{"id":5033,"date":"2023-10-24T15:34:50","date_gmt":"2023-10-24T18:34:50","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/ppgd\/?p=5033"},"modified":"2023-10-24T15:34:52","modified_gmt":"2023-10-24T18:34:52","slug":"apartheid-e-genocidio-fundamentos-de-uma-guerra-desigual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/ppgd\/2023\/10\/24\/apartheid-e-genocidio-fundamentos-de-uma-guerra-desigual","title":{"rendered":"Apartheid e Genoc\u00eddio: fundamentos de uma guerra desigual"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"text-align: center\"><span style=\"font-weight: 400\">Por Giuliana Redin<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> e Alex Barcelos Monaiar<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ap\u00f3s um ataque surpresa do Hamas (Movimento de Resist\u00eancia Isl\u00e2mica) em 7 de outubro, que resultou em centenas de mortes de civis e militares israelenses nos primeiros dias, Israel lan\u00e7a a \u201cOpera\u00e7\u00e3o Espada de Ferro\u201d contra Gaza, multiplicando exponencialmente a morte de civis palestinos, majoritariamente crian\u00e7as e mulheres, causando tamb\u00e9m o deslocamento massivo e for\u00e7ado de centenas de milhares de palestinos da regi\u00e3o. \u00c9 preciso somarmos as vozes em defesa do Direito Humanit\u00e1rio Internacional (DHI), Direito Internacional dos Direitos Humanos (DIDH) e do direito fundamental \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o dos povos na conclama\u00e7\u00e3o por um imediato cessar fogo na guerra declarada por Israel. Diferente do que sugerem os meios hegem\u00f4nicos de comunica\u00e7\u00e3o, esses t\u00eam sido os pontos defendidos por ampla maioria dos 15 Estados membros nas duas reuni\u00f5es do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU (16\/10\/23 e 18\/10\/23). \u00c9 preciso apontar para a sistem\u00e1tica e brutal viola\u00e7\u00e3o de direitos humanos a que est\u00e1 sendo submetido h\u00e1 d\u00e9cadas o povo palestino, situa\u00e7\u00e3o j\u00e1 reconhecida e reiterada em v\u00e1rias resolu\u00e7\u00f5es do Conselho de Seguran\u00e7a (CS), Assembleia Geral (AG) e decis\u00f5es do Conselho de Direitos Humanos da ONU. Se os horrores a partir de 07 de outubro fossem uma fotografia, o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">apartheid <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">e o genoc\u00eddio em curso seriam o filme desta cat\u00e1strofe humanit\u00e1ria.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Das dezenas de viola\u00e7\u00f5es que constituem tipos do crime de guerra previstos no Tribunal Penal Internacional (art. 8), quase a sua totalidade j\u00e1 foi perpetrada neste conflito por a\u00e7\u00f5es diretas do Estado de Israel, estando aos olhos do mundo as imagens, as declara\u00e7\u00f5es e os fatos. Isso aponta para um brutal e reiterado retrocesso em rela\u00e7\u00e3o ao DHI: a completa inobserv\u00e2ncia destas normas cogentes de direito internacional por parte do ex\u00e9rcito mais forte, com melhor tecnologia b\u00e9lica, e que est\u00e1 sintetizada na manifesta\u00e7\u00e3o do Ministro da Defesa do Estado de Israel Yoav Gallant, que qualificou palestinos como \u201canimais humanos\u201d[1]<\/span><span style=\"font-weight: 400\">, sugerindo que ao povo palestino n\u00e3o se aplica a regra de humanidade. Nesse sentido de desumaniza\u00e7\u00e3o dos palestinos, est\u00e1 o fato de que Israel, apesar de ter ratificado as Conven\u00e7\u00f5es de Genebra do DHI em 1951, decidiu que as mesmas n\u00e3o teriam aplica\u00e7\u00e3o nos territ\u00f3rios ocupados de Gaza e Cisjord\u00e2nia, pelo argumento de que &#8220;n\u00e3o estavam sobre a soberania de nenhum Estado antes da ocupa\u00e7\u00e3o, portanto n\u00e3o podem ser considerados ocupados&#8221;[2]<\/span><span style=\"font-weight: 400\">, esquivando-se assim das responsabilidades internacionais e humanit\u00e1rias de for\u00e7a ocupante.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00c9 imposs\u00edvel compreender a complexidade da situa\u00e7\u00e3o atual sem olhar para o sionismo, enquanto ideologia racial hegem\u00f4nica no Estado de Israel, presente desde sua funda\u00e7\u00e3o, e que se tornou Pol\u00edtica de Estado. Em 1975, a AG da ONU aprovou a Resolu\u00e7\u00e3o 3379 que considerou o sionismo uma forma de racismo[3]<\/span><span style=\"font-weight: 400\">, a qual foi revogada em 1991 como condi\u00e7\u00e3o para Israel iniciar as conversa\u00e7\u00f5es de Oslo. Esta pol\u00edtica do Estado de Israel, h\u00e1 d\u00e9cadas tem promovido um <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">apartheid,<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> crime contra a humanidade,<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">dentro de suas pr\u00f3prias fronteiras e ocupa\u00e7\u00f5es ilegais dentro do territ\u00f3rio palestino, estas condenadas por v\u00e1rias resolu\u00e7\u00f5es da ONU: Resolu\u00e7\u00e3o 446 de 1979 do CS; Resolu\u00e7\u00e3o 51\/223 de 1997 da AG; Resolu\u00e7\u00e3o 10\/6 de 1999 da AG; Decis\u00e3o de 2010 do Conselho de Direitos Humanos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Um Estado racial, diferente de um Estado nacional, significa que os direitos n\u00e3o decorrem de um v\u00ednculo de nacionalidade, mas de pertencimento a uma etnia, portanto, de supremacia desta sobre outras. Israel manifesta essa discrimina\u00e7\u00e3o na sua legisla\u00e7\u00e3o interna sobre cidadania, resid\u00eancia, casamento, acesso \u00e0 terra e propriedade e legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica para territ\u00f3rios ocupados, promove tribunais de exce\u00e7\u00e3o, vigil\u00e2ncia e controle total sobre o povo palestino[4]<\/span><span style=\"font-weight: 400\">. Al\u00e9m das pol\u00edticas discriminat\u00f3rias dom\u00e9sticas, os territ\u00f3rios palestinos ocupados pelos assentamentos israelenses considerados ilegais, conforme Resolu\u00e7\u00e3o 334 de 2016 do CS[5]<\/span><span style=\"font-weight: 400\">, est\u00e3o submetidos \u00e0s ordens militares de Israel, configurando o estado de exce\u00e7\u00e3o, com viola\u00e7\u00f5es, segundo relat\u00f3rio da Anistia Internacional[6]<\/span><span style=\"font-weight: 400\">, \u00e0 vida, liberdade, seguran\u00e7a e tratamento igualit\u00e1rio perante a lei, acesso \u00e0 medicamentos, liberdade de express\u00e3o e reuni\u00e3o pac\u00edfica, igualdade e n\u00e3o discrimina\u00e7\u00e3o, moradia, liberdade de movimento, direitos das crian\u00e7as e adolescentes, bem-estar f\u00edsico e mental, \u00e1gua, educa\u00e7\u00e3o e ao trabalho. A Uni\u00e3o Europeia tamb\u00e9m declarou que \u201cos assentamentos constru\u00eddos no territ\u00f3rio palestino ocupado, incluindo Jerusal\u00e9m do Leste, s\u00e3o ilegais sob a lei internacional, constituindo um obst\u00e1culo para a paz e amea\u00e7ando a possibilidade de uma solu\u00e7\u00e3o de dois Estados\u201d<\/span><span style=\"font-weight: 400\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A Faixa de Gaza, territ\u00f3rio palestino com 2,3 milh\u00f5es de pessoas, uma das regi\u00f5es com maior densidade populacional do mundo onde cerca de 47,3% da popula\u00e7\u00e3o tem menos de 18 anos[8]<\/span><span style=\"font-weight: 400\">, tornou-se conhecidamente como a \u201cmaior pris\u00e3o a c\u00e9u aberto do mundo\u201d, cercada pelo mar, controlado pelas for\u00e7as israelenses, pela fronteira com o Egito (at\u00e9 o momento fechada) e por muros constru\u00eddos ao longo de todo per\u00edmetro por Israel. Os muros s\u00e3o condenados pela ONU, conforme Resolu\u00e7\u00f5es 10\/13 da AG de 2003 e 10\/15 de 2005[9]<\/span><span style=\"font-weight: 400\">. Embora Israel tenha retirado os assentados israelenses da Faixa de Gaza em 2005, o poder de for\u00e7a ocupante subsiste: \u201cNa perspectiva do direito internacional, Gaza permanece ocupada, devido ao controle das fronteiras, a\u00e9reas e mar\u00edtimas e peri\u00f3dicas incurs\u00f5es militares\u201d, apontou Richard Falk, em relat\u00f3rio especial para a AG em 2014[10]<\/span><span style=\"font-weight: 400\">.<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> Na condi\u00e7\u00e3o de for\u00e7a ocupante, ainda cabe a Israel o respeito \u00e0 IV Conven\u00e7\u00e3o de Genebra de 1949, fonte do Direito Humanit\u00e1rio Internacional, conforme o art. 4\u00ba que disp\u00f5e sobre as obriga\u00e7\u00f5es do poder ocupante em territ\u00f3rio ocupado, das quais uso proporcional da for\u00e7a, manuten\u00e7\u00e3o do bem-estar da popula\u00e7\u00e3o entre outras. Al\u00e9m do DHI, Israel est\u00e1 obrigado a respeitar o Direito Internacional dos Direitos Humanos neste territ\u00f3rio. Em flagrante viola\u00e7\u00e3o a este arcabou\u00e7o jur\u00eddico cogente internacional \u00e9 recorrente a pr\u00e1tica de bloqueio por parte de Israel da entrada e sa\u00edda de pessoas, mercadorias e bens essenciais \u00e0 sobreviv\u00eancia, constituindo o que se tem chamado de &#8220;puni\u00e7\u00e3o coletiva&#8221; em rea\u00e7\u00e3o aos ataques de grupos de resist\u00eancia organizados.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A \u201cpuni\u00e7\u00e3o coletiva\u201d, nas palavras do Secret\u00e1rio Geral da ONU, Ant\u00f3nio Guterres, \u201cn\u00e3o pode ser executada como justificativa para os atos repreens\u00edveis do Hamas que horrorizaram e aterrorizaram os civis israelenses\u201d[11]<\/span><span style=\"font-weight: 400\">. No entanto, esta tem sido a pr\u00e1tica do Estado de Israel contra o povo palestino, um genoc\u00eddio em curso, negado por uma falsa equival\u00eancia de for\u00e7as ou exerc\u00edcio de \u201cleg\u00edtima defesa\u201d com ataques em territ\u00f3rios ocupados. Tal alega\u00e7\u00e3o n\u00e3o se sustenta perante o Direito Internacional: \u201cUm Estado n\u00e3o pode simultaneamente exercer controle sobre um territ\u00f3rio que ocupa e militarmente atacar esse territ\u00f3rio, alegando que \u00e9 estrangeiro e representa uma amea\u00e7a \u00e0 seguran\u00e7a nacional, fazendo precisamente isso, Israel est\u00e1 afirmando direitos associados \u00e0 domina\u00e7\u00e3o colonial, que simplesmente n\u00e3o existem ao abrigo do Direito Internacional.\u201d[12]<\/span><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O uso indiscriminado da for\u00e7a e os ataques desproporcionais s\u00e3o proibidos pelo Protocolo I das Conven\u00e7\u00f5es de Genebra, artigos 51 e 57. De 7 de outubro a 12 de outubro, o ex\u00e9rcito israelense anunciou que \u201c<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">As for\u00e7as a\u00e9reas israelenses largaram 6 mil bombas em alvos do Hamas<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">\u201d, matando cerca de 1500 palestinos at\u00e9 aquela data, sendo metade de crian\u00e7as e mulheres. Estima-se que at\u00e9 o momento, em m\u00e9dia uma crian\u00e7a palestina \u00e9 assassinada pelas for\u00e7as israelenses a cada 15 minutos[13]<\/span><span style=\"font-weight: 400\">, o n\u00famero j\u00e1 passa de mais de 2.055, estando mais de 800 desaparecidas[14]<\/span><span style=\"font-weight: 400\">. A ajuda humanit\u00e1ria internacional s\u00f3 foi aceita pelo Estado de Israel no 14\u00ba dia da guerra, autorizada para acontecer pela fronteira com Egito, tamb\u00e9m bombardeada por for\u00e7as israelenses em diversas oportunidades nesta guerra. Apesar da autoriza\u00e7\u00e3o de ingresso da ajuda humanit\u00e1ria, n\u00e3o houve pausa nos bombardeios israelenses. A ONU estima que seriam necess\u00e1rios 100 caminh\u00f5es de ajuda humanit\u00e1ria por dia[15]<\/span><span style=\"font-weight: 400\">.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A pr\u00e1tica criminosa de submeter a popula\u00e7\u00e3o civil aos bombardeios incessantes, sem qualquer preocupa\u00e7\u00e3o em minimizar a morte de civis a cada ataque, apesar da avan\u00e7ada tecnologia b\u00e9lica, caracterizando indistintamente quaisquer bens ou civis como alvos de guerra, at\u00e9 o momento j\u00e1 levou a vida de cerca de 6.000 palestinos, incluindo 2.055 crian\u00e7as e 1.119 mulheres<\/span><span style=\"font-weight: 400\">, sendo que as v\u00edtimas fatais israelense somaram 1.405[16].<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> Os bombardeios tamb\u00e9m focam na destrui\u00e7\u00e3o de moradias, de infraestrutura de subsist\u00eancia, hospitais, templos religiosos, escolas. O bloqueio de energia el\u00e9trica, a falta de \u00e1gua, comida, medicamentos, ajuda humanit\u00e1ria est\u00e3o na esteira da a\u00e7\u00e3o de Israel contra Gaza. Apenas 54 caminh\u00f5es de ajuda humanit\u00e1ria conseguiram entrar em Gaza[17].<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">S\u00e3o mais de 6 milh\u00f5es de palestinos refugiados no mundo, conforme a Ag\u00eancia da ONU para Refugiados Palestino (UNRWA). Pessoas que foram obrigadas a deixar suas casas, suas ra\u00edzes, por sua exist\u00eancia \u00e9tnica. Citamos aqui as palavras de Edward Said[18], palestino radicado nos EUA, para quem o ex\u00edlio \u201c<\/span><span style=\"font-weight: 400\">\u00e9 uma fratura incur\u00e1vel entre um ser humano e um lugar natal, entre o eu e seu verdadeiro lar: sua tristeza essencial jamais pode ser superada.\u201d Dentre as pol\u00edticas convencionadas internacionalmente para refugiados est\u00e1 a repatria\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria, uma solu\u00e7\u00e3o duradoura das mais importantes diante do drama do ref\u00fagio e dos desafios da integra\u00e7\u00e3o. Desde a Nakba em 1948, que foi a expuls\u00e3o de 750 mil palestinos de seu territ\u00f3rio, o retorno n\u00e3o tem sido uma possibilidade para o povo palestino, apesar da Resolu\u00e7\u00e3o 196 de 1948 da AG da ONU que determinou o respeito a tal direito, sendo reiterada por pelo menos 130 vezes. Nossa luta humanit\u00e1ria, uma luta por justi\u00e7a, direitos, dignidade e respeito, perpassa a luta pelo retorno. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que aceitemos como resposta imposta pelo Estado de Israel, ou o genoc\u00eddio ou a fratura incur\u00e1vel da separa\u00e7\u00e3o da terra natal, da brutalidade do deslocamento for\u00e7ados.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Estabelece o art. 6 do Tribunal Penal Internacional como crime de genoc\u00eddio, \u201co ato cuja inten\u00e7\u00e3o seja destruir, no todo ou em parte, um grupo nacional, \u00e9tnico, racial<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">ou religioso, enquanto tal, praticado por meio da sujei\u00e7\u00e3o intencional do grupo a condi\u00e7\u00f5es de vida com vista a provocar a sua destrui\u00e7\u00e3o f\u00edsica, total ou parcial, por meio do homic\u00eddio de membros do grupo, da ofensa grave \u00e0 integridade f\u00edsica ou mental de membros do grupo\u201d; dentre outras situa\u00e7\u00f5es. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Como disse Galeano[19], em seu texto \u201cQuem deu a Israel o direito de negar todos os direitos?\u201d<\/span><span style=\"font-weight: 400\">, \u201cem cada uma de suas guerras defensivas, Israel devorou outro peda\u00e7o da Palestina e os almo\u00e7os seguem\u201d. Israel aproveita a deflagra\u00e7\u00e3o de um conflito para justificar uma limpeza \u00e9tnica j\u00e1 em curso pelos crimes de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">apartheid<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, deslocamento for\u00e7ado de pessoas e persegui\u00e7\u00e3o, tipificados no art. 7, do TPI. Desde sua funda\u00e7\u00e3o, Israel tem imposto ao povo palestino tr\u00eas op\u00e7\u00f5es: deslocamento for\u00e7ado, submiss\u00e3o ou morte. Apesar disso, contra todas as probabilidades, da impot\u00eancia da comunidade internacional e com o patroc\u00ednio das principais pot\u00eancias ocidentais do mundo, o povo palestino persiste em uma quarta: a resist\u00eancia.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Dar voz ao povo palestino, historicamente oprimido, \u00e9 reivindicar justi\u00e7a, paz e humanidade. Quando estamos diante de fatos da hist\u00f3ria que identificam as ra\u00edzes da viol\u00eancia, da viola\u00e7\u00e3o e da opress\u00e3o, portanto associadas ao desrespeito ao direito internacional e \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o dos povos, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel a complac\u00eancia do discurso dos \u201cdois lados\u201d, das equival\u00eancias que s\u00e3o irreais e desproporcionais, para assumirmos uma posi\u00e7\u00e3o de sil\u00eancio. Quando esta voz \u00e9 levantada, comumente \u00e9 silenciada por uma tentativa deliberada de interdi\u00e7\u00e3o da palavra pela acusa\u00e7\u00e3o falaciosa de antissemitismo. Uma tentativa de impedir que o sionismo seja denunciado enquanto ideologia racial, paradoxalmente, enraizado em um Estado composto por uma maioria vitimada por persegui\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas, cujo \u00e1pice est\u00e1 nos horrores do holocausto.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Pelo fim do <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">apartheid<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> e do genoc\u00eddio em curso contra o povo palestino!\u00a0<\/span><\/p>\n<p>_______________________________________<\/p>\n<p>Refer\u00eancias:<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">[1] Israeli defence minister orders \u2018complete siege\u2019 on Gaza. 9 oct. 2023. https:\/\/www.aljazeera.com\/program\/newsfeed\/2023\/10\/9\/israeli-defence-minister-orders-complete-siege-on-gaza<\/span><\/p>\n<p>[2] <span style=\"font-weight: 400\">Human Rights What. The obligations of Israel and the Palestinian Authority under International Law. 2001. https:\/\/www.hrw.org\/reports\/2001\/israel\/hebron6-04.htm<\/span><\/p>\n<p>[3] <span style=\"font-weight: 400\">Resolution 3379: Elimination of all forms of racial discrimination Arquivado em 6 dezembro 2012 no Wayback Machine. UNGA, 10 de novembro de 1975 (doc.nr. A\/RES\/3379 (XXX).<\/span><\/p>\n<p>[4] <span style=\"font-weight: 400\">COCONI, Luciana. Apartheid contra el pueblo palestino. 2010. Editora Ediciones del Oriente e del Mediterraneo<\/span><\/p>\n<p>[5] <span style=\"font-weight: 400\">Resolu\u00e7\u00e3o 2334 de 2016 do CS. https:\/\/www.un.org\/webcast\/pdfs\/SRES2334-2016.pdf<\/span><\/p>\n<p>[6] <span style=\"font-weight: 400\">Anistia Internacional. https:\/\/www.amnesty.org\/en\/latest\/campaigns\/2019\/01\/chapter-3-israeli-settlements-and-international-law\/<\/span><\/p>\n<p>[7] <span style=\"font-weight: 400\">Idem<\/span><\/p>\n<p>[8] n.p.r.<span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/www.npr.org\/2023\/10\/19\/1206479861\/israel-gaza-hamas-children-population-war-palestinians<\/span><\/p>\n<p>[9] UN General Assembly Documentation.<span style=\"font-weight: 400\"> https:\/\/research.un.org\/en\/docs\/ga\/quick\/regular\/78<\/span><\/p>\n<p>[10] <span style=\"font-weight: 400\">Report of the Special Rapporteur on the situation of human rights in the Palestinian territories occupied since 1967, Richard Falk. 2014. https:\/\/www.ohchr.org\/sites\/default\/files\/HRBodies\/HRC\/RegularSessions\/Session25\/Documents\/A-HRC-25-67_en.doc<\/span><\/p>\n<p>[11] ONU Brasil. https:\/\/brasil.un.org\/pt-br\/250310-c%C3%BApula-do-cairo-pela-paz<\/p>\n<p>[12] The Legal Agenda. https:\/\/english.legal-agenda.com\/israel-does-not-have-right-to-self-defense-in-international-law-against-occupied-palestinian-territory\/<\/p>\n<p>[13] BBC. https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/articles\/cx8r5qr159do<\/p>\n<p>[14] Defence for Children International PALESTINE. https:\/\/www.dci-palestine.org\/2055_palestinian_children_killed_in_gaza_more_than_800_missing<\/p>\n<p>[15] Estad\u00e3o. https:\/\/www.estadao.com.br\/politica\/coluna-do-estadao\/gaza-precisaria-receber-ajuda-cinco-vezes-maior-com-100-onibus-por-dia-lotados-de-comida-e-remedios\/<\/p>\n<p>[16] Al Jazeera. https:\/\/www.aljazeera.com\/news\/longform\/2023\/10\/9\/israel-hamas-war-in-maps-and-charts-live-tracker<\/p>\n<p>[17] Al Jazeera. https:\/\/www.aljazeera.com\/news\/liveblog\/2023\/10\/22\/israel-hamas-war-gazas-al-quds-hospital-faces-threat-of-israeli-bombing#:~:text=Only%2054%20trucks%20of%20humanitarian,entering%20the%20coastal%20Palestinian%20enclave.<\/p>\n<p>[18] SAID, Edward. Reflex\u00f5es sobre o ex\u00edlio. 2023. Companhia das Letras<\/p>\n<p>[19] GALEANO, Eduardo. &#8220;Quem deu a Israel o Direito de Negar Todos os Direitos?&#8221; https:\/\/www.pragmatismopolitico.com.br\/2012\/11\/eduardo-galeano-israel-gaza-direito-de-negar-todos-os-direitos.html<\/p>\n<p>Sobre os Autores:<\/p>\n<p><strong>Giuliana Redin<\/strong> \u00e9 professora e pesquisadora do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Direito e Departamento de Direito, \u00e1rea de direito internacional, direitos humanos e acesso \u00e0 justi\u00e7a. Doutora em Direito pela PUC\/PR, com p\u00f3s-doutorado em Psicologia Social pela USP. Coordenadora do Migraidh, Direitos Humanos e Mobilidade Humana Internacional, e da C\u00e1tedra S\u00e9rgio Vieira de Mello do ACNUR na UFSM.<\/p>\n<p><strong>Alex Barcelos Monaiar<\/strong> \u00e9 psic\u00f3logo do munic\u00edpio de Santa Maria, RS. Mestre em Psicologia pela UFSM. Ativista dos direitos humanos.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-5035\" src=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/563\/2023\/10\/Post-Instagram-Palestina-1_page-0001.jpg\" alt=\"\" width=\"621\" height=\"621\" srcset=\"https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/563\/2023\/10\/Post-Instagram-Palestina-1_page-0001.jpg 1688w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/563\/2023\/10\/Post-Instagram-Palestina-1_page-0001-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/563\/2023\/10\/Post-Instagram-Palestina-1_page-0001-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/563\/2023\/10\/Post-Instagram-Palestina-1_page-0001-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/563\/2023\/10\/Post-Instagram-Palestina-1_page-0001-768x768.jpg 768w, https:\/\/www.ufsm.br\/app\/uploads\/sites\/563\/2023\/10\/Post-Instagram-Palestina-1_page-0001-1536x1536.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 621px) 100vw, 621px\" \/><\/p>\n<p><br \/><br \/><br \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Giuliana Redin e Alex Barcelos Monaiar Ap\u00f3s um ataque surpresa do Hamas (Movimento de Resist\u00eancia Isl\u00e2mica) em 7 de outubro, que resultou em centenas de mortes de civis e militares israelenses nos primeiros dias, Israel lan\u00e7a a \u201cOpera\u00e7\u00e3o Espada de Ferro\u201d contra Gaza, multiplicando exponencialmente a morte de civis palestinos, majoritariamente crian\u00e7as e mulheres, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3042,"featured_media":5035,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[87,112,102,2,110,1,25],"tags":[160,77,75,138],"class_list":["post-5033","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-grupo-pesquisa","category-linhasdepesquisa-linhasdepesquisa","category-linhasdepesquisa","category-noticias","category-noticiasgerais","category-sem-categoria","category-ultimas-noticias","tag-direitos-humanos-extensao-universitaria","tag-grupos","tag-migraidh","tag-ppgd"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/ppgd\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5033","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/ppgd\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/ppgd\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/ppgd\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3042"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/ppgd\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5033"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/ppgd\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5033\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/ppgd\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5035"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/ppgd\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5033"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/ppgd\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5033"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ufsm.br\/cursos\/pos-graduacao\/santa-maria\/ppgd\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5033"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}