Ir para o conteúdo PPGRI Ir para o menu PPGRI Ir para a busca no site PPGRI Ir para o rodapé PPGRI
  • Acessibilidade
  • Sítios da UFSM
  • Área restrita

Aviso de Conectividade Saber Mais

Início do conteúdo

Debate do prefácio de Sarte na obra Os Condenados da Terra inaugurou encontros do REAO



Foi realizado, em 26 de abril, o primeiro encontro do projeto de extensão Repensando a África e o Oriente Médio (REAO). Na ocasião, o projeto foi apresentado aos participantes e debateu-se o prefácio de Jean-Paul Sartre no livro Os Condenados da Terra, de autoria de Frantz Fanon. O livro é considerado a obra prima do autor da ilha de Martinica, e faz parte de seu pequeno, porém importante, acervo para a libertação mental africana. Fanon foi um psiquiatra, filósofo e intelectual da diáspora africana que se inseriu no contexto da negritude assim como outros autores negros de origem francófona, como Aimé Césaire e Leopold Senghor. Não somente suas obras ajudaram na libertação anti-colonial de vários países africanos, como o próprio Fanon se uniu à Frente de Libertação Nacional (FLN) argelina, no combate ao jugo colonial francês.

Graças a Fanon e outros autores africanos, a Europa deixou de ser o interlocutor dos processos coloniais, passando a ser objeto de discurso e crítica. O que se considerou então como a revolução copérnica dos estudos africanos retirou progressivamente a centralidade então ocupada pelos europeus. Em Os Condenados da Terra, Fanon já não lhes dirige mais a palavra: seu público são os africanos, é a quem os dedica e a quem os escreve. Uma diferenciação pode ser identificada justamente no prefácio de Sartre, que busca atingir os europeus, em especial os franceses. Numa narrativa bastante crítica, Sartre dialoga com o seu público, os europeus, alertando-os e questionando-os das mazelas praticadas pelo colonialismo europeu no continente africano. Com isso, todas as justificativas para a empreitada colonial iam caindo por terra, restando somente a verdade crua do puro interesse imperial.

Assim, Sartre chama a atenção para a hipocrisia dos ideais dos seus compatriotas: ao passo que a França se livrava do nazismo e clamava por sua liberdade e reconstrução, esse mesmo país massacrava africanos que levantavam as mesmas bandeiras de liberdade. Mudando de continente, mudavam também de posição nas trincheiras: a universalização da liberdade e do humanismo não eram seus verdadeiros objetivos, afinal de contas. No prefácio, Sartre denuncia esse sistema e lembra aos europeus que os massacres cometidos na África eram em seus nomes, assim como os crimes e as espoliações ocorridas eram para seus benefícios. Essas observações permitem-nos um amplo caminho a ser debatido nos próximos encontros do projeto, no qual daremos continuidade a leitura do livro.

Nota elaborada por Victor de Carli Lopes, colaborador do REAO, e Ana Luiza Vedovato, assistente de comunicação do GECAP.


Notícia vinculada a


Publicações Recentes