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Publicado: 13 outubro 2021 - 17:12 | Última modificação: 13 outubro 2021 - 17:20
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O VAMPIRO NA FICÇÃO GÓTICA QUEER: TENSÕES ENTRE SEXUALIDADE DISSIDENTE E HETERONORMATIVIDADE

TÉCNICO-CIENTÍFICOS

Google Meet - Santa Maria

09/11/2021 18:00 - 23/11/2021 19:00

Descrição

133º SEMINÁRIO DE ESTUDOS AVANÇADOS

Título: O vampiro na ficção gótica queer: tensões entre sexualidade dissidente e heteronormatividade.
Palestrante: Prof. Dr. Andrio J. R. dos Santos.

Mais informações: PROPOSTA DE SEMINÁRIO ANDRIO SANTOS 2021.docx.pdf – Google Drive

Ementa:

A figura do vampiro sempre esteve relacionada ao desejo e à sexualidade, sobretudo no que se refere a expressões de homoafetividade. Nesse aspecto, o mito literário do vampiro revela-se como um tipo de representação alinhada ao gótico queer (ou a abordagens queer do gótico), um dos desdobramentos mais recentes da ficção gótica, que encontra seu principal interesse no exame de questões relativas a sexualidades dissidentes. Na introdução de The Blood is the Life: Vampires in Literature (1999), Leonard Heldreth e Mary Pharr comentam que, como uma figura dúbia, ao mesmo tempo morta e viva, o vampiro representa muito bem o limite entre o sancionado e o tabu, e sua imagem ocupa um espaço de tensão em que homossexualidade e homoerotismo se chocam contra heteronormatividade e conservadorismo. Exemplos são profícuos. Temos os textos “fundadores”, como The Vampyr, de John Polidori, Varney, The Vampyre (1845), de James Malcolm Rymer, Carmilla (1872), de Sheridan Le Fanu e, posteriormente, o romance que aglutina diversos elementos anteriores: Dracula (1897), de Bram Stoker. Em todos esses textos, o vampiro representa transgressão e está relacionado de maneira indelével a sexualidades dissidentes.

Durante o século XX, Anne Rice reescreve o mito literário do vampiro através da representação queer de Lestat, o protagonista de suas “Vampire Chronicles” (1976 – presente). De certa forma, a partir de Rice, sexualidades dissidentes e identidades queer passam a ser, mais claramente e de variadas maneiras, associadas ao vampiro. Além disso, nas narrativas vampirescas de Anne Rice e Poppy Z. Brite as relações homoafetivas são determinantes para a narrativa, algo também visto na obra de Charlaine Harris, ainda que como metáfora. E talvez não seja possível pensar o mito do vampiro hoje sem pensar em expressões televisivas e cinematográficas. A própria adaptação da obra de Anne Rice, o filme Interview With the Vampire (1994), e de Charlaine Harris, a série True Blood, conquistaram particular sucesso entre o público LGBTQ+. Outras produções como Dracula’s Daughter (1936), Hunger (1983), Bram Stoker’s Dracula (1992) Let the Right One In (2008) Only Lovers Left Alive (2014), em maior ou menor grau, abortam representações de identidades queer e sexualidades dissidentes como elementos constitutivos da narrativa. Além disso, como contraponto, também é interessante notar o esforço que a “Saga Crepúsculo” (considerando seu estrondoso sucesso comercial) empreende para normatizar o mito do vampiro, retirando dele seu caráter queer e nuances relativas à sexualidade.

Tendo isso em vista, podemos tecer algumas questões: o que torna queer certas representações do vampiro? O que o liga de maneira tão íntima à questão da sexualidade e, o mais pertinente aqui, à sexualidade dissidente? Para discutir essas questões, precisamos realizar um exame crítico desse gótico vampiresco, partindo das primeiras expressões em verso e prosa do século XVIII e XIX e chegando à literatura, ao cinema e à televisão do século XX e XXI. Nina Auerbach (1995) comenta que o vampiro parece ser capaz de se comunicar com nossos desejos. Nós ouvimos, assistimos, lemos sobre esses predadores, tomados pela noção de que eles estão mais vivos do que deveriam. De certa forma, eles agem nas margens do discurso hegemônico, de tudo o que é sancionado, e sua representação é capaz de complicar e até dissipar fronteiras de gênero e de sexualidade, um movimento que apresenta possiblidades subversivas, capazes de provocar e libertar seus “acólitos”, permitindo que vislumbrem e até celebrem diferentes representações indenitárias.

Programação

PROGRAMA

Unidade I – Primeiras expressões: de vampiras amaldiçoadas ao byronismo

  1. Expressões em verso: o tema do amante que retorna; 
  2. Expressões em verso: primazia da homoafetividade lésbica;
  3. Byronismo: o vampiro e a fatalidade.

Unidade II – A prosa vampiresca XVIII e XIX: amor e morte

  1. De Ruthwen a Drácula: a herança fatalista de Lorde Byron;
  2. “Você é minha”: sangue, vinho e chocolate em Carmilla
  3. Leitura crítica e discussão de textos, exemplificando questões supracitadas.

Unidade III – A prosa vampiresca do século XX e XXI: identidades queer e dissidência 

  1. O Príncipe Lestat de Anne Rice: dissidência sexual e de gênero;
  2. Suor, sangue e saliva: os vampiros e as subculturas à margem de Poppy. Z. Brite;
  3. Leitura crítica e discussão de textos, exemplificando questões supracitadas.

Unidade IV – O cinema e as séries vampirescas do XX e XXI: 

  1. “God hates fangs”: homofobia e homoerotismo em True Blood (2008-2014);
  2. Adaptações cinematográficas: Interview With the Vampire (1991), Bram Stoker’s Dracula (1992) e Carmilla (2020);
  3. Vislumbres de identidade queer: Dracula’s Daughter (1936), American Horror Story – Hotel (2015); 
  4. A questão da normatização: Let the Right One In (2008)/Let Me In (2010) e The Twilight Saga (2008-2012);
  5. Discussão das questões supracitadas.

Unidades V – Saindo do caixão: considerações e provocações

  1. Os estudos do gótico e o mito do vampiro antes dos estudos queer: precedências e desencontros;
  2. O que se ganha, em termos teóricos e analíticos, conjugando os estudos do gótico e os estudos queer para se pensar a questão vampírica na literatura e na cultura popular?;
  3. Discussão das questões supracitadas.
Inscrição

Através do formulário no seguinte link: https://forms.gle/ocaR9dxtbDyNz6JV9

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