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Preço de herbicidas e inseticidas: análise além da taxa de câmbio

Matéria originalmente publicada no Jornal Correio do Povo – Correio Rural, de 04/11/2018.

Com as atenções voltadas para o plantio, o agricultor gaúcho está viabilizando uma safra de soja que deve chegar a 18,4 milhões de toneladas, segundo dados da Conab e Emater. O aumento nos custos de produção já foi contabilizado, mas para além da variação cambial, no caso dos defensivos agrícolas, existe um componente de mudança estrutural importante, que pode ser explicado pelas limitações impostas ao setor de produção dos defensivos na China, principal produtor e exportador desses insumos.

A partir de 2015, o governo do país asiático iniciou uma densa política de recuperação ambiental que está se traduzindo em ações restritivas à produção e uso de fertilizantes químicos e pesticidas. O objetivo desta é ajudar no controle da poluição agrícola não pontual, conforme destacam os pesquisadores Shuqin Jin (Centro do Pesquisas em Economia Rural do Ministério da Agricultura da China) e Fang Zhou (Universidade de Agricultura e Pecuária do Tibete), no artigo intitulado “Zero Growth of Chemical Fertilizer and Pesticide Use: China’s Objectives, Progress and Challenges”.

Em decorrência disso, a fiscalização das atividades de produção se intensificou de tal forma que nos últimos meses a indústria está produzindo sob condições de restrição de matérias-primas utilizadas na produção de princípios ativos. De acordo com relatos de executivos do segmento, existem moléculas que tiveram redução de disponibilidade de até 70% em decorrência de sanções e até mesmo fechamento das fábricas.

A importância do país asiático para a agricultura brasileira se revela também na oferta de agroquímicos e não apenas na demanda por grãos. Em 2017, por exemplo, as estatísticas do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços do Brasil mostram que a China foi a origem de 100% das importações brasileiras de herbicidas à base de hexazinona e 89% das importações de herbicida à base de glifosato. Também foi a origem de 93% das importações de inseticida à base de fosfeto de alumínio e 57% das importações de inseticida à base de acefato ou de Bacillus thuringiensis. Já no caso dos fungicidas, Índia e Colômbia são os principais fornecedores para a agricultura brasileira. Portanto, não por acaso, as maiores elevações nos preços de agroquímicos ocorreram no grupo dos herbicidas e inseticidas, pois as condições de redução da oferta e de elevação da demanda por estes produtos passam a causar aumento de preços no mercado chinês. A desvalorização do real frente ao dólar ajudou a explicar o aumento dos preços e potencializou ainda mais esta tendência.

Diante disto, considerando os riscos inerentes à atividade agropecuária e o crescimento sustentado dos elementos de custo das lavouras, cada vez mais a rentabilidade estará associada ao profissionalismo, gestão da produção, controle do desperdício e elaboração de uma estratégia de comercialização capaz de garantir a sustentabilidade financeira da atividade.

Prof. Dr. Nilson Luiz Costa