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Dissertação apresentada no Programa de Pós-Graduação em Letras transformou-se em cartilha para auxiliar estudantes que farão a prova do Enem.



A pandemia do novo coronavírus transformou realidades e trouxe grandes desafios. No âmbito educacional, alunos tiveram que deixar de frequentar suas escolas, pois poderiam ser locais de fácil propagação do vírus. Após mais de três meses do início do distanciamento físico, as aulas presenciais seguem suspensas em nosso país, uma vez que a curva de contágio da doença continua em crescimento em praticamente todos os estados. Para quem espera concluir o ensino médio e realizar as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para entrar em uma universidade em 2021, a situação é ainda mais difícil. 

O desempenho no exame é utilizado pelo Sistema de Seleção Unificado (SiSU), que permite o acesso a várias universidades públicas do Brasil, como a UFSM. Além disso, a nota do Enem é aceita em algumas instituições privadas e proporciona bolsas pelo Programa Universidade Para Todos (Prouni) e o Financiamento Estudantil (FIES). 

Segundo o governo, esta edição teve 6,1 milhões de inscritos e, inicialmente, a prova seria realizada no mês de novembro. Entretanto, devido à covid-19, alunos, entidades estudantis e universidades se mobilizaram em campanhas pelo adiamento das provas, uma vez que estudantes de baixa renda têm condições precárias de estudos durante a pandemia. A questão foi levada e aprovada no Senado. Pouco antes da votação com placar de 75 a 1, o MEC anunciou o adiamento. A data para aplicação dos testes segue indefinida.

Para auxiliar os estudantes que se preparam para o Enem, a doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFSM, Amanda Petry Radünz, juntamente com sua orientadora, professora Patrícia Marcuzzo, criaram o “Guia prático para mandar bem no Enem de língua inglesa”. A cartilha foi desenvolvida a partir da dissertação de Amanda, que abordou como são estruturadas as questões de inglês da prova. 

Durante sua trajetória acadêmica, Amanda participou do projeto Línguas no Campus, no qual ministrava aulas de leitura em língua inglesa e preparatórias para o Teste de Suficiência em Leitura em Língua Estrangeira (TESLLE) – Inglês, o qual foi seu objeto de análise no Trabalho de Conclusão de Curso. Já para o mestrado, ela e a orientadora Patrícia fizeram um estudo semelhante, a partir de sete exemplares do Enem – língua inglesa, dos anos de 2010 a 2017.  

“O primeiro enfoque da análise foi estrutural: entender como as questões se organizam. Depois, a análise voltou-se para o conteúdo das questões: o que, em termos de linguagem, o examinando precisa entender nos textos-base para responder às questões?”, explica a pesquisadora. Dentre os resultados encontrados, ela observa que todos os textos-base são escritos em inglês, mas, a partir do enunciado da questão, redigido em português, pode-se ter uma contextualização e retirar informações dos textos, como a autoria, o público-alvo e o local de publicação. 

Além dessas referências que podem ajudar o participante no processo de leitura e contextualização, Amanda também concluiu que, quanto aos enfoques das questões, é necessário que o estudante identifique informações específicas sobre o conteúdo, o objetivo e também o assunto dos textos-base. Ela afirma que o estudo é relevante, pois explica com detalhes a língua inglesa dentro do exame. “Ele pode auxiliar tanto os professores que orientam os alunos na preparação para o Enem, quanto os próprios alunos, ao demonstrar como o teste se estrutura e quais aspectos de linguagem são mobilizados pelas questões”, ressalta.  

A professora Patrícia, que orientou Amanda na dissertação, detalha que “no contexto acadêmico, há vários estudos sobre gêneros escolares, como a própria redação do Enem e de exames vestibulares. No entanto, há poucos estudos sobre o gênero teste, como o Enem”. Segundo ela, as pesquisas existentes analisam o efeito retroativo dessas avaliações no ensino, enquanto a pesquisa de Amanda traça um panorama do teste como um todo, com configurações macro e microestruturais. 

A pesquisa fez parte de um projeto guarda-chuva, que buscou analisar outras avaliações, como o TOEFL-ITP, Teste de Suficiência em Língua Estrangeira e vestibulares de língua inglesa da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e da Universidade Federal de Santa Catarina. O “Guia prático para mandar bem no Enem de língua inglesa” foi o primeiro a ser produzido, mas Patrícia conta que a ideia é elaborar outras cartilhas sobre os testes estudados por outros alunos de graduação e mestrado. 

Com o estudo, após analisar 40 questões de língua inglesa do Enem, os resultados da dissertação foram resumidos e adaptados para que possam servir de auxílio para estudantes que irão prestar o Enem. O guia final é organizado no formato de pergunta-e-resposta, com seis tópicos que orientam no estudo para o teste. Além disso, também são apresentadas seis questões-modelo para exemplificação. 

Dentre as dicas, o material inicia com a explicação geral da quantidade e modelo das questões de língua inglesa, que são cinco, compostas por um texto-base, uma situação problema a ser resolvida e cinco alternativas (quatro distratores e um gabarito). Os textos-base foram escritos originalmente em inglês e são de cinco esferas diferentes: jornalística, literária, pedagógica, publicitária e turística. 

Já os enunciados são escritos em português e neles é possível encontrar uma contextualização do texto em inglês, com informações sobre o gênero, autoria, assunto, contexto de publicação ou público alvo. Eles também podem indicar alguma parte do texto a ser lida mais detalhadamente para obter a resposta. São informações que auxiliam o participante a encontrar a resposta da pergunta. 

Mesmo que as questões sejam estruturadas com início pelo texto-base, depois o enunciado e, por fim, as alternativas, outra recomendação é que o examinando não leia a questão a partir dessa ordem. É sugerida primeiro a leitura do enunciado e, em seguida, as alternativas de resposta. Só depois o participante deve ler o texto em inglês para identificar a resposta, uma vez que as alternativas podem conter pistas que auxiliem na compreensão. 

Esse guia também é uma maneira de retribuição que as professoras encontraram, uma vez que a pesquisa não fica apenas no âmbito acadêmico, mas pode ser utilizada de maneira prática por professores e alunos. “Como pesquisadora do assunto e também professora, entendo que, para se sair bem em uma prova ou em um teste, é fundamental conhecê-los antes! Alguns aspectos do teste (como estrutura, número de questões, enfoque etc) devem fazer parte do estudo preparatório”, finaliza Patrícia.  

 

O guia completo já está disponível. Em breve as pesquisadoras pretendem enviar o material para o curso Pré-Universitário Popular Alternativa, da UFSM, e para a plataforma Momento de Aprender

Reportagem: Melissa Konzen, acadêmica de Jornalismo

Ilustrações: Marcele Reis, acadêmica de Publicidade e Propaganda

Mídias Sociais: Nathalia Pitol, acadêmica de Relações Públicas

Edição: Maurício Dias, jornalista


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