519.pdf\"><strong>C\u00f3digo Florestal estadual<\/strong><\/a>, revogando prote\u00e7\u00f5es essenciais a florestas nativas e esp\u00e9cies amea\u00e7adas.<\/p>\n\n\n\n<p>O que se abateu sobre o Rio Grande do Sul em 2024 foi a manifesta\u00e7\u00e3o simult\u00e2nea e cruel de duas dimens\u00f5es indissoci\u00e1veis da crise ecol\u00f3gica contempor\u00e2nea. A enchente foi planet\u00e1ria: a Terra respondeu com f\u00faria aos s\u00e9culos de interfer\u00eancia humana em seus sistemas. As chuvas extremas, projetadas pela ci\u00eancia h\u00e1 d\u00e9cadas, obedeceram a uma l\u00f3gica clim\u00e1tica de escala continental. Os dados do <a href=\"https:\/\/brasil.mapbiomas.org\/2023\/11\/28\/pampa-sul-americano-segue-perdendo-a-vegetacao-nativa\/\">MapBiomas Brasil<\/a> mostram a trag\u00e9dia anunciada: o Pampa ga\u00facho, o bioma menos protegido do pa\u00eds com apenas <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2025\/02\/18\/pampa-e-o-bioma-mais-degradado-do-brasil-em-valores-proporcionais\/\">3% de seu territ\u00f3rio em unidades de conserva\u00e7\u00e3o<\/a>, j\u00e1 tem mais \u00e1rea convertida para atividades antr\u00f3picas (45,6%) do que com vegeta\u00e7\u00e3o nativa preservada (44,5%). Os campos nativos, fundamentais para a infiltra\u00e7\u00e3o h\u00eddrica, encolheram 30,3% desde 1985 \u2014 a maior redu\u00e7\u00e3o proporcional entre todos os biomas brasileiros, estrangulados pela expans\u00e3o da soja e da silvicultura.<\/p>\n\n\n\n<p>Paralelamente, a trag\u00e9dia foi profundamente global, escancarando as vulnerabilidades fabricadas por um modelo de desenvolvimento predat\u00f3rio. A mesma l\u00f3gica que desmata a Amaz\u00f4nia, opera dentro do Rio Grande do Sul: o estado figura entre os maiores consumidores de agrot\u00f3xicos do pa\u00eds e a minera\u00e7\u00e3o amea\u00e7a os aqu\u00edferos. Este sistema produziu uma cat\u00e1strofe socialmente seletiva, recaindo com brutalidade especial sobre os mais pobres, aqueles com &#8220;capacidade adaptativa baixa ou muito baixa&#8221;, como os habitantes de Roca Sales e outros pequenos munic\u00edpios. Hoje, tamb\u00e9m sabemos, segundo o <a href=\"https:\/\/www.ibge.gov.br\/cidades-e-estados\/rs.html\">Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE)<\/a>, <strong>90% do territ\u00f3rio ga\u00facho foi afetado<\/strong> pelas enchentes de 2024. E o mais preocupante, <strong>115 munic\u00edpios n\u00e3o possu\u00edam nenhum tipo de sistema de alerta<\/strong> e<strong> 71 cidades n\u00e3o contavam com planos de conting\u00eancia <\/strong>(IBGE, 2025).<\/p>\n\n\n\n<p>Este v\u00e1cuo institucional exp\u00f5e uma falha comunicacional cr\u00edtica, que Chakrabarty ajuda a decifrar. A colis\u00e3o entre o Global e o Planet\u00e1rio se manifesta, na pr\u00e1tica, como um conflito de l\u00f3gicas temporais incompat\u00edveis. A esfera Global, orientada por prazos eleitorais e metas de crescimento, se mostra estruturalmente incapaz de processar os sinais de longo prazo emitidos pela esfera Planet\u00e1ria, sinais estes que a ci\u00eancia vem traduzindo h\u00e1 d\u00e9cadas. A falta de sistemas de alerta e a desorganiza\u00e7\u00e3o nos planos de resposta n\u00e3o s\u00e3o acidentais, mas o sintoma de que a l\u00f3gica da acelera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica gera uma cegueira sist\u00eamica aos riscos de escala geol\u00f3gica que ela pr\u00f3pria cria. O problema, portanto, n\u00e3o foi a falta de avisos da Defesa Civil, mas a aus\u00eancia de um entendimento social e institucional consolidado sobre como agir diante deles, desde onde buscar informa\u00e7\u00e3o confi\u00e1vel at\u00e9 quais os protocolos a seguir em situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia. A trag\u00e9dia evidenciou que, entre o alerta t\u00e9cnico e a a\u00e7\u00e3o efetiva, h\u00e1 um abismo comunicacional que o projeto Global \u00e9 incapaz de transpor. O Rio Grande do Sul se transformou na demonstra\u00e7\u00e3o de que o projeto global de domina\u00e7\u00e3o da natureza colidiu, de forma violenta e inescap\u00e1vel, com a ag\u00eancia aut\u00f4noma do planet\u00e1rio. O encontro se materializou na \u00e1gua lamacenta que invadiu lares, no luto de quem perdeu familiares, na paisagem transformada de regi\u00f5es inteiras.<\/p>\n\n\n\n<p>O legado que permanece \u00e9 o de um territ\u00f3rio que precisa se reconstruir n\u00e3o apenas materialmente, mas em seus modelos de desenvolvimento e suas intera\u00e7\u00f5es com o ecossistema. <strong>A quest\u00e3o fundamental que se imp\u00f5e \u00e9: como reorganizar a vida neste solo ferido?<\/strong> A resposta exigir\u00e1 muito mais do que diques e alertas meteorol\u00f3gicos. Exigir\u00e1 que repensemos nossa posi\u00e7\u00e3o no mundo: n\u00e3o como senhores de um planeta passivo, mas como habitantes de uma Terra viva e responsiva, que como aprendemos da pior maneira poss\u00edvel, det\u00e9m sempre a \u00faltima palavra. Meio s\u00e9culo atr\u00e1s, Jos\u00e9 Lutzenberger, o pioneiro que implantou as sementes da resist\u00eancia ambiental no solo ga\u00facho, j\u00e1 vislumbrava com uma clareza aterradora o abismo para o qual estamos correndo. Suas palavras, escritas em 1974, ecoam hoje n\u00e3o como profecia, mas como an\u00fancio para uma trag\u00e9dia constru\u00edda: <strong><em>&#8220;Se hoje os estragos s\u00e3o imensos e os mortos se contam \u00e0s centenas, n\u00e3o tardar\u00e1 o dia em que os flagelados e os mortos totalizar\u00e3o milh\u00f5es. Somos incapazes de aprender com nossos erros. As advert\u00eancias sempre mais dram\u00e1ticas da Natureza de nada valem.&#8221;.<\/em><\/strong><strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A chuva ga\u00facha representa a mais eloquente dessas advert\u00eancias, o aviso de que o tempo de nossa inoc\u00eancia hist\u00f3rica chegou ao fim. As \u00e1guas que cobriram o pampa e seus resqu\u00edcios finais, n\u00e3o s\u00e3o apenas um desastre natural. Mas sim, um marco, para n\u00f3s pesquisadores ga\u00fachos, de que a abstra\u00e7\u00e3o te\u00f3rica do Antropoceno se tornou parte da nossa experi\u00eancia concreta, visceral e inescap\u00e1vel. O paradoxo de Chakrabarty nos deixa um exerc\u00edcio para tornar a realidade de uma esp\u00e9cie que de tanto buscar ser a dona deste planeta, acabou por se deparar com as consequ\u00eancias de seus desejos.<\/p>\n\n\n\n<p>Buscando um encerramento para essa breve reflex\u00e3o, podemos ainda, tentar vislumbrar essa colis\u00e3o catastr\u00f3fica de ordens colossais do Global e Planet\u00e1rio como uma abertura de possibilidades para pensarmos nossa rela\u00e7\u00e3o com este planeta. Como defende Chakrabarty (2024, p. 281): <strong><em>\u201cEla (a experi\u00eancia da hist\u00f3ria planet\u00e1ria) provoca o choque do reconhecimento da alteridade do pr\u00f3prio planeta, mesmo quando consideramos o mundo-terra nossa morada: um despertar para a consci\u00eancia de que nem sempre estamos em rela\u00e7\u00e3o com o planeta, no entanto, sem ele, n\u00e3o existimos\u201d.<\/em><\/strong> A trag\u00e9dia ga\u00facha, em sua dimens\u00e3o quase b\u00edblica, oferece uma rara janela de oportunidade para nossa civiliza\u00e7\u00e3o. Ela nos convoca a abandonar definitivamente a fantasia de domina\u00e7\u00e3o e a pensar sobre nossa rec\u00e9m descoberta como habitantes passageiros, n\u00e3o senhores da Terra. Talvez esse possa ser nosso novo prop\u00f3sito civilizacional: <strong>aprendermos a habitar dentro dos limites da Terra, ou sermos expulsos de casa pela pr\u00f3pria casa.\u00a0<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>REFER\u00caNCIAS:<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>AGAPAN (ASSOCIA\u00c7\u00c3O GA\u00daCHA DE PROTE\u00c7\u00c3O AO AMBIENTE NATURAL). <strong>Sobre a Agapan<\/strong>. Porto Alegre, [202-]. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.agapan.org.br\/sobre\">https:\/\/www.agapan.org.br\/sobre<\/a>\u00a0 Acesso em: 9 nov. 2025<br>BRASIL DE FATO. <strong>H\u00e1 50 anos: tr\u00eas estudantes salvam \u00e1rvore em Porto Alegre e viram not\u00edcia mundial. <\/strong>2025. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2025\/02\/24\/ha-50-anos-tres-estudantes-salvam-uma-arvore-em-porto-alegre-e-viram-noticia-mundial\/\">H\u00e1 50 anos: tr\u00eas estudantes salvam \u00e1rvore em Porto Alegre e viram not\u00edcia mundial \u2014 Brasil de Fato<\/a>\u00a0 Acesso em: 9 nov. 2025.<br>BRASIL DE FATO. <strong>Novo C\u00f3digo Ambiental do RS representa retrocesso de 40 anos, acusa Agapan.<\/strong> 18 out. 2019. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2019\/10\/18\/novo-codigo-ambiental-do-rs-representa-retrocesso-de-40-anos-acusa-agapan\/. Acesso em: 9 nov. 2025.<br>CHAKRABARTY, Dipesh.<strong> O global e o planet\u00e1rio<\/strong>: a hist\u00f3ria na era da crise clim\u00e1tica. Tradu\u00e7\u00e3o: Nair Fonseca. 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Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/humanista\/2025\/02\/18\/pampa-e-o-bioma-mais-degradado-do-brasil-em-valores-proporcionais\/\">Pampa \u00e9 o bioma mais degradado do Brasil em valores proporcionais.<\/a> Acesso em: 9 nov. 2025.<br>LUTZENBERGER, Jos\u00e9. <strong>Fim do Futuro? Manifesto Ecol\u00f3gico Brasileiro<\/strong>. Porto Alegre: Editora Movimento, 1976.<br>PEREIRA, Elenita Malta. <strong>Movimentos ambientalistas no Rio Grande Do Sul (d\u00e9cadas 1970-80).<\/strong> Oficina do Historiador, Porto Alegre, v. 11, n. 1, p. 21-42, 2018. DOI: 10.15448\/2178-3748.2018.1.24308. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/revistaseletronicas.pucrs.br\/oficinadohistoriador\/article\/view\/24308\">Movimentos ambientalistas no Rio Grande Do Sul (d\u00e9cadas 1970-80).<\/a>\u00a0 Acesso em: 9 nov. 2025.<br>RIO GRANDE DO SUL. <strong>Boletins sobre o impacto das chuvas no RS.<\/strong> Portal do Estado do Rio Grande do Sul, 2024. 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No dia 1\u00b0 de maio de 2024, foi registrado o primeiro recorde de chuva no Rio Grande do Sul, quando a esta\u00e7\u00e3o meteorol\u00f3gica do [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1435,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[71,162],"class_list":["post-4573","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria","tag-ejor","tag-pesquisasejor"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/poscom\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4573","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/poscom\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/poscom\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/poscom\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1435"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/poscom\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4573"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/poscom\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4573\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/poscom\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4573"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/poscom\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4573"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/poscom\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4573"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}