{"id":3369,"date":"2020-04-03T09:26:22","date_gmt":"2020-04-03T12:26:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/ppgd\/?page_id=3369"},"modified":"2020-04-03T09:40:37","modified_gmt":"2020-04-03T12:40:37","slug":"fronteiras-da-igualdade-direito-a-educacao-superior-para-imigrantes-e-refugiadosas-na-ufsm","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/ppgd\/fronteiras-da-igualdade-direito-a-educacao-superior-para-imigrantes-e-refugiadosas-na-ufsm","title":{"rendered":"FRONTEIRAS DA IGUALDADE: DIREITO \u00c0 EDUCA\u00c7\u00c3O SUPERIOR PARA IMIGRANTES E REFUGIADOS(AS) NA UFSM"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"text-align: center\"><strong><a href=\"bertoldojaque@gmail.com\">Jaqueline Bertoldo<\/a> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center\">Orientadora: Profa. Dra. Giuliana Redin<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>A educa\u00e7\u00e3o \u00e9 um tema de todos e todas. De uma forma ou outra, todos e todas se importam sobre os rumos da educa\u00e7\u00e3o no pa\u00eds, seja pela preocupa\u00e7\u00e3o com os filhos, com a juventude, com os valores e saberes que est\u00e3o sendo ensinados ou tamb\u00e9m pela ideia de que \u201ca educa\u00e7\u00e3o pode mudar o mundo\u201d. No entanto, os dados mostram que a maioria dos jovens de escolas p\u00fablicas que terminam o ensino m\u00e9dio no Brasil n\u00e3o conseguem acessar o ensino superior, mostrando outra face do debate sobre educa\u00e7\u00e3o no pa\u00eds: das desigualdades, injusti\u00e7as e necessidade urgente de democratiza\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, quando falamos na popula\u00e7\u00e3o negra, s\u00e3o ainda maiores as barreiras para que esses jovens possam ingressar na faculdade, reflexo de anos de escravid\u00e3o, exclus\u00e3o social e discrimina\u00e7\u00e3o. Em raz\u00e3o desse cen\u00e1rio, governos, sociedade civil, professores e estudantes de todo pa\u00eds discutem e lutam para promo\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas de inclus\u00e3o, como as leis de cotas e a\u00e7\u00f5es afirmativas, com o objetivo de diminuir as profundas desigualdades no acesso ao ensino p\u00fablico superior.<\/p>\n<p>Atualmente, com a chegada das popula\u00e7\u00f5es de imigrantes e refugiados no Brasil, principalmente de pa\u00edses da \u00c1frica, Oriente M\u00e9dio e Am\u00e9rica Latina, o tema da educa\u00e7\u00e3o e do acesso ao ensino superior ganha novos contornos: como garantir o direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e como acolher respeitando e promovendo a diversidade dos povos migrantes? Segundo a legisla\u00e7\u00e3o, refugiados(as) s\u00e3o pessoas que saem do seu pa\u00eds de maneira for\u00e7ada, por quest\u00f5es de guerra, persegui\u00e7\u00e3o ou graves viola\u00e7\u00f5es de direitos e, por isso, buscam acolhida para reconstruir suas vidas em outros locais. No caso dos(as) imigrantes, muitos enfrentam dificuldades de acesso a direitos b\u00e1sicos em seus pa\u00edses e, por isso, migram para outros lugares em busca de oportunidades de trabalho, estudo, melhores condi\u00e7\u00f5es de vida para si e sua fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Retornando ao tema da educa\u00e7\u00e3o, em aten\u00e7\u00e3o aos dados quantitativos, a Ag\u00eancia da ONU para Refugiados afirmou que somente 3% da popula\u00e7\u00e3o refugiada t\u00eam acesso ao ensino superior hoje. Na realidade brasileira, somente 225 pessoas nessa condi\u00e7\u00e3o est\u00e3o matriculadas em institui\u00e7\u00f5es de ensino superior. As principais dificuldades e barreiras que imigrantes e refugiados enfrentam para ingressar na universidade s\u00e3o: as dificuldades com o idioma, o desconhecimento da cultura e pr\u00e1ticas locais, as quest\u00f5es burocr\u00e1ticas e documentais, a vulnerabilidade econ\u00f4mica e social, o preconceito e a xenofobia.<\/p>\n<p>Diante desse contexto, muitas universidades brasileiras est\u00e3o adotando procedimentos diferenciados para facilitar o ingresso de refugiados(as) ou imigrantes em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade, conforme a legisla\u00e7\u00e3o nacional e internacional, como forma de garantir a integra\u00e7\u00e3o e inclus\u00e3o econ\u00f4mica e produtiva dessas popula\u00e7\u00f5es na sociedade local. Esse \u00e9 o caso da Universidade Federal de Santa Maria que, em 2016, aprovou uma pol\u00edtica para ingresso de refugiados(as) e imigrantes em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade na institui\u00e7\u00e3o, com possibilidade de cria\u00e7\u00e3o de at\u00e9 5% de vagas suplementares nos cursos de gradua\u00e7\u00e3o, t\u00e9cnicos e tecn\u00f3logos. Por meio dessa nova a\u00e7\u00e3o afirmativa, nos anos de 2017 e 2018, a UFSM recebeu 56 estudantes na condi\u00e7\u00e3o de refugiados(as) e imigrantes em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade, sendo de 15 diferentes nacionalidades e matriculados em 23 cursos de gradua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Assim, na pesquisa de disserta\u00e7\u00e3o <em>\u201cFronteiras da igualdade\u201d <\/em>buscamos dialogar com alguns desses estudantes de modo a entender melhor suas principais dificuldades, desafios e contribui\u00e7\u00f5es no contexto dos cursos de gradua\u00e7\u00e3o da UFSM. Por meio de entrevistas e narrativas, os(as) estudantes relataram sobre as dificuldades em chegar no Brasil e como a condi\u00e7\u00e3o de estrangeiro refletiu nas suas oportunidades de trabalho e estudo no pa\u00eds. Mesmo com tantas barreiras, por meio da pol\u00edtica de ingresso da UFSM, idealizada e constru\u00edda em aten\u00e7\u00e3o \u00e0s condi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas de quem vivencia a migra\u00e7\u00e3o, esses(as) estudantes puderam continuar ou iniciar os estudos no ensino superior.<\/p>\n<p>Sobre as suas experi\u00eancias na institui\u00e7\u00e3o, os relatos dos(as) estudantes revelaram tamb\u00e9m que ainda s\u00e3o muitos os desafios para acolhida, principalmente em raz\u00e3o das situa\u00e7\u00f5es de preconceito, racismo e xenofobia vivenciadas em sala de aula. Todos(as) os imigrantes e refugiados(as) com quem conversamos relataram situa\u00e7\u00f5es de exclus\u00e3o e isolamento nas atividades de grupo em sala de aula e o estranhamento por parte de alguns colegas e professores. Na fala de um dos imigrantes entrevistados: \u201cNa turma a acolhida n\u00e3o foi t\u00e3o boa, a come\u00e7ar a falar com as pessoas levou um tempo, a turma era fechada no in\u00edcio. Tive s\u00f3 um pequeno problema nos trabalhos em grupo, tipo ningu\u00e9m me conhecia, alguns tem um certo preconceito, ent\u00e3o n\u00e3o queriam muito fazer comigo os primeiros trabalhos.\u201d Outras narrativas foram similares, revelando como o encontro com o diferente pode causar medo, estranhamento e impedir novas possibilidades de trocas culturais, saberes e conhecimentos.<\/p>\n<p>Apesar dessa realidade, a pesquisa e as entrevistam tamb\u00e9m apresentaram novas perspectivas a partir da experi\u00eancia dos imigrantes e refugiados, principalmente com rela\u00e7\u00e3o ao car\u00e1ter social, p\u00fablico e coletivo do acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, da produ\u00e7\u00e3o do conhecimento e da ci\u00eancia. Desde que ingressaram na institui\u00e7\u00e3o, dois grupos de estudantes nacionais do Haiti criaram projetos de pesquisa, ensino e extens\u00e3o nas \u00e1reas de sa\u00fade e engenharia el\u00e9trica, com o objetivo de proporcionar novos olhares sobre os temas, trocas de experi\u00eancias entre professores, estudantes e alunos(as), bem como de impactar positivamente a realidade local no Brasil e no seu pa\u00eds, Haiti. Esses novos estudantes, cujas fronteiras n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 para chegar ao pa\u00eds, mas tamb\u00e9m para acessar direitos importantes como a educa\u00e7\u00e3o, representam tamb\u00e9m uma oportunidade para as universidades brasileiras na atualidade, em especial diante de tantos ataques e dificuldades, para novos caminhos, mais democr\u00e1ticos, diversos e plurais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jaqueline Bertoldo Orientadora: Profa. Dra. Giuliana Redin \u00a0A educa\u00e7\u00e3o \u00e9 um tema de todos e todas. 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