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Análise da atual conjuntura das exportações e dos custos de produção de soja na Região Noroeste do RS

CHINA, O PRINCIPAL DESTINO DAS EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS DE SOJA

Segundo projeções da Abiove (2018), as exportações brasileiras de soja em grãos devem crescer 12% em 2018, em relação a 2017, e alcançar o patamar de 76,1 mi/t.

O balanço de oferta e demanda pela oleaginosa mostra que as exportações deverão representar cerca de 64% do total produzido em 2018, ante 48% em 2012, conforme é possível identificar no Quadro 1.

Quadro 1. Balanço de Oferta/Demanda (1.000 t) do Complexo Soja no Brasil

Discriminação2012201320142015201620172018 (P)
1. Soja
1.1. Estoque Inicial5.8521.7901.6822.3931.8314.2995.265
1.2. Produção67.92081.59386.39796.99496.199113.804118.800
1.3. Importação268283578324382254300
1.4. Sementes/Outros2.9002.9502.9503.0003.0003.1003.200
1.5. Exportação32.91642.79645.69254.32451.58268.15576.100
1.6. Processamento36.43436.23837.62240.55639.53141.83743.600
1.7. Estoque Final1.7901.6822.3931.8314.2995.2651.465

Fonte: ABIOVE (2018).

Para o mercado de farelo de soja, as projeções são de elevação de 1,2 mi/t na produção e de aumento de 2,36 mi/t nas exportações. Já, para o óleo de soja, destaca-se o crescente consumo doméstico, que deverá alcançar 7,75 mi/t em 2018, ante 7,09 mi/t em 2017 e 5,33 mi/t em 2012.

Neste contexto, considerando que o processamento doméstico de soja, para 2018, foi estimado em 43,6 mi/t, a projeção é de que os estoques finais brasileiros apresentem redução de 72% e cheguem a 1,465 mi/t, o menor patamar desde o início da série histórica, que iniciou em 1999.

Portanto, se confirmado o cenário apresentado pela Abiove, a demanda doméstica por grão, farelo e óleo tenderá a exercer pressão altista em 2019, sobretudo se se for confirmado a ampliação das exportações de carnes e retomada de mercados importantes para o Brasil e a possibilidade de elevação na mistura obrigatória de biodiesel no óleo diesel mineral, que poderá ser de até 15% em 2019 (neste momento o percentual é 10%), desde que o Conselho Nacional de Política Energética delibere positivamente sobre o tema.

Por outro lado, é importante destacar que as exportações são o principal destino da produção brasileira e gaúcha e a crescente importância do mercado chinês é positivo, mas traz riscos, principalmente pela dependência em relação a um único mercado. Neste contexto, observa-se que no acumulado janeiro-agosto/2018, a China foi o destino de 50,85 milhões de toneladas de soja produzida no Brasil, o equivalente a 79% do total exportador pelo país.

Este desempenho se atribui, principalmente a implementação chinesa de 25% de imposto de importação sobre a soja dos Estados Unidos, em uma ação de reciprocidade à equivocada política externa do governo estadunidense.

Portanto, a força da demanda, em especial chinesa, vem garantindo, neste ano, elevada liquidez e permitindo cotações elevadas no Brasil. Este é um fato positivo, pois exerce pressão altista sobre o mercado, mas permite observar que a renda gerada pela cadeia produtiva da soja, inclusive na Região Noroeste do RS, está cada vez mais dependente de um único mercado.

 

LAVOURA DE SOJA COMEÇA A SER PLANTADA COM CUSTOS DE PRODUÇÃO MAIS ELEVADOS

O cenário atual mostra um significativo movimento de alteração no custo dos insumos utilizados para a produção de soja no Brasil e no Rio Grande do Sul. Neste contexto, o Índice de Inflação dos Custos de Produção, calculado pela equipe econômica da Farsul (2018) tem mostrado elevação consistente nos preços dos fertilizantes e do óleo diesel.

Igualmente, informações de mercado na região de Palmeira das Missões/RS apontam que os preços de herbicidas, dessecantes e inseticidas aumentaram entre 10% e 20%, em média, enquanto que os fungicidas estão sendo comercializados com preço muito próximos da safra passada. Em muitos casos, a compra antecipada com preços da safra anterior significou um ganho para os produtores, pois parte das empresas negociaram produtos com a taxa de câmbio na casa dos R$ 3,30/US$. Por outro lado, os sojicultores que vão adquirir seus defensivos a partir de agora podem se deparar com reajustes de 15% a 30%, dependendo do defensivo adquirido.

Uma parte destes reajustes podem ser explicados pela desvalorização do real frente ao dólar, mas é importante destacar que as condições de oferta dos pesticidas, principalmente no mercado chinês (principal produtor internacional) está passando por significativas transformações estruturais.

A partir de 2015, o Governo chinês iniciou uma política de recuperação ambiental que está se traduzindo em ações restritivas à produção e uso de fertilizantes químicos e pesticidas. O objetivo desta é ajudar no controle da poluição agrícola não pontual, conforme destacam Jin e Zhou (2018). Neste processo, a fiscalização das atividades de produção se intensificaram de tal forma que nos últimos meses a indústria está produzindo sob condições de restrição de matérias primas utilizadas na produção de princípios ativos.

As agências governamentais chinesas estão fiscalizando as condições ambientais e os impactos gerados pela indústria e isto tem resultado na redução da produção de moléculas, que são utilizadas na produção de princípios ativos. Dadas as condições de redução da oferta e de elevação da demanda, a elevação nos preços passa a ser estimulada pela própria dinâmica de mercado. Segundo relatos de empresas do segmento, existem moléculas que tiveram redução de disponibilidade de até 70% (principalmente inseticidas).

Sendo assim, a elevação de preços neste segmento, no Brasil, é explicada pelo aumento na taxa de câmbio e pela redução da oferta de moléculas utilizadas na produção dos defensivos.

Dadas as atuais condições de mercado, os custos da safra 2018/2019 tendem a ser superiores aos custos da safra 2017/2018. Por isso, se o desejo for reduzir a exposição ao risco, a tomada de decisões na área de comercialização da safra nova deve considerar, entre as possibilidades, a negociação antecipada de parte da safra para cobrir os custos de produção, sobretudo se a taxa de câmbio retomar patamares mais baixos, puxados pela possível vitória de Jair Bolsonaro.

 

Prof. Dr. Nilson Luiz Costa

Economista, Dr. em Ciências Agrárias. Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Agronegócios (UFSM) – Mestrado Acadêmico. E-mail: nilson.costa@ufsm.br; web: Researchgate

 

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